Relato do meu Parto e Nascimento do Thiago – 17/02/2014 (versão editada em 01/08/14)


escrito por: Tricia em sexta-feira, novembro 14, 2014 às 11:02 PM.



Confesso que não me sinto a vontade de escrever um relato sobre algo que aconteceu na minha vida como se eu fosse a protagonista de uma historia épica com um proposito fenomenal, não. As coisas simplesmente foram acontecendo, e eu apenas fui me deixando levar, e assim vou contar pra vocês.
A verdade é que, nove anos depois, após as minhas duas experiências de cesárias, nunca em nenhum momento, ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, tive a intenção de tentar mais uma vez para experimentar o parto normal, ou para mostrar ao mundo do que eu era (ops, sou!) capaz. Não foi assim, ao contrário, o parto do Thiago foi uma lição pra mim, em muitos aspectos, assim como foram os outros dois, cada um em um tempo certo.
Em 2004, grávida da minha primeira filha, tornei-me ativista pela humanização do parto, contagiada pelo inicio do movimento na internet. Conheci muita gente, muitos profissionais que hoje em dia já são reconhecidos mundialmente. Discuti, briguei com a família, especialmente com meus pais, não podia ver uma grávida na rua, em qualquer lugar já começava a conversar e tentar convencer a todo mundo dos benefícios do parto normal.
Ótimo até aí. Mas naquele tempo, ter uma equipe preparada par atender um parto humanizado hospitalar era o mesmo que trazer a Beyoncé pra um show particular. Não existiam profissionais no setor privado que fossem favoráveis a pensar fora do sistema. Eu não cogitava o SUS como uma opção. Continuei com minha médica cesarista, e apesar dos tantos avisos de que “não se pode fazer um porco dançar”, acreditei que na hora H eu conseguiria parir normalmente com ela. E assim terminei com uma bolsa rota de 4 horas, um mecônio leve e amarelo ( até hoje tenho minhas duvidas se era mesmo mecônio), uma cesária com uma anestesia que não pegou direito, dores terríveis durante a cirurgia, manobra de kristeler, sedação total, resguardo super dolorido devido a RAC, e um ”?” que eu não entendia.
Em 2008, e bem antes disso, eu já queria tentar de novo. Sim, eu queria ter outro filho, sempre quis, mas eu também queria meu tão sonhado parto normal. Comecei devorando tudo o que podia sobre tudo, comprei livros, colecionei artigos, me tornei intima da Scielo. Engravidei após alguns meses. Compreendi que o parto domiciliar seria a melhor opção pra mim pois seria uma forma de fugir das intervenções do sistema por ser um VBAC1, e estudei tudo que pude sobre ruptura uterina. Estava decidida a ter o meu tão sonhado parto normal, agora natural. Só esqueci do mais importante: da minha saúde emocional, e corporal. Assim, ficando nervosa, brigando com todo mundo, anunciando aos amigos e parentes que teria um parto natural, comendo tudo o que queria e tinha direito, acabei tendo uma cesárea (frustrante, mas salvadora) após uma crise hipertensiva que evoluiu para eclampsia (Sim!!!), com direito a convulsão (não recebi sulfato de magnésio) na 34ª semana de gestação. João nasceu com apenas 1,800kg, e ficou 9 dias na UTI. Pense numa lição enorme: receber alta da maternidade e deixar seu filho lá. Passar dias na UTI ao lado do bercinho amamentando aquela coisinha miúda, rezando pra que o pediatra liberasse ele pra ir pra casa. O lado bom dessa historia foi que eu me envolvi com a realidade dos prematuros, e comecei a doar leite materno para os bancos de leite de Fortaleza. Enchia muitos vidros por semana, de dar gosto. E assim, meu João foi crescendo e engordando, mas ficou com algumas lembranças, e uma série de alergias até hoje. Eu decidi que não queria mais ter filhos, e muito menos pensava em parto normal. Pra mim era um assunto muito delicado, que eu evitava o máximo que conseguia.
Desde o parto do João eu havia mudado radicalmente minha alimentação: mínimo ou nada de glúten, açúcar nem pensar, industrializados, refrigerantes, doces jamais. Comecei a correr todo dia, praticava pilates e dança do ventre. Fiz isso por mim, pra me cuidar, e comecei a me sentir muito bem, obrigada. Até que comecei a ir trabalhar de bike. E um cansaço enorme me fez desconfiar que algo estava diferente. Até que em junho de 2013, totalmente por acidente me vi grávida do meu terceiro filho. E aí tudo mudou.
Primeiramente fiquei apavorada com a pré-eclampsia. Segundo a ultima médica eu nunca mais deveria engravidar pois a pressão alta é “herdada” de uma gestação pra outra. Primeira providencia: comprei um aparelho de medir a pressão, e fiz isso todos os dias até o TP. Além de continuar com a minha alimentação meio natureba, mas com muita carne (ninguém é de ferro). Tentei repousar o máximo possível, aprendi a não me estressar com uma série de problemas e pessoas ao meu redor (essa foi a parte mais difícil), e me concentrei o máximo que pude no meu processo, no meu corpo e no meu filho. Além da PE, tinha muito medo de parto prematuro (afinal Joao nasceu com 34 semanas).
Até que chegamos nas 38 semanas, graças a Deus! (Cada semana sem a PE era comemorada aqui em casa). Alguns dias antes vinha sentindo muita lombalgia, e muitas Braxton-Hicks indolores. Poucas cólicas, e muito irregulares. Até que no dia 12/fev, quinta-feira a noite, durante a rotina de estudo dos meninos, senti um “ploc” e um liquido escorrendo. (Putesgrila a bolsa tinha rompido sem inicio de TP! Ou pelo menos foi o que entendemos pela primeira experiência). A ansiedade tomou conta de tudo, pois, no meu primeiro parto esse tinha sido o motivo (seguido de mecônio) pra primeira cesária. Liguei pra equipe que acompanharia o parto, e fui informada que a minha médica costumava aguardar 24hs de bolsa rota no máximo. Ou seja, eu já tinha um relógio trabalhando contra mim, a partir daquele momento. (Hoje, alguns meses depois, analisando mais claramente o que aconteceu, percebo que não houve bolsa rota, e sim ruptura alta de membranas).
Depois de colocar os meninos pra dormir, comecei a fazer indução natural, seguindo orientação da minha parteira. Primeiro preparei um pirão de pimenta (nunca vou me esquecer do gosto daquilo!) com farinha e azeite. Depois chá de canela-gengibre-pimenta-alho, subi escada infinitas vezes, estimulei mamilos, tomei banho quente. Nada. Passamos a noite totalmente ansiosos e sem nenhuma contraçãozinha sequer. Fui dormir chorando.
Na manhã seguinte, acordei cedo, e fui fazer meus 40min de esteira, a parteira chegou, saímos e ela me acompanhou numa sessão de acupuntura (onde pedimos pra estimular o inicio do TP) onde rolou muito choro, mas nada ainda de contrações. Ela acabou indo embora, mas ficamos nos falando por telefone aguardando. Seria melhor pra diminuir minha ansiedade, tentar ficar em casa com muita paz. Pelas 11 da manhã, as contrações começaram timidamente, agora um pouco doloridas. E haja fazer indução natural. Falei com a médica, que pediu um ultrassom, saímos de casa a tarde pra fazer o exame: tensão, sala de espera, e cheiro de hospital eram ingredientes infalíveis para fazer as contrações pararem.
Resultado do US: liquido diminuído (mais ainda dentro do mínimo aceitável – 52mm), pois a ruptura da bolsa foi alta (viu!?). Sabendo disso, a médica me “deu” mais 24 horas pra entrar em TP, comemoramos. A noite pedi ao Dr. Teles mais uma sessão de acupuntura em casa, com eletro-estimulação. E naquela sexta-feira, voltei a sentir contrações somente a noite, muito tarde, depois do jantar, dessa vez eram mais claras, em ondas, com útero bem contraído na parte de cima, e muita cólica embaixo. Elas vinham sempre a cada 20-30min, e ainda estavam muito irregulares e suportáveis. Mas sumiram na madrugada.
Amanheci no sábado com vontade de correr uma maratona, cheia de energia, mas apavorada pois não tinha sinal de TP ativo. Falei com a médica, estávamos com 30hs de bolsa rota e nada. Ela pediu mais dois exames: hemograma (vamos ver os leucócitos!) e cardiotocografia do bebê, pois nosso risco era de infecção. Passamos a manhã no transito, chovendo muito, preocupação, salas de espera, cheiro de formol, e tensão... e assim as tímidas contrações que vinham a cada 30min, sumiram mais uma vez. Ao sair o resultado dos exames, todos normais, sem sinal de infecção, falamos com a Dra Liduina mais uma vez, que ficou mais tranquila, e me mandou ficar em casa bem calma, e aguardar o TP. Não falou em prazo (oba!) já estávamos com 3 dias de bolsa rota, e perda de liquido clara.
Continuei com o coquetel de chás e subindo mais uns trezentos andares de escada. Sábado a noite pedi ao Dr Teles mais uma sessão de eletro-acupuntura em casa. Assim passamos a noite com contrações irregulares. Nada de TP.
No domingo tentei ficar o mais concentrada e calma possível, mas foi difícil. Se eu não entrasse em TP naquele diz, provavelmente perderia o apoio da minha médica, e na segunda de manhã iria ao consultório dela talvez pra receber a guia de internação. Pavor. Domingo na mesma, muito chá, muita escada, banho morno. Nada. No fim da tarde comecei a me desesperar, chorei horrores achando que e o TP não começaria nunca. Perdi a fé nos chás, nas escadas, na dança, nas induções. Praguejei, gritei, chorei. Liguei pra parteira e chorei mais ainda.
Um pouco depois ela veio me ver e trouxe uma pessoa (muito importante) com ela pra conversar comigo: Priscila que me conhecia virtualmente desde o parto da Thais e também tinha uma historia de parto com bolsa rota. Fiquei muito feliz, mais calma e confiante, mas ainda estava apreensiva pelo apoio da médica, pois não tinha idéia de qual seria sua reação após 5 dias de bolsa rota. A tensão no relógio era imensa. Eu não aguentava mais tanta pressão (da medica, do marido, da parteira, de mim mesma)... Parei de me concentrar nas induções naturais, o TP começaria na hora certa, mesmo sem indução alguma. Parei de medir o tempo entre as contrações. Mandei todo mundo “pra aquele lugar”, me zanguei, não queria mais saber de porcaria de contração nenhuma, chorei, chorei. E foi aí que algo mudou.
Segunda-feira chegou depois de uma noite de contrações bem mais doloridas, tinha dormido mal, sentada na bola, a cada 15min sentia uma. Fui para o consultório da medica menos tensa, mas rezando muito pedindo discernimento a Deus e proteção de Nossa Senhora do Desterro. Se a médica me abandonasse, o que eu faria? Mas ao sentar naquela sala pra fazer mais um ultrassom, tive uma contração dolorosa. E ao olhar no olho dela, senti tanto carinho, e ouvi o que eu mais queria: ”vá pra casa, você está em trabalho de parto, você não precisa de mim”.
Fui pro meu quarto, e tentei me isolar de tudo. O apoio do meu marido também era fundamental, ele levou os meninos pra casa da vó, pra que eu ficasse sozinha. As contrações não foram mais embora. E a cada uma delas comemorava a chegada do meu filho. Sempre que sentia a onda, ficava de cócoras, ou encima da bola, dançava passos de dança do ventre, chamava por ele. A noite, depois que os meninos caíram no sono (e o marido também!) elas ficaram muito mais doloridas, e após as 20hs eu não conseguia mais encontrar posição confortável durante elas. Liguei pra parteira, pedi pra ela vir pra gente conversar (?), fui pra debaixo do chuveiro quente, nada adiantava.
Mas a partir daquele momento, elas vieram como um furacão. A cada 5 min, não sei, mas não dava pra descansar entre elas. Pedi pro marido encher a banheira, briguei com ele, gritei. Quando a parteira chegou estava dentro da banheira, quase na transição. Após alguns minutos, e com a banheira já cheia, as contrações já vinham a cada 1min. Ligamos pra enfermeira-obstetra. Mas não deu tempo, os puxos já estavam vindo. Mas como? Puxos? Fizemos um toque dentro da água pra ver a dilatação, aparentemente sem condições, pois eu estava numa posição bem difícil. Sem acreditar, ouvi que estava com mais ou menos 4 cm. Mas como? Já queria empurrar! Tentei segurar os puxos, mas não dava, era involuntário. E assim, após umas 3 ou 4 horas de TP ativo, meu filho nasceu.
Quem segurou meu filho foi a parteira na tradição Kelly Brasil, minha amiga de infância, que vivenciou esse processo comigo, por destino, por amor ao sagrado feminino. A enfermeira-obstetra chegou alguns minutos depois quando já estávamos na cama aguardando a placenta nascer. Tive apenas uma pequena laceração superficial que não precisou de pontos, e sarou após 2 dias.
Meu parto foi da maneira mais lenta e mais rápida que alguém poderia imaginar. Em nenhum momento eu tive a certeza de que daria certo, apenas do que eu queria pra nós dois. Não anunciei como seria pra ninguém, nem pra mim mesma, não planejei nada, não fiz plano de parto, não discuti com ninguém na internet, não disse nada nem pra minha médica. Queria apenas sobreviver a tudo, e me deixei levar pelos acontecimentos. E assim tive meu VBAC2 naturalmente na minha casa, no meu ninho, e dentro da água. Como eu sempre quis.
Não tenho palavras pra agradecer o amor e a compreensão das profissionais que me assistiram. No nascimento da minha primeira filha, não haviam grupos organizados pró-humanização em Fortaleza. Hoje elas conseguiram reunir tantas mulheres que querer parir! Me orgulho imensamente de vocês: Semiramis Ávila, enfermeira-obstetra, pelo profissionalismo e fé na Natureza e na vida. Dra. Liduina Rocha, pelo carinho e amor, e por acreditar em mim e no meu filho. E Kelly Brasil, minha amiga de infância e minha parteira, por não ter desistido de mim.

