Quando o sangue fica mais doce


escrito por: Tricia em sexta-feira, janeiro 05, 2007 às 10:56 AM.


Edição 158 - Jan/07


O bebê nasce rosado, gordinho, com mais de 4 quilos. Sinal de saúde de sobra? Em termos. O fato de o pequeno ser tão rechonchudo pode indicar que a mãe teve diabetes durante a gestação. E, tanto para a mãe quanto para o filho, o problema serve como um sinal de alerta: uma tendência de ambos terem diabetes tipo 2 no futuro (doença em que a pessoa não produz insulina suficientemente). Essa foi a principal conclusão de um estudo recém-divulgado no Congresso Europeu de Diabetes, que se realizou no final do ano, em Copenhague, Dinamarca. Durante mais de uma década, pesquisadores da MacGill University, em Montreal, Canadá, acompanharam mães que tiveram diabetes gestacional e sua prole - a maior parte nascida entre 1989 e 1991.

A pesquisa mostrou que essas mulheres apresentaram aumento nas taxas de açúcar no sangue ano a ano e os filhos tinham, na sua grande maioria, excesso de peso. "A gordura aumenta a resistência à insulina, dificulta sua ação", afirma o endocrinologista Airton Golbert, coordenador do Departamento de Diabetes Gestacional da Sociedade Brasileira de Diabetes. Mas a novidade não está apenas em comprovar suas chances de ter diabetes. A boa notícia é que a ciência também caminha para barrar o problema, e já existem estudos que mostram como isso é possível.

Doce, doce, doce

Mas, afinal, por que você deveria se preocupar em saber se seu sangue está doce demais durante a gravidez? Primeiro, porque cada vez mais mulheres estão sendo diagnosticadas com esse problema. E segundo - e mais importante -, se não for feito um controle rígido, o excesso de açúcar pode fazer mal ao bebê.

Atualmente, cerca de 7% das mulheres desenvolvem diabetes gestacional, e de 10% a 12% da população tem diabetes tipo 2. Só para ter uma idéia, na década de 60 esse índice, entre as futuras mães, não chegava a 1%. "Isso provavelmente está ligado ao aumento de peso da população em geral", diz a obstetra Marilza Vieira Cunha Rudge, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu.

Na gestação, o organismo feminino precisa produzir maior quantidade de insulina no pâncreas - a substância facilita a entrada da glicose nas células. Só que algumas mulheres não conseguem fabricar essa carga extra, e o resultado é o aumento de açúcar no sangue.

E é com esse sangue superdoce que o bebê vai se nutrir. Com tanto açúcar assim, não fica difícil entender por que ele nasce mais gordinho. Já as bochechas rosadas são conseqüência do aumento na hemoglobina glicosilada da mãe (células que carregam a glicose). As chances de a criança nascer prematura também crescem: a mãe com diabetes passa menos oxigênio para o
feto. Rechonchudo desse jeito, o parto normal se torna mais difícil.

As conseqüências não param por aí. No berçário, o bebê precisa ganhar atenção especial: é comum ter hipoglicemia (queda nos níveis de açúcar) e problemas respiratórios.

Após o parto, os níveis de açúcar da mãe se normalizam. "Mas algumas mulheres continuam diabéticas. Isso acontece, provavelmente, porque elas já tinham o problema, só que não sabiam", explica Marilza Vieira Cunha Rudge. O único cuidado agora é fazer um acompanhamento do problema e, claro, não abusar demais das guloseimas.

Diabética, por quê?

Antecedentes familiares, ter tido outro bebê com mais de 4 quilos ou estar acima do peso estão entre os fatores de risco para desenvolver o diabetes gestacional. Além disso, os médicos consideram que mulheres com mais de 35 anos têm maior propensão à doença: acredita-se que a partir dessa idade podem acontecer alterações na placenta que levam ao problema.

Como fica o dia-a-dia?

O tratamento é essencial para não prejudicar o bebê. Isso aumenta as visitas ao médico: no início, a cada três semanas; depois da 28a semana, a cada duas semanas; e a partir da 36a, toda semana. Normalmente o controle do diabetes acontece por meio da alimentação. O que não significa apenas cortar Docinhos e barras de chocolate, mas também reduzir a porção de carboidratos, que se transformam em açúcar no sangue. Em geral, aumenta-se a quantidade de proteínas ingeridas e de refeições também - de seis a sete por dia - : quanto mais fracionadas, melhor. Praticar alguma atividade física também é bem-vindo. O excesso de glicose é usado como energia para a prática do exercício.

Preciso de insulina?

São poucos os casos, mas algumas mães necessitam de aplicação diária de insulina. E estas precisam fazer um controle rígidoda glicemia, cerca de duas a três vezes por dia. Existem medidores digitais, bem fáceis de usar e com a necessidade de uma única gota de sangue.
Grávidas podem usar antidiabéticos orais? O FDA (órgão americano que aprova o uso de medicamentos nos EUA) ainda não deu seu aval para o uso de antidiabéticos orais, remédios que auxiliam no controle da glicemia, para gestantes. Existem diversas drogas que estão em fase de testes para, em um futuro próximo, ser usadas por gestantes com segurança. "A grande vantagem é que evitariam ou retardariam a Necessidade do uso da insulina injetável,
porque muitas mulheres não aderem ao tratamento por causa das picadas diárias", diz o endocrinologista Luiz Alberto Andreotti Turatti, da Unidade de Diabetes do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Estudos indicam que de seis a oito anos após a gravidez, quando a mulher teve diabetes gestacional, 50% delas desenvolvem o diabetes. Existem medidas simples que podem evitar isso. Uma pesquisa chamada DPP (Diabetes Prevention Program), feita há cerca de oito anos nos Estados Unidos, avaliou as mudanças do estilo de vida nas pessoas. O grupo que conseguiu melhorar a alimentação e praticar uma atividade física com regularidade não desenvolveu
diabetes. "A questão é que mudar os hábitos é uma das principais dificuldades de qualquer um"', diz o médico Luiz Turatti.

