O jeito mais bacana de nascer
escrito por: Débora, em Quinta-feira, Novembro 30, 2006 às 12:40 PM.
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Marcadores: parto humanizado, parto normal

dessa vez é pra ouvir...
duvido você não abrir um sorriso... ou encher os olhos de lágrimas.
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Unindo ciência e tradição, enfermeiras obstétricas ganham espaço na assistência ao partoLÚCIA NASCIMENTO
Às seis horas da manhã de uma sexta-feira, Helka enfrentava as dores do trabalho de parto num congestionamento da Marginal Tietê, na capital paulista. Chegou a pensar em correr para o hospital mais próximo, mas desistiu. Seu primeiro filho, Yan, hoje com 9 anos, nascera num parto cheio de intervenções médicas desnecessárias, e agora ela queria um atendimento mais humanizado, sem correria nem tratamento impessoal.
Quando finalmente chegou à Casa de Parto de Sapopemba, na zona leste da cidade, as enfermeiras obstétricas vieram recepcioná-la na porta, chamando-a pelo nome – apesar de ela ter estado ali apenas uma vez. Helka recebeu massagens e tomou chás para aliviar a dor e logo a bolsa estourou.
Após encontrar uma posição confortável para o parto – ela preferiu ficar na vertical –, sentiu-se pronta e segura para o grande momento. A todo instante as enfermeiras explicavam os movimentos do bebê e o porquê de cada dor, tranqüilizando-a. Às sete e quarenta Rav nasceu e, antes mesmo de ter o cordão umbilical cortado, foi para o colo da mãe.
No imaginário cultural brasileiro, as figuras de assistência ao parto se resumem a médicos, em hospitais, e parteiras, em áreas pobres do interior do país. Uma figura ainda pouco conhecida, mas que tem ganhado o reconhecimento do governo e da sociedade, é a das parteiras profissionais – enfermeiras obstétricas que atuam nas grandes cidades e vêem o parto como um evento natural, que, se estiver bem preparado e livre de complicações, pode muito bem ocorrer fora de um hospital.
Como herança das parteiras tradicionais – que aprenderam o ofício na prática –, essas profissionais sabem da importância de tratar a mulher como protagonista no parto, respeitando seus desejos e aliviando as dores com conforto emocional, técnicas de relaxamento e chás. Diferentemente do que acontece na zona rural, entretanto, elas foram formadas em universidades para fazer o parto de gestantes de baixo risco e são tão capacitadas quanto os médicos obstetras para esse atendimento.
Locais de atuação
O bairro de São Mateus, no extremo leste da capital paulista, tem 400 mil habitantes e é um dos mais pobres da cidade. Lá, o Hospital Geral de São Mateus, pertencente ao Sistema Único de Saúde (SUS), possui um Centro de Parto Natural (CPN), inaugurado em dezembro do ano passado. Nessa unidade, as enfermeiras obstétricas prestam assistência em suítes individuais, que garantem privacidade e segurança, pois têm à disposição todos os equipamentos necessários para cuidar da mãe e do bebê.
A criação de locais acolhedores em hospitais de regiões pobres das grandes cidades é uma conquista, na opinião de Teresa Sá Martins, enfermeira obstétrica e supervisora do CPN de São Mateus. Segundo ela, ali a gestante é incentivada a levar um acompanhante, que pode ficar a seu lado durante o trabalho de parto e o nascimento. Além disso, a mulher tem liberdade de movimentos, escolhe a posição mais confortável, se alimenta se tiver vontade e não precisa ficar recebendo soro. Pode, ainda, utilizar uma banheira de hidromassagem para relaxar nos intervalos entre as contrações.
No Centro de Parto Natural, como o próprio nome indica, as intervenções médicas só ocorrem quando surgem complicações. A filosofia é permitir que a mulher se sinta à vontade e deixe seu organismo agir livremente, sem uso de hormônios para acelerar o processo, sem cortes para facilitar a saída do bebê (a chamada episiotomia) e com a utilização de métodos alternativos de relaxamento.
Márcia, de 21 anos, que teve seu segundo filho em junho deste ano no CPN, declara: "Foi muito bom. As enfermeiras são cuidadosas, deixam comer e andar, não tiram o bebê de perto e também não colocam a gente no soro". Foi esse atendimento diferenciado que Helka Luciana de Azevedo, assistente de fotografia, de 31 anos, buscou na Casa de Parto de Sapopemba.
Diferentemente dos CPN, que ficam dentro de hospitais, as casas de parto tanto podem estar acopladas a um hospital como apenas ter um de referência, para onde são encaminhadas as gestantes que apresentam algum problema durante o trabalho de parto. Helka, no entanto, apesar de ter ficado satisfeita com o tratamento, tem uma queixa: "Bem que podiam ampliar o número de casas de parto, colocando uma em cada região da cidade".
"Hoje, há apenas cinco casas de parto funcionando a pleno vapor no país: a do Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte; a de Juiz de Fora (MG); a Casa de Parto David Capistrano Filho, no Rio de Janeiro, e duas na cidade de São Paulo: a Casa de Maria e a Casa de Parto de Sapopemba", afirma Isa Paula Hamouche, técnica da área de saúde da mulher do Ministério da Saúde. E a principal razão apontada para a pequena quantidade de locais como esses é a falta de disposição dos governos estaduais e municipais.
Por essa razão, as que existem têm sido cada vez mais procuradas. A Casa de Parto David Capistrano Filho, no bairro de Realengo, na pobre região oeste da cidade do Rio de Janeiro, já atendeu a mais de 500 partos desde que foi inaugurada, em 8 de março de 2004. Como não é acoplada a um hospital, uma ambulância fica de plantão 24 horas por dia, para transportar gestantes que apresentem algum problema até a Maternidade Alexander Fleming, que fica a 8 quilômetros do local. Nesses casos, a equipe do hospital – onde também trabalham algumas das enfermeiras obstétricas da casa de parto – é imediatamente acionada.
Riscos
Além do atendimento em casas de parto e em centros de parto natural, as enfermeiras obstétricas (e também alguns médicos) prestam assistência em casa. Essa modalidade, no entanto, ainda é vista com cautela no Brasil. Em países como Holanda e Inglaterra, o parto domiciliar é incentivado, chegando, respectivamente, a 40% e 47% do total.
Para a socióloga e diretora da organização não-governamental Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (Cepia), Jacqueline Pitanguy, dar à luz em casa não significa abrir mão do que a tecnologia pode oferecer. Se o bebê está bem posicionado e o pré-natal foi bem feito, não há problema.
A classe médica, em geral, se mostra contrária. "Pode-se fazer parto domiciliar? Sim, mas não se deve. Os riscos são raros, talvez de menos de 1%, mas quando surgem podem ser fatais para o bebê e até para a mãe. Mesmo com uma ambulância à disposição, numa cidade como São Paulo são muitas as variáveis. A mulher precisa saber que corre um risco", afirma Mario Macoto Kondo, diretor técnico do Centro Obstétrico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP).
Nem todos, no entanto, vêem problema no fato de dar à luz fora do ambiente hospitalar. A começar pelo Ministério da Saúde: "É um direito da mulher escolher onde vai ter seu bebê. No mundo inteiro se discute o movimento de descentralização do atendimento ao parto e a saída desse procedimento da maternidade. Em alguns momentos, o aparato hospitalar pode até ser negativo para a mulher", afirma Isa Hamouche.
"O modelo que deve vingar é o que une a casa de parto – com assistência de enfermeiras obstétricas, ambiente familiar e privacidade – a um hospital, onde a total segurança também está garantida", enfatiza Aníbal Faúndes, coordenador de estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pesquisador do Centro de Pesquisas Materno-Infantis de Campinas (Cemicamp).
De acordo com Simone Grilo Diniz, médica e professora do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP, embora o parto ainda seja descrito por muitos médicos como um evento de risco, as mais recentes evidências científicas mostram que, ao contrário, para mulheres que não apresentam problemas de saúde ou alterações durante a gravidez não há nenhum perigo. "O máximo que se puder fazer para não atrapalhar o processo fisiológico, melhor. Isso não significa que não se deva estar atento. A maioria das mulheres só precisa de vigilância – ver se mãe e bebê estão bem – e privacidade", declara.
Essa idéia também é defendida por quem presta assistência a partos domiciliares. "O ambiente acolhedor do lar facilita a liberação de oxitocina e de endorfina, hormônios necessários para que o parto aconteça de forma natural", argumenta Heloísa Lessa, enfermeira obstétrica que atua no Rio de Janeiro e membro da Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento (ReHuNa).
Cláudia Orthof, médica e também membro da ReHuNa, trabalha em equipe com Heloísa e garante que nenhuma gestante que possa apresentar complicações terá o parto feito em casa. Por precaução, em todos os nascimentos um obstetra e um pediatra são contatados e ficam em alerta para qualquer eventualidade.
Para Vilma Nishi, enfermeira obstétrica que já realizou mais de 80 partos domiciliares na cidade de São Paulo, o maior problema é a mulher não admitir fraquejar. "Quando combino de atender um parto em casa, já aviso à futura mãe: se eu disser ‘agora é hora de ir para o hospital’, não há por que discutir. Nunca tive de sair correndo, mas há casos em que a gestante apresenta algum bloqueio ou se sente insegura. Nessas circunstâncias, vamos para um hospital." Por via das dúvidas, Vilma mantém um esquema de referência montado. Como a maioria das mulheres que atende possui plano de saúde, orienta as gestantes para que façam o pré-natal com ela e também com um médico do convênio. "Se for preciso ir para o hospital, haverá alguém para – como elas dizem – ajudar no ‘plano B’", declara.
Heloísa completa que ter um esquema de referência por perto é fundamental: "Se estou a três horas de um hospital, o risco de atender em casa pode ser grande. Mas, se puder chegar lá em cinco minutos, não há problema. O parto domiciliar é seguro, desde que os limites sejam respeitados".
Convergência
Um ponto a respeito do qual todos concordam é a necessidade de melhorar o pré-natal, para evitar que complicações imprevistas atrapalhem o andamento do trabalho de parto em mulheres saudáveis e sem alterações. "Uma coisa que pesa muito é o vínculo que se estabelece durante o período de gravidez. O pré-natal, na minha opinião, tem de ser feito de 15 em 15 dias, com pelo menos uma hora e meia de consulta. Quando se procede dessa maneira, trabalhando todas as questões envolvidas, a opção pelo parto domiciliar é praticamente uma conseqüência", afirma Heloísa.
"A questão mais importante é o preparo da paciente, que muitas vezes não acontece de forma adequada. Num pré-natal bem-feito, é possível identificar fatores que podem levar a riscos no trabalho de parto. Mas, de modo geral, o enfoque é muito tecnicista, e a dimensão humana acaba sendo deixada de lado. Essa é uma deficiência, hoje, em obstetrícia. O médico faz exames brilhantes e se esquece do aspecto emocional", declara Mario Kondo.
A convergência entre as duas classes, entretanto, se resume praticamente ao pré-natal. Em 2004, por exemplo, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) tentou impedir, sem sucesso, o funcionamento da Casa de Parto David Capistrano Filho, e entrou com uma ação na Justiça que pedia o fechamento da instituição.
Algumas décadas atrás, o antagonismo não era tão acentuado. Até 1970, as parteiras profissionais eram formadas na faculdade de medicina, no curso de obstetrícia, e trabalhavam em conjunto com os médicos. A partir de meados desse ano, porém, quando a profissão se tornou uma especialização da enfermagem e houve a proliferação dos planos de saúde, os conflitos hierárquicos passaram a ser constantes. "Acaba então a parceria que existia nas clínicas particulares. Um fator relevante foi a má remuneração feita pelos convênios, que incentivou os médicos a aumentar o número de gestantes que atendiam, dando preferência à cesárea – prática na qual enfermeiras obstétricas não podem atuar. No fim da década de 1980, a rivalidade entre as classes já era extremamente crítica", esclarece Dulce Gualda, coordenadora do curso de obstetrícia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP Leste, que, criado em 2005, trouxe de volta a possibilidade de formação universitária de parteiras profissionais.
"Hoje, há muitas mulheres morrendo de causas evitáveis no Brasil, e isso é bastante grave. Os médicos, de maneira geral, não confiam nas enfermeiras obstétricas para a assistência a gestantes de baixo risco, mas como confiar na classe médica como um todo se o índice de mortalidade materna é absurdo?", questiona Heloísa.
Mortalidade materna
É realmente impressionante: 75 brasileiras, em cada grupo de 100 mil mulheres, morrem por complicações do parto ou durante a gravidez. As estimativas, entretanto, são de que esse número chegue a 130, se forem considerados os casos em que a morte não é registrada como decorrência de complicações durante ou após o parto. Em países desenvolvidos, como a Inglaterra, são cerca de dez mortes por 100 mil.
Em parte, o índice de mortalidade materna se deve à elevada taxa de cesáreas no país, que ultrapassa os 15% recomendados pela OMS. As estatísticas falam por si mesmas: no Brasil, pouco mais de 3% das grávidas têm seus bebês em casas de parto ou na própria residência. Entre as que dão à luz no ambiente hospitalar, o parto natural também não é o preferido: de acordo com o Ministério da Saúde, 39,71% fazem cesáreas no sistema público de saúde e, nos hospitais particulares, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), esse percentual sobe para 79,7%.
Esses dados – alarmantes – colocam o Brasil na posição de vice-líder mundial em número de cesáreas, atrás apenas do Chile. "Esse tipo de parto eleva o risco de infecções, de hemorragia e até de a mulher precisar retirar o útero", alerta Aníbal Faúndes. Além de aumentar as probabilidades de complicações graves como essas, e ainda de pneumonia e septicemia, a cesárea traz, para cerca de um terço das mães, problemas como febre, hematoma, infecção no trato urinário ou no útero, ferida cirúrgica e paralisia do intestino ou da bexiga.
"A comparação entre bebês nascidos de cesáreas por razões não-médicas e os de partos vaginais também comprova que, no primeiro caso, é quase cinco vezes maior o risco de haver necessidade de cuidados intensivos ou semi-intensivos, ou ainda de assistência respiratória", alerta Simone.
Além disso, deve-se considerar que há diversos procedimentos médicos invasivos realizados rotineiramente no ambiente hospitalar, como raspagem de pêlos, lavagem intestinal, uso de soro e de hormônios para acelerar o processo, episiotomia e jejum, entre outros. "A maioria dessas intervenções é imposta, ou seja, a mulher nem é consultada. Tudo isso acabou por transformar o parto natural que acontece em hospital em uma coisa horrenda, levando muitas grávidas a optar pela cesárea, por acreditar que é menos dolorida", lamenta Simone.
A perspectiva é que as mudanças iniciadas no modelo de assistência ao parto no Brasil se consolidem lentamente, graças, inclusive, à reabertura do curso de obstetrícia destinado à formação de parteiras profissionais. De acordo com Dulce Gualda, os alunos da EACH (também há homens na graduação: de 60 matriculados, oito são do sexo masculino) recebem "uma visão de parto num contexto mais amplo, de cultura, de sociedade, de envolvimento político, de transformação do sistema. É um curso que começa com a saúde e depois entra na doença, diferentemente do enfoque tradicional, que tende a se fixar nesta última". A absorção desses profissionais no mercado de trabalho ainda é, contudo, uma incógnita.
FONTE: Problemas Brasileiros
Empurrar o bebê durante o parto pode ser prejudicial, diz estudo
escrito por: Débora, em às 10:32 AM.
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Pedir que uma mulher 'empurre' o bebê na hora do parto faria uma diferença irrisória no tempo que leva para a criança nascer e poderia até causar problemas de saúde, sugere uma pesquisa.
Os pesquisadores da Universidade do Texas indicam que fazer isso poderia causar problemas para a bexiga das gestantes.
Os pesquisadores observaram 320 mulheres saudáveis que davam a luz pela primeira vez, haviam tido gestações sem problemas e não precisaram de anestesia epidural durante o parto.
Eles estudaram a duração do chamado segundo estágio, quando o colo do útero está totalmente dilatado e o bebê começa a se mover.
Cansaço
Metade das mulheres receberam instruções de empurrar por 10 segundos durante uma contração e a outra metade foi instruída a fazer o que lhes "parecesse natural".
Esse estágio para o primeiro grupo levou cerca de 46 minutos, e para o segundo, 59 minutos.
Das 320 mulheres, 128 voltaram para testes após três meses.
As que receberam instrução para empurrar os bebês, apresentaram uma menor capacidade de bexiga, embora os pesquisadores lembrem que é comum que o órgão volte ao normal com o tempo.
"Geralmente é melhor para a paciente fazer o que é melhor para ela”, diz Steve Bloom, ginecologista que conduziu a pesquisa.
A equipe diz, entretanto, não desejar alarmar desnecessariamente as mulheres.
A obstetra Maggie Blott, da Enfermaria Real de Newcastle, disse que existe uma tendência a deixar que as mulheres se sintam livres para agir com naturalidade na hora do parto.
"Empurrar muito antes da hora pode exaurir a mãe e o bebê, aumentando o risco de que ela precise de assistência durante o parto e de outros problemas", diz ela.
Marcadores: parto normal
Segundo um novo estudo, a amamentação é um bom impulso para a saúde mental.O novo estudo mostra que os bebés amamentados por mais de seis meses têm significativamente melhor saúde mental na infância.
O estudo realizado pelo Telethon Institute for Child Health Research, baseou-se no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento de mais de 2500 crianças da Austrália Ocidental, nos últimos 16 anos.
A investigadora Drª. Wendy Oddy diz existir uma crescente evidência de que os factores bioactivos existentes no leite materno desempenham um papel importante no rápido desenvolvimento cerebral que ocorre no primeiro ano de vida.
“Mesmo quando os valores são ajustados tendo em conta factores parentais como: situação sócio-económica, educação, felicidade e funcionamento familiar, verificamos que as crianças que foram amamentadas até aos 6 meses apresentam um risco menor de problemas de saúde mental” comenta a Drª. Oddy.
O estudo descobriu que crianças que foram amamentadas menos que seis meses comparadas com as que foram seis ou mais meses tiveram um aumento de risco de problema de saúde mental de 52% até aos dois anos de idade, de 55% até aos 6 anos, aos 8 anos o aumento de risco foi de 61%, enquanto que aos 10 anos o aumento de risco foi de 37%.
