MULHER COM ÚTERO DUPLO DÁ À LUZ TRÊS BEBÊS NA INGLATERRA


escrito por: Débora, em quinta-feira, dezembro 21, 2006 às 12:53 PM.


Caso pode ser o único no mundo, segundo especialistas. Prematuras, crianças devem continuar internadas por nove semanas.


Londres -- Uma britânica com útero didelfo (duplo) deu à luz três bebês concebidos em duas cavidades uterinas diferentes em setembro, em um caso divulgado nesta quinta-feira (21) e que pode ser único no mundo, segundo os especialistas. As gêmeas Ruby e Tilly, concebidas em um dos úteros, foram as primeiras a nascer. Logo após, nasceu Grace, que se desenvolveu na outra cavidade uterina da sua mãe. Hannah Kersey, 24, foi submetida a uma cesariana e as meninas nasceram prematuras no hospital de Southmead, de Bristol, no sudoeste da Inglaterra. As três meninas devem continuar internadas no hospital durante nove semanas antes de voltar para casa dos pais em Northam, em Devon, também no sudoeste inglês.Ruby, Tilly e Grace foram concebidas em dois óvulos fertilizados ao mesmo tempo, segundo Kersey. Ela afirmou que, quando engravidou, foi advertida pelos médicos que teria três opções: abortar os três fetos, abortar as gêmeas e ficar com um bebê ou ficar com todos, assumindo o risco."Foi uma situação terrível, mas imediatamente soube que não podia colocar fim à vida de nenhum dos meus bebês, de modo que optamos por continuar com os três", afirmou Kersey.De acordo com o ginecologista Ellis Downes, do Hospital Chase Farm de Londres, o caso é "incrível", pois "mulheres com dois úteros já conceberam bebês nas duas cavidades, mas nunca gêmeos em uma delas". Segundo os especialistas, nos últimos cem anos, apenas 70 mulheres portadores de útero didelfo ficaram grávidas nas duas cavidades uterinas.A jovem mãe expressou sua felicidade pelo fato de as filhas estarem "saudáveis e felizes", acrescentando que as meninas "são incríveis, todas com personalidades diferentes", afirmou.

Fonte: G1.com

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Anunciação


escrito por: Tricia em às 9:08 AM.

Caetano Veloso

Composição: Caetano Veloso / Rogério Duarte

Maria, Maria
Nosso filho está perto
Esta noite eu o vi em sonhos
Me chamando
Antes já o pressentia
Esta noite eu o vi de repente, vagamente
Maria, Maria
Maria tenho medo que você não chegue a tempo
Que ele apareça em meu quarto noturno
Com uma faca na mão
E um sorriso violento nos lábios
É preciso impedir que ele cresça longe de nós
E não nos reconheça
Maria, Maria
Não pense que estou louco
Nosso filho já nasceu
E se não tomarmos conhecimento
Como iremos saber
Que a nossa carne que nos mata
Maria, Maria
Tente mesmo chegando
A cabeleira vermelha
Como incêndio mais belo do que nós
Enquanto nós pensamos
Que ainda jaz
Na caixa de sapato
Não deixe nosso filho
Substituir o teu leite
Pelo leite das feras
Maria, Maria
Maria
Não te iludas com pílulas ou outros métodos
Tarde demais para tais providências
Essa noite, Maria, essa noite ele gritou seu nome
Maria, Maria

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como se proteger de uma cesárea no Brasil


escrito por: Tricia em quarta-feira, dezembro 20, 2006 às 10:56 AM.

Simples, basta de candidatar a parir pra novela das 8 que está tentando mostrar um parto normal!!!!
Escreva uma carta pra rede Globo e se ofereça para perder totalmente sua privacidade parindo na frente de umas trinta pessoas desconhecidas. Você vai ficar famosa, vai ganhar um trocado e terá a breve ilusão de que está fazendo seu papel social.
A equipe médica fará de tudo pra ajudá-la a parir vaginalmente, não porque é melhor, mas porque Globo tá filmando!
O que seu bebê vai sentir quando vier ao mundo com tantos refletores encandeando seus pequenos olhinhos? Não importa!

desculpem a ironia, minhas amigas, mas é que eu fico engasgada com esse tipo de coisa. Cá pra nós, pelo menos deu certo. A menina deu a luz, normalmente, e a Globo filmou. Como será a edição do programa hein? Resta ter esperanças que o esteriotipo não continue sendo repassado, o que é muito dificil... mas eu particularmente achei um extremo mau gosto. Isso sim.

Leia a matéria no site O Globo.com.

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Banco de leite humano será inaugurado amanhã


escrito por: Débora, em terça-feira, dezembro 19, 2006 às 3:42 PM.



Banco de Leite Materno será inaugurado amanhã
Dourados recebe o seu primeiro Banco de Leite amanhã no Hospital da Mulher a partir das 8h 50. Mato Grosso do Sul celebra grandes avanços na implementação das ações do Aleitamento Materno, frutos da determinação e do compromisso assumido pelos gestores das políticas públicas implantadas no Estado.Segundo o médico responsável pelo Banco de Leite, Antonio Marinho Falcão Neto, será um centro de referência de apoio e incentivo para o leite materno. “O leite será usado para os bebês recém-nascidos que estiverem U.T.I neo-natal e mães que tiverem dificuldades na hora da amamentação (...) as mães que tiverem excesso de leite poderão também estar doando para o banco”, disse o médico. A Organização Mundial da Saúde estima que, em todo o mundo, um milhão e meio de mortes infantis poderiam ser evitadas através da prática do aleitamento materno. Crianças em amamentação exclusiva adoecem 2 vezes e meia menos do que crianças que tomam leite artificial.

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Ioga relaxa gestante


escrito por: Débora, em segunda-feira, dezembro 18, 2006 às 11:58 AM.


Por Eduardo Diório


São Paulo, 14 (AE) - Durante o período de gestação, forçar a futura mamãe a praticar exercícios físicos, em alguns casos, é uma tarefa complicada. Algumas negam por preguiça. Outras, por falta de tempo. Porém, as genitoras se esquecem de que as atividades físicas na gravidez são importantes porque, uma vez que o físico e o intelecto do bebê estão sendo estruturados a todo vapor, quanto mais energia de vida ele receber, melhor.A ioga está na lista dos métodos mais indicados para abastecer a criança que está por vir. O fluxo intenso de energia positiva aumenta a qualidade do mecanismo natural do corpo da mãe, já que está trabalhando dobrado. "Os benefícios desse tipo de exercício são infinitos, pois ocorre uma melhora na condição física, propicia maior integração da mãe com o bebê e aumenta a sensação de conforto e bem-estar", revela Nanda Priya, professora de ioga do Kyron Spa.Esse tipo de comunicação instintiva faz com que a criança aprenda, por meio de diferentes experiências no útero, a escutar o som externo e a lidar com os movimentos. O instrutor Deva Bandhu garante que não existe contra-indicação para essa terapia e que o ideal é praticá-la o quanto antes. "As mulheres que estão esperando um bebê podem fazer esse exercício desde o início da gestação", explica.Para experimentar os benefícios da ioga - que também evita, segundo especialistas, as indesejáveis dores durante o parto -, a mulher deve estar completamente envolvida no processo. É importante que a mente esteja atenta ao trabalho que está sendo feito. Além disso, a concentração na respiração, como em todos os exercícios físicos, deve estar em sintonia aos movimentos do físico."Na minha primeira gravidez, não conseguia sair de casa. Era pura preguiça! Quando fiquei grávida pela segunda vez, resolvi sacudir o corpo e fazer ioga. Foi um processo difícil, pois tive de unir a minha concentração com a respiração. Depois que peguei o jeito, senti melhoras no meu corpo e menos cansaço", lembra a paisagista Gisele Assunção, de 37 anos, hoje, mãe de três filhos. PEQUENOS CUIDADOSAntes de iniciar qualquer tipo de exercício físico, é importante procurar aconselhamento médico. Ele indicará a freqüência e o tempo correto para praticar o esporte de forma segura e saudável. Bandhu acredita que, por ser benéfica ao desenvolvimento do nenê, a ioga pode ser feita diariamente. "Tudo depende do cansaço da grávida, que varia de acordo com a sua rotina."Caso a paciente esteja liberada, o ideal é providenciar roupas confortáveis e que não fiquem justas ao corpo. Por mais que os movimentos sejam leves, exigem uma dose extra de flexibilidade.A alimentação também deve ser controlada. Evite exagerar na dose e procure beber muita água. "Essa bebida deve acompanhar a gestante durante toda gravidez", diz a personal trainer Renata Ferreira.

SERVIÇO:Kyron Spa Tel.: (11)3095-3000

SEQUÊNCIA DE EXERCÍCIOS

1 - Sente-se com a coluna ereta e cruze as pernas. Faça respirações profundas

2 - Com a mão direita no joelho esquerdo, torça a coluna. Apóie a outra no solo. Inverta o processo

3 - Apóie a mão direita no solo e suba o braço esquerdo, alongando toda a lateral do corpo

4 - Expire e flexione a coluna para o lado direito. Repita o processo para o lado esquerdo

5 - Sente-se com os joelhos estendidos e pernas afastadas. Tracione a coluna com inspirações

6 - Expire e, com calma, flexione o corpo para frente. Procure tocar os pés

7 - Una as solas dos pés e aproxime os calcanhares ao corpo. Force os joelhos para baixo

8 - Agache com os pés afastados e calcanhares no solo. Una as palmas das mãos em frente ao peito.


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Só o peito?!


escrito por: Débora, em às 11:58 AM.








Até os seis meses de vida dos bebês, a amamentação exclusiva (sem água, chás, complementos) é a recomendação consensual em todo o mundo. Só após os seis meses a dois anos ou mais, a amamentação pode ser complementada, ou seja, acompanhada de outros alimentos.A introdução precoce de líquidos ou outro leite traz riscos à saúde do bebê.Até a década passada, não tínhamos idéia de que o aleitamento materno como alimentação única dos lactentes ajudava a proteger o bebê contra infecções, defendendo o organismo infantil. Não é porque somos “radicais” ou “naturebas” que somos contra oferecer aos bebês outros alimentos, principalmente as fórmulas infantis (leites de vaca modificados em pó). Vários estudos nacionais e internacionais mostraram que a introdução dos aparentemente inocentes “chazinhos”, “aguinhas” ou “suquinhos” aumentam a chance dos lactentes de contraírem doenças infecciosas. Se um destes complementos for o leite em pó, esta proporção aumenta várias vezes.Hoje em dia, sabemos que o leite materno é mais que um alimento: é um líquido imunomodulador, uma “vacina”, uma substância viva. Contém anticorpos, interferóns, leucócitos (glóbulos brancos), uma flora saprófita (“bactérias do bem”) que protegem os bebês de doenças por bactérias, virus, protozoários e outros microorganismos. E este poderoso bloqueio é quebrado quando outras substâncias são ingeridas.Nos anos 70, determinados tipos de leite em pó eram identificados erroneamente como “leites maternizados”, ou seja, como substituto ao leite materno. Desde 1991, há um código internacional (da OMS) que regula o marketing dos produtos que concorrem com o aleitamento. E no Brasil, a partir de 1988 há uma Norma de Comercialização de Alimentos e Produtos (como mamadeiras, chupetas) para Crianças de Primeira Infância que impede a publicidade e a promoção comercial. As fórmulas em pó para bebês não são esterelizadas, ou seja, há bactérias nestes leites especiais, principalmente a “Enterobacter Sakasakii” que pode causar infecções e até a morte.A OMS, a FAO e a ANVISA por pressão de ONGs como a IBFAN, está estudando para que nos rótulos destes leites de vaca dirigidos às crianças pequenas haja uma advertência esclarecendo que cuidados devem ser redobrados na preparação, pois há bactérias que o processo de desidratação e acondicionamento do leite de vaca não conseguiu impedir.Conclusão: Profissionais de saúde, mães e pais devem pensar mais que duas vezes ao propor ou oferecer aos nossos frágeis filhotes quaisquer líquidos além do leite materno.Ainda somos mamíferos, porque temos esta capacidade incrível de secretar de nossos peitos, um produto que permite, junto com o nosso colo, uma gestação extra-uterina saudável.

