Cesariana, uma distorção na obstetrícia brasileira
escrito por: Tricia em terça-feira, agosto 05, 2008 às 10:26 AM.
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Desde os anos 80, o Ministério da Saúde tenta diminuir o número de cesarianas no Brasil, mas não obtém sucesso, pois há vários problemas que condicionam essa situação, que é vergonhosa no quadro da obstetrícia no mundo contemporâneo. A Organização Mundial de Saúde insiste que o parto cirúrgico não pode ultrapassar 15% dos casos que abrangeriam todas as intercorrências desfavoráveis ao processo natural da parturição.
Isso não sensibiliza, entretanto, os médicos nem convence as mulheres de que elas e seus rebentos passariam por procedimentos muito mais saudáveis se o parto fosse normal, pois ele se refere à situação estabelecida pela natureza e testada pelas fêmeas de todos os mamíferos através dos tempos. Optamos, desde meados do século XX, por medidas mais invasivas, que oneram os serviços de saúde e podem acarretar danos irreparáveis ao bebê ou ao organismo materno.
Os profissionais argumentam que é o melhor caminho diante do desenvolvimento da tecnologia médica e as gestantes dizem que, no terceiro milênio, não podem dar à luz como Eva. Isso acontece, infelizmente, apenas em nosso país, indicando que temos mais essa distorção no serviço de saúde.
O anúncio de que será oferecido à gestante que optar pelo parto normal um quarto específico para o procedimento, com leito e banheiro, não reverterá essa estatística perversa, porque há muitos interesses em jogo que condicionam a escolha insensata. Isso fica facilmente demonstrado na situação das maternidades que atendem as classes privilegiadas, pois a cesariana ocorre em 80% dos nascimentos.
Há, nesse caso, um acordo entre o médico e a gestante, com agendamento prévio da cirurgia no início do pré-natal, resguardando-se ambos do incômodo do parto no meio da madrugada, em fim de semana ou na época de importantes compromissos sociais. O profissional obtém mais vantagens porque cobra mais caro, desincumbe-se da sua tarefa em menos de duas horas, garante sua paciente e faz obstetrícia com dia e hora marcados.
Trata-se de uma rotina oposta do que age na outra vertente, que precisa conferir, diariamente, a lista das gestantes que estão prestes a dar a luz, condicionando suas viagens e mesmo seus outros compromissos profissionais ao chamado emergencial na maternidade. Fica muito fácil justificar a primeira postura, diante do leigo, em cima de considerações teóricas sobre possíveis intercorrências para uma mulher que sofre alterações significativas em seu organismo vinculadas ao processo da gestação.
Ela não consegue questionar os argumentos técnicos e prefere assegurar que será atendida pelo responsável do pré-natal, que conhece o seu caso e oferecerá um tratamento personalizado.
Nenhuma medida oficial será, portanto, suficiente para mudar os rumos da obstetrícia brasileira se o alvo não for o médico. Norte-americanas que vêm residir aqui são advertidas quanto à incompetência dos nossos profissionais para assistir a parto normal que demanda acuidade superior para intervir adequadamente no momento certo. Ou seja, os obstetras brasileiros apresentam falhas na sua formação e isso exige mudanças significativas nos cursos de medicina.
Torna-se imperioso também cobrar que cada profissional apresente sua própria estatística, demonstrando sua capacidade para atuar num fenômeno natural sem intervenções bruscas e desnecessárias em gestantes saudáveis. Isso será possível se ele for mais transparente, magnânimo e sensato diante da vida, da sociedade e da especialidade médica que escolheu livremente.
Publicado em: 02/08/2008
Marcadores: cesárea, cesariana, midia, obstetrícia
Comer chocolate pode diminuir o risco de pré-eclâmpsia
escrito por: Tricia em sábado, maio 31, 2008 às 2:56 PM.
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Publicado em 02/05/2008
Os resultados de um estudo prospectivo de coorte publicado no volume de maio
do Epidemiology sugerem que o consumo de chocolate durante a gestação pode
diminuir o risco de pré-eclâmpsia.
Dra. Elizabeth W. Triche, PhD, do Yale Center for Perinatal, Pediatric and
Environmental Epidemiology, em New Haven, Connecticut, e colaboradores
explicaram que a pré-eclâmpsia é uma grave complicação gestacional com
manifestações cardiovasculares. Os autores lembram que estudos recentes
sugerem que o consumo de chocolate pode ser benéfico para a saúde
cardiovascular.
A amostra do estudo consistiu em 2.291 pacientes grávidas que pariram um
nascido vivo entre setembro de 1996 e janeiro de 2000. Os pesquisadores
mediram o consumo de chocolate por auto-relato no primeiro e terceiro
trimestres da gestação e pela concentração sérica de teobromina no cordão
umbilical, que é a principal metilxantina presente no chocolate. Uma revisão
detalhada dos dados de 1.943 pacientes determinou o diagnóstico de
pré-eclâmpsia. Modelos de controle por regressão logística para potenciais
confundidores foram usados para determinar os odds ratios ajustados (OR) e
intervalo de confiança de 95% (IC).
De 1.681 mulheres, 63 (3,7%) desenvolveram pré-eclâmpsia. As concentrações
de teobromina no cordão umbilical são inversamente associadas à
pré-eclâmpsia (para o quartil mais altos versus o quartil mais baixo [OR,
0,31; IC 0,11-0,87]).
As estimativas de consumo de chocolate auto-relatadas, também, foram
negativamente associadas à pré-eclâmpsia. O risco de desenvolvimento dessa
condição diminuiu em mulheres que consumiam cinco ou mais porções por semana
versus mulheres que consumiam menos de uma vez na semana (OR, 0,81; IC
0,37-1,79 para consumo nos primeiros três meses de gestação e OR 0,60; IC
0,30-1,24 nos últimos três meses).
“Nossos resultados sugerem que o consumo do chocolate durante a gestação
pode reduzir o risco de pré-eclâmpsia”, declaram os autores. “Contudo, uma
relação inversa de causalidade também pode contribuir para estes achados”.
As limitações para este estudo incluem: dificuldades de padronizar o
autoconsumo de chocolate, possível causalidade reversa se mulheres
diagnosticadas com pré-eclâmpsia reduzirem sua ingestão calórica após o
diagnóstico, possível confundidor individual devido ao tabagismo ou índice
de massa corporal, pequeno número de mulheres com pré-eclâmpsia ou erro de
classificação da exposição.
“Devido à importância da pré-eclâmpsia como uma complicação grave da
gestação, são necessários outros trabalhos prospectivos com detalhes sobre o
consumo de chocolate”, afirmam os autores do estudo. As medidas da exposição
ao chocolate devem ser desenhadas para permitir um exame cuidadoso da
relação temporal entre o consumo de chocolate na gestação e o subseqüente
risco de pré-eclâmpsia.
Epidemiology. 2008;19:459-464.
Fonte: MEDCenter
Marcadores: cesárea, complicações, eclampsia, pre-eclampsia
Sempre um dilema: Normal ou cesariana?
escrito por: Tricia em segunda-feira, maio 14, 2007 às 3:09 PM.
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com as futuras mamães. Mas não deveria. Pelo menos é no que acredita a
grande maioria dos médicos e o que recomenda a Organização Mundial da Saúde
(OMS). O ideal é que todos os bebês venham ao mundo da forma natural, desde
que não haja nenhum impedimento.
Seguindo a tendência de tornar o parto mais confortável e natural para o
bebê e para a mãe, o Ministério da Saúde mantém um programa de humanização
que recomenda práticas menos invasivas. Segundo a coordenadora técnica de
Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Maria José de Oliveira Araújo, as
ações vão desde o aumento do valor pago pelo parto normal até a formação dos
profissionais de saúde das principais maternidades do Brasil no que chama de
"boas práticas obstétricas"
As práticas em questão são as mesmas recomendadas pela OMS. Dentre estas,
estão a permissão de um acompanhante da escolha da mulher, incentivar que
ela caminhe e tome líquido durante o trabalho de parto e oferecer banhos
quentes e massagens para aliviar a tensão. "O parto se tornou uma questão
praticamente tecnológica, com procedimentos invasivos", explica. O uso
excessivo de medicamentos e as cirurgias cesarianas desnecessárias são
exemplos disso.
O Brasil é um dos campeões mundiais em realização de cirurgias de parto,
atrás apenas do Chile. Contrariando recomendação da OMS de que apenas 15%
dos partos aconteçam de forma artificial, o País realiza aproximadamente 42%
dos partos por cesariana no Sistema Único de Saúde (SUS). No sistema
suplementar (serviços privados e planos de saúde), o número sobe e pode
chegar a 89%. No Chile, a porcentagem chega a 50% na rede pública.
Em 2006, o número já diminuiu, mas ainda está longe do ideal. Foram
realizadas pelo SUS no Brasil 2.139.493 cirurgias de parto. Mais de 30%
foram cesarianas. Na Bahia, a porcentagem foi de 23%. O gasto excedente com
as cesarianas também é um fator contra o procedimento, já que o preço do
procedimento é 56% mais caro do que o parto normal. Em 2006, a média do
valor gasto no país foi de R$ 556,67 para uma cesariana contra R$ 356,61
para o parto normal.
"A cesariana é um instrumento importantíssimo para salvar a vida de mães e
crianças, mas pode acontecer justamente o contrário", alerta Maria José. Ela
explica que a cirurgia traz mais riscos de infecção, de bebês prematuros e
com baixo peso e hemorragias do que o parto normal. "Essas informações estão
cientificamente provadas, não há mais dúvidas", enfatiza. Como parte do
programa de incentivo ao parto normal, os hospitais públicos e conveniados
ao SUS têm um limite mensal de cirurgias que varia de acordo com as
características de cada unidade.
