Sempre um dilema: Normal ou cesariana?


escrito por: Tricia em segunda-feira, maio 14, 2007 às 3:09 PM.

A decisão sobre como colocar mais um pequeno ser no mundo normalmente está
com as futuras mamães. Mas não deveria. Pelo menos é no que acredita a
grande maioria dos médicos e o que recomenda a Organização Mundial da Saúde
(OMS). O ideal é que todos os bebês venham ao mundo da forma natural, desde
que não haja nenhum impedimento.

Seguindo a tendência de tornar o parto mais confortável e natural para o
bebê e para a mãe, o Ministério da Saúde mantém um programa de humanização
que recomenda práticas menos invasivas. Segundo a coordenadora técnica de
Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Maria José de Oliveira Araújo, as
ações vão desde o aumento do valor pago pelo parto normal até a formação dos
profissionais de saúde das principais maternidades do Brasil no que chama de
"boas práticas obstétricas"

As práticas em questão são as mesmas recomendadas pela OMS. Dentre estas,
estão a permissão de um acompanhante da escolha da mulher, incentivar que
ela caminhe e tome líquido durante o trabalho de parto e oferecer banhos
quentes e massagens para aliviar a tensão. "O parto se tornou uma questão
praticamente tecnológica, com procedimentos invasivos", explica. O uso
excessivo de medicamentos e as cirurgias cesarianas desnecessárias são
exemplos disso.

O Brasil é um dos campeões mundiais em realização de cirurgias de parto,
atrás apenas do Chile. Contrariando recomendação da OMS de que apenas 15%
dos partos aconteçam de forma artificial, o País realiza aproximadamente 42%
dos partos por cesariana no Sistema Único de Saúde (SUS). No sistema
suplementar (serviços privados e planos de saúde), o número sobe e pode
chegar a 89%. No Chile, a porcentagem chega a 50% na rede pública.

Em 2006, o número já diminuiu, mas ainda está longe do ideal. Foram
realizadas pelo SUS no Brasil 2.139.493 cirurgias de parto. Mais de 30%
foram cesarianas. Na Bahia, a porcentagem foi de 23%. O gasto excedente com
as cesarianas também é um fator contra o procedimento, já que o preço do
procedimento é 56% mais caro do que o parto normal. Em 2006, a média do
valor gasto no país foi de R$ 556,67 para uma cesariana contra R$ 356,61
para o parto normal.

"A cesariana é um instrumento importantíssimo para salvar a vida de mães e
crianças, mas pode acontecer justamente o contrário", alerta Maria José. Ela
explica que a cirurgia traz mais riscos de infecção, de bebês prematuros e
com baixo peso e hemorragias do que o parto normal. "Essas informações estão
cientificamente provadas, não há mais dúvidas", enfatiza. Como parte do
programa de incentivo ao parto normal, os hospitais públicos e conveniados
ao SUS têm um limite mensal de cirurgias que varia de acordo com as
características de cada unidade.

Maria José lembra que também há ganhos para o vínculo afetivo entre a mãe e
o bebê quando o parto é normal, já que o contato é imediato e o
recém-nascido não é separado da mãe. Quanto à dor, principal motivo alegado
pelas gestantes para a escolha da cesariana, ela lembra que o SUS paga
anestesia para partos normais, além das técnicas que podem ajudar a
parturiente a dar à luz com mais conforto e comodidade. Ela reconhece que
nem todas as unidades disponibilizam as "melhores práticas", mas garante que
o Ministério da Saúde deu formação a profissionais de 500 maternidades
públicas e conveniadas ao SUS entre 2004 e 2006 para as "boas praticas da
atenção obstétrica".

A experiência da comerciária Maria Ângela da Silva mostra que o atendimento
dispensado às gestantes na rede pública ainda não é satisfatório. Mãe de Ana
Beatriz, de 5 anos, e Leonardo, de 3, ela enfrentou a primeira vez em
trabalho de parto sem acompanhantes e sem atenção. "Fui deixada na sala de
pós-parto e depois fiquei lá sentindo dor sozinha até a hora de ter nenê",
lembra.

Quando avisou que estava prestes a dar à luz, já foi tarde e os médicos só
tiveram tempo de colocá-la numa maca. "Não chegaram nem a me levar para
outra sala", conta. No segundo parto, contou com a sorte para ter toda a
atenção merecida. "Como eu era a única parindo naquela hora, tive os
médicos, enfermeiros e até os estagiários só para mim, mas acho que fui uma
cobaia", brinca.

Ângela diz que não se arrepende do parto normal – apesar de não ter tido
escolha e só ter tido direito a uma anestesia na hora de receber os pontos.
"Dói muito na hora, mas depois é só uma cólica normal, o que toda mulher já
está acostumada", garante.
Fonte: A Tarde

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Tricia Cavalcante: Doula na Tradição, formada pela ONG Cais do Parto, mãe de três, e doula pós-parto.Moro em Fortaleza-CE.


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