Brasileira luta pela humanização do parto
escrito por: Tricia em sexta-feira, julho 18, 2008 às 10:56 AM.
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Adriana Tanese oferece apoio a gestantes interessadas em transformar o nascimento dos filhos em uma experiência natural
No mundo moderno e em tempos de cotidiano cada vez mais corrido, está se tornando um hábito que as crianças venham ao mundo com hora marcada – em cesarianas que garantem a comodidade de médicos e mães, mas nem sempre representam o melhor para os bebês. Na contramão desta tendência, uma psicóloga paulista que vive em Boca Raton luta, há anos, pela humanização dos partos. Adriana Tanese Nogueira, que em 2003 fundou uma Ong no Brasil (a ‘Amigas do Parto’), tem oferecido à comunidade aqui nos Estados Unidos um trabalho de preparação de gestantes para o momento mais sublime e mágico da vida: a chegada de uma criança – e de forma natural.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), atualmente o procedimento cirúrgico é adotado em mais de 70% dos nascimentos, enquanto que a taxa recomendada sugere apenas 15%. “Com as cesarianas ou partos com anestesia, os bebês já vêm ao mundo drogados”, alerta Adriana. Ela ressalta que há casos em que a intervenção é necessária, para não expôr mãe e filho a riscos de saúde, mas afirma que jamais a exceção deveria se tornar a regra. E, mesmo com todo o aparato tecnológico na hora do parto, as taxas de mortalidade materna e infantil em países como o Brasil, por exemplo, continuam altas.
Não pense o leitor que Adriana está fazendo apologia a partos de cócoras no escuro, em banheiras de água ou com parteiras. “A humanização não tem, necessariamente, relação com o tipo ou posição usada no parto, mas envolve um processo que começa na gestação e se estende para depois do nascimento da criança”, explica a brasileira, citando que aspectos importantes nesse sentido são a informação, a preparação física e o suporte emocional. Estes, aliás, são os pilares do trabalho que ela realiza com as gestantes, compartilhando suas experiências e expertise durante a gravidez.
Para Adriana, mulheres que têm seus filhos de forma natural não sofrem de depressão pós-parto, pois começam a maternidade de forma intensa e plena. Outra vantagem é o fato de que mãe e filho podem ficar juntos imediatamente. “A cesariana provoca dores por vários dias, até a cicatrização do corte, o que impede a mãe de cuidar do filho adequadamente”, explica Adriana, mãe de Beatriz, que nasceu de forma natural em sua casa. Há estudos que mostram ainda que o procedimento cirúrgico no parto, e todo o estresse que ele provoca, pode deixar as mulheres sem leite para amamentação.
Mais do que desacelerar o processo do parto, Adriana quer conscientizar as gestantes de que a técnica não pode ser mais importante do que as pessoas envolvidas no ato. “Este é o momento em que a mulher tem a chance de resgatar a condição de personagem principal do parto. Trata-se de uma experiência libertadora e realmente pode ajudar a construir um mundo melhor para todos nós”, finaliza Adriana.
Uma história rica
Adriana é filha de mãe imigrante italiana e de pai revolucionário brasileiro, que integrou o grupo do guerrilheiro Carlos Lamarca. Quando ela tinha cinco anos, a família fugiu para a Itália por força da perseguição da ditadura militar. “Vivi 25 anos em Milão, mas senti a necessidade de voltar ao Brasil, pois o ciclo havia se encerrado”, conta, com um leve sotaque italiano.
Desde 2006, Adriana vive em Boca Raton com a filha e, apesar da bagagem de cursos e da prática em psicologia pós-junguiana, filosofia e ciências da religião, sua atividade principal aqui na América tem sido em favor do movimento pela humanização do parto. Ela coordena as atividades gerais da Ong Amigas do Parto (www.amigasdoparto.org.br), inclusive organizando alguns cursos online. A brasileira lançou seu primeiro livro em co-autoria com Ciça Lessa, “Mulheres contam o parto”, onde ela descreve as experiências de 15 gestantes e como o parto mudou suas vidas. “Mas estou agora também trabalhando num livro autobiográfico”, revela. Adriana pode ser contatada através do e-mail adrianatnogueira@uol.com.br.
FONTE: Achei USA
Marcadores: humanização, midia, ong amigas do parto
Dra. Ida Perea recebe Prêmio Nacional Amigas do Parto 2007
escrito por: Tricia em terça-feira, junho 26, 2007 às 10:33 PM.
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Dra. Ida Perea recebe Prêmio Nacional Amigas do Parto 2007
A diretora da maternidade municipal Mãe Esperança, Ida Perea, foi a
ganhadora do Prêmio Nacional Amigas do Parto 2007, na categoria médicos. Ela
recebeu certificado e troféu, e foi convidada a compor a mesa de jurados do
Prêmio Nacional Amigas do Parto 2008.
O desafio da profissional em transformar a prática obstétrica tradicional de
um hospital, num atendimento respeitoso, cientificamente embasado e
humanamente compatível com os valores do século XXI, foi destacado pela ONG
Amigas do Parto, que fez a premiação.
O prêmio também é fruto das ações desenvolvidas por Ida Perea na maternidade
municipal, através do trabalho de planejamento familiar realizado com as
adolescentes, com o programa "De Novo Não", que tem por objetivo evitar a
reincidência da gravidez. O trabalho consta de aconselhamento, fornecimento
de anticoncepcionais injetáveis, comprimidos e inserção de DIU.
Mas o planejamento familiar não se limita apenas às adolescentes, as mães
adultas também recebem orientação. A meta da equipe da Maternidade é
conscientizar as mães a terem um espaço entre uma gravidez e outra de no
mínimo três anos, como determina a Organização Mundial de Saúde (OMS).
A Mãe Esperança vem realizando também laqueaduras nas mulheres que se
enquadram as normas que preconizam o planejamento familiar, ou seja, idade,
número de filhos, entre outros fatores. Os homens também estão sendo
atendidos na maternidade com a vasectomia.
Autor: Fabricius Bariani
Fonte: SECOM
http://www.onortao.com.br/ler.asp?id=6423
Marcadores: humanização, midia, mulher
CURSO ONLINE E INTERNACIONAL DE HUMANIZAÇÃO - Módulo II
escrito por: Tricia em às 10:30 PM.
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GESTAÇÃO, PARTO, RECÉM-NASCIDO, PÓS-PARTO, PATERNIDADE, NOVA MATERNIDADE E FAMÍLIA
INSCRIÇÕES PARA O II MÓDULO - O PARTO PRORROGADAS ATÉ DIA 03 DE JULHO
Curso de Qualificação
Construindo uma humanização com consciência
Por que um curso online?
Porque combina democratização e promoção de saberes e amplia a esfera nacinal. A internet é um instrumento prático e barato, necessitando apenas da presença de um computador (centro comuntitários e bibliotecas públicas podem oferecer este serviço também).
Objetivo: o curso é internacional e aborda desde aspectos técnicos até questões atuais de visões e práticas da humanização; introduz aos conhecimentos básicos da fisiologia da gestação, parto e pós-parto e aos saberes tradicionais; promove a abordagem crítica dos assuntos tratados e conta com material didático holístico, incluindo iniciação à abordagem simbólica e psicológica dos temas tratados. Visa também incentivar a educação continuada, situar os alunos no contexto da humanização, e orientá-los com relação às suas práticas e perspectivas profissionais dando recursos para a atendimento individualizado e holístico. Campos do saber abordados: Medicina e Obstetrícia, Fisioterapia, Nutrição, Sociologia, Psicanálise e Filosofia
Certificado Final.
Programação:
(GESTAÇÃO – Maio e Junho 2007 – Inscrições encerradas)
PARTO – Julho e Agosto 2007
1. Anatomia e fisiologia do trabalho de parto e parto
2. Visões sobre o parto, a mulher e o corpo: um olhar na história do parto
3. Parto vaginal e a cesariana hoje
4. Métodos de alívio da dor e facilitadores do parto
5. Direitos da gestante e as rotinas hospitalares
6. Medos: do desconhecido, da dor, das práticas hospitalares
7. A parturiente no hospital
8. Enfermeiras obstetras, médicos obstetras e parteiras
9. Equipes multiprofissionais: como funcionam
10. A doula: função e limites
11. O profissional humanizado: perfil, função, atitude, consciência
12. O movimento da Humanização do parto no Brasil e no mundo
13. Parto domiciliar: como, quando e por que
14. Sexualidade e parto
15. A placenta
16. Saberes tradicionais e rituais
O RECÉM-NASCIDO – Novembro 2007
1. O parto do ponto de vista do bebê e seu significado existencial
2. Vínculo mãe-filho
3. Cuidados com o bebê: banho, curativo do côto umbilical
4. Cólicas do bebê: como prevenir, como ajudar o bebê, como se ajudar. Shantala.
5. Humanização do atendimento ao recé-nascido
6. O recém-nascido no parto domiciliar
PÓS-PARTO – Dezembro 2007
1. Fisiologia do pós-parto: fatores hormonais, involução uterina, sangramento pós-parto, mamas, útero e aparelho genital
2. O processo da amamentação: produção láctea e habilidade técnica
3. Amamentado por opção
4. Sexualidade e relação com o parceiro
5. Métodos contraceptivos no pós-parto e retomada do ciclo menstrual
6. Mudanças emocionais, conflitos e desafios na dinâmica familiar e social
7. Fechando o processo gravídico e abrindo-se para um novo ciclo de vida
8. Humanização do pós-parto
PATERNIDADE – Janeiro 2008
1. O pai durante a gestação e novos desafios na relação com a parceira
2. Presença do pai durante o parto: e que ele pode e deve fazer
3. Vínculo pai-filho: construindo a relação
4. Contribuição do pai no pós-parto
5. Contribuições do feminino para o exercício da paternidade
6. Humanização do parto e paternidade
7. O pai no parto domiciliar
A NOVA IDENTIDADE DA MULHER E DA FAMÍLIA – Fevereiro 2008
1. A mãe recém-nascida o os mitos sobre a maternidade
2. Maternidade: uma construção social
3. Cuidando da mãe: a importância do bem-estar da mãe para uma vivência positiva da maternidade e seus reflexos no bem-estar da família
4. Maternidade e cidadania
Inscrição até dia 25 de Junho de 2007
Avaliação:
· Questionário de avaliação na entrada de cada módulo
· Breve questionário no final de cada tema
· Monografia final no término de cada módulo
Metodologia e recursos: leituras e debates semanais sobre os assuntos em pauta, discussão de casos e vídeos. Conhecimentos com olhar crítico, reflexão e troca. Orientação quanto às práticas e perspectivas profissionais. Lista de discussão fechada para os facilitadores e alunos.
Público alvo: profissionais da área de saúde e não que queiram qualificar seus conhecimentos, atualizar-se ou ampliar as fronteiras de sua visão da gravidez, parto e pós-parto na contemporaneidade. Demais interessados.