Maria José lembra que também há ganhos para o vínculo afetivo entre a mãe e
o bebê quando o parto é normal, já que o contato é imediato e o
recém-nascido não é separado da mãe. Quanto à dor, principal motivo alegado
pelas gestantes para a escolha da cesariana, ela lembra que o SUS paga
anestesia para partos normais, além das técnicas que podem ajudar a
parturiente a dar à luz com mais conforto e comodidade. Ela reconhece que
nem todas as unidades disponibilizam as "melhores práticas", mas garante que
o Ministério da Saúde deu formação a profissionais de 500 maternidades
públicas e conveniadas ao SUS entre 2004 e 2006 para as "boas praticas da
atenção obstétrica".
A experiência da comerciária Maria Ângela da Silva mostra que o atendimento
dispensado às gestantes na rede pública ainda não é satisfatório. Mãe de Ana
Beatriz, de 5 anos, e Leonardo, de 3, ela enfrentou a primeira vez em
trabalho de parto sem acompanhantes e sem atenção. "Fui deixada na sala de
pós-parto e depois fiquei lá sentindo dor sozinha até a hora de ter nenê",
lembra.
Quando avisou que estava prestes a dar à luz, já foi tarde e os médicos só
tiveram tempo de colocá-la numa maca. "Não chegaram nem a me levar para
outra sala", conta. No segundo parto, contou com a sorte para ter toda a
atenção merecida. "Como eu era a única parindo naquela hora, tive os
médicos, enfermeiros e até os estagiários só para mim, mas acho que fui uma
cobaia", brinca.
Ângela diz que não se arrepende do parto normal – apesar de não ter tido
escolha e só ter tido direito a uma anestesia na hora de receber os pontos.
"Dói muito na hora, mas depois é só uma cólica normal, o que toda mulher já
está acostumada", garante.
Fonte: A Tarde
Marcadores: cesárea, parto normal
Polônia quer limitar numero de cesáreas
escrito por: Tricia em sábado, abril 28, 2007 às 8:17 AM.
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cesárea, porque considera que este tipo de intervenção incide de forma
negativa no número de filhos que pode ter uma mulher, informou hoje o jornal
Dziennik.
A mesma fonte informa que o plano, em estudo pelo ministério da Saúde,
foi realizado pelo especialista Bogdan Chazan como mecanismo para reverter a
diminuição da população.
Chazan advertiu que o crescimento dos partos por cesárea cresceu 27% do
total de nascimentos. O vice-ministro da Saúde, Boleslaw Piecha, considerou
que a responsabilidade também é dos hospitais, que recebem investimentos
maiores do Estado por fazerem cesáreas. Piecha afirmou que o ministério deve
equilibras as compensações a hospitais públicos pelos dois tipos de parto.
A Polônia tem a taxa de natalidade mais baixa dos países da União
Européia. (ANSA)
20/04/2007 13:43
FONTE: ANSA.it
O corte feito na pele acima da linha dos pêlos púbicos pode ser escondido pela calcinha, mas incomoda a mulher que tem que carregar a marca para o resto da vida. Saiba quais são as técnicas que podem suavizar essa cicatriz
Por Carolina Tavares
O preço que se paga pelo dom feminino da maternidade, apesar de ser um privilégio, tem seus incovenientes: dores, menstruação, contrações e, por fim, um corpo modificado. Hoje, médicos lutam pelo parto normal, mas o índice de cesarianas no Brasil chega a quase 90%.
Com um tempo de recuperação que varia de pessoa para pessoa, a cesariana dá um trabalho e tanto para o organismo. São muitas camadas de tecido para cicatrizar, do útero até a parede do abdômen. Essa cicatrização às vezes pode não ser bem feita, causando problemas internos e externos.
"A cicatriz no útero vai ter efeito na próxima gravidez, quando pode ocorrer problemas como placenta prévia (quando ela fica no colo do útero) e deslocamento prematuro da placenta. Quando a mulher possui essa cicatriz, também fica vulnerável a uma ruptura", explica a professora do Departamento de Saúde Materno Infantil da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, dra. Carmen Simone Grilo Diniz.
Mesmo assim, ainda existe um outro tipo de problema que a mulher pode enfrentar. Ele não causa riscos maiores, mas faz parte de uma questão estética e, diferente da cicatriz interna, tem solução.
Depois do parto, a abertura feita pelo bisturí demora pelo menos quatro semanas para cicatrizar e um mês para se definir. Em algumas pessoas ela segue um processo normal e fica imperceptível no prazo de seis meses a um ano. Em outras, dependendo da propensão do organismo, ela pode inflamar e se tornar um quelóide ou uma cicatriz hipertrófica.
Quelóide é uma cicatrização exagerada e volumosa que pode acontecer em algumas partes do corpo como barriga, tórax, braços e lóbulos da orelha. O cirurgião plástico Wandemberg Barbosa explica que existem muitos estudos relacionados ao assunto. As pesquisas começam a chegar à conclusão de que o quelóide pode ser um processo genético ou espontâneo. Já a hipertrófica é apenas um engrossamento da cicatriz comum.
O diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Douglas Jorge, explica o que pode causar a reação. "O quelóide pode surgir espontaneamente (quelóide verdadeiro) ou após uma lesão tecidual (cicatriz queloideana) decorrente de trauma ou infecção. Algumas vezes, um eventual fator desencadeante pode passar despercebido. É mais comumente observado na raça negra e nos orientais, embora também possa aparecer na raça branca", diz.
Os cirurgiões George Luís Pereira e Benedito Soares contam que a correção futura de uma cicatriz de cesariana muito raramente terá um impedimento clínico. Eles procuram fazer uma programação através de exames pré-operatórios de sangue, urina, raio-X de tórax, eletrocardiograma e avaliação do risco cirúrgico pelo cardiologista. Este preparo bem feito e um programa cirúrgico adequado têm por objetivo prevenir os riscos inerentes a qualquer tipo de cirurgia.
Como tratar a quelóide?
Na cesariana, o corte é feito em um local onde não há tensão muscular. Por esse motivo, a mamãe só vai desenvolver o quelóide caso tenha disponibilidade genética ou algum outro fator que agrave a cicatriz. A escrituária Juliana Voltolini, que sofre do problema, afirma que as orientações do seu médico caso a questão se agravasse, era de pulsar a pele que estava sobrando e terminar o tratamento com uma pomada. Ela está correta.
Caso uma pessoa desenvolva o problema, o tratamento é simples. Uma das opções é fazer a ressecção da cicatriz e, 48 horas depois, aplicar o processo de betaterapia, um tipo de radioterapia. É importante ressaltar que não se deve corrigir qualquer cicatriz antes de seis meses de sua evolução, pois existe risco de ser desnecessário ou até piorar sua aparência nesta fase.
Outra sugestão é a infiltração da substância corticóide através de injeção, cremes ou fitas. Existem já alguns trabalhos que utilizam laser para retirar o quelóide e a massagem freqüente também pode trazer resultados.
O número de pessoas que acaba com a cicatriz é de 60% a 70%, mas tudo depende da resposta do corpo ao tratamento, que pode não ser o retorno desejado em 30% dos casos, quando o médico analisa o que pode ser feito. O custo varia de acordo com a pessoa e o recurso que for melhor indicado para ela segundo seu médico. A dermatologista Denise Steiner explica que "a cicatriz pode ficar pouco evidente mas não desaparece totalmente".
Depois da cirurgia, há cuidados a serem tomados com o local do problema. É importante não pegar sol, pois os raios solares estimulam a irritação da cicatriz. Também é preciso deixar o lugar da cirurgia em repouso, fazendo curativos com a fita micropore ou com silicone. Após quatro semanas, já é possível observar os resultados, mas o médico deve indicar cuidados preventivos e manter o corticóide. Os especialistas alertam que se deve aguardar alguns meses antes de indicar um tratamento cirúrgico, pois algumas cicatrizes hipertróficas são classificadas como queloideanas, mas com o tempo melhoram espontaneamente.
Ele lembra também que uma cicatriz nunca desaparece, pois este é um fenômeno da natureza que caracteriza uma resposta a uma agressão no tecido da pele. Ocorre que algumas pessoas desenvolvem cicatrizes de tão boa qualidade que são pouco perceptíveis.
Por que parto normal?
Recuperação rápida, indolor e sem seqüelas. Um parto normal fisiológico sem intervenções possibilita um corpo saudável e de volta ao normal em apenas seis semanas. No início dos tempos, essa era a única opção, mas hoje há outras possibilidades.
Existe também o parto normal com intervenções, quando o médico faz um corte na vagina para facilitar a saída do bebê, mas de acordo com os médicos, "não há justificativa científica para esse tipo de procedimento".
Por último, há a cesariana. A pretensão de não sentir dor acaba no pós-parto. Enquanto a mulher que fez parto normal aguarda o útero voltar ao tamanho original, a mulher de cesária aguarda que cada camada da pele cicatrize, demorando mais tempo para se recuperar.
Outro fator interessante é que, na nova mamãe de cesariana, o contexto hormonal é diferente da pessoa que teve o bebê naturalmente. O hormônio que faz com que a mãe crie o vínculo com o filho e produza o leite é fabricado em menor escala, por isso, começar a amamentação é difícil. Os riscos de infecção e hemorragia também são maiores e a cicatriz uterina pode complicar uma segunda gravidez. A professora da USP afirma que melhor mesmo é não realizar a operação.
Fonte: Plástica e Beleza
Parto Normal X Cesárea
escrito por: Tricia em quarta-feira, janeiro 03, 2007 às 3:39 PM.
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31.05.2006 - Maria Yoshie Shiraishi
Colunista
Maria Yoshie Shiraishi
Médica, especializada em pediatria
Em se tratando de gestação sem riscos, a grávida tem a liberdade de escolher o parto que gostaria de fazer, sob orientação de seu médico. A participação do marido ou companheiro reforça a segurança na escolha que, muitas vezes, depende da cultura das gestantes.
Na Europa, há uma maior opção por parto normal e sem anestesia. Já no Brasil, o medo da dor e excesso de cesáreas preocupam as entidades de saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de cesarianas deve ficar em torno de 30% do total. Ou seja, partos normais são encorajados e bem-vindos. Em gestações complicadas, pesam-se os riscos maternos e do bebê e, nesse caso, a opinião técnica do médico é importante para decidir tanto o tipo de parto quanto a hora do mesmo.