A ciência estuda outras maneiras de prevenir o diabetes por meio de medicamentos. A mais recente novidade na área - que também significa uma boa-nova para quem teve diabetes gestacional - é o uso de um medicamento da linha das glitasonas, a rosiglitasona. O estudo (chamado Dream) que analisou os efeitos dessa droga foi apresentado no último Congresso Europeu de Diabetes. A pesquisa foi coordenada pelo Population Health Research Institute, da Michael G. DeGroote School, na Universidade McMaster, no Canadá, e Hamilton Health Sciences, em Hamilton, Ontário. Foram três anos de análises, com 5.269 pessoas, em 21 países, incluindo o Brasil. No final desse período, 60% dos pacientes que usaram a rosiglitasona não
desenvolveram a doença. "Outro estudo também analisou o efeito de um tipo de glitasona em mulheres que tiveram diabetes durante a gestação. O medicamento reduziu o risco de elas terem o problema no futuro", conta Luiz Turatti.


FONTE: Revista Crescer

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Cesariana eletiva põe vida do bebê em risco, diz estudo


escrito por: Débora, em quarta-feira, dezembro 13, 2006 às 10:16 AM.




A taxa de morte neonatal entre filhos nascidos de cesariana foi mais que o dobro das mortes após o parto normal, mesmo depois que os pesquisadores ajustaram os dados para levar em conta questões socioeconômicas e de risco médico

WASHINGTON - Quando a gestação não é de risco, a taxa de mortalidade infantil e neonatal é maior entre bebês nascidos de cesariana do que entre os que chegam ao mundo por parto normal, de acordo com levantamento feitos nos Estados Unidos e que envolveu 5,7 milhões de nascimentos, com 12.000 mortes registradas num período de quatro anos. O trabalho, realizado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo americano, foi publicado no periódico Birth: Issues in Perinatal Care.
No geral, mostra o trabalho, a morte neonatal - nos primeiros 28 dias após o nascimento - foi rara entre os filhos de mulheres com gravidez de baixo risco, mas a taxa de morte neonatal entre filhos nascidos de cesariana foi mais que o dobro das mortes após o parto normal, mesmo depois que os pesquisadores ajustaram os dados para levar em conta questões socioeconômicas e de risco médico.
A principal autora do estudo, Marian MacDorman, diz que os resultados devem ser um "fator de preocupação para médicos e elaboradores da política de saúde pública". Ela destaca que cesarianas feitas em resposta a uma situação de risco salvam vidas de mães e filhos, e que taxa de mortalidade é baixa, mesmo entre as cesarianas eletivas, mas que a realização da cirurgia sem uma razão médica precisa pode estar expondo parte da população de bebês a um risco desnecessário.

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o que é sofrimento fetal mesmo?


escrito por: Tricia em segunda-feira, dezembro 11, 2006 às 11:19 AM.

"O sofrimento fetal é comumente utilizado como justificativa para cesárea, e certamente o termo é aterrorizante, que mãe pode ficar tranqüila com a suposição de que seu bebê se encontra em sofrimento? Por isso, e porque a maioria dos bebês com esse diagnóstico de sofrimento fetal nascem com bons escores de Apgar e com pH normal no sangue do cordão (o único exame que comprova se EFETIVAMENTE houve hipóxia, ou seja, redução do suprimento sangüíneo reduzindo a oxigenação fetal), o próprio Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras recomenda que se use o termo "freqüência cardíaca fetal não-tranquilizadora" (tudo bem que realmente não tranquiliza muito, mas ainda é melhor que "sofrimento") para se referir a determinadas alterações da freqüência cardíaca fetal que podem estar associadas com o comprometimento da oxigenação do bebê.

A freqüência cardíaca fetal (FCF) oscila NORMALMENTE entre 110 e 160 batimentos por minuto (bpm). Essa é a freqüência BASAL, porque tanto a movimentação fetal como as contrações podem acarretar ACELERAÇÕES da FCF, que são achados fisiológicos e tranquilizadores. ÓTIMO o bebê acelerar os batimentos nessas circunstânicas. Essas acelerações são consideradas SATISFATÓRIAS quando demoram pelo menos 15 segundos
e são da magnitude de pelo menos 15bpm. CUIDADO para não achar que o retorno à FCF basal é uma desaceleração, por isso a ausculta deve ser criteriosa, antes, durante e depois da contração, registrando-se a ocorrência ou não de movimentos fetais.