A analise é baseada numa checklist de comportamento infantil reconhecida cientificamente, que avalia o comportamento das crianças do estudo, aos 2;6;8 e 10 anos.
Drª. Oddy revela que as crianças que foram amamentadas tinham particularmente taxas mais baixas de delinquência, agressividade e comportamento anti-social, e de uma forma geral eram menos deprimidas, ansiosas ou isoladas
“Estes resultados são evidências fortíssimas para que seja dado melhor apoio ás mães, para que amamentem por mais tempo”, diz a autora do estudo.
Fonte:
Telethon Institute for Child Health Research
Marcadores: amamentação, pesquisas
Cesariana diminui chance de nova gravidez, diz estudo
escrito por: Débora, em Quarta-feira, Novembro 29, 2006 às 9:04 PM.
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A pesquisa – publicada no British Journal of Obstetrics and Gynaecology - foi feita com 25.371 mulheres que deram à luz na Maternidade de Aberdeen, na Escócia, entre 1980 e 1997.
Ela constatou que 66,9% das mulheres submetidas a cesariana tiveram um outro bebê, enquanto 73,9% das que tiveram parto natural fizeram o mesmo.
O estudo revelou que a média do tempo entre partos era maior para as mulheres submetidas à cesariana do que para as que deram à luz por outros processos.
As mulheres submetidas a cesariana também têm maior probabilidade de sofrer complicações em gravidez futura.
Segundo os pesquisadores, não houve diferença nos resultados se a cesariana foi planejada ou um procedimento de emergência.
As mulheres que se submeteram à cesariana também tinham maior probabilidade de uma gestação ectópica – que ocorre quando um óvulo fecundado se fixa fora do útero, como nas trompas de Falópio.
Os pesquisadores acreditam, contudo, que são necessários mais estudos para ajudar a explicar o resultado de sua pesquisa.
Fonte: BBC Brasil

Primeiro, calma!
O bebê pode se virar e ficar cefálico até na hora do parto. O importante é não se desesperar, e se informar sobre os exercicios. Até que todas as alternativas tenham sido tentadas, acho precipitado cogitar a possibilidade de cirurgia.
Existem alguns exercicios que você pode fazer para ajudar no posicionamento. No livro da Janet Balaskas tem alguns, não lembro de todos, mas um deles dizia para a gestante ficar em posição de cachorrinho (de quatro) por 10min, várias vezes ao dia. Outro dizia para ela se deitar sobre uma pilha de livros, colocando-os embaixo do quadril, e permanecer nessa posição por alguns minutos. Nesses exercicios as chances do bebe virar são muito grandes, algo em torno de 90%.
Outra dica é que ela escute seu corpo, se conecte com o seu filho, medite e converse com o bebê. Já vi casos de mães que conseguiram que o bebê virasse após uma conversa, um carinho, uma sintonia maior com ele. Pode ser usada uma luz também, uma luminária proximo da barriga, na parte de baixo, irá causar interesse no bebê fazendo com que acabe virando sozinho.
O mais importante é não se desesperar, ainda é muito cedo! A partir da 37º semana há uma leve diminuição na quantidade de liquido aminiótico, é por isso que fica mais dificil do bebê virar, mas, não impossivel. Antes disso, relaxa. Ainda é muito cedo pra se preocupar.

Sempre há uma saida para essa situação. Existem muitas opções de exercicios para o bebê virar, além de homeopatia, acupuntura, etc. e há ainda a manobra que a parteira faz durante o trabalho de parto, pegando na barriga, desvirando o bebê. Nesse caso, é habilidade do médico que irá acompanhá-la.
De acordo com a Dra. Betina (ONG Amigas do Parto) o parto pelvico tem algumas particularidades: " o Feto pélvico: em mulheres que já tiveram um parto normal e o feto não é excessivamente grande pode-se tentar novamente a via vaginal; porém, naquelas que nunca tiveram um parto vaginal é aconselhável fazer cesariana, pois não se sabe se a bacia da mãe é compatível com a passagem da cabeça do feto. Existe uma técnica para a rotação do feto para a posição cefálica que atualmente pode ser feita sob visão do ultra-som com bastante segurança, mas nem sempre se tem sucesso. Sua realização deve ser discutida com seu médico." - retirado do site da ONG Amigas do Parto.
Na comunidade do orkut (GO Baseada em Evidencias) da Dra. Melania tem um topico sobre parto pelvico muito bom, com várias pesquisas inclusive. Dá uma olhada.
Alguns links interessantes sobre o assunto:
http://www.birthinternational.com/articles/andrea13.html
http://www.breechbabies.com/
http://www.icpa4kids.com/webster_technique.htm
http://www.worldchiropracticalliance.org/tcj/2001/aug/aug2001l.htm
http://www.americanpregnancy.org/labornbirth/breechpresentation.html

Ah! Encontrei alguns exercicios no site da Ronnie Falcão, parteira americana:
1. Deitar-se de costas (barriga pra cima) encima de uma tábua ou similar, usando travesseiros ou almofadas embaixo do quadril. O ideal é que essa diferença de altura seja de uns 40 graus, mais ou menos. Praticar varias vezes ao dia.
2. Musica para o bebê. Coloque uma musica bem gostosa, e posicione um fone de ouvido na parte baixa da barriga (proximo a bacia).
3. Coloque uma luz bem forte proximo a barriga, na parte de baixo. Ou até mesmo, entre as pernas. Pode ser uma luminária ou abajour.
4. Conversando com o bebê. Peça a alguem conhecido (o pai de preferencia) para que ele converse com o filho, falando bem proximo a barriga, dizendo-o para se virar, de maneira suave e carinhosa, encostanto a boca bem proximo a pele, na parte de baixo da barriga.
5. Se tudo isso não funcionar, pense na possibilidade de realizar a manobra durante o trabalho de parto. Nesse caso, o médico aplica uma droga para relaxar o utero e com as mãos empurra o bebê, desvirando-o. Essa manobra é dolorida para a mãe, mas bem menos dolorida que um resguardo de uma cirurgia cesareana.
Marcadores: atividades fisicas, dicas, gestação, parto pélvico
As Parteiras de Pernambuco
escrito por: Tricia Lima em Terça-feira, Novembro 28, 2006 às 1:47 PM.
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Você pensa que as parteiras foram extintas, não é? E que elas só servem para fazer abortos clandestinos hoje em dia. Tudo mentira. Existem sim. Especialmente aqui no nordeste do pais. Acontece que devido a falta de apoio politico, e do crescimento da tecnologia, elas foram confinadas a uma posição, foram discriminadas pela propria sociedade, pela urbanização das cidades.
Eu acredito nas parteiras. Acredito em sua sabedoria. E procurando sobre elas na web, me deparei com esta ONG que fica em Pernambuco. Vi o video deles, e fiquei super feliz! Existe vida neste planeta! Existe apoio sim! =)
É uma pena que no Ceará, elas estejam tão escondidas. Quase não se fala delas. Em Pernambuco, é bem mais facil de se encontrar com uma assim, no meio da rua.

Grupo Curumim
O Grupo Curumim começou em 1989 como pequena organização de defesa da profissão de parteira, mas se transformou em uma iniciativa muito mais ampla para a melhoria de serviços de saúde, aumentando a sexualidade e a educação reprodutiva, diminuindo a mortalidade materna, humanizando o parto e legitimizando a profissão de parteira. Sediado na cidade litorânea de Recife, estado de Pernambuco, na Região Nordeste do Brasil, o Grupo Corumim organiza worlshops e seminários para adolescentes que moram e/ou trabalham nas ruas sobre temas como cuidados básicos da saúde, auto-estima, anticoncepcionais, direitos humanos, violência contra o gênero, sexualidade, parto e prevenção do HIV/AIDS. O Grupo Corumim proporciona aos adolescentes informação exata e de empoderamento sobre sua saúde e direitos sexuais e reprodutivos e espera assim diminuir a gravidez e retardar a disseminação do HIV/AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, o Corumim educa médicos, provedores de saúde e pessoal hospitalar a respeito das necessidades específicas dos adolescentes, a fim de assegurar que o sistema de saúde pública proporcione cuidados com respeito e de modo abrangente.
Para assistir o videoclipe do livro "Mulheres e Parteiras - Cidadania e Direitos Reprodutivos", clique neste link aqui.
Perto de ser avó, Joana D' Arc, 47 anos, viu jorrar leite do peito para amamentar o filho adotivoMarcelo Abreu
Da equipe do Correio
Como milagre, começa essa história. E ele, o milagre não esperado, veio jorrando, farto, vigoroso como a própria vida. Nos braços da mulher, a prova inquestionável do feito. Joana D´Arc Dias Costa não se contém. E se pergunta, cada vez que sente o milagre pulsando do seu corpo: "Será que estou vivendo isso mesmo, meu Deus?" Ao sentir o filho sugando o seu peito, ela tem certeza de que não é apenas um sonho.
Essa história era improvável. Até o dia em que o marido, perplexo, indagou à mulher, enquanto ela dava o peito ao filho: "O que é isso branco no canto da boca dele?" Joana tomou um susto. E comprovou, experimentando o próprio líquido: "É leite". E repetiu, como se ela mesma não pudesse acreditar no que seus olhos viam e sua boca sentia: "É leite, é o meu leite…"
Às vésperas de completar 47 anos, entrando na menopausa e com consulta marcada para ver a taxa de hormônios e começar o tratamento de reposição, Joana amamentava o filho recém-nascido. Detalhe: ela não o pariu. Adotado aos sete dias de nascido, o bebê, ao primeiro contato com a mãe adotiva, procurou o seu peito. Ele chorava muito. Eram noites insones e de completa impotência. Havia anos Joana não sabia o que era aquilo. Para acalmá-lo, ela o deixava sugar o peito. "Aí ele parava de chorar e dormia", lembra. Ao sugar o peito da mãe, ela lhe contava historinhas. Embalava-o com músicas de ninar. Às vezes, exaustos, dormiam mãe e filho, juntos.
E assim se passaram 15 dias. No peito da mãe, a mesma procura, o mesmo acalanto. Era o refúgio do bebê adotado. Quando ele completou um mês, numa noite, sem pedir licença, o leite jorrou do peito de Joana. E veio forte. As quatro filhas biológicas, com idades que variam de 21 a 26 anos, também não acreditaram. Nem o marido. E o recém-nascido, indiferente ao espetáculo da vida que protagonizava, mamou com sofreguidão. E o choro coletivo fez aquela família de Taguatinga soluçar.
O miudinho mamou tanto, que chorou ao largar os seios fartos da mãe. Aos 47 anos, sem ter ficado grávida e com a última filha nascida há mais de duas décadas, Joana estava amamentando uma criança. Naquela noite, em lágrimas, ela entendeu o milagre que batia à sua porta. O nome dele? Lucas de Jesus. Local de nascimento: São José da Tapera, em Alagoas, a 240km da capital Maceió, um dos municípios mais pobres do país, segundo dados do IBGE. É lá que começa essa história de milagre.
No dia 14 de maio deste ano, Dia das Mães, Lucas nasceu. A mãe, uma moça de 25 anos, solteira, agricultora no sertão, havia acabado de dar à luz o quarto filho. E estava decidida. Não ficaria com o bebê. Alegou falta de condições materiais para criá-lo. A pobreza a atormentava. Em janeiro, Joana, o marido, as filhas e um grupo de voluntários da igreja onde congregam, foram ao sertão de São José da Tapera. Há 10 anos, ela coordena um trabalho de ajuda aos que nada têm. Eles enchem um ônibus de mantimentos, todos de doação, e vão até cidades bem distantes e miseráveis do país.
Lição de sabedoria
A vida testou Joana desde que nasceu, em Teresina, no Piauí. Filha de um homem que consertava bicicletas e de uma costureira, tudo sempre lhe foi muito difícil. Para estudar numa escola particular da cidade, as madres superioras, muito compadecidas, fizeram-lhe uma contrapartida. Ela limparia os banheiros, faria a faxina das salas e ganharia uma bolsa de estudos. Sem hesitar, a menina aceitou. E limpou chão e lavou banheiros, todos os dias. As amigas da escola elegante não queriam sentar-se perto dela. Motivo? Ela era negra e pobre. Limpava chão.
Um dia, a menina mirradinha de olhar curioso deixou Teresina. Veio morar em Brasília, sonhando com os estudos. Parou na casa de parentes. E aqui, com dificuldade, formou-se em pedagogia. E jurou a si mesma que levaria educação e cidadania aos mais necessitados. Casou-se, vieram as filhas e, juntos com amigos da igreja, criaram o Projeto Jesus Expansão do Amor. Há quase 10 anos, sempre em julho e janeiro, o grupo percorre os lugares mais miseráveis do Brasil promovendo cursos de alfabetização, reciclagem, noções de saúde e prevenção de doenças. Levam o que de melhor o ser humano pode receber: cidadania.
Voltemos, então, ao último dia 14 de maio, domingo das mães. O telefone da casa confortável e espaçosa de Joana, em Taguatinga, toca. Era uma funcionária do fórum de São José da Tapera. Conta-lhe que uma moça havia acabado de dar à luz e que iria deixar o bebê para adoção. No dia seguinte, na segunda-feira, depois de uma bateria de exames, Joana se submeteria a uma plástica nos seios, para corrigir a flacidez causada pela própria idade.
A família se reuniu. As quatro filhas e o marido, Carlos Alberto Silva, 44, deixaram com ela a decisão final. No dia seguinte, insone, Joana decidiu: adiaria a plástica e partiria em busca daquela criança. Na mesma segunda-feira, o casal partiu para a distante São João da Tapera. De avião, chegaram até Maceió, depois, horas de estrada até a cidadezinha.
Diante do juiz, a moça, que não teve contato com Joana e Carlos, ratificou o que dissera assim que o bebê nasceu. Não queria aquela criança, o então companheiro, além de mandar que ela abortasse, ainda a deixou sozinha, com outros três filhos para criar. O juiz a fez entender que a decisão tiraria dela todos os direitos sobre o filho. A moça estava decidida. E entregou o bebê à adoção.
Novos pais
Aos sete dias de vida, Lucas – nome dado pela mãe biológica nas 24 horas em que manteve contato com a criança – chegou às mãos de Joana. "Na hora que o peguei no colo, senti amor igual ao das minhas quatro filhas. Era como se eu mesma tivesse dado à luz." Mãe e pai voltaram a Brasília com o bebê no colo. As filhas os esperavam com festa. Mas, até então, só havia a guarda provisória. "Mantivemos o mesmo nome porque não sabíamos quanto tempo ele ficaria conosco. Nem se o juiz nos concederia a guarda definitiva. E além disso já havia uma certidão de nascimento, só com o nome da mãe biológica", explica ela.
Com um mês, o leite encheu os seios de Joana. Aumentou-lhe o volume. Deixou-os fartos. "Senti a mesma coisa quando tive minhas filhas." Em agosto, os pais adotivos voltaram a São José da Tapera. E lá, diante do mesmo juiz, receberam a guarda definitiva do bebê. Ele virou Lucas de Jesus Dias Costa. Hoje, aos seis meses, pesa 9kg e mede 70cm. E já está na natação. Nunca adoeceu, nem mesmo uma gripe. É um touro. O médico comprovou que o leite de Joana é forte e tem todos os nutrientes de que uma criança precisa. E o danado mama todos os dias. Abre o bocão quando tem que parar. "A dieta do pediatra, agora, inclui sopinhas e mingau. Mas ele só quer o peito", gaba-se Joana, entre risos e lágrimas.
No fim da manhã de ontem, Joana amamentava o filho. Enquanto sugava o peito da mãe, Lucas acariciava-lhe o rosto com as mãozinhas gordas. Emocionada, ela deixou escapar: "Quando me preparava para ser avó, virei mãe. Eu agradeço todo dia por esse milagre. Nós é que fomos ajudados por ele". E admite: "Eu choro mesmo, todo dia, mas de felicidade". Na vida de Joana, quase tudo foi improvável. Até fazer jorrar leite, quando leite não havia mais.
FONTE:Correio Brasiliense
Marcadores: amamentação, depoimento, midia
Monitor de oxigênio não ajuda médicos a detectar riscos em partos
escrito por: Tricia Lima em Segunda-feira, Novembro 27, 2006 às 9:24 AM.
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FONTE: The New York Times
15:12 23/11
Denise Grady
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Uma ferramenta que mede a quantidade de oxigênio no sangue do bebê durante o trabalho de parto não conseguiu satisfazer as expectativas dos médicos que tinham a esperança de que ela levaria a um número menor de partos cesárea e partos mais seguros, concluiu um novo estudo. No entanto, os resultados da pesquisa ainda assim ajudarão mulheres e bebês, desencorajando o uso de procedimentos invasivos que não fazem bem a nenhum dos dois, afirmaram os pesquisadores.
O aparelho, com um sensor que era inserido no útero até encontrar o rosto do bebê, é acoplado a uma série de tubos, fios e monitores que já constituem o que chamamos de “nascimento moderno”.
“É muito importante nós termos descoberto que essa é uma tecnologia que não parece fornecer nenhum benefício significativo para as mães e seus bebês”, afirmou o dr. Steven L. Bloom, autor do estudo e chefe do departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Médico da Universidade do Texas, em Dallas.
O estudo e um editorial sobre ele serão publicados na quinta-feira no periódico The New England Journal of Medicine.
“A boa notícia e que nós avaliamos criticamente e apropriadamente uma nova tecnologia, descobrimos que ela não traz nenhum benefício, e que de agora em diante não iremos mais utilizá-la”, afirmou o dr. Michael F. Greene, autor do editorial, em uma entrevista. Greene é diretor de Obstetrícia do Massachusetts General Hospital.
A ferramenta, um oxímetro de pulsação fetal, foi projetada para ser utilizado com o monitor de freqüência cardíaca, que é utilizada em 85% dos partos nos Estados Unidos. Apesar de seu uso rotineiro, o monitoramento cardíaco é controverso, pois os médicos o adotaram nos anos 1970 sem nenhum teste rigoroso e então continuaram utilizando-o mesmo após estudos descobrirem que isso levava a um número maior de cesáreas e não levava a um número maior de bebês saudáveis. Os monitores cardíacos podem criar alarmes falsos que levam a partos cesariana.
