O Parto na Água no Brasil


escrito por: Tricia em terça-feira, outubro 17, 2006 às 4:36 PM.

Recursos Naturais de um País continente

A América Latina possui 25% dos 40.000 trilhões de metros cúbicos de água escoado anualmente no mundo, sendo o Brasil o país mais rico em água, detendo 19% desse total. Evidentemente essa água é distribuída de forma desigual pelo continente; entre o rio Amazonas cuja vazão é próxima de 18 bilhões de metros cúbicos por dia (18 vezes a demanda mundial em água) e o deserto de Atacana ou as áreas de Seca do Nordeste Brasileiro, onde não chove mais que alguns mililitros por ano 1.

O Brasil detém cerca de 20% da água doce do mundo, é um país extremamente rico em rios, situando-se, no seu território, a maior parte das duas maiores bacias hidrográficas do planeta: a Amazônica e a Platina composta pelas bacias do Paraná, Uruguai e Paraguai, cujos rios principais apresentam suas nascentes no território brasileiros.
A presença, no Brasil, de uma ampla rede hidrográfica é decorrente do fato de a maior parte do território Brasileira estar situada em domínios climáticos caracterizados pela ocorrência de elevados índices pluviométricos ou seja, do tipo equatorial e tropical. Os rios brasileiros são predominantemente volumosos e planalticos, ou seja, ricos em água d'água, o que significa dizer que apresentam, no seu conjunto, elevada potência hidráulica.

Podemos dizer que o Brasil foi colonizado através suas hidrovias de fácil acesso enquanto a selva e a mata eram um obstáculo à evolução das expedições. Ainda hoje observamos no mapa Brasileiro a influência desta colonização, com inúmeras cidades ribeirinhas principalmente nas regiões norte e nordeste.

Brasília, Distrito Federal, é também a capital mundial das piscinas, devido a baixa umidade relativa do ar do planalto central, a população aderir firmemente ao banho de piscina.

Nos seus oito mil km, o litoral brasileiro apresenta uma diversidade enorme de formas. Os contrastes vão desde a retilínea costa gaúcha até a extremidade entrecortada reentrância maranhense. Alternam-se desde a maior praia do mundo - a praia do Cassino com 212 km no Ri Grande do Sul - até as minúsculas praias do litoral da Rio-Santos.

O Brasil possui em sua extensa área diversos climas como: equatorial, tropical, subtropical e semi-árido. As temperaturas variam de 0 a 35° Celsius de acordo com as diversas regiões e da estações do ano.

O Brasil tem uma população absoluta muito alta: 162.172.902 habitantes (IBGE, 1998). Um dos países mais populosos do mundo e uma densidade demográfica muito baixa de 19 hab./km 2 . O Brasil é pouco povoado. Com uma taxa de natalidade de 24,7 por mil em 1991, uma mortalidade de 5,8 por mil e um crescimento vegetativo de 1,89%.

A parcela de jovens (0 a 19 anos) representa 44,51% do total da população brasileira gerando a necessidade de grandes investimentos em setores como educação e saúde. Os índices de gravidez na adolescência no país são alarmantes. Os adultos (20 a 59 anos) representam 47,79% do total exige uma grande oferta de postos de trabalhos.

Nos últimos 50 anos ocorreu uma alta taxa de urbanização que diminuiu a taxa de natalidade e mortalidade. O exôdo rural é grande ocorrendo uma grande urbanização a partir da década de 50. A região sudeste é a mais urbanizada em função do seu desenvolvimento industrial e econômico atraindo a população de outras regiões, principalmente do nordeste.

Terapias naturais. A cultura brasileira do banho.

HIDROTERAPIA

A hidroterapia termal ou Crenoterapia é um das mais antigas terapias da humanidade. As águas minerais pela sua composição química e pêlos efeitos biológicos e farmacodinâmicos, podem ser consideradas como agentes medicamentosos. Mas muitas delas perdem suas virtudes ao serem retiradas da fonte, portanto como dizia o professor Cuvelier: "não é o medicamento que deve ir até o doente, o doente deve ir até o medicamento". Então convencionamos chamar de uma "cura termal".

A composição química das águas minerais é que lhes atribui o valor terapêutico: águas sulfurosas (enxofre), águas arsenicais, águas ferrosas, entre outras. Águas profundas que jorram quentes contém abundância de gás carbônico, utilizado em tratamentos termais. Em certas fontes, porém, a propriedade radioativa, absolutamente desprovida de nocividade, é tão grande que é utilizada pelo seu poder sedativo e analgésico.

Então podemos classificar as águas minerais de cura em cinco grupos principais: bicarbonadas, sulfatadas, cloretadas, sulfurosas e pouco mineralizadas (radioativas). Podemos utilizar a água na cura interna através da ingestão e na cura externa através de banhos, duchas, lamas,etc...

O Brasil é rico em estâncias hidrominerais, fontes de água mineral e termas. As termas brasileiras mais famosas são: Caldas da Imperatriz em Santa Catarina, Caldas Novas em Goiás e Poços de Caldas em Minas Gerais.

O brasileiro é acostumado à cultuar o banho no mar, nos rios, nas cachoeiras, nos igarapés, nos banhos, nos lagos, nas cavas e nas hidroelétricas. Esta é uma das principais atividades recreativas nos fins de semana da família.

BALNEOTERAPIA

Pode-se definir esta operação como sendo a imersão do corpo num meio de água doce, quente ou fria, ou ainda sua exposição aos raios solares, ao ar livre ou, finalmente, ao vapor. Age principalmente estimulando a circulação sangüínea, a respiração, o sistema nervoso e as defesas do organismo.

Na forma líquida, duchas e afusões (Kneipp), banhos quentes ou frios, podemos adicionar plantas aromáticas e medicinais

cujas propriedades nos interessam. O banho com sal isotônico também é recomendado em certas carências de sais minerais e energéticas. Na forma gasosa a aplicação terapêutica de um gás natural, o ar ambiente e o vapor da água.

TALASSOTERAPIA

O termo é formado pelas palavras gregas: thálassa - mar e therapéia - tratamento. Três fatores encontram-se presentes na terapia natural do meio marinho: o ar ambiente, as radiações solares e a água salgada.