Fonte: Site Aleitamento

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video de parto na água


escrito por: Tricia em sábado, dezembro 16, 2006 às 2:39 PM.



apesar do barulho local (telefone tocando, irmão chorando) e da imagem meio escura, é um bom video!
Lyle's Waterbirth

=)

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Medo do parto normal


escrito por: Débora, em sexta-feira, dezembro 15, 2006 às 12:44 PM.


"Estou com 34 semanas de gestação,e morro de medo de fazer um parto normal. Eu sou mais uma dessas que gostaria de marcar uma cesárea pra bebe nascer...mas sei que é um parto mais persistente e doloroso após,na hora de recuperar-se,mas prefiro sentir dor após o bebe nascer do que antes.Tenho medo de não conseguir ter força suficiente pra conseguir empurrar o bebê. Minha médica disse que vai anestesiar minha coluna, mas todos dizem que é impossível, pq minhas pernas ficaram adormecidas e não sentirei elas. Então,essa é minha dúvida.É possível,ter um parto normal com anestesia peridural? Qual dor diminui, a de passagem do bebe,ou as contrações?
Muito obrigado por dividir conosco suas dúvidas e confiar em nossa equipe. As informações que vamos dar aqui não substituem o apoio e a orientação do seu médico ta?? Sempre tire todas as suas dúvidas com ele. Queremos apenas ajudá-la a ter um parto tranqüilo e feliz, compartilhando com você o que sabemos sobre partos.
Em primeiro lugar queremos pedir a você que relaxe e aproveite todos os momentos da sua gravidez, pois é um momento muito especial e precisar ser desfrutado. Em segundo lugar não é necessário ter tanto medo assim da hora do parto. Tenha a certeza de que você como mulher, já veio a este mundo pronta para o parto e tem todas as "ferramentas" necessárias para isso. O momento do parto é algo mágico, onde você realmente entende o significado da vida. É um momento onde você poderá experimentar o que realmente significa o amor.

Quando ocorre um acompanhamento pré-natal adequado, a gestante deve estar informada e preparada para o trabalho de parto e o parto em si. As orientações sobre a mãe e os cuidados com o bebê, técnicas de respiração, como lidar com a dor, a participação do pai e a importância de conhecer o mecanismo do parto, devem estar bem esclarecidas, e isso quem deve fazer é seu ginecologista. Converse com ele e tire todas as suas dúvidas, não tenha vergonha.
O trabalho de parto envolve várias fases e a gestante em geral dispõe de um tempo suficiente para chegar ao hospital e ter um atendimento adequado. No início do trabalho de parto você irá sentir uma maior pressão sobre a bexiga, poderá apresentar diarréia e uma dor forte nas costas. As contrações, embora ainda não dolorosas, se tornam mais freqüentes. Nessa fase o colo do útero "amolece", iniciando o seu processo de dilatação. Geralmente ocorre o que se chama de perda do tampão mucoso, com o aparecimento de um corrimento espesso e sanguinolento. Quando as contrações uterinas começam a ficar mais intensas e regulares, pode ou não ocorrer o rompimento da bolsa de líquido amniótico, que muitas vezes escorre pelas pernas, molhando as roupas. Na maior parte dos casos essa é a hora de ir para a maternidade.
No momento da internação, serão realizados vários procedimentos de rotina, como a medida da temperatura, da pressão arterial e da freqüência cardíaca da mãe e do feto. Você receberá instruções para permanecer deitada de lado, em jejum, podendo ingerir apenas água. Uma via intravenosa, para receber líquidos, pode ser instalada. Medidas como a lavagem intestinal e a raspagem dos pêlos pubianos também poderão acontecer.
Quando as contrações uterinas adquirem um ritmo constante e regular, inicia-se a fase ativa do trabalho de parto. Nessa fase é importante o monitoramento adequado da freqüência cardíaca fetal, atentando para sinais que indiquem sofrimento do feto. Se as contrações se tornarem muito dolorosas pode ser necessário algum tipo de medida para aliviar a dor. A mais usada é a chamada analgesia peridural (já vamos falar mais sobre ela). O andamento do trabalho de parto é acompanhado através de um gráfico chamado de partograma. Com isso, é possível detectar precocemente alterações que venham interferir na boa evolução do trabalho de parto, antecipando situações que podem determinar a necessidade de uma intervenção cirúrgica, conhecida por cesariana. Como você pode perceber tudo é muito bem controlado e não há necessidade de se ter medo. Se concentre apenas em seu bebê, pois em pouco tempo você estará com ele nos braços! Isso não é uma maravilha? Tire todos os pensamentos negativos da sua mente, pense só nas coisas boas, isso ajuda muito.
No final dessa fase, com o colo uterino dilatado, a gestante sente uma pressão maior no períneo e a necessidade de empurrar como se fosse evacuar. Na maioria das vezes a gestante é levada para a sala de parto. Colocada em uma cama especial, em posição ginecológica e com a cabeceira elevada, iniciam-se as manobras que facilitarão o nascimento. Algumas vezes pode ser necessário realizar uma pequena incisão, geralmente lateral no períneo, para facilitar a saída do bebê.

Em seguida ao nascimento, o cordão umbilical é clampeado e cortado. O bebê será levado para receber os primeiros cuidados por um médico pediatra e em seguida ele será colocado junto a você! Que momento lindo! Mãe e filho finalmente se conhecem e o amor cresce ainda mais entre eles! Esse é o verdadeiro milagre da vida!
A diferença entre as anestesias:
# A Raqui promove o bloqueio sensitivo e motor, ou seja, a paciente deixa de sentir e movimentar as pernas e o baixo ventre. Esse tipo de anestesia proporciona um relaxamento maior da região pélvica e sua instalação é mais rápida.
# A Peridural promove apenas o bloqueio sensitivo, ou seja, a paciente deixa apenas de sentir, permanecendo a movimentação; eliminando a dor, mas não interferindo nas contrações uterinas.
A cesariana é indicada em casos especiais, e ela é uma intervenção cirúrgica, por isso pense bem antes de se decidir.
Nós desejamos a você um lindo parto e que seu bebê nasça com muita saúde! Um grande abraço!"
Fonte: CyberAmelia


Encontrei essa pérola num site e achei interessante colocar aqui. O medo da mulher com relação ao parto normal é acolhido com um "não se preocupe, os médicos sabem o que fazer". Ao mesmo tempo em que o consultor fala que a mulher nasceu pronta para parir, ele descreve um show de horrores como sendo um parto normal. Essa é nossa cultura, o modelo obstétrico que temos. A informação que é passada com esse tipo de orientação é a de que a mulher está perdida, ela precisa da ajuda dos médicos e enfermeiras que sempre sabem o que fazer e cuidam de tudo. Às mulheres cabe somente deitar e esperar que alguém suba em sua barriga pra que o bebê nasça, afinal eles cuidam sempre de tudo. Triste, muito triste.

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O Projeto-Lei 268 / 2002 referente à regulamentação da medicina foi aprovado no Senado dia 6.12.06, nele os procedimentos exclusivamente médicos estão ferindo a liberdade de trabalho de vários profissionais da saúde, como acupunturistas, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos,
esteticistas, cosmetólogas e podólogos, e até parteiras.

O Artigo 4 - III, Parágrafo 4 - I, II, III, coibe diretamente as atividades
dos profissionais mencionados. Quando o médico fala no PL 268 que será
exclusividade do médico INVADIR ORIFÍCIOS NATURAIS DO CORPO ATINGINDO ORGÃOS INTERNOS, como será que a parteira poderá atender a uma parturiente?

Para que o PL 268 seja modificado no plenário do Senado, haverá 5 dias a
partir de 13.12, para que pelo menos 9 senadores entrem com recurso.

Acontece que a maioria está com medo dos médicos.

Solicitamos que se tomem providências para pressionar o senado urgentemente.

ONG Amigas do Parto
www.amigasdoparto.org.br

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Minuta
Projeto de Lei do nº 268, de 2002
Substitutivo
Dispõe sobre o exercício da Medicina.
Art. 1º O exercício da Medicina é regido pelas disposições desta Lei.
Art. 2º O objeto da atuação do médico é a saúde do ser humano e das coletividades humanas, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo, com o melhor de sua capacidade profissional e sem discriminação de qualquer natureza.
Parágrafo único. O médico desenvolverá suas ações profissionais no campo da atenção à saúde para:
I – a promoção, a proteção e a recuperação da saúde;
II – a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças;
III – a reabilitação dos enfermos e portadores de deficiências.
Art. 3º O médico integrante da equipe de saúde que assiste o indivíduo ou a coletividade atuará em mútua colaboração com os demais profissionais de saúde que a compõem.
Art. 4º São atividades privativas do médico:
I – formulação do diagnóstico nosológico e a respectiva prescrição terapêutica;
II – indicação e execução da intervenção cirúrgica e prescrição dos cuidados médicos pré e pós-operatórios;
III – indicação para execução e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias;
IV – intubação e desintubação traqueal;
V – definição da estratégia ventilatória inicial para a ventilação mecânica invasiva, bem como as mudanças necessárias diante das intercorrências clínicas;
VI – supervisão do programa de interrupção da ventilação mecânica invasiva;
VII – sedação profunda, bloqueios anestésicos e anestesia geral;
VIII – emissão de laudo dos exames endoscópicos e de imagem, dos procedimentos diagnósticos invasivos e dos exames anatomopatoló gicos;
IX – indicação do uso de órteses e próteses, exceto as órteses de uso temporário;
X – determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico;
XI – indicação de internação e alta médica nos serviços de atenção à saúde;
XII – realização de perícia médica e exames médico-legais, excetuados os exames laboratoriais das análises clínicas, toxicológicas, genéticas e de biologia molecular;
XIII – atestação médica de condições de saúde, deficiência e doença;
XIV – atestação do óbito, exceto em casos de morte natural em localidade em que não haja médico.
§ 1º Diagnóstico nosológico privativo do médico, para os efeitos desta Lei, restringe-se à determinação da doença que acomete o ser humano, aqui definida como interrupção, cessação ou distúrbio da função do corpo, sistema ou órgão, caracterizada por no mínimo dois dos seguintes critérios:
I – agente etiológico reconhecido;
II – grupo identificável de sinais ou sintomas;
III – alterações anatômicas ou psicopatológicas.
§ 2º Não são privativos do médico os diagnósticos funcional, cinésio-funcional, psicológico, nutricional e ambiental, e as avaliações comportamental e das capacidades mental, sensorial e perceptocognitiva.
§ 3º As doenças, para os efeitos desta Lei, encontram-se referenciadas na décima revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.
§ 4º Procedimentos invasivos, para os efeitos desta Lei, são os caracterizados por quaisquer das seguintes situações:
I – invasão da epiderme e derme com o uso de produtos químicos ou abrasivos;
II – invasão da pele atingindo o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, insuflação, drenagem, instilação ou enxertia, com ou sem o uso de agentes químicos ou físicos;
III – invasão dos orifícios naturais do corpo, atingindo órgãos internos.
§ 5º Excetuam-se do rol de atividades privativas do médico:
I – aplicação de injeções subcutâneas, intradérmicas, intramusculares e intravenosas, de acordo com a prescrição médica;
II – cateterização nasofaringeana, orotraqueal, esofágica, gástrica, enteral, anal, vesical e venosa periférica, de acordo com a prescrição médica;
III – aspiração nasofaringeana ou orotraqueal;
IV – punções venosa e arterial periféricas, de acordo com a prescrição médica;
V – curativo com desbridamento até o limite do tecido subcutâneo, sem a necessidade de tratamento cirúrgico;
VI – atendimento à pessoa sob risco de morte iminente.
§ 6º O disposto neste artigo não se aplica ao exercício da Odontologia.
§ 7º O disposto neste artigo será aplicado de forma que sejam resguardadas as competências próprias das profissões de Assistência Social, Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, Terapia Ocupacional e Técnica e Tecnologia Radiológica.
Art. 5º São privativos de médico:
I – direção e chefia de serviços médicos;
II – coordenação, perícia, auditoria e supervisão vinculadas, de forma imediata e direta, a atividades privativas de médico.
III – ensino de disciplinas especificamente médicas;
IV – coordenação dos cursos de graduação em Medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos.
Parágrafo único. A direção administrativa de serviços de saúde não constitui função privativa de médico.
Art. 6º A denominação de “médico” é privativa dos graduados em cursos superiores de Medicina e o exercício da profissão, dos inscritos no Conselho Regional de Medicina com jurisdição na respectiva unidade da federação.
Art. 7º Compreende-se entre as competências do Conselho Federal de Medicina editar normas sobre quais procedimentos podem ser praticados por médicos, quais são vedados e quais podem ser praticados em caráter experimental.
Parágrafo único. A competência fiscalizadora dos Conselhos Regionais de Medicina abrange a fiscalização e o controle dos procedimentos especificados no caput, bem como a aplicação das sanções pertinentes em caso de inobservância das normas determinadas pelo Conselho Federal.
Art. 8º Esta Lei entra em vigor sessenta dias após a data de sua publicação.