Os pesquisadores esperavam que o oxímetro de pulsação fetal pudesse melhorar tal situação – que o monitoramento tanto o nível de oxigênio como dos batimentos cardíacos poderia ajudar os médicos a realizarem um trabalho melhor, decidindo quando um bebê estava com problemas e precisava nascer rapidamente. Porém, como mostra o estudo, o aparelho não é capaz de fazer isto.
O oxímetro foi fabricado pela Nellcor, uma divisão da Tyco Healthcare, e aprovado pelo FDA (órgão que fiscaliza alimentos e medicamentos nos EUA) em 2000. Porém, a aprovação foi obtida sob as condições que a companhia realizasse mais pesquisas. Em 2001, o American College of Obstetricians e Gynecologists também pediram mais pesquisas, e se recusaram a sancionar a ferramenta.
Marcadores: midia, pesquisas, tecnologia
Maternidade de Londrina ganha prêmio do Ministério da Saúde
escrito por: Tricia Lima em às 9:10 AM.
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Quatro instituições do Sistema Único de Saúde (SUS) vão receber o V Prêmio Professor Galba de Araújo, concedido pelo Ministério da Saúde. Criado em 1998 para destacar a humanização da assistência obstétrica e neonatal e o estímulo ao parto normal e ao aleitamento materno, o prêmio será entregue, no dia 7 de dezembro, na abertura do seminário nacional sobre o Panorama Atual da Saúde da Mulher: avanços e perspectivas, a ser realizado no Carlton Hotel, em Brasília.
A quinta edição do prêmio será entregue à Maternidade do Hospital Regional Dom Moura, de Garanhuns (PE), ao Hospital Santa Marcelina, de São Paulo (SP), à Maternidade Maria Barbosa do Hospital Universitário Clemente de Faria, de Montes Claros (MG), e à Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, de Londrina (PR). As maternidades de Pernambuco e do Paraná receberão R$ 50 mil, cada, enquanto as instituições de São Paulo e de Minas Gerais vão dividir o valor, já que obtiveram a mesma pontuação na avaliação a que foram submetidas.
Todas as maternidades que concorreram ao V Prêmio Professor Galba de Araújo apresentavam os mesmos requisitos: tinham taxa média mensal de cesáreas, no segundo semestre do ano passado igual ou inferior à estabelecida para a maternidade pelo Estado; têm Comissão de Controle de Infecção Hospitalar; permitem a realização de parto de baixo risco por enfermeiro e permitem acompanhante no pré-parto, no parto e no pós-parto. As vencedoras sobressaíram-se pela qualidade do atendimento, organização institucional e satisfação das usuárias.
A seleção inicial das instituições concorrentes foi feita por comissões criadas pelas secretarias estaduais de Saúde. A avaliação ficou a cargo da Comissão Nacional do Prêmio, com representação do Ministério da Saúde, da Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher (Cismu), da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstetras (Abenfo), da Rede Nacional pela Humanização do Nascimento (Rehuna) e da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.
O prêmio reverencia a memória do obstetra Galba de Araújo, que conquistou destaque nacional e internacional por utilizar recursos humanos disponíveis regionalmente no atendimento às gestantes. Foram exemplos disso o incentivo ao treinamento de parteiras, a busca pela melhoria da qualidade de assistência ao parto domiciliar e a identificação das gestantes de alto risco.
A iniciativa do Ministério da Saúde de conceder o prêmio procura revelar ao Brasil experiências inovadoras na gestão pública que privilegiem o acolhimento da gestante e do recém-nascido na hora do parto e estimular as maternidades a tratar os pacientes com mais respeito e dignidade.
FONTE:Jornal o Estado
Marcadores: governo, maternidades, politica, sus
Pajés e parteiras indígenas ganham novos conhecimentos sem renunciar a sua cultura
escrito por: Tricia Lima em Sexta-feira, Novembro 24, 2006 às 8:59 AM.
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Juracy Xangai
Mais de 380 parteiras indígenas, pajés e agentes de saúde indígena participaram das oficinas realizadas ao longo deste ano para a troca de experiência sobre os cuidados no parto e a saúde nas aldeias.
As oficinas vem sendo realizadas pela Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (Sitoakore) liderada pela índia Letícia Yawanawa.
Segundo ela, esse é um trabalho de resgate e valorização das funções das parteiras e pajés que ao longo dos últimos anos foram sendo postos de lado pelas autoridades dos serviços públicos de saúde em seus programas. Assim, possivelmente sem ter esse objetivo, acabaram por prejudicar a força e a continuidade de muitas tradições, que tem sido fundamentais para a agregação social e a sobrevivência dessas comunidades.
“Infelizmente os serviços oficiais de saúde não reconhecem nossas parteiras com seus conhecimentos tradicionais, nem os pajés como nossos médicos que são. Estas pessoas já contribuíram e continuam contribuindo para a sobrevivência de nosso povo e a preservação de nossa cultura”, afirma Letícia.
Ela reclama do fato de que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) quando chama a parteira ou o agente de saúde para um treinamento, não convida junto o pajé que é o primeiro a ser procurado pelas pessoas da aldeia quando sentem problemas de saúde física ou espiritual.
“Essa situação em se que cria uma separação que tradicionalmente não existe em nossa cultura porque pajé e parteira trabalham juntos e tem o respeito de todos. Ao chamar o pajé para discutir as questões da saúde está sendo dado maior valor à pessoa dele, ao mesmo tempo que ele estará aproveitando novos conhecimentos para orientar os jovens e mulheres das aldeias”.
A série de oficinas que vem sendo realizadas nos municípios do Acre, será encerrada em março do ano que vem com a realização de um encontro estadual de parteiras tradicionais e pajés que acontecerá em Rio Branco.
“Nele estaremos discutindo a formação de uma política pública destinada a atender de maneira diferente os serviços de saúde destinados às comunidades indígenas, até porque é possível levar novos conhecimentos às parteiras e pajés sem desrespeitar nossos costumes e tradições”.
FONTE: UOL
A dança do ventre e a fertilidade
escrito por: Tricia Lima em Quinta-feira, Novembro 23, 2006 às 10:50 PM.
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O que é Dança do VentrePor Rhamza Alli
FONTE: Conexão Dança
“A dança do ventre é uma expressão poética do corpo cheia de gestos e significados. É uma celebração a feminilidade, desenvolvida por mulheres e para mulheres.” (Rhamza Alli)
O que se conhece por dança do ventre hoje em dia, no mundo ocidental, é a dança árabe (Oriente Médio e Norte da África) miscigenada com e influenciada por várias outras culturas, compilada em seus movimentos mais populares, adicionada de um breve ocidentalismo (véus, meia-ponta), muito bem vestida com lantejoulas e franjas e transformada em espetáculo.
A história da dança do ventre é tão antiga quanto a história do homem, ou melhor, da mulher. É a primeira dança feminina de que se tem registro. Enquanto as outras danças eram executadas pelos homens e claramente ligadas à sobrevivência (chuva, caça, etc), desenhos em cavernas de mulheres dançando, mostram-nas com ventre em evidência. Os movimentos de contração, ondulação e vibração foram desenvolvidos pelas mulheres e para as mulheres em função de aliviar dores menstruais e preparar os músculos para a sustentação da gestação e o trabalho de parto, também como um culto à Grande Deusa (natureza) em prol da fertilidade - do ventre e da terra.
Do norte da Índia, originam-se os ciganos que, como nômades, espalharam-se pelo mundo levando consigo sua cultura e modo de vida. Avançaram cada vez mais em direção ao ocidente, passando pela Pérsia, Mesopotâmia, Turquia, Norte da África, chegando ao sul da Europa. Usavam seus dotes artísticos como forma de sobrevivência, cantando e dançando em feiras; sua cultura e estilo iam se misturando e aos costumes locais e novas manifestações, resultado dessas miscigenações, foram surgindo.
A dança que chegou ao conhecimento ocidental foi através do contato com povos como os Gawazee - ciganos provenientes do norte da Índia - que se instalaram no Cairo e os Ouled Nail que habitam a Argélia.
Os Gawazee mantiveram-se a parte da sociedade e preservaram suas tradições e história de forma oral através de uma língua própria e única. Sua dança, viva até hoje, é caracterizada por contínua vibração dos quadris.
Os Ouled Nail se mantiveram confinados em suas tribos. As mulheres saiam delas apenas para dançarem nos centros urbanos. Em sua vestimenta carregavam o dinheiro obtido com a dança: enormes coroas e cintos com moedas, jóias, pedrarias, correntes e pingentes. Muitos símbolos identificados como vindos de Fenícia, Cartago e Babilônia. Sua dança inclui rolamentos dos músculos abdominais que começam lentos e pouco a pouco vão se acelerando e acrescentando movimentos de pés, quadris, braços e ombros.
Quando os ocidentais chegaram ao Cairo (final do séc. IXX) em busca de safáris e tesouros ficaram extasiados com o exotismo da dança e suas dançarinas. Elas, por sua vez, trataram de adaptar a dança e as vestimentas ao gosto ocidental e trocaram a rua pelos clubes noturnos e cassinos. Algumas dançarinas foram levadas à Europa e Estados Unidos aonde puderam refinar sua dança e sua vestimenta. Em contato com o balé clássico e contemporâneo, incorporaram braços delicados, pés na meia-ponta ou em saltos, véus esvoaçantes e roupas de duas peças cheia de brilhos e franjas. Transformada assim em espetáculo, a dança do ventre pode ganhar os grandes teatros, casas de show e telas do cinema.
Apesar das antipatias ao termo "dança do ventre" - que muitos julgam pejorativo, eu, particularmente, não o considero impróprio, pois ao meu ver, a dança é sim do ventre em todos os sentidos: fisicamente, já que se baseia na movimentação rotatória, ondulatória, vibratória e de impacto do tronco e dos quadris o que movimenta intensamente todo o abdômen, além dos próprios movimentos de abdômen; e histórica e simbolicamente já que a dança é a representação da fertilidade e do nascimento.
Mas, afinal de contas, o que é a dança do ventre? O único e verdadeiro significado desta dança, é o poder de criação incutido nela, a fertilidade, a gestação, a maternidade. Ela é dançada pelas mulheres árabes durante o trabalho de parto - tanto pela parturiente que repete os movimentos de contração e vibração de abdômen, como pelas outras mulheres que, junto com a parteira, assistem o parto formando um círculo em volta da futura mamãe, dançando e cantando uma ladainha para purificar o ambiente e estreitar o contato com o divino. Este ritual é executado tanto nos países do Oriente Médio como nos africanos até os dias de hoje.
Uma dança mais festiva e alegre é dançada quando uma menina menstrua, quando se sabe da gravidez de uma mulher, no batizado das crianças, enfim, tudo que for ligado à criação de uma nova vida.
Ocasiões festivas como casamentos, colheitas, aniversários, festas religiosas, bênçãos, curas, afazeres do dia-a-dia, enfim, tudo que faz parte da vida é comemorado com música e dança por esse povo, cada região, cada tribo, com suas tradições e particularidades, mas sempre honorando à vida.
Como é a Dança do Ventre
A Dança do Ventre consiste em alguns movimentos de vibrações, impacto, ondulações e rotações que envolvem todo o corpo.
O shimmy (vibração) de quadris é o movimento mais conhecido, mas, na realidade, o fundamento da dança do ventre é o controle abdominal e o isolamento das partes do corpo. Uma vez que se atinge estes dois princípios básicos, os movimentos acima citados estendem-se às outras partes do corpo: quadris, torso, ombros, braços, cabeça e pescoço isolados ou em diversas combinações.
Uma dança do ventre tradicional inclui movimentos lateralizados e retos de pescoço, quadris e torso, ondulações de braços e mãos, tremidas suaves e rápidas de ombros, seios e quadris, movimentos circulares do torso com caídas e acentuações emendadas com ondulações de peito e abdômen. Movimentos vibratórios de extensão e contração dos músculos abdominais isolados ou combinados com os pélvicos. As figuras "círculo" (início da vida) e "oito" (infinidade da vida) são amplamente usadas em diversas dimensões, também isoladas ou em combinações.
Não raro a bailarina sustenta o shimmy de quadris e trabalha as outras partes do corpo em uma dinâmica diferente, ou apresenta uma vibração generalizada e bem controlada de todo o corpo enquanto cabeça, mãos e quadris acompanham a dramaticidade e acentuações da música.
Além de todos os movimentos básicos, a dança deve aflorar e ser acrescida de giros, cambrées, espirais, trabalho de chão. Apesar do nome dança do ventre, podemos chamá-la de Dança do Corpo, pois movimenta todo o corpo por dentro e por fora. As pernas e pés, são usados, entretanto apenas para a sustentação e o deslocamento da bailarina, sem ênfase em seus movimentos como se a bailarina fosse uma serpente.

Beneficios
Físicos:
- Preparação para ao parto;
- Recuperação do tônus muscular pós -parto;
- Combate a problemas relacionados ao abdômen como: TPM, cólicas, constipação intestinal e dores renais;
- Alongamento geral do corpo sem riscos de lesões, distensões ou contraturas (obviamente, através de exercícios bem administrados);
- Tonificação da musculatura de forma gradual e "de dentro para fora";
- Fortalecimento dos órgãos localizados no abdômen, tornando -os mais eficientes e ativos;
- Postura correta e confortável;
- Equilíbrio e energização;
- Respiração correta;
- Auxílio em dietas de perda e ganho de peso;
Psicológicos/emocionais/sociais:
- Resgatar da auto -estima;
- Aprender a se sensualizar sem se vulgarizar;
- Perceber os valores ligados ao ser humano e a natureza e não à aparência;
- Despertar interesse por música, ritmos e cultura orientais;
- Proporcionar o relaxamento mental/ diversão;
- Promover a boa convivência com amigos, colegas e familiares;
- Incentivar a boa convivência com a natureza;
- Conscientizar sobre a responsabilidade social de cada mulher (como educadoras da nova geração).
Marcadores: atividades fisicas, dicas, gestação
O Treinamento Formal de Parteiras: Algumas iniciativas
escrito por: Tricia Lima em às 6:18 PM.
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RESUMO
Este artigo tem como objetivo apresentar alguns exemplos de iniciativas de formalização do saber das parteiras feitas pelos Estados nacionais, de instituições religiosas e por ações da classe médica organizada em grupos.O método utilizado neste estudo é o da História Social, tendo como fonte trabalhos historiográficos sobre o tema do saber das parteiras. A análise destes textos leva a conclusão de que o objetivo dos treinamentos era a elevação de status do (a) praticante e a regulação da parturição sob o controle do saber médico acadêmico.
Palavra-chaves: Parteiras tradicionais, treinamento formal, saber médico.
ABSTRACT
This article has as an objective present some examples of initiative of the knowing formalization from midwives made by the national states or by actions from the medical class organized in groups. Social History is the method used in this study, having as source historiographic works about the midwives´ knowing theme. The analysis of these texts takes the conclusion that the training´s objective was the
practicing´s elevation of status and the regulamentation of the normal parturition under controle of the academic medical knowing.
Key-words: Midwives, midwives´ knowing, regulamentation of parturition.
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Durante séculos, as mulheres contaram na hora do parto com ajuda de outras mulheres, ou mesmo passavam por esta experiência de forma solitária. O evento do parto estava ainda envolto de mistérios e tabu. Ao longo dos tempos algumas mulheres ficaram conhecidas pela sua habilidade em ajudar as parturientes e ampará-las neste momento delicado. Por este motivo, elas destacaram-se socialmente. Sendo assim, passaram a ser requisitadas em preferência a outras pessoas para acompanhar as mães em trabalho de parto. Desta forma, surge a especialização de uma prática: a parturição e com ela as parteiras. Tendo em vista o caráter informal do inicio da prática da assistência ao parto, este texto apresenta algumas iniciativas de formalizar a prática das parteiras, através da padronização do seu saber, seja pela exigência de exames teóricos e ou práticos para a obtenção de licença, seja pela instituição de cursos, escolas ou treinamentos exigidos e impostos pela autoridade dos médicos ou da Igreja e com o apoio do Estado através da força da lei.
Veremos então, que nem sempre tais iniciativas surtiam os efeitos esperados por seus
idealizadores e que uma efetiva regulação da prática das parteiras, uniformizando o treinamento para todas, era uma tarefa que necessitava de transformações na mentalidade das autoridades envolvidas, da clientela e das próprias parteiras, e que mesmo assim, foi de difícil realização.
Investigar os objetivos dos primeiros idealizadores de uma formalização dos conhecimentos utilizado por parteiras torna-se importante na medida em que possibilita entender as formas de intervenção no saber prático e tradicional destas mulheres pelo saber da medicina científica da época. Pesquisar estas iniciativas pode ajudar a compreender o papel exercido por elas, como parte de um conjunto de estratégias para delimitar e manter sob o controle dos médicos o campo da obstetrícia médica, o qual buscava se estabelecer em meio a outras especialidades da medicina como um ramo tão relevante para a sociedade quanto seus irmãos.
As primeiras iniciativas: As licenciadas e as examinadas.
Até o século XVI o cuidado das doenças femininas não despertava grande interesse aos
médicos. O parto era um ritual de mulheres, as quais eram atendidas por parteiras e por uma rede feminina de solidariedade. Sendo assim, as parteiras não contavam com nenhuma formação especializada, tendo apenas a própria experiência como referência (ROHDEN, 2001). É a partir do mesmo século que se iniciam as tentativas de regulamentação de suas atividades. Na Inglaterra se estabelece uma licença para as parteiras administrada pelas autoridades eclesiásticas anglicanas. A Igreja tinha como prioridade vigiar a conduta moral das parteiras e tê-las como exemplo de comportamento virtuoso. Na França as tentativas de regulação que ocorreram no século XVI também estavam mais sujeitas às iniciativas do clero apoiadas pelo poder real. A Igreja e Estado estavam interessados em lutar contra o aborto, o infanticídio e também contra o protestantismo. Os médicos franceses também vão se destacar por terem inaugurado a luta contra as parteiras. Porém, aceitar um médico à beira do leito da parturiente não se dava sem problemas. As parturientes, mesmo em casos de grande risco, por questões de recato, não se expunham ao atendimento masculino. Na Escócia inaugura-se o ensino de nível universitário para as parteiras em 1726 na Universidade de Edimburgo. Em Londres, na segunda metade do século proliferam as escolas privadas de parteiros, homens e mulheres. Contudo, é apenas em 1783 que o College of Physicians decide conceder uma licença em arte obstétrica, distinguindo os praticantes que se sujeitassem a um exame (ROHDEN,2001).