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"The Business of Being Born" 2007 Trailer


escrito por: Tricia em quinta-feira, junho 12, 2008 às 2:26 PM.

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*Estudo revela ausência de câncer de mama em índias*


escrito por: Tricia em segunda-feira, abril 30, 2007 às 5:03 PM.

19/04/2007 15:40*
Da Assessoria

No Dia do Índio, comemorado hoje (19.04), vale a pena dar ênfase ao primeiro
estudo em genética sobre a ausência do câncer de mama em índias brasileiras.
Trata-se de uma pesquisa inédita e revolucionária, coordenada pelo
especialista em Oncologia/Mastologia de Cuiabá, Guilherme Bezerra de Castro,
médico do Núcleo de Terapia Especializada em Cancerologia (Nutec) do
Hospital Santa Rosa. Em outubro do ano passado, ele divulgou o resultado da
pesquisa, realizada durante dois anos na reserva indígena de Sangradouro,
próximo ao município de Primavera do Leste.

Segundo o especialista, a observação com relação à ausência do câncer entre
a comunidade feminina indígena surgiu em 1993. "Na época eu trabalhava no
atendimento para o serviço público de saúde e tinha algumas índias como
pacientes em Cuiabá. O fato de nenhuma delas apresentarem este tipo de
câncer despertou curiosidade e levou ao questionamento, através de um estudo
detalhado sobre o assunto. Foi quando, juntamente com uma equipe
especializada, estruturamos um Centro de Pesquisa, criado especialmente para
o desenvolvimento deste trabalho", contou Dr. Bezerra.

Em 2001, foi coletada a primeira mostra de material biológico de 178 índias
da reserva. Esse material inclui peso, altura, coleta de sangue, além de
histórico reprodutivo e de amamentação de cada uma delas. "Uma mostra foi
utilizada para estudo genético e outra para estudo hormonal. É bom deixar
claro que toda pesquisa foi realizada com total consentimento dos índios e
da Funai. O estudo ainda teve o auxílio de três índios auxiliares de
enfermagem e a coordenação de um médico da Filadélfia", destacou o
especialista.

O estudo em genética sobre a ausência do câncer de mama em índias já ganhou
repercussão internacional, em três revistas americanas, e nacional. Ele
será, inclusive, discutido nesta quinta-feira (19) durante o programa "Sem
Censura", realizado ao vivo pela TVE-Rio de Janeiro, pela jornalista Leda
Nagli.

Fonte: Diário de Cuiabá

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Atendimento Personalizado


escrito por: Débora, em sábado, janeiro 06, 2007 às 10:04 PM.


Muitas mulheres estão optando por ter seu filho nas casas de parto, um ambiente menos tecnológico e mais aconchegante que o dos hospitais

Deborah Trevizan


Não é como nossas avós, que costumavam ter os filhos em casa, só com o auxílio de parteiras. Mas também está longe daquele aparato tecnológico encontrado nos hospitais. Nas casas de parto há sala, quarto, área de convivência e até jardim. Não há médicos e sim enfermeiras obstétricas. Concebidas para atender gestantes de baixo risco, todas elas atendem gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e acabam atraindo também mulheres que têm convênio médico particular que estão em busca de um atendimento mais personalizado e de um parto mais natural. "Elas procuram ainda a chance do acompanhante estar junto e o contato precoce com o bebê", completa a enfermeira Flora Maria Barbosa da Silva, que atua na profissão há dez anos e em casas de parto há cinco. No Brasil são sete casas em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Brasília, todas com atendimento 24 horas. Conheça um pouco mais sobre o funcionamento dessas casas.
● Quem pode ter filhos numa casa de parto?
Todas as mulheres que procuram as casas passam por uma triagem. As que têm doenças preexistentes como hipertensão,diabetes ,portadoras de HIV, as que tiveram partos por cesárea e as grávidas de gêmeos não são aceitas.Há também casos em que a mulher é aceita na triagem,mas durante o pré-natal apresenta alguma alteração na sua saúde ou na do bebê e, por isto, é encaminhada para o hospital.
● O que acontece se,de última hora, a mulher tiver de fazer uma cesárea?
Nas casas de parto não são feitas cesáreas. Em qualquer situação que fuja da normalidade e que se transforme em um parto de risco, é feita a transferência imediata para um hospital.Todas as casas devem contar com uma ambulância durante 24 horas, além da obrigatoriedade de equipamentos de monitoração e de emergência.
● O que acontece se o bebê tiver algum problema?
O atendimento de emergência é feito lá mesmo. São itens obrigatórios nesses locais equipamentos para reanimação do bebê e monitoramento dos batimentos cardíacos e do líquido amniótico durante o trabalho de parto, além de incubadora móvel para o caso de o bebê precisa ser transferido para um hospital.
● Quais profissionais trabalham em uma casa de parto?
A equipe é composta por enfermeira ou enfermeiro com especialidade obstétrica, um auxiliar de enfermagem, um auxiliar de serviços gerais e um motorista de ambulâncias. Não há médicos pediatras ou obstetras.
"Para a gestante de baixo risco esta forma de cuidado é suficiente e não há a necessidade de médicos", afirma o obstetra Jorge Khun, que trabalhou durante um ano em uma casa semelhante em Berlim.Mas não há consenso entre os médicos sobre a segurança do local. Uma resolução do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, inclusive, proíbe que os médicos trabalhem nas casas de parto "por não serem as mesmas dotadas de infraestrutura indispensável ao adequado atendimento à gestante, à parturiente e ao recém-nascido" .
Todas as casas de parto são gratuitas e ligadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). As grávidas passam por uma triagem e são aceitas as que têm uma gestação de baixo risco

● Que tipo de parto é realizado?
Um dos diferenciais de humanização nestas casas é a possibilidade de a mulher ter livre escolha da posição em que quer ter o filho. Não existem as tradicionais camas de parto como nos hospitais em que as mulheres ficam deitadas em posição ginecológica com os pés nos apoiadores. As posições mais usadas são a "semideitada" , a "de lado"e a de cócoras.A mulher tem à sua disposição chuveiros, banheiras, bolas para se exercitar durante o trabalho de parto e podem caminhar, inclusive nas áreas de convivência e externas.Pode ingerir alimentos e líquidos durante o trabalho de parto. Ela sai entre 12 e 24 horas após dar a luz.
● Elas são regulamentadas por lei?
Sim.Uma portaria do Ministério da Saúde regulamenta a criação dos Centros de Parto Natural, CPN's. Estes centros podem estar dentro ou fora dos hospitais.No caso das casas de parto, a localização é sempre fora e com a condução dos partos sendo feitas pelas enfermeiras. Todas são ligadas às unidades de saúde locais e algumas ficam próximas ou até anexas a hospitais.
● A mulher que opta em ter filho lá tem de fazer pré-natal convencional?
Sim.Toda mulher tem o direito e o dever de fazer o pré-natal desde o início da gestação,independente mente do tipo e do local para o parto escolhido.Ter feito um acompanhamento pré-natal é uma das exigências para que uma gestante seja aceita em uma casa, já que é uma forma de comprovar que a gestação está correndo bem e sem risco.

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o Luis Fernando Nasceu!


escrito por: Tricia em segunda-feira, dezembro 04, 2006 às 2:35 PM.

só pra registrar minha felicidade... hoje de manhã nasceu o filho de uma grande amiga minha!
Nasceu as 8:20h da manhã após um trabalho de parto de apenas 8 horas. O parto foi de cócoras, no hospital, totalmente sem intervenções. Emocionante!!!!!!!!

