Cesariana, uma distorção na obstetrícia brasileira


escrito por: Tricia em terça-feira, agosto 05, 2008 às 10:26 AM.

GILDA DE CASTRO

Desde os anos 80, o Ministério da Saúde tenta diminuir o número de cesarianas no Brasil, mas não obtém sucesso, pois há vários problemas que condicionam essa situação, que é vergonhosa no quadro da obstetrícia no mundo contemporâneo. A Organização Mundial de Saúde insiste que o parto cirúrgico não pode ultrapassar 15% dos casos que abrangeriam todas as intercorrências desfavoráveis ao processo natural da parturição.

Isso não sensibiliza, entretanto, os médicos nem convence as mulheres de que elas e seus rebentos passariam por procedimentos muito mais saudáveis se o parto fosse normal, pois ele se refere à situação estabelecida pela natureza e testada pelas fêmeas de todos os mamíferos através dos tempos. Optamos, desde meados do século XX, por medidas mais invasivas, que oneram os serviços de saúde e podem acarretar danos irreparáveis ao bebê ou ao organismo materno.

Os profissionais argumentam que é o melhor caminho diante do desenvolvimento da tecnologia médica e as gestantes dizem que, no terceiro milênio, não podem dar à luz como Eva. Isso acontece, infelizmente, apenas em nosso país, indicando que temos mais essa distorção no serviço de saúde.

O anúncio de que será oferecido à gestante que optar pelo parto normal um quarto específico para o procedimento, com leito e banheiro, não reverterá essa estatística perversa, porque há muitos interesses em jogo que condicionam a escolha insensata. Isso fica facilmente demonstrado na situação das maternidades que atendem as classes privilegiadas, pois a cesariana ocorre em 80% dos nascimentos.

Há, nesse caso, um acordo entre o médico e a gestante, com agendamento prévio da cirurgia no início do pré-natal, resguardando-se ambos do incômodo do parto no meio da madrugada, em fim de semana ou na época de importantes compromissos sociais. O profissional obtém mais vantagens porque cobra mais caro, desincumbe-se da sua tarefa em menos de duas horas, garante sua paciente e faz obstetrícia com dia e hora marcados.

Trata-se de uma rotina oposta do que age na outra vertente, que precisa conferir, diariamente, a lista das gestantes que estão prestes a dar a luz, condicionando suas viagens e mesmo seus outros compromissos profissionais ao chamado emergencial na maternidade. Fica muito fácil justificar a primeira postura, diante do leigo, em cima de considerações teóricas sobre possíveis intercorrências para uma mulher que sofre alterações significativas em seu organismo vinculadas ao processo da gestação.

Ela não consegue questionar os argumentos técnicos e prefere assegurar que será atendida pelo responsável do pré-natal, que conhece o seu caso e oferecerá um tratamento personalizado.
Nenhuma medida oficial será, portanto, suficiente para mudar os rumos da obstetrícia brasileira se o alvo não for o médico. Norte-americanas que vêm residir aqui são advertidas quanto à incompetência dos nossos profissionais para assistir a parto normal que demanda acuidade superior para intervir adequadamente no momento certo. Ou seja, os obstetras brasileiros apresentam falhas na sua formação e isso exige mudanças significativas nos cursos de medicina.

Torna-se imperioso também cobrar que cada profissional apresente sua própria estatística, demonstrando sua capacidade para atuar num fenômeno natural sem intervenções bruscas e desnecessárias em gestantes saudáveis. Isso será possível se ele for mais transparente, magnânimo e sensato diante da vida, da sociedade e da especialidade médica que escolheu livremente.

Publicado em: 02/08/2008

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Alto índice de cesáreas no País preocupa governo


escrito por: Tricia em quarta-feira, junho 25, 2008 às 9:37 AM.

15/06 - 12:46, atualizada às 18:30 16/06 - Luísa Pécora
Em sua primeira gravidez, a psicóloga Andréa Esteves Coelho Costa, 27 anos, passou 39 semanas se preparando para um parto normal. Um ultra-som mudou seus planos: segundo a médica, o cordão umbilical contornava o pescoço da criança e o parto normal seria muito arriscado. Assustada, Andréa aceitou fazer a cirurgia naquele mesmo dia e só depois, com a filha nos braços, descobriu que a menina não tinha circular de cordão. A cesárea fora desnecessária.

Um ano e sete meses depois, grávida novamente, Andréa decidiu fazer qualquer sacrifício para ter o segundo filho da maneira como sempre sonhou. O primeiro desafio: encontrar um médico que aceitasse fazer o parto normal em uma mulher que já havia tido cesárea. Só na quarta tentativa, conseguiu o que queria. O trabalho de parto de 16 horas foi, segundo ela, a melhor experiência de sua vida. “Na cesárea eu fiquei parada enquanto os médicos faziam tudo. No parto natural era eu e minha filha. Foi incrível ver o quanto nós nos esforçamos para ela nascer.”

O caso de Andréia é comum no Brasil, onde 43% dos partos são cesáreas, média muito acima da recomendada pela Organização Mundial da Saúde (15%). O índice chega a 80% entre as mulheres que utilizam planos de saúde (no SUS, 26% dos partos são cirúrgicos), fazendo do país o campeão mundial de cesarianas.

Números tão altos levaram o Ministério da Saúde a iniciar, em 2008, uma campanha para conscientizar a população de que o parto cirúrgico deve ser utilizado apenas quando necessário. Os alvos da campanha não são apenas as mulheres, mas também os médicos. Pesquisa realizada em três hospitais do Rio de Janeiro revelou que, no início da gestação, 40% das mulheres dizem querer o parto normal. No entanto, apenas 15% delas mantêm a decisão ao final da gestação.

Segundo a Dra. Lena Peres, diretora-adjunta do Departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde, é um sinal de que as mães são convencidas a optar pela cesárea. “Há um desestímulo, que pode estar ligado à relação da mulher com o médico e com seus familiares”, explica. “

Tempo e dinheiro

A ginecologista Carolina Ambrogini acredita que os maiores desestimuladores do parto normal são os médicos. Para ela, a razão de os índices de cesárea serem maiores entre as usuárias de plano de saúde é simples: os convênios pagam a mesma quantia para os dois tipos de parto.

A diferença é que, no parto normal, a paciente requer cuidado por muito mais tempo, de seis a nove horas, enquanto uma cesárea sem complicações leva de uma a duas horas. “É questão de tempo e dinheiro”, afirma Ambrogini, mãe de parto normal que concorda com a campanha do Ministério, mas não a julga suficiente. “Enquanto os médicos não receberem por hora de trabalho, vai ser muito difícil reverter a situação.”

O medo de errar também é um dos motivos que leva tantos médicos a preferirem a cirurgia. “Ninguém nunca vai perguntar para o médico: ‘por que você fez cesárea?’”, diz a ginecologista. “Mas se o bebê de parto normal nascer com algum problema, a primeira pergunta será: ’por que você não fez cesárea?’”.