No Brasil colonial, as longas distâncias e a escassez de recursos, entre as mais variadas dificuldades, não estimulavam os médicos formados na Europa a virem aqui atuar. O que se encontrava com facilidade por estas terras eram os cirurgiões aprovados. A brevidade na formação destes praticantes também era característica das parteiras locais. Elas deveriam se submeter a um exame diante de uma banca formada por físicos e cirurgiões e uma parteira licenciada para a obtenção da carta que regularizava a atividade. Contudo, o que se dava na prática era a concessão de licença mediante apenas pagamento das taxas, pois a grande maioria não sabia ler e escrever Os médicos eram chamados apenas em último caso, quando havia grande risco para mãe e para a criança. Mesmo assim, o excesso de pudor fazia com que a solicitação de um praticante fosse bastante rara (ROHDEN, 2001).
Nas colônias britânicas na América, as primeiras tentativas de se regular a prática das parteiras ficaram a cargo das autoridades civis, já que a Igreja anglicana não estendeu sua supervisão episcopal até o novo mundo (DONEGAN, 1984). Apesar disto, as licenças e a legislação que regulava a prática da parturição continham muitas influências da versão britânica do controle episcopal. As parteiras eram as únicas que assistiam as parturientes, pois havia um forte tabu contra a presença de homens na cena do parto na Grã-Bretanha, e este traço cultural foi transportado para as colônias na América. Este quadro só veio ser questionado com os avanços das técnicas dentro do campo da obstetrícia médica e com o estabelecimento da disciplina de Obstetrícia nas escolas de medicina.(DONEGAN, 1984).
No Brasil: Os Cursos de Partos
Maria Lúcia Mott dedica em sua tese, sobre a primeira parteira formada pelo primeiro curso oficial para parteiras no Brasil (MOTT, 1998), um capítulo inteiro ao treinamento formal das parteiras durante o século XIX. De acordo com seu trabalho, os cursos de partos surgiram junto com as reformas1 do ensino da medicina e estavam sob o controle do saber médico acadêmico. Na reforma de 1832, que criou as Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e Bahia, previu-se a criação de um curso de Obstetrícia para mulheres, com duração de dois anos, sendo que as candidatas deveriam ter mais de dezesseis anos e a apresentar atestado de bons costumes expedido pelo Juiz de paz da freguesia onde esta residisse. O curso era ministrado pelo mesmo professor responsável pela cadeira de partos no curso de medicina.
A reforma que deu origem a este curso em particular foi elaborada pela Sociedade de
Medicina do Rio de Janeiro, e tinha como objetivo a normalização do ensino e do exercício da medicina no Brasil, “seus membros defendiam a uniformização do saber médico, uma medicina baseada na observação, sendo radicalmente contrários a outras formas ou propostas de cura” (MOTT, 1992).
Existiam também cursos livres que ajudaram a complementar a formação de parteiras e
parteiros. Contudo, a prática de assistência ao parto ainda era muito restrita aos alunos do sexo masculino e os atendimentos na enfermaria de partos da Santa Casa de Misericórdia eram poucos, impossibilitando a prática suficiente aos alunos e alunas. A própria Mme Durocher, a primeira parteira formada pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, participou destes cursos livres para melhorar seus conhecimentos em obstetrícia (MOTT, 1998). Entretanto, apenas as faculdades tinham o poder de conferir ao aluno que concluísse o curso o diploma que permitia o exercício da atividade da parturição em todo o território do Império.
Entretanto, foi muito baixa a freqüência feminina no curso destinado às mulheres na época. O número de parteiras formadas por este curso também foi igualmente baixo. Cem formadas em cem anos de existência (MOTT, 1998; PROGIANTI, 2001). Mott levanta algumas hipóteses para a falta de sucesso do curso de partos das Faculdades de Medicina. A primeira diz respeito à dificuldade representada pela proximidade dos dois sexos no ambiente da sala de aula. Segundo a autora, incompatível para os padrões da época. Depois, pelo menos em nível de discurso, as parteiras atendiam as parturientes para prestar-lhes auxílio na hora do parto. Não estava em jogo a remuneração da parteira. A autora diz que, analisando os pedidos de licença, ela encontrou a constante relação entre o ofício de parteira e os conceitos de vocação, missão e caridade. Desta forma, Mott (1992) questiona “se é possível alguém admitir que abraçou a profissão por questões pecuniárias e não humanitárias?” Ela acrescenta que aprender o ofício de parteira a partir dos ensinamentos de um profissional do sexo masculino, dentro de instituição dirigida por médicos, na qual a relação entre médico paciente é regida por uma ética particular, e ainda, admitir remuneração para a assistência ao parto apontam para evidências significativas de uma mudança de comportamento que não se dá com a simples criação de um curso de partos (MOTT, 1992).

Julyan Peard (1999) também trata da pouca procura pelos cursos de partos quando a autora discute as disputas entre os integrantes da escola tropicalista baiana e as parteiras leigas durante o século XIX em Salvador. Peard (1999) ressalta que apenas duas alunas concluíram o curso desde sua criação em 1832 até 1871, ano no qual o Professor Elias Pedrosa constatou o fato. Sendo que uma aluna morreu pouco tempo depois de terminar o curso e a outra nunca exerceu sua ocupação. Peard considera de fácil compreensão o fracasso do curso, já que era exigido das alunas saber ler e
escrever e “boas maneiras”, o que eliminava as possibilidades das mulheres que via de regra desempenhavam a função na Bahia. Outro motivo apontado pela autora, baseado nos registros de Pedrosa, é que estes cursos teriam poucos a oferecer, tendo em vista que não contemplava o ensino prático de atendimento ao parto. No capítulo onde Peard trata dos cursos, a autora dá mais ênfase às denúncias feitas pelos tropicalistas contra as parteiras e aos motivos pelos quais os médicos não tiveram sucesso em atuar de forma majoritária no atendimento às mulheres baianas. Um dos motivos diz respeito à rígida moral sexual, de distanciamento entre os indivíduos de sexos diferentes, imposta pelo sistema patriarcal, dessa maneira, dificultando o atendimento dos médicos às parturientes (PEARD, 1999).
Rohden apresenta a discussão sobre os primeiros cursos de parteira do ponto de vista da constituição da “medicina da mulher”2. Ou seja, o ensino da obstetrícia voltado para a formação do médico. Ela explica que a arte obstétrica era lecionada desde 1809 na Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro e a cadeira de partos, que constava do currículo das academias Médicas e Cirúrgicas do Rio de Janeiro e Bahia, é integrada definitivamente quando estas se transformam nas Faculdades de medicina, criadas em 1832 (ROHDEN, 2001). A cadeira de partos era a única dedicada especificamente ao corpo feminino dentro dos currículos das faculdades desde a criação das mesmas. E parecia que não despertava muita atenção. Os médicos se dedicavam muito mais a exercer sua autoridade na regulamentação da prática das parteiras. Em 1832 é criado o curso feminino para que elas aprendessem de acordo com os preceitos vigentes da ciência a maneira adequada de atender as mulheres no momento do parto e os primeiros cuidados com a criança (grifo meu). Seguindo o pensamento da autora, passou-se desde então, a propagar a idéia das parteiras com certificado concedido pelos médicos, tornando-as mais legitimas e requisitadas pelas famílias mais ricas. Contudo, concomitante à instauração dos cursos, chegaram ao Porto do Rio de Janeiro as parteiras estrangeiras, sobretudo as francesas, que trouxeram novas técnicas e prescrições. Muitas conseguem fama e prestígio, o que é pouco comum para as mulheres da época (ROHDEN, 2001).
A prática das parteiras passa a ser cada vez mais visada, exigindo das parteiras francesas que no país aportaram, assim como das brasileiras, um exame aplicado por médicos delegados para que o diploma de parteira fosse registrado na Câmara Municipal. Mesmo assim, continua a autora, o recurso a “comadre” ou “curiosa” mantinha-se como prática corriqueira (ROHDEN, 2001).
Rohden também fala de um projeto, o primeiro que se tem notícia, dedicado ao ensino e
prática da obstetrícia que previa a fundação de um hospital-maternidade. Ele é apresentado por Florêncio Stanislau de La Masson em 1832. Este projeto teve parecer favorável da Câmara dos Deputados, mas o relator nomeado para o caso, o professor da cadeira de partos, Júlio Xavier, vetou os planos de La Masson (ROHDEN, 2001). Contudo, a autora não menciona que o projeto de La Masson não se destinava apenas ao estabelecimento de uma maternidade–escola, mas que seu autor pretendia ali ensinar somente mulheres. Ou seja, um curso destinado a formar parteiras, que teria finalidades filantrópicas. Sendo assim, La Masson buscava recursos para custear seu projeto junto à Regência e aos governos das Províncias (MOTT, 1998).
O veto dado por Xavier, transformado em treze anos de silêncio sobre o projeto, foi justificado com o argumento de que La Masson não fazia parte do corpo acadêmico e não tenha diploma reconhecido no Brasil. E ainda, que o autor do projeto queria se colocar acima das Faculdades de Medicina, já que o curso iria fornecer diplomas e a lei previa que as únicas instituições autorizadas para isso seriam as faculdades do Rio de Janeiro e Bahia. Somando-se aos impedimentos anteriores, Xavier salienta a discordância com o fato de que o ingresso de alunos do sexo masculino era vetado (grifo meu). Para finalizar, o relator da comissão questiona a finalidade filantrópica do projeto. Visto que as alunas para estudarem teriam que pagar e as parturientes além de passarem pelo “vexame” de serem objeto de estudo, teriam também que pagar pelo atendimento (MOTT, 1998).
Outro curso foi organizado e levado acabo na província de Pernambuco, criado pela lei
Provincial de Pernambuco n º 87, art, 33 de 06/03/1840. A justificativa para a sua criação foi em função da dificuldade das alunas de Recife se deslocarem para Salvador e Rio de Janeiro. As aulas se iniciaram em julho de 1840 e eram ministradas por Simplicio Antonio Mavgnier. A matrícula era gratuita e as exigências eram semelhantes àquelas feitas pelas faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e Bahia. No currículo estava previsto o ensino de arte obstétrica teórica e prática, compreendendo Anatomia, Fisiologia e moléstias provenientes do parto. Apesar de estar sujeito à inspeção do diretor do Liceu, o curso estava estabelecido fora de suas instalações, as aulas eram ministradas no Hospital Paraíso (MOTT, 1998).
Este curso também esbarrou em questões legais que inviabilizaram sua continuidade, pois apenas as Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e Bahia eram as únicas autorizadas a fornecer diplomas. O curso do Liceu também estava fornecendo diplomas e autorizando o exercício da profissão às alunas. Uma longa discussão se sucedeu entre as autoridades até que “através de uma carta confidencial do ministro de Estado dos Negócios de Império, ao presidente da província de Pernambuco, fica-se sabendo o que foi resolvido: as alunas da cadeira de Obstetrícia não deveriam ser matriculadas na Junta Central de Higiene, porém poderiam continuar a exercer o ofício sem serem perturbadas!” (MOTT, 1998).
Após a morte de Mavgnier, o curso entrou em declínio até que o governo perdeu o interesse por ele e o extinguiu (Maria Mott não conseguiu precisar a data de término). Em 1875 foi reaberto um curso de partos em Recife, no Hospital Pedro II. Consta que ainda no ano de 1884 o curso continuava funcionando regularmente, habilitando normalmente as alunas (MOTT, 1998).
Outras iniciativas: Estados Unidos
Um fator foi decisivo para as primeiras iniciativas nos Estados Unidos para a criação de cursos para parteiras: o desenvolvimento e consolidação do ramo da medicina dedicado a assistência à gestação e parto, ou seja, a obstetrícia. Igualmente decisiva foi a importância social que o médico começou a adquirir com o estabelecimento de terapêuticas mais eficazes. Conforme novas técnicas e instrumentais foram sendo desenvolvidas pelos obstetras, possibilitando a eles um maior sucesso e humanização nos atendimento aos partos difíceis, e desta forma, ampliando as possibilidades de atendimento aos partos normais; e com a gradual inclusão da cadeira de obstetrícia nos currículos das escolas médicas, fortaleceu-se a idéia de que os obstetras eram experts no assunto. O que nem sempre correspondia a realidade (DONEGAN, 1984). Sendo assim, a parteira tradicional negava com seu conhecimento prático e a grande maioria dos atendimentos com bons resultados, todo o arsenal tecnológico que os médicos desenvolveram no sentido de tornar o parto ditócico3 mais rápido e seguro. Outro aspecto fundamental para a iniciativa dos cursos, no que diz respeito à sociedade norte-americana, foi a transformação do evento do parto, tido como de natureza familiar e social, para um evento médico potencialmente patológico. Isto se deu através de um esforço de convencimento da clientela levado a cabo pelos médicos. Tal mudança passou a exigir o atendimento de um especialista que dispusesse de um conhecimento sofisticado e elaborado para o manuseio dos instrumentos (tais como o fórceps, o pelvímentro, o estetoscópio), para manter o andamento do trabalho de parto longe dos riscos potenciais. Ou seja, sob controle dos médicos (DONEGAN, 1984).

Se o parto não é mais um evento natural da vida da mulher e requisita conhecimentos especiais para mantê-lo dentro de padrões de segurança e riscos controlados, como atender às mulheres sem ofender a moral e a pureza feminina, expondo-as aos olhos e mãos masculinas? A resposta, para boa parte da classe médica, seria o treinamento de parteiras. A mesma atitude cultural que delimitou a mulher a “natural esfera doméstica” (apoiada pelo saber da medicina do período), e que fez pensar que uma verdadeira mulher não seria capaz de ser treinada para desempenhar uma atividade tão “delicada” sem ferir sua modéstia e virtude, preferiu treinar mulheres para atendimentos aos partos e evitar expô-las excessivamente às técnicas e aparelhos utilizados exclusivamente pelos obstetras. Não se tratou de uma verdadeira tendência de restaurar-se a parturição para a mulher com inspiração no movimento de direitos femininos (este buscava alargar as oportunidades de estudo e atividades profissionais para as mulheres). Mas sim, remover da sociedade o paradoxo criado pelo conflito das demandas de modéstia e segurança (DONEGAN, 1984).
Houve tentativas do governo colonial, e posteriormente, do estado nacional em implementar um Plano Continental para o estabelecimento de escolas onde as parteiras pudessem receber treinamento formal, embora sem sucesso. Também é verdade que todas iniciativas de organização de ensino para a formação de médicos, não recebiam auxílio governamental. O que surgem são escolas médicas de origem privada, as quais recebiam também mulheres para treinamento em Obstetrícia. O que significou muito mais o início do ingresso no ensino de nível superior em medicina para as mulheres, do que apenas o treinamento formal das parteiras já existentes (DONEGAN, 1984).
Mas, nem os críticos dos praticantes masculinos, nem os aliados da causa das mulheres
conseguiram restaurar a obstetrícia para a mulher. Apesar dos argumentos destes dois grupos chamassem a atenção para a incongruência da mulher gestante aceitar o serviço de um parteiro e ao mesmo tempo conseguir observar os ditames do rígido código de moral. Mesmo assim, aos poucos, após 1850, passou a ser costume entre as mulheres de classe-média e classe-alta chamar um médico para o atendimento dos partos, mesmo em casos normais. A idéia de progresso da ciência e a promessa de um parto rápido e seguro fizeram com que a solicitação de um doutor se tornasse cada vez mais comum entre as famílias de mais recursos nas grandes cidades do norte dos Estados Unidos (DONEGAN, 1984).
Nos anos iniciais do século XX, os serviços de uma parteira já tinham sido em boa parte substituídos pelos de um médico nas grandes cidades americanas. Sobretudo para aqueles que podiam pagar os honorários de um doutor. Contudo, nos locais mais istantes, desprovidos de recursos médicos e onde a população era pobre, a parteira era praticamente a única a prestar assistência ao parto. Ela também provia serviços médicos através de cuidados à mãe e ao recémnascido. Houve debates quanto à extinção ou não da prática das parteiras entre os membros da classe médica. Eles consideravam a atuação das parteiras como um problema de saúde pública, pois a idéia da grande responsabilidade das parteiras por contaminar as parturientes e os recém nascidos com infecções pós-parto, em função de sua falta de treinamento formal, ou seja, pelo desconhecimento de práticas higiênicas era constante. Tal idéia era compartilhada entre os doutores, seja qual for o lado em que estivessem os debatedores, a favor da manutenção ou simpatizantes do término da prática das parteiras (Kobrin, 1984).
Esta preocupação levou a alguns estados mais pobres dos Estados Unidos, como o Mississippi nas décadas iniciais do século XX, a criarem, dentro de seu Quadro Estatal de Saúde, programas para regular a prática das parteiras leigas. Estas, em grande número, atuavam em precárias condições. No Mississippi elas fizeram boa parte dos partos até 1940. Nas comunidades afro-americanas as parteiras realizaram 80% de todos os partos até aquela data. Com a instituição de um programa de treinamento para melhorar o atendimento dado pelas parteiras, houve a aproximação entre elas e as enfermeiras de Saúde Pública. As parteiras negras, conhecidas como “grannies”, foram muito atuantes nos programas do Quadro de Saúde Estatal, auxiliando na propagação dos hábitos de higiene e na realização de campanhas de vacinação entre a comunidade negra.
A importância social destas mulheres em suas comunidades fez com que elas se tornassem um corpo informal do Quadro de Saúde. O respeito e confiança que a população depositava nas parteiras, e o interesse das mesmas em promover melhores condições de saúde para suas comunidades, fez com que os oficiais do Quadro de Saúde modificassem sua opinião sobre as “grannies”, passando a ver estas mulheres como uma ajuda importante nos programas de Saúde Pública, um verdadeiro elo de ligação entre as ações do estado na área da saúde e as comunidades.