Vale ressaltar que um acontecimento desses aqui no Ceará é mais raro do que ver o Papa no Brasil. A médica que assistiu tudo foi a Dra Bárbara Schwermann, que assumiu o papel de boa parteira e fez valer a vontade da mãe no hospital.
=)

tô babando até agora...
Mas, não posso negar que tô chateada por ter perdido esse espetáculo (tinha um outro compromisso inadiável no mesmo horário), poxa! Será possivel!? hehehe

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video de parto sem episio


escrito por: Tricia em segunda-feira, novembro 20, 2006 às 10:50 AM.



Ainda na onda do ultimo post, trouxe esse video de um parto que aconteceu sem episiotomia.

É pra provar aos incrédulos que isso é possivel.. (acreditem, aqui no Ceará episiotomia é pra salvar a mãezinha de se "rasgar toda". Será que tem alguma coisa a ver essa lenda, com o mito de que cearense é "cabeça-chata"??? Deve ter... hohohoh)

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O renascimento do parto e do amor


escrito por: Tricia em às 8:31 AM.


Essa publicação do Michel Odent é simplesmente maravilhosa!!! É um excelente livro sobre todo tipo de amor... e como a ciencia explica a quimica que envolve os processos sexuais, do parto, e do vinculo entre mãe e bebê.

Ah! Também é um ótimo livro para os maridos que não acreditam no que a gente fala... sim, porque convencer o marido de que você quer um parto humanizado natural, dá uma trabalho danado.


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O renascimento do parto. ODENT, Michel. Florianópolis: Saint Germain, 2002.
134 p.

ODENT, Michel. Florianópolis: Saint Germain, 2002. 142 p.A cientificação do amor.


A presença de Michel Odent no Brasil no I Congresso de Ecologia do Parto e do Nascimento em 2002 foi acompanhada do lançamento do livro A cientificação do amor e da reedição revisada e ampliada de O renascimento do parto. Suas obras aliam a informação científica a uma linguagem simples e profundamente sensível, constituindo uma rica contribuição à discussão da humanização da assistência ao parto.

O renascimento do parto é um livro da década de 1980, em que ele relata sua
experiência como diretor de uma maternidade a 100 quilômetros de Paris. Descreve sua aprendizagem com as mulheres e as parteiras sobre a psicofisiologia do parto, provavelmente, como ele diz, por não ter passado por uma formação em obstetrícia. Seus princípios de “simplificação e eliminação de procedimentos desnecessários” da sua abordagem como cirurgião o nortearam em todo seu caminho como obstetra. A observação da busca espontânea das mulheres pela posição vertical no momento da expulsão levou-o a questionar o uso da mesa obstétrica, com a conseqüente passividade da mulher, e as dificuldades provocadas pelo parto horizontal. A construção de uma sala com uma cama larga e baixa, com cores quentes nas paredes, pouca luz, privacidade e silêncio, constituiu o que chamou de o “primeiro passo concreto para devolver o parto às mulheres”. Nessas condições elas poderiam se sentir livres física e emocionalmente para agir e se movimentarem.
Com o objetivo de promover o relaxamento e a entrega emocional das mulheres nesse período, surgiu o parto na água, sem que este fosse o objetivo, mas uma conseqüência do respeito ao desejo de as mulheres permanecerem na piscina na hora da expulsão do bebê. Todas as ações estavam inseridas em um ambiente institucional receptivo, afetivo e facilitador da intimidade entre a clientela e a equipe.

O livro é recheado de depoimentos e fotos calorosas de cenas de parto que nos emocionam e nos estimulam a propiciar essa experiência a todas as mulheres. Nessas condições, o autor evidencia como a mulher tem capacidade de parir se não atrapalharmos sua vivência. Torna claro como o ambiente ajuda a mulher a criar a própria ocitocina e endorfinas necessárias nesse processo. Desenvolve uma análise sobre como a estimulação química das contrações, a episiotomia, a analgesia, a obrigação de ficar na posição deitada, a amniotomia, o uso da palavra “Força!” e até
mesmo o treinamento de específicas respirações atrapalham a fisiologia do parto e a
espontaneidade da mulher. Desmistifica ainda a idéia de que o parto de cócoras e na água sejam
apenas voltados para as mulheres consideradas de baixo risco.
Para que a parturiente possa entrar em contato consigo mesma, condição necessária para o bom transcurso do parto, quem a estiver assistindo precisa exercitar também o contato consigo mesma/o. Esse é um belo ensinamento que Michel Odent oferece não só para o trabalho com o parto mas também para as diversas relações de cuidado com o ser humano, tais como as psicoterapias e diversas terapêuticas corporais. Odent é claro defensor de que a assistência ao parto seja realizada por parteiras, questão polêmica, entendendo que elas estão mais qualificadas emocionalmente para lidarem com a intensidade da experiência da mulher nesse momento e serem menos intervencionistas que os médicos.

A compreensão do parto como parte integrante da vida sexual e emocional da mulher proposta em O renascimento do parto é aprofundada em A cientificação do amor, obra datada do ano 2000. Neste livro, com uma abordagem profunda e interdisciplinar da vinculação amorosa, apresenta a compreensão das bases fisiológicas e a integração entre diferentes momentos da vida: o sexo, o parto, a amamentação e o amor romântico. Com uma linguagem simples, mas com riqueza de referências científicas, esta obra reflete em parte seu trabalho no Primal Health Research Center,1 em que são apresentadas pesquisas sobre a relação entre os diversos distúrbios emocionais (suicídio, anorexia, violência, drogadicção, autismo e esquizofrenia) e a ocorrência de perturbações no período primal, compreendido desde a vida intra-uterina até o primeiro ano de vida. Sua hipótese é a de que o cuidado com a forma como nascemos e com a vinculação amorosa mãe–bebê pode propiciar a construção de uma sociedade mais amorosa, menos destrutiva e de mais respeito pelos seres humanos e pela natureza. Propõe uma compreensão holística do nascimento, mostrando as relações entre os estados orgásticos, o parto, as diferentes formas de amor, a oração e as emoções místicas. O contato das mulheres consigo mesmas durante o processo do parto é fundamental. Nessa situação, as funções intelectuais neocorticais devem estar colocadas em segundo plano, facilitando a expressão de funções cerebrais mais instintivas, características do parto e do aleitamento. Observa como as mulheres
costumam entrar em estado especial de consciência, similar às emoções místicas e ao orgasmo.
Através de uma integração dos conhecimentos, indica uma possibilidade de reconexão do homem com as diversas partes de si mesmo.
Nesse sentido, Odent atravessa diferentes temas, sempre na busca da compreensão do que seria mais fisiológico na forma humana de amar e de nascer. Passa pela atração dos seres humanos pela água dentro da história evolutiva da nossa espécie, explicando como ela facilita o parto e a lactação; discute o nascimento de Jesus como modelo de encontro mãe–bebê e aprofunda a discussão sobre a recuperação da natureza biológica do nascimento.
Nessa nova edição apresenta ainda uma discussão sobre os distúrbios clínicos na gravidez, entendidos como conflitos na fisiologia da mãe e do bebê. Sua obra traz uma grande contribuição para o encontro da mulher com sua corporalidade, diminuindo a dissociação corpo–mente tão
incrementada na nossa cultura. Traz o desafio de compreendermos o biológico sem dissociá-lo os elementos culturais da formação das famílias. Nesse sentido, devemos refletir sobre suas atuais
colocações2 a respeito dos possíveis prejuízos da participação do pai do bebê no nascimento.
Apesar de ter sido tão estimulador dessa prática, apresentando várias fotos de pais apoiando as mulheres em O renascimento do parto, hoje ele discute que a presença do pai ou uma acompanhante pode prejudicar o processo de introspeção e entrega emocional da mulher. Buscando preservar a entrega da mulher ao parto, refere-se ao estímulo das funções intelectuais do néocortex com a presença de observador que coloque palavras e atitudes inadequadas.
Apesar de reconhecer que os maridos sejam a referência emocional das mulheres nas famílias nucleares urbanas, Odent não considera que os homens, segundo sua observação nos partos, teriam condições de acompanhar a experiência profunda de uma mulher em trabalho de parto. Exemplifica para a sua discussão o parto de animais e de seres humanos em diferentes culturas em que os machos são excluídos. Suas palavras nos remetem a uma compreensão essencialista de gênero, pautada no modelo de masculinidade hegemônica, em que os homens não teriam
sensibilidade e afetividade para acompanhar a vivência das mulheres, e em que caberia apenas a elas o cuidado com as crianças.
Nessa discussão, não podemos nos esquecer do envolvimento dos fatores psicossociais presentes em cada experiência humana. As pesquisas com pais participantes do parto3 revelam o valor do suporte emocional que eles podem oferecer às mulheres, já que o pai costuma ser a única pessoa
presente na sala de parto voltada exclusivamente para atenção ao estado emocional da gestante.
Além disso, a participação dos pais possibilita o compartilhamento do nascimento pelo casal em um período de crise com a chegada de um filho e o exercício da solidariedade entre homens e mulheres. Oferece ainda a oportunidade para a formação de vínculos pais–bebês, propiciando
uma experiência importante de uma paternidade afetiva na construção de novos modelos para a
masculinidade.4

Considerando a presente luta pelo direito da mulher de escolha de seu/sua acompanhante
no parto, a reflexão sobre o questionamento proposto por Odent indica a importância de que
os/as acompanhantes sejam preparados com informações e sensibilização para a experiência.
Além disso, as equipes obstétricas e pediátricas precisam ser treinadas para lidar com a família e a profundidade emocional do nascimento. A colocação dessa questão por Odent nos remete
ao desafio para a sua proposta de abordagem ecológica do nascimento em que a aliança entre
cultura e natureza deverá estar sempre presente.

Odent é um cientista revolucionário e um visionário da construção do que ele chama de era do Homo ecologicus, em que o cuidado com vinculação entre a mãe e o bebê no período em torno do nascimento possibilitará o desenvolvimento de uma sociedade voltada para o amor, onde o respeito ao outro e à natureza estejam presentes. A leitura de suas obras, sem dúvida alguma, é um grande estímulo para que cada um de nós, profissionais, mães e pais, receba as próximas gerações com mais amor.

1 Ver http:// primalhealth.com.

2 Esse questionamento sobre a participação dos pais
no parto está presente em A cientificação do amor, no
prefácio da segunda edição americana de O
renascimento do parto e no artigo Is the Participation
of the Father Prejudicial to the Birth?, publicado na
Internet em http://wwwçmidwiferytoday.com/fathers/
waterfamily, em 18 de abril de 2001.
3 BERTSCH T. D., NAGASHIMA-WHALEN, L., DYKEMAN, W.,
KENNELL J. H., and MACGRATH, S. “Labor Support by First-
Time Fathers: Direct Observations with a Comparison to
Experienced Doulas”. Journal of Psychosomatic Obstetric
Ginaecology, II, 1990, 251-260. CARVALHO, Maria Luiza
Mello de. A participação do pai no nascimento da
criança: as famílias e os desafios institucionais em uma
maternidade pública. 2001. Dissertação (Mestrado em
Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social) –
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
4 CARVALHO, 2001.