Assim, qualquer pequena anormalidade se torna razão para optar pela cesárea. Indicações absolutas, no entanto, são poucas: a posição do bebê (quando ele está sentado ou atravessado no útero), sofrimento fetal durante o trabalho de parto (a cesárea acelera o nascimento e encerra a dor mais rapidamente), algumas más formações e complicações relacionadas à placenta, que são consideradas emergências obstetras.

A circular de cordão que motivou a cesariana de Andréa, por exemplo, pode ser facilmente retirada no parto normal. Da mesma forma, hipertensão e peso do bebê nem sempre são motivos para parto cirúrgico.

Segundo Ambrogini, apenas casos de hipertensão não-controlada e bebê muito grandes (acima de 4kg) pediriam a cesárea, que como toda cirurgia, apresenta riscos. Mulheres que optam por esse tipo de parto têm mais chance de sofrerem lacerações em artérias, veias e bexiga, e de sofrerem hemorragias, infecção e embolia pulmonar.

A mortalidade materna é de 4 a 20 vezes maior nas cesáreas, dependendo da região do país, e há a possibilidade de a cicatriz causar má implantação da placenta na próxima gravidez. Os bebês que nascem de cesariana têm mais dificuldade para respirar, pois é no momento em que passa pelo canal de parto que a criança libera a água que tem no pulmão. O maior tempo de internação de mãe e filho faz com que o custo institucional do parto cirúrgico seja mais alto.

No parto normal, mãe e bebê costumam ter alta em 24 horas. Na cesárea sem complicações, ficam no mínimo 48 horas no hospital.

Bem de consumo

Além da pressão do médico, existe uma espécie de cultura da cesárea no país. É o que acredita a terapeuta ocupacional Carla Cristina Costa Arruda, 24 anos, que trabalha como doula, profissional treinada para dar suporte físico, apoio emocional e orientações para mulheres ou casais durante a gestação, o parto e o pós-parto.



Divulgação
Aula de orientação para gestantes
Aula de orientação para gestantes

Para ela, a desinformação pode levar as mulheres a aceitar qualquer opinião que lhe traga a certeza de que o bebê nascerá bem. Além disso, muitas mães optam pela cesárea por comodismo (para escolher a data do parto) ou preconceito. “Na nossa cultura, cesárea é coisa de rico e dor é o que se sente no SUS”, afirma Carla.

Lena Peres, diretora-adjunta do Departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde, afirma que a cesárea se tornou um “bem de consumo”. “Houve uma época em que era bonito comprar leite de lata, e não amamentar. Com campanhas de esclarecimento, mudamos o paradigma brasileiro. É isso que precisamos fazer com a cesárea”, explica.

Um dos maiores desafios é acabar com os mitos populares que assustam as mulheres. Um deles é o de que, uma vez cesárea, sempre cesárea. Segundo a ginecologista Carolina Ambrogini, não há problema em optar pelo parto normal depois de um cirúrgico, como fez Andréia.

Depois da segunda cesariana, no entanto, um parto normal pode causar rompimento de cicatriz. A tese de que o parto normal alarga a vagina depende da musculatura de cada mulher. Para que o quadro de fragilidade muscular seja acentuado, é preciso ter pré-disposição a isso e, geralmente, muitos filhos ou bebês muito grandes. “Mas é algo individual”, ressalta a doutora. “Tem mulher que tem 20 filhos e não acontece nada”.


"Parto é só alegria"


O que mais assusta as mulheres ainda é a dor do parto, motivo que levou a dona de casa Priscila Santos, 24 anos, a contrariar o médico, que indicava parto normal, e pedir cesárea em suas duas gestações. Na segunda cirurgia, a cicatriz ficou infeccionada, o que lhe causou 25 dias de muita dor. Nem isso fez com que ela se arrependesse da escolha.

“Só não faria a cesárea se fosse proibida”, diz Priscila. “Eu até admiro as mulheres que têm parto normal. Precisa ter muita coragem, coisa que não tive e não tenho.”

A doula Carla Cristina garante que a dor do parto pode ser manejada com ambiente calmo, luz menos agressiva, massagens, mudança de posição, acupuntura, cromoterapia, água morna e apoio emocional tanto do marido quanto dos profissionais envolvidos.

A ginecologista Carolina Ambrogini aprova o trabalho das doulas e também acredita que uma mulher bem orientada sofre menos durante o parto. “As contrações são de fato muito dolorosas, mas hoje já temos anestesia de parto, não é uma coisa que não dá para suportar”, explica. “A mulher que já vai assustada, acreditando no que colocaram na cabeça dela, não se mantém lúcida e se desespera com qualquer dor.”

Os relatos de algumas mulheres podem servir de incentivo para quem tem sente medo. Alessandra Godinho, 29 anos, doula, educadora perinatal, consultora em aleitamento materno e mãe de dois filhos, é categórica: “Parto é só alegria”, classifica ela, que compara as sensações do parto com as provocadas por uma relação sexual.

“Assim como ter uma primeira relação sexual pode doer, também existe possibilidade de prazer. O parto é um evento sexual, social, espiritual e fisiológico, um rito de passagem onde uma mulher se torna uma mãe”, conclui, recomendando às gestantes o documentário “Parto Orgásmico”, que pode ser assistido no site www.orgasmicbirth.com

A advogada Adriana Poças Rezende, 38 anos, reforça o coro com o relato de seu parto que, depois de muita divergência com a médica que insistia na cesárea, foi realizado em casa, em uma espécie de piscina que a doula armou em seu banheiro, embaixo do chuveiro. “A dor não é pouca, mas passa. As três últimas contrações, quando acabaram, foram prazerozíssimas. Na hora da expulsão, gritei ‘é agora’ e não senti absolutamente nada”, conta ela, que diz ter tido não um, mas três orgasmos durante o parto. “Três orgasmos e recebi meu filhote sem remédios, anestesias, mãos estranhas e luvas geladas”, completa.

Segundo a ginecologista Carolina Ambrogini, a sensação de prazer é causada porque, durante o parto normal, ocorre uma grande elevação de um hormônio chamado ocitocina, que é associado ao orgasmo e responsável pela contração do útero.

E até quando o assunto é vaidade as defensoras do parto normal têm argumentos. Segundo a doutora Lena Peres, a mulher que não faz cirurgia pode voltar as atividades físicas mais rápido, e já começar a queimar os quilinhos ganhos durante a gravidez. Ser natural tem suas vantagens.

fonte: ultimo segundo

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Cesariana aumenta risco de problemas de saúde para o bebê


escrito por: Tricia em terça-feira, janeiro 29, 2008 às 3:55 PM.

Conclusão é de estudo norueguês que monitorou 18 mil recém-nascidos.
Brasil é um dos campeões das cirurgias cesarianas desnecessárias.

Por: Luis Fernando Correia

O Brasil é um dos campeões em cesarianas desnecessárias, segundo a Organização Mundial da Saúde. Os bebês nascidos através de cesarianas precisam ser levados às unidades de terapia intensiva duas vezes mais freqüentemente do que os que nasceram de parto normal. Os bebês de cesarianas apresentam também duas vezes mais problemas respiratórios do que os de parto natural.