Elas não eram mais vistas então como um problema de Saúde Pública (SMITH, 1994).
O treinamento das parteiras ajudou muito a baixar as taxas de mortalidade materna e infantil. O programa compreendia reuniões mensais com leituras do Manual das Parteiras, inspeção do material usado no atendimento aos partos e exames rotineiros de saúde para que as parteiras não contaminassem as parturientes e bebês com alguma doença que por ventura pudessem ter contraído (SMITH, 1994).
Com o passar dos anos, as parteiras mais velhas foram sendo aposentadas pelo Quadro
Estatal de Saúde sem a reposição de outras em seus lugares. Aos poucos, os serviços de saúde nas áreas rurais do Mississippi foram sendo ampliados e a urbanização atingiu as áreas onde estas parteiras atuavam. O processo de urbanização acabou modificando os costumes e os modos de viver da clientela, a qual passou gradativamente a buscar um hospital para o atendimento aos partos. Em 1982 o estado do Mississippi tinha apenas 13 parteiras leigas registradas, desde muito tempo não se emitia novas permissões ou se mantinha sessões de treinamento (SMITH, 1994).
Considerações Finais
Diante dos exemplos de iniciativas aqui apresentados, podemos dizer que, quanto aos cursos das faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e Bahia no século XIX, todos os autores apontam para a importância das constantes reformas de ensino destas instituições. Estas se concentraram principalmente nos requisitos necessários às candidatas para o ingresso. Progressivamente, exigiu-se formação educacional mais completa, assim como a limitação de idade privilegiou o ingresso de candidatas jovens. Outro aspecto restritivo era a exigência de atestado de boa conduta, que em um primeiro momento, deveria ser expedido pelo juiz de paz da freguesia de residência da candidata e posteriormente passou a se configurar como autorização do pai (ou quem estivesse em seu lugar).
No caso das casadas, era necessária a autorização dos maridos. Desta forma, os autores evidenciam constituição de um perfil desejado para a profissional a ser formada. Ao ingressar no curso de partos a futura parteira não precisaria possuir habilidade, experiência e conhecimentos anteriores aos obtidos no treinamento. A aluna ideal seria uma jovem sem tempo para contato com outras parteiras mais experientes, e principalmente, de uma camada social com recursos financeiros suficientes para proporcionar-lhes instrução escolar o bastante para cursar a cadeira de partos em uma faculdade de medicina. Todo conhecimento sobre a arte de partejar seria adquirido nos bancos escolares.
Um saber obstétrico acadêmico, produzido pela perspectiva científica do século XIX. O caráter do ensino, preponderantemente teórico e não prático, não estava apenas ligado à dificuldade de conseguir parturientes em número suficientes para suprir as necessidades do ensino prático do parto, que estivessem dispostas a se sujeitarem a serem objeto de estudo. É bem provável que, ao desvincular a atividade médica do antigo caráter “manual” e prático relacionando-a ao saber erudito por meio dos currículos destes cursos, purificou-a da marca das classes “baixas” que antes as exerciam e significou elevar a profissão médica em nível social dando aos iniciados um status diferenciado dos antigos cirurgiões e parteiras. Assim, seria mais adequado aos filhos das famílias mais aquinhoadas dedicarem-se a medicina sem reprovação.
É perceptível também o interesse de se delimitar prática da parturição a um grupo sócioeconômico distinto daquele que vinha até então o exercendo. As parteiras tradicionais eram oriundas das camadas populares, em sua grande maioria não tinham acesso ao ensino formal, sendo assim, muitas se quer sabiam ler e escrever, o que impedia o ingresso nos cursos. Estes, por força da lei, eram os únicos a estabelecimentos no Império autorizados a fornecer o diploma de parteira. Título obrigatório para o exercício da atividade. Ou seja, estes cursos não só estavam dando a formação, mas também eram parte das estratégias de regulação da prática parturição no país em termos oficiais.
Uma das queixas freqüentes nas denúncias feitas pelos médicos contra as parteiras, que endossaram as iniciativas de treinamento das mesmas, seria que as parteiras, diante de anormalidades no processo do parto, não pediam a tempo a presença de um cirurgião, tendo em vista que estas estavam limitadas ao atendimento de partos normais. Tal delimitação da prática das parteiras foi definida pelos médicos. Estes consideravam tal comportamento como conseqüência da ignorância das parteiras, por estas não saberem identificar o limite de sua prática. Desta forma, segundo os médicos, as parteiras colocavam em risco a vida daqueles que deveriam proteger. Outra queixa constante era de que as parteiras eram anti-higiênicas e através dos atendimentos sucessivos, sem o devido cuidado com a limpeza, transmitiam infecções puerperais.
Mesmo assim, com todos esses argumentos, os cursos de partos no Brasil, em suas
primeiras iniciativas não tiveram o êxito esperado por seus idealizadores. O costume de se recorrer à comadre continuou durante muito tempo, seja pelos custos dos serviços de uma parteira ou parteiro treinados, seja pela quase inexistente fiscalização da atuação das curiosas. Ou mesmo, em função da difundida prática do uso de manuais de medicina popular, os quais orientavam em caso de partos, o que fazer a quem soubesse ler e estivesse pronto a atender uma mulher em trabalho de parto.
Outro aspecto importante tinha relação com a origem social das candidatas ao curso. Moças com possibilidade de formação esmerada para época, sabendo ler, escrever, Inglês, Francês, Química e Física, além de História Natural, provavelmente teriam outros objetivos que a prática da parturição. E mesmo, é importante pensar se a família aceitaria tal destino para uma filha. Primeiro para se formar seria necessário estudar em proximidade com rapazes e homens, situação essa pouco aceitável na época. Outro aspecto importante, e que seria o mais esperado para as moças de boa formação no período, é que uma educação tão esmerada seria mais bem aplicada na educação e formação dos filhos.
Os aspectos da moral sexual foram também importantes motivações para a criação dos
cursos, tanto no Brasil como nos casos apresentados sobre os Estados Unidos. O excesso de pudor e recato fez com que durante muito tempo as mulheres, em ambas as sociedades, se recusassem a serem atendidas por médicos parteiros. Apenas, com um grande esforço por parte dos médicos para promover o convencimento da clientela das vantagens de se contratar um médico, é que aos poucos, o avanço dos obstetras no atendimento aos partos normais se deu mais regularmente. O auxilio do arsenal de novidades em termos de técnicas e instrumental e o maior domínio sobre a anatomia e fisiologia dos partos também contribuíram para desfazer a imagem perante a clientela de que o obstetra, muitas vezes, possuía menos capacidade no atendimento aos partos que a parteira.
Enfim, podemos dizer que para o sucesso das iniciativas aqui apresentadas foi fundamental a mudança das mentalidades sobre a natureza do evento do parto, da segurança que significava a utilização dos novos conhecimentos da Obstetrícia e de como estas modificações atuaram em uma reelaboração da imagem do obstetra perante a sociedade. Também se pode dizer que, no caso das parteiras do Mississippi, a mudança de opinião das autoridades de Saúde Pública, quanto à importância social destas mulheres, foi fundamental para a melhoria das condições de saúde da população e significou um melhor atendimento aos partos, sem necessariamente findar de uma só
vez com a prática das parteiras.
REFERÊNCIAS
DONEGAN, J. B. “Safe delirery, but by Whom? Midwivwes and Man-midwives in Early America” IN:
LEAVITT, J. W. (Editor) Women and Health in America: Historical Readings. University of Wisconsin
Press, 1984. pp 302-317.
MOTT, M ª L. de B. Parteiras no Século XIX: Mme. Durocher e sua época. In:COSTA, A. de O. &
BRUSCHINI, C. (org.) Entre a Virtude e o Pecado. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1992. pp. 37-
56.
__________.Partos , Parteiras e Parturientes: Mme. Durocher e sua época. 1998. Tese (Doutorado
em História Social) Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
da Universidade de São Paulo. São Paulo.
KOBRIN, E. F. The American Midwife Controversy: A Crise of Profissionalization. In: LEAVITT, J. W.
(Editor) Women and Health in America: Historical Readings. University of Wisconsin Press, 1984. pp.
318-326
PEARD, J. “ Physicians and Women in Bahia” . In; Race, Place, and Medicine: The Idea of Tropics in
Nineteeth-Century Brazilian Medicine. Duke University Press, 1999, pp. 109-137.
ROHDEN, F. Uma Ciência da Diferença: sexo e gênero na medicina da mulher. Rio de Janeiro:
Fiocruz, 2001.224p.
SMITH, S. White nurses, black midwives, and Public Health in Mississippi, 1920- 1950. In: Leavitt, J.
(ed.) Women and Health in America, University of Wisconsin, 1999, 2nd edition, pp. 444-428.
FONTE: CAPES - Revista Eletronica "Espaço para Saúde"
video de parto na água
escrito por: Tricia Lima em Quarta-feira, Novembro 22, 2006 às 9:06 AM.
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Agora eu vi... muito bacana! Bom para quem não tem idéia de como acontece...
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A doula e a salvação do universo
escrito por: Tricia Lima em Terça-feira, Novembro 21, 2006 às 3:14 PM.
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Não deixe de ler o artigo:
Perguntas que você deve fazer antes de contratar uma Doula
video de parto sem episio
escrito por: Tricia Lima em Segunda-feira, Novembro 20, 2006 às 10:50 AM.
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Ainda na onda do ultimo post, trouxe esse video de um parto que aconteceu sem episiotomia.
É pra provar aos incrédulos que isso é possivel.. (acreditem, aqui no Ceará episiotomia é pra salvar a mãezinha de se "rasgar toda". Será que tem alguma coisa a ver essa lenda, com o mito de que cearense é "cabeça-chata"??? Deve ter... hohohoh)
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Episiotomia na Obstetricia Moderna: porque restringir seu uso?
escrito por: Tricia Lima em às 10:28 AM.
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A episiotomia consiste na incisão do períneo para ampliar o canal de parto, e sua prática foi historicamente introduzida no século XVIII por uma parteira irlandesa, Oud (1741), para ajudar o desprendimento fetal em partos difíceis. Embora não tenha ganhado popularidade no século XIX, o procedimento tornou-se disseminado no século XX em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos da América e países latino-americanos, entre eles o Brasil. Foi a época em que a percepção do nascimento como um processo normal requerendo o mínimo de intervenção foi substituído pelo conceito do parto como um processo patológico, requerendo intervenção médica para prevenir lesões maternas e fetais.
A popularidade da episiotomia difundiu-se enormemente a partir das recomendações de obstetras famosos, como Pomeroy e DeLee. Este último, na década de 1920, lançou um tratado em que recomendava episiotomia sistemática E fórceps de alívio em todas as primíparas. A finalidade da episiotomia, de acordo com os postulados de DeLee, seria reduzir a probabilidade de lacerações perineais graves e o risco de trauma fetal, e isso passou a ser aceito como verdade incontestável e transcrito em tratados de obstetrícia, embora não tivesse sido comprovado em nenhum estudo clínico na época.
A prática da episiotomia foi grandemente alargada nas décadas subseqüentes, coincidindo com o número progressivamente maior de partos hospitalares a partir da década de 1940, nos EUA. Esta mudança no local de parto gerou uma série de intervenções que não se baseavam em nenhuma evidência científica. Alguns autores mencionam que a prática da episiotomia aumentou consideravelmente a partir da década de 1950 porque muitos médicos acreditavam que sua realização reduzia significativamente o período expulsivo, o que lhes permitia atender rapidamente a grande demanda de partos hospitalares, às vezes simultâneos. Deve-se destacar que o uso se tornou bem mais freqüente com a adoção do parto em posição horizontal (baseado fundamentalmente no conforto no obstetra) e da prática sistemática do fórceps de alívio, requerendo "espaço extra" para a manipulação vaginal.
O número de episiotomias só passou a se reduzir a partir da década de 70, quando os movimentos de mulheres e as campanhas pró-parto ativo passaram a questionar o procedimento. Concomitantemente, foram publicados os primeiros estudos clínicos bem conduzidos sobre o tema, em que se questionava o uso rotineiro de episiotomia. Destaca-se a importante revisão de Thacker e Banta, publicada em 1983, em que se demonstrou, além da inexistência de evidências de sua eficácia, evidências consideráveis dos riscos associados ao procedimento: dor, edema, infecção, hematoma e dispareunia. Apesar de ter tido pouco impacto na comunidade científica na época, este estudo despertou o interesse de se estudar sobre episiotomia, e posteriormente foram conduzidos ensaios clínicos randomizados bem controlados, dos quais o maior foi um estudo argentino, publicado em 1993.
A revisão sistemática da Biblioteca Cochrane (Carroli e Belizan), atualizada pela última vez em 1999, inclui seis ensaios clínicos randomizados e um total de 4850, submetidas à episiotomia de rotina ou seletiva. No primeiro grupo, 73% receberam episiotomia, contra 28% no segundo grupo. Os autores concluíram que os benefícios da episitomia seletiva (indicada somente em situações especiais) são bem maiores que a prática da episiotomia de rotina.
Baseando-nos nesses resultados da revisão sistemática, bem como nas conclusões de diversos outros estudos randomizados desde então publicados, podemos afirmar que:
1) Não há diferença nos resultados perinatais nem redução da incidência de asfixia nos partos com ou sem episiotomia, ou seja: os bebês nascem muito bem sem episiotomia, e não há necessidade de realizá-la com esse intuito;
2) Não há proteção do assoalho pélvico materno: a episiotomia não protege contra incontinência urinária ou fecal, e tampouco contra o prolapso genital, associando-se com redução da força muscular do assoalho pélvico em relação aos casos de lacerações perineais espontâneas;
3) A perda sanguínea é mais volumosa (em torno de 800ml contra 500ml no parto vaginal espontâneo), utiliza-se uma maior quantidade de fios para sutura e há mais dor perineal quando se realiza episiotomia;
4) A episiotomia é per se uma laceração perineal de segundo grau, e quando ela não é realizada pode não ocorrer nenhuma laceração ou surgirem lacerações anteriores, de primeiro ou segundo grau, mas de melhor prognóstico;
5) A episiotomia não reduz o dano perineal, ao contrário, aumenta-o: nas episiotomias medianas é maior o risco de lacerações de terceiro ou quarto graus;
6) A episiotomia aumenta a chance de dor pós-parto e dispareunia.
7) A episiotomia pode cursar com complicações como edema, deiscência, infecção (até fasciíte necrosante) e hematoma.
A recomendação atual da Organização Mundial de Saúde não é de proibir a episiotomia, mas de restringir seu uso, porque em alguns casos ela pode ser necessária. Não está muito claro em que situações a episiotomia é, de fato, imprescindível, porque até mesmo partos instrumentais (fórceps ou vácuo-extração) podem ser realizados sem episiotomia. Fala-se muito em "ameaça de ruptura perineal grave", para prevenir rupturas de terceiro ou quarto grau, mas o que, clinicamente, caracteriza essa "ameaça" ainda não está definido.
A episiotomia não é útil na distocia de ombros, porque o problema neste caso é uma desproporção dos ombros fetais com a pelve óssea, e não com o períneo da mãe. Possivelmente esses aspectos serão desvendados em estudos futuros. É importante lembrar que, como todo procedimento cirúrgico, a episiotomia só deveria ser realizada com o consentimento pós-informação da parturiente. O planejamento em relação a esta e outras intervenções também deve fazer parte do plano de parto.
O ideal é que a taxa de episiotomia nos diversos serviços seja inferior a 30%, o que já é realidade em muitos países europeus. A taxa de episiotomias também vem caindo significativamente nos EUA, embora ainda persista elevada: o percentual de episiotomias em partos vaginais variou de 65,3% in 1979 para 38,6% em 1997.
Infelizmente, no Brasil, a situação é ainda mais crítica, porque o procedimento é realizado em cerca de 94% dos partos vaginais. No país que é o segundo "campeão" mundial de cesáreas, quando não se corta por cima, se corta por baixo (Diniz e Chachan, 2004). Urge nos mobilizarmos contra essa prática abusiva, porque reduzir procedimentos cirúrgicos desnecessários é essencial na luta pela humanização do parto e na promoção de cuidados baseados em evidências.
Marcadores: episiotomia, pesquisas

Ah! Também é um ótimo livro para os maridos que não acreditam no que a gente fala... sim, porque convencer o marido de que você quer um parto humanizado natural, dá uma trabalho danado.
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O renascimento do parto. ODENT, Michel. Florianópolis: Saint Germain, 2002.
134 p.
ODENT, Michel. Florianópolis: Saint Germain, 2002. 142 p.A cientificação do amor.
A presença de Michel Odent no Brasil no I Congresso de Ecologia do Parto e do Nascimento em 2002 foi acompanhada do lançamento do livro A cientificação do amor e da reedição revisada e ampliada de O renascimento do parto. Suas obras aliam a informação científica a uma linguagem simples e profundamente sensível, constituindo uma rica contribuição à discussão da humanização da assistência ao parto.
O renascimento do parto é um livro da década de 1980, em que ele relata sua
experiência como diretor de uma maternidade a 100 quilômetros de Paris. Descreve sua aprendizagem com as mulheres e as parteiras sobre a psicofisiologia do parto, provavelmente, como ele diz, por não ter passado por uma formação em obstetrícia. Seus princípios de “simplificação e eliminação de procedimentos desnecessários” da sua abordagem como cirurgião o nortearam em todo seu caminho como obstetra. A observação da busca espontânea das mulheres pela posição vertical no momento da expulsão levou-o a questionar o uso da mesa obstétrica, com a conseqüente passividade da mulher, e as dificuldades provocadas pelo parto horizontal. A construção de uma sala com uma cama larga e baixa, com cores quentes nas paredes, pouca luz, privacidade e silêncio, constituiu o que chamou de o “primeiro passo concreto para devolver o parto às mulheres”. Nessas condições elas poderiam se sentir livres física e emocionalmente para agir e se movimentarem.