Autora: MARIA LUIZA DE CARVALHO
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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Parto Normal: um direito que se tornou uma conquista?


escrito por: Tricia em quarta-feira, novembro 01, 2006 às 4:55 PM.

por: Carla Beatriz***

Eu tive meus dois filhos de parto normal. Eu sempre quis ter um parto normal, desde muito pequena. Sempre encarei o parto normal com naturalidade e era isso que eu queria, quando tivesse meus filhos. Não conseguia entender e ficava extremamente desapontada, quando ouvia que as mulheres, uma atrás da outra, faziam cesárea para ter seus filhos, pelos mais variados motivos: falta de dilatação, falta de contração, cordão enrolado no pescoço, pressão alta, bebê muito grande, etc. Eu sempre fui a “diferente”, a que dizia para quem quisesse ouvir: que queria ter meus filhos de parto normal e, se possível, de cócoras e/ou na água. As pessoas me achavam, no mínimo, esquisita e com idéias loucas.

- Parto de cócoras? Igual às índias?
- Parto dentro d’água? Tá doida?!
- Espera para você entrar em trabalho de parto, para ver se você não vai implorar por uma cesárea!

Quando comecei a trilhar minha empreitada para ter um parto normal, não fazia idéia do que iria encontrar e o quanto a minha vida mudaria através dessa busca. Minha pesquisa na internet se iniciou pelo parto de cócoras, que era meu sonho de menina. Acabei descobrindo e encontrando muito mais do que poderia imaginar: descobri a humanização do nascimento. Descobri também o parto domiciliar, que não sabia ser uma opção viável no Brasil. Fiquei maravilhada com o que li e com as fotos que vi. Pensei comigo mesma: “É isso mesmo o que eu quero para mim!”. Mas claro, eu sempre fui a diferente, a esquisita, a radical, a que nunca fazia o que todo mundo faz. Sempre fui aquela que vai para a esquerda, se todo mundo vai para a direita. E vice-versa.

Mas será que as mulheres precisam ser assim na busca de um parto normal? O parto normal não deveria ser a regra, ao invés da exceção, como é hoje no Brasil? O próprio nome já diz: normal. Não é mais natural (normal!) deixar a natureza seguir o seu curso? Afinal de contas, nós mulheres, não fomos feitas para parir? Desde a nossa primeira menstruação, somos lembradas mensalmente que estamos prontas para abrigar um embrião em nossos úteros e para parir um bebê. Nosso corpo é especialmente preparado para abrigar um bebê por nove meses em nosso útero e, ao término desse prazo, ele se prepara para expelir esse bebê, culminando no parto. Será que somos assim tão diferentes das índias, das gregas, das romanas, das russas, das egípcias, das africanas, das esquimós ou das nossas mães, avós, bisavós e demais antecessoras, que desde sempre, tiveram seus filhos de parto normal?

Quando eu dizia às pessoas que queria ter um parto de cócoras e que não queria sofrer episiotomia, invariavelmente ouvia os seguintes comentários:

“As mulheres modernas não estão preparadas para um parto de cócoras. É necessário ter um bom condicionamento e estar em boa forma física.”
“A episiotomia protege o assoalho pélvico e previne problemas futuros na bexiga”
“Se os médicos fazem a episiotomia nas mulheres durante o trabalho de parto, é porque alguma razão tem. E não sou eu quem vai questionar isso.”
“Você vai fazer o que o médico mandar e pronto!” (Resposta de um estudante de medicina, ao me ouvir dizer que eu não queria sofrer uma episiotomia e que não iria permitir que o médico a fizesse em mim).

Será? Por que não posso questionar o procedimento que um médico vai realizar? Por que preciso ser uma atleta para ter meu filho de parto de cócoras? Por que tenho que me submeter a um procedimento a qual não desejo ser submetida? Por que tenho que me resignar a sofrer uma cesárea, se o que eu quero é um parto normal?

Eu resolvi desafiar esses questionamentos e provar, mais do que aos outros, a mim mesma, de que era capaz de ter meus filhos de maneira natural, de cócoras e sem episiotomia. Durante minha caminhada em busca disso, descobri que eu podia sim questionar o médico e não permitir que fizesse procedimentos em mim que eu não permitisse. Descobri que eu não precisava ficar do começo ao fim da gestação com o mesmo médico e que podia mudar segundo a minha vontade, até encontrar um médico que pensasse como eu. Vejo tantas mulheres que desejam ter um parto normal, mas que não querem trocar de médico, porque já estão acostumadas com esse, porque têm receio de mudar no final da gestação e, invariavelmente, acabam sofrendo uma cesárea desnecessária, quando podiam perfeitamente ter tido seus filhos de parto normal.

Cada vez que eu converso com as gestantes, questiono o posicionamento do médico em relação ao parto normal e recebo as mais variadas respostas:

- Meu médico é favorável ao parto normal, mas ele disse que só na hora é que saberemos se dará para fazê-lo.
- Meu médico é favorável ao parto normal, mas só se o bebê pesar menos do que 3.400 gramas! Acima desse peso, ele só faz cesárea!
- É muito cedo para eu conversar com o meu médico sobre parto normal, mais no final da gestação eu discuto a respeito com ele.
- Meu médico disse para eu não engordar muito, porque senão não conseguirei ter meu filho de parto normal.
- Meu médico disse que o parto de cócoras é para índias, que hoje, com toda a tecnologia que temos, não tem sentido fazer um parto assim. Além disso, as mulheres modernas não estão preparadas para ter um parto assim, porque não nos exercitamos o suficiente para ter os filhos desse jeito. As índias vivem agachadas, de cócoras e é mais fácil para elas terem os filhos!
- Eu perguntei à minha médica sobre o parto de cócoras e ela disse que de jeito nenhum, que não vai arriscar a minha vida e a de meu bebê em um parto assim!
- Ah, mas você não me conhece, meu médico vai fazer um parto normal em mim, porque eu vou dizer a ele que é isso o que eu quero e ponto!

Qual foi o desfecho para todas essas gestantes? Cesárea. Se o médico não acredita na capacidade da mulher de parir, não será uma gestante isolada que irá conseguir mudar sua maneira de pensar. Mais. É um sistema de crenças e tradições, assim como a maioria dos médicos acredita que a episiotomia de rotina é benéfica para a mulher, mesmo que evidências de estudos atuais mostrem o contrário.

Alguns médicos acreditam que uma episiotomia protege o pavimento pélvico contra lacerações. Um estudo de 2005 publicado no Journal of the American Medical Association, bem como outros estudos recentes, provam que esse é um pressuposto incorreto. Estas descobertas também mostram que não há evidências de que um corte no períneo proteja os músculos pélvicos.

Outra razão frequentemente citada para a realização de uma episiotomia é a crença de que um rasgão natural cura-se mais lentamente do que um corte instrumental. Isto não é verdade. Um rasgão natural vai recuperar muito mais rapidamente. Rasgar é muito mais seguro do que cortar, de acordo com um estudo de 1987 feito por J.M. Thorp e outros médicos, publicado na Obstet Gynecol.

Outro fato interessante, e que alguns estudos demonstraram, é que as mulheres que rasgam naturalmente durante o parto, retornam à atividade sexual mais cedo do que as mulheres "cortadas" pelo médico (Esta descoberta foi reportada por P.G. Larsson e outros médicos na edição de 1991 da of Gynecol Obstet).

(HILL, Heather. Episiotomia… É mesmo necessária?” BEBES.com.pt [online]. [Citado em 25 de maio de 2006]. Disponível no link: .)

Será que as coisas devem continuar assim? As mulheres devem continuar sendo submetidas a procedimentos e cesáreas desnecessárias, mesmo quando não é seu desejo original? O que precisamos fazer para mudar esta realidade no Brasil?

As mudanças em uma sociedade nunca ocorrem de cima para baixo. É necessário que as pessoas comecem a mudar sua maneira de pensar e que lutem pelo que acreditam, para que mais e mais pessoas possam ver que é possível fazer as coisas de maneira diferente.

Ainda somos poucas mulheres que trilhamos o caminho da humanização do nascimento. Muito poucas de nós conseguiram ter seus filhos de parto natural – de cócoras, na água, em casa, no hospital – e muitas outras não o conseguiram, apesar de seu desejo muito grande. A maioria enfrenta enormes dificuldades para ter um parto normal, a começar pelos médicos, que não acreditam na capacidade da mulher para parir.

O importante é que se saiba que é possível parir naturalmente no Brasil. Que há mulheres que conseguiram ter seus filhos de parto natural e do jeito que queriam, sendo respeitadas em seus desejos e durante o trabalho de parto. E que essas mulheres não querem que suas conquistas fiquem restritas a elas e sim, divulgar para as outras mulheres que uma outra maneira de parir é possível sim. É preciso querer e lutar. Muitas vezes, não vamos conseguir, mas a cada vitória obtida, mais um ponto é contado a favor da humanização do parto. Nós queremos. Nós podemos. Nós somos capazes de parir naturalmente. Somos mulheres e essa é nossa maior força.


Carla Beatriz Piuma Maise
Mãe de Gabriel Thomas, nascido de parto natural hospitalar e
de Melissa Nicole, nascida de parto natural domiciliar.
Secretária executiva.

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Centro de parto normal e assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente*


escrito por: Tricia em quinta-feira, outubro 26, 2006 às 4:52 PM.

autoras: Nilce Xavier de Souza Machado[1], Neide de Souza Praça[2]

RESUMO

Levando em conta os vários estudos e reflexões a respeito do novo modelo de assistência ao parto e nascimento assistência humanizada), e trabalhando como enfermeira obstétrica em um Centro de Parto Normal, surgiu o questionamento a respeito desse conceito, devido às diversas conotações dadas a esse termo. Este artigo foi produzido com a finalidade de divulgar nossa proposta de substituição da expressão “assistência humanizada ao parto”, por “assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente”, e de discorrer como essa assistência é prestada no Centro de Parto Normal do Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP), que segue um protocolo de condutas obstétricas e normas preconizadas pelo Ministério da Saúde.

DESCRITORES: Humanização do parto. Enfermagem obstétrica. Assistência centrada no paciente.


* Extraído da Dissertação:

“ Infecção puerperal em um Centro de Parto Normal”, Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), 2004.

1 Enfermeira Obstétrica do Hospital Geral de Itapecerica da Serra, SP. Mestre em Enfermagem Obstétrica e Neonatal pela EEUSP.
nxsm@ig.com.br
2 Enfermeira Obstétrica. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica da EEUSP.
ndspraca@usp.br.