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o verdadeiro sentido da feminilidade


escrito por: Tricia em às 8:50 AM.

"Pra se preparar não deve nem dizer que vai conseguir nem que não vai; nem que é uma poderosa, nem que é um mosquito, nem que sabe tudo, nem que sabe nada.
O precioso caminho do meio do Tao. Permanecer no centro significa não focar nenhum pensamento em particular, somente estar, ser. E andar."

Adriana Tanese
www.amigasdoparto.org.br

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Profissão: parteira


escrito por: Tricia em às 7:49 AM.


No Brasil são feitos, aproximadamente, 2,6 milhões de partos anuais. Desse total, 24% são cirúrgicos. O estado recordista é Mato Grosso, com 40,46% de cesáreas.

Para coibir o alto índice de cesarianas no país, o Ministério da Saúde lançou, em 1998, uma portaria que determina controle rigoroso sobre o pagamento de no máximo 40% de cesarianas sobre o total de partos realizados pelo SUS. A medida, segundo dados da Rede Nacional Feminista de Saúde e Direito Reprodutivo, conseguiu reduzir para 30% o número de cesáreas realizadas este ano na rede pública.

As parteiras são responsáveis por 450 mil partos todos os anos. São 45 mil mulheres só nas regiões Norte e Nordeste. Destas, seis mil estão organizadas em rede.

O Brasil ainda apresenta um coeficiente próximo de 110 mortes maternas por cem mil nascidos vivos. Elas correspondem a 6% dos óbitos de mulheres com idade entre 10 e 49 anos.



Elas são chamadas de comadres, madrinhas, mãezinhas. Percorrem longas distâncias no interior da floresta com os pés descalços. Às vezes, precisam atravessar os rios a nado, ou cortam caminho para chegar mais rápido ao seu destino. A pressa tem uma justificativa nobre: o nascimento de uma criança depende delas.

As parteiras da floresta também fazem a diferença nas estatísticas do Ministério da Saúde. Num país em que sete mulheres morrem a cada 10 mil partos feitos por cesariana, elas contribuem para um dado menos assustador: o número de óbitos cai para dois a cada 10 mil partos normais.

Isso não significa, porém, que as 60 mil parteiras do Brasil (sendo 45 mil do Norte e Nordeste) trabalham em condições adeqüadas. A luta pelo parto humanizado encontra resistência em algumas camadas sociais, e na maioria dos estados é comum que os direitos trabalhistas lhes sejam negados. O Sistema Único de Saúde (SUS) paga R$ 54,80 por parto domiciliar, mas nem todas as parteiras recebem o benefício.

Segundo informações da Secretaria de Saúde do Acre, no ano passado, aproximadamente 80% dos partos foram normais. Aqui há mais de 400 parteiras exercendo papel importante na hora do nascimento de crianças na zona rural e urbana. Desse total, menos de cem trabalham nas cidades.

Na Reserva Extrativista do Alto Juruá, distante duas horas de barco do município de Marechal Thaumaturgo, as 78 "pegadoras de menino" são um consolo na hora do nascimento. "Aqui o médico é Deus e abaixo de Deus, nós", diz a extrovertida Maria Zenaide de Souza, a Zena.

Dos quase cinco mil habitantes da Reserva, 47% são mulheres. É comum que elas engravidem muito jovens. Zena, porém, nunca teve filhos naturais, e a ironia do destino lhe arranca lágrimas dos olhos. Ela é uma das oito parteiras mais experientes da Reserva, aquelas que repassam seus conhecimentos a outras parteiras das comunidades e das aldeias dos índios Ashaninka, Kaxinawá e Arara.


Atendimento de saúde no meio da floresta


Mãe de quatro filhos adotivos, Zena coloca a fé acima da habilidade. Todas as vezes que vai fazer um parto, reza uma Salve-Rainha. Se errar a oração, é sinal de que vai precisar ter mais cuidado na hora de "aparar a criança".

O percurso até a casa da parturiente, que pode demorar horas ou até dias, é outro desafio a ser enfrentado. Quando Zena foi chamada pelo compadre Manoel para fazer o parto de seu segundo filho, já eram 11 horas da noite, estava chuviscando e seria preciso caminhar por duas horas. Como não tinha canoa, o jeito foi atravessar o rio Tejo nadando.

No meio do caminho, a surpresa nada agradável: uma cobra pico-de-jaca. Eles correram e no desespero Zena tropeçou, caiu e derrubou a poronga - uma espécie de lanterna colocada na cabeça. "Foi minha salvação, pois a cobra sumiu na escuridão e segui o meu caminho", conta Zena. "O parto também não teve complicações".

Mas é a pobreza o maior desafio de quem vai dar à luz na floresta. Zena conta que certa vez foi fazer o parto de uma mulher que não possuía uma única peça do enxoval da criança prestes a nascer. Então, a parteira rasgou um mosquiteiro e com os pedaços improvisou os cueiros e uma blusinha para o recém-nascido.

Na floresta, a natureza é forte aliada de quem precisa de cuidados. A banha de porco e o óleo de coco são usados para fazer "esfreguição" na barriga da gestante. Para ajudar a contrair o útero, a parteira ensina: "É só pedir que ela sente num bacio com água, onde se colocam três galhos de mastruz e três gotas de álcool. Pra dar força, um caldo com pimenta do reino e alho é suficiente".

Os homens, segundo Zena, estão participando mais do nascimento das crianças. "Antigamente eles iam buscar a gente e só voltavam pra casa quando sabiam que a criança tinha nascido", diz ela.

Pouco antes de se consumar o milagre da vida, a parteira põe o nenê na posição certa, empurrando-o na barriga da mãe, que é banhada com água morna para aumentar as contrações e relaxar o útero. A parturiente também toma 15 gotas de sumo de algodão roxo para evitar hemorragia. Após o parto, são dadas as seguintes orientações: "Pentear os seios para vir muito leite, tomar chá da casca da copaíba e fazer cozimento da casca de cajá pra não dar infecção e desinflamar mais rápido", lembra Zena.

As parteiras da floresta são unânimes em afirmar as vantagens de um parto normal, humanizado, e destacam a rápida recuperação da mãe, que conseqüentemente poderá cuidar melhor da criança e melhorar o aleitamento materno.

Pré-natal na floresta

Em plena floresta amazônica as mulheres grávidas já podem fazer o pré-natal. Pelo menos na Reserva Extrativista do Alto Juruá, onde acontece o programa 'Maria Esperança", desenvolvido há quatro anos pela Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá - Asareaj.

O programa conta com oficinas de capacitação que possibilitam a troca de experiências entre as parteiras e o resgate da sabedoria popular. Outro objetivo é cadastrar as parteiras no Sistema Único de Saúde, o SUS, para que elas possam receber o pagamento pelos partos feitos e o material necessário para realizá-los. Em julho deste ano, 200 mulheres da reserva foram atendidas com exames de câncer de colo do útero, colhidos na própria comunidade e enviados ao Centro de Oncologia do Acre.

Nas reuniões as parteiras recebem cartilhas ilustrativas, com figuras que facilitam a compreensão da maioria, analfabeta. O trabalho de pré-natal na floresta tem salvado vidas e diminuído os casos de tétano.


No Alto Juruá as parteiras trocam experiências com a ajuda do programa "Maria Esperança"



"Quando o menino não está na posição ou tem um outro problema, a gente manda a gestante pra Marechal Taumaturgo e de lá ela pega um avião pra Cruzeiro do Sul", garante Zena.

O "Maria Esperança" tem como parceiras algumas organizações não-governamentais e apoio financeiro da Fundação MacArthur, dos Estados Unidos. O programa se tornou referência internacional e foi divulgado pela ONU como um trabalho que vem dando certo.

As parteiras do Alto Juruá querem criar uma associação de parteiras tradicionais da floresta na Reserva Extrativista, mas por falta de apoio o projeto não foi adiante. A coordenadora pedagógica do programa, Concita Maia, acredita na parceria com o governo do Estado para consolidar a associação.

Recorde

Maria Martins, a Maroca, de 54 anos, é uma das recordistas de partos no Acre. São mais de 500, sendo que alguns foram feitos no Seringal Jurupaú, localizado próximo ao município de Feijó. Mas a maior parte foi feita na Vila Albert Sampaio, a 12 km de Rio Branco pela BR-364, onde mora há 11 anos.

Maroca iniciou sua profissão de parteira com o segundo filho de sua irmã. Ela tinha 15 anos, morava no seringal e ouvia as mulheres da comunidade falarem sobre o assunto. Foi uma vida de muito trabalho, sono perdido, caminhadas na mata e doações em dinheiro do próprio bolso para ajudar quem precisava mais do que ela. Há três anos, porém, Maroca deixou de "aparar menino" porque está cansada e enfrenta problemas de saúde.