Facilitadores:
1. Adriana Tanese Nogueira – filósofa, analista pos-junguiana, coordenadora da ONG Amigas do Parto, Flórida, EUA
2. Beltrán Lares Días – médico obstetra e ultrasonografista, www.auroramadre.com, Caracas, Venezuela
3. Betina Bittar – médica, homeoapata, acupunturista, obstetra, membro da diretoria da ONG Amigas do Parto, São Paulo SP Brasil
4. Carlos Eduardo Corrêa – pediatra neonatologista, ReHuNa, São Paulo SP Brasil
5. Cláudia Regina Passos, massagista, Escola AMOR, São Paulo SP Brasil
6. Cláudio Paciornik – médico obstetra, Curitiba PR Brasil
7. Gina Strozzi – Profa. consultora em sexualidade, São Paulo SP Brasil
8. Fabiana Muller – enfermeira e consultora em amamentação ONG Amigas do Parto, São Paulo SP Brasil
9. Hugo Sabatino – médico obstetra, Prof. UNICAMP, um dos fundadores do Grupo de parto Alternativo da UNICAMP, Campinas SP Brasil
10. Isabella Ipolito – doula, www.auroramadre.com, Caracas, Venezuela
11. Paloma Terra, Graduate Midwife, Texas, EUA
12. Paulo Batistuta – médico obstetra e Prof., criador do vídeo Sagrado, Vitória ES Brasil
13. Regine Marton, Nurse Midwife EUA, Alabama EUA
14. Roselane Gonçalves – enfermeira obstetra e Profa USPLeste, membro da diretoria da ONG Amigas do Parto, São Paulo SP Brasil
15. Silvia Cordeiro – psicóloga, Grupo de parto Alternativo da UNICAMP, Campinas SP Brasil
Inscrição: curso@amigasdoparto.org.br
Valor para o curso inteiro: R$ 920,00 ou US$ 475.00
Pagamento à vista do curso inteiro:
R$ 781,00 (ou 3 depósitos de R$ 260 - no ato, para 30 e 60 dias);
US$403.00 (ou 3 depósitos de US$ 134.00 – no ato, para 30 e 60 dias).
Valores de cada módulo:
Parto = R$ 322,00 / US$ 166.00
Recém-nascido = R$ 161,00 / US$ 83.00
Pós-parto = R$ 184,00 / US$ 95.00
Paternidade = R$ 161,00 / US$ 83.00
A Nova Identidade da Mulher e da Família = R$ 92,00 / US$48.00
DESCONTO de 15% para estudantes (enviar via fax comprovante de matrícula junto ao comprovante de depósito) sobre o valor total:
R$ 665,00 (ou 3 depósitos de R$ 222,00 - no ato, para 30 dias e 60 dias);
US$ 343.00 (ou 3 depósitos de US$ 115.00 – no ato, para 30 e 60 dias).
Depósito na conta Itaú, Ag. 0754, c/c 48213-1 - Adriana Silva.
IMPORTANTE: Enviar comprovante de pagamento + de matrícula (se houver) para o fax: 55 - 11 - 5678 3075.
Para inscrições de outros países fazer transferência via Western Union: www.westernunion.com para Antonio Nogueira da Silva Filho – São Paulo – Brasil.
Criação: Liliana Silveira, Mary Lucia Galvão e Adriana Tanese Nogueira
Organização: Adriana Tanese Nogueira
Promoção: ONG Amigas do Parto – www.amigasdoparto.org.br
Apoio: Educação à distância, TELEDUC, UNICAMP, Campinas - SP Brasil
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
**************************
A ONG Amigas do Parto, organização sem fins lucrativos, foi fundada por Adriana Tanese Nogueira em São Paulo, em 9 de junho de 2003, após a extinção do grupo informal Amigas do Parto, de cujas atividades iniciadas em Abril de 2001 ela foi co-fundadora. A ONG tem o objetivo de contribuir para uma mudança na forma de nascer. Suas ações se concentram em torno de dois pólos: as usuárias (com suas famílias) e os profissionais de saúde que as atendem. A proposta da ONG Amigas do Parto se insere no movimento pela humanização do parto e nascimento e foca a humanização com consciência: por uma obstetrícia engajada ética e socialmente, e cientificamente fundamentada, e por uma maternidade e paternidade ativas e participantes.
Visite o site da ONG: www.amigasdoparto.org.br, hoje o maior site brasileiro sobre gestação e parto do ponto de vista da humanização.
Marcadores: dicas, humanização
Gestantes e médicos buscam humanização do parto
escrito por: Tricia em segunda-feira, maio 14, 2007 às 3:06 PM.
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Novaes
Anne brinca com a filha
Clarissa Borges
A experiência da maternidade para a consultora cultural Anne Sobotta, 37,
sofreu total influência de sua filosofia de vida. Praticante e professora de
yoga há 3 anos, quando engravidou da pequena Jada, hoje com 7 meses, Anne
começou a se preocupar em ter uma gravidez mais tranqüila. Foi assim que
conheceu as técnicas de yoga para gestantes com a americana Karen Prior.
Depois do nascimento da primeira filha, está pronta para transmitir o que
aprendeu.
Controlar a respiração, fortalecer os músculos do quadril e pernas para o
momento do parto e preparar a coluna para o peso da barriga são alguns dos
benefícios que podem ser conseguidos através da prática. Durante a gravidez,
Anne dava aulas a outras futuras mamães e ensinava, entre outras coisas, as
melhores posições para dormir e exercícios especiais para a região
abdominal.
Além das técnicas de yoga, a consultora optou por um parto humanizado –
procedimento caracterizado por uma série de práticas que visam naturalizar
ao máximo o momento do nascimento. Jada veio ao mundo em casa, dentro de uma
piscina com água aquecida, sem macas, aparelhos cirúrgicos, ou qualquer
coisa que lembrasse um hospital. Anne conta que a opção pelo parto normal
veio naturalmente. "Não tinha porque fazer uma cesariana, e o parto normal é
melhor para a mulher e a criança", afirma.
Para a médica obstetra Marilena Pereira, que acompanhou o nascimento da
única filha de Anne, optar pelo parto domiciliar é uma questão de mudança de
postura. "Não é só uma questão do lugar, mas da conduta do obstetra também",
diz. Ela afirma que a grande diferença é que, em casa, a gestante tende a se
sentir mais à vontade, pode andar, ter por perto pessoas da família ou
amigos mais próximos e, principalmente, escolher a melhor posição no momento
de dar à luz.
A médica, que realiza partos em domicílio há 15 anos, afirma que as mulheres
que a procuram são, geralmente, aquelas mais preocupadas com a humanização,
consciência ecológica e com uma visão de mundo peculiar. A escolha pelo
parto na água faz parte deste estilo de vida. "A água diminui as contrações,
relaxa os músculos, encurta o período do trabalho de parto e favorece a
posição vertical, considerada a melhor tanto para a mulher quanto para o
bebê", explica.
Além dos benefícios durante o parto, algumas mulheres que preferem parir na
água acreditam em vantagens para o recém-nascido. É o caso da veterinária
Adriana Cavalcanti, 40. "Eu não queria entrar num hospital para parir, minha
opção era um parto mais natural possível", revela. Marina, sua única filha,
não nasceu no meio aquático devido a uma redução da pressão arterial da mãe,
mas todo o trabalho de parto foi submerso. A pequena permaneceu em contato
com a água em aulas de natação infantil na mesma clínica onde veio ao mundo.
Após 16 anos, a mãe acredita que fez um bem à filha. "Com um ano, ela já
nadava, nunca teve nenhum problema respiratório ou alérgico e é muito
saudável", conta. Apesar de ter passado 20 horas em trabalho de parto,
Adriana recomenda o procedimento. "É fantástico, a água relaxa muito, mas
tem que ter uma preparação psicológica antes", opina.
Embora não existam estatísticas que provem o aumento da busca pelo parto
humanizado, seja em domicílio, em casa, de cócoras ou na água, cada vez mais
especialistas se dedicam à prática e surgem serviços especializados. As
gestantes que se interessarem pelo assunto devem, antes de tudo, conversar
com um obstetra.
A médica Marilena Pereira explica que muitas mulheres acreditam que o parto
na água seja melhor porque o bebê encontra fora da barriga um ambiente mais
parecido com o útero. Para ela, o maior benefício é a comodidade no trabalho
de parto. Ela alerta, entretanto, para os cuidados que devem nortear o
procedimento. "Eu só acompanho um parto domiciliar se ele tiver uma evolução
muito boa e sempre levo todos os equipamentos necessários", explica. Se o
parto apresentar qualquer complicação, Marilena recomenda a ida a um
hospital.
Fonte: A Tarde
Marcadores: humanização, parto humanizado
Curso de Humanização ONLINE
escrito por: Tricia em sexta-feira, abril 13, 2007 às 7:57 PM.
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HUMANIZAÇÃO DA GESTAÇÃO, PARTO E PÓS-PARTO
Construindo uma humanização com consciência
Gestação, Parto, Pós-parto, Recém-nascido, Paternidade, a Nova Identidade da Mulher e da Família.
Conteúdo: o curso aborda desde aspectos técnicos até questões atuais da humanização; introduz aos conhecimentos básicos da fisiologia da gestação, parto e pós-parto e aos saberes tradicionais; promove a abordagem crítica, inclui iniciação à compreensão simbólica e psicológica dos temas tratados. Campos do saber abordados: Medicina e Obstetrícia, Fisioterapia, Nutrição, Sociologia, Psicanálise e Filosofia.
Público alvo: profissionais da área de saúde que queiram atualizar e/ou ampliar seus conhecimentos na área da gestação, parto e pós-parto (incluindo a paternidade); interessados em geral.
Datas: de 02 de Maio a 18 de Dezembro de 2007
Inscrições: até dia 30/04/2007
Certificado final
Organização e promoção: ONG Amigas do Parto
Inscrições: curso@amigasdoparto.org.br
Programação completa e valores:
clique aqui
Marcadores: dicas, eventos, humanização, parto humanizado
III Encontro de Gestantes e Casais Grávidos - ONG Amigas do Parto
escrito por: Tricia em quarta-feira, dezembro 13, 2006 às 2:27 PM.
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ontem houve o terceiro encontro da Ong aqui em Fortaleza. A Kelly não participou por motivos obvios, mas nós tivemos a presença de outras duas grávidas, uma com 2 e outra com 7 meses, e um papai! Além deles, estiveram por lá o obstetra Luis Carlos (um dos poucos adeptos a humanização aqui) e a doula Ineida que trabalha no SUS como enfermeira.
Apesar de a reportagem ter atrapalhado todo o processo, coletando entrevistas na hora, filmando e tal, penso que foi muito proveitoso. "Levantou uma boa poeira".
Claro, as pessoas ainda não se conheciam, foi apenas um primeiro contato, uma introdução. Nós tentamos seguir um roteiro, mas não deu. No final todo mundo conversava sobre dor do parto, mitos, episiotomia, e o que esperavam dos encontros. Cada um contou sua experiência pessoal, inclusive os dois profissionais que estavam lá. Enfatizei que o encontro não tem por objetivo substituir o pré-natal, e sim dar apoio a quem busca um parto mais natural. Cada um que estava ali veio contribuir com sua experiência pessoal, e não pra dar "palestra".
Foi muito importante reunir pessoas em torno da humanização. O encontro foi tão inédito que já marcamos o proximo, e todo mundo ficou super otimista. Realmente não existe algo parecido aqui em Fortaleza...
Hoje de manha às 8:45h eu assisti a matéria na Tv Diario. A reportagem simplesmente foi MUITO legal! Eles colocaram depoimentos de gestantes (as que participaram), uma fala minha (horrorosa) sobre o objetivo da ONG, e ainda uma fala do Dr Luis sobre os beneficios do parto natural. Ficou bem equilibrada, harmoniosa, e interessante.