Existem muitos outros tipos de parto, para os quais se exige o conhecimento dos envolvidos (familiares e profissionais de saúde), bem como preparo para uma eventual situação de emergência. Exemplos de outros tipos incomuns são: “na água” e “de cócoras”.
Características do parto normal: alta hospitalar mais rápida; expansão pulmonar do bebê mais natural e com menos risco de desconforto respiratório; trabalho de parto mais prolongado; anestesias para diminuir a dor próxima ao nascimento são permitidas; a natureza decide o momento do parto; o obstetra pode ajudar com episiotomia (corte ao lado da vagina) para alargar o canal do parto; às vezes é necessário o uso de fórcipe (pás que ajudam o bebê nascer); menor custo para a gestante e para as instituições; não é possível realizar se já tiver duas cesáreas anteriores; é possível ser realizado por parteiras treinadas e enfermeiras obstetrizes.
Características da cesariana: a mãe pode decidir o dia do nascimento; depende totalmente dos exames e do obstetra; faz-se no mesmo dia da internação; as dores típicas do trabalho de parto não são sentidas; corre-se o risco de prematuridade se não fizer pré-natal corretamente; é possível fazer laqueadura, por exemplo, no mesma cirurgia; só é feita por médicos treinados; tempo de internação maior; dores e riscos semelhantes a qualquer cirurgia abdominal; chances de aderências e fibroses; a descida do colostro (primeiro leite) pode demorar; é utilizado em emergências maternas ou do feto.
FONTE: UOL
Marcadores: cesárea, parto normal
Medo do parto normal
escrito por: Débora, em sexta-feira, dezembro 15, 2006 às 12:44 PM.
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Muito obrigado por dividir conosco suas dúvidas e confiar em nossa equipe. As informações que vamos dar aqui não substituem o apoio e a orientação do seu médico ta?? Sempre tire todas as suas dúvidas com ele. Queremos apenas ajudá-la a ter um parto tranqüilo e feliz, compartilhando com você o que sabemos sobre partos.
Em primeiro lugar queremos pedir a você que relaxe e aproveite todos os momentos da sua gravidez, pois é um momento muito especial e precisar ser desfrutado. Em segundo lugar não é necessário ter tanto medo assim da hora do parto. Tenha a certeza de que você como mulher, já veio a este mundo pronta para o parto e tem todas as "ferramentas" necessárias para isso. O momento do parto é algo mágico, onde você realmente entende o significado da vida. É um momento onde você poderá experimentar o que realmente significa o amor.
Quando ocorre um acompanhamento pré-natal adequado, a gestante deve estar informada e preparada para o trabalho de parto e o parto em si. As orientações sobre a mãe e os cuidados com o bebê, técnicas de respiração, como lidar com a dor, a participação do pai e a importância de conhecer o mecanismo do parto, devem estar bem esclarecidas, e isso quem deve fazer é seu ginecologista. Converse com ele e tire todas as suas dúvidas, não tenha vergonha.
O trabalho de parto envolve várias fases e a gestante em geral dispõe de um tempo suficiente para chegar ao hospital e ter um atendimento adequado. No início do trabalho de parto você irá sentir uma maior pressão sobre a bexiga, poderá apresentar diarréia e uma dor forte nas costas. As contrações, embora ainda não dolorosas, se tornam mais freqüentes. Nessa fase o colo do útero "amolece", iniciando o seu processo de dilatação. Geralmente ocorre o que se chama de perda do tampão mucoso, com o aparecimento de um corrimento espesso e sanguinolento. Quando as contrações uterinas começam a ficar mais intensas e regulares, pode ou não ocorrer o rompimento da bolsa de líquido amniótico, que muitas vezes escorre pelas pernas, molhando as roupas. Na maior parte dos casos essa é a hora de ir para a maternidade.
No momento da internação, serão realizados vários procedimentos de rotina, como a medida da temperatura, da pressão arterial e da freqüência cardíaca da mãe e do feto. Você receberá instruções para permanecer deitada de lado, em jejum, podendo ingerir apenas água. Uma via intravenosa, para receber líquidos, pode ser instalada. Medidas como a lavagem intestinal e a raspagem dos pêlos pubianos também poderão acontecer.
Quando as contrações uterinas adquirem um ritmo constante e regular, inicia-se a fase ativa do trabalho de parto. Nessa fase é importante o monitoramento adequado da freqüência cardíaca fetal, atentando para sinais que indiquem sofrimento do feto. Se as contrações se tornarem muito dolorosas pode ser necessário algum tipo de medida para aliviar a dor. A mais usada é a chamada analgesia peridural (já vamos falar mais sobre ela). O andamento do trabalho de parto é acompanhado através de um gráfico chamado de partograma. Com isso, é possível detectar precocemente alterações que venham interferir na boa evolução do trabalho de parto, antecipando situações que podem determinar a necessidade de uma intervenção cirúrgica, conhecida por cesariana. Como você pode perceber tudo é muito bem controlado e não há necessidade de se ter medo. Se concentre apenas em seu bebê, pois em pouco tempo você estará com ele nos braços! Isso não é uma maravilha? Tire todos os pensamentos negativos da sua mente, pense só nas coisas boas, isso ajuda muito.
No final dessa fase, com o colo uterino dilatado, a gestante sente uma pressão maior no períneo e a necessidade de empurrar como se fosse evacuar. Na maioria das vezes a gestante é levada para a sala de parto. Colocada em uma cama especial, em posição ginecológica e com a cabeceira elevada, iniciam-se as manobras que facilitarão o nascimento. Algumas vezes pode ser necessário realizar uma pequena incisão, geralmente lateral no períneo, para facilitar a saída do bebê.
Em seguida ao nascimento, o cordão umbilical é clampeado e cortado. O bebê será levado para receber os primeiros cuidados por um médico pediatra e em seguida ele será colocado junto a você! Que momento lindo! Mãe e filho finalmente se conhecem e o amor cresce ainda mais entre eles! Esse é o verdadeiro milagre da vida!
A diferença entre as anestesias:
# A Raqui promove o bloqueio sensitivo e motor, ou seja, a paciente deixa de sentir e movimentar as pernas e o baixo ventre. Esse tipo de anestesia proporciona um relaxamento maior da região pélvica e sua instalação é mais rápida.
# A Peridural promove apenas o bloqueio sensitivo, ou seja, a paciente deixa apenas de sentir, permanecendo a movimentação; eliminando a dor, mas não interferindo nas contrações uterinas.
A cesariana é indicada em casos especiais, e ela é uma intervenção cirúrgica, por isso pense bem antes de se decidir.
Nós desejamos a você um lindo parto e que seu bebê nasça com muita saúde! Um grande abraço!"
Marcadores: cesárea, cesariana, parto normal
Cesárea por conveniência e a ética médica
escrito por: Tricia em quarta-feira, dezembro 13, 2006 às 11:52 AM.
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Anibal Faúndes e Ignez Helena Oliva Perpétuo*
Os altos índices de cesárea no Brasil há muito já apontam para uma preocupante prática obstétrica desviada, que vem ganhando cada vez mais destaque nos debates dos colegiados médicos. Durante o Curso Internacional sobre Ética, em que participaram destacados membros do Comitê de Ética da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), o professor S. Arulkumaran, Chefe do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do St. George Hospital Medical School, Universidade de Londres, terminou sua apresentação sobre "cesárea a pedido da paciente", pontuando o seguinte:
1. não há evidências sólidas sobre os benefícios da cesárea por razões não médicas, em comparação com o parto vaginal;
2. as evidências disponíveis sugerem que o parto normal é mais seguro para a mãe e o filho;
3. os médicos têm o dever profissional de nada fazer que possa causar danos às pacientes e de utilizar os recursos para assistência médica em procedimentos e terapias que demonstrem evidências claras de trazer benefícios para a saúde;
4. os médicos não estão obrigados a realizar uma intervenção (a pedido da paciente) que não ofereça vantagens para a saúde e não tenha nenhuma justificativa ética.
Durante o debate que se seguiu, vários dos participantes comentaram as dificuldades práticas que o médico brasileiro tem em atender partos normais. Foram mencionadas as dificuldades de o anestesista fazer um bloqueio peridural em uma paciente do SUS, para um parto vaginal, considerando a baixa remuneração e o risco de ser uma anestesia muito prolongada.
Com muita franqueza, alguns colocaram a falta de tempo para acompanhar um trabalho de parto, quando têm outros pacientes esperando no consultório. Outros relataram que as pacientes insistiam em fazer o parto com eles e preferiam antecipá-lo quando o médico anunciava que ficaria alguns dias de férias. O argumento de que as mulheres preferem e solicitam a cesárea também foi muito citado.
A justificativa de que as mulheres pressionam o médico para que aceite fazer cesárea ficou muito comprometida com os resultados de uma contundente e extensa pesquisa, publicada no British Medical Journal em novembro último.
Pesquisadores das universidades do Texas (EUA), da Unicamp, Federal de Minas Gerais, Federal do Rio Grande do Sul e Federal do Rio Grande do Norte estudaram 717 mulheres atendidas pelo SUS e 419 provenientes de consultórios particulares das cidades de Natal, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.
As mulheres foram entrevistadas duas vezes durante a gravidez (aos 4 e 8 meses de gestação) e em torno de 30 dias após o parto. Contrariando as justificativas, entre 70 e 80% das mulheres de ambos os grupos manifestaram intenção de ter parto vaginal nas duas entrevistas durante a gestação. A entrevista pós-natal indicou que 72% das pacientes particulares e 31% das atendidas pelo SUS tiveram parto cesárea, números que não podem justificar o desejo expresso das mulheres. Mais grave ainda, dois terços das cesáreas particulares e quase uma quarta parte do setor público foram com hora marcada.
Do ponto de vista ético, poderíamos questionar se as razões dadas pelos médicos justificam a realização de uma cesárea. O que se alega habitualmente é a falta de alternativas. Caso se considere essas argumentações aceitáveis, a única alternativa possivelmente ética seria discutir abertamente com a paciente e, se ela concordar, praticar a cesárea por razões não médicas. Se isso já é eticamente duvidoso, ou mesmo transgressão ética segundo a FIGO, muito mais problemático é o que parece acontecer na realidade.