Esses foram os dados encontrados por uma pesquisa norueguesa, publicada na revista "Journal of Obstetrics and Gynecology". O trabalho acompanhou mais de 18 mil nascimentos, em um período de seis meses, em 24 unidades de saúde daquele país.

Segundo a OMS, um índice aceitável de cesarianas estaria entre 10% a 15% dos nascimentos. Em nosso país, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, 79% dos partos na medicina privada são cesarianas. No serviço público esse número é de 27%, ainda assim bem acima do ideal preconizado.

Segundo o Ministério da Saúde, de janeiro a outubro de 2007, o Sistema Único de Saúde registrou 559.501 cesarianas, com 40% ocorrendo na região Sudeste. No mesmo período foram 1.212.186 partos normais, o que significa que a taxa de cesarianas no serviço público brasileiro é de 46%, três vezes a ideal.

As cesarianas são procedimentos cirúrgicos que não são isentos de riscos e, como toda decisão médica, deveriam ser baseadas em critérios técnicos e nunca por comodidade, principal causa do excesso de cirurgias.

Outro aspecto que leva ao aumento de procura pela cesariana, especialmente nas classes mais abastadas, é idéia de se poder programar o nascimento dos filhos de acordo com critérios esotéricos, como a hora exata do nascimento.

A natureza não costuma gostar de ser enganada, mesmo com as melhores intenções do mundo.

Fonte: G1

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'Epidemia' do parto cesáreo


escrito por: Tricia em às 7:25 AM.

Por Dra. Isabella V. de Oliveira*/Especial para BR Press

(BR Press) - Originalmente, o parto cesáreo (ou cesariana) foi criado para aliviar condições adversas maternas ou fetais, quando há riscos para a mãe, o bebê ou para ambos, no decorrer do parto. Quando bem indicada, como em casos de sofrimento fetal durante o trabalho de parto (que prejudica a oxigenação do bebê), ou quando ocorre um descolamento prematuro da placenta, a operação cesariana é uma tecnologia que salva vidas. No entanto, muitas cesarianas realizadas em todo o mundo são medicamente desnecessárias.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa ideal de partos cesáreos deve ficar em torno de 7 a 10%, não ultrapassando 15%. Entretanto, nos últimos 37 anos testemunhamos uma "epidemia mundial" de cesarianas. Na Holanda, essa proporção é de 14%, nos Estados Unidos 26%, no México 34% e no Chile 40%. Isso ocorre em parte porque a cesariana passou a ser aceita culturalmente como um modo normal de dar à luz um bebê.

Riscos

As repercussões desse comportamento são bastante sérias e, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), as cesáreas acarretam quatro vezes mais risco de infecção pós-parto, três vezes mais risco de mortalidade e morbidade materna, aumento dos riscos de prematuridade e mortalidade neonatal, recuperação mais difícil da mãe, maior período de separação entre mãe/bebê com retardo do início da amamentação e elevação de gastos para o sistema de saúde.

O Ministério da Saúde tem empenhado esforços na diminuição das taxas de cesarianas no Brasil há décadas. Em 1997, o CFM lançou a campanha Natural é o Parto Normal. Após essa campanha, o MS intensificou o Programa de Assistência à Saúde da Mulher, com medidas como aumento de recursos para os procedimentos de partos normais, incentivo à criação de serviços de alto risco com remuneração diferenciada, pagamento de analgesia nos partos normais, entre outras.

Apesar de todas as medidas adotadas para coibir as cesáreas desnecessárias, o número continua a subir, mostrando que outras estratégias se fazem necessárias. Um estudo encomendado pela OMS e publicado em 1999 no British Medical Journal, de autoria de José Belizan, demonstrou que, em 19 países da América Latina, mais de 850 mil cesarianas desnecessárias eram realizadas por ano.

O Brasil é um dos líderes mundiais em cesarianas, com taxas, desde o início da década de 80, em torno de 30% (na saúde pública, houve crescimento das taxas de cesáreas, de 14,6% em 1970 para 31,0% em 1987, chegando a 27,5% em 2004). Na saúde privada (planos de saúde), segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as taxas estão em torno de 80% (2006).

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou recentemente que uma das principais metas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Saúde é reduzir, até 2011, a quantidade de operações cesarianas para 60% na rede particular e 25% nas maternidades públicas.

Conveniência

Vários estudos apontam que possíveis explicações para taxas tão altas estejam diretamente ligadas a fatores sócio-culturais, dentre elas: as conveniências de tempo e financeiras para o profissional médico, o modelo de organização da assistência obstétrica no país, a falta de leitos nos pré-partos dos hospitais, a cultura da "cesariana a pedido da mãe" e a possibilidade de realização concomitante de ligadura de trompas durante a cirurgia.

Muitas mulheres associam o parto vaginal à dor e desconhecem o fato de que é possível utilizar anestesia/analgesia durante o processo. Outro medo comum nas gestantes é o relacionado à elasticidade vaginal, que poderia ficar comprometida após o parto. Por isso, é preciso conscientizar as mulheres de que nascimentos por via vaginal e com períneo intacto são plenamente possíveis na maioria das vezes, não causando "frouxidão do períneo", nem problemas sexuais no futuro. A episiotomia (corte no períneo que ajuda o bebê a passar) pode ser feita, mas estudos baseados em evidências científicas mostram que nem sempre ela é necessária.

À exceção das situações em que existem indicações médicas precisas para cesariana, o correto é esperar o início do trabalho de parto e aguardar sua evolução. Se tudo correr bem, não há motivo para realizá-la. Programar o nascimento sem nem mesmo deixar a gestante entrar em trabalho de parto é transformar o parto normal, um ato fisiológico, num ato operatório – o parto cesáreo – e traz muitas desvantagens para a mulher e para o bebê.

Mulheres que dão à luz por meio de parto vaginal/normal têm recuperação mais rápida e maior facilidade no início da amamentação, pois estímulos hormonais naturalmente se encarregam de "fazer o leite descer". Estudos mostram que quando a gestante está bem informada sobre essas possibilidades, o parto tem maiores chances de ser mais saudável e ela pode expressar maior satisfação com a experiência.

(*) Isabella V. de Oliveira é graduada em medicina pela UFRJ, com título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e MBA em Gestão Avançada de Sistemas de Saúde. É mestre em Ciências da Saúde pela UNB e atua no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento Médico do Grupo Medial Saúde



Fonte: Yahoo

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As marcas da cesárea


escrito por: Débora, em sexta-feira, março 02, 2007 às 6:04 PM.