Após a materia, a apresentadora falou da ONG Amigas do Parto, da importancia do nosso trabalho e informou o SITE!!!
=)
Bom, espero que essa divugação renda bons frutos para os proximos encontros, e mais mulheres despertem para pensar mais sobre esse assunto... pra quem não viu a materia, vou tentar entrar em contato com a tv pra pedir uma copia do video, mas não sei se eles guardam isso.
Quero agradecer à amiga Clicia, que tem sido uma peça fundamental nos encontros. Obrigada pela divulgação, e também pelo local! (se não fosse você nada disso teria acontecido, ou não teria sido tão bom... )
Marcadores: dicas, eventos, gestação, humanização
Humanização melhora condições de saúde de mães
escrito por: Tricia em segunda-feira, dezembro 04, 2006 às 3:03 PM.
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* AGÊNCIA SAÚDE
Longas filas de espera, angústia e nervosismo. Há poucos anos, essa era a realidade das mães e crianças que procuravam a emergência do Hospital Regional da Ceilândia (HRC), cidade-satélite localizada a 24 quilômetros de Brasília. A partir de 2003, esse quadro começou a sofrer uma mudança significativa. Foi implementada a Política Nacional de Humanização (PNH) do Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital, desenvolvida pelo Ministério da Saúde em parceria com estados, municípios e o Distrito Federal. A PNH tem como finalidade melhorar o atendimento nos hospitais e postos de saúde e fazer com que os pacientes se sintam realmente acolhidos.
Ceilândia tem cerca de 500 mil habitantes, o que corresponde a 25% da população do Distrito Federal. Aproximadamente 62.000 pacientes são atendidos todos os meses no Hospital Regional. Dessas pessoas, 30.000 procuram a emergência. Segundo o diretor do Hospital, Elidimar Bento, as mudanças no atendimento a gestantes e bebês começaram após a criação do bloco materno-infantil, em 1998. As demandas cresceram e as preocupações com a qualidade e a humanização no atendimento também. Por esse motivo, no HRC os cuidados se concentram na emergência e também estão presentes durante as internações e consultas.
Desde a implementação da política de humanização no HRC, os funcionários estão preparados para dar mais assistência aos pacientes. Estabeleceu-se como prioridade a redução de filas (com urgência para as pessoas com maior necessidade de atendimento) e do tempo de espera para exames, consultas e cirurgias e a garantia do direito do paciente e de seus familiares à informação sobre a saúde e sobre quem presta o atendimento. Todas essas diretrizes estão de acordo com a Política Nacional de Humanização.
Irani da Costa, de 36 anos, desempregada, deu à luz, por parto normal, a pequena Maria Clara. Após os primeiros exames detectou-se uma infecção no bebê. Por esse motivo, a recém-nascida e sua mãe permaneceram internadas no HRC durante 20 dias. “Eu não imaginava que a Maria Clara nasceria com algum problema”, recorda a mãe. Ela conta que, tão importante quanto a detecção desse problema e o tratamento eficaz, tranqüilizou-a o fato de os profissionais de saúde a manterem informada sobre o caso. “Eles estavam sempre disponíveis, muito próximos de mim e de minha filha. Tiravam todas as dúvidas e procuravam me manter o tempo inteiro a par de tudo”, conta. “Também era importante o fato de eu saber o nome das pessoas que estavam cuidando da gente. Aumentava a minha confiança. Fiquei muito satisfeita com a atenção que dispensam aqui aos pacientes”, diz Irani.
Um dos resultados da humanização no HRC é o atendimento de emergência individualizado às gestantes. “Antes, as mulheres chegavam em trabalho de parto e precisavam disputar os primeiros socorros com os outros pacientes, como doentes terminais e vítimas de acidentes graves”, explica o diretor. Em média, ocorrem 25 partos todos os dias no HRC. O atendimento não-individualizado trazia angústia e insegurança para as gestantes. A nova ala evita mais transtornos, já que é muito importante manter a calma durante o trabalho de parto.
No HRC As crianças também são atendidas separadamente. Elas precisam de atenção diferenciada pelo fato de serem mais vulneráveis às doenças e infecções. Existem no Hospital 58 leitos para internação de crianças de até 12 anos. Durante o tratamento, a mãe ou outro responsável tem o direito de permanecer junto ao paciente. A presença de um acompanhante com o paciente é uma das bases da Política Nacional de Humanização.
Brinquedoteca – Além das acomodações para os responsáveis, a ala infantil do HRC dispõe de uma área de estudo, uma brinquedoteca e uma biblioteca. “As crianças que permanecem internadas por períodos longos não param de estudar. Diariamente elas se dirigem à sala de estudo e recebem o acompanhamento de uma professora e de uma terapeuta ocupacional que nos foram cedidas pela Secretaria de Educação”, informa Bento.
FONTE:Jornal da Paraiba
Marcadores: governo, humanização, politica, sus
O renascimento do parto e do amor
escrito por: Tricia em segunda-feira, novembro 20, 2006 às 8:31 AM.
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Ah! Também é um ótimo livro para os maridos que não acreditam no que a gente fala... sim, porque convencer o marido de que você quer um parto humanizado natural, dá uma trabalho danado.
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O renascimento do parto. ODENT, Michel. Florianópolis: Saint Germain, 2002.
134 p.
ODENT, Michel. Florianópolis: Saint Germain, 2002. 142 p.A cientificação do amor.
A presença de Michel Odent no Brasil no I Congresso de Ecologia do Parto e do Nascimento em 2002 foi acompanhada do lançamento do livro A cientificação do amor e da reedição revisada e ampliada de O renascimento do parto. Suas obras aliam a informação científica a uma linguagem simples e profundamente sensível, constituindo uma rica contribuição à discussão da humanização da assistência ao parto.
O renascimento do parto é um livro da década de 1980, em que ele relata sua
experiência como diretor de uma maternidade a 100 quilômetros de Paris. Descreve sua aprendizagem com as mulheres e as parteiras sobre a psicofisiologia do parto, provavelmente, como ele diz, por não ter passado por uma formação em obstetrícia. Seus princípios de “simplificação e eliminação de procedimentos desnecessários” da sua abordagem como cirurgião o nortearam em todo seu caminho como obstetra. A observação da busca espontânea das mulheres pela posição vertical no momento da expulsão levou-o a questionar o uso da mesa obstétrica, com a conseqüente passividade da mulher, e as dificuldades provocadas pelo parto horizontal. A construção de uma sala com uma cama larga e baixa, com cores quentes nas paredes, pouca luz, privacidade e silêncio, constituiu o que chamou de o “primeiro passo concreto para devolver o parto às mulheres”. Nessas condições elas poderiam se sentir livres física e emocionalmente para agir e se movimentarem.
O livro é recheado de depoimentos e fotos calorosas de cenas de parto que nos emocionam e nos estimulam a propiciar essa experiência a todas as mulheres. Nessas condições, o autor evidencia como a mulher tem capacidade de parir se não atrapalharmos sua vivência. Torna claro como o ambiente ajuda a mulher a criar a própria ocitocina e endorfinas necessárias nesse processo. Desenvolve uma análise sobre como a estimulação química das contrações, a episiotomia, a analgesia, a obrigação de ficar na posição deitada, a amniotomia, o uso da palavra “Força!” e até
mesmo o treinamento de específicas respirações atrapalham a fisiologia do parto e a
espontaneidade da mulher. Desmistifica ainda a idéia de que o parto de cócoras e na água sejam
apenas voltados para as mulheres consideradas de baixo risco.
A compreensão do parto como parte integrante da vida sexual e emocional da mulher proposta em O renascimento do parto é aprofundada em A cientificação do amor, obra datada do ano 2000. Neste livro, com uma abordagem profunda e interdisciplinar da vinculação amorosa, apresenta a compreensão das bases fisiológicas e a integração entre diferentes momentos da vida: o sexo, o parto, a amamentação e o amor romântico. Com uma linguagem simples, mas com riqueza de referências científicas, esta obra reflete em parte seu trabalho no Primal Health Research Center,1 em que são apresentadas pesquisas sobre a relação entre os diversos distúrbios emocionais (suicídio, anorexia, violência, drogadicção, autismo e esquizofrenia) e a ocorrência de perturbações no período primal, compreendido desde a vida intra-uterina até o primeiro ano de vida. Sua hipótese é a de que o cuidado com a forma como nascemos e com a vinculação amorosa mãe–bebê pode propiciar a construção de uma sociedade mais amorosa, menos destrutiva e de mais respeito pelos seres humanos e pela natureza. Propõe uma compreensão holística do nascimento, mostrando as relações entre os estados orgásticos, o parto, as diferentes formas de amor, a oração e as emoções místicas. O contato das mulheres consigo mesmas durante o processo do parto é fundamental. Nessa situação, as funções intelectuais neocorticais devem estar colocadas em segundo plano, facilitando a expressão de funções cerebrais mais instintivas, características do parto e do aleitamento. Observa como as mulheres
costumam entrar em estado especial de consciência, similar às emoções místicas e ao orgasmo.
Através de uma integração dos conhecimentos, indica uma possibilidade de reconexão do homem com as diversas partes de si mesmo.
incrementada na nossa cultura. Traz o desafio de compreendermos o biológico sem dissociá-lo os elementos culturais da formação das famílias. Nesse sentido, devemos refletir sobre suas atuais
colocações2 a respeito dos possíveis prejuízos da participação do pai do bebê no nascimento.
sensibilidade e afetividade para acompanhar a vivência das mulheres, e em que caberia apenas a elas o cuidado com as crianças.
presente na sala de parto voltada exclusivamente para atenção ao estado emocional da gestante.
Além disso, a participação dos pais possibilita o compartilhamento do nascimento pelo casal em um período de crise com a chegada de um filho e o exercício da solidariedade entre homens e mulheres. Oferece ainda a oportunidade para a formação de vínculos pais–bebês, propiciando
uma experiência importante de uma paternidade afetiva na construção de novos modelos para a
masculinidade.4
Considerando a presente luta pelo direito da mulher de escolha de seu/sua acompanhante
no parto, a reflexão sobre o questionamento proposto por Odent indica a importância de que
os/as acompanhantes sejam preparados com informações e sensibilização para a experiência.
Além disso, as equipes obstétricas e pediátricas precisam ser treinadas para lidar com a família e a profundidade emocional do nascimento. A colocação dessa questão por Odent nos remete
ao desafio para a sua proposta de abordagem ecológica do nascimento em que a aliança entre
cultura e natureza deverá estar sempre presente.
Odent é um cientista revolucionário e um visionário da construção do que ele chama de era do Homo ecologicus, em que o cuidado com vinculação entre a mãe e o bebê no período em torno do nascimento possibilitará o desenvolvimento de uma sociedade voltada para o amor, onde o respeito ao outro e à natureza estejam presentes. A leitura de suas obras, sem dúvida alguma, é um grande estímulo para que cada um de nós, profissionais, mães e pais, receba as próximas gerações com mais amor.
1 Ver http:// primalhealth.com.
2 Esse questionamento sobre a participação dos pais
no parto está presente em A cientificação do amor, no
prefácio da segunda edição americana de O
renascimento do parto e no artigo Is the Participation
of the Father Prejudicial to the Birth?, publicado na
Internet em http://wwwçmidwiferytoday.com/fathers/
waterfamily, em 18 de abril de 2001.