Quando veio de Feijó para Rio Branco, casou e teve cinco filhos, adotou dois e se tornou a parteira mais conhecida e solicitada da vila. Até em boléia de caminhão ela ajudou no nascimento de uma criança. "A gente estava indo pra maternidade, porque eu tinha percebido que algo estava errado, mas não deu tempo de chegar lá. Ainda bem que sou prevenida e tinha levado o material de parto", recorda Maroca.

Ela estudou até a segunda série, mas sempre quis saber mais sobre seu trabalho. Por isso conversava com médicos para tirar dúvidas e acredita ter um dom especial, o de "aparar criança".

Esse mesmo "dom" faz parte da vida de outras mulheres que não estão na floresta, mas nos hospitais. Enedina de Oliveira é uma delas. Dedicou 17 dos seus 53 anos à profissão de parteira hospitalar no município de Plácido de Castro, a 100 km de Rio Branco.

Enedina começou fazendo cursos de primeiros socorros e parteira. Assistida por um médico, realizou os primeiros partos e já perdeu a conta de quantas crianças ajudou a nascer. "Tinha dia em que fazia quatro, cinco ou até seis partos", garante.
Durante os partos, Enedina tem mania de cantar porque isso, segundo ela, acalma a paciente. "A mulher, quando está grávida, é muito sensível e na hora do parto fica ainda mais", ensina.

A médica Solange da Cruz Chaves, da assessoria técnica da Secretaria de Saúde, concorda com o procedimento de Enedina. Solange acrescenta que a humanização do parto requer o uso das técnicas para melhorar a saúde da mãe e da criança, tratando-as com cidadania. Segundo ela, as parteiras da floresta nem sempre dispõem desses recursos. Ainda assim, exercem papel importantíssimo para um parto humanizado.

Fonte: Governo do Estado do Acre

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15/12/2006 - 12:26
Fonte: Terra


O maior número de processos que tramitam na Justiça por erro médico estão relacionados à área de ginecologia e obstetrícia, conforme mostra um levantamento feito pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Do total de 353 decisões de natureza civil analisadas, 18,5% correspondem a casos de erro médico nestas áreas. Na terceira posição relacionada às especialidades com maior índice de erro está a cirurgia plástica, com 13,7%.

Os organizadores do levantamento apontam que, apesar do número de reclamações em relação à ginecologia e obstetrícia ser maior, é preciso lembrar que a freqüência de realização de procedimentos nesta área também é maior.

A pesquisa mostra que grande parte dos problemas que levam a processos judiciais está relacionada a casos aparentemente simples e ao diagnóstico. Por exemplo, um dos casos relatados no estudo se refere à realização desnecessária de cirurgia com suspeita de gravidez ectopia (gerada fora do útero), quando, na verdade, se tratava de cistos no ovário.

Em outro caso, a demora do profissional em constatar a necessidade de cesárea no parto acabou resultando, segundo alegou a vítima, na morte do bebê.

O estudo "O médico e a Justiça: um estudo sobre ações judiciais relacionadas ao exercício profissional da Medicina", que será apresentado na tarde de hoje, em São Paulo, engloba decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal.

FONTE: Terra

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As mãos que suportam o Brasil: As 60 mil parteiras do País querem ser reconhecidas pelo trabalho que fazem

REVISTA ISTO É, MEDICINA & BEM-ESTAR, EDIÇÃO Nº 1830, 03/11/2004, Aureliano Biancarelli

Elas "assistem" 15% dos três milhões de partos que acontecem no País a cada ano. São cerca de 60 mil parteiras que "amparam" 450 mil crianças. Cerca de 70% estão nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os números são do Ministério da Saúde. Na prática, essas mulheres, muitas de lenço na cabeça, rostos enrugados e olhares humildes, assistem milhares de mães e bebês onde em geral a rede de saúde não chega. Diante da lei, são clandestinas que exercem uma função não autorizada pelas associações de classe de médicos e enfermeiras nem têm sua profissão reconhecida. A maioria não sabe ler nem conta com instrumentos ou treinamentos. A ferramenta são as mãos sensíveis - que, com a experiência, ajudam a identificar um feto fora de posição - e a paciência, que as faz permanecer ao lado da gestante às vezes por muitas horas de contrações.

Recentemente, cerca de 250 dessas parteiras tradicionais se encontraram em Oliveira dos Campinhos, no Recôncavo Baiano. Juntaram-se para reivindicar o que é um direito adquirido na prática: terem a profissão reconhecida por lei, o que significaria remuneração pelo trabalho. A regulamentação, elas acreditam, garantiria também um mínimo de respeito por parte dos profissionais de saúde. Muitas relataram que são tratadas como bruxas e que às vezes são perseguidas por médicos quando precisam conduzir a um hospital uma gestante em risco. Não foi o primeiro encontro promovido pela Rede Nacional das Parteiras Tradicionais. Mas o de Oliveira dos Campinhos foi ungido pelo apoio oficial. Na reunião, estava a médica Maria José Araújo, do Ministério da Saúde. "A aprovação da lei que cria a profissão das parteiras tradicionais, embora seja uma questão delicada, está entre as prioridades do ministro Humberto Costa", afirmou.

O Ministério se manifestou a favor do Projeto de Lei 2.354/2003, da deputada federal Janete Capiberibe (PSB-AP), que está na Comissão de Seguridade Social e Família. "A maioria dos senadores nasceu de parteiras. Temos certeza de que aprovarão o projeto este ano", afiança Suely Carvalho, presidente da ONG Cais do Parto e ela própria parteira no Recife. O temor das mulheres está na resistência de instituições médicas, de hospitais e laboratórios. Mais de uma vez, as entidades médicas afirmaram que o parto fora do hospital e sem assistência de um médico significa sério risco para a gestante e a criança. O objetivo do encontro foi justamente pressionar pela aprovação do projeto. Em alguns Estados, como Ama pá, e em alguns municípios, como São Luís (MA), as parteiras recebem até meio salário mínimo. Desde 1991, o SUS inclui de forma indireta o parto tradicional como um procedimento cujo valor está em torno de R$ 16, mas o pagamento é feito ao município. "Na prática, não conhecemos um único município que repasse os pagamentos às parteiras", completa Suely.

Em Campinhos, as parteiras dividiram experiências. Aos 22 anos, Sônia Alves, de São Francisco (MG), já fez mais de dez partos. Agora é a sua vez de dar à luz. Ela está no final da gravidez e o parto será feito por sua mãe, Apolinária Alves de Oliveira, 53 anos, que diz já ter "puxado" 3,6 mil crianças. "Aprendi aos 14 anos, quando uma vizinha precisou de socorro e não tinha parteira por perto", lembra Apolinária.

Pagamento - Sônia e mãe formam uma rara dupla. No geral, sem nenhuma perspectiva de remuneração, as filhas não querem seguir os passos das mães. É o que comprovam seis parteiras de Caiana dos Quilombos (PA) que foram ao encontro. Duas delas somavam uma prole de 45 filhos. Nenhum seguiu o trabalho das mães. "Quem vai querer subir e descer serras, passando horas ajudando só por amor?", pergunta Maria Benvinda, 65 anos, parteira desde menina. Desafios como esses não intimidaram Gracye de Andrade, 21 anos, de Vitória do Jari (AP). Ela aprendeu o ofício com a avó e com a mãe. "Tinha 15 anos quando um vizinho veio chamar para um menino que estava nascendo. Minha avó estava longe. Minha mãe tinha ido à cidade. Fiz o parto sozinha. O bebê nasceu, contei dois dedos para cortar e amarrar o umbigo. Depois botei ele em cima da barriga da mãe", explica, com a simplicidade típica das parteiras. Trabalho, aliás, que Gracye pretende continuar exercendo.
FONTE:GTPOS

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Banco de Leite precisa de doações neste final de ano


escrito por: Débora, em quinta-feira, dezembro 14, 2006 às 6:06 PM.


O Banco de Leite, da Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER), está necessitando de doações neste final de ano e promove uma campanha de sensibilização junto às mulheres que estiverem amamentando para que façam doação de leite.A campanha de doação está intensificada devido ao período de Natal e Ano Novo, quando a maioria das pessoas viajam e os bancos de leite ficam desprovidos, em todo o País. De acordo com a supervisora do Banco de Leite da MDER, Theonas Gomes Pereira, para fazer a doação, as mulheres devem estar amamentando e sadias. As interessadas podem ligar para o disque amamentação: 3228 2022.Para doar, basta dar o nome, endereço e um ponto de referência que os auxiliares de enfermagem da Maternidade vão até a residência da pessoa, pois o banco recebeu da Secretaria de Saúde do Estado um carro somente para colher as doações.O mais importante, segundo Theonas Pereira, é que a mãe doadora tenha o cuidado de acondicionar o leite retirado em um vidro de maionese ou de café solúvel higienizado. “A mãe deve guardar o leite acondicionado em vidro, no congelador ou freezer para mantê-lo em bom estado de conservação”, diz a supervisora.No momento, o Banco de Leite está com um estoque para apenas dois dias, a Maternidade necessita de uma média de cinco litros de leite por dia para suprir a carência e recebe doação diária de apenas dois litros.Vale ressaltar que o leite armazenado no Banco de Leite é importante para crianças prematuras ou recém-nascidas ou que tenham algum tipo de problema e são impedidas de ficar com a mãe. Portanto, as doações salvam vidas e a solidariedade é fundamental.


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Cidade incentiva o aleitamento materno


escrito por: Débora, em às 6:06 PM.


Elisa Vitachi / Cosmo São Carlos


O ambulatório de saúde da mulher, ligado à Secretaria Municipal de Saúde de Araras realizou, durante a segunda fase da campanha de vacinação contra a poliomielite, uma pesquisa sobre aleitamento materno. Aproveitando a presença das mães ou responsáveis nos postos de saúde foi aplicado um questionário/pesquisa para avaliar o cenário de amamentação dentro do município. Nesta primeira fase do projeto foram coletados dados que serão utilizados na elaboração de estratégias de incentivo ao aleitamento materno. O levantamento mostrou que 60,77% dos 1.260 entrevistados receberam leite materno em algum momento no primeiro ano de vida. Entre crianças menores de 4 meses identificou-se que 19,10% foram alimentadas exclusivamente no peito (AME) e 16,62% com amamentação parcial (AMP), em menores de 6 meses o índice apresenta uma leve queda, 14,60% receberam alimentação exclusiva e 16,62% parcial, mas ainda assim nos dois casos a AME é maior.A pesquisa apontou que fatores como a introdução de alimentação complementar prejudica o aleitamento materno. Do total de entrevistados 17,72% complementa a amamentação com outros tipos de leite, 7,83% introduzem água e 12,39% o chá.Os fatores sociais também influenciam, mas de forma favorável, entre as analfabetas a amamentação exclusiva é de 33,33% e amamentação complementar (AMC) é de 44,44%, enquanto que nas alfabetizadas 19,34% fazem exclusiva e 38,07% praticam a complementar, apontando outros fatores responsáveis pela desistência.Desistem do aleitamento materno, principalmente, mulheres com gravidez precoce (adolescentes), mulheres com dificuldades em manter a amamentação na 1° semana decorrente das debilidades pós parto como cesarianas, fissuras de mama e desinformação. "Observe que entre as mulheres que fazem parto normal 21,64% praticam a amamentação exclusiva enquanto que 19,21% das pacientes de cesáreas têm o hábito." explica Francisco Luiz Gonzaga, secretário municipal de saúde.Os índices que também se diferem estão entre as mulheres na segunda gestação, se na primeira gravidez 17,03% das mulheres fazem amamentação exclusiva e 37,36% complementar, na segunda, o índice sobe para 22,56% AME e 38,41% AMC.Os dados levantados serão encaminhados a Secretaria Estadual de Saúde e servirão para um programa de ações e metas da Secretaria Municipal de Saúde além da formação de um banco de dados do município.
Fonte: Cosmo online

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Gestação animal...


escrito por: Tricia em às 4:24 PM.









algumas das imagens incriveis que estão no documentário lançado no NAT Geo este mês... imperdivel!!!