Rev Esc Enferm USP
2006; 40(2):274-9.
www.ee.usp.br/reeusp/

INTRODUÇÃO
Desde meados da década passada, vem se disseminando pelo país um modelo de assistência obstétrica, recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que
realça a mudança no olhar do profissional de saúde sobre a parturiente e sua família. Trata-se dos Centros de Parto Normal.

Os Centros de Parto Normal atendem as normas preconizadas pelo Ministério da Saúde(1), conforme Portaria 985/99 GM. Constituem-se em unidades de atendimento ao parto normal, localizadas fora do centro cirúrgico obstétrico. Dispõem de um conjunto de elementos destinados a receber a parturiente e seus acompanhantes, permitindo um trabalho de parto ativo e participativo, empregando práticas baseadas em evidências recomendadas e que os diferenciam dos serviços tradicionais de atenção obstétrica. As primeiras recomendações para esta modalidade de assistência foram citadas pela Organização Mundial da Saúde, em 1996(2).

Vale destacar que os Centros de Parto Normal surgiram com o objetivo de resgatar o direito à privacidade e à dignidade da mulher ao dar à luz num local semelhante ao seu ambiente familiar, e ao mesmo tempo garantir segurança à mãe e seu filho, oferecendo-lhes recursos tecnológicos apropriados em casos de eventual necessidade. Seguem um padrão de procedimentos previamente estabelecidos e que direcionam as ações que realizam.

O estímulo à implantação deste modelo de assistência, no país, ganhou força, a partir da década de oitenta, quando o movimento de mulheres, no Brasil e no mundo, passou a questionar as práticas obstétricas de rotina e apresentar propostas para humanizar o atendimento(3).

Nesse período disseminou-se a divulgação de que na maioria dos países desenvolvidos a assistência ao parto e nascimento de baixo risco fundamenta-se na atenção prestada
por enfermeiras obstétricas e por parteiras especializadas, cuja formação está voltada para o suporte emocional e o atendimento da mulher e do recém-nascido, sem interferir no processo fisiológico do parto, permitindo à mãe vivenciar esse momento de forma prazerosa e segura. Este modelo de assistência prevê que, durante a gestação, a mulher tem a oportunidade de estabelecer o plano de assistência ao parto, junto com o profissional que a atende, e seu primeiro contato, como parturiente, se dá na primeira relação com os profissionais não médicos, garantindo-se, contudo, o acesso a níveis de assistência de maior complexidade.

Este movimento de mudança na assistência obstétrica envolve, também, legitimidade profissional e corporativa, com um redimensionamento dos papéis e poderes na cena
do parto, com o deslocamento da função principal no parto normal, do médico obstetra para a enfermeira obstétrica (procedimento legitimado pelo Ministério da Saúde), e do centro cirúrgico (palco da ação) para a sala de parto ou casa/centro de parto(4).

No espaço hospitalar, existe uma série de obstáculos para se implantar uma metodologia de assistência que promova o parto normal. A equipe de saúde não aceita com tranqüilidade a mobilidade da mulher, e ela própria sente-se pouco à vontade para decidir sobre os procedimentos de seu parto. Sobrepondo-se a essa situação, os Centros de Parto Normal tornam menos hierarquizadas as relações entre as parturientes e os prestadores de cuidados, e oferecem um ambiente onde a mulher sente-se mais à vontade diante dos eventos que a circundam(5).

O Ministério da Saúde(1), exercendo seu papel normatizador, implantou um conjunto de ações por meio de Portarias Ministeriais com o objetivo de estimular a melhoria da
assistência obstétrica e de regulamentar a atuação do enfermeiro obstetra na realização do parto normal sem distocia, aplicando práticas baseadas em evidências.
Essas considerações nos mostram a estreita relação entre os Centros de Parto Normal
e a assistência obstétrica baseada em evidências, ambos tendo a enfermeira obstétrica
como principal aliada e implementadora.

Considerando essa situação e levando em conta os vários estudos e reflexões a respeito do novo modelo de assistência obstétrica ao parto e nascimento - assistência humanizada em Centro de Parto Normal - julgamos que a expressão assistência humanizada não reflete a abrangência da assistência prestada nesses serviços de assistência ao parto e nascimento, o que originou nosso questionamento a respeito desse conceito. Acresce-se o desgaste do termo pelas diversas conotações a ele atribuídas.

Nossa trajetória profissional, como enfermeira obstétrica, com atuação em diversos serviços de obstetrícia, que seguiam o modelo tradicional de assistência ao parto foi
enriquecida pelo trabalho atual no Centro de Parto Normal de Itapecerica da Serra, SP, inserido em uma instituição que tem como objetivo a redução do número de cesarianas e o incentivo ao parto normal. Nele é adotada a tecnologia apropriada
ao parto e nascimento com estímulo à assistência que valoriza as necessidades da parturiente.

Essa experiência, agregada à vivência profissional anterior, motivou-nos a refletir sobre a abrangência do termo assistência humanizada, amplamente empregado pelos órgãos e profissionais de saúde ao tratarem dos Centros de Parto Normal. Este artigo, extraído de pesquisa anterior(6), foi produzido com o objetivo de justificar a proposta de adequação de nova terminologia à assistência prestada a parturiente em Centro de Parto Normal. Sua finalidade é divulgar nossa proposta de mudança de terminologia, melhor adequando o conceito de assistência humanizada ao parto. A expressão assistência humanizada não reflete a abrangência da assistência prestada nesses serviços de assistência ao parto e nascimento


JUSTIFICANDO A PROPOSTA

As presentes transformações no modelo assistencial direcionado à parturiente e a conseqüente valorização do trabalho da enfermeira obstétrica, nos Centros de Parto Normal, para a realização do parto e nascimento, remete-nos à importância de realçar o significado da relação entre assistência e Centro de Parto Normal.

As instituições deveriam propor-se a organizar os serviços de assistência obstétrica na perspectiva da promoção e da facilitação de um parto saudável, fisiológico e da prevenção de possíveis intervenções e agravos, inclusive aqueles resultantes da assistência, como a dor iatrogênica e a lesão genital da episiotomia desnecessária, entre outros(4).

A literatura é rica em trabalhos voltados à assistência à mulher que vivencia o ciclo gravídico-puerperal e que, em sua totalidade, emprega o termo assistência humanizada. Por sua vez, existem autores que referem que para trabalhar com humanização é necessário despojar-se da onipotência própria da formação médica, trabalhando com uma equipe multiprofissional em que o espaço de cada um deve ser respeitado(7).

Na assistência humanizada, demonstrar interesse e compromisso com o outro requer a conscientização dos possíveis dilemas éticos presentes nessa relação. Na proposta de
relação humanizada, as informações a serem transmitidas aos clientes e deles recebidas são fundamentais(8).

A humanização da assistência reside, também, nas relações interpessoais, em especial entre o profissional e o cliente e o acompanhante(9). O relacionamento entre paciente e profissional e instituição é fundamental para o processo de humanização, sendo
este composto por fatores como comunicação, empatia, conhecimentos técnico-científicos e respeito pelos seres humanos(10).

A humanização engloba uma série de diferentes aspectos referentes às idéias, aos valores e às práticas, envolvendo as relações entre os profissionais de saúde, os pacientes, os familiares e os acompanhantes, incluindo os procedimentos
de rotina do serviço e a distribuição de responsabilidades dentro dessa equipe. No entanto, tais fatores tornam- se fragmentados se a experiência do nascimento não
for reconhecida em seus aspectos emocionais(11).

Ao prestar assistência humanizada à mulher, que vivencia o ciclo gravídico puerperal, os profissionais devem desenvolver habilidades relacionadas ao contato com essa mulher, favorecendo sua adequação emocional à gravidez e ao parto(12). Podem também ajudá-la a superar os medos, as ansiedades e as tensões. No modelo humanizado de atendimento, a parturiente e seu acompanhante devem ser recebidos
pela equipe com empatia e respeito, considerando sempre suas opiniões, preferências e necessidades. Acreditamos que a assistência humanizada está representada na expressão assistência centrada nas necessidades da cliente e vale ser aqui apresentada em maior profundidade.

Não encontramos diferencial na assistência a que ambas de propõem, apenas cremos que a segunda apresenta maior amplitude para destacar a real assistência prestada
e os elementos nela envolvidos.

Consideramos que a assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente deva ser baseada não apenas em procedimentos e normas técnicas pré-estabelecidas, mas na valorização da individualidade, visto que o ser humano é diferenciado pela própria natureza por ser racional e possuir características específicas, como caráter, personalidade, sentimentos, opiniões, crenças, desejos, aspirações, valores próprios, dignidade e senso de justiça, que devem ser respeitados, considerados e valorizados. Ao assistir o indivíduo, o prestador do cuidado deve considerá-lo como um todo, com sua subjetividade e complexidade, sendo membro de um grupo familiar e de uma comunidade(13). Deve, ainda, identificar as mensagens enviadas pelo cliente/paciente e reconhecer seus códigos, compreendê-los e atuar de maneira a satisfazer as necessidades de atenção e de cuidado da clientela. Nesse processo de cuidar, não devem ser esquecidos o contexto de vida e os valores que o cliente traz quando de sua internação. Saber identificar as diferenças culturais e individuais contribui para a redução de desequilíbrios entre a assistência prestada e as necessidades básicas da cliente/paciente.

Nesse sentido, o cuidado deve ser oferecido de maneira holística, valorizando-se a pessoa que o recebe(14). Portanto, a parturiente deve ser considerada como um ser biopsico- sócio-espiritual, para a qual a assistência de enfermagem deve atender as necessidades. Dentre outras, devemos destacar a promoção de sua adaptação ao ambiente institucional e a interação harmônica com o contexto onde recebe o cuidado – Centro de Parto Normal.

As necessidades humanas possuem diversos conceitos, porém nenhum deles é definitivo. Assim sendo, é possível estabelecer bases para futuras abordagens e reformulações. Essas necessidades são universais e classificam-se em nível psicobiológico, psicossocial e psicoespiritual, diferenciando- se apenas no modo de satisfazê-las para cada indivíduo. A assistência das necessidades humanas básicas consiste em um trabalho de equipe, que visa ao autocuidado, a recuperação, a manutenção e a promoção da saúde em colaboração com outros profissionais(15). Como se vê, há estreita relação entre a filosofia de assistência que deve ser oferecida à mulher que vivencia o nascimento e o parto, e o Centro de Parto Normal. Julgamos oportuno, portanto, discorrer sobre a relação deste binômio - Centro de Parto Normal - assistência centrada nas necessidades da parturiente.