KENNELL J. H., and MACGRATH, S. “Labor Support by First-
Time Fathers: Direct Observations with a Comparison to
Experienced Doulas”. Journal of Psychosomatic Obstetric
Ginaecology, II, 1990, 251-260. CARVALHO, Maria Luiza
Mello de. A participação do pai no nascimento da
criança: as famílias e os desafios institucionais em uma
maternidade pública. 2001. Dissertação (Mestrado em
Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social) –
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Autora: MARIA LUIZA DE CARVALHO
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Marcadores: dicas, feminilidade, humanização, mulher, obstetrícia, parto, parto natural, pesquisas
hoje estava eu vagando pela internet quando me deparei com este post no blog da Lucília Diniz onde ela conta sobre o nascimento do neto.
Fiquei super feliz em ler que a filha dela escolheu ter um "parto humanizado". mas logo fiquei encafifada. Onde será que aconteceu esse parto hein...?
Essa touquinha de hospital... o bebê muito devidamente limpo, enrolado no tipico pano verde esterilizado. Será que esse "sem dor" que ela fala significa "anestesiada"? Fica ai uma brecha... mas suposições à parte, fiquei pensando.
Será que o termo 'humanização' está pra lá de banalizado?
Pelo que percebo, a humanização que a midia está vendendo por ai em pacotinhos de 200g, tem a validade bem curtinha. Tudo é humanizado hoje em dia, qualquer bom dia, qualquer "deite aqui, mãezinha...".
Quem pensa que humanização é só tratar bem, tá muito enganado: Bom atendimento é obrigação. Afinal, o profissional está recebendo por isso. Como diria Odent, "humanizar é animalizar"... e eu, de metida que sou, acrescento: é desmedicalizar.
Marcadores: humanização, midia
Nascimento deve ser humanizado
escrito por: Tricia em sexta-feira, novembro 03, 2006 às 3:11 PM.
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Excessiva intervenção clínica pode originar parto de alto risco, diz investigadora
A antropóloga social britânica Sheila Kitzinger considerou esta sexta-feira, em Almada, que a excessiva intervenção clínica contribui para que um parto normal possa transformar-se num parto de alto risco.
Sheila Kitzinger, que falava na abertura do primeiro congresso sobre «Humanização do Nascimento - Amor e Responsabilidade», que a Associação Portuguesa pela Humanização do Parto (Humpar) promove até domingo, realçou que «quando a parturiente é tratada como um caso de alto risco ela torna-se um».
Autora de inúmeras obras sobre o nascimento fisiológico e o parto humanizado, e docente na Universidade de Thames Valey, em Inglaterra, a especialista britânica salientou que a humanização do parto assenta na colaboração entre futuras mães e profissionais de saúde.
Sheila Kitzinger frisou que é necessária a associação de parturientes e profissionais para que se possam incentivar as estruturas hospitalares a investir na humanização do nascimento.
«O obstetra pode ser processado por não ter feito uma cesariana, mas ninguém o vai processar por ter feito uma cesariana desnecessária», ilustrou a especialista, acrescentando que a humanização passa pelo «desenvolvimento de uma relação com médicos, enfermeiros e parteiros que coloque o ênfase não no controlo das parturientes e no exercício de habilidades clínicas, mas na forma como funcionam em sistema, com os seus desequilíbrios e relações de poder».
A necessidade de uma maior intervenção da mulher no que toca ao nascimento dos seus filhos foi também realçada pela advogada e co-fundadora da associação espanhola EPEN - El Parto Es Nuestro, Francisca Fernandes.
A organização surgiu a partir de um fórum na Internet onde inúmeras mulheres partilharam experiências traumáticas de partos hospitalares, em que «o impacto entre a expectativa e a realidade foi brutal».
«A maioria de nós, universitárias e independentes, acreditava que somos mulheres modernas e, no parto, descobrimos que somos ou ignoradas ou infantilizadas», afirmou a oradora, dando conta de que, quando decidiram criar a associação, os profissionais de saúde mostraram-se «agradados».
FONTE:Portugal Diário
Marcadores: humanização, parto
Centro de parto normal e assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente*
escrito por: Tricia em quinta-feira, outubro 26, 2006 às 4:52 PM.
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RESUMO
Levando em conta os vários estudos e reflexões a respeito do novo modelo de assistência ao parto e nascimento assistência humanizada), e trabalhando como enfermeira obstétrica em um Centro de Parto Normal, surgiu o questionamento a respeito desse conceito, devido às diversas conotações dadas a esse termo. Este artigo foi produzido com a finalidade de divulgar nossa proposta de substituição da expressão “assistência humanizada ao parto”, por “assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente”, e de discorrer como essa assistência é prestada no Centro de Parto Normal do Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP), que segue um protocolo de condutas obstétricas e normas preconizadas pelo Ministério da Saúde.
DESCRITORES: Humanização do parto. Enfermagem obstétrica. Assistência centrada no paciente.
* Extraído da Dissertação:
“ Infecção puerperal em um Centro de Parto Normal”, Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), 2004.
1 Enfermeira Obstétrica do Hospital Geral de Itapecerica da Serra, SP. Mestre em Enfermagem Obstétrica e Neonatal pela EEUSP.
nxsm@ig.com.br
2 Enfermeira Obstétrica. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica da EEUSP.
ndspraca@usp.br.
Rev Esc Enferm USP
2006; 40(2):274-9.
www.ee.usp.br/reeusp/
INTRODUÇÃO
Desde meados da década passada, vem se disseminando pelo país um modelo de assistência obstétrica, recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que
realça a mudança no olhar do profissional de saúde sobre a parturiente e sua família. Trata-se dos Centros de Parto Normal.
Os Centros de Parto Normal atendem as normas preconizadas pelo Ministério da Saúde(1), conforme Portaria 985/99 GM. Constituem-se em unidades de atendimento ao parto normal, localizadas fora do centro cirúrgico obstétrico. Dispõem de um conjunto de elementos destinados a receber a parturiente e seus acompanhantes, permitindo um trabalho de parto ativo e participativo, empregando práticas baseadas em evidências recomendadas e que os diferenciam dos serviços tradicionais de atenção obstétrica. As primeiras recomendações para esta modalidade de assistência foram citadas pela Organização Mundial da Saúde, em 1996(2).
Vale destacar que os Centros de Parto Normal surgiram com o objetivo de resgatar o direito à privacidade e à dignidade da mulher ao dar à luz num local semelhante ao seu ambiente familiar, e ao mesmo tempo garantir segurança à mãe e seu filho, oferecendo-lhes recursos tecnológicos apropriados em casos de eventual necessidade. Seguem um padrão de procedimentos previamente estabelecidos e que direcionam as ações que realizam.
O estímulo à implantação deste modelo de assistência, no país, ganhou força, a partir da década de oitenta, quando o movimento de mulheres, no Brasil e no mundo, passou a questionar as práticas obstétricas de rotina e apresentar propostas para humanizar o atendimento(3).
Nesse período disseminou-se a divulgação de que na maioria dos países desenvolvidos a assistência ao parto e nascimento de baixo risco fundamenta-se na atenção prestada
por enfermeiras obstétricas e por parteiras especializadas, cuja formação está voltada para o suporte emocional e o atendimento da mulher e do recém-nascido, sem interferir no processo fisiológico do parto, permitindo à mãe vivenciar esse momento de forma prazerosa e segura. Este modelo de assistência prevê que, durante a gestação, a mulher tem a oportunidade de estabelecer o plano de assistência ao parto, junto com o profissional que a atende, e seu primeiro contato, como parturiente, se dá na primeira relação com os profissionais não médicos, garantindo-se, contudo, o acesso a níveis de assistência de maior complexidade.
Este movimento de mudança na assistência obstétrica envolve, também, legitimidade profissional e corporativa, com um redimensionamento dos papéis e poderes na cena
do parto, com o deslocamento da função principal no parto normal, do médico obstetra para a enfermeira obstétrica (procedimento legitimado pelo Ministério da Saúde), e do centro cirúrgico (palco da ação) para a sala de parto ou casa/centro de parto(4).
No espaço hospitalar, existe uma série de obstáculos para se implantar uma metodologia de assistência que promova o parto normal. A equipe de saúde não aceita com tranqüilidade a mobilidade da mulher, e ela própria sente-se pouco à vontade para decidir sobre os procedimentos de seu parto. Sobrepondo-se a essa situação, os Centros de Parto Normal tornam menos hierarquizadas as relações entre as parturientes e os prestadores de cuidados, e oferecem um ambiente onde a mulher sente-se mais à vontade diante dos eventos que a circundam(5).
O Ministério da Saúde(1), exercendo seu papel normatizador, implantou um conjunto de ações por meio de Portarias Ministeriais com o objetivo de estimular a melhoria da
assistência obstétrica e de regulamentar a atuação do enfermeiro obstetra na realização do parto normal sem distocia, aplicando práticas baseadas em evidências.
Essas considerações nos mostram a estreita relação entre os Centros de Parto Normal
e a assistência obstétrica baseada em evidências, ambos tendo a enfermeira obstétrica
como principal aliada e implementadora.
Considerando essa situação e levando em conta os vários estudos e reflexões a respeito do novo modelo de assistência obstétrica ao parto e nascimento - assistência humanizada em Centro de Parto Normal - julgamos que a expressão assistência humanizada não reflete a abrangência da assistência prestada nesses serviços de assistência ao parto e nascimento, o que originou nosso questionamento a respeito desse conceito. Acresce-se o desgaste do termo pelas diversas conotações a ele atribuídas.
Nossa trajetória profissional, como enfermeira obstétrica, com atuação em diversos serviços de obstetrícia, que seguiam o modelo tradicional de assistência ao parto foi
enriquecida pelo trabalho atual no Centro de Parto Normal de Itapecerica da Serra, SP, inserido em uma instituição que tem como objetivo a redução do número de cesarianas e o incentivo ao parto normal. Nele é adotada a tecnologia apropriada
ao parto e nascimento com estímulo à assistência que valoriza as necessidades da parturiente.
Essa experiência, agregada à vivência profissional anterior, motivou-nos a refletir sobre a abrangência do termo assistência humanizada, amplamente empregado pelos órgãos e profissionais de saúde ao tratarem dos Centros de Parto Normal. Este artigo, extraído de pesquisa anterior(6), foi produzido com o objetivo de justificar a proposta de adequação de nova terminologia à assistência prestada a parturiente em Centro de Parto Normal. Sua finalidade é divulgar nossa proposta de mudança de terminologia, melhor adequando o conceito de assistência humanizada ao parto. A expressão assistência humanizada não reflete a abrangência da assistência prestada nesses serviços de assistência ao parto e nascimento
JUSTIFICANDO A PROPOSTA
As presentes transformações no modelo assistencial direcionado à parturiente e a conseqüente valorização do trabalho da enfermeira obstétrica, nos Centros de Parto Normal, para a realização do parto e nascimento, remete-nos à importância de realçar o significado da relação entre assistência e Centro de Parto Normal.
As instituições deveriam propor-se a organizar os serviços de assistência obstétrica na perspectiva da promoção e da facilitação de um parto saudável, fisiológico e da prevenção de possíveis intervenções e agravos, inclusive aqueles resultantes da assistência, como a dor iatrogênica e a lesão genital da episiotomia desnecessária, entre outros(4).
