Novas opções de parto revolucionam a relação entre mãe e filho


escrito por: Tricia em segunda-feira, dezembro 04, 2006 às 2:48 PM.


Até bem pouco tempo existiam apenas duas alternativas para o nascimento de uma criança: o parto normal e o parto cesariano. Hoje, diante de tantas opções e informações, pode-se dizer que a escolha do parto deixou de ser apenas uma decisão e passou a revelar crenças e valores dos pais. Muitos já falam até na existência de um “estilo” de nascer.

Parto humanizado, Leboyer, na água, de cócoras ou parto ecológico? Com doula ou sem doula? No hospital ou em casa? A variedade de técnicas começa a revolucionar a idéia da dor na hora de parir e, sem dúvida, as teorias sobre a relação entre mães e filhos.

Para começar, basta dizer que um estudo realizado na Inglaterra com 5 mil adultos jovens, de 18 a 25 anos, verificou que os que apresentavam algum tipo de comportamento violento (estuprador, ladrão, assaltante) tiveram, em comum, um parto difícil e a separação imediata da mãe no momento do nascimento.

“Já foi comprovado que o período que vai da gestação até o primeiro ano de vida é fundamental na formação do emocional do indivíduo. Então o que ele vivencia nesse período vai marcá-lo para o resto da vida”, afirma Heloísa Lessa, mestre em Obstetrícia e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ela realiza partos domiciliares planejados no Rio de Janeiro e é adepta do parto ecológico, que define como um novo paradigma de entendimento de todo o processo que envolve o nascimento. “Acreditamos que o conhecimento do parto, o saber parir, é uma coisa intuitiva e está dentro da mulher. Faz parte do instinto animal, mamífero”, explica.

A idéia do parto ecológico é a de que a mulher seja protagonista desse evento, e que o ambiente seja preparado para que o parto ocorra da maneira mais natural possível, daí o nome “parto ecológico”.

Muito parecido, embora com nome diferente, é o parto natural humanizado. Ambos defendem a mínima interferência possível no momento do parto, como evitar o uso de medicamentos para o alívio da dor durante o trabalho, diminuir a prática da episiotomia (corte feito no períneo para aumentar o orifício por onde passará o bebê) e a raspagem dos pêlos púbicos, considerada prejudicial e ineficaz. Massagens e técnicas de relaxamento também são utilizadas nesses partos, muitas vezes com o auxílio de doulas, ou acompanhantes de parto.

Uma outra diferença no parto humanizado em relação ao tradicional é que o bebê, assim que nasce, é colocado em contato com a mãe. “Permitir que o bebê esteja com a mãe pelo menos na primeira hora após o parto é fundamental no desenvolvimento da sociabilidade desse indivíduo no futuro”, explica Heloisa Lessa.

A funcionária pública Ana Cristina Silva, de 29 anos, teve o seu terceiro filho por meio de um parto humanizado. “Eu queria trazer o Luca ao mundo da melhor maneira possível, mesmo que eu fosse sentir dor. Acho que o tipo de parto fez muita diferença: ele é bem mais calmo que os outros, dorme melhor e não chora”. O marido de Ana, Almir Silva, participou do nascimento do pequeno Luca, que na semana passada completou um mês de vida.

Confira os diferentes tipos de parto:

Normal e cesariano – Os mais comuns. O normal ocorre quando o bebê nasce pela via vaginal. Podem ser utilizados soros para acelerar as contrações e anestésicos. A cesariana é o parto cirúrgico. O bebê nasce por meio de um corte no abdômen da mulher.

Com fórceps – Pouco utilizado nos dias de hoje. Consistia na utilização de uma par de colheres metálicas que buscava a cabeça do bebê para puxá-lo. A experiência era traumática para a mãe e com freqüência lesava irreversivelmente o bebê.

Natural – Sem intervenções, sem anestesia e domiciliar, em muitos casos.

Leboyer – Com pouca luz, silêncio, banho do bebê perto da mãe e amamentação precoce. O nome é uma homenagem ao médico francês Fréderick Leboyer.

Na água – O médico Michel Odent, também francês, começou a usar a banheira com água quente para o conforto das parturientes, já que a técnica alivia as dores do parto. No Brasil, poucas clínicas oferecem este serviço.

De cócoras – De origem indígena, é o parto verticalizado. Geralmente utiliza-se uma cadeira especial para esse tipo de parto.

Ecológico ou fisiológico – Prega a interferência mínima no momento do parto. É contra a prática da episiotomia (corte no períneo), a aplicação de anestésicos e a raspagem dos pelos púbicos.

Humanizado – Feito em salas de parto individuais, com a presença de um acompanhante, que pode ser uma doula. Assim que nasce, o bebê é colocado em contato com a mãe. Massagens e técnicas de relaxamento também são utilizadas nesse tipo de parto.

Irene Lôbo - ABr

07/05/2004

2 Respostas a “Novas opções de parto revolucionam a relação entre mãe e filho”

  1. # Anonymous Anônimo

    Eu tive tres partos normais, e agora terei o quarto com a benção divina, todos foram diferentes, no segundo sofri um pouco devido ao posicionamento do cordão, porém não me arrependo e amo me sentir protagonista do nascimento do meus filhos, creio que a concentração e a calma quando exercitada para este momento são essenciais para uma boa evolução do parto, nossa cultura teima em pregar a cesária como mais facil, quando na verdade não é!! É uma grande invasão no organismo, nosso corpo é preparado para o parto normal e eu respeitei isso, parto cesárea só se for no ultimo caso!!!!

    Michelle duarte 30 anos Barra do Piraí / RJ  

  2. # Anonymous Anônimo

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Tricia Cavalcante: Doula na Tradição, formada pela ONG Cais do Parto, mãe de três, e doula pós-parto.Moro em Fortaleza-CE.


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