O ar ambiente a beira mar detém uma estabilidade relativa do clima, é pobre em germes patogênicos e em poeiras, mas, por outro lado, muito rico em ozônio - bactericida, iodo - cicatrizante e bactericida, sal e sílica. Aqui o vento tem papel fundamental na terapia.

As radiações solares diretas e refletidas pela água faz surgir um grau de luminosidade superior aumentando os efeitos da helioterapia na fixação de vitaminas e sais minerais no organismo, na desintoxicação, na recuperação do sistema nervoso e imunológico.

A água salgada comporta todas as variedades de elementos nutricionais e propriedades terapêuticas para o indivíduo como: no meio mineral - sódio, potássio, magnésio, cálcio, no meio vegetal - plantas, algas, no meio animal - peixes, crustáceos e microcrustáceos, entre outros.

Além dos efeitos terapêuticos a água do mar possui um efeito de energização e reequilibra o ser humano.

O cientista alemão-brasileiro Prof. Dr. Hans Jakobi6 dedicou sua vida ao estudo e a pesquisa da biologia marinha e foi o grande defensor das 200 milhas marítimas da costa brasileira na década de 70 em seus inúmeros trabalhos. Ele tinha a convicção de que o homem deverá, num futuro próximo, retornar ao Mar, pois lá encontramos diversos meios essenciais para a nossa subsistência no planeta Terra.

ALGOTERAPIA

é a utilização terapêutica de algas marinhas. As algas possuem propriedades terapêuticas tonificante, reconstituinte e recalcificante devido às altas concentrações de iodo, sais minerais (cálcio, flúor, magnésio, cobalto e potássio), vitaminas (A, complexo B, C, D), hidratos de carbono e alguns elementos radioativos como o rádio. A forma mais prática e certamente mais ativa é o pó de algas sua aplicação no banho de água doce reveste-se de todas as qualidades da água do mar. Os banhos quentes aumentam a absorção destes elementos. Os banhos devem ser realizados à temperatura de 35 a 37° C, de preferencia à noite.

FITOTERAPIA E AROMATOTERAPIA

Nos chamados banhos de plantas os princípios ativos agem pela inalação dos vapores e pela penetração na pele e posterior distribuição pelo sangue a todo o organismo. Podemos incorporar as plantas aos banhos de duas maneiras: a infusão gigante e as essências aromáticas. As plantas aromáticas de uso corrente no banho que podem ser adicionadas no trabalho de parto são: efeitos analgésicos e sedativos - lavanda, camomila e efeitos estimulantes e antidepressivos - rosa, alecrim e a alfazema.

Aplicadas na forma de deccoção da planta em banhos quentes em média de 300 gramas de plantas frescas para cada 100 litros de água ou essências que são mais práticas no seu uso.

3. O Parto no Brasil

O termo "parto" é de origem grega (Tocos) e foi introduzida em 1812 por Osiander da Universidade de Gotingen. Parto é conceituado como a "expulsão ou extração do feto e seus anexos do organismo materno", sendo a fase resolutiva do ciclo grávido-puerperal.

Os objetivos básicos da assistência ao parto são: abreviar a sua duração, reduzir o sofrimento materno, prevenir a anóxia fetal e garantir a integridade anatômica e funcional dos órgãos da parturição.

A Assistência ao Parto no Brasil

Na literatura especializada, antropologia da índia brasileira, as observações detêm-se em aspectos sociais, econômicos, etnológicos, sobretudo em manifestações folclóricas. De suas condições orgânicas pouco tratam.

João Nienhof, em 1640, fez a primeira menção ao parto: "As mulheres tem estatura média, membros bem torneados e não são feias. Casam cedo, são muito fortes, têm seus filhos fáceis, levantam-se cedo e vão banhar-se no rio, sem auxílio de ninguém (...) andam nuas, sem nenhuma cobertura, com tanta inocência, como têm de mostrar o rosto."

Desde 1957 Moysés Paciornik4 iniciou contato com os brasílidas, através do Centro Paranaense de Pesquisas. No Paraná, Santa Catarina, e outros estados estudou duas famílias indígenas: Caigange e Guarani.

Nas aldeias indígenas não encontramos móveis como: bancos, cadeiras, pias, fogões, entre outros para descansar, cozinhar, urinar, defecar, assim a índia obriga-se a ficar de cócoras. Outro aspecto interessante é que as índias carregam seus filhos nas costas apoiados numa faixa de apoio frontal.

Assim todos os elementos e segmentos, pele, músculos, tendões, aponeuroses, ossos, articulações dos membros inferiores submetem-se a um esforço que os fortalece. Nesta posição fraciona a coluna venosa, agindo como uma meia elástica, prevenindo as varizes de membros inferiores, melhorando a irrigação sangüínea de órgãos nobres do corpo, fortalece a coluna vertebral evitando distúrbios de coluna como cifoses, escolioses, lordoses, etc...

Os partos antigos eram realizados sem auxílio estranho, acocoradas em suas palhoças. Nos tempos modernos, os índios em aculturação, gradativamente, adotam costumes dos brancos. As mais novas, atendidas por parteiras ou médicos em maternidades, no parto civilizado, adotaram o decúbito dorsal europeu.

No Norte e Nordeste brasileiro ainda é comum parir na rede ou em pé apoiando-se numa corda amarrada em uma árvore.

As cadeiras de partos foram incorporadas posteriormente introduzidas por diversas culturas.

Em nossa região, Rondônia e Acre, existe uma religião natural influenciada pelo catolicismo rural, que utiliza um chá - DAIME, um mistura dos extratos das plantas da floresta Amazônica - "Banisteriopsis caapi" e da "Psicotria viridis". A parteira Dona Maria Sarmento utiliza tal chá como proteção da gestante e como facilitador do parto, inclusive administrando uma gota do chá ao recém-nascido. (Tese de Doutorado - Arneide Bandeira Cemin).