A DESACELERAÇÃO é quando, ao invés de subir, os batimentos caem durante ou depois de uma contração ou seguindo-se aos movimentos. Uma queda moderada durante uma contração em franco trabalho de parto ou com bolsa rota não é um achado não-tranquilizador, pode acontecer naturalmente pela compressão da cabeça fetal. Leves/moderadas desacelerações seguindo-se aos movimentos podem sugerir circular de
cordão. Profundas desacelerações DEPOIS das contrações, essas sim, podem ser patológicas, mas há que se checar se não estão associadas com o decúbito DORSAL, porque nessa posição há compressão aorto-cava e redução da oxigenação fetal, mas é um achado transitório que se reverte com a mudança para o decúbito lateral esquerdo. Se mesmo com a mudança de decúbito persiste o padrão de desacelerações, a
monitorização com carditocografia está indicada, porque há que se avaliar se o achado se associa com bradicardia ou redução da variabilidade da FCF. Desacelerações tardias e graves freqüentes em associação com bradicardia ou redução da variabilidade representam o padrão de FCF não-tranquilizador, que pode, de acordo com a fase do trabalho de parto e as características do líquido amniótico,
traduzir realmente má oxigenação fetal e indicar a cesariana (ou, em período expulsivo, um fórceps de alívio).

BRADICARDIA é a freqüência cardiaca fetal abaixo de 110bpm, isolada não tem valor prognóstico, se associada a desacelerações tardias indica possibilidade de hipoxia fetal.

TAQUICARDIA é a freqüência cardíaca fetal acima de 160bpm (cuidado para distinguir das acelerações), MANTIDA. Geralmente fisiológica, pode todavia associar-se a febre materna ou infecção fetal. Também se deve avaliar se há associação com outras alterações da freqüência cardíaca fetal.

Enfim, devem ser considerados vários parâmetros, porque o diagnóstico de "sofrimento fetal" geralmente é feito de modo inadequado. Uma ausculta cuidadosa permite o diagnóstico diferencial dos diferentes padrões de FCF e certamente, com cuidados como evitar hipotensão e adoção do decúbito lateral, reduzem-se os falso-
positivos tão freqüentes quando se asculta o bebê com a parturiente em decúbito dorsal.

por: Dra. Melania Amorim

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Parto normal pode fazer bem para a digestão do bebê


escrito por: Débora, em quarta-feira, dezembro 06, 2006 às 6:04 PM.




Para testar a hipótese, os pesquisadores analisaram as células intestinais de ratinhos nascidos tanto de cesariana quanto de parto normal





LONDRES - Nascer à moda antiga pode fazer bem para a digestão do bebê. Uma pesquisa realizada na Alemanha encontrou evidências de que ratinhos, ao deixar o útero da mãe e passar pela vagina da mãe, engolem material de bactérias que ajudarão os intestinos a se desenvolver direito. A descoberta sugere que crianças nascidas de cesariana podem estar perdendo alguma coisa, segundo nota publicada no serviço noticioso online News@Nature.
Multidões de bactérias amigáveis vivem normalmente em nossos intestinos, e as células que revestem os tubos intestinais não as atacam. Pesquisadores da Clínica Universitária de Friburgo, Alemanha, descobriram que, no caso dos ratos, os intestinos aprendem a deixar as bactérias "boas" em paz em algum momento durante o nascimento.
A equipe extraiu células intestinais de embriões de ratos antes do nascimento e as expuseram a uma molécula da bactéria. As células embrionárias reagiram produzindo uma inflamação. Mas as mesmas células, quando extraídas de um ratinho com um dia de vida ou adulto, não atacaram as moléculas.
Os pesquisadores acreditam que fragmentos de bactéria encontrados naturalmente na vagina e nas fezes da mãe acabam engolidas pelo bebê durante o parto. Essa exposição poderia estimular as células do intestino e treiná-las a tolerar as bactérias amigas.
Para testar a hipótese, os pesquisadores analisaram as células intestinais de ratinhos nascidos tanto de cesariana quanto de parto normal. Os nascidos pela vagina mostraram sinais de inflamação nas duas horas após o parto, sinal de que as células do intestino tinham sido ativados por moléculas estranhas; os nascidos de cesariana não mostravam sinais da ativação. A pesquisa é descrita no Journal of Experimental Medicine.

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07/11/2006 19:24:09
ONU lança programa para proteger bebês de infecções hospitalares

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que mais da metade das crianças recém-nascidas que entram em unidades neonatal no Brasil são afetadas por infecções hospitalares. 30% dessas crianças infectadas acabam morrendo. O alerta da agência de Saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) faz parte de um novo programa lançado pela entidade para promover a proteção dos pacientes.

Para a OMS, os dados são preocupantes. A qualquer momento do ano, cerca de 1,4 milhão de pessoas em todo o mundo sofrem de infecções hospitalares. Um quarto dos casos ocorre por causa de procedimentos cirúrgicos.

Entre 5% e 10% dos pacientes que ingressam nos hospitais nos países ricos adquirem uma infecção. Um a cada 136 pacientes que dão entrada em um hospital americano acaba seriamente doente. 80 mil ainda morrem por causa dessas infecções. Na Inglaterra, são cerca de 5 mil mortes por ano e 100 mil infectados.

A grande maioria, porém, está nos países pobres. 4,3 mil crianças morrem por dia nesses países por causa de infecções contraídas em hospitais. Nos países em desenvolvimento, a taxa pode chegar a 25% dos pacientes. No México, os cálculos apontam para 450 mil casos de infecção por ano.

No caso do Brasil, os dados mostram que a taxa de crianças que são infectadas, de mais de 50%, é bem maior que os registros nos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa é de apenas 14%, contra 7% na Europa. O ministro da Saúde, Agenor Álvares, afirmou que teria de avaliar os dados publicados pela OMS antes de se pronunciar. Mas alertou que as informações poderiam ser defasadas.
Outro problema é o número de transfusões de sangue com equipamentos infectados. Por ano, 160 mil novos casos de Aids, 16 milhões de hepatite B e 5 milhões de hepatite C são transmitidos em hospitais e centros clínicos em todo o mundo.