O corte feito na pele acima da linha dos pêlos púbicos pode ser escondido pela calcinha, mas incomoda a mulher que tem que carregar a marca para o resto da vida. Saiba quais são as técnicas que podem suavizar essa cicatriz
Por Carolina Tavares
O preço que se paga pelo dom feminino da maternidade, apesar de ser um privilégio, tem seus incovenientes: dores, menstruação, contrações e, por fim, um corpo modificado. Hoje, médicos lutam pelo parto normal, mas o índice de cesarianas no Brasil chega a quase 90%.
Com um tempo de recuperação que varia de pessoa para pessoa, a cesariana dá um trabalho e tanto para o organismo. São muitas camadas de tecido para cicatrizar, do útero até a parede do abdômen. Essa cicatrização às vezes pode não ser bem feita, causando problemas internos e externos.
"A cicatriz no útero vai ter efeito na próxima gravidez, quando pode ocorrer problemas como placenta prévia (quando ela fica no colo do útero) e deslocamento prematuro da placenta. Quando a mulher possui essa cicatriz, também fica vulnerável a uma ruptura", explica a professora do Departamento de Saúde Materno Infantil da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, dra. Carmen Simone Grilo Diniz.
Mesmo assim, ainda existe um outro tipo de problema que a mulher pode enfrentar. Ele não causa riscos maiores, mas faz parte de uma questão estética e, diferente da cicatriz interna, tem solução.
Depois do parto, a abertura feita pelo bisturí demora pelo menos quatro semanas para cicatrizar e um mês para se definir. Em algumas pessoas ela segue um processo normal e fica imperceptível no prazo de seis meses a um ano. Em outras, dependendo da propensão do organismo, ela pode inflamar e se tornar um quelóide ou uma cicatriz hipertrófica.
Quelóide é uma cicatrização exagerada e volumosa que pode acontecer em algumas partes do corpo como barriga, tórax, braços e lóbulos da orelha. O cirurgião plástico Wandemberg Barbosa explica que existem muitos estudos relacionados ao assunto. As pesquisas começam a chegar à conclusão de que o quelóide pode ser um processo genético ou espontâneo. Já a hipertrófica é apenas um engrossamento da cicatriz comum.
O diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Douglas Jorge, explica o que pode causar a reação. "O quelóide pode surgir espontaneamente (quelóide verdadeiro) ou após uma lesão tecidual (cicatriz queloideana) decorrente de trauma ou infecção. Algumas vezes, um eventual fator desencadeante pode passar despercebido. É mais comumente observado na raça negra e nos orientais, embora também possa aparecer na raça branca", diz.
Os cirurgiões George Luís Pereira e Benedito Soares contam que a correção futura de uma cicatriz de cesariana muito raramente terá um impedimento clínico. Eles procuram fazer uma programação através de exames pré-operatórios de sangue, urina, raio-X de tórax, eletrocardiograma e avaliação do risco cirúrgico pelo cardiologista. Este preparo bem feito e um programa cirúrgico adequado têm por objetivo prevenir os riscos inerentes a qualquer tipo de cirurgia.
Como tratar a quelóide?
Na cesariana, o corte é feito em um local onde não há tensão muscular. Por esse motivo, a mamãe só vai desenvolver o quelóide caso tenha disponibilidade genética ou algum outro fator que agrave a cicatriz. A escrituária Juliana Voltolini, que sofre do problema, afirma que as orientações do seu médico caso a questão se agravasse, era de pulsar a pele que estava sobrando e terminar o tratamento com uma pomada. Ela está correta.
Caso uma pessoa desenvolva o problema, o tratamento é simples. Uma das opções é fazer a ressecção da cicatriz e, 48 horas depois, aplicar o processo de betaterapia, um tipo de radioterapia. É importante ressaltar que não se deve corrigir qualquer cicatriz antes de seis meses de sua evolução, pois existe risco de ser desnecessário ou até piorar sua aparência nesta fase.
Outra sugestão é a infiltração da substância corticóide através de injeção, cremes ou fitas. Existem já alguns trabalhos que utilizam laser para retirar o quelóide e a massagem freqüente também pode trazer resultados.
O número de pessoas que acaba com a cicatriz é de 60% a 70%, mas tudo depende da resposta do corpo ao tratamento, que pode não ser o retorno desejado em 30% dos casos, quando o médico analisa o que pode ser feito. O custo varia de acordo com a pessoa e o recurso que for melhor indicado para ela segundo seu médico. A dermatologista Denise Steiner explica que "a cicatriz pode ficar pouco evidente mas não desaparece totalmente".
Depois da cirurgia, há cuidados a serem tomados com o local do problema. É importante não pegar sol, pois os raios solares estimulam a irritação da cicatriz. Também é preciso deixar o lugar da cirurgia em repouso, fazendo curativos com a fita micropore ou com silicone. Após quatro semanas, já é possível observar os resultados, mas o médico deve indicar cuidados preventivos e manter o corticóide. Os especialistas alertam que se deve aguardar alguns meses antes de indicar um tratamento cirúrgico, pois algumas cicatrizes hipertróficas são classificadas como queloideanas, mas com o tempo melhoram espontaneamente.
Ele lembra também que uma cicatriz nunca desaparece, pois este é um fenômeno da natureza que caracteriza uma resposta a uma agressão no tecido da pele. Ocorre que algumas pessoas desenvolvem cicatrizes de tão boa qualidade que são pouco perceptíveis.
Por que parto normal?
Recuperação rápida, indolor e sem seqüelas. Um parto normal fisiológico sem intervenções possibilita um corpo saudável e de volta ao normal em apenas seis semanas. No início dos tempos, essa era a única opção, mas hoje há outras possibilidades.
Existe também o parto normal com intervenções, quando o médico faz um corte na vagina para facilitar a saída do bebê, mas de acordo com os médicos, "não há justificativa científica para esse tipo de procedimento".
Por último, há a cesariana. A pretensão de não sentir dor acaba no pós-parto. Enquanto a mulher que fez parto normal aguarda o útero voltar ao tamanho original, a mulher de cesária aguarda que cada camada da pele cicatrize, demorando mais tempo para se recuperar.
Outro fator interessante é que, na nova mamãe de cesariana, o contexto hormonal é diferente da pessoa que teve o bebê naturalmente. O hormônio que faz com que a mãe crie o vínculo com o filho e produza o leite é fabricado em menor escala, por isso, começar a amamentação é difícil. Os riscos de infecção e hemorragia também são maiores e a cicatriz uterina pode complicar uma segunda gravidez. A professora da USP afirma que melhor mesmo é não realizar a operação.


Glossário


Aprenda os nomes dos tratamentosIntradermoterapia - Indicada para o tratamento de cicatrizes hipertróficas. Ela consiste na injeção de substâncias que estimulam a produção e a reorganização das fibras colágenas, além de impedir o aumento das propriedades que causam o espessamento da cicatriz. Betaterapia - Tipo especial de radiação utilizada para restabelecer a organização do tecido. Oclusão - Uso dos curativos de silicone para comprimir a região lesada. Ela ajuda a hidratar as células, melhorando seu metabolismo e a circulação local.
Fonte: Plástica e Beleza

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Mulher grávida peregrina no Rio, de hospital em hospital e morre com fiho na barriga


escrito por: Tricia em sábado, fevereiro 10, 2007 às 3:33 PM.