O livro é recheado de depoimentos e fotos calorosas de cenas de parto que nos emocionam e nos estimulam a propiciar essa experiência a todas as mulheres. Nessas condições, o autor evidencia como a mulher tem capacidade de parir se não atrapalharmos sua vivência. Torna claro como o ambiente ajuda a mulher a criar a própria ocitocina e endorfinas necessárias nesse processo. Desenvolve uma análise sobre como a estimulação química das contrações, a episiotomia, a analgesia, a obrigação de ficar na posição deitada, a amniotomia, o uso da palavra “Força!” e até
mesmo o treinamento de específicas respirações atrapalham a fisiologia do parto e a
espontaneidade da mulher. Desmistifica ainda a idéia de que o parto de cócoras e na água sejam
apenas voltados para as mulheres consideradas de baixo risco.
A compreensão do parto como parte integrante da vida sexual e emocional da mulher proposta em O renascimento do parto é aprofundada em A cientificação do amor, obra datada do ano 2000. Neste livro, com uma abordagem profunda e interdisciplinar da vinculação amorosa, apresenta a compreensão das bases fisiológicas e a integração entre diferentes momentos da vida: o sexo, o parto, a amamentação e o amor romântico. Com uma linguagem simples, mas com riqueza de referências científicas, esta obra reflete em parte seu trabalho no Primal Health Research Center,1 em que são apresentadas pesquisas sobre a relação entre os diversos distúrbios emocionais (suicídio, anorexia, violência, drogadicção, autismo e esquizofrenia) e a ocorrência de perturbações no período primal, compreendido desde a vida intra-uterina até o primeiro ano de vida. Sua hipótese é a de que o cuidado com a forma como nascemos e com a vinculação amorosa mãe–bebê pode propiciar a construção de uma sociedade mais amorosa, menos destrutiva e de mais respeito pelos seres humanos e pela natureza. Propõe uma compreensão holística do nascimento, mostrando as relações entre os estados orgásticos, o parto, as diferentes formas de amor, a oração e as emoções místicas. O contato das mulheres consigo mesmas durante o processo do parto é fundamental. Nessa situação, as funções intelectuais neocorticais devem estar colocadas em segundo plano, facilitando a expressão de funções cerebrais mais instintivas, características do parto e do aleitamento. Observa como as mulheres
costumam entrar em estado especial de consciência, similar às emoções místicas e ao orgasmo.
Através de uma integração dos conhecimentos, indica uma possibilidade de reconexão do homem com as diversas partes de si mesmo.
incrementada na nossa cultura. Traz o desafio de compreendermos o biológico sem dissociá-lo os elementos culturais da formação das famílias. Nesse sentido, devemos refletir sobre suas atuais
colocações2 a respeito dos possíveis prejuízos da participação do pai do bebê no nascimento.
sensibilidade e afetividade para acompanhar a vivência das mulheres, e em que caberia apenas a elas o cuidado com as crianças.
presente na sala de parto voltada exclusivamente para atenção ao estado emocional da gestante.
Além disso, a participação dos pais possibilita o compartilhamento do nascimento pelo casal em um período de crise com a chegada de um filho e o exercício da solidariedade entre homens e mulheres. Oferece ainda a oportunidade para a formação de vínculos pais–bebês, propiciando
uma experiência importante de uma paternidade afetiva na construção de novos modelos para a
masculinidade.4
Considerando a presente luta pelo direito da mulher de escolha de seu/sua acompanhante
no parto, a reflexão sobre o questionamento proposto por Odent indica a importância de que
os/as acompanhantes sejam preparados com informações e sensibilização para a experiência.
Além disso, as equipes obstétricas e pediátricas precisam ser treinadas para lidar com a família e a profundidade emocional do nascimento. A colocação dessa questão por Odent nos remete
ao desafio para a sua proposta de abordagem ecológica do nascimento em que a aliança entre
cultura e natureza deverá estar sempre presente.
Odent é um cientista revolucionário e um visionário da construção do que ele chama de era do Homo ecologicus, em que o cuidado com vinculação entre a mãe e o bebê no período em torno do nascimento possibilitará o desenvolvimento de uma sociedade voltada para o amor, onde o respeito ao outro e à natureza estejam presentes. A leitura de suas obras, sem dúvida alguma, é um grande estímulo para que cada um de nós, profissionais, mães e pais, receba as próximas gerações com mais amor.
1 Ver http:// primalhealth.com.
2 Esse questionamento sobre a participação dos pais
no parto está presente em A cientificação do amor, no
prefácio da segunda edição americana de O
renascimento do parto e no artigo Is the Participation
of the Father Prejudicial to the Birth?, publicado na
Internet em http://wwwçmidwiferytoday.com/fathers/
waterfamily, em 18 de abril de 2001.
KENNELL J. H., and MACGRATH, S. “Labor Support by First-
Time Fathers: Direct Observations with a Comparison to
Experienced Doulas”. Journal of Psychosomatic Obstetric
Ginaecology, II, 1990, 251-260. CARVALHO, Maria Luiza
Mello de. A participação do pai no nascimento da
criança: as famílias e os desafios institucionais em uma
maternidade pública. 2001. Dissertação (Mestrado em
Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social) –
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Autora: MARIA LUIZA DE CARVALHO
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Marcadores: dicas, feminilidade, humanização, mulher, obstetrícia, parto, parto natural, pesquisas

hoje estava eu vagando pela internet quando me deparei com este post no blog da Lucília Diniz onde ela conta sobre o nascimento do neto.
Fiquei super feliz em ler que a filha dela escolheu ter um "parto humanizado". mas logo fiquei encafifada. Onde será que aconteceu esse parto hein...?
Essa touquinha de hospital... o bebê muito devidamente limpo, enrolado no tipico pano verde esterilizado. Será que esse "sem dor" que ela fala significa "anestesiada"? Fica ai uma brecha... mas suposições à parte, fiquei pensando.
Será que o termo 'humanização' está pra lá de banalizado?
Pelo que percebo, a humanização que a midia está vendendo por ai em pacotinhos de 200g, tem a validade bem curtinha. Tudo é humanizado hoje em dia, qualquer bom dia, qualquer "deite aqui, mãezinha...".
Quem pensa que humanização é só tratar bem, tá muito enganado: Bom atendimento é obrigação. Afinal, o profissional está recebendo por isso. Como diria Odent, "humanizar é animalizar"... e eu, de metida que sou, acrescento: é desmedicalizar.
Marcadores: humanização, midia

09 de novembro de 2006 (Bibliomed).
Crianças amamentadas por suas mães, por pelo menos seis meses, têm uma saúde mental "significativamente melhor", do que aquelas que não foram amamentadas. Além disso, têm uma menor probabilidade de exibir problemas como comportamento anti-social e delinqüência.
Estas são as conclusões de um estudo realizado pelo Telethon Institute for Child Health Research em Perth, na Austrália. Os investigadores acompanharam o crescimento e o desenvolvimento de mais de 2.500 crianças australianas, durante os últimos dezesseis anos. Os investigadores disseram que o leite materno parece representar um papel importante no crescimento do cérebro, durante o primeiro ano de vida de uma criança.
A pesquisa verificou, que crianças que foram amamentadas por menos de seis meses, tinham uma probabilidade 55% maior de ter problemas de saúde mental ao atingirem os 6 anos de idade, quando comparadas com as amamentadas por 6 meses ou mais. O estudo também observou que crianças que não foram amamentadas durante seis meses ou mais, tinham uma probabilidade 61% maior de exibir problemas de comportamento anti-social, ao redor dos 8 anos.
O comunicado do Instituto pode ser encontrado no endereço http://www.ichr.uwa.edu.au/news/news.lasso?id=213
Fonte: Telethon Institute for Child Health Research.
Marcadores: amamentação, pesquisas
Tecnologia revela cada vez mais cedo detalhes do feto durante gravidez
escrito por: Tricia Lima em Quinta-feira, Novembro 16, 2006 às 9:26 AM.
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09/11/2006 - 08h02IARA BIDERMAN
Colaboração para a Folha de S.Paulo
Nicolas ainda não nasceu, mas já tem o seu primeiro álbum de fotos. As imagens do bebê não nascido, consideradas "quase perfeitas" pela mãe, a economista Roberta Nicoleto Musico, 35, foram colecionadas durante as inúmeras ultra-sonografias que Musico teve de fazer durante a gestação.
A possibilidade de obter "fotos" de boa qualidade da vida intra-uterina, que revelam detalhes como um nariz mais achatado ou um olhinho puxado, é apenas a parte mais visível do avanço tecnológico dos exames de gravidez.
Do primeiro registro eletrônico do batimento cardíaco fetal, gravado em 1901, ao "baby face" (imagens do rosto do feto obtidas com ultra-sonografia 3D), a vida secreta dos bebês está, a cada dia, mais exposta à curiosidade dos pais e à pesquisa médica.
É esta última que justifica a parafernália tecnológica, pois, com ou sem álbum de fotos, os exames de última geração permitem, de forma pouco ou nada invasiva, acompanhar o desenvolvimento da gestação, diagnosticar precocemente possíveis problemas e controlar riscos.
Foi o caso de Musico. Na quinta tentativa de fertilização assistida, ela conseguiu engravidar. Mas, logo no início da gestação, teve sangramento da placenta. Além disso, a ultra-sonografia do colo do útero indicou a possibilidade de parto prematuro. Para preveni-lo, foi feita uma cerclagem (sutura no colo do útero para evitar a dilatação antecipada) e ela passou boa parte dos nove meses em repouso. As imagens das ultra-sonografias 3D do filho a ajudaram a passar o período com mais tranqüilidade.
"Ver, a cada semana, que o bebê está perfeito faz muita diferença", diz. Além de se garantir sobre o bem-estar do seu filho, Musico se beneficiou de exames que monitoram a saúde da mãe --como ela já teve um derrame, o doppler do fluxo do sangue na artéria uterina permitiu um melhor controle de suas condições cardiovasculares.
Custo-benefícioÉ consenso que os exames de alta tecnologia beneficiam as gestantes de risco. Nas de baixo risco, a questão ainda está em aberto --embora, entre as que podem arcar com o custo, seja difícil encontrar uma que não queira fazer pelo menos a ultra-sonografia 3D. "O lado bom é que os exames não são invasivos. O ruim é que o rastreamento não é definitivo.
Conforme o resultado, gera ansiedade e pode levar a paciente a fazer muitos exames desnecessários", diz Wladimir Taborda, coordenador de ginecologia e obstetrícia do Hospital Israelita Albert Einstein. Para Taborda, ainda não há comprovação sobre a vantagem de aplicar vários desses exames em todas as mulheres, principalmente levando em conta a relação entre o custo e a efetividade deles.
A educadora Vandressa Guimarães Duarte Gaspar, 35, que teve o seu segundo filho na semana passada, optou por fazer vários dos exames de última geração, "só por precaução". Embora tenha passado muito bem durante toda a gestação, acredita que os procedimentos sempre dão mais segurança aos pais. "Hoje é possível detectar quase tudo, e a gente se cerca de cuidados. Muitas mulheres têm uma gravidez normal, e o bebê nasce com problema de coração, algo que pode ser descoberto antes do parto", diz.
Gaspar tem razão. Segundo Renato Ximenes, diretor científico do Centrus (Centro de Ultra-Sonografia e Medicina Fetal), em cada cem bebês nascidos, um apresenta problemas congênitos no coração. "Quase 95% dos bebês que nascem com cardiopatias são de gestantes de baixo risco", afirma Ximenes. Os exames disponíveis são um meio de detectar o problema e determinar quais medidas devem ser tomadas para evitar complicações ou a morte do recém-nascido.
Exame cosméticoA tendência é que mesmo os exames mais sofisticados virem rotina. A microempresária Vanessa Cury de Camillis Lestingi, 34, grávida de seis meses de seu terceiro filho (uma menina), é testemunha da rapidez dos avanços.
Na gestação de Lucas, 6, a ultra-sonografia morfológica, hoje realizada rotineiramente, ainda era uma novidade disponível em poucos lugares. Ela não chegou a fazer o exame. Quando engravidou de Nicole, hoje com três anos, já fez o morfológico --a novidade, então, era o doppler fluxometria (exame do fluxo sangüíneo entre placenta, cordão umbilical e bebê).
Agora, na terceira gravidez, é que o doppler entrou na agenda de exames de Lestingi. "Esse exame permite verificar se o bebê está bem ou se vai entrar em sofrimento fetal. É um procedimento que pode dar muita tranqüilidade para a futura mãe", diz Flávio Garcia de Oliveira, diretor do Centro Interamericano de Medicina Materno-Fetal.
Lestingi não é do tipo de grávida ansiosa, tampouco daquelas que adoram novidades "high-tech". A ultra-sonografia 3D, "para ver a carinha do bebê", por exemplo, ela acha que é besteira e não vai fazer.
Muitos médicos concordam com ela. "Fazer o exame apenas para tirar a foto do rosto do bebê no útero é algo discutível. Qual é o valor científico? Traz benefício para a mãe? Há um grande debate sobre o que estão chamando de ultra-sonografia cosmética", diz Eduardo Cordioli, médico da medicina fetal do Hospital e Maternidade Santa Joana e da Pro Matre Paulista.
Ele acrescenta, porém, que o exame 3D é importante para mostrar aspectos como o volume dos órgãos --alterações no tamanho sinalizam doenças ou malformações.
A tecnologia também é muito útil para a prática da telemedicina, já que a imagem pode ser gravada e enviada para diversos especialistas em qualquer parte do mundo.
Seja como for, é raro uma paciente de clínica particular que não queira sair da consulta com um CD personalizado com as fotos da ultra-sonografia 3D do bebê. Coisas de mãe, mas que, acreditam alguns, podem servir para envolver o pai, que fica mais "por fora" do que se passa dentro do útero.
Isso costuma ocorrer, mas é bom lembrar que a foto, por melhor que seja a sua qualidade, é de um feto, e pode gerar decepções e inseguranças. Quando a auxiliar administrativa Grasiele Bassana Olszewsky, 25, grávida de cinco meses, mostrou entusiasmada a foto da ultra-sonografia 3D para o marido, ouviu dele: "Ai, que coisinha feia". Ela nem se importou --se pudesse, conta, faria um exame desses por mês; ademais, tem certeza de que sua filha será bem bonita.
Três dimensões
Foi com a ultra-sonografia 3D que Olszewsky soube estar esperando uma menina. "Nos exames anteriores, em 2D, não dava para saber com certeza qual o sexo", diz ela. Hoje em dia, não é preciso esperar muito. Entre os exames de ponta para grávidas, está o da sexagem fetal, que permite saber o sexo do bebê a partir da oitava semana de gestação. O índice de acertos desse teste ultrapassa os 99%.
Assim como a foto do feto, o teste de sexagem fetal é apenas a ponta do iceberg das possibilidades abertas para a pesquisa da vida intra-uterina. Ele é resultado das descobertas da biologia molecular, que, junto à tecnologia da imagem, é o futuro dos exames da gravidez.
"Descobriu-se que, desde o início da gestação, já há DNA do feto no plasma da mãe. A biologia molecular consegue detectar quantidades minúsculas desse DNA e pesquisar as informações que ele traz", explica José Eduardo Levy, responsável pelo laboratório de biologia molecular do banco de sangue do Hospital Sírio-Libanês.
Para realizar o teste, a mãe só precisa fazer uma coleta simples de sangue. Na maioria das vezes, o resultado serve para satisfazer a curiosidade dos pais, mas, em casos de doenças ligadas ao sexo, é uma informação que orienta médicos e pais quanto às medidas a serem tomadas.
E as pesquisas da biologia molecular avançam para responder muito mais do que a clássica pergunta, "é menino ou menina?". Para Levy, "estamos vivendo uma revolução na medicina fetal, que abriu um mundo para testes genéticos precoces não invasivos".
O teste, inócuo para a saúde da mãe e do bebê, traz à tona também algumas questões éticas. A principal é a possibilidade de permitir a seleção de uma característica genética, levando a um tipo indesejável de controle de natalidade. Levy acredita que o risco maior de isso ocorrer é quando o teste é feito no embrião, antes da implantação, um procedimento que não é permitido por lei no Brasil.
Além dos aspectos éticos, a alta tecnologia aplicada aos exames de gravidez levanta a questão da desumanização da gestação e do parto. Para Taborda, por mais paradoxal que pareça, se for bem utilizada, essa tecnologia pode significar um maior número de partos sem hospitalização.
"Se posso separar o grupo de risco, com exames seguros e pouco invasivos, interno apenas as gestantes que precisam de cuidados hospitalares. Para as outras, o parto pode deixar de ser um evento médico-cirúrgico e voltar a ser um evento sociofamiliar", afirma.