O parto médico e o decúbito dorsal foi trazido pelos colonizadores portugueses, em especial quando D. João VI, Rei de Portugual, transferiu a corte imperial para o Brasil colônia, quando da invasão francesa na era napoleônica. Isto obrigou a medicina artesanal local a evoluir, adotando os métodos e condutas européias absorvendo esta nova tecnologia. O Império fundou diversas Escolas de Medicina, a primeira em Salvador, Bahia, e que sofreram a influência da escola européia, em especial a francesa.

A assistência ao parto, outrora atribuição de curiosas e comadres, ganhou foros de cidadania e passou a ser encarada como atividade médica com a evolução da escola ativista de Estrasburgo que teve em Schikelé e Kreis seus precursores, ao estabelecerem o marco inicial da assistência ao parto, com o clássico "Parto médico".

Os grandes progressos científicos que a Medicina experimentou, no final do século passado, fortalecem muito o prestígio social do médico, a ponto de lhe conceder acesso à assistência ao parto, até então rigidamente afeta às atividades das "comadronas". Sua participação figurava como última instância, na escala de todos os recursos a empregar7.

Desde então passou a ser atribuição direta do obstetra a participação ativa no trabalho de parto. Esta participação, contudo, variava de acordo com as diversas escolas obstétricas, uma mais ativas e intervencionistas e outras mais moderadas e expectantes.

Então os partos outrora domiciliares, no seio da família, passaram a serem realizados nos hospitais, longe dos entes queridos, a um custo cada vez mais elevado. O parto tornou-se um ato médico cirúrgico sem a participação ativa da parturiente, excluindo os familiares e afastando o nenê de sua mãe. Assim, perdeu-se o envolvimento emocional do familiares, participantes milenares do ritual do parto domiciliar, fato extremamente significativo, legitimado como expressão de afeto e solidariedade. Sua subtração gera como reflexo, o conhecido descontrole emocional, que muitas vezes transforma a sala de parto num desconfortante coro de gemidos e lamentações. O que foi ganho em segurança foi perdido em calor humano.

Hoje as autoridades já discutem a aceitação da parteira, dentro do hospital, como profissional destinado à assistência dos partos não complicados, evidentemente como uma maneira de diminuir o alto custo da assistência médica hospitalar ao parto no Brasil.

A finalidade básica de qualquer sistema de atenção à saúde é: "propiciar e facilitar o acesso da maior parte possível da população aos serviços básicos e complexos de saúde, da maneira mais simples e menos onerosa possível".

No atual sistema de saúde brasileiro há três tipos de atenção obstétrica: a pública - Sistema Único de Saúde (SUS) patrocinada pelo Governo Federal, os convênios ou seguros médicos - Unimed, Goldem Cross, Blue Life, Saúde Bradesco, etc... e os pacientes particulares. O atendimento médico está assentado basicamente na atuação de um profissional:

O DOUTOR MÉDICO

Existe uma grande insatisfação da população em relação aos serviços públicos. É um sistema caro, dispendioso e caótico. Notícias recentes nos dão conta de que a Federação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas, que respondem por 68,4% dos leitos disponíveis no país, estuda um possível descredenciamento coletivo do SUS. Apesar de não pagarem impostos reclamam das baixas renumerações e pagamentos atrasados. A população com poder aquisitivo foge para as áreas privadas, adquirindo planos ou seguro-saúde 3.

Os procedimentos ligados à gestação e ao parto representam a maior parte dos gastos com internação no SUS 2. Nos últimos cinco anos, 91,5% dos partos ocorreram em unidade hospitalar e 78,2 % das mulheres de zona rural deram à luz em hospitais, mostrando um incremento de 13,4% quando comparado aos valores de 1986.

Posições brasileiras de parir

É descrito que, na época Pré-Hipocrática (V século a. C.) o direito de socorrer as parturientes era privativo das parteiras, sendo os recursos da medicina muito limitados e as manobras rudes e agressivas necessitavam colocar as parturientes em várias posturas. A posição de parto, mais comum, era sentada sobre um tamborete baixo ou no regaço das parteiras, podendo considerar que foram os egípcios que inventaram a cadeira obstétrica.

A cadeira obstétrica era de uso corrente entre os gregos, que faziam a mulher parir sentada ou reclinada, sendo esta posição também adotada pêlos romanos, onde as parteiras se colocavam ajoelhadas esperando o concepto.

Com a decadência do Império Romano e a ascenção dos árabes, passam a prevalecer suas influências. Assim Ali Bem-Abba s (994 d.C.) descreve a atitude adequada da parturiente: decúbito dorsal, com a cabeça em declive e hiperextensão do membro inferior. Neste período Trótula preconizou a perineorrafia pós-parto.

Entre os séculos XVI a XIX, Ambrósio Paré em 1521 dá preceitos quanto à posição da parturiente, e Francisco Mauriceau em 1700, divulga na Europa a posição deitada para o parto (decúbito dorsal), considerada a mais adequada aos hábitos e costumes da época. Esta posição generalizou-se na cultura ocidental até os dias de hoje. Em 1752, Guilherme Smellie difunde a posição de parir em decúbito lateral com os joelhos afastados por uma almofada, muito utilizada na décadas de 40 e 50.

Era clássico considerar apenas duas posições para parir: o decúbito lateral, tão a gosto dos anglo-saxões e a posição convencional, decúbito dorsal, adotada universalmente.

Flyn e Cols (1978) concluíram que a deambulação no trabalho de parto traz inúmeras vantagens para a mãe e feto, facilitando através dos movimentos da bacia, do relaxamento muscular e da força da gravidade a rápida dilatação do colo uterino e a passagem do concepto pelo canal do parto, aliviando as dores e abreviando o trabalho de parto.

Entre nós, Moysés Paciornik4 (1979), Galba de Araújo 7(1981), Caldeyro-Barcia5 (1982) e Hugo Sabatino5 (1984), pontificaram, preconizando a mudança de posição por ocasião do período expulsivo, salientado a importância da posição vertical.

Enquanto na mulher deitada seu canal se estreia, na posição de cócoras alarga-se e, até certo ponto, apresenta-se mais vazio, oferecendo menos obstrução à expulsão fetal. Diversos mecanismos concorrem para o sucesso: o sacro e o coccix basculam para trás, ampliando o diâmetro da via de parto, os músculos diafragmas perineais separam-se, a vulva e a vagina entreabem-se, o períneo posterioriza, o reto e a bexiga sobem, e a sínfise pubiana afasta-se proporcionando um alargamento de dois ou três milímetros 4.