A literatura é rica em trabalhos voltados à assistência à mulher que vivencia o ciclo gravídico-puerperal e que, em sua totalidade, emprega o termo assistência humanizada. Por sua vez, existem autores que referem que para trabalhar com humanização é necessário despojar-se da onipotência própria da formação médica, trabalhando com uma equipe multiprofissional em que o espaço de cada um deve ser respeitado(7).
Na assistência humanizada, demonstrar interesse e compromisso com o outro requer a conscientização dos possíveis dilemas éticos presentes nessa relação. Na proposta de
relação humanizada, as informações a serem transmitidas aos clientes e deles recebidas são fundamentais(8).
A humanização da assistência reside, também, nas relações interpessoais, em especial entre o profissional e o cliente e o acompanhante(9). O relacionamento entre paciente e profissional e instituição é fundamental para o processo de humanização, sendo
este composto por fatores como comunicação, empatia, conhecimentos técnico-científicos e respeito pelos seres humanos(10).
A humanização engloba uma série de diferentes aspectos referentes às idéias, aos valores e às práticas, envolvendo as relações entre os profissionais de saúde, os pacientes, os familiares e os acompanhantes, incluindo os procedimentos
de rotina do serviço e a distribuição de responsabilidades dentro dessa equipe. No entanto, tais fatores tornam- se fragmentados se a experiência do nascimento não
for reconhecida em seus aspectos emocionais(11).
Ao prestar assistência humanizada à mulher, que vivencia o ciclo gravídico puerperal, os profissionais devem desenvolver habilidades relacionadas ao contato com essa mulher, favorecendo sua adequação emocional à gravidez e ao parto(12). Podem também ajudá-la a superar os medos, as ansiedades e as tensões. No modelo humanizado de atendimento, a parturiente e seu acompanhante devem ser recebidos
pela equipe com empatia e respeito, considerando sempre suas opiniões, preferências e necessidades. Acreditamos que a assistência humanizada está representada na expressão assistência centrada nas necessidades da cliente e vale ser aqui apresentada em maior profundidade.
Não encontramos diferencial na assistência a que ambas de propõem, apenas cremos que a segunda apresenta maior amplitude para destacar a real assistência prestada
e os elementos nela envolvidos.
Consideramos que a assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente deva ser baseada não apenas em procedimentos e normas técnicas pré-estabelecidas, mas na valorização da individualidade, visto que o ser humano é diferenciado pela própria natureza por ser racional e possuir características específicas, como caráter, personalidade, sentimentos, opiniões, crenças, desejos, aspirações, valores próprios, dignidade e senso de justiça, que devem ser respeitados, considerados e valorizados. Ao assistir o indivíduo, o prestador do cuidado deve considerá-lo como um todo, com sua subjetividade e complexidade, sendo membro de um grupo familiar e de uma comunidade(13). Deve, ainda, identificar as mensagens enviadas pelo cliente/paciente e reconhecer seus códigos, compreendê-los e atuar de maneira a satisfazer as necessidades de atenção e de cuidado da clientela. Nesse processo de cuidar, não devem ser esquecidos o contexto de vida e os valores que o cliente traz quando de sua internação. Saber identificar as diferenças culturais e individuais contribui para a redução de desequilíbrios entre a assistência prestada e as necessidades básicas da cliente/paciente.
Nesse sentido, o cuidado deve ser oferecido de maneira holística, valorizando-se a pessoa que o recebe(14). Portanto, a parturiente deve ser considerada como um ser biopsico- sócio-espiritual, para a qual a assistência de enfermagem deve atender as necessidades. Dentre outras, devemos destacar a promoção de sua adaptação ao ambiente institucional e a interação harmônica com o contexto onde recebe o cuidado – Centro de Parto Normal.
As necessidades humanas possuem diversos conceitos, porém nenhum deles é definitivo. Assim sendo, é possível estabelecer bases para futuras abordagens e reformulações. Essas necessidades são universais e classificam-se em nível psicobiológico, psicossocial e psicoespiritual, diferenciando- se apenas no modo de satisfazê-las para cada indivíduo. A assistência das necessidades humanas básicas consiste em um trabalho de equipe, que visa ao autocuidado, a recuperação, a manutenção e a promoção da saúde em colaboração com outros profissionais(15). Como se vê, há estreita relação entre a filosofia de assistência que deve ser oferecida à mulher que vivencia o nascimento e o parto, e o Centro de Parto Normal. Julgamos oportuno, portanto, discorrer sobre a relação deste binômio - Centro de Parto Normal - assistência centrada nas necessidades da parturiente.
Discorrendo sobre assistência obstétrica
centrada nas necessidades da parturiente
Julgamos que o conceito de atenção obstétrica centrada nas necessidades da cliente melhor dimensiona o conceito de assistência humanizada, amplamente empregado, atualmente. Justificamos tal opção pelo seu caráter amplo que envolve um conjunto de conhecimentos, de práticas e de atitudes que visam não só a promoção do parto, mas também um nascimento saudável e a prevenção da morbimortalidade materna e perinatal, com início no pré-natal e garantia de que a equipe de saúde realiza procedimentos comprovadamente benéficos, para a mulher e para o recémnascido, que evite as intervenções desnecessárias, que preserve sua privacidade e autonomia, já que o nascimento é um evento fisiológico e mobilizador, considerado um dos fatos mais marcantes da vida(1). Existem autores que acreditam que as ações assistenciais para ser eficazes devem considerar não só as atividades técnicas, mas as expectativas da mulher. Toda a equipe deve estar atenta no sentido de oferecer-lhe apoio, atenção e respeito de suas crenças e valores, seus medos, suas necessidades(16). Conforme dito anteriormente, os textos com abordagem na assistência obstétrica prestada em Centros de Parto Normal reforçam o papel da humanização, porém, acreditamos que substituir esta expressão por assistência centrada nas necessidades da cliente mostrará a real abrangência da proposta de atenção desse novo modelo de assistência ao parto e nascimento.
Consideramos, outrossim, que a assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente caracteriza-se pelo direito à autonomia da parturiente, em que a informação é fator relevante, sendo a base principal para que tenha a liberdade de escolher ou recusar qualquer procedimento relacionado com seu próprio corpo, e que esta escolha seja pertinente e convergente ao seu bem-estar. Portanto, esta informação deve ser inteligível, exata, concisa, adaptada ao nível sociocultural e cognitivo de quem a recebe, para que o indivíduo possa ser capaz de, conscientemente, escolher qual a proposta para sua assistência que melhor se adapte, conforme seus princípios morais e éticos. Se não houver informação com qualidade, o direito de decidir adequadamente torna-se inexistente.
Vale esclarecer que, no Centro de Parto Normal, campo desse estudo, a parturiente e seu acompanhante são informados, constantemente, pela enfermeira obstétrica que os assiste, sobre a evolução do trabalho de parto e sobre eventuais mudanças de conduta para que possam colaborar durante todo o processo do trabalho de parto ativo até o nascimento. À cliente em trabalho de parto é permitido expressar seus sentimentos quanto aos procedimentos com os quais não concorda, cabendo à equipe, dentro de suas possibilidades, mudar a conduta de modo que a parturiente sinta-se segura em relação à assistência prestada.
Acreditamos também, que o empenho em manter o relacionamento entre os próprios profissionais e clientes, constitui- se parte da assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente, em que o respeito e a dignidade se tornem uma constante e sejam vistos como norma a ser praticada naturalmente. Vale acrescentar que ainda há maternidades que não oferecem assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente, pois não priorizam a individualidade, a cultura e os costumes de cada mulher. Submetem-na, no momento da internação, a rotinas preestabelecidas pela organização, e na maioria das vezes retiram-lhe o direito à privacidade. Para evitar essa situação, a instituição deve preocupar-se com as necessidades da cliente como princípio da assistência de enfermagem definido em sua filosofia, oferecendolhe condições que, muitas vezes, são representadas por recursos humanos qualificados, por materiais e equipamentos e pela apropriada estrutura física do local(17). Para essa visão ampliada da assistência obstétrica, chamada de atenção humanizada, propomos sua substituição pela expressão assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente, considerada por nós de maior amplitude e pertinente à implantação e implementação de Centros de Parto Normal.
Demonstrando a assistência obstétrica centrada
nas necessidades da parturiente aplicada
em Centro de Parto Normal
Acreditamos ser oportuno citar que a assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente é plenamente desenvolvida no Centro de Parto Normal de Itapecerica
da Serra, SP, pois este segue os procedimentos definidos pelo orgão gestor máximo do país para a atenção à mulher durante o parto e o nascimento. Esta unidade, cujos partos são atendidos por enfermeiras obstétricas, realizou 10.559 partos normais no período compreendido entre janeiro de 2000 e janeiro de 2003.
A assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente caracteriza-se pelo direito à autonomia da parturiente
A seguir, destacamos os procedimentos adotados por esta unidade de atenção ao parto normal, os quais reforçam nossa certeza quanto à proposta de mudança de terminologia(18). No Centro de Parto Normal de Itapecerica da Serra, a parturiente conta com dieta livre, tem direito a um acompanhante de sua escolha, tem liberdade para movimentação durante o trabalho de parto, é estimulada à adoção de métodos não farmacológicos no alívio à dor - banho de aspersão e de imersão para relaxamento, massagens na região lombossacra, exercícios de respiração e de relaxamento, estímulos a movimentos corpóreos, tais como abaixar, levantar e balanço pélvico – o acompanhante é estimulado a participar na realização de massagens relaxantes para alívio da dor, são estimuladas as eliminações espontâneas (micção e evacuação). É a parturiente quem autoriza a realização do exame tocoginecológico, com respeito a sua privacidade. O profissional deve considerar o desejo de independência da parturiente no início do trabalho de parto e sua dependência no final deste, deve estimular a ingesta hídrica, realizar monitoramento fetal pela ausculta intermitente, usar o partograma, encorajar o parto em atmosfera favorável, permitir interação entre mãe e filho, estimular o contato pele a pele imediatamente após o nascimento, bem como o aleitamento precoce com estímulo à amamentação na primeira meia hora após o nascimento, estimular o vínculo afetivo com a secção do cordão umbilical pelo acompanhante, em condições estéreis, prevenir hipotermia do recém-nascido, favorecer a dequitação fisiológica com exame rotineiro da placenta e de membranas ovulares, permitir que a família fotografe o parto e o nascimento se desejar, autorizar alta precoce pós-parto para mãe e filho, com retorno ambulatorial após 48 horas, para consulta de ambos. Ao acompanhante é permitido o esclarecimento de dúvidas sobre condutas e procedimentos, bem como o estímulo à participação em todos os procedimentos durante o trabalho de parto e o parto.
Com esta relação de condutas recomendadas pelo Ministério da Saúde, e definidas no protocolo de atendimento da unidade, acreditamos que conseguimos caracterizar a amplitude da assistência obstétrica prestada à mulher em Centros de Parto Normal, a qual, com base nos estudos anteriormente citados e em nossa experiência profissional, seria melhor caracterizada como assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Vale ressaltar que mesmo comprovado por evidências, o modelo assistencial empregado nos Centros de Parto Normal é gerador de resistências entre profissionais da área da saúde que têm dificuldade em admitir que a assistência obstétrica prestada nessa unidade é coerente com uma proposta de atenção integral à mulher em trabalho de parto.