Os custos dessas infecções também são altos para as economias. Nos Estados Unidos os prejuízos chegam a US$ 5,7 bilhões por ano. No México, os custos somam US$ 1,5 bilhão.

Fonte: JORNAL O ESTADO

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Uso da vitamina K no período neonatal: parenteral x oral


escrito por: Tricia em quarta-feira, novembro 01, 2006 às 4:56 PM.



A vitamina K é necessária para a modificação e ativação de importantes proteínas do organismo, sendo um cofator essencial para a carboxilação dos fatores II, VII, IX e X da coagulação e das proteínas C e S, inibidoras da coagulação 30. Estes fatores são fisiologicamente mais baixos até 72 horas após o nascimento, e a administração da vitamina K reverte este quadro 26.

As filoquinonas (vitamina K1) e as menaquinonas (vitamina K2) estão presentes na natureza 8. A primeira é encontrada em vegetais e tem características hidrofóbicas; já as outras são produzidas por bactérias da flora intestinal normal 8. A vitamina K3, a menadiona, é um derivado sintético, apresentando menor eficácia e maior toxicidade, podendo inclusive, ocasionar hiperbilirrubinemia 24,25.

A partir da década de 60, após estudos do Comitê de Nutrição da Academia Americana de Pediatria comprovando que a vitamina K, administrada ao RN, era eficaz na prevenção de hemorragias, o uso intramuscular desta vitamina foi amplamente aceito 3. Dúvidas, entretanto, sobre a necessidade de todos os RN saudáveis receberem esta profilaxia, levaram alguns pesquisadores a estudar o uso da vitamina K por via oral, após comprovarem a absorção efetiva por esta via 8,12.

No Reino Unido, o ressurgimento da doença hemorrágica no recém-nascido foi descrito em 1983 16. Desde então, mudanças quanto à profilaxia e práticas de amamentação foram iniciadas 17. A maioria dos casos descritos não ocorriam durante a 1a semana de vida, mas sim, entre a 2a e 26a, com pico entre a 4a e a 6a semana 14.

Diferenças entre a doença hemorrágica clássica e a tardia têm sido observadas em estudos com RN saudáveis, que não receberam qualquer profilaxia com vitamina K 15. Devido à limitada transferência placentária e baixas concentrações no fígado fetal e neonatal, seus depósitos são extremamente reduzidos quando comparados aos de adultos 2. Portanto, nos primeiros dias de vida, o RN depende da vitamina K suplementada ou oriunda da dieta 2. A disponibilidade limitada de leite materno, no período neonatal precoce, pode ser considerada como uma das determinantes da deficiência desta vitamina 34. Além disto, neste período, a participação da flora intestinal como produtora de vitamina K, é desprezível 7. O início tardio da lactação, de qualquer maneira, não pode ser responsável pela sua deficiência tardia, pois apenas raramente o leite das mães de crianças afetadas apresentou concentrações extremamente baixas de vitamina K 34. Outro fator de risco para a sua deficiência poderia ser a má absorção intestinal, mesmo na ausência de colestase 33.

Marcadores bioquímicos têm valor limitado na magnitude desta deficiência, pois em populações de RN saudáveis, sem profilaxia e sem hemorragias, a prevalência do déficit bioquímico da vitamina K é superior a 50% 27,31.

Na deficiência de vitamina K aparecem precursores inativos que atualmente podem ser mensurados 23. O aperfeiçoamento de técnicas para se medir tais precursores da protombina decarboxilados ou só parcialmente carboxilados ­ também denominados de proteínas induzidas pela ausência de vitamina K (PIVKA I e II), que são funcionalmente inativos ­ propiciou a oportunidade de investigação precoce da deficiência subclínica da vitamina K, porém, a sensibilidade deste marcador é discutível, pois sua meia vida é de aproximadamente 50 horas 23.



Tipos de hemorragias por deficiência de vitamina K:

Vários padrões de doença hemorrágica por deficiência de vitamina K são observadas no RN 15,30:

A doença hemorrágica precoce do RN desenvolve-se nas primeiras 24 horas de vida; é incomum e geralmente observada em filhos de mães que receberam drogas que afetam o metabolismo da vitamina K, como por exemplo, fenitoína, warfarin, rifampicina e isoniazida, com risco de ocasionar sangramento em sistema nervoso central 4,36.

A doença hemorrágica clássica do RN ocorre entre o 2o e o 5o dia de vida, principalmente em neonatos normais, desenvolvendo equimoses generalizadas, sangramento gastrintestinal e, mais raramente, hemorragias intracranianas; a incidência desta patologia em RN de termo e saudáveis, sem profilaxia, varia de 0,25 a 1,7% 35.

A doença hemorrágica tardia tem sido cada vez mais reconhecida como uma importante patologia hemorrágica em crianças entre 4 e 6 semanas de vida, sendo o sangramento intracraniano extenso freqüente e acompanhado de uma severa coagulopatia pela deficiência de vitamina K, podendo ser idiopática ou secundária a uma desordem aguda ou crônica, sendo mais observada em crianças em aleitamento materno exclusivo, que não receberam nenhuma forma de profilaxia 10,14.