Desta forma, no parto na posição de cócoras vários fatores colaboram na proteção das estruturas do assoalho pélvico da mulher: canal em declive, mais largo, mais vazio. Parto mais rápido, mais fácil, menos doloroso, menos perigoso. Menos riscos de lesões, roturas, esgarçamentos, deslocamentos que se refletem na situação e funcionamento dos órgãos pélvi-vaginais. Estes fatores somados representam um ganho de amplitude de 20% (vinte por cento). Ainda mais a posição transforma a via de parto num declive em direção ao solo, utilizando a força da gravidade 4.

Um grupo crescente de mulheres, mesmo que ainda minoritário, tem solicitado de seus médicos alternativas diferentes das convencionais para o atendimento de seu parto. Dentro dessas alternativas, uma porcentagem também crescente de mulheres deseja que seu parto seja realizado, se possível, em outras posições: em pé, de joelhos, de quatro, deitada de lado, sentada ou de cócoras. Porém no Brasil não existem dados suficientes relativos a estas posições, portanto, os médicos devem analisar mais casos para obter um know-how para modificar o atendimento convencional dos partos oferecidos. Para se conseguir isto, será necessário ter melhor conhecimento da fisiologia fetal no momento do período expulsivo e do mecanismo do parto, aliados a uma forma mais humanizada das atuais técnicas de atendimento médico ao parto.

Fenômeno cultural da cesárea no Brasil.


O Brasil, país conhecido pela abundância de recursos naturais, tem sofrido uma das piores ações antiecológicas: apresenta a maior taxa mundial de cesáreas, alcançando índices entre 70 e 90% em alguns hospitais. O parto cirúrgico passou a ser o método "normal" de fazer uma criança vir ao mundo, ocorrendo uma inversão de valores da naturalidade da vida. Este fenômeno permeia a cultura brasileira, pois, ao engravidar, muitas mulheres optam pela cesárea como forma "antidolorosa" de ter filhos, o que não passa de engano e desinformação.

Todavia aproximadamente 32% dos nascimentos ocorreram por cesarianas, uma cifra inaceitável. A intervenção cesárea é um procedimento capaz de evitar um óbito materno ou fetal quando indicada corretamente, mas representa um risco, para quem poderia ter um parto normal.

Há pelo menos 30 anos que o Brasil detém a liderança mundial de partos cesareanos, realizando até 558 mil cirurgias anuais desnecessárias, o que resulta num gasto inútil de R$ 83,4 milhões e a ocupação desnecessária de algo em torno de 1.653 leitos a cada dia. No município de Italva, no Norte Fluminense, por exemplo, 166 dos 168 partos ocorridos em 1996, foram de cesareana!!!2

Além de líder mundial na prática do parto cesareano, o Brasil por causa desta cirurgia, responde por um saldo médio de 114 óbitos maternos por 100 mil bebês nascidos vivos. A taxa de cesárea no Brasil situa-se em torno de 36,45, enquanto a dos Estados Unidos é de 24% e da Áustria 7,5% 2.

"As cesáreas desnecessárias são as primeiras a causar aumento de mortes maternas, de mortalidade pós-parto e de aumento de incidência de prematuridade e síndrome de angústia respiratória do recém-nascido", concluem estudos realizados nesta área pelo professor Hugo Sabatino 8. Os dados do SUS 2 mostram de que há 4,35 vezes mais riscos de infecção puerperal e de que a mortalidade materna, após o parto cesáreo, é de três vezes maior do que o parto normal ou do abortamento.

Dos fatores que contribuem para a epidemia de cesárea, os mais importantes são os seguintes: laqueadura de trompas, falta de reembolso de anestesia para o parto normal, desconhecimento da população dos riscos da cirurgia, conveniência médica devido ao tempo mais curto e melhor renumeração, incentivos financeiros diretos e indiretos para médicos e hospitais, falta de equipamentos para avaliação de risco fetal, mas ainda, a mais importante é a representação social da mulher que a cesárea é indolor e preserva a anatomia vaginal para as futuras relações sexuais.

No final da década de 80, a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO, através de seu Presidente Hans Halbe desencadeou um campanha de " Parto Normal e Amamentação - uma ato de amor". A classe médica e algumas entidades estranharam a conduta das Sociedades locais em estimular o resgate do parto normal e baixar os altos níveis de operações desnecessárias no país. Os colegas que apoiaram e divulgaram tal campanha foram taxados de oportunistas e ridicularizados perante a classe. Mal sabiam eles que estavam na contra mão da história. Mas hoje, após uma década, o mundo aderiu a este movimento, inclusive o Brasil.

O Ministério da Saúde preocupado com o alarmante índice de partos cirúrgicos, desenvolveu um projeto sobre a Epidemiologia da Cesárea na América, utilizando as estratégias de ação da Coordenação da Saúde da Mulher, da Criança e Adolescente, em parceria com Centro Latino Americano de Perinatologia da OPAS. Esse projeto desenvolve-se em três etapas. A primeira, estudou uma amostra de 103 maternidades do SUS, que apresentaram uma taxa acima de 50% de cesarianas em mais de 5.000 partos no ano de 1996. A segunda parte deve analisar as indicações de cirurgias, e a terceira deve avaliar todas as de indicações cesáreas. através de acompanhamento sistemático.

Em 1997, o Conselho Federal de Medicina3 (CFM) lançou ampla campanha com o slogam " Parto Normal é Natural" conscientizando a população e os médicos para o resgate do parto normal, buscando baixar os alarmantes índices de cesareanas verificados no país. A campanha que teve como madrinha a atriz Malú Mader, envolveu diversas entidades da sociedade civil principalmente as voltadas para a saúde e os direitos das mulheres. A repercussão da campanha atingiu o Ministério da Saúde que após a posse do ministro José Serra, intensificou o Programa de Assistência À Saúde da Mulher, com medidas como aumento de recursos para os procedimentos de partos normais ou cesáreas, incentivo à criação de serviços de alto risco com renumeração diferenciada, pagamento de analgesia nos partos normais e de UTI neonatal, entre outras3.