FONTE: BBC News

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Por Andreia Gonçalves
Na sequência de um projecto iniciado há dois anos, o serviço de Obstetrícia do Hospital Amato Lusitano arrancou com o projecto Incubadora de Pais, que pretende ser um espaço aberto à comunidade e apostar na satisfação e bem-estar dos utentes
Incubadora de Pais. Assim se chama o projecto desenvolvido no serviço de Obstetrícia do Hospital Amato Lusitano, sob a coordenação das enfermeiras Ângela Trindade e Maria da Luz, especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia. Esta iniciativa surge na sequência de um outro projecto que existia há já dois anos e “pretende ser um espaço de abertura à comunidade, proporcionar um espaço de aprendizagem, apoio e recurso e adoptar padrões de qualidade direccionados para a satisfação e bemestar dos utentes”, explica Ângela Trindade.
A Incubadora de Pais oferece, para já, três cursos diferentes, preparação para o parto psicoprofiláctico, recuperação pós-parto e técnicas de massagem infantil, sendo que “tem a ambição de integrar cada vez mais colegas do serviço”, possibilitando o desenvolvimento de outras actividades. O curso de preparação para o parto pode ser frequentado a partir das 24 semanas de gravidez e é composto por aulas teóricas e práticas. Basicamente, tem como finalidade “tornar conhecido o desconhecido, aumentar o limiar da sensibilidade”, esclarece Maria da Luz. As aulas teóricas versam sobre a fisiologia do parto, a adaptação do organismo à gravidez e a educação para a saúde pré e pós-natal. Já as aulas práticas incluem a aprendizagem de técnicas respiratórias e a descontracção neuromuscular, necessárias durante o processo de parto. De acordo com Maria da Luz, com o método psicoprofiláctico, o trabalho de parto é “mais fisiológico e mais rápido, implica menor grau de sofrimento físico e emocional da mulher e a menor necessidade de recurso a partos instrumentistas”. No que toca à recuperação pós-parto, uma novidade contemplada pelo projecto, pode iniciar-se logo após a consulta de revisão do puerpério e tem a periodicidade bi-semanal. O curso é também composto por aulas teóricas e práticas. A teoria aborda temas como a amamentação, a sexualidade pós-parto e o planeamento familiar. Durante as aulas práticas, são realizados exercícios físicos que permitem a recuperação da mulher a nível muscular.
Massagem relaxa e estimula desenvolvimento
A massagem Shantala é o ponto central do curso de técnicas de massagens infantis. Conforme explica Ângela Trindade, trata-se de uma técnica milenar que surgiu na Índia e começou a ser difundida na Europa na década de 70. O principal objectivo é “ajudar a desenvolver um nível de comunicação mais intenso e mais organizado entre pais e bebé, fortalecendo os laços afectivos”. O curso desenvolve-se ao longo de 10 semanas e começa por ensinar os fundamentos técnicos da massagem Shantala, seguindo-se a aprendizagem de pais e mães sobre os 23 movimentos característicos da técnica. “A massagem tem efeitos muito interessantes”, considera Ângela Trindade. A estimulação da comunicação paisfilho, a sensação geral de bem-estar, o relaxamento local e generalizado, o alívio da ansiedade e tensão, a facilitação da actividade muscular, o aumento da flexibilidade das articulações, a melhoria da circulação, a estimulação das funções autónomas são alguns desses efeitos. Até ao momento, estão inscritos 20 bebés no curso de massagem, sendo que todos chegam acompanhados pela mãe, excepto um caso em que o pai participa com a mãe na aula.
Os cursos decorrem de segunda a quinta, entre as 16h30 e as 21h30 e os interessados poderão inscrever-se no serviço de Obstetrícia ou na sala onde funcionam os cursos, localizada à entrada do serviço. E porque “um bebé sozinho não existe”, Ângela Trindade afirma que o futuro do projecto passa pelo estabelecimento de parcerias e colaborações, quer com equipas de outros serviços do HAL relacionados com a área em questão, quer com outras instituições de saúde e até mesmo com estudantes da Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias. Rosa Martins, enfermeira-chefe do serviço de Obstetrícia, garante que “há mais projectos na forja”, que serão implementados gradualmente, o que mostra que “a maternidade poderá fazer mais do que tem feito”.



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12/12/2006 - 14:55:24
Sete mil bebês meninas deixam de nascer por dia na Índia por causa de abortos seletivos depois de exames para determinar o sexo do feto, afirmaram hoje estimativas do Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância.

O problema do feticídio feminino piorou significativamente desde 1991, disse o Unicef no lançamento, na Índia, do relatório Estado das Crianças do Mundo 2007. Das 71 mil crianças que nascem por dia na Índia, apenas 31 mil são meninas, o que resulta na proporção de 882 meninas para cada mil meninos.

A proporção mundial, de 954 meninas para cada mil meninos, indica que deviam estar nascendo 38 mil meninas por dia na Índia. Apesar das leis que proíbem exames de determinação do sexo do bebê, o feticídio feminino é comum em grande parte da Índia, onde algumas famílias encaram os meninos como mais valiosos que as meninas.

"Técnicas diagnósticas modernas para monitorar a saúde do feto, como a amniocentese e o ultrassom, tornaram possível saber o sexo numa fase mais inicial da gestação", afirmou o relatório. "Em pa íses onde há uma forte preferência por filhos homens, essas tecnologias novas e sofisticadas podem ser usadas erroneamente, facilitando o feticídio feminino".

Ativistas acusam as autoridades locais de demorar para implementar as leis que estão em vigor desde 1996. Houve apenas uma condenação até agora, dentre as centenas de indiciamentos sobre a Lei de Técnicas de Diagnóstico Pré-Natal.

O Unicef diz que a Índia é um dos poucos países do mundo em que nascem mais meninos que meninas. Em 80% dos distritos da Índia, a ONU afirmou que a situação está se agravando. Em 14 distritos nos Estados de Haryana e Punjab, por exemplo, nascem menos de 800 meninas para cada mil meninos.

A discriminação continua depois do nascimento, disse o Unicef, limitando o acesso das meninas à nutrição, à assistência médica, à educação e ao cuidado materno. Apenas 67,7% das mulheres entre 15 e 24 anos na Índia são alfabetizadas. Entre os homens, a proporção é de 84,2%. Na China, na mesma faixa etária, 98,5% das mulheres são alfabetizadas.

Por volta de 45% das mulheres indianas ainda são submetidas a casamentos forçados antes dos 18 anos, num descumprimento da lei. Isso, por sua vez, contribui para a presença de taxas elevadas de mortalidade materna. A cada sete minutos, uma mulher morre na Índia por complicações da gravidez.

"A gravidez e a maternidade prematuras são uma conseqüência inevitável do casamento infantil", disse o relatório. "As meninas de menos de 15 anos têm uma probabilidade cinco vezes maior de morrer durante a gravidez e o parto que mulheres na casa dos 20 anos".

FONTE: Reuters

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Redescobrindo a força feminina


escrito por: Tricia em às 9:49 AM.



Reflexões de uma enfermeira obstetra

Hildegarth Schultz*
2004


Quantas vezes, quando crianças, ou mesmo já adultos, ouvimos a célebre frase “deixa que a natureza se encarregue disso”? Essa expressão popular pode ser muito bem recebida se a colocarmos dentro do contexto dos partos ocorridos no Brasil. No entanto e infelizmente poderíamos afirmar que esta mesma frase está fora de moda quando o assunto é gestação. A tecnocracia tem sido muito mais destacada que a força dos processos naturais. Como revela o documentário “Nascendo no Brasil”, mais de 70% dos partos realizados em hospitais particulares são cesarianas.

Por que isto acontece? A falta de informações necessárias à parturiente e seu cônjuge parece ser a grande vilã. As futuras mães são levadas por profissionais da área médica a optar pela técnica, sob a alegação de que o procedimento é menos dolorido. Entretanto, poucas recebem orientação em relação, por exemplo, ao período de duração dessa dor. Em alguns casos, as mães que optam pelo parto cirúrgico chegam a registrar dores durante um ano. Ao contrário, o parto natural pode até apresentar dores mais intensas, porém são muito mais rápidas. Em resumo, apenas na hora do parto.

Vale lembrar ainda que o mesmo documentário revela um triste cenário, comentado por especialistas. Na maioria dos casos, a cesárea poderia ser evitada. Mesmo os números sendo menos expressivos nos hospitais públicos (cerca de 40% dos partos), a cesárea registra índices muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Veja o ARTIGO COMPLETO em: ONG Amigas do Parto

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An annotated bibliography on childbirth in Brazil (1972-2002)

Maria Lucia Mott (Org.)
Centro Universitário Adventista


RESUMO

A organização desta bibliografia teve por objetivos: 1) divulgar trabalhos sobre a assistência ao parto no Brasil, produzidos em diferentes áreas de conhecimento (história, antropologia, enfermagem, medicina, assistência social, psicologia e sociologia); 2) colocar em contacto pesquisadores que trabalham o tema; 3) dar espaço para assuntos, abordagens e autores não contemplados no dossiê. Foram referenciados e resumidos 77 trabalhos (artigos, dissertações, teses, relatórios, cartilha), produzidos por cerca de 50 autores, publicados ou realizados entre 1972 e 2002.

Palavras-chave: assistência ao parto, bibliografia, Brasil (1972-2002).

ABSTRACT

The organization of this bibliography aimed at 1) publishing studies on birth assistency in Brazil, produced in different fields of knowledge (history, anthropology, nursing, medicine, social assistance, psychology, and sociology, 2) bringing researchers — on the into contact and 3) opening space for subjects, approaches and authors not included in the Dossier. The list references and summarizes 76 works (papers, theses, dissertations, reports, primers) by about 50 authors, published or produced between 1972 and 2002.

Key words: birth assistency, bibliography, Brazil (1972-2002).





Esta bibliografia tem dupla origem: deve-se, em primeiro lugar, à impossibilidade de o dossiê dar conta, em um único número da revista, dos vários enfoques e recortes sobre a assistência ao parto no Brasil. Em segundo, à multiplicação de pesquisas realizadas nas duas últimas décadas sobre o tema, muitas delas de conhecimento público bastante restrito apesar da qualidade, da importância das propostas e das informações levantadas.

Tornava-se, pois, necessário juntar essa produção multidisciplinar esparsa, colocando em circulação os trabalhos realizados nos diferentes estados brasileiros, por pesquisadores vinculados a centros de pesquisa e universidades, a grupos feministas e a organizações governamentais e não-governamentais.