A pesquisa revelou que as razões que os médicos apresentaram para realizar as cesáreas com hora marcada não são, na maioria, as mesmas mencionadas durante o debate. Um dos responsáveis pela análise dessas razões na pesquisa classificou-as em quatro grupos: indicações não-médicas, razões médicas que não justificam uma cesárea, razões com justificativa duvidosa e indicações médicas corretas. Ao comparar com os resultados, verificou-se que apenas 13% tinham real indicação, 18% entre pacientes SUS e 4% entre as particulares. Em apenas 29% dos casos a razão dada foi abertamente não-médica e coincidia com os motivos apresentados no debate realizado durante o Congresso. Em quase 60% dos casos a razão "médica" apresentada não justificava a conduta adotada ou era no mínimo duvidosa.
A incerteza aumenta ainda mais ao comparar as mulheres que expressaram desejo de ter parto cesáreo com as que queriam parto vaginal. A metade das que queriam cesárea receberam francamente uma justificativa não-médica para marcar a cesárea: férias do médico, conveniência de horário, etc. Apenas 17% das que queriam parto vaginal receberam uma explicação igualmente franca. Para quase dois terços do grupo que desejava parto vaginal, foi dada uma razão "médica" que não justificava a conduta ou que era, no mínimo, duvidosa. Tudo indica, portanto, que a conduta franca de informar a paciente das verdadeiras razões para marcar uma cesárea e permitir que ela decida, se dá apenas em torno de um terço dos casos sem indicação real de cesárea eletiva, e que isso é três vezes mais provável quando a paciente já expressou o desejo pessoal de ter parto cesáreo. Quando a mulher expressa o desejo de um parto vaginal, a tendência é criar um motivo médico que seja aceitável pela paciente e pela família, o que constitui gravíssima transgressão ética.
Cabe ressaltar alguns dos muitos preceitos do Código de Ética Médica (CEM), infringidos por tal prática desvirtuada. De acordo com o Código de Ética, é vedado ao médico:
Art. 29 - Praticar atos profissionais danosos ao paciente, que possam ser caracterizados como imperícia, imprudência ou negligência.
Art. 42 - Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação do País.
Art. 46 - Efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente perigo de vida.
Art. 48 - Exercer sua autoridade de maneira a limitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a sua pessoa ou seu bem-estar.
Art. 56 - Desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente perigo de vida.
Art. 57 - Deixar de utilizar todos os meios disponíveis de diagnósticos e tratamento a seu alcance em favor do paciente.
Art. 59 - Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta ao mesmo possa provocar-lhe dano, devendo, nesse caso, a comunicação ser feita ao seu responsável legal.
Art. 60 - Exagerar a gravidade do diagnóstico ou prognóstico, complicar a terapêutica, ou exceder-se no número de visitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos.
Art. 79 - Acobertar erro ou conduta antiética de médico.
Se o médico foi pressionado pelas circunstâncias a adotar esse tipo de conduta, sem perceber, no processo, que estava cometendo grave infração ética, é importante lembrar os colegas que tal desvio de conduta pode redundar em má prática da medicina, sujeita às penalidades das leis. Estamos certos de que uma vez que o médico entende e toma consciência do problema, modificará a conduta para ajustá-la aos imperativos da ética no exercício da profissão médica.
* Anibal Faúndes é obstetra, professor titular de Obstetrícia (aposentado) da Unicamp e Membro do Comitê de Ética da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo).
* Ignez Helena Oliva Perpétuo é médica sanitarista, doutora em demografia, professora adjunta do Departamento de Demografia e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais.
FONTE:CREMESP
Marcadores: cesárea
Epidemia de cesarianas nos países latino-americanos
A América Latina gasta anualmente cerca de US$425 milhões em mais de 850.0000 operações desnecessárias
"Enquanto o setor público gasta dinheiro com cesarianas caras e desnecessárias, muitas mulheres, principalmente as mais pobres, recebem cuidados de saúde precários durante o parto"
PAUL CONSTANCE
Pergunte a uma chilena abastada sobre o nascimento de seu filho nos dias de hoje e é muito provável que não mencione técnicas de respiração, Lamaze ou contrações. Isso porque nas clínicas e hospitais privados do Chile mais de 60% de todos os bebês nascem por parto cesariano, em que o abdome materno é aberto e se faz uma incisão no útero.
O número de cesarianas é mais do que um fenômeno de classe alta. Segundo uma compilação de estatísticas apresentadas em abril último no Congresso Mundial de Medicina Perinatal em Buenos Aires, entre 1993 e 1997 a taxa de cesarianas no Chile foi de 40% - a mais alta do mundo. No Brasil, a média nacional esteve pouco acima de 36% durante o mesmo período. Em Cuba, México, Uruguai e Argentina, a média foi de pouco mais de 23%.
O curioso é que esses números são bastante mais altos do que os encontrados nas nações industrializadas, que gastam muito mais com saúde do que os países da América Latina. Na França, que recentemente recebeu da Organização Mundial da Saúde a mais alta classificação de qualidade em atendimento de saúde entre os países, a taxa de cesarianas foi de 15,9% em 1995. Mesmo nos Estados Unidos, onde o número de partos cesarianos aumentou com rapidez durante os anos 70 e 80, a taxa se estabilizou ao redor de 21% em 1998.
Percepções e incentivos
A justificativa médica para uma cesariana é a presença de fatores de risco, tais como posição sentada do feto, que podem colocar em perigo a vida da mãe ou da criança num parto normal. Estarão as mulheres latino-americanas mais sujeitas a complicações do parto do que em outras regiões?
Definitivamente, não. Segundo um número crescente de médicos e defensores da saúde pública, a taxa elevada de cesarianas na América Latina é uma aberração causada por fatores financeiros, educacionais e políticos que criam incentivos para a realização de operações desnecessárias. Além disso, os críticos condenam as cesarianas porque desviam recursos escassos dos problemas de saúde mais urgentes, além de expor mães e bebês a riscos desnecessários.
Os países da América Latina certamente não estão sozinhos no recurso crescente às cesarianas. Nos últimos 30 anos, seu uso aumentou progressivamente, em parte devido à divulgação de técnicas de monitoramento fetal que dão aos médicos um quadro muito mais detalhado (embora freqüentemente impreciso) dos riscos inerentes a cada nascimento. Em países onde os médicos podem ser processados por imperícia profissional quando algo sai errado durante o parto, essas tecnologias podem ter encorajado o uso preventivo das cesáreas.
Essa tendência é freqüentemente exacerbada por pais ansiosos, com percepção errônea ou exagerada dos riscos dos partos normais, especialmente se a mulher já passou por uma cesariana. Os médicos muitas vezes preferem as cesáreas porque podem marcá-las com antecedência, acomodando-as a seus horários ocupados, em vez de esperar durante horas que a parturiente passe pelo trabalho de parto. O aumento dos planos de seguro de saúde, alguns dos quais reembolsam médicos e hospitais a taxas mais altas em caso de partos cesarianos, parece ter introduzido em muitos casos um incentivo financeiro deturpador.
Em conseqüência desses fatores, a taxa de cesarianas mais do que dobrou em muitos países no último quartil do século 20. No final dos anos 80, quando quase um quarto dos partos nos Estados Unidos era por cesariana, grupos de consumidores e alguns médicos declararam a cesariana "epidêmica" e exigiram ação conjunta das autoridades sanitárias do governo para diminuir seu número. Campanhas semelhantes foram feitas na Grã-Bretanha e em outros países com taxas altas de operações.
Custos reais, riscos reais.
Essas reações provocaram um debate acirrado sobre qual a taxa apropriada de cesarianas. Em 1985, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu 15% como a taxa mais alta aceitável, com base nos índices encontrados em países com as taxas de mortalidade infantil mais baixas do mundo. Em 1991, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos adotou também a taxa de 15% como objetivo nacional a ser alcançado até o ano 2000 (as cifras
desse ano ainda não estão disponíveis, mas é pouco provável que a meta tenha sido atingida).
É indiscutível o fato de que as cesarianas protegem as vidas de mães e bebês em situações de emergência, mas pesquisas recentes começaram a enfocar os riscos da operação. Além dos perigos óbvios para a mãe associados a uma cirurgia importante como essa, há evidências substanciais de que os bebês que nascem por cesariana estão mais sujeitos a complicações (tais como dificuldades de respiração) do que os nascidos de parto normal. Um estudo de 1991 realizado em 25 hospitais na Cidade do México e publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology, por exemplo, mostrou que bebês de peso normal que nascem por cesariana tinham 2,5 vezes mais probabilidade de morrer no período imediatamente a seguir ao nascimento do que os bebês de parto normal.
Embora os médicos continuem a debater os méritos relativos das cesarianas, não há controvérsia sobre o custo adicional que elas impõem ao sistema de saúde. Vários estudos mostram que o parto cesariano custa em geral de duas a três vezes o preço do parto normal. Embora os analistas ainda não tenham calculado como esses custos afetam os orçamentos de saúde como um todo, um estudo de novembro de 1999 publicado no British Medical Journal torna possível chegar a uma aproximação deveras alarmante. O estudo estima que "a cada ano são realizadas mais de 850.000 cesarianas desnecessárias" nos países da América Latina e do Caribe, se os 15% forem tomados como padrão. Com base na estimativa conservadora de que um parto cesário custa US$500 mais do que um parto normal, isso significa que os países da região estão gastando inutilmente US$425 milhões ao ano.
"Enquanto o setor público gasta dinheiro com cesarianas caras e desnecessárias, muitas mulheres, principalmente as mais pobres, recebem cuidados de saúde precários -- quando recebem -- durante o parto", diz Amanda Glassman, especialista do BID que está estudando o assunto. "A eliminação do excesso de cesarianas e a realocação desses recursos para atenção pré-natal e cuidados maternos básicos reduzirão o número de morte neonatais e maternas, que ainda é muito alto na América Latina."