O Parto Natural e Humanizado.

Veio o saber médico e, em nome da defesa da vida e da ausência da dor, se apossou deste processo natural. A família insegura e despreparada fica à mercê desse saber. Temos dificuldade para entender a razão desta cultura que transformou o nascer num ato tão médico e mecânico. Não interprete que somos contra os grandes avanços da tecnologia médica. A gestante é tratadas como "paciente", ou seja, submetem-se a vários exames e diagnósticos, permanecem nas filas dos consultórios e recebem receitas e remédios. Na hora do parto, a conduta médica continua prevalecendo com rotinas hospitalares rígidas, que acabam inibindo o processo natural e fisiológico, levando a inúmeras cesáreas e partos induzidos. E o pai permanece isolado desse processo, como se não tivesse nada a ver com isso. Nos hospitais privados ainda prevalece um pacto que mistura medo da dor com interesses dos profissionais e da instituição que termina numa cesárea. Na rede pública, ainda vigora um quase desprezo pela gestante. Sozinha, assustada, ela é atendida por profissionais anônimos atrás de máscaras que não dizem o nome nem esboçam um gesto amistoso. Tanto nos hospitais cinco estrelas como nas maternidades de periferia, a paciente e os familiares são os últimos a serem ouvidos.

O parto é um processo natural, nascer é um ato natural e ecológico. É um caminho de transformação, de amor, de vencer os medos, e de dar à luz uma nova era. Por estar em seu habitat natural, vivendo intuitivamente, a maioria das espécies mamíferas nasce sem maiores problemas. Embora os mecanismos do parto do animal mamífero sejam diferentes do ser humano (porque o tamanho do cérebro nos animais é menor em relação ao do corpo), existe uma semelhança. Como seres urbanos e humanos, colocamo-nos distantes dessa natureza de bicho a que pertencemos. As mulheres modernas estão distantes do seu instinto maternal animal.

O parto, um momento da vida sexual e afetiva, um ritual de passagem e de crescimento para o ser humano, de ambos os sexos, tem sido reduzido a uma simples "ação médica" em nossa sociedade contemporânea. O ideal seria que todas as mulheres tivessem oportunidade de viver a gestação e o parto como parte de sua vida afetiva e sexual, dispondo de recursos médicos quando necessário e, ao mesmo tempo, podendo estar em contato com a natureza verdadeira do ato de dar à luz.

O parto deve ser natural, o mais expontâneo possível, com um mínimo de sofisticação na sua assistência, com o máximo de consciência e de adestramento técnico do profissional que o assiste. A melhor maneira de seguir um parto é observá-lo, sem interferir no seu andamento.

De mãe para filhas as parteiras transmitem um ensinamento valioso: para uma mulher em trabalho de parto, o mais precioso é alguém que segure sua mão e que não tenha pressa. A parturiente é quem melhor presente a hora, identifica os movimentos e sabe a melhor posição. "Quem faz nascer é a mãe mesmo", disse uma das parteiras mais antigas do Amapá. Essas regras simples são de parteiras tradicionais que aparam os mais de trezentos mil bebês que nascem por ano fora dos hospitais. O nome de "aparadeiras", conquanto seja usado pejorativamente para qualificar as curiosas, em nada as deve diminuir, pois caracteriza sua atuação: a de aparar a criança que nasce sozinha.

Observando os dados de uma favela de São Paulo, cujos partos são assistidos por uma parteira, teremos um bom exemplo de como nascer é um ato natural para as mulheres de gestação de baixo risco. Ali, as complicações e cesáreas somam 3%, as mulheres não são isoladas, não se usam medicamentos e o índice de episiotomia é de 17%. Na rede de hospitais privados, o índice de cesárea chega a 70% e, na pública 40%. A episiotomia chega a 100% nos hospitais convencionais quando se trata do primeiro filho 2.

O resgate da forma de nascer, da transformação do nascimento, tão essencial e necessário, precisa ser uma iniciativa feminina e da própria classe médica. No Brasil isto já vem acontecendo, os professores Galba Araújo, Moysés e Claudio Paciornik, Fernando Estelita Lins, Hugo Sabatino, Adailton Salvatore Meira, Maria Tereza Maldonado, Emerson Godoy c. Machado, Maria Celia Del Valle, Lívia Penna, entre outros, têm trabalhado, pesquisado e escrito sobre a gestação e o parto como momentos de iniciação que deveriam ser tratados de forma especial e diferenciada. Muitas parturientes e mulheres anônimas têm procurado formas alternativas, naturais e humanizadas para terem seus filhos longe das maternidades, em suas próprias casas, sob o cuidado das parteiras tradicionais, mas são ainda minoria.

Os parteiros n'água do Brasil. A História.

O parto n'agua no Brasil teve um grande impulso na década de 70, quando o programa " Fantástico" da Rede Globo de Televisão, veiculou num domingo, um parto dentro da água, realizado pela Dra. Maria Celia del Valle, em São Paulo. Ela seguiu fazendo seus partos naquela capital, com apogeu e posterior esquecimento.

A classe médica em geral, não via este método alternativo com bons olhos. O que é natural, pois não existia pesquisa médica neste campo. Hoje esta situação mudou, existem muitas pesquisas do parto na água em todo o mundo, particularmente na Inglaterra, na Bélgica e na Alemanha, países com número cada vez mais maior de partos aquáticos.

No Brasil na década de 80 alguns pioneiros começaram a fazer o parto dentro da água, no Nordeste, no Rio de Janeiro e no interior de São Paulo. Mas devido a falta de interesse dos hospitais, desinformação da população e preconceitos de alguns colegas médicos que desconheciam o método, tachando-o de experimental e arriscado, não houve continuidade nestes serviços. Também outros serviços tentaram introduzir o método sem sucesso, como a Casa de Parto de Niterói que acabou fechando, a Maternidade Leila Diniz que tem uma banheira mas nunca realizou parto lá dentro, a Maternidade pública Herculano Pinheiro, zona norte do Rio tem banheira, mas também não usa, e em São Paulo a Maternidade Santa Marcelina,tem banheira no quarto, mas só utilizada para relaxamento e não para os partos.