O levantamento dos trabalhos foi realizado por meio da divulgação de um pedido feito na Internet (grupos de discussão, departamentos universitários, pesquisadores, etc.) para o envio das referências e dos respectivos resumos. Portanto, não foi feita uma pesquisa sistemática em bibliotecas, coleções de revistas, como usualmente são organizadas as bibliografias. A resposta foi muito boa: pesquisadores de várias áreas de conhecimento (história, antropologia, enfermagem, medicina, assistência social, psicologia e sociologia), utilizando distintas abordagens, e de diferentes áreas geográficas do país responderam imediatamente; outros enviaram indicações e resumos de trabalhos de terceiros.1 Vale destacar que a grande maioria dos resumos foi realizada pelos próprios autores; uma parte pequena foi feita por quem indicou a referência; e uma parte menor ainda resultou da transcrição de resumos previamente elaborados (em teses, periódicos, etc.).

Somaram-se, assim, 76 trabalhos (artigos, dissertações, teses, relatórios, cartilha), produzidos por cerca de 50 autores, publicados a partir de 1972.2

Deve ser mencionado que autores, títulos e recortes temáticos importantes, como por exemplo a mortalidade materna, em que não só questões sociais, mas também étnico-racias são consideradas, infelizmente não estão suficientemente contemplados, o que aponta para a necessidade da continuação deste trabalho.

FONTE: Scielo.br

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09/12/2006 - 07:10h

GALVESTON, EUA - A amamentação protege crianças que, por predisposição genética, são mais vulneráveis a infecções de ouvido, dizem pesquisadores da Universidade do Texas em Galveston. Cerca de 19% das crianças sofrem com uma tendência para infecções crônicas, a chamada otite média. Cientistas já sabiam que a genética desempenha um papel nessa propensão.

O estudo dos pesquisadores do Texas, publicado na edição de dezembro do periódico Pediatrics, examina amostras genéticas de 505 crianças, 60% das quais consideradas suscetíveis à infecção, porque haviam sofrido do problema antes dos seis meses de vida; haviam passado por três ou mais episódios da doença num período de seis meses; tinham sofrido quatro ou mais episódios em 12 meses; ou já haviam sofrido de seis ou mais episódios até os seis anos.

O principal autor do trabalho, Janak A. Patel, explica que duas variações genéticas foram identificadas como indicadoras de risco elevado para a infecção de ouvido. Em seguida, os cientistas determinaram que os efeitos dessas variações, que levam à produção excessiva de moléculas envolvidas no processo de inflamação e reduzem a eficácia do sistema imunológico, poderiam ser contrabalançados pela amamentação que, sabe-se, eleva a resistência imunológica.

FONTE:Jornal Imirante

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Maternidade é premiada por parto humanizado


escrito por: Débora, em quarta-feira, dezembro 13, 2006 às 3:27 PM.


A maternidade do Hospital Dom Moura, no município de Garanhuns, agreste de Pernambuco, foi uma das quatro unidades do país que receberam nesta semana o prêmio Galba de Araújo, instituído pelo Ministério da Saúde. A maternidade implantou projetos de redução da mortalidade infantil e humanização do parto.Os outros premiados foram o Hospital Santa Marcelina, de São Paulo, a Maternidade Maria Barbosa, de Montes Claros (MG), e a Maternidade Lucila Ballalai, de Londrina (PR).O diretor da maternidade de Pernambuco, Hudson de Moura, recebeu R$ 50 mil e uma placa comemorativa. Ele informou que o dinheiro será destinado à manutenção de projetos já desenvolvidos na maternidade para dar maior segurança às gestantes antes, durante e depois do parto. Uma das iniciativas é o programa Renascer, que oferece testes de detecção de doenças sexualmente transmissíveis e aids para proteger bebês de pais soropositivos.Todos as crianças nascidas na maternidade do Hospital Dom Moura já vão para casa com a certidão de nascimento. Além disso, o local oferece apartamentos individuais, sala de espera com música ambiente, aparelhos de massagem e equipamento para prática de exercícios antes do parto. Apesar de também realizar cesarianas, a maternidade prioriza o parto normal.A premiação foi realizada na última quinta-feira (7), em Brasília.
Publicado em 09/12/2006.

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07/09/2006

Um estudo recente com aproximadamente 6 milhões de nascimentos descobriu que o risco de morte de bebês nascidos através de cesarianas voluntárias é muito maior do que o se acreditava anteriormente.Os pesquisadores descobriram que a taxa de mortalidade neonatal para partos do tipo cesariana entre mulheres de baixo-risco é de 1,77 morte a cada 1.000 nascimentos, enquanto a taxa para parto normal é de 0,67 mortes para cada 1.000. As descobertas foram publicadas na edição desse mês do periódico “Birth: Issues in Perinatal Care”.A porcentagem de partos do tipo cesariana nos Estados Unidos aumentou de 20,7% em 1996 para 29,1% em 2004, de acordo com informações do artigo.A mortalidade nas cesáreas acontece cerca de 1,5 mais vezes do que nos partos normais, mas assumia-se que a diferença era devido ao perfil de alto risco das mães que se submetem à operação.Esse estudo, de acordo com os autores, é o primeiro a examinar o risco de cesarianas entre as mães que não possuem razões médicas para se submeterem à operação.A má-formação congênita foi a causa principal da morte de neonatais independentemente do tipo de parto. Porém, o risco do primeiro parto cesárea de uma mulher persistiu mesmo quando as mortes por má-formação congênita foram excluídas do cálculo.A hipoxia intra-uterina – a falta de oxigênio – pode ser tanto um motivo para a execução de um parto cesárea como uma causa para a morte, mas mesmo eliminando tais mortes, a taxa de mortalidade neonatal para cesarianas permaneceu a mesma nos casos estudados eram duas vezes maiores do que para partos vaginais.“Mortes neonatais são raras em mulheres de baixo-risco – cerca de uma morte a cada 1.000 nascimentos – porém mesmo após dos ajustes sócio-econômicos e dos fatores de risco de ordem médica, a diferença permaneceu”, afirmou Marian F. MacDorman, uma estatística do Centro de Prevenção e Controle de Doenças e autora do estudo.“Isso não é para deixar as pessoas realmente alarmadas, mas é preocupante dado que nós estamos vendo um aumento do número de cesáreas para mulheres sem riscos”, afirmou MacDorman.Parte do motivo para o aumento da mortalidade pode ser que o trabalho de parto, que normalmente é desagradável para a mãe, é benéfico para o bebê ao liberar hormônios que promovem funções pulmonares saudáveis. A compressão física do bebê durante o trabalho de parto também é útil ao remover o fluido dos pulmões e auxiliando o bebê a se preparar para a respiração.Os pesquisadores sugerem que outros riscos do parto cesariana, como possíveis cortes no bebê durante a operação e o estabelecimento tardio da amamentação, também podem contribuir para o aumento da taxa de mortalidade.O estudo incluía 5.762.037 nascimentos e 11.897 mortes infantis nos Estados Unidos de 1998 até 2001, uma amostra ampla o suficiente para projetar conclusões estatisticamente apesar da morte neonatal ser um acontecimento raro.Havia 311.927 cesarianas entre as mulheres de baixo-risco na análise.Os autores reconheceram que o estudo possuía certas limitações, incluindo questões relativas à precisão das informações relatadas em nos boletins médicos de nascimento.Tais dados são altamente confiáveis para informações como tipo de parto e peso do bebê, mas pode não relatar de modo ideal os fatores de risco da mãe e do bebê individualmente.É possível, apesar de improvável, que o grupo que realizou uma operação cesariana fosse inerentemente o grupo mais arriscado, segundo os autores.O dr. Michael H. Malloy, co-autor do artigo e professor de Pediatria na Universidade de Texas, afirmou que os médicos podem vir a querer utilizar tais descobertas ao alertar seus pacientes.“Apesar das tentativas de controle de um número de fatores que podem ter aumentado o risco de mortalidade associado com as cesarianas, nós continuamos a observar os riscos suficientes para preocupações”, afirmou ele.“Quando os obstetras revisarem tais informações, talvez elas promovam mais discussões dentro da comunidade obstetrícia sobre os prós e contras de se oferecer alas comunitárias para a conveniência da população e também promover mais pesquisas para que se descubra o porquê dos riscos persistirem”.
Fonte: RedePsi

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Cesariana: escolha certa?


escrito por: Débora, em às 2:45 PM.