Os casos idiopáticos geralmente ocorrem entre o 1o e 3o mês de vida, e a razão para a deficiência de vitamina K não é tão clara, exceto quanto a sua associação com o aleitamento materno 28. No tipo secundário, as atresias congênitas de vias biliares, a hiperbilirrubinemia conjugada, as hepatites, a deficiência de alfa-1-antitripsina, a abetalipoproteinemia, as diarréias intensas, a doença celíaca, a fibrose cística, a antibioticoterapia prolongada e o uso crônico de warfarin são causas bem conhecidas de déficit de vitamina K, ocorrendo normalmente durante o primeiro ano de vida 28,29,32.

Ocorre também, um terceiro tipo, a deficiência subclínica da vitamina, que é detectada somente através de exames laboratoriais que detectam as formas inativas da vitamina K 32. Este screening em crianças aparentemente saudáveis, mostra uma alteração em 20%, permitindo considerar tais crianças como em estado de "hemorragia latente", portanto, com risco de desenvolverem a doença hemorrágica tardia 19,32.



Uso profilático da vitamina K

O objetivo da profilaxia é repor estoques da vitamina K, prevenindo assim, a instalação de hemorragias e não a correção de anormalidades bioquímicas, decorrentes da deficiência desta vitamina 35.

Atualmente, existem controvérsias acerca da melhor forma de administração profilática da vitamina K, oral ou intramuscular, levando-se em consideração a eficácia, efeitos colaterais, custo, aderência ao tratamento e condição sócio-econômica 22. Mesmo nos países desenvolvidos, adotam-se diferentes formas em sua prescrição 9,17.

Existem atualmente três grupos de conduta em relação à profilaxia da doença hemorrágica do RN 5. Alguns advogam a administração de dose única intramuscular, outros acreditam que doses seriadas por via oral seriam suficientes em crianças de baixo risco para a patologia e, uma minoria, não prescreve nenhum tipo de profilaxia 5,11.

É bastante aceito que a administração intramuscular de 0,5 a 1 mg de vitamina K, imediatamente após o nascimento, é eficaz na prevenção da doença hemorrágica do RN. Entretanto, esta rotina pode não ser a mais indicada, pois casos de seqüelas em crianças devido à injeção intramuscular, foram descritos 6. Por estas circunstâncias, alguns autores recomendam que esta forma de administração deveria ser usada apenas quando absolutamente necessária 13.

Por outro lado, a deficiência de vitamina K ocorre, em número bastante reduzido de casos, a despeito de sua administração profilática, tanto por via intramuscular quanto oral 10. Em quase 80% destes, o aleitamento materno era exclusivo e a idade média do aparecimento da hemorragia era de 30 dias 28. Acredita-se que alguns destes episódios poderiam ter sido evitados, caso uma dose suplementar da vitamina fosse administrada 9. Alguns estudos sugerem que a profilaxia com vitamina K parenteral teria um efeito protetor mais adequado contra a doença hemorrágica tardia 12.

Um estudo multicêntrico realizado nos anos de 1987 e 1988, para detectar precocemente um déficit significativo desta vitamina, em RN com aleitamento materno exclusivo, mostrou que seus níveis não variaram significativamente entre as várias formas de administração 17. Esta pesquisa tem suas limitações, pois os testes com protrombina não carboxilada são de difícil interpretação, porém encoraja o uso da forma oral como profilaxia também da forma tardia 28.

Outros estudos sugerem que a profilaxia oral é igualmente eficaz em RN de termo e saudáveis, cujas mães não receberam drogas que alterassem o metabolismo da vitamina K, principalmente visando uma adminsitração simples e de menor custo 16.

No final da década de 80, foi questionado se o uso de uma dose única de vitamina K por via oral seria eficaz na prevenção da doença hemorrágica tardia, pois a incidência desta parece ser menor quando a profilaxia intramuscular é realizada 28.

A experiência japonesa revelou que, ao se normatizar a profilaxia da doença hemorrágica neonatal com vitamina K oral, não houve alteração da forma clássica, porém ocorreu um discreto aumento da forma tardia, levando os pesquisadores a elaborarem um protocolo de prevenção desta, através da administração oral de doses repetidas para uma prevenção eficaz de ambas as formas 1,10,25.

Ainda não há uma opinião unânime quanto à associação entre a administração intramuscular de vitamina K e câncer na infância 13. Uma comparação entre fatores perinatais, mostrou um número significantemente maior de câncer em crianças que receberam a profilaxia da forma injetável 6. Estes estudos demonstraram que estas crianças apresentaram duas vezes mais probabilidade de desenvolverem câncer tardiamente, principalmente leucemia, tumores do sistema nervoso central, neuroblastoma, tumor de Wilms e linfomas, do que as crianças que não receberam profilaxia parenteral 6. Apesar destes resultados não terem sido confirmados em pesquisas posteriores, uma relação potencial entre a vitamina K intramuscular e o câncer infantil não foi definitivamente afastada 11.

Entre os fatores cancerígenos aventados, estariam a própria forma de administração, pelos altos níveis plasmáticos obtidos ou pelos adjuvantes da solução 13. Como estes fatores estão praticamente ausentes na administração oral, existe uma tendência atual para se utilizarem esquemas de profilaxia oral 6,30.



Considerações finais

Até o presente momento, não se dispõe de dados precisos para a profilaxia de doença hemorrágica em apenas um determinado grupo de recém-nascidos, portanto, preconiza-se a administração de vitamina K em todas as crianças, pois as conseqüências desta hemorragia podem ser graves, justificando uma ação preventiva eficaz 13,18,26.