Destacasse o trabalho do Dr. Adailton Salvatore Meira 12, em Campinas, que iniciou seus partos aquáticos deste 1987. Após retornar de um estagio na "Maternité des Lilas", Paris, onde pode conhecer e praticar esta alternativa de parir. Teve contatos preciosos com Dr. Michel Odent (médico francês, um dos pioneiros do parto dentro da água no ocidente), Sheila Kitzinger, Herman Ponette, Frederick Leboyer, e Janet Balaskas, de quem traduziu o livro "Parto Ativo" da Editora Ground, onde escreveu o capítulo sobre parto na água. Realizando seus partos, inicialmente domicíliares em banheiras portáteis ou de hidromassagem, devido ao grande desinteresse dos hospitais em investir nessa tecnologia, e depois na sua Casa de Parto.

Realizou um belo trabalho sem muita divulgação, baseado na evidência científica, nos princípios obstétricos e na metodologia holandeza de avaliação do risco obstétrico. Adota como metodologia de trabalho: tricotomia, lavagem intestinal e episiotomia não rotineiras, a estadia na clínica é curta, a família tem alta de 6 a 12 horas após o parto, para alívio da dor utiliza a água morna, o apoio do marido, a aromatoterapia, associada a homeopatia, acumpuntura, estimulação nervosa, massagem, relaxamento e respiração. Assim obteve nestes anos excelentes resultados nos 105 partos aquáticos realizados: 8,5% de cesáreas, 91% de partos normais, transferência durante o trabalho de parto para o hospital de 17% devido a dor excessiva, distócia de progressão e sofrimento fetal, 37,2% pariram na água na posição de cócoras, 50% não realizaram episiotomia e 18% tiveram ruptura perineal de II° grau, o índice de infeção materna e fetal é zero.

A prática recomendada

Durante o pré-natal

Durante o pré-natal o casal deve receber o maior número de informações possíveis para realizar sua opção de maneira convicta e definitiva sobre a possibilidade de utilizar o método. A relação médico paciente deve ser muito estimulada e conquistar a confiança da família em seu trabalho. Deve ser discutida as indicações e contra-indicações, explicar as vantagens e desvantagens, orientar o adequado preparo do casal para adaptação ao método. A realização de palestras educativas, distribuição de panfletos informativos padronizados, assistir a filmes sobre o método, a leitura de livros sobre o tema, o treinamento na água da respiração e exercícios específicos.

A banheira e a água

Piscinas:

- de azulejo
- de fibra de vidro
- plásticas portáteis - infantil


Banheiras:

- de porcelana - domiciliares antigas
- de fibra de vidro - hidromassagem
- jacuzzi

Duchas fortes

No mercado brasileiro devido ao seu clima tropical com temperaturas elevadas e da grande disponibilidade de água potável encontramos uma infinidade de opções de piscinas, banheiras e duchas. Devemos levar em conta na hora escolher: o tempo de enchimento e de esvaziamento, o aquecimento, a manutenção da temperatura média, o acesso fácil ao perineo da parturiente para possíveis intervenções, o espaço suficiente para duas pessoas e a profundidade. O ideal seria uma banheira de hidromassagem de fibra de vidro, em forma triangular com sistema de aquecimento e um termômetro de piscina.

Deve ser utilizada água da torneira, comum, desde seja água tratada com cloro. Caso não se tenha água tratada disponível, pode-se dispor de água mineral natural desde que não tenha contaminação conhecida.

A Temperatura da água deve estar entre 33 a 37° Celcius, o ideal é 36° Celcius. O controle deve ser feito com termômetro especial de banheiras, termômetros digitais ou também por termômetros de piscina. O melhor controle ainda é o bem estar da parturiente. Existem diversas marcas a disposição na industria brasileira.

Pode ser acrescentado sal na água, ervas ou óleos aromáticas. Outros objetos e acessórios devem ser rigorosamente lavados com sabão e depois limpos com álcool, O piso deve ser dado preferencia a pisos de lajotas ou pedras antiderrapantes com drenagem através de ralos, pois a possibilidade de molhar é evidente. Tapetes antiderrapantes em volta da banheira para evitar acidentes e quedas ao sair e entrar na água. A gestante deve ser sempre auxiliada e assistida ao entrar e sair da água.

A desinfeção da banheira deve ser realizada rigorosamente é a mesma utilizada para o combate ao vírus da AIDS. Primeiramente lavando-se com Hipoclorito de Sódio (água sanitária) de 1:5 por 30 minutos. Depois lavada novamente com água corrente e após totalmente limpa com uma esponja embebida em álcool a 70%. Quando não utilizada deve ficar coberta com algum tipo de tecido impermeável (plástico, etc.) para evitar deposição de poeira. Evitar o uso contínuo, caso seja utilizada logo a seguir de outro parto, devemos aguardar o tempo necessário para a desinfecção da banheira. Evita-se usar o motor das banheiras de hidromassagem, pois isto além de aumentar a chance de contaminação, não traz nenhum beneficio.

Contra indicações

absolutas: trabalho de parto prematuro (menos 37 semanas), presença de mecônio, sofrimento fetal, parturientes com sangramento excessivo, diabetes, HIV positivos e Hepatite-B, Herpes Genital ativo, apresentação pélvica em primigesta, fetos maiores que 4 kg, apresentação cefálicas posteriores, antecedente de desproporção cefalo-pélvica, toda situação que requeira infusão intravenosa: indução ou condução de trabalho de parto, necessidade de analgesia e monitoramento fetal contínuo.

Relativas: gestações múltiplas, apresentações pélvicas, apresentação de face ou mento, defletidas, febre materna ou sinais de infeção, rotura prematura de bolsa amniótica, trabalho de parto prolongado, parturiente cansada e exaurida e taquicardia persistente.