Discorrendo sobre assistência obstétrica
centrada nas necessidades da parturiente

Julgamos que o conceito de atenção obstétrica centrada nas necessidades da cliente melhor dimensiona o conceito de assistência humanizada, amplamente empregado, atualmente. Justificamos tal opção pelo seu caráter amplo que envolve um conjunto de conhecimentos, de práticas e de atitudes que visam não só a promoção do parto, mas também um nascimento saudável e a prevenção da morbimortalidade materna e perinatal, com início no pré-natal e garantia de que a equipe de saúde realiza procedimentos comprovadamente benéficos, para a mulher e para o recémnascido, que evite as intervenções desnecessárias, que preserve sua privacidade e autonomia, já que o nascimento é um evento fisiológico e mobilizador, considerado um dos fatos mais marcantes da vida(1). Existem autores que acreditam que as ações assistenciais para ser eficazes devem considerar não só as atividades técnicas, mas as expectativas da mulher. Toda a equipe deve estar atenta no sentido de oferecer-lhe apoio, atenção e respeito de suas crenças e valores, seus medos, suas necessidades(16). Conforme dito anteriormente, os textos com abordagem na assistência obstétrica prestada em Centros de Parto Normal reforçam o papel da humanização, porém, acreditamos que substituir esta expressão por assistência centrada nas necessidades da cliente mostrará a real abrangência da proposta de atenção desse novo modelo de assistência ao parto e nascimento.

Consideramos, outrossim, que a assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente caracteriza-se pelo direito à autonomia da parturiente, em que a informação é fator relevante, sendo a base principal para que tenha a liberdade de escolher ou recusar qualquer procedimento relacionado com seu próprio corpo, e que esta escolha seja pertinente e convergente ao seu bem-estar. Portanto, esta informação deve ser inteligível, exata, concisa, adaptada ao nível sociocultural e cognitivo de quem a recebe, para que o indivíduo possa ser capaz de, conscientemente, escolher qual a proposta para sua assistência que melhor se adapte, conforme seus princípios morais e éticos. Se não houver informação com qualidade, o direito de decidir adequadamente torna-se inexistente.

Vale esclarecer que, no Centro de Parto Normal, campo desse estudo, a parturiente e seu acompanhante são informados, constantemente, pela enfermeira obstétrica que os assiste, sobre a evolução do trabalho de parto e sobre eventuais mudanças de conduta para que possam colaborar durante todo o processo do trabalho de parto ativo até o nascimento. À cliente em trabalho de parto é permitido expressar seus sentimentos quanto aos procedimentos com os quais não concorda, cabendo à equipe, dentro de suas possibilidades, mudar a conduta de modo que a parturiente sinta-se segura em relação à assistência prestada.

Acreditamos também, que o empenho em manter o relacionamento entre os próprios profissionais e clientes, constitui- se parte da assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente, em que o respeito e a dignidade se tornem uma constante e sejam vistos como norma a ser praticada naturalmente. Vale acrescentar que ainda há maternidades que não oferecem assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente, pois não priorizam a individualidade, a cultura e os costumes de cada mulher. Submetem-na, no momento da internação, a rotinas preestabelecidas pela organização, e na maioria das vezes retiram-lhe o direito à privacidade. Para evitar essa situação, a instituição deve preocupar-se com as necessidades da cliente como princípio da assistência de enfermagem definido em sua filosofia, oferecendolhe condições que, muitas vezes, são representadas por recursos humanos qualificados, por materiais e equipamentos e pela apropriada estrutura física do local(17). Para essa visão ampliada da assistência obstétrica, chamada de atenção humanizada, propomos sua substituição pela expressão assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente, considerada por nós de maior amplitude e pertinente à implantação e implementação de Centros de Parto Normal.

Demonstrando a assistência obstétrica centrada
nas necessidades da parturiente aplicada
em Centro de Parto Normal


Acreditamos ser oportuno citar que a assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente é plenamente desenvolvida no Centro de Parto Normal de Itapecerica
da Serra, SP, pois este segue os procedimentos definidos pelo orgão gestor máximo do país para a atenção à mulher durante o parto e o nascimento. Esta unidade, cujos partos são atendidos por enfermeiras obstétricas, realizou 10.559 partos normais no período compreendido entre janeiro de 2000 e janeiro de 2003.

A assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente caracteriza-se pelo direito à autonomia da parturiente

A seguir, destacamos os procedimentos adotados por esta unidade de atenção ao parto normal, os quais reforçam nossa certeza quanto à proposta de mudança de terminologia(18). No Centro de Parto Normal de Itapecerica da Serra, a parturiente conta com dieta livre, tem direito a um acompanhante de sua escolha, tem liberdade para movimentação durante o trabalho de parto, é estimulada à adoção de métodos não farmacológicos no alívio à dor - banho de aspersão e de imersão para relaxamento, massagens na região lombossacra, exercícios de respiração e de relaxamento, estímulos a movimentos corpóreos, tais como abaixar, levantar e balanço pélvico – o acompanhante é estimulado a participar na realização de massagens relaxantes para alívio da dor, são estimuladas as eliminações espontâneas (micção e evacuação). É a parturiente quem autoriza a realização do exame tocoginecológico, com respeito a sua privacidade. O profissional deve considerar o desejo de independência da parturiente no início do trabalho de parto e sua dependência no final deste, deve estimular a ingesta hídrica, realizar monitoramento fetal pela ausculta intermitente, usar o partograma, encorajar o parto em atmosfera favorável, permitir interação entre mãe e filho, estimular o contato pele a pele imediatamente após o nascimento, bem como o aleitamento precoce com estímulo à amamentação na primeira meia hora após o nascimento, estimular o vínculo afetivo com a secção do cordão umbilical pelo acompanhante, em condições estéreis, prevenir hipotermia do recém-nascido, favorecer a dequitação fisiológica com exame rotineiro da placenta e de membranas ovulares, permitir que a família fotografe o parto e o nascimento se desejar, autorizar alta precoce pós-parto para mãe e filho, com retorno ambulatorial após 48 horas, para consulta de ambos. Ao acompanhante é permitido o esclarecimento de dúvidas sobre condutas e procedimentos, bem como o estímulo à participação em todos os procedimentos durante o trabalho de parto e o parto.

Com esta relação de condutas recomendadas pelo Ministério da Saúde, e definidas no protocolo de atendimento da unidade, acreditamos que conseguimos caracterizar a amplitude da assistência obstétrica prestada à mulher em Centros de Parto Normal, a qual, com base nos estudos anteriormente citados e em nossa experiência profissional, seria melhor caracterizada como assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vale ressaltar que mesmo comprovado por evidências, o modelo assistencial empregado nos Centros de Parto Normal é gerador de resistências entre profissionais da área da saúde que têm dificuldade em admitir que a assistência obstétrica prestada nessa unidade é coerente com uma proposta de atenção integral à mulher em trabalho de parto.

Acreditamos que, por tratar-se de unidade com proposta inovadora, os Centros de Parto Normal em funcionamento, atualmente, no país, constituem-se em ricas experiências assistenciais e de ensino, tanto para os profissionais, quanto para os estudantes da área da saúde, mas em especial para as mulheres neles atendidas, pois podem usufruir de sua autonomia durante a atenção recebida. Cabe a nós, enfermeiras obstétricas que atuamos nessas unidades, divulgarmos nosso trabalho, favorecendo, portanto, a troca de experiências; assim, estaremos contribuindo para a disseminação da proposta deste modelo de assistência. A dimensão dos fatores assistenciais, profissionais e institucionais que regem a filosofia dos Centros de Parto Normal reforçam nossa proposta de substituição da expressão assistência humanizada para assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente.

REFERÊNCIAS
(1) Brasil. Ministério da Saúde. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. (FEBRASGO) / Associação Brasileira de Obstretrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO). Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher. Brasília; 2001.
(2) Organização Mundial de Saúde (OMS). Maternidade segura. Assistência ao parto normal: um guia prático. Brasília; 1996. (OMS/SRF/MSM).
(3) Costa Filho CF. Tratado de obstetrícia FEBRASGO. Rio de Janeiro: Revinter; 2000. Infecção puerperal. Cap. 28, p. 380.
(4) Diniz CSG. Entre a técnica e os direitos humanos: possibilidades e limites da humanização da assistência ao parto [tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina da USP; 2001.
(5) Osava RH. Assistência ao parto no Brasil o lugar dos nãomédicos [tese]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da USP; 1997.
(6) Machado NXS. Infecção puerperal em um centro de parto normal: ocorrência e fatores de risco [dissertação]. São Paulo: Escola de Enfermagem da USP; 2004.
(7) Fabre ZL, Tobias L, Berreta IQ, Santiago ML. Humanização em UTI pediátrica: a equipe e a família. Arq Catarinenses Méd. 1992;21(1):34-7.
(8) Guimarães RL, Lunardi VL. O dilema ético frente à necessidade de revelação do diagnóstico de infecção hospitalar. Texto Contexto Enferm. 2000;9(2):137-46.
(9) Basile ALO, Pinheiro MSB, Miyashita NT. Centro de parto normal: o futuro no presente. São Paulo: JICA; 2004.
(10) Malik AM. Humanização. Coren-SP. 2000;(29):2-5.
(11) Rattner D. Humanizando o nascimento e parto: o workshop. In: Síntese do 1º Seminário Estadual Qualidade da Assistência ao Parto: contribuições da enfermagem; 1998 maio 14-15;
Curitiba. Curitiba: ABEn - Seção PR; 1998. p. 24-5.
(12) Carneiro LM. Parto humanizado: humanizar é preciso. J Rede Saúde. 2000;
(20):16-7.
(13) Cianciarullo TI. A avaliação do sistema de assistência de enfermagem como base do desenvolvimento do conhecimento na enfermagem. In: Cianciarullo TI, Gualda DMR, Melleiro MM, Anabuki MH. Sistema de assistência de enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone; 2001. Cap. 16, p. 293-302.
(14) Souza MF. As teorias de enfermagem e sua influência nos processos cuidativos. In: Cianciarullo TI, Gualda DMR, Melleiro MM, Anabuki MH. Sistema de assistência de
enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone; 2001. Cap. 2, p. 29-39.
(15) Horta WA. O processo de enfermagem. São Paulo: EPU/Edusp; 1979. p. 33-4.
(16) Paschoal MLH, Rogenski NMB. Sistema de assistência de enfermagem perioperatória. In: Cianciarullo TI, Gualda DMR, Melleiro MM, Anabuki MH. Sistema de assistência de enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone; 2001. Cap. 11, p. 201-19.
(17) Ceccato SR, Van der Sand ICP. O cuidado humano como princípio da assistência de enfermagem à parturiente e seus familiares. Rev Eletrôn Enferm. [on-line] 2001; 3(1) Disponível em: http://www.fen.ufg.br/revista.html. [Acesso em 19 mar. 2002].
(18) Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP). Protocolo de assistência humanizada ao parto e nascimento. Itapecerica da Serra: HGIS; 1999.

Correspondência: Nilce Xavier de Souza Machado
Rua Concórdia, 44 CEP06850-000 - Itapecerica da Serra – SP
Artigo retirado do link:
Universidade de São Paulo

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porque tanto medo de parto pélvico?


escrito por: Tricia em quarta-feira, outubro 18, 2006 às 4:37 PM.