Como obstáculo à administração oral da vitamina K na profilaxia da doença hemorrágica do recém-nascido, existe a evidência de alguns episódios da forma tardia, mesmo na vigência de uma profilaxia adequada logo após o nascimento 23. Considerando-se estes casos, torna-se necessária a suplementação de outras doses orais, antes da criança completar 1 mês de vida, por exemplo, na 2a ou 3a semana de vida 9.

Deve ser ressaltado que os recém-nascidos com maior risco para doença hemorrágica, a saber, prematuros com baixo peso ao nascimento, com complicações perinatais, filhos de mães que usaram anticonvulsionantes, anticoagulantes e tuberculostáticos na gestação, devem receber a profilaxia na forma intramuscular, no máximo até 6 horas após o nascimento 18,21. Recém-nascidos mantidos em jejum por períodos prolongados, devem receber semanalmente vitamina K intramuscular, na dose de 1 mg 30.

Um protocolo adequado para a administração da vitamina K oral para recém-nascidos de baixo risco seria a prescrição de 2 mg no dia do nascimento, após uma ou duas mamadas, suplementada por mais duas doses, também de 2 mg, com 15 e 30 dias de vida.

Para se prevenir a forma precoce da doença hemorrágica, a vitamina K pode ser administrada à gestante que utiliza drogas que afetam o metabolismo desta vitamina, na dose de 10 mg por via oral, a partir da 36a semana de gestação, sendo também eficaz na prevenção da forma clássica de hemorragia 18,20.

Crianças com alto risco para a doença hemorrágica tardia, devido a patologias malabsortivas, devem receber suplementação intramuscular de vitamina K mensalmente 33.



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24. SHEARER, M.J.; MCBURNEY, A.; BARKHAN, P. Studies on the absorption and metabolism of phylloquinone (vitamin K1) in man. Vitam Horm, 32: 513-42, 1974.

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36. YERBI, M.S. Risks of pregnancy in women with epilepsy. Epilepsia, 33: 23-7, 1992.


autora:

Renata S. Mascaretti ProençaI; Mário Cícero FalcãoII
Berçário Anexo à Maternidade do Hospital das Clínicas da FMUSP
IMédico Assistente
IIMédico Assistente. Doutor em Pediatria pela FMUSP

Endereço para correspondência
Dra. Renata S. Mascaretti Proença
Rua Fernão Dias, 128 - apto. 34
CEP: 05417-000 - Pinheiros - São Paulo - SP
Tel.: (011) 258-5561. Fax: (011) 280-0299

Recebido para publicação: 19/08/97
Aceito para publicação: 31/08/97

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Recém-nascidos sentem mais dor do que os pediatras acreditam


escrito por: Tricia em quarta-feira, outubro 18, 2006 às 4:38 PM.


PARIS - Os recém-nascidos sentem mais dor do que os pediatras acreditam, de acordo com um estudo inédito do Centro Nacional de Recursos de Luta contra a Dor (CNDR) publicado nesta quarta-feira no jornal francês "Lê Monde".

De acordo com o estudo, os bebês sofrem uma média de 70 gestos dolorosos durante as consultas médicas, dos quais só 60% são realizados com sedação ou alguma forma de anestesia administrada de forma contínua.

Na avaliação dos pesquisadores, as aspirações na traquéia (33%), as punções de sangue no calcanhar (28%) e aplicação na pele de diferentes adesivos (18%) são as práticas que geram mais dor. Foram avaliados, entre setembro de 2005 e janeiro deste ano, 431 recém-nascidos.

O estudo revela "uma freqüência extremamente elevada de gestos dolorosos praticados nas unidades de reanimação" e um uso "grande, mas insuficiente de meios analgésicos durante a realização dos procedimentos", explica seu diretor, Ricardo Carbajal, doutor do hospital infantil Armand-Trousseau, de Paris. Três quartos dos bebês
estudados em 13% de reanimação eram prematuros.

Os outros atos médicos foram estudados em cinco serviços móveis de urgências pediátricas da região parisiense.

Até os anos 70, a comunidade médica pensava que os bebês não sentiam dor física e inclusive eram feitas cirurgias sem anestesia. Agora, sabe-se que podem sofrer inclusive antes de nascer, a partir da 24ª semana de vida no ventre materno.

Fonte: O Globo

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Bebê pode ser machucado durante cesariana


escrito por: Tricia em quarta-feira, outubro 11, 2006 às 4:31 PM.

Thu Oct 12, 2006 5:28 PM BST139


NEW YORK (Reuters Health) - About 1 in 100 babies delivered by cesarean section are injured in the process, a new study shows. The risk of injury is influenced by the reasons for doing the c-section.

Dr. James M. Alexander, from the University of Texas Southwestern Medical Center at Dallas, and colleagues analyzed data from all 37,110 cesarean deliveries that took place at 13 academic centers between 1999 and 2000.

The overall rate of injury to the baby was 1.1 percent, according to the team's report in the medical journal Obstetrics & Gynecology.

Wounds to the skin accounted for more than half of the injuries. The next most common injury was severe bruising of the head, followed by broken collarbone, facial nerve damage, injury to the chest-arm nerve network, and skull fracture.

In women with a first-time c-section as well as those who had previously undergone the procedure, the highest rate of fetal injury occurred following an attempt to deliver through the birth canal using forceps or vacuum.

On the other hand, the lowest risk of injury was associated with elective repeat cesarean deliveries.