Apesar da conscientização crescente sobre os custos humanos e financeiros decorrentes de cesarianas desnecessárias, as autoridades governamentais de saúde em muitos países da América Latina não têm atuado com presteza. Isso se deve em parte ao fato de que as taxas mais altas de cesarianas se encontram em hospitais e clínicas privados, sobre os quais o governo tem influência limitada. No Chile, por exemplo, a taxa de cesarianas é de 58% no setor privado e de 28% no público.
Mesmo no setor público, porém, nem sempre é fácil para os que formulam as políticas forçar a mudança. A boa gestão financeira não é recompensada nos sistemas públicos de saúde. "Os hospitais públicos não têm incentivo para reduzir seus custos operacionais mediante a prevenção de cesarianas, porque se o fizerem provavelmente terão seu orçamento reduzido no ano seguinte", diz Ana Langer, especialista em saúde pública que estudou o problema das cesarianas no Brasil e no México. Langer, que dirige o escritório mexicano de The Population Council, instituto de pesquisa com sede em Nova York, diz que o governo brasileiro adotou medidas louváveis, como por exemplo diminuir a diferença nos preços pagos aos hospitais por partos cesáreos e partos normais. Mas ela crê que os administradores dos hospitais fariam mais pressão sobre os médicos para diminuir a taxa de cesarianas se o dinheiro poupado pudesse ficar retido nos hospitais.
Mesmo em situações em que existe um esforço conjunto para reduzir a taxa de cesarianas o progresso é difícil. Os médicos se ressentem de interferências em sua prerrogativa de recomendar o que crêem que é melhor para o paciente. Em alguns países os próprios pacientes são o obstáculo. Langer diz que muitas pacientes de classe alta no Brasil pedem cesarianas mesmo quando não têm razões médicas para fazê-lo. "Encontro todo tipo de conceitos errôneos", diz Langer. "Por exemplo, existe uma crença generalizada de que o parto normal diminui depois o poder de atração da mulher. Muita gente também acredita que é mais seguro fazer uma cesariana. Há também a questão do status - ter um bebê mediante cesariana é considerada uma opção mais moderna, mais classe alta."
Em teoria, os médicos têm a responsabilidade de educar seus pacientes e corrigir esses conceitos errados. De fato, alguns críticos do número excessivo de cesarianas dizem que a atitude dos médicos e os conselhos que dão às mulheres podem desempenhar um papel crucial na taxa de cesarianas. Um estudo publicado na edição de The Lancet de 7 de dezembro de 1991 examinou as decisões tomadas por 12 obstetras num hospital particular de Rosario, Argentina. Esses médicos fizeram 1.974 partos num período de nove meses. Todos tinham treinamento e formação acadêmica semelhantes. Os antecedentes socioeconômicos e educacionais e os fatores de risco das pacientes também eram similares. Ainda assim, o estudo concluiu que, mesmo isolando todos os outros fatores, um terço dos obstetras recomendou "20%-50% mais cesarianas" do que seus colegas. Os autores concluíram que a "atitude clínica" do obstetra é uma variável importante -- e subjetiva -- da taxa de cesarianas.
Apesar desses obstáculos, diversos programas conseguiram reduzir essa taxa. Segundo Glassman, do BID, os programas bem-sucedidos combinam educação do paciente e dos médicos, com mudanças no protocolo médico (como requerer uma segunda opinião antes de fazer uma cesariana) que encorajem o parto normal.
FONTE:IADB.org
Cesariana eletiva põe vida do bebê em risco, diz estudo
escrito por: Débora, em às 10:16 AM.
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WASHINGTON - Quando a gestação não é de risco, a taxa de mortalidade infantil e neonatal é maior entre bebês nascidos de cesariana do que entre os que chegam ao mundo por parto normal, de acordo com levantamento feitos nos Estados Unidos e que envolveu 5,7 milhões de nascimentos, com 12.000 mortes registradas num período de quatro anos. O trabalho, realizado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo americano, foi publicado no periódico Birth: Issues in Perinatal Care.
No geral, mostra o trabalho, a morte neonatal - nos primeiros 28 dias após o nascimento - foi rara entre os filhos de mulheres com gravidez de baixo risco, mas a taxa de morte neonatal entre filhos nascidos de cesariana foi mais que o dobro das mortes após o parto normal, mesmo depois que os pesquisadores ajustaram os dados para levar em conta questões socioeconômicas e de risco médico.
A principal autora do estudo, Marian MacDorman, diz que os resultados devem ser um "fator de preocupação para médicos e elaboradores da política de saúde pública". Ela destaca que cesarianas feitas em resposta a uma situação de risco salvam vidas de mães e filhos, e que taxa de mortalidade é baixa, mesmo entre as cesarianas eletivas, mas que a realização da cirurgia sem uma razão médica precisa pode estar expondo parte da população de bebês a um risco desnecessário.
Marcadores: cesárea, neonatologia, pesquisas
Ansiedade dos pais 'aumenta dor' em cesárea
escrito por: Débora, em sexta-feira, dezembro 01, 2006 às 12:03 PM.
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Segundo os cientistas o nível de medo e ansiedade das mulheres em relação à cirurgia tendia a aumentar se seus parceiros também estivessem ansiosos.
O aumento da ansiedade das mulheres, por sua vez, eleva potencialmente a dor no parto.
O estudo britânico foi publicado na última edição de revista especializada Psychosomatic Medicine (Medicina Psicossomática).
Cesariana
Os pesquisadores afirmam que os pais que estiverem presentes durante o parto devem ser preparados para a possibilidade de uma cesariana, além de se informar a respeito antes da operação.
O estudo foi centralizado em 65 mulheres que tinham uma cesariana marcada, das quais 61 optaram pela presença de seu mardo ou companheiro durante o nascimento.
As mulheres e seus parceiros responderam a um questionário antes da operação, durante e depois, falando sobre seus medos, expectativas e experiências.
O nível de dor das mulheres também foi analisado em diferentes estágios da cirurgia, e imediatamente depois.
As mulheres que tinham as expectativas mais negativas antes da operação sentiram mais dor no pós-operatório.
O estudo também concluiu que as mulheres sentiam mais medo durante a aplicação da anestesia, do que da incisão inicial.
O pesquisador Ed Keogh disse que a dor durante a cesariana é, normalmente, mais controlada do que durante o parto normal, mas ele afirmou que o processo não é indolor.
"Ao mesmo tempo em que se tornou uma expectativa social que parceiros estejam presentes e dêem apoio às mães durante uma cesariana, não está claro que papel eles desempenham na experiência feminina de dar à luz."
"Enquanto algumas mulheres dizem que a presença dos parteiros melhora a experiência, outras falam de experiências menos positivas."
"É razoável que o marido ou companheiro se sinta ansioso, ou tenha medo da operação que eles estão prestes a assistir."
"Em vez de retirá-los da sala de cirurgia de vez, seria melhor tratar de seu bem-estar emocional e ajudá-los a reduzir a ansiedade e o medo sentido pelas mães."
"Como a ansiedade pode aumentar o tempo de recuperação, seria útil estudar se o medo das mães durante a operação tem algum impacto nas mães, como a recuperação a longo prazo além de outros fatores relacionados, como a amamentação e a ligação entre mãe e filho."
Cesariana diminui chance de nova gravidez, diz estudo
escrito por: Débora, em quarta-feira, novembro 29, 2006 às 9:04 PM.
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A pesquisa – publicada no British Journal of Obstetrics and Gynaecology - foi feita com 25.371 mulheres que deram à luz na Maternidade de Aberdeen, na Escócia, entre 1980 e 1997.
Ela constatou que 66,9% das mulheres submetidas a cesariana tiveram um outro bebê, enquanto 73,9% das que tiveram parto natural fizeram o mesmo.
O estudo revelou que a média do tempo entre partos era maior para as mulheres submetidas à cesariana do que para as que deram à luz por outros processos.
As mulheres submetidas a cesariana também têm maior probabilidade de sofrer complicações em gravidez futura.
Segundo os pesquisadores, não houve diferença nos resultados se a cesariana foi planejada ou um procedimento de emergência.
As mulheres que se submeteram à cesariana também tinham maior probabilidade de uma gestação ectópica – que ocorre quando um óvulo fecundado se fixa fora do útero, como nas trompas de Falópio.
Os pesquisadores acreditam, contudo, que são necessários mais estudos para ajudar a explicar o resultado de sua pesquisa.
Fonte: BBC Brasil
Cesárea por conveniência e a Ética médica
escrito por: Tricia em domingo, novembro 05, 2006 às 6:30 PM.
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Quando a mulher expressa o desejo de ter um parto vaginal, a tendência é criar um motivo "médico" que seja aceitável.
Os altos índices de cesárea no Brasil há muito já apontam para uma preocupante prática obstétrica desviada, que vem ganhando cada vez mais destaque nos debates dos colegiados médicos. Durante o Curso Internacional sobre Ética, em que participaram destacados membros do Comitê de Ética da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), o professor S. Arulkumaran, Chefe do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do St. George Hospital Medical School, Universidade de Londres, terminou sua apresentação sobre "cesárea a pedido da paciente", pontuando o seguinte:
1. não há evidências sólidas sobre os benefícios da cesárea por razões não médicas, em comparação com o parto vaginal;
2. as evidências disponíveis sugerem que o parto normal é mais seguro para a mãe e o filho;
3. os médicos têm o dever profissional de nada fazer que possa causar danos às pacientes e de utilizar os recursos para assistência médica em procedimentos e terapias que demonstrem evidências claras de trazer benefícios para a saúde;
4. os médicos não estão obrigados a realizar uma intervenção (a pedido da paciente) que não ofereça vantagens para a saúde e não tenha nenhuma justificativa ética.
Durante o debate que se seguiu, vários dos participantes comentaram as dificuldades práticas que o médico brasileiro tem em atender partos normais. Foram mencionadas as dificuldades de o anestesista fazer um bloqueio peridural em uma paciente do SUS, para um parto vaginal, considerando a baixa remuneração e o risco de ser uma anestesia muito prolongada.