31/01/2007 - 9:32
Mulher grávida peregrina no Rio, de hospital em hospital e morre com fiho na barriga


A estudante Joana Gomes de Almeida, 17 anos, morreu na madrugada de segunda-feira, às 4h30, no hospital do Andaraí, no Rio de Janeiro, depois de passar por outros três hospitais da rede pública, em peregrinação que durou 12 horas. Grávida de nove meses, Joana sofreu uma parada cardiorrespiratória durante uma cesariana de emergência e morreu, junto com o bebê. Joana começou a passar mal na manhã de domingo, às 5h, quando foi levada pela avó, a aposentada Jandira Gomes de Almeida, 84 anos, para o hospital Maternidade de Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Como não havia anestesistas na unidade, Joana foi transferida de ambulância para o hospital Municipal Duque de Caxias. Segundo a família, Joana não gostou das condições de atendimento e pediu para ser levada para outra unidade. O hospital cheio. Havia gente sentada até no chão, segundo familiares. Um rapaz se ofereceu para levá-la de carro para a Pró-Matre, no Centro do Rio. De acordo com a família, uma médica da unidade disse que Joana não poderia ficar lá porque ainda não havia chegado a hora de ter o bebê. Com dinheiro emprestado por pacientes da instituição, Joana finalmente chegou ao hospital do Andaraí, já por volta das 17h. A estudante ainda esperou sete horas, até ser levada para a sala de parto. Muito debilitada, não teve condições de fazer um parto normal e foi submetida a uma cesária de emergência. Os médicos logo constataram que o bebê - um menino de 3,4 kg que se chamaria Pedro - já estava morto. A mãe também não resistiu e morreu horas depois.

FONTE: Diário News

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Medo do parto normal


escrito por: Débora, em sexta-feira, dezembro 15, 2006 às 12:44 PM.


"Estou com 34 semanas de gestação,e morro de medo de fazer um parto normal. Eu sou mais uma dessas que gostaria de marcar uma cesárea pra bebe nascer...mas sei que é um parto mais persistente e doloroso após,na hora de recuperar-se,mas prefiro sentir dor após o bebe nascer do que antes.Tenho medo de não conseguir ter força suficiente pra conseguir empurrar o bebê. Minha médica disse que vai anestesiar minha coluna, mas todos dizem que é impossível, pq minhas pernas ficaram adormecidas e não sentirei elas. Então,essa é minha dúvida.É possível,ter um parto normal com anestesia peridural? Qual dor diminui, a de passagem do bebe,ou as contrações?
Muito obrigado por dividir conosco suas dúvidas e confiar em nossa equipe. As informações que vamos dar aqui não substituem o apoio e a orientação do seu médico ta?? Sempre tire todas as suas dúvidas com ele. Queremos apenas ajudá-la a ter um parto tranqüilo e feliz, compartilhando com você o que sabemos sobre partos.
Em primeiro lugar queremos pedir a você que relaxe e aproveite todos os momentos da sua gravidez, pois é um momento muito especial e precisar ser desfrutado. Em segundo lugar não é necessário ter tanto medo assim da hora do parto. Tenha a certeza de que você como mulher, já veio a este mundo pronta para o parto e tem todas as "ferramentas" necessárias para isso. O momento do parto é algo mágico, onde você realmente entende o significado da vida. É um momento onde você poderá experimentar o que realmente significa o amor.

Quando ocorre um acompanhamento pré-natal adequado, a gestante deve estar informada e preparada para o trabalho de parto e o parto em si. As orientações sobre a mãe e os cuidados com o bebê, técnicas de respiração, como lidar com a dor, a participação do pai e a importância de conhecer o mecanismo do parto, devem estar bem esclarecidas, e isso quem deve fazer é seu ginecologista. Converse com ele e tire todas as suas dúvidas, não tenha vergonha.
O trabalho de parto envolve várias fases e a gestante em geral dispõe de um tempo suficiente para chegar ao hospital e ter um atendimento adequado. No início do trabalho de parto você irá sentir uma maior pressão sobre a bexiga, poderá apresentar diarréia e uma dor forte nas costas. As contrações, embora ainda não dolorosas, se tornam mais freqüentes. Nessa fase o colo do útero "amolece", iniciando o seu processo de dilatação. Geralmente ocorre o que se chama de perda do tampão mucoso, com o aparecimento de um corrimento espesso e sanguinolento. Quando as contrações uterinas começam a ficar mais intensas e regulares, pode ou não ocorrer o rompimento da bolsa de líquido amniótico, que muitas vezes escorre pelas pernas, molhando as roupas. Na maior parte dos casos essa é a hora de ir para a maternidade.
No momento da internação, serão realizados vários procedimentos de rotina, como a medida da temperatura, da pressão arterial e da freqüência cardíaca da mãe e do feto. Você receberá instruções para permanecer deitada de lado, em jejum, podendo ingerir apenas água. Uma via intravenosa, para receber líquidos, pode ser instalada. Medidas como a lavagem intestinal e a raspagem dos pêlos pubianos também poderão acontecer.
Quando as contrações uterinas adquirem um ritmo constante e regular, inicia-se a fase ativa do trabalho de parto. Nessa fase é importante o monitoramento adequado da freqüência cardíaca fetal, atentando para sinais que indiquem sofrimento do feto. Se as contrações se tornarem muito dolorosas pode ser necessário algum tipo de medida para aliviar a dor. A mais usada é a chamada analgesia peridural (já vamos falar mais sobre ela). O andamento do trabalho de parto é acompanhado através de um gráfico chamado de partograma. Com isso, é possível detectar precocemente alterações que venham interferir na boa evolução do trabalho de parto, antecipando situações que podem determinar a necessidade de uma intervenção cirúrgica, conhecida por cesariana. Como você pode perceber tudo é muito bem controlado e não há necessidade de se ter medo. Se concentre apenas em seu bebê, pois em pouco tempo você estará com ele nos braços! Isso não é uma maravilha? Tire todos os pensamentos negativos da sua mente, pense só nas coisas boas, isso ajuda muito.
No final dessa fase, com o colo uterino dilatado, a gestante sente uma pressão maior no períneo e a necessidade de empurrar como se fosse evacuar. Na maioria das vezes a gestante é levada para a sala de parto. Colocada em uma cama especial, em posição ginecológica e com a cabeceira elevada, iniciam-se as manobras que facilitarão o nascimento. Algumas vezes pode ser necessário realizar uma pequena incisão, geralmente lateral no períneo, para facilitar a saída do bebê.