While c-section can prevent birth trauma in certain circumstances, it can also cause injury, Alexander and colleagues point out, as the current findings illustrate. "Women should be counseled that, although fetal injury is uncommon, it is not absent in cesarean delivery," they advise.

SOURCE: Obstetrics
& Gynecology, October 2006.

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porque os bebês choram quando nascem?


escrito por: Tricia em quarta-feira, outubro 04, 2006 às 4:15 PM.

vocês já pararam pra pensar nisso? Já perceberam que todo mundo sorri quando o bebê chora assim que nasce? É como um sinal de que tudo está bem, e quanto mais forte o choro, maior é a alegria, pois pensam que a criança tem força e saúde.

Um dia desses, um obstetra françês começou a se fazer essa mesma pergunta... Na verdade, ele vivia sempre correndo, atendendo mais de 30 partos por dia, no serviço público de saúde. Até que começou a se sentir vazio, e questionou se aquele estilo de trabalho era mesmo o que ele buscava... começava ali a procurar respostas para sua angustia.

Veja como era louco: inventou uma viagem para a Índia, onde ficaria hospedado na casa de um amigo, arrumou as malas e se mandou! Isso aconteceu em meados dos anos 70. Chegando lá teve contato com a cultura local e ficou extasiado!

Quando ele voltou pra Paris, escreveu o livro "Nascer Sorrindo" que ficou famoso mundialmente... Ele propôs um tipo de parto colocando o recém-nascido em primeiro lugar. Sugeriu que apagassem as luzes, dessem um banho morno no bebê, que o deixassem respirar ainda com o cordão umbilical pulsando... imaginem! Que loucura isso?

O nome desse cara maluco? Frederick Leboyer.
Quem se interessar, tem uma biografia dele nesse site.

Desculpe, acabei mudando de assunto... ainda não te respondi porque os bebês choram quando nascem.

Há um artigo excelente nesse site, sobre a fisiologia do processo que ocorre no corpo do recém-nascido após a transição entre o meio intra-uterino para o mundo. Especialmente sobre a circulação sanguinea. É ai que tudo começa. É ai que você começa a perceber como é perigoso cortar o cordão umbilical assim que o bebê nasce... porque é tão importante dar ao bebê essas DUAS formas de oxigenação.

Você já pararam pra pensar, porque cortam o cordão com tanta pressa? Porque? Será a tensão local, a pressa, ou o nervosismo do profissional?

Respirar assim que nasce, é como andar pela primeira vez. Se você dá sua mão, o bebê segura firme e assim, evita de se machucar não é? Então porque tiramos a "mão" assim que ele nasce, cortando o cordão umbilical antes que ele pare de pulsar?

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Cesáreas voluntárias resultam em mais mortes neonatais


escrito por: Tricia em quarta-feira, setembro 20, 2006 às 8:46 AM.

Um estudo recente com aproximadamente 6 milhões de nascimentos descobriu que o risco de morte de bebês nascidos através de cesarianas voluntárias é muito maior do que o se acreditava anteriormente.

Os pesquisadores descobriram que a taxa de mortalidade neonatal para partos do tipo cesariana entre mulheres de baixo-risco é de 1,77 morte a cada 1.000 nascimentos, enquanto a taxa para parto normal é de 0,67 mortes para cada 1.000. As descobertas foram publicadas na edição desse mês do periódico “Birth: Issues in Perinatal Care”.

A porcentagem de partos do tipo cesariana nos Estados Unidos aumentou de 20,7% em 1996 para 29,1% em 2004, de acordo com informações do artigo.

A mortalidade nas cesáreas acontece cerca de 1,5 mais vezes do que nos partos normais, mas assumia-se que a diferença era devido ao perfil de alto risco das mães que se submetem à operação.

Esse estudo, de acordo com os autores, é o primeiro a examinar o risco de cesarianas entre as mães que não possuem razões médicas para se submeterem à operação.

A má-formação congênita foi a causa principal da morte de neonatais independentemente do tipo de parto. Porém, o risco do primeiro parto cesárea de uma mulher persistiu mesmo quando as mortes por má-formação congênita foram excluídas do cálculo.

A hipoxia intra-uterina – a falta de oxigênio – pode ser tanto um motivo para a execução de um parto cesárea como uma causa para a morte, mas mesmo eliminando tais mortes, a taxa de mortalidade neonatal para cesarianas permaneceu a mesma nos casos estudados eram duas vezes maiores do que para partos vaginais.

“Mortes neonatais são raras em mulheres de baixo-risco – cerca de uma morte a cada 1.000 nascimentos – porém mesmo após dos ajustes sócio-econômicos e dos fatores de risco de ordem médica, a diferença permaneceu”, afirmou Marian F. MacDorman, uma estatística do Centro de Prevenção e Controle de Doenças e autora do estudo.

“Isso não é para deixar as pessoas realmente alarmadas, mas é preocupante dado que nós estamos vendo um aumento do número de cesáreas para mulheres sem riscos”, afirmou MacDorman.

Parte do motivo para o aumento da mortalidade pode ser que o trabalho de parto, que normalmente é desagradável para a mãe, é benéfico para o bebê ao liberar hormônios que promovem funções pulmonares saudáveis. A compressão física do bebê durante o trabalho de parto também é útil ao remover o fluido dos pulmões e auxiliando o bebê a se preparar para a respiração.

Os pesquisadores sugerem que outros riscos do parto cesariana, como possíveis cortes no bebê durante a operação e o estabelecimento tardio da amamentação, também podem contribuir para o aumento da taxa de mortalidade.