Com muita franqueza, alguns colocaram a falta de tempo para acompanhar um trabalho de parto, quando têm outros pacientes esperando no consultório. Outros relataram que as pacientes insistiam em fazer o parto com eles e preferiam antecipá-lo quando o médico anunciava que ficaria alguns dias de férias. O argumento de que as mulheres preferem e solicitam a cesárea também foi muito citado.
A justificativa de que as mulheres pressionam o médico para que aceite fazer cesárea ficou muito comprometida com os resultados de uma contundente e extensa pesquisa, publicada no British Medical Journal em novembro último.
Pesquisadores das universidades do Texas (EUA), da Unicamp, Federal de Minas Gerais, Federal do Rio Grande do Sul e Federal do Rio Grande do Norte estudaram 717 mulheres atendidas pelo SUS e 419 provenientes de consultórios particulares das cidades de Natal, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.
As mulheres foram entrevistadas duas vezes durante a gravidez (aos 4 e 8 meses de gestação) e em torno de 30 dias após o parto. Contrariando as justificativas, entre 70 e 80% das mulheres de ambos os grupos manifestaram intenção de ter parto vaginal nas duas entrevistas durante a gestação. A entrevista pós-natal indicou que 72% das pacientes particulares e 31% das atendidas pelo SUS tiveram parto cesárea, números que não podem justificar o desejo expresso das mulheres. Mais grave ainda, dois terços das cesáreas particulares e quase uma quarta parte do setor público foram com hora marcada.
Do ponto de vista ético, poderíamos questionar se as razões dadas pelos médicos justificam a realização de uma cesárea. O que se alega habitualmente é a falta de alternativas. Caso se considere essas argumentações aceitáveis, a única alternativa possivelmente ética seria discutir abertamente com a paciente e, se ela concordar, praticar a cesárea por razões não médicas. Se isso já é eticamente duvidoso, ou mesmo transgressão ética segundo a FIGO, muito mais problemático é o que parece acontecer na realidade.
A pesquisa revelou que as razões que os médicos apresentaram para realizar as cesáreas com hora marcada não são, na maioria, as mesmas mencionadas durante o debate. Um dos responsáveis pela análise dessas razões na pesquisa classificou-as em quatro grupos: indicações não-médicas, razões médicas que não justificam uma cesárea, razões com justificativa duvidosa e indicações médicas corretas. Ao comparar com os resultados, verificou-se que apenas 13% tinham real indicação, 18% entre pacientes SUS e 4% entre as particulares. Em apenas 29% dos casos a razão dada foi abertamente não-médica e coincidia com os motivos apresentados no debate realizado durante o Congresso. Em quase 60% dos casos a razão "médica" apresentada não justificava a conduta adotada ou era no mínimo duvidosa.
A incerteza aumenta ainda mais ao comparar as mulheres que expressaram desejo de ter parto cesáreo com as que queriam parto vaginal. A metade das que queriam cesárea receberam francamente uma justificativa não-médica para marcar a cesárea: férias do médico, conveniência de horário, etc. Apenas 17% das que queriam parto vaginal receberam uma explicação igualmente franca. Para quase dois terços do grupo que desejava parto vaginal, foi dada uma razão "médica" que não justificava a conduta ou que era, no mínimo, duvidosa. Tudo indica, portanto, que a conduta franca de informar a paciente das verdadeiras razões para marcar uma cesárea e permitir que ela decida, se dá apenas em torno de um terço dos casos sem indicação real de cesárea eletiva, e que isso é três vezes mais provável quando a paciente já expressou o desejo pessoal de ter parto cesáreo. Quando a mulher expressa o desejo de um parto vaginal, a tendência é criar um motivo médico que seja aceitável pela paciente e pela família, o que constitui gravíssima transgressão ética.
Cabe ressaltar alguns dos muitos preceitos do Código de Ética Médica (CEM), infringidos por tal prática desvirtuada. De acordo com o Código de Ética, é vedado ao médico:
Art. 29 - Praticar atos profissionais danosos ao paciente, que possam ser caracterizados como imperícia, imprudência ou negligência.
Art. 42 - Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação do País.
Art. 46 - Efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente perigo de vida.
Art. 48 - Exercer sua autoridade de maneira a limitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a sua pessoa ou seu bem-estar.
Art. 56 - Desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente perigo de vida.
Art. 57 - Deixar de utilizar todos os meios disponíveis de diagnósticos e tratamento a seu alcance em favor do paciente.
Art. 59 - Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta ao mesmo possa provocar-lhe dano, devendo, nesse caso, a comunicação ser feita ao seu responsável legal.
Art. 60 - Exagerar a gravidade do diagnóstico ou prognóstico, complicar a terapêutica, ou exceder-se no número de visitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos.
Art. 79 - Acobertar erro ou conduta antiética de médico.
Se o médico foi pressionado pelas circunstâncias a adotar esse tipo de conduta, sem perceber, no processo, que estava cometendo grave infração ética, é importante lembrar os colegas que tal desvio de conduta pode redundar em má prática da medicina, sujeita às penalidades das leis. Estamos certos de que uma vez que o médico entende e toma consciência do problema, modificará a conduta para ajustá-la aos imperativos da ética no exercício da profissão médica.
* Anibal Faúndes é obstetra, professor titular de Obstetrícia (aposentado) da Unicamp e Membro do Comitê de Ética da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo).
* Ignez Helena Oliva Perpétuo é médica sanitarista, doutora em demografia, professora adjunta do Departamento de Demografia e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais.
Publicado orinigalmente no site do CREMESP
CREMESP - Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo
Site: www.cremesp.org.br
Marcadores: cesárea, legislação, pesquisas, politica
a atriz global e sua cesárea
escrito por: Tricia em segunda-feira, outubro 23, 2006 às 4:43 PM.
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sinceramente, você conseguiria viver sem esta noticia?
"Ligeiramente abatida, mas sorridente e bem humorada, Adriana Esteves saiu da maternidade nesta quinta-feira, 19. A atriz foi com o marido, o ator Vladimir Brichta, e o filho recém-nascido, Vicente, para o apartamento da mãe dela, Regina, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. (fonte: Globo.com)
Ligeiramente abatida é ótimo. Daqui a pouco vão dizer que cirurgia de grande porte é o mesmo que tirar um cravo do rosto. Simples, rápida, segura.
E não é assim que todas nós mulheres recebemos essa "imagem" de modernidade? Parir é coisa pra bicho. Será que é mesmo?
Mais uma atriz que teve seu filho dessa maneira. Bem que poderiam falar das outras tantas que parem todos os dias deitadas como uma tartaruga encalhada nas maternidades desse país. Tantas Marias, Silvanas, Franciscas, tantas...
Bebê pode ser machucado durante cesariana
escrito por: Tricia em quarta-feira, outubro 11, 2006 às 4:31 PM.
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NEW YORK (Reuters Health) - About 1 in 100 babies delivered by cesarean section are injured in the process, a new study shows. The risk of injury is influenced by the reasons for doing the c-section.
Dr. James M. Alexander, from the University of Texas Southwestern Medical Center at Dallas, and colleagues analyzed data from all 37,110 cesarean deliveries that took place at 13 academic centers between 1999 and 2000.
The overall rate of injury to the baby was 1.1 percent, according to the team's report in the medical journal Obstetrics & Gynecology.
Wounds to the skin accounted for more than half of the injuries. The next most common injury was severe bruising of the head, followed by broken collarbone, facial nerve damage, injury to the chest-arm nerve network, and skull fracture.
In women with a first-time c-section as well as those who had previously undergone the procedure, the highest rate of fetal injury occurred following an attempt to deliver through the birth canal using forceps or vacuum.
On the other hand, the lowest risk of injury was associated with elective repeat cesarean deliveries.
While c-section can prevent birth trauma in certain circumstances, it can also cause injury, Alexander and colleagues point out, as the current findings illustrate. "Women should be counseled that, although fetal injury is uncommon, it is not absent in cesarean delivery," they advise.
SOURCE: Obstetrics
& Gynecology, October 2006.
Marcadores: cesárea, midia, neonatologia, pesquisas
Cesáreas voluntárias resultam em mais mortes neonatais
escrito por: Tricia em quarta-feira, setembro 20, 2006 às 8:46 AM.
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Os pesquisadores descobriram que a taxa de mortalidade neonatal para partos do tipo cesariana entre mulheres de baixo-risco é de 1,77 morte a cada 1.000 nascimentos, enquanto a taxa para parto normal é de 0,67 mortes para cada 1.000. As descobertas foram publicadas na edição desse mês do periódico “Birth: Issues in Perinatal Care”.
A porcentagem de partos do tipo cesariana nos Estados Unidos aumentou de 20,7% em 1996 para 29,1% em 2004, de acordo com informações do artigo.
A mortalidade nas cesáreas acontece cerca de 1,5 mais vezes do que nos partos normais, mas assumia-se que a diferença era devido ao perfil de alto risco das mães que se submetem à operação.
Esse estudo, de acordo com os autores, é o primeiro a examinar o risco de cesarianas entre as mães que não possuem razões médicas para se submeterem à operação.
A má-formação congênita foi a causa principal da morte de neonatais independentemente do tipo de parto. Porém, o risco do primeiro parto cesárea de uma mulher persistiu mesmo quando as mortes por má-formação congênita foram excluídas do cálculo.
A hipoxia intra-uterina – a falta de oxigênio – pode ser tanto um motivo para a execução de um parto cesárea como uma causa para a morte, mas mesmo eliminando tais mortes, a taxa de mortalidade neonatal para cesarianas permaneceu a mesma nos casos estudados eram duas vezes maiores do que para partos vaginais.
“Mortes neonatais são raras em mulheres de baixo-risco – cerca de uma morte a cada 1.000 nascimentos – porém mesmo após dos ajustes sócio-econômicos e dos fatores de risco de ordem médica, a diferença permaneceu”, afirmou Marian F. MacDorman, uma estatística do Centro de Prevenção e Controle de Doenças e autora do estudo.