Em seguida ao nascimento, o cordão umbilical é clampeado e cortado. O bebê será levado para receber os primeiros cuidados por um médico pediatra e em seguida ele será colocado junto a você! Que momento lindo! Mãe e filho finalmente se conhecem e o amor cresce ainda mais entre eles! Esse é o verdadeiro milagre da vida!
A diferença entre as anestesias:
# A Raqui promove o bloqueio sensitivo e motor, ou seja, a paciente deixa de sentir e movimentar as pernas e o baixo ventre. Esse tipo de anestesia proporciona um relaxamento maior da região pélvica e sua instalação é mais rápida.
# A Peridural promove apenas o bloqueio sensitivo, ou seja, a paciente deixa apenas de sentir, permanecendo a movimentação; eliminando a dor, mas não interferindo nas contrações uterinas.
A cesariana é indicada em casos especiais, e ela é uma intervenção cirúrgica, por isso pense bem antes de se decidir.
Nós desejamos a você um lindo parto e que seu bebê nasça com muita saúde! Um grande abraço!"
Fonte: CyberAmelia


Encontrei essa pérola num site e achei interessante colocar aqui. O medo da mulher com relação ao parto normal é acolhido com um "não se preocupe, os médicos sabem o que fazer". Ao mesmo tempo em que o consultor fala que a mulher nasceu pronta para parir, ele descreve um show de horrores como sendo um parto normal. Essa é nossa cultura, o modelo obstétrico que temos. A informação que é passada com esse tipo de orientação é a de que a mulher está perdida, ela precisa da ajuda dos médicos e enfermeiras que sempre sabem o que fazer e cuidam de tudo. Às mulheres cabe somente deitar e esperar que alguém suba em sua barriga pra que o bebê nasça, afinal eles cuidam sempre de tudo. Triste, muito triste.

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Cesariana 'pode aumentar risco de morte em até 20%'


escrito por: Tricia em terça-feira, maio 30, 2006 às 10:36 AM.

Cesariana 'pode aumentar risco de morte em até 20%'

O grande número de cesarianas realizadas na América Latina aumenta o risco de mortes e complicações pós-parto para as mães e bebês.
A conclusão é de um estudo da Organização Mundial de Saúde publicado nesta terça-feira na revista médica The Lancet. Segundo os dados coletados, as mortes pós-parto subiram em até 20% com o aumento do número de cesarianas.

O estudo selecionou aleatoriamente 120 hospitais públicos e privados em oito países: Argentina, Brasil, Cuba, Equador, México, Nicarágua, Paraguai e Peru. Um terço dos 97 mil partos analisados durante o período do estudo foi realizado por cesariana.

O estudo concluiu que os hospitais com o maior número de partos realizados por meio de cesarianas eram os que apresentavam maiores taxas de doenças maternas, mortes e uso de antibióticos após a gravidez.

Brasil

No trabalho feito pela OMS, foram observados 15 hospitais públicos e 4 privados no Brasil. Nesses hospitais, foi observado um volume de cesarianas próximo da média da região, de 33%. Os hospitais privados tiveram uma média pouco maior do que os públicos.

Ainda segundo o estudo, em países como México e Equador essa taxa foi muito maior. No México, por exemplo, nos dois hospitais privados observados as cesarianas chegam a 80% dos partos realizados.

No Brasil como um todo, segundo números oficiais (os mais recentes são de 2004) a taxa de cesarianas está em 34,5% dos 2,5 milhões de partos realizados.

No mesmo ano, em média, 71,5% dos partos na rede particular foram cesárias.

A cesariana é uma cirurgia em que uma incisão é feita no útero para a retirada do bebê e é recomendada em casos de dificuldades no parto normal, quando o bebê está sofrendo ou se a mãe está doente ou tem pressão alta.

Segundo Heloísa Lessa, Secretária-Executiva da ONG Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento, nos grandes centros brasileiros há hospitais em que "até 99% dos partos são feitos através da cesariana".

Lessa acrescenta que as brasileiras urbanas correm sete vezes mais risco de morrerem no parto do que as que vivem no meio rural.

Segundo ele, já há no país iniciativas como o Pacto Nacional Para Redução da Mortalidade Materna, patrocinada pelo Ministério da Saúde, que reduziu o pagamento de cesárias para hospitais. Se mais de 40% dos partos forem cesarianas, os hospitais deixam de ganhar adicionais.

O ministério também promove o Programa de Humanização no parto e as perspectivas é de que os números venham a baixar.

América Latina

Em toda a América Latina, 2 milhões de crianças estão nascendo de cesáreas a cada ano, a um custo extra de US$ 350 (cerca de R$ 700) cada.

O dinheiro que, segundo o estudo "poderia ser usado para melhorar outras áreas do tratamento das mães e dos bebês e pagar pesquisas necessárias".

O motivo para um volume alto de cesarianas vai desde pressões sociais à percepção da segurança da cirurgia.

Os dados da OMS, no entanto, contradizem a idéia de que a cesariana, quando feita de forma desnecessária, é tão segura quanto o parto normal.

Para o chefe da equipe que realizou o estudo, o médico Jose Villar, "as maiores taxas de nascimento por cesariana não necessariamente indicam boa qualidade de serviços ou de tratamento".


FONTE: BBC Brasil

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Decepção pós-cesária


escrito por: Tricia em segunda-feira, fevereiro 06, 2006 às 10:41 AM.

Decepção pós-cesária
Fazer cesariana quando se sonha com o parto normal muitas vezes pode
ser sinônimo de frustração. Mas é bom saber que a medida pode salvar a
vida de seu bebê, e você não será uma mãe pior por causa disso



Vamos combinar que a maioria das mulheres sonha em ser mãe. Desde cedo
meninas brincam com suas bonecas e até já vão treinando o barrigão com
a ajuda de um travesseiro, é ou não é? Quando a idade avança e começam
a pensar em gravidez, esse sonho vem acompanhado do desejo de uma
gestação tranqüila, claro. E, se imaginam o nascimento, muitas
idealizam o parto normal, como o de suas mães e avós em sua maioria.
Mas será que tudo vai correr como o sonhado? Não dá para saber, só
vivendo para conferir, óbvio. O importante é não pirar e achar que,
caso seus planos não sejam seguidos à risca, será o fim do mundo. Não
é. Se precisar fazer uma cesária, por exemplo, e não era assim que
gostaria de ter seu bebê, entenda que você não será uma fracassada,
muito menos uma mãe pior por causa disso. Por outro lado, é bom se
preparar para não realizar uma operação desnecessária.

Para muitas mulheres que desejam o parto normal, mas acabam submetidas
à cesariana, sobram a frustração e a sensação de fracasso, como se não
tivessem sido capazes. A secretária Jussara Furedi Costa, mãe de
Thalita, se programou para o parto normal. Com 37 semanas e meia de
gestação, iniciaram-se as contrações. De madrugada, o obstetra a
orientou para estar cedo na maternidade. Com apenas dois centímetros
de dilatação, tomou soro por uma hora (com ocitocina, para estimular
as contrações). Como não evoluiu, a enfermagem iniciou a raspagem dos
pêlos. Ao questionar os procedimentos, Jussara ouviu que a orientação
era do obstetra, dada pelo telefone. "Quando ele chegou, disse que o
meu caso não tinha jeito e seria necessária uma cesariana." Em dez
minutos estava no Centro Cirúrgico. "Fiquei chateada e frustrada e
ainda hoje não me convenci de que foi necessária", conta.