Acreditamos que, por tratar-se de unidade com proposta inovadora, os Centros de Parto Normal em funcionamento, atualmente, no país, constituem-se em ricas experiências assistenciais e de ensino, tanto para os profissionais, quanto para os estudantes da área da saúde, mas em especial para as mulheres neles atendidas, pois podem usufruir de sua autonomia durante a atenção recebida. Cabe a nós, enfermeiras obstétricas que atuamos nessas unidades, divulgarmos nosso trabalho, favorecendo, portanto, a troca de experiências; assim, estaremos contribuindo para a disseminação da proposta deste modelo de assistência. A dimensão dos fatores assistenciais, profissionais e institucionais que regem a filosofia dos Centros de Parto Normal reforçam nossa proposta de substituição da expressão assistência humanizada para assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente.
REFERÊNCIAS
(1) Brasil. Ministério da Saúde. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. (FEBRASGO) / Associação Brasileira de Obstretrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO). Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher. Brasília; 2001.
(2) Organização Mundial de Saúde (OMS). Maternidade segura. Assistência ao parto normal: um guia prático. Brasília; 1996. (OMS/SRF/MSM).
(3) Costa Filho CF. Tratado de obstetrícia FEBRASGO. Rio de Janeiro: Revinter; 2000. Infecção puerperal. Cap. 28, p. 380.
(4) Diniz CSG. Entre a técnica e os direitos humanos: possibilidades e limites da humanização da assistência ao parto [tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina da USP; 2001.
(5) Osava RH. Assistência ao parto no Brasil o lugar dos nãomédicos [tese]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da USP; 1997.
(6) Machado NXS. Infecção puerperal em um centro de parto normal: ocorrência e fatores de risco [dissertação]. São Paulo: Escola de Enfermagem da USP; 2004.
(7) Fabre ZL, Tobias L, Berreta IQ, Santiago ML. Humanização em UTI pediátrica: a equipe e a família. Arq Catarinenses Méd. 1992;21(1):34-7.
(8) Guimarães RL, Lunardi VL. O dilema ético frente à necessidade de revelação do diagnóstico de infecção hospitalar. Texto Contexto Enferm. 2000;9(2):137-46.
(9) Basile ALO, Pinheiro MSB, Miyashita NT. Centro de parto normal: o futuro no presente. São Paulo: JICA; 2004.
(10) Malik AM. Humanização. Coren-SP. 2000;(29):2-5.
(11) Rattner D. Humanizando o nascimento e parto: o workshop. In: Síntese do 1º Seminário Estadual Qualidade da Assistência ao Parto: contribuições da enfermagem; 1998 maio 14-15;
Curitiba. Curitiba: ABEn - Seção PR; 1998. p. 24-5.
(12) Carneiro LM. Parto humanizado: humanizar é preciso. J Rede Saúde. 2000;
(20):16-7.
(13) Cianciarullo TI. A avaliação do sistema de assistência de enfermagem como base do desenvolvimento do conhecimento na enfermagem. In: Cianciarullo TI, Gualda DMR, Melleiro MM, Anabuki MH. Sistema de assistência de enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone; 2001. Cap. 16, p. 293-302.
(14) Souza MF. As teorias de enfermagem e sua influência nos processos cuidativos. In: Cianciarullo TI, Gualda DMR, Melleiro MM, Anabuki MH. Sistema de assistência de
enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone; 2001. Cap. 2, p. 29-39.
(15) Horta WA. O processo de enfermagem. São Paulo: EPU/Edusp; 1979. p. 33-4.
(16) Paschoal MLH, Rogenski NMB. Sistema de assistência de enfermagem perioperatória. In: Cianciarullo TI, Gualda DMR, Melleiro MM, Anabuki MH. Sistema de assistência de enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone; 2001. Cap. 11, p. 201-19.
(17) Ceccato SR, Van der Sand ICP. O cuidado humano como princípio da assistência de enfermagem à parturiente e seus familiares. Rev Eletrôn Enferm. [on-line] 2001; 3(1) Disponível em: http://www.fen.ufg.br/revista.html. [Acesso em 19 mar. 2002].
(18) Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP). Protocolo de assistência humanizada ao parto e nascimento. Itapecerica da Serra: HGIS; 1999.
Correspondência: Nilce Xavier de Souza Machado
Rua Concórdia, 44 CEP06850-000 - Itapecerica da Serra – SP
Artigo retirado do link: Universidade de São Paulo
Marcadores: casa de parto, humanização, parto natural
E isso se aplica a tudo na vida, se não nos informamos propriamente sobre nossos direitos, não temos como ter voz, como ter força ativa na sociedade, simplesmente comemos o mesmo prato frio e sem sal jogado na mesa, sem contestar.
Antigamente, os partos costumavam acontecer nas próprias casas, com parteiras e várias gerações da família, bisavós, avós e mães, que se ajudavam mutuamente. Com a industrialização do parto, o nascimento que era considerado um evento social-familiar, passa a ser considerado um processo médico-hospitalar. Não quero com isso ignorar os avanços da medicina, dos procedimentos cirúrgicos e das quedas na mortandade entre mães e crianças, gostaria sim, é de compartilhar algumas informações e sugerir algum tipo de reflexão a respeito.
Dados da Organização Mundial de Saúde afirmam que somente 15% das mulheres necessitam de alguma intervenção na hora do parto, mas os números das maternidades do Rio de Janeiro mostram que as intervenções realizadas diariamente estão bem acima da média. O número de cesáreas feitas nas redes pública e privada é de 40%, e esse número fica obsceno quando consideramos somente a rede privada, vai para 80%.
Perdendo agora somente para o Chile, o Brasil sempre foi o campeão de cesáreas no mundo. Aqui, os partos ditos “normais”, estão cada vez mais sendo considerados anormais e incomuns.
Poderíamos dizer que entre os motivos mais recorrentes estão a dupla: tempo e dinheiro. Obstetras, principalmente os particulares, não costumam esperar as 12 horas de trabalho de parto. Se a mulher é internada muito cedo, eles acabam induzindo o parto, provocando o aumento da intensidade das contrações, e é como se o trem fosse arrancado dos trilhos, depois da primeira intervenção, várias outras se fazem necessárias, com o aumento da dor, vem a anestesia, que acaba interrompendo o processo natural e tudo termina numa rápida e prática cesárea de não mais que 30 minutos: corta, tira a criança e costura a mãe.
Mas existe um grande movimento, iniciado por mães, obstetras humanizados, enfermeiras-obstetras e doulas, que contestam essa prática. A idéia básica é que o obstetra só deve intervir se houver necessidade, fora isso, ele deve deixar o processo do parto transcorrer da forma mais natural possível. Por outro lado, existem todas as idéias do parto humanizado, que é menos traumático para o bebê e que gera seres humanos mais tranqüilos e saudáveis.
Depois de dar à luz numa cama inclinada, Valdilane amamenta sua filha
O obstetra francês Leboyer, que escreveu Nascer Sorrindo, fala da importância de um parto sem violência, com luz baixa, silêncio e amamentação precoce. Janet Balaskas, que escreveu Parto Ativo, nos conta que a primeira vez que um parto foi realizado em posição horizontal e numa maca hospitalar, foi para matar a curiosidade de um aristocrata europeu e para conforto da equipe médica. Bem, eu acho que nesta hora difícil de dor e introspecção, quem mais precisa de conforto é a mãe e não a equipe médica. Além do mais, a posição vertical na hora de parir conta com ajuda da gravidade e a posição de cócoras, tão comum entre as índias, proporciona 30% a mais de abertura para o bebê passar, o que diminui muito a intervenção chamada episiotomia, o corte que se faz (infelizmente também de rotina) na região do períneo.
Para a sorte das moradoras de Realengo, lá existe a Casa de Parto David Capistrano Filho, uma maternidade nos moldes humanizados, com tudo que uma parturiente tem direito, principalmente a liberdade de ir e vir durante o trabalho de parto, porque não dá para ficar deitada numa maca durante 12 horas seguidas sentindo dor. Lá, as mulheres podem caminhar, se alongar, tomar banhos quentes e escolher a melhor posição para parir, seja numa banheira, numa cadeira de cócoras ou até de quatro.
Também na Maternidade Alexander Fleming, em Marechal Hermes, um grupo de enfermeiras-obstetras atua pela humanização do parto. A repórter Gisele Netto e eu estivemos lá em 2003 para produzir uma série de reportagens para o site Beleza Pura, que continuam super atuais: Polêmica que é um parto e Parto humanista na prática.
Bem, são tantas coisas para dizer que este texto poderia não ter mais fim, mas deixo aqui alguns sites para ajudar na pesquisa das futuras mamães:
www.partohumanizado.com.br
www.amigasdoparto.com.br
www.casasdeparto.com.br
Sandra Delgado é fotógrafa e Editora de Fotografia do Portal Viva Favela
FONTE:Portal Viva Favela
Marcadores: humanização, maternidades, parto, sus
Médicos Cearenses analisam campanha do Governo Federal
escrito por: Tricia em segunda-feira, junho 12, 2006 às 10:56 AM.
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Jornal Diário do Nordeste
18/06/2006
Caderno NACIONAL
OPINIÃO (18/6/2006)
Médicos cearenses analisam campanha do governo federal
A ginecologista e obstetra cearense Fátima Dias, membro do Conselho Regional de Medicina, defende o incentivo ao parto normal, desde que obedecidos os critérios básico para que a mãe e a criança saiam saudáveis dos procedimentos.
Ex-presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Fátima Dias alerta para que os profissionais de saúde tenham a preocupação de fazer o parto ´com razão e não com a emoção porque, às vezes, no afã de fazer um parto natural, o médico pode prejudicar o feto´.
Ela considera importante a estratégia do Ministério da Saúde de estudar uma fórmula de pagar aos hospitais mais pelo parto normal do que por uma cesariana. Na verdade, o valor pago hoje a mais vai para o hospital, enquanto que os profissionais de saúde recebem menos quando fazem parto cesáreo.
De acordo com a tabela do SUS, um parto normal custa ao Governo Federal R$ 317,39, sendo R$ 186,05 para o hospital e R$ 125,84 para o médico. No caso de cesárea o total é de R$ 443,68, sendo R$ 314,21 para o hospital e apenas R$ 121,99 para os profissionais de saúde (médico e anestesista).
Fátima esclarece, ainda, que hoje o parto cesáreo é menos complicado do que no passado. Ele diz que a tabela, realmente, têm que ser invertida porque um parto normal, na maioria das vezes, dá mais trabalho porque pode durar até 10 horas.
Para o coordenador de políticas públicas da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Prefeitura, médico sanitarista Alex Mont´Alverne, existe no Brasil a ´cultura da cesárea´. Isto acontece há tempos, desde quando morriam de parto muitas mulheres, principalmente nas localidades mais distantes e despreparadas em termos de equipamentos cirúrgicos. Ele lembra, também, das parteiras contratadas, mas que nunca tinham os meios ideais para fazer o parto.
Ele confessa que há ´um certo comodismo por parte do médico e da paciente. O médico prefere marcar a cirurgia e a gestante não quer sentir dor´, acrescentou.
Assim como Fátima Dias, Alex elogia a iniciativa do Governo Federal de reduzir o número de cesáreas no Brasil, que chega a ser de 79% na rede privada de saúde. Pesquisas apontam que o maior número de partos cesáreos são preferidos pela gestantes com melhor poder aquisitivo.