Obs: a bolsa rota não é uma contra-indicação para se entrar na banheira, pois não há evidências que a água ajude a propagar intra-vaginalmente os germes, pois além da defesa bactericida do líquido amniótico, temos também freqüentemente restos do tampão do colo uterino que também tem função antimicrobiana.

A condução dos casos


Preferencialmente deve-se evitar a tricotomia (raspagem dos pêlos pubíanos), pois esta, além de tirar um barreira de defesa que existe sobre a pele, pode causar cortes, sangramentos, que permitem a penetração de germes patogênicos.

Sugerimos que os pêlos pubianos sejam aparados, com uma tesoura, quando da internação, ou por volta das 37 semanas.

A lavagem intestinal não é rotineira.

Evitar que as parturientes tomem algum tipo de líquido durante o trabalho de parto, mesmo que venham a entrar dentro da banheira. Mas pode-se tomar um pouco de água ou repositores hidroelétrolíticos em pequenas quantidades.

Roupas adaptadas a esta situação deve ser previstas e previamente alertada aos casais. O mesmo é válido para o uso de chinelos de borracha (anti-derrapante) para deambulação em sala de parto.

Sugerimos evitar molhar o cabelo com o uso de tocas de banho, ou mesmo tocas de natação, pela friagem a que fica exposta a parturiente depois do parto. Um aquecedor de ambiente deve estar funcionando particularmente em dias frios no inverno.

A presença de acompanhantes pode ser liberada caso haja condições, inclusive para entrar dentro d'água, no caso o marido preferencialmente.

Controlar temperatura, pulso e pressão arterial materna antes de entrar na banheira. A temperatura da mãe deve ser monitorada e é esperado que ela se eleve um pouco após entrar na água.

O batimento cardíaco fetal (BCF) deve ser feito durante pelo menos 15 minutos na primeira avaliação. Depois disto durante 5 minutos cada 30 minutos. Podemos monitorizar eletronicamente os BCF através do Aquadopplex fetal dopplers modelos FD1A ou D920A.

No caso de taquicardia fetal (maior que 160 BPM), persistente a água deve ser resfriada para aproximadamente 30° Celsius, e caso persista, a mãe deve ser removida da banheira. Caso melhore, pode retornar à banheira, caso a taquicardia persista não deve mais voltar à água.

O toque vaginal deve ser feito antes de se entrar e ao sair da banheira; durante a permanência, de hora em hora, caso não haja sinais de progressão rápida da dilatação. Deve-se usar luvas de borracha e não de plástico.

A parturiente não deve entrar na banheira antes de alcançar 7 cm de dilatação (nulípara) podendo entrar depois disto também, e 5/6 cm nos casos de multíparas. A banheira não deve ficar cheia até a borda. Pode-se ter que acrescentar mais água para manter a temperatura da água entre os desejados 36° Celsius

O tempo de permanência na água depende essencialmente da sensação de bem ou mal estar da parturiente. Em primíparas sugerimos não deve ultrapassar 4 horas e em multíparas não deve passar de 3 horas. Depois disto a parturiente deve ser retirada da água.

A parturiente deve ser retirada da água sempre que houver quaisquer ocorrências que ameacem a saúde da mãe ou do feto.

O parto dentro da água

A gestante pode querer sair da água a qualquer momento durante o trabalho de parto, o que deve ser permitido. Na Inglaterra em 93, cerca de 2/3 das mães que usaram a banheira durante o trabalho de parto, saíram dela antes do nenê nascer. A parturiente segue o seu instinto. Não há regras rígidas no parto humanizado.

Em muitos casos se usa água durante o trabalho de parto para aliviar as contrações, o chuveiro, a ducha ou o entrar na banheira, mas no momento do nascimento, por razões diversas, pode-se preferir sair da água para tirar proveito da força da gravidade. Caso haja indicação, ou necessidade do auxílio da força de gravidade, ela deve ser retirada da água por indicação do responsável pela condução do parto.

Caso queira permanecer pode ter o parto dentro da água, desde que não tenha nenhuma contra indicação. Se possível, imediatamente ao nascimento, desobstruir suas vias aéreas superiores com algum tipo de aspirador portátil, manual (perinha ou aspiradores portáteis) ou mesmo aspirador elétrico. Isto pode ser feito com o bebê no colo da mãe.

Caso o nenê nasça cianótico ou com baixo índice de Apgar, deve ser assistido fora da banheira, de preferência por pessoa competente para tal.

A dequitação não deve acontecer dentro da água. Pode ser feita, dentro da banheira desde que se esvazie antes. Ou sair para outro local "seco".

O futuro do parto na água no Brasil

"A mais desenvolvida técnica não terá vida se não tiver o envoltório do sentimento humano. Com esta convicção temos procurado dar a todas as nossas realizações assistenciais a mais eloqüente participação de quantos delas queiram e possam acercar-se." Assim pensava com muita propriedade o Prof. Galba Araujo7.

Reestuda-se a fisiologia, revisam-se conceitos, criam-se novas alternativas ou retomam-se antigas, tudo dentro de uma salutar renovação, a tornar sempre dinâmica nossa obstetrícia.

Segundo o francês Michel Odent "para mudar o mundo é preciso, antes, mudar a forma de nascer".

À luz desses conceitos fundamentais de vida tentaremos implantar no Brasil, no início do próximo milênio, o parto na água e projetar seu brilhante futuro.

A Europa sofre a escassez de água potável e utiliza o método aquático de parir, o Brasil com a abundância hídrica natural que possui simplesmente ainda ignora esta técnica! Não podemos aceitar que um país continente com tamanha potencialidade hídrica, tanto marítima, como fluvial e hidroterapêutica, renuncie à utilização do elemento primitivo água como agente facilitador proporcionando o resgate de partos ativos, naturais e humanizados a seus filhos.

Este método alternativo de parir que permite diversas maneiras e formas de livre arbítrio para optar sobre o local desejado, escolher os participantes do evento, associar diversas posições de parto, suavizar a transição fetal entre o útero e o meio ambiente, proporcionando uma esotérica relação entre pais, filhos e meio ambiente, adicionando opcionalmente aromatoterapia, acumpuntura e massagens entre outras.