Para a psicóloga e doula (profissional que acompanha as mães da
gestação ao parto) Denise Bueno, a mulher precisa "fazer um curativo"
na ferida aberta pela cesariana e, por isso, procura um culpado pelo
sonho não realizado, muitas vezes sendo injusta com ela própria. "Como
durante nove meses ela foi 100% responsável pelo desenvolvimento da
gestação, nada mais lógico para ela do que se considerar a grande
culpada, esquecendo-se até da parcela de responsabilidade do médico",
constata. A psicóloga diz que muitas mães costumam achar que falharam
e que não foram capazes. E reforça: "O parto normal não é atestado de
que uma mulher é mais mãe do que outra que teve seu bebê por meio de
uma cesária", diz Denise.

A recomendação é que as grávidas busquem informações sobre a gestação,
os procedimentos do obstetra e como se preparar para o nascimento do
bebê. Por meio de conversas com outras mães, revistas, Internet e
cursos de preparação para o parto, as gestantes poderão escolher um
profissional de saúde que gere confiança e a segurança de que tudo
será feito de acordo com o desejo delas. "Existe um pouco de
conveniência por parte de alguns médicos que 'resolvem' o parto, de
modo que não interfira em sua agenda no consultório, nas férias ou até
num compromisso social. Eles 'sugerem' uma cesária com a alegação de
fatores de risco, e que, devido à fragilidade emocional da mãe no
momento, são aceitos sem argumentos", conta a psicóloga.

Somos os vice-campeões

A cesária muitas vezes é a única solução para salvar a vida do bebê, e
aí é fundamental que aconteça, mas é verdade também que há certas
ocasiões em que é realizada sem necessidade, porque é mais conveniente
para o médico ou porque a própria gestante está com medo da dor. Para
se ter uma idéia, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é o segundo
país recordista em cesarianas. Só perde para o Chile. Cerca de 40% das
mulheres em todo o país têm filhos por cesárias, e o índice aumenta
anualmente. Nos hospitais particulares chega a 90%. "Hoje, para se ter
parto normal, é uma verdadeira batalha", afirma a jornalista Joanna
Savaglia, mãe de Rodrigo e Marina, autora de um documentário (em fase
de produção) sobre as vantagens do parto humanizado conforme as
recomendações da Organização Mundial da Saúde. Ela acredita que é
preciso correr atrás de informações. "A mulher tem de tomar o poder do
parto dela", diz. E é aí que entra a sua responsabilidade. Se você
desde o início espera um parto normal, é legal que encontre um médico
que pense da mesma forma, por isso converse com amigas que fizeram
partos normais e procure indicações.

DICAS PARA O PARTO NORMAL

- Procure obstetras que incentivam o parto normal. Converse com amigas
que realizaram esse parto e busque indicações. Faça uma primeira
consulta até chegar a um profissional que lhe dê segurança.

- Conheça grupos que defendem o parto natural: www.amigasdoparto.com.br,
www.rehuna.org.br, www.redesaude.org.br e www.mulheres.org.br, por
exemplo.

- Busque entender os caminhos que levam ao parto normal. Leia, converse
com pessoas, pesquise. Isso vai te ajudar a saber mais sobre o
desenvolvimento da gestação e as diversas fases que antecedem o
trabalho de parto.

- Informe-se sobre o trabalho das doulas, acompanhantes de parto que se
preocupam exclusivamente com a mãe. Não são obstetras ou enfermeiras.
O papel delas é dar suporte físico, emocional e afetivo. A relação se
inicia durante a gestação. No trabalho de parto, ela irá orientar
sobre as melhores posições, irá acalmá-la, fazer massagens, explicar o
que está acontecendo e dar segurança ao casal. Mais informações no
site www.doulas.org.br

- Escolha um curso preparatório que ofereça informações sobre as fases
do trabalho de parto, o que esperar, a dor do parto, dicas de
respiração, entre outras coisas.


Com hora marcada

Outro fator que influencia o alto número de cesárias no Brasil é a
condição socioeconômica da mulher hoje, que enfrenta um dia-a-dia
muito mais atribulado do que o das mães e avós no passado. "Muitas
vezes a própria mulher acha que uma cesária é mais compatível com o
ritmo de vida dela, porque o parto é mais rápido e ela pode se
programar", afirma o obstetra e ginecologista Pedro Augusto Marcondes
de Almeida, livre-docente em Clínica Obstétrica pela Escola Paulista
de Medicina de São Paulo, pai de Maria Silvia e Ana Maria. "As
brasileiras não aceitam ficar 24, 36 horas em trabalho de parto", diz.
Mas assume que na maioria das vezes o médico é o principal inimigo do
parto normal. "Para ele, é mais fácil organizar a agenda, já que não
terá de esperar por muitas horas e poderá fazer vários partos no mesmo
dia", completa.

O número de mulheres que optam pela "cesariana eletiva", isto é, com
dia e hora marcados, é cada vez maior. A publicitária Maria Luiza
Marques, mãe de Áurea, decidiu programar o nascimento da filha no
quinto mês de gestação. Como enfrenta dificuldade para conseguir
férias com o marido, planejou a cesária para o pai poder compartilhar
o primeiro mês de vida da filha. E não se arrepende. "Não consigo me
imaginar em trabalho de parto, sofrendo, com dor", admite. "Os tempos
mudaram e precisamos encarar isso. Por que não usufruirmos dos avanços
da medicina?", questiona. "Quem opta por uma cesária eletiva joga com
a sorte", diz a psicóloga Denise Bueno. Nesse caso deu certo.

Porém, a obstetra Simone Grilo Diniz, pesquisadora e professora da
Faculdade de Saúde Pública da USP, mãe de Beatriz e Davi, faz um
alerta: "O número excessivo de cesarianas é um dos principais
responsáveis por não caírem os índices de morte materna e neonatal".
Segundo ela, a cesária feita antes do tempo provoca chances maiores de
a criança nascer com baixo peso e de sofrer problemas respiratórios.
"No trabalho de parto ocorre um bombardeio de hormônios, fundamental
ao amadurecimento final do bebê", explica.

Rebeca Kupfer, mãe de Samuel, Sílvia e Simone, sabe bem o que é isso e
talvez tenha vivido essa situação. Com 38 meses de gestação, ela foi
para a maternidade porque sentia muitas contrações. Tomou soro, mas a
dilatação não evoluiu. Sem resultado, o ginecologista optou pela
cesariana, em vez de mandá-la de volta para casa. Uma hora após o
parto de Samuel, ele foi encaminhado à UTI com grave problema
respiratório. "Eu me senti culpada por ter ido cedo à maternidade, mas
eu estava muito ansiosa, não tinha condições de avaliar", diz Rebeca.
"Nunca vou saber se precisava mesmo fazer essa cesária, porque
faltavam ainda duas semanas para a data prevista, e ao mesmo tempo
vejo que, das 11 crianças que nasceram na minha família nos últimos
dez anos, apenas uma foi de parto normal", diz.