14/6/2006


Estudo publicado na revista "Lancet" mostra que cesariana desnecessária coloca em risco a vida da mulher e do bebê.Uma pesquisa internacional publicada na edição de 3 de junho da Lancet, uma das mais respeitadas revistas médicas do mundo, traz um alerta para os médicos e os futuros pais e mães: a realização de partos cirúrgicos ou cesáreos sem uma indicação médica específica coloca em risco a saúde da mulher e do bebê. É um chacoalhão mais do que necessário nos ginecologistas, obstetras e gestores de saúde do mundo todo, que nas últimas quatro décadas viram as taxas de cesarianas desnecessárias crescerem de modo assustador sem as conseguir frear.O recado das páginas da Lancet assume um significado particular para a América Latina e, em especial, para o Brasil, segundo colocado em realização de partos cesáreos no mundo – uma das principais questões relacionadas à saúde reprodutiva da mulher no país, ao lado da esterilização cirúrgica e da retirada desnecessária do útero (histerectomia). Aqui os índices de partos cirúrgicos insistem em se manter escandalosamente elevados desde a década de 1980, sobretudo entre as mulheres de classe média e alta. Atualmente quatro de cada dez crianças nascem por meio de cesarianas, na maioria das vezes agendadas pelas mães e pelos obstetras bem antes do final da gestação – uma proporção exagerada, duas vezes e meia maior que o índice de 15% aceito pela Organização Mundial da Saúde (OMS).Difícil de ser modificada, segundo os próprios médicos, essa realidade preocupa porque boa parte dessas cirurgias são desnecessárias e nem sempre representam a forma mais adequada e segura de dar à luz uma criança, como muitas mulheres crêem. Nesses casos, com um pouco de paciência das mães e habilidade dos obstetras, a natureza cumpriria seu papel e esses bebês nasceriam saudáveis de parto normal.Nesse trabalho coordenado pela OMS e financiado pelo Banco Mundial, epidemiologistas e especialistas em saúde reprodutiva feminina avaliaram o desfecho de quase 100 mil partos realizados entre setembro de 2004 e março de 2005 em oito países da América Latina (Argentina, Brasil, Cuba, Equador, México, Nicarágua, Paraguai e Peru). O resultado confirmou o que se temia: os partos cirúrgicos desnecessários fazem mais mal do que bem.Quando a taxa de cesáreas de um hospital ultrapassa a faixa que vai de 10% a 20% do total de partos, aumenta muito o risco de complicação para a mãe e o bebê. É maior a probabilidade de a mulher morrer durante o parto, apresentar sangramento grave ou adquirir uma infecção que exija internação no setor de tratamento intensivo. Já a criança corre mais risco de nascer com menos de 37 semanas (prematura) por erro de cálculo médico, de morrer durante o nascimento ou na primeira semana de vida e de necessitar de cuidados intensivos. Mesmo quando se levaram em consideração os diferentes níveis de complexidade dos 120 hospitais avaliados, ou seja, a capacidade de atenderem casos de maior ou menor gravidade, os perigos para a mãe e o bebê não diminuíram. “Todos os indicadores de saúde da mulher e da criança pioram”, afirma o obstetra chileno Aníbal Faúndes, uma das mais respeitadas autoridades internacionais em saúde reprodutiva. Coordenador da equipe de 90 brasileiros que participou desse estudo, Faúndes mudou-se para o Brasil há 30 anos após deixar o Chile na ditatura de Augusto Pinochet depois de coordenar o programa de saúde da mulher no início do governo de Salvador Allende.Gasto desnecessário - “Como as complicações decorrentes das cesarianas são relativamente raras, os médicos costumam dizer: ‘Isso não acontece nas minhas mãos’”, comenta Faúndes, professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas (Cemicamp). “Mas do ponto de vista populacional as conseqüências desses eventos são graves e devem ser levadas em consideração”, diz. Um desses efeitos é o aumento dos gastos públicos com saúde. Nos países desenvolvidos o acréscimo de 1% nas taxas de cesarianas representa um gasto extra de US$ 9,5 milhões. Calcula-se que no Brasil, onde nascem 2,5 milhões de crianças por ano, haja 560 mil cesáreas desnecessárias que consomem quase R$ 84 milhões. “É um dinheiro que poderia ser investido em outras formas de cuidado da mãe ou da criança”, diz Faúndes.Embora o risco de morrer durante uma cesariana seja muito menor do que foi quase quatro séculos atrás, quando esse procedimento começou a ser feito em mulheres vivas – antes fazia-se a cesárea apenas após a morte da mãe para salvar a vida do bebê –, os partos cirúrgicos dispensáveis contribuem para manter a mortalidade materna brasileira em níveis bem superiores aos de países desenvolvidos como o Reino Unido. Estima-se que entre 75 e 130 brasileiras em cada grupo de 100 mil morram durante o parto ou por complicações associadas à gravidez. Entre as súditas da rainha esse índice é de aproximadamente dez mortes por 100 mil.Apesar da imprecisão dos dados brasileiros, é fácil associar boa parte dessas mortes à cesariana. Estudos internacionais apontam que perto de cem mulheres perdem a vida a cada 100 mil cesáreas, cinco vezes mais que o parto normal. Até o século 19 três de cada quatro mulheres morriam de infecção ou sangramento intenso (hemorragia) em conseqüência dessa cirurgia. Hoje, em uma cesariana, o médico faz uma incisão de 10 a 15 centímetros no ventre materno logo acima dos pêlos pubianos e corta outras cinco camadas de tecido até alcançar o útero para retirar o bebê.“É impressionante o grau de abuso da cesariana no país”, afirma a socióloga Jacqueline Pitanguy, diretora da ONG Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (Cepia), que atua na área de direitos reprodutivos e sexuais. “Há por aqui um descaso histórico com gestação e parto”, diz.A persistência dos índices de cesariana em níveis tão elevados por mais de duas décadas levou o Ministério da Saúde a adotar algumas estratégias – infelizmente, nem sempre suficientes – para tentar reduzir o número de cesáreas. A mais recente é a Campanha de Incentivo ao Parto Normal, lançada em 30 de maio para conscientizar a população sobre a importância do parto normal e ajudar a desfazer a idéia já cristalizada na sociedade de que o parto cirúrgico é melhor e mais seguro.São três os objetivos da campanha: explicar a importância dos exames de acompanhamento da saúde da mulher e do bebê durante a gestação, mostrar os benefícios do parto normal e reforçar a idéia de que a mulher tem direito a um parto mais acolhedor, sem a realização de procedimentos médicos desnecessários e com o acompanhamento de uma pessoa de sua escolha – é o chamado parto humanizado
Fonte: Redepsi

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ontem houve o terceiro encontro da Ong aqui em Fortaleza. A Kelly não participou por motivos obvios, mas nós tivemos a presença de outras duas grávidas, uma com 2 e outra com 7 meses, e um papai! Além deles, estiveram por lá o obstetra Luis Carlos (um dos poucos adeptos a humanização aqui) e a doula Ineida que trabalha no SUS como enfermeira.

Apesar de a reportagem ter atrapalhado todo o processo, coletando entrevistas na hora, filmando e tal, penso que foi muito proveitoso. "Levantou uma boa poeira".
Claro, as pessoas ainda não se conheciam, foi apenas um primeiro contato, uma introdução. Nós tentamos seguir um roteiro, mas não deu. No final todo mundo conversava sobre dor do parto, mitos, episiotomia, e o que esperavam dos encontros. Cada um contou sua experiência pessoal, inclusive os dois profissionais que estavam lá. Enfatizei que o encontro não tem por objetivo substituir o pré-natal, e sim dar apoio a quem busca um parto mais natural. Cada um que estava ali veio contribuir com sua experiência pessoal, e não pra dar "palestra".

Foi muito importante reunir pessoas em torno da humanização. O encontro foi tão inédito que já marcamos o proximo, e todo mundo ficou super otimista. Realmente não existe algo parecido aqui em Fortaleza...

Hoje de manha às 8:45h eu assisti a matéria na Tv Diario. A reportagem simplesmente foi MUITO legal! Eles colocaram depoimentos de gestantes (as que participaram), uma fala minha (horrorosa) sobre o objetivo da ONG, e ainda uma fala do Dr Luis sobre os beneficios do parto natural. Ficou bem equilibrada, harmoniosa, e interessante.
Após a materia, a apresentadora falou da ONG Amigas do Parto, da importancia do nosso trabalho e informou o SITE!!!
=)

Bom, espero que essa divugação renda bons frutos para os proximos encontros, e mais mulheres despertem para pensar mais sobre esse assunto... pra quem não viu a materia, vou tentar entrar em contato com a tv pra pedir uma copia do video, mas não sei se eles guardam isso.

Quero agradecer à amiga Clicia, que tem sido uma peça fundamental nos encontros. Obrigada pela divulgação, e também pelo local! (se não fosse você nada disso teria acontecido, ou não teria sido tão bom... )

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Cesárea por conveniência e a ética médica


escrito por: Tricia em às 11:52 AM.

Quando a mulher expressa o desejo de ter um parto vaginal, a tendência é criar um motivo "médico" que seja aceitável.

Anibal Faúndes e Ignez Helena Oliva Perpétuo*

Os altos índices de cesárea no Brasil há muito já apontam para uma preocupante prática obstétrica desviada, que vem ganhando cada vez mais destaque nos debates dos colegiados médicos. Durante o Curso Internacional sobre Ética, em que participaram destacados membros do Comitê de Ética da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), o professor S. Arulkumaran, Chefe do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do St. George Hospital Medical School, Universidade de Londres, terminou sua apresentação sobre "cesárea a pedido da paciente", pontuando o seguinte:

1. não há evidências sólidas sobre os benefícios da cesárea por razões não médicas, em comparação com o parto vaginal;
2. as evidências disponíveis sugerem que o parto normal é mais seguro para a mãe e o filho;
3. os médicos têm o dever profissional de nada fazer que possa causar danos às pacientes e de utilizar os recursos para assistência médica em procedimentos e terapias que demonstrem evidências claras de trazer benefícios para a saúde;
4. os médicos não estão obrigados a realizar uma intervenção (a pedido da paciente) que não ofereça vantagens para a saúde e não tenha nenhuma justificativa ética.

Durante o debate que se seguiu, vários dos participantes comentaram as dificuldades práticas que o médico brasileiro tem em atender partos normais. Foram mencionadas as dificuldades de o anestesista fazer um bloqueio peridural em uma paciente do SUS, para um parto vaginal, considerando a baixa remuneração e o risco de ser uma anestesia muito prolongada.

Com muita franqueza, alguns colocaram a falta de tempo para acompanhar um trabalho de parto, quando têm outros pacientes esperando no consultório. Outros relataram que as pacientes insistiam em fazer o parto com eles e preferiam antecipá-lo quando o médico anunciava que ficaria alguns dias de férias. O argumento de que as mulheres preferem e solicitam a cesárea também foi muito citado.

A justificativa de que as mulheres pressionam o médico para que aceite fazer cesárea ficou muito comprometida com os resultados de uma contundente e extensa pesquisa, publicada no British Medical Journal em novembro último.

Pesquisadores das universidades do Texas (EUA), da Unicamp, Federal de Minas Gerais, Federal do Rio Grande do Sul e Federal do Rio Grande do Norte estudaram 717 mulheres atendidas pelo SUS e 419 provenientes de consultórios particulares das cidades de Natal, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.

As mulheres foram entrevistadas duas vezes durante a gravidez (aos 4 e 8 meses de gestação) e em torno de 30 dias após o parto. Contrariando as justificativas, entre 70 e 80% das mulheres de ambos os grupos manifestaram intenção de ter parto vaginal nas duas entrevistas durante a gestação. A entrevista pós-natal indicou que 72% das pacientes particulares e 31% das atendidas pelo SUS tiveram parto cesárea, números que não podem justificar o desejo expresso das mulheres. Mais grave ainda, dois terços das cesáreas particulares e quase uma quarta parte do setor público foram com hora marcada.

Do ponto de vista ético, poderíamos questionar se as razões dadas pelos médicos justificam a realização de uma cesárea. O que se alega habitualmente é a falta de alternativas. Caso se considere essas argumentações aceitáveis, a única alternativa possivelmente ética seria discutir abertamente com a paciente e, se ela concordar, praticar a cesárea por razões não médicas. Se isso já é eticamente duvidoso, ou mesmo transgressão ética segundo a FIGO, muito mais problemático é o que parece acontecer na realidade.

A pesquisa revelou que as razões que os médicos apresentaram para realizar as cesáreas com hora marcada não são, na maioria, as mesmas mencionadas durante o debate. Um dos responsáveis pela análise dessas razões na pesquisa classificou-as em quatro grupos: indicações não-médicas, razões médicas que não justificam uma cesárea, razões com justificativa duvidosa e indicações médicas corretas. Ao comparar com os resultados, verificou-se que apenas 13% tinham real indicação, 18% entre pacientes SUS e 4% entre as particulares. Em apenas 29% dos casos a razão dada foi abertamente não-médica e coincidia com os motivos apresentados no debate realizado durante o Congresso. Em quase 60% dos casos a razão "médica" apresentada não justificava a conduta adotada ou era no mínimo duvidosa.

A incerteza aumenta ainda mais ao comparar as mulheres que expressaram desejo de ter parto cesáreo com as que queriam parto vaginal. A metade das que queriam cesárea receberam francamente uma justificativa não-médica para marcar a cesárea: férias do médico, conveniência de horário, etc. Apenas 17% das que queriam parto vaginal receberam uma explicação igualmente franca. Para quase dois terços do grupo que desejava parto vaginal, foi dada uma razão "médica" que não justificava a conduta ou que era, no mínimo, duvidosa. Tudo indica, portanto, que a conduta franca de informar a paciente das verdadeiras razões para marcar uma cesárea e permitir que ela decida, se dá apenas em torno de um terço dos casos sem indicação real de cesárea eletiva, e que isso é três vezes mais provável quando a paciente já expressou o desejo pessoal de ter parto cesáreo. Quando a mulher expressa o desejo de um parto vaginal, a tendência é criar um motivo médico que seja aceitável pela paciente e pela família, o que constitui gravíssima transgressão ética.