Confira exames de ponta que revelam imagens da gravidez
Ultra-som 3D e 4D
A imagem de grande nitidez mostra a face do bebê com detalhes como olhos puxados, formato do nariz ou orelhas de abano. Também mostra o volume dos órgãos --o aumento anormal de um órgão sinaliza algumas doenças (uma alteração no tamanho do fígado, por exemplo, pode indicar toxoplasmose no bebê). A imagem do ultra-som 3D também pode ser enviada pela internet para diferentes especialistas no mundo todo, quando é necessário discutir o diagnóstico. O ultra-som 4D é a imagem do 3D gerada em tempo real. Não há contra-indicações ao exame. O custo aproximado é entre R$ 300 e R$ 600
Doppler fluxometria
Por meio de um exame de imagem, é verificado o fluxo sangüíneo entre placenta, cordão umbilical e bebê. Indica se o feto está perdendo oxigênio, o que permite antecipar o parto antes de ocorrer sofrimento fetal. Em grávidas com pressão alta, diabetes e doenças auto-imunes como o lúpus, reduz o risco de morte do bebê. É considerado um exame não invasivo. Custa entre R$ 300 e R$ 600, em média
Sexagem fetal
É feita uma coleta simples do sangue da mãe e, com os recursos da biologia molecular, é possível saber o sexo do bebê a partir da oitava semana de gestação com um índice de acerto de mais de 99%. A maioria dos testes feitos no Brasil é para satisfazer a curiosidade dos pais, mas é um exame importante quando existe a possibilidade de doenças ligadas ao sexo --por exemplo, hemofilia ou casos como hiperplasia adrenal congênita (masculinização do feto que geneticamente é feminino). O exame não têm contra-indicação e custa aproximadamente R$ 400
Translucência nucal
Realizado com ultra-som, mede uma área da nuca do bebê cheia de líquido. Se o acúmulo de líquido é maior do que o normal, é um sinalizador de problemas genéticos. Segundo estudos britânicos, 80% dos casos de Síndrome de Down podem ser identificados na translucência nucal. Não oferece riscos à mãe ou ao bebê e custa em média entre R$ 400 e R$ 600
Ultra-som do colo do útero
Feito por sonda vaginal, esse exame de imagem mostra a medida do colo do útero e, a partir da 20a. semana, podem ser identificadas alterações que aumentem o risco de dilatação prematura do colo e antecipação do parto. Se o exame sinaliza para esse quadro, podem ser tomadas medidas para prolongar o tempo de gestação por mais tempo e/ou preparar melhor o bebê para um eventual parto prematuro. O exame não tem contra-indicações e o custo aproximado é entre R$ 200 e R$ 300
Doppler do fluxo de sangue na artéria uterina
É um exame para mãe, não para o bebê, por meio do qual é possível detectar a pré-eclampsia (elevação da pressão na gravidez) em fase pré-clínica, ou seja, antes de a gestante apresentar os sintomas. Feito no período entre a 20a. e 24a. semana de gestação permite melhor acompanhamento e controle da condição, que, não tratada, leva à eclampsia, a maior causa de morte materna no Brasil. Custa cerca de R$ 400
Ressonância magnética fetal
Nesse exame, a gestante entra em um tubo no qual um campo magnético sem radiação gera imagens de altíssima resolução. A ressonância serve para avaliar alguns tipos de malformações, especialmente alterações no sistema nervoso central, tórax e rim. É indicado apenas quando o exame de ultra-som sinaliza alterações, para melhor avaliação do desenvolvimento do quadro. Não oferece riscos à mãe e ao bebê, mas é contra-indicado para quem tem marca-passo ou próteses metálicas. Custa em média R$ 1.200
Fontes: WLADIMIR TABORDA, coordenador de ginecologia e obstetrícia do Hospital Israelita Albert Einstein; EDUARDO CORDIOLI, médico da medicina fetal do hospital e maternidade Santa Joana e da Pro Matre Paulista; FLÁVIO GARCIA DE OLIVEIRA, diretor do Centro Interamericano de Medicina Materno-Fetal; JOSÉ EDUARDO LEVY, responsável pelo laboratório de biologia molecular do banco de sangue do hospital Sírio Libanês; RENATO XIMENES, diretor científico do Centrus (Centro de Ultra-sonografia e Medicina Fetal)
FONTE: Folha de SP
Marcadores: gestação, midia, tecnologia
Admirável Parir Novo
escrito por: Clicia Weyne em Terça-feira, Novembro 14, 2006 às 4:22 PM.
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Com todo o respeito a todos que já ouvi falar essas coisas - e algumas dessas pessoas eu respeito muito, inclusive como boas profissionais de saúde que são, mas...
Essas frases me lembravam algo desagradável. Não é apenas o tom elitista que me incomoda nesse tipo de formação discursiva; é também porque elas me lembram uma sociedade que já dividiu em castas a sua relação com a procriação, com a alimentação da cria. Me lembra o livro Admirável Mundo Novo, do Aldous Huxley.
No livro, uma sociedade extremamente dominada pelo tecnicismo, as mulheres das castas mais altas - alfa, se não me engano - não engravidavam, não pariam, não amamentavam. Tudo isso era vergonhoso para uma alfa e estava restrito às mulheres das castas mais baixas, cujos embriões eram manipulados desde cedo para serem menos desenvolvidos intelectualmente e mais propensos à gravidez. Mas, tampouco essas poderiam cuidar de seus filhos, que eram tomados pelo estado para serem desenvolvidos de acordo com princípios científicos que eram comprovadamente eficazes para formar indivíduos bem adaptados à sua posição na sociedade e que seriam felizes, independente da sua casta, que já era predeterminada antes de nascer.
Bom, ficção científica à parte, fico pensando que na nossa sociedade as características eminentemente femininas, que faziam justamente as mulheres serem adoradas em algumas culturas como deusas da fertilidade, como aquelas que davam a vida à humanidade, estão sendo desvalorizadas por um processo de emancipação da mulher que é muito semelhante às construções discursivas que identificavam a mulher como um ser unicamente natural, instintivo, sentimental e reprodutor, cujo espaço de atuação por excelência era o doméstico (um trabalho desvalorizado por não ser produtor de riquezas nem gerador de renda).
Da mesma forma, ao homem cabia a racionalização/ trabalho intelectual, atuação fora de casa e no espaço político, trabalho produtivo e gerador de riquezas.
Constituídos sistematicamente no século XIX, esses binômios que identificavam o homem com a cultura e a mulher, com a natureza, foram por muito tempo a justificativa da dominação masculina (pois a mulher estava incluída no projeto de dominação da natureza pelo Homem por ser "natural e institntivamente mãe" e "incapaz de resistir aos seus instintos").
Agora, tempos de emancipação da mulher, cobra-se delas a mesma postura masculina, o que acaba por negar a sua capacidade de gerar outra vida, sustentá-la no peito, ser inteira de outro ser durante algum tempo. O que vale, atualmente, é a capacidade da mulher de ser produtiva e geradora de riquezas. E apenas isso. Parece que, para a mulher pertencer a esse universo masculino do mundo do trabalho e encontrar o seu espaço de atuação fora do ambiente doméstico, ela teria que esquecer-se de todo um lado que foi hiperestimulado no século XIX e metade do século XX, mas, ao mesmo, tempo era desvalorizado - o incrível poder feminino que é ser mãe.
Que se deixe as horas de trabalho de parto para as mulheres que não têm escolha (e escolha, na sociedade capitalista, significa poder pagar por). Afinal, é mais prático marcar uma cesárea com muitos dias de antecedência, planejar a data de nascimento do filho de acordo com a numerologia, a conveniência da vinda da avó da criança, que mora em outro estado ou aquela reunião de trabalho superimportante.
Que se deixe as horas improdutivas que se perde amamentando para as mulheres do SUS. Afinal, elas não têm a opção de aquisição de outros alimentos e, provavelmente, não têm também todas as possibilidades de carreira das mulheres das camadas da elite.
E, assim, de formação discursiva em formação discursiva, podemos estar construindo uma nova sociedade, em que não se acredita mais na amamentação, nem no valor de fazer força para trazer um filho ao mundo. E um dia, talvez, nem no amor de mãe se acredite também.
Medicina natural ajuda grávidas
escrito por: Tricia Lima em Segunda-feira, Novembro 13, 2006 às 10:32 AM.
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Especialistas aconselham acupuntura, massagem, óleos florais e homeopatia No livro 'Saúde natural para mulheres grávidas' (editora Madras, 328 páginas), as autoras Elizabeth Burch e Judit Sachs defendem a abordagem holística da gravidez e o parto natural. 'Médicos cuidam do útero e do que está em seu interior. Técnicas naturais homeopáticas podem ajudá-la a fazer mais, elas envolvem dieta e exercícios, complementos nutricionais, massagem ervas, homeopatia, aromaterapia, acupressão, visualização entre outras técnicas para a mente e o corpo'.
O livro diz que a medicina natural pode ser usada por praticamente todas as mulheres, com algumas exceções que necessitem de cuidados especiais, como as portadoras de um desequilíbrio de fator Rh, diabetes, problemas cardíacos ou renais, pressão alta, asma, tuberculose, alcoolismo, dependência de drogas, lesões ativas de herpes, toxoplasmose, HIV ou, ainda, se for constatado no útero algum problema genético ou congênito. Estes são exemplos de gravidez de alto risco.
'Nesses casos, a mulher deve sempre consultar seu médico antes de fazer uso de qualquer tratamento alternativo que possa vir a agravar sua condição. Um chá de ervas perfeitamente adequado para uma mulher grávida pode ser contra-indicado para outra, por exemplo', diz Elizabeth, acentuando que a medicina natural não substitui a medicina convencional.
Abaixo, alguns tópicos abordados na obra. Elizabeth Burch é médica naturopata, licenciada em parto natural, e professora assistente de Obstetrícia no Natural College of Medicine (EUA). Judith Sachs é autora de 14 livros na área de saúde preventiva faz workshops sobre sexualidade e ministra cursos sobre administração do estresse e dá aulas no Trenton State College, em New Jersey (EUA).
Poder das ervas - As ervas devem ser usadas com cautela nos primeiros meses de gravidez, pois é o momento em que o feto está mais suscetível. Segundo as especialistas, as ervas não devem ser ingeridas no primeiro trimestre de gestação. Depois disso, as ervas seguras para todo o período de gravidez são alfafa, que fortalece o sistema enfraquecido e reduz a acidez do corpo; dente-de-leão, indicada para congestão do fígado, constipação, retenção de fluidos e como tônico (fortalece a resposta imunológica do corpo, além de todos os sistemas); framboesa, que ajuda a acelerar e a facilitar o parto; gengibre para indigestão, flatulência, náusea, má circulação, e olmo, para melhorar o status nutritivo do corpo e para inflamação.
Cuidado - Não utilizar durante a gravidez: acorus, alcaçuz, arnica, arruda asclepias, bérbere, cânfora, capsella, catinga-de-mulata, celidônia, cereja selvagem, chrysantemum, flor de maracujá, ginseng, lavanda, levisticum, linum, lithospermum, mahonia, ma-huang, milefólio, papoula do ópio, pimentão, sanguinária, trillium, tuia, verbena, visco, zimbro. Ervas laxativas proibidas durante a gestação: aloé (babosa), cáscara, ruibarbo, sene, sínfito, tussilago.
Óleos essenciais - À base de plantas e flores, os óleos essenciais também exercem influências benéficas no corpo. Podem ser usados em banhos, vaporizadores ou aromatizadores; como compressas ou durante massagens diretamente sobre a pele. Alguns deles são contra-indicados durante a gestação. 'Esses óleos nunca devem ser usados nas membranas mucosas - boca, olhos ou vagina. A aromaterapia é uma ferramenta poderosa, não devendo, portanto, ser utilizada nas primeiras 14 semanas de gravidez, quando o feto está muito vulnerável', lembra a autora Elizabeth Burch.
Segurança - Óleos seguros após a 14ª semana de gravidez são bergamota (nas infecções do trato urinário. Levanta o humor, bom para a ansiedade e depressão), gerânio (na má circulação, retenção de água, inchaço dos seios, estresse e ansiedade e para repor o equilíbrio hormonal. É calmante), laranja (como tônico e digestivo. Regulariza o estômago. Energizante. Não o use sob o sol por ser fototóxico), mandarim (acalma o sistema nervoso e o trato digestivo. É calmante, promove o otimismo), néroli (sedativo, alivia o estresse e a depressão, alimenta a pele e melhora a aparência das estrias. É calmante) e olíbano (tônico para a pele, purifica os pulmões. Ajuda a concentração; bom para o estresse).
Maior cuidado com ervas e chás
O ginecologista paraense Ari Braga, 47, aconselha os tratamentos homeopáticos, as massagens, os óleos florais e a acupuntura para as mulheres grávidas. 'A homeopatia é perfeita para as grávidas, afinal ela estará trocando um tratamento alopático por um natural. Da mesma maneira acontece com a acupuntura, que estimula o organismo a reagir naturalmente. Os óleos florais são utilizados no mundo inteiro e ajudam a mulher relaxar. A massagem é altamente indicada, apenas deve existir um cuidado para não pressionar o útero, mesmo cuidado que deve existir com os exercícios', explica Braga, especialista em acupuntura.
A grávida deve ter muito cuidado com as ervas que são utilizadas para fazer chás. 'O conhecimento sobre o poder das plantas ainda está muito no começo e o período de gravidez não é o melhor momento para se fazer testes, então, quanto menos drogas a mulher utilizar, sejam elas naturais ou não, melhor. Existem chás como os de canela, erva-doce e erva-cidreira que são consumidos normalmente por grávidas, mas o barbatimão e a jucá têm poderes abortivos e não devem ser consumidos', disse.
Como tratar e prevenir alterações
De acordo com a especialista em medicina estética, Rosangela Paracampo, alterações pigmentares da pele, queda de cabelo, o aparecimento de acnes, estrias e varizes são os maiores vilões estéticos durante a gravidez.
Melasma - Na maioria dos casos, as grávidas sofrem com o melasma, uma mancha de coloração castanho claro e escuro, presente em 50 a 70% das mulheres, que varia de acordo com o fototipo. O fator desencadeante destas manchas é a exposição ao sol, e, por isto, é indispensável o uso diário de filtro solar com substâncias contra raios UVA e UVB e fator de proteção (FPS) 15 ou 30.
'O filtro deve ser aplicado duas vezes ao dia, devendo continuar a aplicação mesmo depois da gravidez. Caso não haja uma regressão completa, é indicado tratamento com despiguimentante a partir do quarto mês após o parto', alerta a especialista.
n Espinhas - Para combatê-las, deve-se usar sabonetes suaves ou produtos para limpeza facial. Porém, deve-se ter cuidado com alguns destes cosméticos. Os produtos de uso tópico e oral, à base de tretinoína, são contra-indicados e devem ser substituídos por ácido salicílico tópico ou o ácido aseláico.
Estrias e varizes - Para combater estrias, Rosangela Paracampo recomenda o uso de hidratantes e óleos corporais. Para as varizes, a elevação dos membros inferiores e o uso de meias elásticas podem ajudar na prevenção. Após o parto, a mulher pode fazer tratamentos como a escleroterapia ou laser.
Cabelos - A queda de cabelos no período pós-parto, ocorre com elevada freqüência, mas, em poucas semanas, o volume capilar volta ao normal sem necessidade de tratamento. Contudo, se não houver recuperação completa, deve-se investigar outro fator associado, como anemia intensa, por exemplo. Vale lembrar que cosméticos para os cabelos como tinturas podem ser utilizados a partir do segundo trimestre de gestação. Porém, devem ser evitadas as tinturas que contenham acetato de chumbo.
FONTE: O Liberal
Mais da metade das crianças recém-nascidas que entram em unidades neonatal no Brasil são afetadas por infecções hospitalares.
escrito por: Tricia Lima em às 10:10 AM.
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07/11/2006 19:24:09ONU lança programa para proteger bebês de infecções hospitalares
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que mais da metade das crianças recém-nascidas que entram em unidades neonatal no Brasil são afetadas por infecções hospitalares. 30% dessas crianças infectadas acabam morrendo. O alerta da agência de Saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) faz parte de um novo programa lançado pela entidade para promover a proteção dos pacientes.
Para a OMS, os dados são preocupantes. A qualquer momento do ano, cerca de 1,4 milhão de pessoas em todo o mundo sofrem de infecções hospitalares. Um quarto dos casos ocorre por causa de procedimentos cirúrgicos.
Entre 5% e 10% dos pacientes que ingressam nos hospitais nos países ricos adquirem uma infecção. Um a cada 136 pacientes que dão entrada em um hospital americano acaba seriamente doente. 80 mil ainda morrem por causa dessas infecções. Na Inglaterra, são cerca de 5 mil mortes por ano e 100 mil infectados.
A grande maioria, porém, está nos países pobres. 4,3 mil crianças morrem por dia nesses países por causa de infecções contraídas em hospitais. Nos países em desenvolvimento, a taxa pode chegar a 25% dos pacientes. No México, os cálculos apontam para 450 mil casos de infecção por ano.
No caso do Brasil, os dados mostram que a taxa de crianças que são infectadas, de mais de 50%, é bem maior que os registros nos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa é de apenas 14%, contra 7% na Europa. O ministro da Saúde, Agenor Álvares, afirmou que teria de avaliar os dados publicados pela OMS antes de se pronunciar. Mas alertou que as informações poderiam ser defasadas.
Outro problema é o número de transfusões de sangue com equipamentos infectados. Por ano, 160 mil novos casos de Aids, 16 milhões de hepatite B e 5 milhões de hepatite C são transmitidos em hospitais e centros clínicos em todo o mundo.
Os custos dessas infecções também são altos para as economias. Nos Estados Unidos os prejuízos chegam a US$ 5,7 bilhões por ano. No México, os custos somam US$ 1,5 bilhão.
Fonte: JORNAL O ESTADO
Marcadores: neonatologia, pesquisas
LICENÇA-MATERNIDADE (10/11/2006)
Servidoras públicas de Fortaleza e profissionais de saúde elogiam a decisão dos vereadores em assegurar mais 60 dias, além dos 120 já concedidos por lei, de licença-maternidade. A emenda que determina a ampliação do benefício para 180 dias foi aprovada pela Câmara Municipal no último dia 8 e só espera agora a promulgação pelo presidente da Casa, vereador Tim Gomes (PHS) e a publicação no Diário Oficial.
A emenda de revisão nº 14, que contempla o projeto de indicação da vereadora Fátima Leite (PHS), dá nova redação aos incisos VIII e XIV do artigo 99 da Lei Orgânica do Município. Segundo eles, a licença-gestante tem duração de 180 dias, sem prejuízo para a mãe, e é permitida a licença especial à servidora que adotar legalmente uma criança recém-nascida.
A idéia da vereadora foi possibilitar que as servidoras pudessem amamentar os bebês por pelo menos seis meses, período mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para que o leite materno, além de aumentar a
imunidade da criança, fortaleça o vínculo afetivo entre mãe e filho.
A coordenadora do Núcleo de Aleitamento Materno do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Lúcia Virgínia Reis, vê com bons olhos a emenda e destaca os benefícios que mãe e filho podem ganhar com a ampliação da licença. “A alimentação exclusiva do bebê por leite materno até os seis meses de vida ajuda o organismo da criança a ser mais resistente a infecções. Para a mãe, diminui os riscos de câncer de mama e de colo de útero”.
Além desses, a pediatra e neonatologista Tânia Maria Sousa Araújo Santos avalia que o contato, agora prolongado em 60 dias, possibilita uma afetividade maior entre a mãe e o bebê. “A praticidade é outro ponto a destacar. A mamãe não vai se preocupar logo com a adaptação do filho a outras fontes de alimentação, como o leite em pé, diminuindo, por conseqüência, os riscos de infecção intestinal”, entende.