Este livro que propõe abrir o caminho para a introdução e divulgação do método do parto na água no país. É fruto da globalização da cultura e dos conhecimentos mundiais através da infovia, de uso cada vez mais intenso e crescente da Internet. O processo de globalização é irreversível e terá influência fundamental na propagação e disseminação dos métodos alternativos de parir de forma humanizada, natural e suave.

Cabe ao médico parteiro um grande papel nestas mudanças, procurando dar uma melhor assistência ao binômio mãe-filho, tilizando os conhecimentos científicos em quaisquer circunstâncias, modernizando e atualizando suas condutas e procedimentos.

No momento que a população brasileira e a classe médica descobrir e passar a conhecer o parto na água acontecerá o mesmo fenômeno cultural europeu que o tornou uma epidemia mundial. Nosso futuro com certeza está sendo escrito agora.

Direitos da Parturiente

1. receber informações sobre a gravidez e escolher o parto que deseja.

2. conhecer os procedimentos rotineiros do parto.

3. não se submeter a tricotomia e a enema, se não desejar.

4. recusar a indicação do parto, feita só por conveniência médica.

5. não se submeter à ruptura artificial de bolsa amniótica.

6. escolher a posição que mais lhe convier durante o trabalho de parto e o parto.

7. a grávida pode recusar-se a fazer episiotomia.

8. Não se submeter a cesárea, amenos que haja riscos para a grávida ou para o bebê.

9. começar a amamentar o bebê sadio logo após o parto.

10. a mãe pode exigir ficar junto com seu bebê recém-nascido sadio.

Sites na Internet

Cornelia Enning http://www.home.t-online.de/c.ennig

http://www.geocities.com/hotsprings/2220/adailton

http://web.prover.com.br/partonormal/vazioaltao.html

http://www.waterbirth.net

http://www.babysite.starmedia.com/parto/index.stm

http://www.santalucia.com.br/maternidade/parto-p.htm

http://www.geocities.com/Heartland/Acres/1110

http://www.interclub.com.br/casaparto

http://www.healthgate.com

http://www.santajoanahospmat.com.br

http://www.santalucia.pro-matre.com.br

http://www.annahospital.de/gyngeb/wageb.html

http://www.syntonia.com/textos/textossaúde

http://www.saude.gov.br

Livros brasileiros recomendados

1. Nascido no mar, Chris Griscon, Siciliano, 1989.

2. Parto Ativo Janet Balaskas, Ground, 1993 (capítulo Parto na Água - Salvatori Meira)

3. Se me contassem o parto, Frederick Leboyer, Ground, 1998

4. Dar a Luz.....renascer Lívia Penna Firme Rodrigues, Ágora 1997

5. Nove Luas, lua Nova, Maria Eliza Maciel, 1991

6. Parto de cócoras, Moyses Parcionik, São Paulo , Brasiliense, 1993

7. A vida secreta da criança antes de nascer, T. Verny. SP José Salmi, 1991.

8. Início da vida, Eva Marnie. SP Best Seller, 1989.

9. Gestação - Sublime Intercambio Benedit, Ricardo Liv. Ed. Universalista, Paraná 1993

10. Gravidez e Parto Sheila Kitzinger Ed. Abril AS, São Paulo, 1981

11. Mães - um estudo antropológico da maternidade Ed. Presença, Martins Fontes, Lisboa 1978.

12. Nascer Sorrindo Frederick Leboyer Ed. Brasiliense, São Paulo 1979.

13. O Parto Natural Fernando Estelita Lins Bloch Editores, Rio de janeiro, 1983.

14. Parto humanizado: formas alternativas Hugo sabatini - Ed. Da Unicamp. Campinas, 1992

15. Gestação, parto e maternidade, uma visão holística, Emerson de Godoi Cordeiro Machado, Ed. Aurora. 1995.

16. O parto natural, Fernando Estelita Lins, Bloch Editores, Rio de Janeiro, 1983.

17.Parto humanizado: formas alternativas. Hugo Sabatino, R. Caldeiro Barcia. Ed. Unicamp. Campinas, 1992.

18."Waterbirth - The concise guide to using water during pregnancy, birt and infancy", Janet Balaskas, ainda não traduzido

para o português.

Bibliografia

1. Margat, Jean. 1989. L'économie de l'eau dans le monde. In: Le Grand Livre de l'Eau, La Manufacture, p.227-288 , 412p.

2. Ministério da Saúde - Programas de Saúde - Saúde da Mulher

3. Revista do Conselho Federal de Medicina.

4. Moysés Paciornik, Parto de Cócoras , Ed. Brasiliense, São Paulo.

5. Hugo Sabatino e Caldeyro-Barcia - Parto na posição sentada.

6. Hans Jakobi, Ecologia, 19

7. Perinatologia Social, José Américo Silva Fontes, Editorial BYK,1984

8. Medicina Perinatal - José Aristodemo Penotti e José Hugo Sabatino, Ed. Unicamp, 1982

9. Gravidez sem Risco, a nutrição de bebê in útero, Dr. Flávio Rotman, Ed. Record, 1999

10. O Tratamento através da Plantas Medicinais, saúde e beleza, Dr. E.A.Maury, Ed. Rideel Ltda.

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3 Respostas a “O Parto na Água no Brasil”

  1. # Blogger Vicky

    Tem um dado errado no seu texto: a Casa de Parto de Niterói nao fechou por falta de sucesso, mas por inveja da classe médica de Niterói que pressionou o CRM a fechar a Casa do Parto, e com alegacoes absurdas. Várias da minhas amigas tiveram seus bebes lá e eu mesma fui cliente dos donos só para manter a possibilidade de um dia ter meus filhos lá.  

  2. # Blogger Will Coelho

    Parabéns pelo texto! Clareza de informação técnica e histórica. A população precisa saber disso.  

  3. # Anonymous Anônimo

    Olá Tricia!
    Gostei bastante da sua publicaçào sobre parto na água no Brasil. Vc poderia disponibilizar a referência que vc utilizou?
    Obrigada,
    Tânia  

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Tricia Cavalcante: Doula na Tradição, formada pela ONG Cais do Parto, mãe de três, e doula pós-parto.Moro em Fortaleza-CE.


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