O estudo incluía 5.762.037 nascimentos e 11.897 mortes infantis nos Estados Unidos de 1998 até 2001, uma amostra ampla o suficiente para projetar conclusões estatisticamente apesar da morte neonatal ser um acontecimento raro.

Havia 311.927 cesarianas entre as mulheres de baixo-risco na análise.

Os autores reconheceram que o estudo possuía certas limitações, incluindo questões relativas à precisão das informações relatadas em nos boletins médicos de nascimento.

Tais dados são altamente confiáveis para informações como tipo de parto e peso do bebê, mas pode não relatar de modo ideal os fatores de risco da mãe e do bebê individualmente.

É possível, apesar de improvável, que o grupo que realizou uma operação cesariana fosse inerentemente o grupo mais arriscado, segundo os autores.

O dr. Michael H. Malloy, co-autor do artigo e professor de Pediatria na Universidade de Texas, afirmou que os médicos podem vir a querer utilizar tais descobertas ao alertar seus pacientes.

“Apesar das tentativas de controle de um número de fatores que podem ter aumentado o risco de mortalidade associado com as cesarianas, nós continuamos a observar os riscos suficientes para preocupações”, afirmou ele.

“Quando os obstetras revisarem tais informações, talvez elas promovam mais discussões dentro da comunidade obstetrícia sobre os prós e contras de se oferecer alas comunitárias para a conveniência da população e também promover mais pesquisas para que se descubra o porquê dos riscos persistirem”.


FONTE: New Your Times

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tudo farinha do mesmo saco


escrito por: Tricia em às 8:41 AM.

Kelly -"Doutor, não sei se a Dra Darluce falou com você sobre meu parto, mas quero saber se vc irá me assitir. Será em casa."

Dr P. - "sim falou... e eu me recuso."

(silêncio)

Kelly - "Posso perguntar uma coisa, com todo respeito? Qual a necessidade real de um pediatra num parto????"

Dr. T - "é fundamental."

Tricia - "o senhor poderia nos explicar como é o procedimento de um neonatologista num parto?"

Dr. P - (gaguejando) "eu pego o bebê, recebo e levo pra pesar e medir... reanimo se for preciso."

Tricia - "o senhor acha mesmo que isso não pode ser feito por uma enfermeira, ou pelo obstetra?"

Dr. P - "vocês tem que saber que os primeiros minutos de vida de uma criança são fundamentais, ela tem que receber oxigênio, se acontecer um problema podem haver danos neurologicos. Um bom neonatologista tem que estar esperando para animar a criança se for necessário. É fundamental ter um bom pediatra na sala de parto."

Kelly - "mas, doutor, eu sou uma gestante de baixo risco, meu filho é saudável, não vai acontecer nada..."

Dr. P - "acontece sim, crianças nascem com problemas. Uma vez peguei um bebê que nasceu sem braço, a pobe da mãe nem sabia! Absurdo... outro casos de complicações, bebê que nasce todo roxo, defeitos. Acontece muito."

Tricia - "O senhor nunca pensou que isso acontece devido ao modelo obstetrico hospitalar atual?"

Dr. P - "de forma alguma!!!!!!!!!!"

Tricia - "Mas doutor, isso é excessão! São casos raros..."

Dr. P - "eu trabalho com excessões."

Tricia - "pois eu trabalho com o normal, com casos que acontecem todos os dias. A maioria."

(meu marido me deu um cutucão, me calei. Levantamos, agradecemos a honestidade dele, e fomos embora... Saimos de lá contagiados com tanto negativismo... )

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** trecho de uma consulta ontem a noite com Dr. P - pediatra e homeopata.

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deu no new iorque taimes...


escrito por: Tricia em quarta-feira, agosto 09, 2006 às 6:22 PM.

Mais algumas noticias sobre os riscos que envolvem a cirurgia cesariana sairam no BBC e no NYTimes ontem.

Já falei pra vcs o que realmente penso sobre isto? Não? ...
Para mim, a cesárea nada mais é que o fruto de um sistema obstétrico falido.
Como diz uma amiga minha, as ricas cortam encima, as pobres cortam embaixo. Vc escolhe!
Então as mulheres brasileiras, cansadas, ou acomodadas, ou de saco-cheio da obrigação de serem 'super-women', preferem deixar esse assunto pra lá, e entregam seus corpos ao sistema, aos hospitais, aos médicos.

Algumas dizem:"eu deixei pra lá, confiei no meu médico e não me arrependo. Minha cunhada teve uma cesárea maravilhosa, a minha tia também, então essas pesquisas são a maior mentira..." (Como eu li ontem no orkut... milhares de comentarios assim. )
A única coisa que passou na minha cabeça naquele momento, foi "a que ponto chegamos!"

Como já dei muito murro em ponta de faca, eu escolho me CALAR. Sim, me calar. Cada um sabe de si, e o interesse por si mesmo deve vir de dentro. Não adianta eu chegar pra alguem e dizer "acorda" se a pessoa se quer abre os olhos, prefere viver sonhando, dormente, passiva...

Eis aqui as duas matérias completas, para quem quiser ler:
Bebês de cesariana têm mais risco de morte, diz estudo (BBC News).

Cesáreas voluntárias resultam em mais mortes neonatais(New York Times)

então me digam, quem realmente se importa com isso?

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QUEM  SOMOS
 



Tricia Cavalcante: Doula na Tradição, formada pela ONG Cais do Parto, mãe de três, e doula pós-parto.Moro em Fortaleza-CE.


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