Cabe ressaltar alguns dos muitos preceitos do Código de Ética Médica (CEM), infringidos por tal prática desvirtuada. De acordo com o Código de Ética, é vedado ao médico:

Art. 29 - Praticar atos profissionais danosos ao paciente, que possam ser caracterizados como imperícia, imprudência ou negligência.
Art. 42 - Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação do País.
Art. 46 - Efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente perigo de vida.
Art. 48 - Exercer sua autoridade de maneira a limitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a sua pessoa ou seu bem-estar.
Art. 56 - Desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente perigo de vida.
Art. 57 - Deixar de utilizar todos os meios disponíveis de diagnósticos e tratamento a seu alcance em favor do paciente.
Art. 59 - Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta ao mesmo possa provocar-lhe dano, devendo, nesse caso, a comunicação ser feita ao seu responsável legal.
Art. 60 - Exagerar a gravidade do diagnóstico ou prognóstico, complicar a terapêutica, ou exceder-se no número de visitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos.
Art. 79 - Acobertar erro ou conduta antiética de médico.

Se o médico foi pressionado pelas circunstâncias a adotar esse tipo de conduta, sem perceber, no processo, que estava cometendo grave infração ética, é importante lembrar os colegas que tal desvio de conduta pode redundar em má prática da medicina, sujeita às penalidades das leis. Estamos certos de que uma vez que o médico entende e toma consciência do problema, modificará a conduta para ajustá-la aos imperativos da ética no exercício da profissão médica.

* Anibal Faúndes é obstetra, professor titular de Obstetrícia (aposentado) da Unicamp e Membro do Comitê de Ética da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo).

* Ignez Helena Oliva Perpétuo é médica sanitarista, doutora em demografia, professora adjunta do Departamento de Demografia e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais.


FONTE:CREMESP

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Doutor, prefiro a faca.


escrito por: Tricia em às 11:17 AM.


Epidemia de cesarianas nos países latino-americanos

A América Latina gasta anualmente cerca de US$425 milhões em mais de 850.0000 operações desnecessárias

"Enquanto o setor público gasta dinheiro com cesarianas caras e desnecessárias, muitas mulheres, principalmente as mais pobres, recebem cuidados de saúde precários durante o parto"

PAUL CONSTANCE
Pergunte a uma chilena abastada sobre o nascimento de seu filho nos dias de hoje e é muito provável que não mencione técnicas de respiração, Lamaze ou contrações. Isso porque nas clínicas e hospitais privados do Chile mais de 60% de todos os bebês nascem por parto cesariano, em que o abdome materno é aberto e se faz uma incisão no útero.

O número de cesarianas é mais do que um fenômeno de classe alta. Segundo uma compilação de estatísticas apresentadas em abril último no Congresso Mundial de Medicina Perinatal em Buenos Aires, entre 1993 e 1997 a taxa de cesarianas no Chile foi de 40% - a mais alta do mundo. No Brasil, a média nacional esteve pouco acima de 36% durante o mesmo período. Em Cuba, México, Uruguai e Argentina, a média foi de pouco mais de 23%.

O curioso é que esses números são bastante mais altos do que os encontrados nas nações industrializadas, que gastam muito mais com saúde do que os países da América Latina. Na França, que recentemente recebeu da Organização Mundial da Saúde a mais alta classificação de qualidade em atendimento de saúde entre os países, a taxa de cesarianas foi de 15,9% em 1995. Mesmo nos Estados Unidos, onde o número de partos cesarianos aumentou com rapidez durante os anos 70 e 80, a taxa se estabilizou ao redor de 21% em 1998.



Percepções e incentivos

A justificativa médica para uma cesariana é a presença de fatores de risco, tais como posição sentada do feto, que podem colocar em perigo a vida da mãe ou da criança num parto normal. Estarão as mulheres latino-americanas mais sujeitas a complicações do parto do que em outras regiões?
Definitivamente, não. Segundo um número crescente de médicos e defensores da saúde pública, a taxa elevada de cesarianas na América Latina é uma aberração causada por fatores financeiros, educacionais e políticos que criam incentivos para a realização de operações desnecessárias. Além disso, os críticos condenam as cesarianas porque desviam recursos escassos dos problemas de saúde mais urgentes, além de expor mães e bebês a riscos desnecessários.

Os países da América Latina certamente não estão sozinhos no recurso crescente às cesarianas. Nos últimos 30 anos, seu uso aumentou progressivamente, em parte devido à divulgação de técnicas de monitoramento fetal que dão aos médicos um quadro muito mais detalhado (embora freqüentemente impreciso) dos riscos inerentes a cada nascimento. Em países onde os médicos podem ser processados por imperícia profissional quando algo sai errado durante o parto, essas tecnologias podem ter encorajado o uso preventivo das cesáreas.

Essa tendência é freqüentemente exacerbada por pais ansiosos, com percepção errônea ou exagerada dos riscos dos partos normais, especialmente se a mulher já passou por uma cesariana. Os médicos muitas vezes preferem as cesáreas porque podem marcá-las com antecedência, acomodando-as a seus horários ocupados, em vez de esperar durante horas que a parturiente passe pelo trabalho de parto. O aumento dos planos de seguro de saúde, alguns dos quais reembolsam médicos e hospitais a taxas mais altas em caso de partos cesarianos, parece ter introduzido em muitos casos um incentivo financeiro deturpador.

Em conseqüência desses fatores, a taxa de cesarianas mais do que dobrou em muitos países no último quartil do século 20. No final dos anos 80, quando quase um quarto dos partos nos Estados Unidos era por cesariana, grupos de consumidores e alguns médicos declararam a cesariana "epidêmica" e exigiram ação conjunta das autoridades sanitárias do governo para diminuir seu número. Campanhas semelhantes foram feitas na Grã-Bretanha e em outros países com taxas altas de operações.
Custos reais, riscos reais.

Essas reações provocaram um debate acirrado sobre qual a taxa apropriada de cesarianas. Em 1985, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu 15% como a taxa mais alta aceitável, com base nos índices encontrados em países com as taxas de mortalidade infantil mais baixas do mundo. Em 1991, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos adotou também a taxa de 15% como objetivo nacional a ser alcançado até o ano 2000 (as cifras
desse ano ainda não estão disponíveis, mas é pouco provável que a meta tenha sido atingida).

É indiscutível o fato de que as cesarianas protegem as vidas de mães e bebês em situações de emergência, mas pesquisas recentes começaram a enfocar os riscos da operação. Além dos perigos óbvios para a mãe associados a uma cirurgia importante como essa, há evidências substanciais de que os bebês que nascem por cesariana estão mais sujeitos a complicações (tais como dificuldades de respiração) do que os nascidos de parto normal. Um estudo de 1991 realizado em 25 hospitais na Cidade do México e publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology, por exemplo, mostrou que bebês de peso normal que nascem por cesariana tinham 2,5 vezes mais probabilidade de morrer no período imediatamente a seguir ao nascimento do que os bebês de parto normal.

Embora os médicos continuem a debater os méritos relativos das cesarianas, não há controvérsia sobre o custo adicional que elas impõem ao sistema de saúde. Vários estudos mostram que o parto cesariano custa em geral de duas a três vezes o preço do parto normal. Embora os analistas ainda não tenham calculado como esses custos afetam os orçamentos de saúde como um todo, um estudo de novembro de 1999 publicado no British Medical Journal torna possível chegar a uma aproximação deveras alarmante. O estudo estima que "a cada ano são realizadas mais de 850.000 cesarianas desnecessárias" nos países da América Latina e do Caribe, se os 15% forem tomados como padrão. Com base na estimativa conservadora de que um parto cesário custa US$500 mais do que um parto normal, isso significa que os países da região estão gastando inutilmente US$425 milhões ao ano.

"Enquanto o setor público gasta dinheiro com cesarianas caras e desnecessárias, muitas mulheres, principalmente as mais pobres, recebem cuidados de saúde precários -- quando recebem -- durante o parto", diz Amanda Glassman, especialista do BID que está estudando o assunto. "A eliminação do excesso de cesarianas e a realocação desses recursos para atenção pré-natal e cuidados maternos básicos reduzirão o número de morte neonatais e maternas, que ainda é muito alto na América Latina."

Quem é responsável?

Apesar da conscientização crescente sobre os custos humanos e financeiros decorrentes de cesarianas desnecessárias, as autoridades governamentais de saúde em muitos países da América Latina não têm atuado com presteza. Isso se deve em parte ao fato de que as taxas mais altas de cesarianas se encontram em hospitais e clínicas privados, sobre os quais o governo tem influência limitada. No Chile, por exemplo, a taxa de cesarianas é de 58% no setor privado e de 28% no público.
Mesmo no setor público, porém, nem sempre é fácil para os que formulam as políticas forçar a mudança. A boa gestão financeira não é recompensada nos sistemas públicos de saúde. "Os hospitais públicos não têm incentivo para reduzir seus custos operacionais mediante a prevenção de cesarianas, porque se o fizerem provavelmente terão seu orçamento reduzido no ano seguinte", diz Ana Langer, especialista em saúde pública que estudou o problema das cesarianas no Brasil e no México. Langer, que dirige o escritório mexicano de The Population Council, instituto de pesquisa com sede em Nova York, diz que o governo brasileiro adotou medidas louváveis, como por exemplo diminuir a diferença nos preços pagos aos hospitais por partos cesáreos e partos normais. Mas ela crê que os administradores dos hospitais fariam mais pressão sobre os médicos para diminuir a taxa de cesarianas se o dinheiro poupado pudesse ficar retido nos hospitais.

Mesmo em situações em que existe um esforço conjunto para reduzir a taxa de cesarianas o progresso é difícil. Os médicos se ressentem de interferências em sua prerrogativa de recomendar o que crêem que é melhor para o paciente. Em alguns países os próprios pacientes são o obstáculo. Langer diz que muitas pacientes de classe alta no Brasil pedem cesarianas mesmo quando não têm razões médicas para fazê-lo. "Encontro todo tipo de conceitos errôneos", diz Langer. "Por exemplo, existe uma crença generalizada de que o parto normal diminui depois o poder de atração da mulher. Muita gente também acredita que é mais seguro fazer uma cesariana. Há também a questão do status - ter um bebê mediante cesariana é considerada uma opção mais moderna, mais classe alta."

Em teoria, os médicos têm a responsabilidade de educar seus pacientes e corrigir esses conceitos errados. De fato, alguns críticos do número excessivo de cesarianas dizem que a atitude dos médicos e os conselhos que dão às mulheres podem desempenhar um papel crucial na taxa de cesarianas. Um estudo publicado na edição de The Lancet de 7 de dezembro de 1991 examinou as decisões tomadas por 12 obstetras num hospital particular de Rosario, Argentina. Esses médicos fizeram 1.974 partos num período de nove meses. Todos tinham treinamento e formação acadêmica semelhantes. Os antecedentes socioeconômicos e educacionais e os fatores de risco das pacientes também eram similares. Ainda assim, o estudo concluiu que, mesmo isolando todos os outros fatores, um terço dos obstetras recomendou "20%-50% mais cesarianas" do que seus colegas. Os autores concluíram que a "atitude clínica" do obstetra é uma variável importante -- e subjetiva -- da taxa de cesarianas.

Apesar desses obstáculos, diversos programas conseguiram reduzir essa taxa. Segundo Glassman, do BID, os programas bem-sucedidos combinam educação do paciente e dos médicos, com mudanças no protocolo médico (como requerer uma segunda opinião antes de fazer uma cesariana) que encorajem o parto normal.

FONTE:IADB.org

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Tricia Cavalcante: Doula na Tradição, formada pela ONG Cais do Parto, mãe de três, e doula pós-parto.Moro em Fortaleza-CE.


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