Estou impressionada com esse site. Encontrei lá fotos incrivéis de um parto pélvico, algo tão temido por mulheres, médicos, enfermeiras, hoje em dia.

Não sei se eu encararia um, ainda não tenho informação suficiente pra me sentir segura, mas acho que sim. Porque não? Se a natureza é tão sábia...
:O)

só uma observação:
como será que as indias lidam com parto pelvico? Será que elas sabem alguma tecnica maravilhosa para parir? Ou será que são deixadas à mingua pelas parteiras da tribo?

Lendo o livro do Pacionyk ontem a noite, vi o seguinte parágrafo:

"o parto (pelvico) de uma maneira geral, transcorre espontaneo, sem contratempos, sem qualquer artificio estranho. Entre as silvicolas entrevistadas não há lembrança de criança que tenha morrido por retenção de cabeça. O fato repercutiria através dos tempos e marcaria o folclore indígena em historias repetidas em sucessivas gerações.

1 - a posição agachada alarga o canal vaginal em todo o seu diâmetro. Canal mais aberto, menos risco de prender a cabeça.

2 - O peso do corpo da criança ao sair, dirigido para baixo, exetuca moderada e suave tração que colabora para a complementação espontânea do parto.

Acreditamos no que a experiência de algumas dezenas de casos nos mostrou: não havendo contra-indicação (que o médico sabe perceber) o parto espontâneo se cumpre sem colaboração estranha. Os riscos de complicações para a mãe e para o feto são muito menores do que se esses partos fossem todos cesáreas.

Indias da mata não têm medo de apresentação de nádegas. Simplesmente não fazem nada, não atrapalham a natureza, deixam a criança nascer. Sabem que na maioria dos casos nascem bem..."

(trecho do livro: "Aprenda a Nascer e Viver com os Índios" - Moysés Paciornik - paginas 67-68)

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Mãe dá à luz com ajuda de crianças


escrito por: Tricia em terça-feira, outubro 17, 2006 às 4:35 PM.

Meninos de 11 e 13 anos não conseguem chamar o Samu e fazem parto improvisado de irmão em Aparecida de Goiânia

10/10/2006
por: Jonathan Jayme Da editoria de Cidades

Os irmãos Juliano Fernandes Cardoso, 11, e Luciano Fernandes Cardoso, 13, ajudavam nos afazeres do barracão de apenas três cômodos no Jardim Tiradentes, em Aparecida de Goiânia, quando a mãe, Sirlei Mariano Cardoso, 31, sentiu as contrações. A então gestante precisou da ajuda dos filhos para dar à luz ao pequeno Kaíke. Em uma demonstração de bravura, os meninos deixaram a infantilidade de lado e conduziram o nascimento do irmão na semana passada.

Eles dividiram as tarefas. O primogênito ficou de puxar a água da cisterna e esquentá-la em uma bacia para que a mãe pudesse tomar banho e seguir para a maternidade. Juliano ficou responsável de ir até um telefone público mais próximo e chamar uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O casebre sem luz, telefone e água tratada, não ajudava nas condições de emergência em que a genitora se encontrava. As outras filhas de Sirlei, Amanda, 10, e Adriely, 8, estavam na escola. O marido está preso na Casa de Prisão Porvisória (CPP) desde o dia 2 de setembro e também nada pôde fazer para ajudar.

Confiança – Sirlei decidiu confiar nas únicas pessoas que poderiam auxiliá-la: os filhos mais velhos. Juliano não teve sucesso na missão de chamar por socorro. "Quando liguei no 192 eles acharam que era trote e disseram que iam chamar a polícia para prender minha mãe e eu", conta. O menino, que tem fama ser o mais reclamão dentro de casa, respondeu que se algo acontecesse à mãe e ao irmão que estava prestes a nascer, quem denunciaria o caso às autoridades seria ele. Luciano cumpriu o papel designado pela gestante.

Mas já não dava mais tempo. Sirlei anunciou ao filho que a criança estava quase nascendo. O franzino Luciano segurou forte nas mãos da mãe e disse palavras de apoio. "Fiquei com muito medo, mas tinha que ajudar minha mãe", relata. Juliano voltou correndo pela rua de terra que passa na frente do barraco e anunciou que a ambulância não viria. Quando chegou, por volta de 11h30, Sirlei já murmurava as dores do parto. Ele também passou a incentivá-la.

Orientações – "Primeiro veio a bolsa e minha mãe pediu para eu puxar que o bebê viria logo atrás", diz Luciano. E assim o fez. A gestante ficou receosa de que o filho não desse conta de segurar o bebê e pediu para que Juliano chamasse uma vizinha, identificada apenas como "Nega". Quando a mulher chegou, Sirlei dava à luz ao pequeno Kaíke. Os filhos continuaram no apoio à mãe e desta vez foi a amiga que decidiu chamar por socorro. O medo de deixar o filho mais velho pegar o "caçula" se foi. Quando os paramédicos do Samu chegaram ao local para finalizar os procedimentos médicos, Luciano segurava o irmão que acabara de ajudar a nascer.

Fonte: Site DM

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"na água... legal!"


escrito por: Tricia em terça-feira, outubro 10, 2006 às 4:19 PM.

engraçado como todo mundo simpatiza com parto na água né? Acham bonitinho... mas dificil encontrar quem opte por este tipo de parto para si. Pelo menos aqui no Brasil.

Bom, pra quem quiser se informar mais a respeito do assunto, recomendo o Site Oficial da Sheila Kitzinger, uma das maiores defensoras dessa modalidade no mundo.

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Aviso aos navegantes: o site da ONG Amigas do Parto foi atualizado hoje, hein... Vale a pena conferir as novidades!

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quem pariu foi o Major?


escrito por: Tricia em segunda-feira, outubro 09, 2006 às 4:16 PM.

[noticia retirada do site A TARDE:]

Em meio à operação de guerra para resgate das vítimas do maior acidente aéreo da história do País, a Base Militar da Serra do Cachimbo viveu um momento mágico de celebração à vida. Às 4h15 de hoje, nasceu saudável, com pouco mais de 3 quilos, o bebê Fabiano, a bordo de um avião bandeirantes, da Força Aérea Brasileira (FAB), que integra as operações de busca na região.

O parto foi realizado pelo major médico Ricardo Aleixo, da equipe que participa da pré-identificação e preparação dos corpos de vítimas do acidente, resgatados na floresta. Acionado para dar socorro de emergência a uma parturiente, Francisca de Souza, o médico percebeu que havia riscos e a levou para um hospital em Cuiabá, onde ela deveria ser submetida a cesariana.

O vôo duraria 1h40, mas meia hora depois de o avião decolar, Francisca entrou em trabalho de parto. Mesmo com recursos escassos, Aleixo conseguiu trazer o pequeno Fabiano à Luz, com o uso de toda a perícia e uma boa dose de sorte. O fato emocionou às equipes de busca. "É comovente ver um espetáculo de vida assim em meio a tanta tragédia", disse o major Marcos Maia, coordenador da equipe médica que atua na operação.

Francisca ia da área rural de Novo Progresso para ter o bebê em Guarantã quando, nas proximidades da área militar sentiu fortes dores e pediu ajuda aos guardas da guarita. Levada ao posto da Base, os médicos perceberam a gravidade. Apesar de ter apenas 18 anos, Francisca já teve dois filhos antes, todos por cesariana por não ter passagem, o que tornava ainda mais difícil um parto natural. Ela resolveu dar o nome do bebê (Fabiano) em homenagem à FAB.

Centro de apoio às operações de busca das vítimas da tragédia com o boeing 737-800 da Gol, a Base do Cachimbo foi utilizada durante o regime militar como local de testes sigilosos do programa nuclear brasileiro. Fica instalada numa área de 21,6 mil quilômetros quadradados, do tamanho de Israel ou do Estado de Sergipe.A Base é uma das instalações militares mais protegidas do Brasil. É lá onde se encontra retido o jato Legacy, da Embraer, que se chocou com o Boeing da Gol.

FONTE:A Tarde Online

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Agora eu tenho que falar: essa foi uma matéria muito da mal escrita... me desculpem os jornalistas, mas, "vão contar uma historia mal assim, na casa do carvalho!"

Primeiro, quem realizou o parto foi o tenente?!?
Todas as manchetes sobre a noticia colocam ele em primeiro lugar como responsável pelo nascimento da criança. E a mulher? Coitada, não conseguiu manter a criança dentro da barriga até chegar ao hospital... que coisa horrivel né? Deviam ter prendido essa doida por desacato à autoridade médica! Quem deixou ela parir!??? Não pode! o Sinhô-doutor disse que tem que ser cesárea. Absurdo! Voz de prisão pra doida que pariu em pleno vôo!

Como se não bastasse, a mulher já tinha tido duas cesáreas! Vê se pode! Altissimo risco. Todas as duas porque o doutor disse que ela não tinha passagem. Devia ser de avião! KAKAKAKAK

Cabe aqui a célebre frase de Moysés Paciornik: "Deixados à natureza, noventa por cento dos partos acontecem espontaneamente."

Fico feliz que tenha dado tudo certo, e que ela tenha escapado da terceira DESNEcesárea.

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a coisa mais natural do mundo


escrito por: Tricia em quarta-feira, agosto 02, 2006 às 6:15 PM.

Eu queria uma gestação simples e saudável para minha mulher e meu filho. Acabei descobrindo que, para isso, já basta a sabedoria que toda mãe tem

por Eduardo Petta | fotos Cacá Bratke | produção Sílvia Goichman

O parto de minha mulher tinha tudo para ser mais uma cesárea. Tiago tinha duas voltas de cordão umbilical no pescoço e a bolsa de água já tinha estourado havia mais de 24 horas, sem sinais de contração. Eram 9 da noite em minha casa em Ubatuba, numa praia afastada cerca de 20 minutos do hospital mais próximo.Na cena, minha mulher, eu e Zaki, a parteira.Resolvemos meditar os três para a criança nascer. Duas horas depois, Carol entrou em trabalho de parto. A dilatação começou a aumentar lentamente. Zaki controlava as batidas cardíacas do bebê e a dilatação. Chás, florais, massagens e até acupuntura ela usou durante a madrugada inteira. Ao nascer do dia, junto com o primeiro raio de sol, Carol deu à luz um bebê lindo, que depois ganhou o nome de Tiago. O que para nós foi uma alegria profunda, para nossos pais e amigos foi um ato cujos adjetivos derivaram entre "coragem" e "loucura". Só minha avó deu de ombros: "Foi assim que tive sua mãe e meus outros quatro filhos...".