“Isso não é para deixar as pessoas realmente alarmadas, mas é preocupante dado que nós estamos vendo um aumento do número de cesáreas para mulheres sem riscos”, afirmou MacDorman.
Parte do motivo para o aumento da mortalidade pode ser que o trabalho de parto, que normalmente é desagradável para a mãe, é benéfico para o bebê ao liberar hormônios que promovem funções pulmonares saudáveis. A compressão física do bebê durante o trabalho de parto também é útil ao remover o fluido dos pulmões e auxiliando o bebê a se preparar para a respiração.
Os pesquisadores sugerem que outros riscos do parto cesariana, como possíveis cortes no bebê durante a operação e o estabelecimento tardio da amamentação, também podem contribuir para o aumento da taxa de mortalidade.
O estudo incluía 5.762.037 nascimentos e 11.897 mortes infantis nos Estados Unidos de 1998 até 2001, uma amostra ampla o suficiente para projetar conclusões estatisticamente apesar da morte neonatal ser um acontecimento raro.
Havia 311.927 cesarianas entre as mulheres de baixo-risco na análise.
Os autores reconheceram que o estudo possuía certas limitações, incluindo questões relativas à precisão das informações relatadas em nos boletins médicos de nascimento.
Tais dados são altamente confiáveis para informações como tipo de parto e peso do bebê, mas pode não relatar de modo ideal os fatores de risco da mãe e do bebê individualmente.
É possível, apesar de improvável, que o grupo que realizou uma operação cesariana fosse inerentemente o grupo mais arriscado, segundo os autores.
O dr. Michael H. Malloy, co-autor do artigo e professor de Pediatria na Universidade de Texas, afirmou que os médicos podem vir a querer utilizar tais descobertas ao alertar seus pacientes.
“Apesar das tentativas de controle de um número de fatores que podem ter aumentado o risco de mortalidade associado com as cesarianas, nós continuamos a observar os riscos suficientes para preocupações”, afirmou ele.
“Quando os obstetras revisarem tais informações, talvez elas promovam mais discussões dentro da comunidade obstetrícia sobre os prós e contras de se oferecer alas comunitárias para a conveniência da população e também promover mais pesquisas para que se descubra o porquê dos riscos persistirem”.
FONTE: New Your Times
Marcadores: cesárea, midia, neonatologia, pesquisas
Escrevi tudo de novo, como realmente aconteceu, sem mágoa, revolta, de uma forma mais esclarecida e madura. Pra conferir como foi o nascimento da Thais clique aqui.
Marcadores: cesárea, depoimento
deu no new iorque taimes...
escrito por: Tricia em quarta-feira, agosto 09, 2006 às 6:22 PM.
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Já falei pra vcs o que realmente penso sobre isto? Não? ...
Para mim, a cesárea nada mais é que o fruto de um sistema obstétrico falido.
Como diz uma amiga minha, as ricas cortam encima, as pobres cortam embaixo. Vc escolhe!
Então as mulheres brasileiras, cansadas, ou acomodadas, ou de saco-cheio da obrigação de serem 'super-women', preferem deixar esse assunto pra lá, e entregam seus corpos ao sistema, aos hospitais, aos médicos.
Algumas dizem:"eu deixei pra lá, confiei no meu médico e não me arrependo. Minha cunhada teve uma cesárea maravilhosa, a minha tia também, então essas pesquisas são a maior mentira..." (Como eu li ontem no orkut... milhares de comentarios assim. )
A única coisa que passou na minha cabeça naquele momento, foi "a que ponto chegamos!"
Como já dei muito murro em ponta de faca, eu escolho me CALAR. Sim, me calar. Cada um sabe de si, e o interesse por si mesmo deve vir de dentro. Não adianta eu chegar pra alguem e dizer "acorda" se a pessoa se quer abre os olhos, prefere viver sonhando, dormente, passiva...
Eis aqui as duas matérias completas, para quem quiser ler:
Bebês de cesariana têm mais risco de morte, diz estudo (BBC News).
Cesáreas voluntárias resultam em mais mortes neonatais(New York Times)
então me digam, quem realmente se importa com isso?
Marcadores: cesárea, midia, neonatologia, pesquisas
A cesárea é um procedimento cirúrgico desenvolvido para salvar a vida da mãe e/ou da criança, quando ocorrem complicações durante a gravidez ou do parto.
A cesárea não é isenta de riscos, estando associada, no Brasil e em outros países, a maior morbi-mortalidade materna e infantil, quando comparada ao parto vaginal. A escolha de qualquer intervenção médica, em termos éticos, deve basear-se no balanço entre riscos e benefícios. Na maioria dos continentes, no entanto, a cesárea tem sido abusiva, principalmente nos Estados Unidos, Canadá, Porto Rico e no Brasil. Eles ultrapassaram, a partir dos anos 80, o índice de 15% considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a taxa máxima aceitável de cesárea.
Se EUA, Canadá, Porto Rico e Brasil ultrapassam os índices recomendados pela OMS, a maioria dos países europeus, na mesma época, apresentou taxas entre 10% e 14%, com exceção da Holanda, onde o sistema de atenção ao parto privilegia o atendimento domiciliar e conta com a participação efetiva de parteiras. Ali, as taxas foram próximas a 7%. O grande número de cesarianas realizadas na América Latina aumenta o risco de mortes e complicações pós-parto para as mães e bebês. A conclusão é de um estudo que a OMS publicou na revista médica ´The Lancet´.
Segundo os dados coletados, as mortes pós-parto subiram em até 20% com o aumento do número de cesarianas. O estudo selecionou aleatoriamente 120 hospitais públicos e privados em oito países: Argentina, Brasil, Cuba, Equador, México, Nicarágua, Paraguai e Peru. Um terço dos 97 mil partos analisados durante o período do estudo foi realizado por cesariana. Segundo a análise, os hospitais com o maior número de partos realizados por meio de cesarianas eram os que apresentavam maiores taxas de doenças maternas, mortes e uso de antibióticos após a gravidez.
No trabalho feito pela OMS, foram observados 15 hospitais públicos e quatro privados no Brasil. Nesses hospitais, notou-se um volume de cesarianas próximo da média da região, de 33%. Os hospitais privados tiveram uma média maior do que os públicos. Ainda segundo o estudo, em países como México e Equador essa taxa foi muito maior. No México, por exemplo, nos hospitais privados observados, as cesarianas chegam a
80% dos partos realizados.
No Brasil como um todo, segundo números oficiais (os mais recentes são de 2004) a taxa de cesarianas está em 33,8% dos 2,5 milhões de partos realizados. No mesmo ano, em média, 79,7% dos partos na rede particular foram cesáreas. Segundo Heloísa Lessa, secretária-executiva da ONG Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento, nos grandes centros brasileiros há hospitais em que até 99% dos partos são cesariana.
Lessa acrescenta que as brasileiras urbanas correm sete vezes mais risco de morrerem no parto do que as que vivem no meio rural. Segundo ela, já há no país iniciativas como o Pacto Nacional Para Redução da Mortalidade Materna, patrocinada pelo Ministério da Saúde, que reduz o pagamento de cesáreas para hospitais. Se mais de 40% dos partos forem cesarianas, os hospitais deixam de ganhar adicionais. O ministério também promove o Programa de Humanização no parto e as perspectivas são de que os números venham a baixar.
Em toda a América Latina, dois milhões de crianças estão nascendo de cesáreas a cada ano, a um custo extra de US$ 350 (cerca de R$ 700) cada. O dinheiro que, segundo o estudo, poderia ser usado para melhorar outras áreas do tratamento das mães e dos bebês e pagar pesquisas necessárias. O motivo para um volume alto de cesarianas vai desde pressões sociais à percepção da segurança da cirurgia.
Os dados da OMS, no entanto, contradizem a idéia de que a cesariana, quando feita de forma desnecessária, é tão segura quanto o parto normal. Para o chefe da equipe que realizou o estudo, o médico José Villar, ´as maiores taxas de nascimento por cesariana não necessariamente indicam boa qualidade de serviços ou de tratamento´.
A produtora de eventos, Claudinária Almeida, espera a segunda filha. Ela torce que Sofia também venha ao mundo através de parto normal, ´que é mais saudável tanto para a mãe para como para a criança´. A primeira filha, Dandara, já tem 15 anos.
O movimento ´Partonosso´ elaborou 50 motivos para se evitar uma cesárea desnecessária. Entre os perigos, para o bebê, estão o risco de complicações e desconforto respiratório, com risco de morte 10 vezes maior, além de maior dificuldade no aleitamento. Para a mãe, o ´Partonosso´ prevê risco de ruptura uterina e a dificuldade de encontrar médico que faça partos normais após cesáreas, pois ficam dependentes de drogas utilizadas anteriormente.
Luciano Luque / Suzete Nocrato
luque@diariodonordeste.com.br
INGLATERRA (2/7/2006)
Psiquiatra infantil dá à luz aos 63 anos de idade
Em breve, a psiquiatra infantil Patrícia Rashbrook, de 63 anos, se tornará uma das britânicas mais velhas a dar à luz. No oitavo mês de gravidez, ela defende o seu direito de ser mãe nesta idade. Patricia tem dois filhos crescidos de um casamento anterior. Ela se casou de novo e passou por um tratamento de fertilidade.
Ao lado do marido, John Farrant, Patricia revelou que a gravidez não foi algo fácil: ´Um grande plano foi feito para garantir o bem-estar da criança no presente e no futuro, em termos materiais, sociais e de saúde. Estamos muito contentes de dar vida a um bebê que já é muito amado e nosso desejo agora é dar a ele a paz e a segurança de que precisa´.