Despreparados

Além da comodidade médica e da própria gestante, segundo
especialistas, o alto índice de cesárias no Brasil acontece também
pela falta de preparo dos próprios médicos. O ensino hoje na maioria
das faculdades de Medicina é ruim, e os estudantes aprendem que
realizar uma cesária pode ser mais simples, rápido e fácil. "Se
ocorrer um imprevisto durante um trabalho de parto normal e o médico
não souber conduzir, as complicações podem ser muito maiores, por isso
eles têm medo", explica o obstetra Pedro Augusto.

A estrutura dos hospitais também favorece os partos cesarianos. Ao dar
entrada em uma maternidade já em trabalho de parto, a mulher é
submetida a monitoramentos que muitas vezes podem dificultar a
evolução das contrações, como a própria opção de ficar deitada
imobilizada com as pernas para o alto e o uso de soro. "Os
procedimentos são iguais para todas as gestantes, e as intervenções
podem atrapalhar o andamento normal do parto", diz a obstetra Simone
Diniz. A falta de informação colabora. "A mãe é orientada para ir ao
hospital logo que se iniciam as contrações mais ritmadas, porém muitas
vezes é apenas o útero treinando, só que, como já está internada,
acaba submetida à cesariana", diz Dra. Simone.

A advogada Beatriz B. Mendonça, mãe de Felipe e Tiago, enfrentou maus
momentos ao insistir no parto normal. Depois de ter o primeiro filho
por cesariana, ela decidiu que tentaria o parto normal na segunda
gestação. Foi para a maternidade com dor e bastante contração. Ficou a
tarde deitada. Às 19 horas, reclamando de dor, ouviu da enfermeira,
num tom bastante irônico: "Ué, mas você não queria o parto normal?".
Acabou submetida a uma segunda cesariana. "Não acho que recebi o
tratamento adequado e, por isso, recomendo que quem quiser o parto
normal se informe muito sobre o médico e o hospital, porque parece que
eles não gostam muito e jogam contra", diz a advogada.

E quando existe a suspeita, ou mesmo já se sabe antes, de alguma
complicação com a mãe e o bebê? O obstetra Pedro Augusto afirma
categórico: "Não se pode condenar a cesariana como se fosse sempre
desnecessária". Hoje em dia existe uma cautela maior, e o índice antes
aceitável de 7% de cesárias na realidade é bem mais alto. Para ele, as
mulheres correm menos riscos se houver algo fora do normal. E relata
um caso típico: "Quando já se sabe que o bebê terá mais do que 4
quilos, hoje se decide pela cesariana, para evitar as conseqüências de
um períneo rompido, ou mesmo de um problema de incontinência urinária
ou de queda de bexiga no momento em que a mulher estiver mais velha",
conta.


O QUE PODE LEVAR À CESÁRIA:

Eclâmpsia: pressão alta da mãe durante a gravidez.

Cordão umbilical: quando aparece antes do bebê ou se está enrolado no
pescoço dele.(não justificado)

Doenças: mãe com diabetes, pressão alta, herpes genital, HIV positivo.

Placenta prévia: a placenta se localiza sobre o colo do útero.

Bebê pélvico: quando ele está de cabeça para cima no útero.

Situação transversa: o bebê não está nem sentado, nem de cabeça para baixo.

Bebê com a cabeça para cima: com risco de sofrer no parto vaginal.

Parada de progressão: quando o parto não evolui.

Sofrimento fetal: se o bebê está sofrendo no trabalho de parto.

Placenta: caso haja ruptura ou separação da parede do útero no
trabalho de parto.

Outros partos: quando a mulher já passou por duas ou mais cesárias.(relativo)

Desproporção céfalo-pélvica: a cabeça do bebê não passa pela bacia



Sem vilões

A pediatra Ana Beatriz Dias, mãe de Nicolau e grávida de seis meses de
Sofia, teve uma gestação tranqüila e se preparou para o parto normal.
Apesar das fortes contrações, o bebê estava muito alto na barriga. Em
trabalho de parto por muitas horas, ele começou a apresentar indícios
de sofrimento fetal, com batimentos cardíacos muito irregulares. Foi
quando a médica decidiu por uma cesariana de emergência. "Meu filho
nasceu molinho, quase não reagia, demorou um tempo para voltar ao
normal", relata. Mesmo frustrada por não ter feito o parto normal, Ana
Beatriz tem a certeza de que a obstetra optou pelo melhor caminho. "A
cesariana salvou a vida de meu filho", comemora emocionada.


Ao se deparar com uma cesária inesperada, o sentimento de que o ciclo
de gestação e do nascimento do bebê não foi completo vem muito forte.
Mas bola pra frente, afinal a maternidade está apenas iniciando. O
importante é que o bebê está ali, nos braços da mãe, e que mais do que
nunca precisa de carinho e afeto. A psicóloga Denise Bueno aproveita
para dar uma dica: "O ato de amamentar ajuda a superar esse
sofrimento".


A HISTÓRIA DA CESÁRIA

Michel Odent, obstetra francês, responsável pela introdução de quartos
e piscinas de parto em hospitais públicos na França, escreve em seu
livro, A Cesariana, que os avanços tecnológicos do século 20 tornaram
possível o sonho humano presente em lendas, mitos, poemas e narrativas
de a cesária se tornar uma forma comum de dar à luz. Segundo Odent, na
mitologia grega, Asclépio (ou Eusculápio, para os romanos), o deus da
medicina, nasceu quando Apolo, seu pai, cortou o abdômen da amada
ninfa Coronis, depois de ela ter sido executada por infidelidade. No
século 8 a.C., o governante romano Numa Pompilius fez uma lei exigindo
que todas as mulheres mortas em trabalho de parto deveriam ter o bebê
retirado, mesmo sem vida. A lei, que vigorou durante todos os reinados
dos imperadores romanos, ficou conhecida como Lex Caesarea, do verbo
latino caesere, ou seja, cortar, provável raiz do termo. A versão de
que o nome cesariana teria sido originado com o nascimento do
imperador Júlio César, retirado da barriga de sua mãe Aurélia, é hoje
considerada inconsistente pelos historiadores, já que sua mãe viveu
por muitos anos após dar à luz. O primeiro registro de cesariana em
mulheres vivas em um tratado médico é de 1500, na Suíça. Um castrador
de porcos, Jacques Nufer, teria feito a primeira operação na própria
esposa, sobrevivendo a mãe e o bebê. Ele se ofereceu para tentar uma
cesariana na mulher, que sofria em trabalho de parto, apesar da ajuda
de 13 parteiras e alguns litotomistas (cirurgiões que extraíam pedra
da bexiga). Conta o tratado que com uma faca, num único golpe, ele
liberou o bebê vivo e intacto da barriga da esposa. Costurou então o
útero da mulher, que se recuperou bem.

FONTE: Revista Pais e Filhos (abril/2006)

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QUEM  SOMOS
 



Tricia Cavalcante: Doula na Tradição, formada pela ONG Cais do Parto, mãe de três, e doula pós-parto.Moro em Fortaleza-CE.


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