NA LUTA (18/6/2006)
Abramge engajada no movimento pró-parto normal
Mesmo considerando um ´absurdo´ os atuais números de cesáreas no sistema suplementar de saúde, Arlindo de Almeida, presidente da Asssociação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), diz que esse panorama só será mudado com educação médica.
´O que podemos fazer é promover palestras sobre os riscos das cesáreas. Fica difícil vetar o procedimento se o médico está indicando e justificando o ato´, afirma Almeida, que é médico peditra. Segundo ele, hoje as mães são ´seduzidas´ pelos médicos a optar pela cesariana mesmo quando o parto vaginal não implica riscos à mulher ou ao bebê.
Estudos usados pela ANS na elaboração do relatório apontam que a alta prevalência de bebês prematuros, que geram problemas respiratórios graves, pode estar relacionada, em grande parte, às cesarianas e às induções do trabalho de parto realizadas antes da completa maturidade fetal.
´É um absurdo que se lance uma suspeita sem comprovação. Pode ser também que o número de prematuros se deva a baixo pré-natal e má alimentação da mãe. É muito fácil saber por que nasceu um prematuro´, disse Almeida.
Em 2004, no Brasil, ocorreram 2.552.766 nascimentos, desses 87,90% (2.243.779) foram atendidos pelo SUS e 12,10% (308.987) no setor de saúde suplementar. Dentre os nascimentos ocorridos no setor de saúde suplementar, 79,70% ( 246.264) foram de parto cesáreo. Para o mesmo período, o SUS registrou uma taxa de 27,53% de partos cesáreos.
Entre os 863.951 partos cesáreos do Brasil, 28,51% foram realizados no setor de saúde suplementar.
MATERNA E NEONATAL (18/6/2006)
Pacto quer reduzir em 70% as mortes maternas até 2024
Nesta série de reportagens sobre ´Qualidade na Saúde´ não poderíamos esquecer que desde 2004 o Ministério da Saúde mantém o Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal com meta de reduzir em 70%, até 2024, o índice de mortes de mães no período entre o pré e o pós-parto, e em 50% a taxa de óbitos de recém-nascidos, a fim de alcançar os índices considerados aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Até o final deste ano, a meta fixada é uma redução de 15% nos índices.
Fazem parte do pacto os governos federal, estados, municípios e a sociedade civil. Entre as medidas está a obrigatoriedade de que toda mulher em processo de abortamento, inseguro ou espontâneo, tenha direito a acolhimento e tratamento digno no SUS.
PÓS-PARTO NORMAL: a tranqüilidade e a segurança de enfermeiras, mãe e da criança
Segundo o Ministério, a taxa de óbitos de mães brasileiras é de 74,5 para cada 100 mil bebês nascidos vivos, enquanto a aceitável é de 20 para 100 mil. Já a taxa de morte de bebês está em torno 20 em cada mil, quando o índice da Organização Mundial de Saúde é de menos de dez por mil.
Segundo a OMS, cerca de 500 mil mulheres morrem anualmente no mundo durante a gravidez, o parto ou logo após o nascimento da criança. Dessas, cerca de 68 mil morrem em conseqüência de abortos feitos sem condições de segurança. Todos os anos, 3,3 milhões de bebês são natimortos, mais de 4 milhões morrem nos primeiros 28 dias de vida e outros 6,6 milhões não chegam ao quinto ano de vida.
Para diminuir esses números é preciso, como recomendam as Metas do Milênio, que mãe e criança tenham acesso aos serviços de saúde durante a gravidez, nascimento, período neonatal e infância.
ANTICESÁREA (18/6/2006)
SUS promete pagar mais pelo parto normal
A maioria das mães e dos médicos brasileiros prefere a cesárea ao parto natural no sistema privado, procedimento que chega a ser o triplo em relação ao SUS. Nada menos do que 79,7% das mulheres com convênio particular fazem cesárea. No SUS, a proporção fica em 27,5%. Para minimizar o problema, o Governo e anuncia que vai pagar aos hospitais mais por um parto normal do que por um cesáreo, ao contrário do que acontece atualmente.
Veladamente, médicos tentam relacionar a grande quantidade de cesáreas no Brasil ao valor pago pelo SUS a cada parto natural. Atualmente, o Sistema paga por um parto normal R$ 317,39 e R$ 443,68 por uma cesárea. Se esta for a razão, o problema deverá estar resolvido porque o Ministério da Saúde pretende inverter os números. A idéia é incentivar as mulheres e os profissionais de saúde a optarem pelo parto normal.
O próprio ministro da Saúde, Agenor Álvares, reconhece que para a mulher e para a criança, o mais interessante é que o parto seja normal´. A nova tabela está sendo estudada. Com isso, segundo o ministro, será possível diminuir o número até da mortalidade materna.
Considerado mais arriscado, a cesárea é o parto indicado pela maioria dos médicos por uma simples questão de comodismo. Ele marca o dia e a hora da cirurgia, não ficando sujeito a ser acordado de madrugada para atender sua paciente prestes a dar à luz. As mães, segundo pesquisa, preferem ´não sentir dor´.
A Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, pretende pactuar com as 1,5 mil operadoras de saúde uma redução de 15% na taxa de cesáreas num período de três anos. Estão engajados na campanha, além da ANS, a Associação Médica Brasileira, o Conselho Federal de Medicina, além de ONGs que atuam no setor.
O Ministério da Saúde trabalha com número globais de 2004, quando houve 2,5 milhões de nascimentos no Brasil. Desses, 87,9% foram atendidos pelo SUS, que apresentou uma taxa de 27,53% de cesáreas. Os demais nascimentos (12,1%) ocorreram no setor suplementar de saúde, com um índice de cesarianas de 79,7%.
O parto normal pode ser uma experiência enriquecedora para a mulher, se atendido de forma humanizada e sem intervenções desnecessárias.
Segundo a diretora do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Cristina Boaretto, as cesáreas aumentam riscos de morte, lesões acidentais, reações à anestesia, infecções e hemorragias das usuárias, além de prematuridade e desconforto respiratório dos bebês.
Pesquisas confirmam a o aumento de partos normais, daí a preocupação do Governo Federal. O número de cesáreas chega a 49% na Região Centro-Oeste, sendo as menores taxas registradas no Norte (25%) e Nordeste (20%).
Observa-se, ainda, que o parto cesáreo é mais freqüente na região urbana (41,8%) do que na região rural (20,1%) e mostra-se também fortemente associado ao grau de instrução da mulher, aumentando progressivamente com o número de anos de estudo. Existe, portanto, grande variabilidade das taxas de cesárea segundo as diversas unidades de análise: estados, municípios, bairros ou hospitais.
O modelo de assistência ao parto e nascimento no Brasil tem apresentado resultado muito aquém dos investimentos realizados pelo setor saúde, sendo as altas taxas de cesariana, mortalidade materna e perinatal as maiores evidências destes resultados desfavoráveis.
Estudos apontam que a alta prevalência de bebês prematuros parece estar relacionada, em grande parte, às cesarianas e às induções do trabalho de parto realizadas antes da completa maturidade fetal. Estes fatores têm sido apontados como umas das principais causas de morbi-mortalidade perinatal destacando-se, entre elas, a síndrome de angústia respiratória do recém-nascido.
Quando se analisa fetos de 37 a 38 semanas de gestação chega-se à conclusão de que eles possuem 120 vezes mais chances de apresentarem complicações quando comparados aos fetos com mais de 39 semanas. Em relação à mortalidade materna, estudos mostram que o risco é 2,8 vezes maior nas cesarianas eletivas sem emergência do que no parto vaginal.
Portanto, façamos uma reflexão para que novas ´vítimas´ não sejam ´usadas´ na indução do parto cesáreo. As crianças e a família brasileira agradecem.
Luciano Luque/Suzete Nocrato
Editora de Cidade
Marcadores: ceará, cesárea, governo, humanização, politica, sus
Humanização da Saúde no Ceará
escrito por: Tricia em terça-feira, maio 30, 2006 às 10:34 AM.
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Gestante e médico viram parceiros
"Humanizar o parto é respeitar e criar condições para que todas as dimensões do ser humano sejam atendidas: espirituais, psicológicas, biológicas e sociais", define a parteira Marilia Largura, autora do livro "A Assistência ao Parto no Brasil". Apesar da resistência de alguns obstetras, essa abertura já é uma exigência da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Ceará, a humanização do parto começou com o trabalho do professor José Galba Araújo, primeiro diretor da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), na década de 1980. Com a finalização do Projeto Luz, em 2001, pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), o assunto ganhou dimensão no Estado. Entraram em cena as doulas, mulheres capacitadas para acompanhar as parturientes durante a gestação, e surgiram Organizações Não-Governamentais (ONGs) engajadas em incentivar a autonomia das mulheres nesse processo e reduzir os altos índices de cesáreas no Brasil, o equivalente a 41% dos partos.
Avanços tecnológicos na medicina resultaram em mudanças no processo de gestação da mulher. Medicamentos, em alguns casos desnecessários para o bem-estar de mãe e filho, são ministrados com freqüência. Além disso, o medo e a desinformação das mulheres acaba, na maioria dos casos, em especial na rede particular de saúde, alimentando as altas taxas de cesarianas no País.
Em Fortaleza, de acordo com o obstetra Silvio Carlos Rocha de Freitas, assessor da Área Técnica da Saúde da Mulher, a humanização do parto surge para dar à mãe a permissão de conduzir o próprio processo de gestação. Dessa forma, "ela passa a ser tratada com mais respeito, tendo voz ativa".
Após o trabalho do professor José Galba Araújo, também como diretor da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), e o desenvolvimento do Projeto Luz, durante cinco anos no Ceará, pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), alguns hospitais em Fortaleza começaram a apresentar mudanças. À exemplo do Hospital Geral César Cals (HGCC), Meac e Gonzaguinha de Messejana.
Na década de 1980, o professor Galba Araújo já defendia o parto natural. Seu trabalho era direcionado à melhoria da qualidade do parto domiciliar e a necessidade de identificação das gestantes de risco. Para isso, desenvolveu atividades com as parteiras, função hoje extinta nos hospitais.
Apesar da resistência de alguns médicos obstetras, cresce o número de adeptos a essa filosofia, segundo Silvio de Freitas. Profissionais interessados em compartilhar com as gestantes as principais decisões do parto. Nesse processo, a mulher opina sobre o uso da episiotomia de rotina, da anestesia ou, ainda, a melhor posição para o nascimento, colocando a saúde do bebê e a sua em primeiro lugar.
A estrutura de alguns hospitais, entretanto, ainda dificulta esse processo. Evitando, por exemplo, a presença de um acompanhante durante o trabalho de parto, garantida pela Lei 11.108/ 2005.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 14 estudos científicos brasileiros e internacionais, realizados em mais de cinco mil mulheres, indicam que as gestantes acompanhadas no parto e pós-parto ficam mais tranqüilas e seguras.
Esperando o primeiro filho, a nutricionista Mônica Weyne já decidiu quem acompanhará seu parto. "Eu gostaria de ter a minha mãe ao meu lado, mas como ela é muito emotiva, será o meu marido". Na 37ª semana de gravidez, Mônica está muito tranqüila: "Meu médico é a favor do parto natural. Isso contribui muito".