O casal não disse por qual tratamento passou Patricia. A imprensa especula que ela pode ter sido auxiliada pelo especialista italiano em fertilidade Severino Antinori, que em 1994 ajudou um mulher de também 63 anos a engravidar com uma técnica que combinou doação de óvulos com tratamento hormonal. A maior parte das críticas contra a decisão da psiquiatra tem vindo de grupos conservadores, que se opõem às técnicas de reprodução assistida. ´É extremamente difícil para uma criança ter uma mãe que é tão velha quanto uma avó. Isso tem a ver com a sociedade consumista, que sempre quer absolutamente tudo e nunca pensa que uma criança não é um produto´, disse a co-fundadora do Grupo de Ética Reprodutiva, Josephine Quintavalle,
James Healy, da Autoridade Britânica de Fertilização Humana e Embriologia, disse que a lei não impõe limites para a idade da gravidez. ´A lei diz que se deve levar em conta o bem-estar da criança, incluindo as condições de saúde, idade e habilidade dos pais para proverem as necessidades do filho´. Neste caso, o parto cesáreo será inevitável, evitando complicações para a mãe e para o bebê.
Outra mãe idosa já deu à luz no Reino Unid: Liz Buttle, de Gales, que tinha 60 anos quando teve um menino, em 1997. No resto do mundo, a mulher mais velha a dar à luz é a romena Adriana Iliescu, que em 2005 teve uma filha em Bucareste aos 66 anos de idade.
DAR À LUZ (2/7/2006)
Método do parto na água vem desde a Antiguidade
Tem-se informações de que civilizações da Antiguidade utilizavam água durante o trabalho de parto. Algumas chegavam a dar à luz dentro da água. Como é o caso de civilizações amazônicas, tanto no Peru como no Brasil.
O russo Igor Tiarkovski começou a pesquisar no inicio da década de 60 os efeitos da água na saúde do ser humano e incluiu partos na água. Depois começou a trabalhar para a criação de uma super-raça, de seres que deveriam estar quase adaptados à vida aquática. O modelo de Tiarkovski acabou naufragando, mas sua contribuição motivou muita gente a experimentar o parto aquático.
Outra grande defensora do parto na água é Sheila Kitzinger, que escreveu mais de 20 livros sobre o momento do parto e nascimento. Com Janet Balaskas o parto ativo e depois o parto dentro da água foram abrindo espaço na obstetrícia britânica, desde 1987. Desde então, muitos outros centros hospitalares do Reino Unido passaram a ter banheira em suas instalações. Hoje em dia 96% dos hospitais da rede publica na Inglaterra possuem uma banheira em sala de parto.
FONTE: Diario do Nordeste
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Parto Normal: Segurança para mãe e bebê
escrito por: Tricia em terça-feira, junho 27, 2006 às 11:16 AM.
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Índice de cesarianas no Brasil chega a 40%, quase o triplo do recomendado. Saiba por que é melhor evitar uma cirurgia
por: Lucimeire Santos
É com um olhar atento e preocupado que a adolescente P. F. A. ouve as orientações do obstetra Luiz Carlos Pinheiro, na Maternidade Nascer Cidadão, no Jardim Curitiba, região noroeste de Goiânia. O médico tenta convencer a gestante, de 16 anos, sobre as vantagens de se fazer um parto normal. "Você não precisa ter medo. O povo sempre aumenta os riscos. Mas não vai ficar sozinha. Tem sempre alguém com quem pode se comunicar", explica.
Apesar da ansiedade da primeira gravidez, que veio sem nenhum planejamento, a adolescente se diz preparada para enfrentar o desafio. O estímulo vem da própria mãe, que, aos 32 anos, tem três filhos – dois deles, nascidos de cirurgias cesarianas. Na Maternidade Nascer Cidadão, as cerca de 260 mulheres que fazem a consulta do pré-natal diariamente são estimuladas a passar pelo processo natural de parto desde a primeira consulta. Para isso, também há o incentivo à participação paterna em todas as etapas, além da garantia do acompanhamento de um parente ou amigo durante o processo.
Os métodos tentam mudar estatísticas consideradas preocupantes pelo Ministério da Saúde: a média de cesarianas no Brasil corresponde a 39% do total de partos realizados. No Centro-Oeste, a taxa chega a 40%. A média recomendável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é 15%. Ao lançar uma campanha de incentivo ao parto natural, o Ministério da Saúde reforçou que sua posição não está relacionada à contenção de gastos – uma cesariana, no Sistema Único de Saúde (SUS), custa R$ 402, enquanto o parto normal não passa de R$ 291 – e, sim, aos riscos advindos da cirurgia.
Banalização
Médicos ouvidos pela Tribuna do Planalto confirmam que há uma banalização da cirurgia, recomendada apenas quando o parto normal pode colocar em risco a vida do bebê ou da mãe. A intervenção cirúrgica, em muitos casos, pode significar desconforto no pós-parto e recuperação lenta e dolorosa. Segundo o Ministério da Saúde, as cesáreas provocam de três a 20 vezes mais mortes maternas do que o parto normal.
Cultura elitista privilegia cesariana
O elevado índice de cesarianas está associado ao modelo obstétrico brasileiro, que, principalmente após a década de 60, tem se caracterizado pelo alto grau de medicalização. Neste modelo, o médico é o único responsável pelo atendimento durante o trabalho de parto e a figura da parteira é eliminada.
O chefe da Divisão Médica do Hospital Materno Infantil, uma das unidades de referência em Goiânia, Weuler Alves Ferreira, explica que se estabeleceu na sociedade brasileira uma cultura elitista da saúde, que faz com que, nas clínicas privadas, a ocorrência dos partos com intervenção cirúrgica sejam mais freqüentes, já que os pais programam com os médicos o dia considerado ideal. "A paciente do SUS não tem a oportunidade de escolher. Ela chega, é atendida e o serviço vai oferecer o que é necessário para conduzir o quadro dela da melhor forma. Se ela tem uma complicação que impede um parto normal, vai ser submetida a uma cesariana. Do contrário, não", argumenta.
Para o parto normal, é fundamental que se tenha o desejo da gestante. No entanto, segundo o obstetra Luiz Carlos Pinheiro, existe também um problema de ordem econômica. "Por causa do achatamento dos salários, os médicos cada vez mais estimulam as pacientes a realizarem as cesarianas. Com três ou quatro empregos, a cirurgia é mais vantajosa por causa do tempo. Para se fazer um parto normal, muitas vezes o médico tem de cancelar um plantão. No caso cesariana, ele pode programar o melhor horário", explica.
Outro fato observado pelos profissionais é que, no Brasil, em caso de processos médicos envolvendo complicações do parto, é mais fácil o obstetra ser responsabilizado por ter optado pelo parto normal ao invés da cirurgia. "Na Europa, geralmente se é processado porque uma cesariana significa mutilação", diz Pinheiro.
Saiba mais
Benefícios do parto normal
- Recuperação mais rápida da mulher e redução dos riscos de infecção hospitalar.
- Baixa ocorrência de problemas respiratórios para o bebê.
- Possibilidade de se estabelecer um vínculo mais rápido entre mãe e filho, já que, logo após o parto, ela já terá condição para tomar conta do bebê.
- Esteticamente, a mulher não ficará com uma cicatriz no abdômen.
Riscos da cesariana
- Na cesariana, é mais comum a ocorrência de infecção e hemorragias, além da possibilidade de abertura acidental de algum órgão, como bexiga, uretra e artérias.
- A gestante pode, ainda, ter problemas de cicatrização que podem afetar a próxima gravidez.
- A incidência de morte materna associada à cesariana é 3,5 vezes maior do que no método natural.
- No futuro, caso a mulher precise de uma cirurgia de emergência, seu abdômen será mais difícil de ser perfurado.
- Possibilidade de o bebê nascer prematuro.
- Do ponto de vista financeiro, o valor de uma cesariana é superior ao de um parto normal.
Fonte: Ministério da Saúde e médicos ouvidos pela Tribuna do Planalto
Casos em que a cirurgia é indicada
Foram os problemas de hipertensão que levaram a dona-de-casa Cacilda Maria de Jesus, 42 anos, a procurar o Hospital Materno Infantil, em Goiânia, onde, na semana passada, teve seu terceiro parto. Apesar do desejo de que fosse normal, por causa da idade, dos problemas de saúde e de um aborto espontâneo anterior, foi obrigada a passar pela intervenção cirúrgica.
Ela se enquadra em um dos casos em que os especialistas indicam a cesariana. O Ministério da Saúde recomenda que a cirurgia seja feita quando há a chamada "desproporção céfalopélvica", que ocorre quando a cabeça do bebê é maior do que a passagem da mãe; quando há hemorragias no final da gestação ou ocorrência de doenças hipertensivas na gestante. Em casos em que a mãe apresenta diabete gestacional, ruptura prematura da bolsa d'água ou é portadora do vírus HIV, a cirurgia também é indicada.
Mesmo no Hospital Materno Infantil, especializado em casos considerados graves, o chefe da Divisão Médica da unidade, Weuler Ferreira, considera positivo o fato de ainda haver um grande índice de partos normais realizados – segundo ele, uma média 50% do total. Já na Maternidade Nascer Cidadão, apesar do estímulo ao parto humanizado, o diretor-técnico da unidade, Sebastião Leite, afirma que ainda existe um índice alto de cirurgias – em torno de 25%. Ele utiliza esse argumento também para se defender das denúncias feitas pelos vereadores Cláudio Meirelles (PL) e Maurício Beraldo (PSDB) de que a maternidade estaria promovendo um retardamento do processo de parto e, com isso, aumentando o número de mortes neonatais. "De quatro anos para cá, foram apenas 29 mortes. As pessoas, por interesses diversos, levaram os casos à polícia como se tivesse morrido bebê na maternidade. Foram feitas investigações do Ministério Público e do Conselho Regional de Medicina. Nosso índice é o mais baixo da Capital e do Brasil", reitera.
Partos na Rede Pública
• Dados Nacionais/ Cesarianas 2000 2001 2002 2003
• Total
156.397 171.406 187.610 219.684 735.097
• Dados Nacionais/ Partos Normais 2000 2001 2002 2003
• Total
648.319 661.914 688.359 715.555 2.714.147
• Dados Nacionais/ Cesarianas e Partos Normais 2000 2001 2002 2003
• Total
804.716 833.320 875.969 935.239 3.449.244
Fonte: Coordenação-Geral de Suporte Operacional de Sistemas do Departamento de Regulação, Avaliação e Controle (DERAC) - Ministério da Saúde