Minha avó parece ter razão.Afinal, é dessa forma que a mulher dá à luz desde que o mundo é mundo, certo? Errado. Pelo menos é o que dizem os números. Segundo dados do Sisnac (Sistema Nacional de Nascidos Vivos), o índice de cesáreas em hospitais privados no Brasil oscila entre 70% e 90% do total de partos. E ao que parece não é só minha avó que está errada."Deus errou.Devia ter colocado nas mulheres brasileiras um zíper na barriga", diz, em tom de ironia, Adailton Salvatore Meira, médico homeopata e ginecologista, atual coordenador da Rehuna (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento).

Para Adailton, a mulher hoje em dia recebe pouca ou nenhuma informação por meio da tradição - a velha transmissão oral de mãe para filha. E não se pode nem esperar que ela, coitada, encontre sozinha o caminho natural para parir, tão envolta está nos afazeres, no trabalho, na lida cotidiana. "Falta tempo para a mulher escutar o corpo falar."

Para o escritor e mitólogo Joseph Campbell, a mulher moderna esqueceu seu elo com a natureza. "A mulher afastou-se da terra, desconectou-se da própria natureza e passou a andar longe de sua essência. Para as sociedades primitivas, a mulher dá à luz assim como a terra faz brotar as plantas. A magia da mãe e a magia da terra são a mesma coisa, relacionam-se."

O resultado desse esquecimento é que hoje não são mais mães ajudando outras mães a dar à luz.A mulher grávida tornou-se paciente e passou a gerar a vida em macas cirúrgicas, deitada, tendo seu filho extraído da barriga e em seguida levado à enfermaria. Pior: nesse afã médico, estamos retirando do bebê a chance de vencer sua primeira batalha na vida: a de nascer naturalmente.

O que terá acontecido? A mulher desaprendeu a parir? Ou os médicos desaprenderam a fazer partos naturais? A pergunta pode parecer como aquela do ovo e da galinha, mas a resposta é muito mais complexa, e esta reportagem não pretende esclarecer esse enigma. A pretensão também não é condenar a cesárea, que, quando necessária, pode salvar vidas.Mas apenas apontar um outro caminho: a tendência crescente em todo mundo para uma gravidez mais, digamos, natural, culminando com um parto também natural. Uma volta às origens, por assim dizer, mas sem abrir mão da segurança e da sabedoria acumulada pela medicina ao longo dos anos para garantir um bebê saudável.

A gravidez natural inclui princípios de uma dieta saudável e nutritiva, assim como ioga, massagem e um aprofundamento da consciência sobre o corpo que irá ajudar a mulher a ter confiança e equilíbrio emocional para o processo do parto, seja ele natural ou não. Sim, porque, mesmo no caso de uma cesárea, todos esses cuidados só farão bem.

A vida é bela
Tudo começa lá atrás, pouco depois da fecundação do óvulo pelo espermatozóide. Hormônios percorrem o corpo da mãe, seus seios incham.Vocês fazem o exame e, bingo: parabéns, estão grávidos. Durante nove meses, sua vida será cheia de situações novas.
Nessa hora,mulher, a conversa inicial é com você.Mais do que nunca, é tempo de manter o equilíbrio emocional." Uma gestação feliz e saudável tem chance de garantir uma criança mais segura e preparada para a vida", diz a professora de ioga Márcia de Luca. A primeira coisa a fazer é tomar consciência de que existe uma vida em seu ventre. Mudar seu eixo do eu, ou do eu-e-meumarido, para algo maior: um bebê, que depende só de você.O mundo dele agora é seu mundo. Tudo que você pensar, sentir, comer,ouvir e falar será transmitido a ele, de alguma forma.

Sim, é preocupante. Pensar que qualquer medo pode ser nocivo à criança faz a gente ter medo de ter medo, e não é preciso muito para entrar em pânico. Pare. Pensamentos e preocupações têm cura. E essa enxurrada de sofrimentos tem um antídoto: meditação.

Meditar na gravidez é tão importante que, no Japão, ao descobrir a gravidez, as gestantes são estimuladas a praticá-la diariamente. Conhecida como tai kyo, essa técnica milenar japonesa consiste em conversar com o bebê e evitar qualquer coisa que traga emoções negativas, como filmes violentos, músicas muito agitadas e cenas tristes.

"A meditação é o melhor refúgio para a grávida", diz a terapeuta carioca Maria de Lourdes Teixeira, a Fadynha, introdutora do método shantala (massagem para crianças) no Brasil. Em seu livro Meditações para Gestantes, Fadynha ensina técnicas que ajudam a mulher a controlar "a montanha-russa de emoções que é a gravidez". Entre as várias práticas,Fadynha chama atenção para a visualização mental da criança ainda no útero. A gestante deve sentarse num lugar calmo, fechar os olhos, respirar e imaginar o corpo do bebê: braços, pernas, cabeça e até mesmo os dedos das mãos. Depois, imaginá-lo dentro do líquido amniótico morninho dando cambalhotas, livre dos efeitos da gravidade."Converse com o bebê.A conexão física e emocional é estabelecida antes do nascimento. Reforce o vínculo entre mãe e filho enviando mensagens carinhosas ao seu filho", sugere a terapeuta. Outra boa idéia é a arteterapia."A mulher fica mais inspirada, e os trabalhos manuais ajudam a torná-la mais centrada", diz ela. Dá até para aproveitar e fazer uma peça do enxoval. Para que comprar tudo pronto?

Entrando no pique
O corpo precisa de atividade e movimentação. Isso não significa ficar sarada, ter o abdômen definido ou os glúteos redondos, mas suar e produzir endorfina, um calmante natural. Há várias atividades adequadas para a situação: tai chi, hidroginástica, natação, caminhada e ioga. "Especialmente na gravidez, a prática de ioga contribui para que a mulher perceba as transformações físicas e psicológicas, centrando a atenção no corpo e na mente", diz Márcia de Luca."E a ioga alonga e tonifica os músculos, fazendo com que a gestante não fique com os movimentos restritos no fim da gravidez".

O corpo vai pedir também atenção à alimentação. É normal a mulher ganhar peso e sentir mais fome, mas não é por isso que você vai se entregar à gula. "Não engordar em demasia é um dos requisitos para ter uma gravidez saudável. Não precisa ser repressão total, mas vá à mesa com parcimônia", diz Marcos Tadeu Garcia, médico ginecologista e obstetra adepto do parto humanizado. "O bebê se alimenta do que você come. Antes de se entregar aos tais desejos da gravidez, pense que você está dando aquela comida à criança", diz ele.

Agora, o maridão
Para que a vida fique ainda mais zen, entra em cena o companheiro, peça-chave nessa saga. Não basta ser pai ou mero observador, tem que participar, ter paciência, tolerância e compaixão. Enfim, ler muito Dalai Lama.Você, maridão, deve colaborar para não praticar seus vícios (fumar,beber, comer fast food ou tomar refrigerante) na frente da mulher.E ainda demonstrar orgulho pela barriga dela, mergulhando rumo ao coração do bebê. Toque a criança, acaricie-a, fale com ela. Seja solidário.
A gravidez não é, como muitos dizem, uma TPM de nove meses. Mas são sim, não vou enganá-lo, nove meses de mudanças hormonais (e acrescente mais alguns meses depois). Caso você esteja encontrando dificuldades no relacionamento nessa fase, siga os passos da grávida natural: pratique ioga, esportes e meditação e tenha uma alimentação saudável.Na pior das hipóteses, você irá melhorar o equilíbrio emocional, ganhar autoconhecimento e ainda ficar em forma.Afinal, o homem também passa por um processo de adaptação, que envolve ansiedade, tensão, preocupações e mudanças de personalidade para assumir a nova identidade e a postura de um futuro pai.

Para praticar a intimidade, nada melhor que sexo. Detalhe: durante todos os nove meses."Fazer amor durante a gravidez é perfeitamente seguro", diz Janet Balaskas, diretora do Centro de Parto Ativo em Londres e autora de diversos livros sobre o assunto.

Sim, as relações são diferentes, mas não é preciso decorar o Kama Sutra. Basta escolher posições que não comprimam a barriga (de lado, de costas e por aí vai).O importante é que a relação envolva muito carinho, pois o relacionamento agora é a três, o bebê está junto, percebendo, sentindo, e ele ficará feliz ao captar as emoções entre vocês.

Há quem sinta mais desejo sexual durante a gravidez.Mas é possível também que o tesão diminua. Normal. Logo passa. Compensem então com companheirismo, proximidade, massagens gostosas, cafunés.Uma coisa é certa: a mulher precisa de muito carinho.

Crepúsculo dos deuses
Eu e minha mulher queríamos muito ter tido um parto natural. Pesquisamos, lemos, escutamos, procuramos. Minha mulher fez ioga, nadou, meditou, respirou e se programou mentalmente. Eu li o Dalai Lama. Mas foi só na hora que as contrações se aceleraram que pude compreender a importância de ter alguém do nosso lado a nos guiar.Uma mãe ensinando os passos à outra. Era tarde da madrugada e Carol respirava incessantemente, centrada em cada sopro, andando de um lado para o outro da casa com cara de dor. Quando a criança começou a descer, porém, ela usou cada contração para ajudar a criança a vir ao mundo. Pariu em silêncio, consciente, respirando. Carol não sabia de nada, mas tudo aconteceu tão naturalmente que parecia que ela sabia de tudo.
Para a médica britânica Janet Balaskas, a explicação é científica. "Quando a mulher dá à luz na posição vertical, sem auxílio de drogas, ela está usando a parte mais primitiva do cérebro, uma parte que temos em comum com todos os mamíferos e que secreta os hormônios necessários, que atuam sem a necessidade de nenhum hormônio sintético." Para quem tem medo de não saber parir, Janet Balaskas manda um recado:"O corpo da mulher é sábio. Basta que ela o escute e saberá tudo".

Quando olho para trás e lembro que, ao nascer, nosso filho foi direto ao seio de minha mulher e, depois, veio ao meu colo, fico feliz em saber que é sim possível a mulher parir no seu tempo, sem intervenções. E que também é possível recuperar o elo perdido com a natureza e dar à luz da mesma forma como faziam nossos antepassados.

PARA SABER MAIS,
LIVROS
Gravidez Natural, Janet Balaskas, Editora Manole
Parto Ativo, Janet Balaskas, Editora Ground
Meditações Para Gestantes, Fadynha, Editora Sextante

CURSOS
Centro Integrado de Yoga, Meditação e Ayurveda, (11) 3168-5096, www.ciyma.com.br
Instituto de Yoga e Terapias Aurora, (21) 2205-1570, www.institutoaurora.com.br

SITES
www.amigasdoparto.org.br
www.partohumanizado.blogger.com.br
www.maternidadeativa.com.br
www.maternatura.med.br/conteudo.htm

FONTE: Vida Simples - Editora ABRIL

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QUEM  SOMOS
 



Tricia Cavalcante: Doula na Tradição, formada pela ONG Cais do Parto, mãe de três, e doula pós-parto.Moro em Fortaleza-CE.


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