Entre as ações do Ministério da Saúde para a humanização do parto, está o incentivo à redução das cesáreas desnecessárias. Em comemoração ao Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, celebrados hoje, o Governo lança, na próxima terça-feira, uma campanha nacional de incentivo ao parto normal.
O Centro de Parto Natural de Fortaleza, vinculado à Universidade Federal do Ceará (UFC), foi inaugurado em 2003 através de uma parceria com o Ministério da Saúde. O local ainda não realiza partos normais de baixo risco, mas funciona, no turno da manhã, para pré-natal e prevenção do câncer de colo do útero.
VANTAGEM
Ceará registra 34,4% de cesárias
As dores do parto normal levam milhares de mulheres a optarem pela cesariana. No Ceará, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), das 137 mil crianças nascidas em 2004, 34,4% foram de partos cesáreos.
De acordo com o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Ministério da Saúde, as cesáreas representaram, no mesmo ano, mais de 41% dos partos realizados no País. Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha o percentual máximo de 15%.
Na rede particular de saúde, o índice se agrava. Segundo pesquisa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 2004 aconteceram 2,5 milhões de nascimentos e a taxa de cesarianas no segmento privado atingiu 79,9%, uma das maiores do mundo. No Sistema Único de Saúde (SUS), o percentual é de 27,53%.
Apesar da mãe não poder programar o momento e a duração do nascimento do filho em um parto normal, é beneficiada com uma série de vantagens. Entre elas, há menos chances do bebê ser retirado prematuro do útero, não há cicatriz aparente, a recuperação pós-parto é mais rápida e a possibilidade de dores abdominais por aderências é menor, assim como hemorragias e infecções.
A cesariana, explica o médico Ricardo Gadelha, coordenador da emergência obstétrica do Hospital Geral César Cals, só é indicada para pacientes com registro anterior de dois ou mais partos cesáreos, ou em situações de risco, como o deslocamento da placenta. "A anulação da dor na cesárea é uma ilusão. Nesse tipo de parto, o sangramento é maior, assim como os riscos de infecção. No pós-parto, a recuperação é mais lenta", explica o médico.
No César Cals, conforme Gadelha, a média de cesáreas é de 40%. Em 2005, 52% das mulheres internadas no hospital eram pacientes de alto risco. "Ainda assim, a taxa de cesáreas ficou em torno de 40%", ressalta.
Para Socorro Moreira, representante da Organização Não-Governamental (ONG) Parto Princípio, as mulheres só devem permitir a cesárea quando a mãe ou o bebê estiverem correndo risco de morte. Depois do nascimento do primeiro filho, Socorro aguardou cinco anos para engravidar novamente e tentar um parto normal.
No nascimento do segundo filho, Juliano, Socorro passou 30 horas em trabalho de parto, acompanhada por uma obstetra em casa. Ainda assim, a cesárea foi necessária pois a vida do bebê já estava em risco. "O segundo nascimento fechou as feridas do primeiro. Eu fiquei bem. Dei à luz ao Juliano da melhor maneira possível. Eu lutei", lembra.
ASSISTÊNCIA
Parteiras são amigas das gestantes na Meac
De acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), realizada em 1996 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20% dos partos em áreas rurais e de difícil acesso aconteciam em casa com assistência de parteiras.
A Rede Nacional de Parteiras Tradicionais estima que ainda existam cerca de 60 mil mulheres em atividade. A maioria nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Na Meac, as parteiras das décadas de 60 e 80 retornaram ao hospital como “Amigas da Gestante”, em 2000, apenas acompanhando as futuras mamães durante o parto.
“A gente recebe a paciente e dá todo o apoio emocional, antes e na hora do parto. Às vezes , um carinho ajuda a relaxar”, conta Maria Gadelha.
Aos 78 anos, a ex-parteira guarda na bagagem a lembrança dos 42 anos de atividade. Há quem calcule mil partos em sua trajetória, mas Maria Gadelha acha exagero. Apesar de não saber o número, ela recorda com carinho todos os partos. Em especial, o nascimento de trigêmeos, em 1976, na Meac. “Tenho muita vontade de reencontrá-los”, conta.
Na última quinta-feira, Maria Gadelha recebeu uma homenagem da Secretaria Executiva Regional I. A sala do Conselho Regional de Saúde, inaugurada na ocasião, recebeu seu nome.
Reconhecendo o trabalho das parteiras, o Ministério da Saúde criou o Programa Trabalhando com Parteiras Tradicionais, em 2000, com o objetivo de reduzir o adoecimento e a morte dos recém-nascidos e das mães durante a gestação, parto e no período logo depois do parto. Mas o Ceará não participa do programa.
Nos hospitais, os obstetras substituíram as parteiras. Entretanto, elas continuam a atuar fora desse ambiente. “Se for uma emergência, eu faço. Como no nascimento do meu bisneto. A criança ia nascer dentro do carro”, conta Maria José da Silva.PROJETO LUZ
"Doulas" passam segurança à mãe na hora do parto
"No meu parto, a doula foi a interlocutora entre o médico e eu. Para ele, era só mais um procedimento. Mas a doula não, ela sabia realmente o significado daquele momento para mim. Ela estava preocupada com o meu bem-estar físico e emocional". O depoimento de Clícia Weyne, 30 anos, relembra a importância da doula durante o nascimento do primeiro filho, João.
Do grego "mulher que serve", a palavra "doula" ganhou força em Fortaleza após o desenvolvimento do Projeto Luz, uma parceria entre a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), finalizada em 2001. Na Maternidade Escola Assis Chateaubriand, as doulas acompanham as parturientes há seis anos.
Contemplada com a troca de experiências entre Brasil e Japão, a enfermeira obstétrica Ineida Sales atua como doula desde 1998. Em oito anos, acompanhou o parto de 122 mulheres na rede particular. Nos hospitais públicos, Ineida estima uma média de dez nascimentos diariamente.
"O parto humanizado vem para difundir a importância da participação da mulher nas decisões durante a gestação. O papel da doula, nesse processo, é transmitir segurança para a mãe e favorecer o seu conforto, com massagens e diferentes posições", diz.
"A doula olha no olho da mãe. Observa as emoções da mente e não apenas avalia a parte técnica do parto. A nossa preocupação é com os medos e receios". Por isso, explica Ineida, o papel da doula começa ainda na gravidez, ajudando na preparação da família.
Em encontros com os pais do bebê, ela orienta sobre as posições do parto e esclarece os mitos, relacionados ao bem-estar de mãe e filho.
Entretanto, a presença desse profissional ainda é rejeitada por alguns obstetras. A médica da publicitária Tricia Lima, 26 anos, se recusou a conhecer Ineida. "No caso da Clícia, o parto aconteceu como ela queria, porque toda a equipe médica era adepta ao parto humanizado. Já na gravidez da Tricia, a médica não quis nem me conhecer", lembra.
No plano de parto feito por Tricia, com o auxílio da doula, a futura mamãe demonstrou suas vontades: queria um parto de cócoras, sem anestesia, totalmente natural, ao lado do marido e da doula. "Quando mostrei meu plano para a médica, ela riu da posição e questionou a presença da doula", conta.
Enquanto esperava a filha Thaís, hoje com um ano e meio, Tricia pesquisava muito e questionava a médica. "Ela era minha ginecologista desde os 11 anos. Pensar em mudar de médica era muito difícil, então passei a acreditar que ela mudaria de idéia". No final, Thaís nasceu de parto cesário. Segundo a médica, estava com sofrimento fetal.
TECNOLOGIA
Voluntárias usam a internet para articular demandas
Elas deixaram os corações de mulher, gestante e mãe falarem mais alto. Por uma maternidade ativa, criaram a Organização Não-Governamental (ONG) Parto do Princípio. Mais de 200 mulheres voluntárias, espalhadas em 16 estados brasileiros, se comunicam, articulam demandas e dividem ações pela internet ( www.partodoprincipio.com.br).
O objetivo, de acordo com a representante da ONG em Fortaleza, Socorro Moreira, é lutar pelos direitos das mulheres e incentivar a autonomia nas decisões relativas ao seu corpo e do seu filho durante a gestação e pós-parto. "A rede valoriza e estimula o parto normal. Mas o nosso papel não é conscientizar, é apontar caminhos para a mulher pesquisar e tomar uma decisão informada".
Além de cuidar dos dois filhos - Mário (6 anos) e Juliano (6 meses) -, Socorro é bancária e psicóloga, nas horas vagas, assim como as demais voluntárias da ONG, contribui para o site com novas informações.
Artigos, depoimentos de partos, esclarecimentos sobre mitos, orientações sobre o plano de parto, entre outras dicas e truques, auxiliam as futuras mamães a encararem a gestação, o parto e a amamentação "como processos naturais, carregados de significado e beleza", como descreve Renata Penna, mãe das gêmeas Ana Luz e Estrela.
Juntas, a rede defende a humanização do parto. O que, para a jornalista Socorro Acioli, significa o respeito à forma como a natureza preparou a chegada dos seres humanos ao mundo. "Sentir o corpo se preparando, as contrações, a dilaceração do corpo, é tudo tão perfeito que não pode ser desrespeitado".
Para receber a filha Beatriz, Socorro optou por um médico humanizado. "Tive um pré-natal muito seguro. Ele [o médico] me dizia que o melhor parto seria o que fosse melhor para o meu bebê". Beatriz nasceu de parto normal, como a mãe desejava, às 7h40min do dia 7 de maio de 2003.
AMBIENTE
Hospital César Cals investe em salas de parto decoradas
A humanização do parto, conforme o Manual do Parto Humanizado, resultado do Projeto Luz, realizado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), começa pelas instalações da maternidade. A sugestão é transformar esse espaço em uma ambiente agradável.
O Hospital Geral César Cals (HGCC) já apresenta algumas dessas mudanças. Além da separação da área obstétrica das demais dependências do hospital, as salas de parto são individuais e bem decoradas. “A Humanização está associada a uma série de fatores: ambiente, internação e conduta”, destaca Ricardo Gadelha, coordenador da emergência obstétrica.
Entretanto, apesar das ações de humanização desenvolvidas no hospital - incluindo o Método Mãe Canguru e a Casa da Gestante -, a superlotação dos leitos e das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e de Médio Risco prejudicam o atendimento. “Em alguns casos, a paciente tem o bebê e continua na mesa de parto por falta de leito”, conta Gadelha.
Os recém-nascidos também arcam com as conseqüências. Esta semana, as duas UTIs neonatais estavam superlotadas. No espaço reservado para 21 crianças, havia 30 internadas. “Recebemos grávidas de vários municípios cearenses, inclusive Sobral, o centro de uma macroregião”, ressalta.
Acomodar esse número extra, explica Gadelha, “não é só colocar um berçinho a mais, exige uma equipe maior, o que acaba sobrecarregando os profissionais”.
Apesar das mudanças na área de obstetrícia, as salas de parto ainda não possuem espaço suficiente para a liberação da entrada de um acompanhante durante o nascimento do bebê.
Para as mães que aguardam, internadas no hospital, a recuperação dos filhos prematuros ou com baixo peso, é a saudade da família o único motivo para tristeza. “Aqui sou muito bem assistida. Tenho contato diário com minha filha, mas sinto muita saudade de casa”, conta Eneide de Souza, 22 anos, mãe de Ana Amélia, nascida há mais de um mês.
FONTE: Jornal Diário do Nordeste
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