Grávida de nove meses, a enfermeira Mara Pinheiro, de 33 anos, só engravidou depois que soube da possibilidade de ampliação da licença-maternidade. “Sei agora que vou poder acompanhar melhor o meu bebê, retardando e economizando na alimentação complementar (frutas, legumes e verduras). Menos custos e mais qualidade de vida para nós”, comemora. O primeiro município cearense a conceder o benefício foi Beberibe.
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SERVIDORAS MUNICIPAIS (10/11/2006)
Aumenta o tempo da licença-maternidade
O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Tin Gomes (PHS), assumiu o compromisso de promulgar a nova Lei Orgânica do Município (LOM) no dia 15 de dezembro próximo, data a partir da qual começa a vigorar o benefício concedido às servidoras da Prefeitura de Fortaleza de uma licença maternidade de 180 dias.
Tin Gomes declarou ontem que a revisão de “todos os artigos e as audiências públicas marcadas foram finalizadas. “Só falta concluirmos, na Comissão de Revisão, o capítulo sobre Educação e do Uso e Ocupação do Solo. Mas pretendemos fechar esta discussão na segunda-feira”, frisou.
O presidente ratificou que todos os artigos da LOM foram revisados, prontos para serem votados, nesta fase final, parte em redação final, parte em segunda discussão e outros, em primeiro turno. Segundo afirmou, na próxima terça-feira (14), ele colocará em pauta de primeira discussão os artigos restantes e os que estiverem adiantados, para segunda votação.
De acordo com o vereador Guilherme Sampaio (PT), a intenção do trabalho “diário” da Comissão Revisora da Lei Orgânica do Município é o de concluir e apresentar o texto final até o dia 15 de dezembro, para que ocorra a sua promulgação dentro na data marcada. Tin Gomes havia prometido um “esforço concentrado” para a realização da nova redação da Lei.
A Comissão de Revisão está preparando o texto das emendas a serem votadas à medida em que há a avaliação de cada capítulo da LOM. A sistematização das sugestões de alteração da LOM, juntamente com as emendas propostas pelos vereadores, vem ocorrendo nas reuniões às terças-feiras, sendo votadas em bloco às quartas-feiras.
Por ser um profissional da área do magistério, Sampaio assumiu a tarefa de sistematizar o capítulo da LOM referente à Educação e Cultura. Ele é um dos subrelatores da Revisão da Lei, responsável pelo assunto específico da Educação.
LICENÇA - Conforme o esclarecimento de Guilherme Sampaio, a matéria aprovada, ontem, que amplia a licença maternidade para 180 dias já é uma das emendas sistematizadas, votada em primeira discussão. “A alteração da licença para as servidoras passará a vigorar depois da promulgação da revisão da LOM”, assegura Sampaio.
Os vereadores José Maria Pontes (PT) e Nelba Fortaleza (PTB) também congregam o mesmo pensamento e acreditam que a reeleição de Tin Gomes, por unanimidade, depende do êxito na conclusão da LOM.
FONTE:Diário do Nordeste
Marcadores: amamentação, governo, licença maternidade, politica
Câmara de Fortaleza aprova licença-maternidade de 180 dias
escrito por: Tricia Lima em às 9:57 AM.
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As servidoras públicas de Fortaleza vão poder ter direito a mais 60 dias, além
dos 120 já concedidos por lei, de licença-maternidade. A emenda que determina a ampliação do benefício para 180 dias foi aprovada pela Câmara Municipal de Fortaleza no último dia 8 e só espera agora a publicação no Diário Oficial e a sanção da prefeita Luizianne Lins, previstas para dentro de poucos dias.
A emenda de revisão n° 14, que contempla o projeto de indicação da vereadora Fátima Leite (PHS), dá nova redação aos incisos VIII e XIV do artigo 99 da Lei Orgânica do Município. Segundo eles, a licença-gestante tem duração de 120 dias, sem prejuízo para a mãe, e é permitida a licença especial à servidora que adotar legalmente uma criança recém-nascida.
A idéia da vereadora ao propor o projeto foi possibilitar que as servidoras pudessem amamentar os bebês por pelo menos seis meses, período mínimo
recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para que o leite materno, além de aumentar a imunidade da criança, fortaleça o vínculo afetivo entre mãe e filho.
Marcadores: amamentação, governo, licença maternidade, politica, pós-parto
Pesquisadores da Espanha e de Portugal analisaram os índices de gravidez em mulheres que fizeram tratamento para engravidar usando óvulos doados.
Eles descobriram que 52,2% das mulheres que fumavam pouco ficaram grávidas na primeira tentativa, comparado com 34,1% das mulheres que fumavam muito.
Eles acreditam que isso sugere que o tabaco deixa o útero menos receptivo à concepção. "O fato de vermos este resultado numa situação na qual os óvulos foram doados por outras mulheres demonstra que o fumo afeta negativamente a receptividade do útero, independentemente de seu efeito sobre a função do ovário", disse o pesquisador-chefe, Sérgio Soares.
Gravidez múltipla
Para o estudo, foram consideradas mulheres que fumam pouco aquelas com consumo inferior a dez cigarros por dia. Apesar de a taxa de gravidez ter sido muito menor para as mulheres que fumam muito, para aquelas que conseguiram engravidar a taxa de gravidez múltipla foi muito maior - 60% das mulheres com alto consumo de cigarros esperavam gêmeos, contra 31% das que fumavam menos.
"Pode ser que o alto consumo de cigarros prejudique a estabilidade das células no revestimento do útero diferentemente de mulher para mulher ou gere uma resposta do próprio embrião, resultando numa reduzida taxa geral de gravidez, mas uma chance maior de gravidezes múltiplas naquelas que acabam ficando grávidas", explica.
Soares disse que as mulheres com alto consumo de cigarro deveriam ser avisadas de que mesmo se os tratamentos para fertilização forem realizados, elas terão menos chance de conseguir uma gravidez com sucesso.
"Além disso, deveríamos também adverti-las dos riscos de gravidezes múltiplas, que são menos seguras para as mães e para os bebês", afirma.
FONTE: BBC Brasil
Casa de Parto em Fortaleza?
escrito por: Tricia Lima em Quarta-feira, Novembro 08, 2006 às 3:31 PM.
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* foto da equipe de enfermagem MEAC retirada deste site
Infelizmente, aqui em Fortaleza não temos uma CASA de PARTO NATURAL. Pelo menos não funcionando...
Explico:
No ano de 2000, foi feito um enorme investimento aqui em Fortaleza, um projeto chamado LUZ DA JICA, na Maternidade Escola (vinculada à Universidade Federal) para tornar o local e os profissionais mais humanizados - era o inicio da humanização... Compraram equipamentos como cadeira de parto, bola, cavalinho, tudo que puderam. Gastaram milhões. Selecionaram algumas enfermeiras obstetricas, mandaram pro Japão pra fazer um estágio nas maternidades de lá, e verem como assistir um parto natural.
Resultado: não deu em nada.
Os equipamentos estão parados. A casa de parto está fechada. Atende apenas pre-natal no periodo da manhã. Tudo enferrujado se acabando com o tempo.
Ainda houve uma confusãozinha para abrirem a Casa de parto da UFC, movida pelo Dr. Odorico, que esbarrou no Ministério Publico e foi extinta pelo Sindicato dos Obstetras do CE.
É. Pelo que se vê, as pessoas aqui ainda não estão maduras suficientemente para receber certas coisas.
Pesquisando no site da Universidade Federal do Ceará, me deparei com um material mirrado:
"A Maternidade Escola Assis Chateaubriand cumprindo sua missão institucional de promover a formação de recursos humanos em ações de aprendizado, ensino, pesquisa e extensão, buscando a excelência no atendimento humanizado à saúde da mulher e do recém-nascido, vem se consolidando como hospital de referência no Estado do Ceará. A condição de unidade de referência na assistência terciária, responsável, então, pelas ações de média e alta complexidade, tem exigido recursos humanos cada vez mais capacitados, além de recursos materiais de alta tecnologia.
Estrutura Física
• Área Construída: 10.842,18m2
• Número de salas de aula: 8 salas
• Número de salas de cirurgia no Centro Cirúrgico: 6 salas
• Centro de Parto Natural - Pré e Parto (PP): 1 centro
• Número de salas de Ambulatórios: 38 salas
Número de Leitos
• Ginecologia: 24 leitos
• Obstetrícia: 124 leitos
• UTI Neonatal: 22 leitos
• Médio Risco: 30 leitos
• Mãe Canguru: 5 leitos"
Maternidade-Escola Assis Chateaubriand - MEAC
Campus do Porangabuçu
Rua Cel Nunes de Melo S/N - Rodolfo Teófilo
Fone 1: 3214 37 80
Fone 2: 3214 37 60
Fone 3: 3214 32 55
Ambulatório: 3214 37 85
BLH/Laboratório: 3214 30 16
Website: www.meac.ufc.br
E-mail: meac@meac.ufc.br
Diretora Geral: Profª. Dra. Zenilda Vieira Brunoo
Site: Maternidade Escola de Fortaleza
Marcadores: casa de parto, ceará, sus

Henci Goer
“Há riscos em partos naturais após cesáreas” Jornal New York Times
“Estudo: Parto é arriscado após cesárea.” Associated Press
Pelos títulos acima e os artigos que os seguem, os leitores pensariam que um novo estudo publicado no prestigiado “New England Journal of Medicine” mostrou que cesáreas repetidas planejadas são mais seguras que um parto vaginal após cesárea. Entretanto, o estudo não concluiu nada deste gênero. Desviado pelas declarações do Dr. Michael Greene, um editor associado do “New England Journal” cujo editorial acompanhou as reportagens de jornal TV e rádio, apresentou na verdade um outro adicional na campanha de “desinformação” para eliminar o parto vaginal após cesárea. Antes de chegar ao porquê os obstetras querem desacreditar o parto vaginal após cesárea, vamos primeiro ver o que o estudo realmente disse.
O que o estudo realmente disse?
A Reuters Medical News foi talvez o único noticiário a disponibilizá-lo de maneira correta. Eles divulgaram seu artigo com o título: “Trabalho de parto induzido por Prostaglandinas ligado a alto risco de ruptura uterina após uma cesárea”. Os pesquisadores verificaram isto comparando a taxa na qual a cicatriz uterina se rompeu em cerca de 20.000 mulheres em Washington que tiveram seu segundo filho após ter o primeiro por uma cesárea. Eles descobriram que as chances eram de:
· 1 em 625 com uma cesárea repetida programada;
· 1 em 192 com o trabalho de parto iniciado naturalmente;
· 1 in 130 com uma indução do trabalho de parto, mas sem usar prostaglandinas para afinar o colo do útero antes;
· 1 em 41 com induções de trabalho de parto que incluíam prostaglandinas.
Apesar de potencialmente séria, a ruptura da cicatriz, entretanto, não é a questão crucial para se determinar a segurança de um parto vaginal após cesárea, mas sim o que acontece com a mãe e o bebê como resultado. Mesmo quando a ruptura uterina ocorreu, apenas um terço das mulheres tiveram complicações cirúrgicas durante a cesárea de emergência que geralmente aconteceu depois. Quanto á danos irreparáveis, para uma mulher que iniciou seu trabalho de parto espontaneamente, a chance de terminar com uma histerectomia era de 1 em 5.000 e a de perder o bebê era de 1 em 3.300. Para as mulheres que foram induzidas sem o uso de prostaglandinas, as chances aumentaram ligeiramente, mas quando a indução do parto incluía prostaglandinas, elas aumentaram muito de 1 em 900 para uma histerectomia e de 1 em 770 para morte do bebê.
De fato, este estudo nada teve a dizer sobre o mérito das cesáreas planejadas em relação ao parto vaginal após cesárea, porque só considerou a ruptura uterina. E apesar de as mulheres que optam pelo parto vaginal após cesárea terem mais riscos de ter esta ruptura, uma cesárea inclui um rol de outras complicações que ocorrem com muito menos freqüência num parto vaginal. Para avaliar qual é melhor, você deve comparar os resultados entre as mulheres que tiverem uma cesárea repetida programada e as mulheres que tiverem parto vaginal após cesárea. Estes estudos existem. Entre trinta estudos que trataram de 56.300 partos vaginais após cesáreas, a taxa de natimortos e morte de recém nascidos atribuíveis à ruptura uterina foi de 1 em 3.300, o mesmo que o das mulheres de Washington que tiverem um parto espontâneo. Estas chances não foram significativamente diferentes da taxa de mortalidade perinatal em 29.900 mulheres que tiveram cesáreas planejadas. Em outras palavras, o parto vaginal após cesárea não é mais arriscado para os bebês que as cesáreas planejadas.
Contrastando com estes, de acordo com um estudo suíço de 29.000 mulheres com cesáreas anteriores, as mulheres que tiveram cesáreas planejadas para um parto subseqüente tinham três vezes mais chances de ter histerectomias do que as mulheres planejando partos vaginais após cesárea: 1 em 220 contra 1 em 625. Além disso, cada vez que uma mulher elege uma cesárea ao invés do parto vaginal após cesárea, ela joga dados que pesam mais contra ela, especialmente se ela planeja ter mais filhos.
Estudos mostram que o acúmulo de cesáreas aumenta o risco de:
· infertilidade
· dor crônica e problemas intestinais
· implantação do embrião fora do útero (gravidez ectópica)
· placenta recobrindo o colo do útero (placenta previa)
· placenta descolando antes do parto (descolamento da placenta)
· placenta crescendo dentro ou através da parede muscular do útero (placenta accreta ou percreta).
As três últimas representam risco de morte; particularmente a placenta accreta. Cesáreas repetidas planejadas também colocam os bebês em risco de dificuldades respiratórias. Uma delas, a hipertensão pulmonar persistente, pode ser fatal.
Leitores objetivos do estudo do New England Journal concluiriam que nem o parto vaginal após cesárea é excessivamente arriscado e nem que as mulheres que optam por parto vaginal após cesárea nunca deveriam ter seus partos induzidos. O que eles concluiriam é:
· A primeira cesárea deveria ser evitada tanto devido aos riscos de uma cirurgia de grande porte quanto porque ela introduz riscos para gravidezes futuras.
· A indução do trabalho de parto só deve ser feita quando os riscos de se esperar pelo parto forem maiores do que o risco de induzi-lo. Uma situação que ocorre com muito menos freqüência do que o típico obstetra acredita.
· Quando a indução parecer o curso de ação mais prudente, não usar prostaglandinas.
Isto me leva à segunda parte of minha refutação, a saber, qual é a evidência de que os obstetras não são objetivos sobre o parto vaginal após cesárea?
A oposição dos obstetras ao parto vaginal após cesárea não tem a ver com segurança
Os obstetras têm sido bem claros quanto à sua motivação para condenar o parto vaginal após cesárea. Em 1996, um obstetra conhecido, também editor de uma revista sobre obstetrícia, propôs um protótipo do que ele chamou de formulário de “consentimento informado”. Este formulário descrevia as temíveis coisas que podiam dar errado com um parto vaginal após cesárea, mas não informava nada sobre as coisas igualmente temíveis que poderiam dar errado numa cesárea de repetição, sem falar dos danos das cicatrizes acumulativas para futuras gravidezes. Poucas mulheres teriam coragem suficiente para tentar um parto vaginal após cesárea depois de ler este formulário. Este médico admitiu francamente que o formulário tinha a intenção de prevenir processos legais e que usá-lo faria com que as suas taxas de cesáreas aumentassem exponencialmente”. Desde então, as companhias de seguro contra erros médicos adotaram amplamente este formulário e começaram a recomendar que seus clientes obstetras o utilizem ou utilizem outros como ele. Muitos deles fazem isto.
A organização profissional dos obstetras, (American College of Obstetricians and Gynecologists) também foi igualmente direta ao falar de sua posição contra o parto vaginal após cesárea. Apesar de não haver mudado os dados, ela publicou novas diretrizes em 1998 que tinham uma visão muito mais negativa do parto vaginal após cesárea do que as diretrizes anteriores. O raciocínio usado para a reviravolta foi que “eventos adversos durante a tentativa de parto normal levaram a processos por erro médico”.
O desejo de se evitar processos por erro médico não significa necessariamente que os obstetras não tenham preocupações legítimas sobre o parto vaginal após cesárea. Entretanto, as discrepâncias lógicas e inconsistências que estão nos argumentos e pronunciamentos médicos revelam que eles não estão, de fato, expressando um interesse genuíno em promover um atendimento seguro e efetivo. Deixe-me citar alguns exemplos.
As novas diretrizes recomendam que os hospitais não permitam um parto vaginal após cesárea a não ser que eles possam fazer cesáreas de emergência imediatas. Isto teve um efeito refreador nos partos vaginais após cesáreas, porque muitos hospitais não podem fazer isso, especialmente à noite ou nos finais de semana. Mas a população geral dos hospitais tem o mesmo potencial de ter uma emergência durante o parto quanto o potencial de uma cicatriz se romper. Se não há segurança nos partos vaginais após cesárea em hospitais que não podem fazer uma cesárea de emergência imediata, então não há segurança para que nenhuma mulher tenha seu filho lá.
Deixando de lado o fato de que as cesáreas impõem outros riscos que contrabalançam o risco de ruptura uterina durante um parto vaginal após uma cesárea, os comentaristas sobre os dados do estudo no estado de Washington estimaram que a chance de 1 em 3,300 de perder o bebê durante um parto vaginal após cesárea era suficiente para a indicação de uma cesárea de repetição planejada. A chance de um exame de aminiocentese desencadear um aborto está entre 1 em 200 e 1 em 400, mais de dez vezes o risco de um bebê morrer devido a uma ruptura uterina causada por um parto vaginal após cesárea. Ainda assim, os obstetras não estão fazendo lobby para o fim da aminiocentese tendo como base o fato de que ela é muito perigosa.
Outra dica é a disposição para distorcer os dados. As diretrizes de 1998 sobre parto vaginal após cesárea citam um único estudo como outra razão além de reduzir as chances de processos para a revisão das diretrizes. O único estudo com esta conclusão diz que “grandes complicações maternas” eram duas vezes mais prováveis em mulheres em trabalho de parto do que em mulheres fazendo cesáreas eletivas. Entretanto, como um pesquisador proeminente de VBAC indica, os autores classificaram infecções e hemorragias que requeriam transfusão de sangue como “complicações menores”, ambas as quais ocorriam com mais freqüência no grupo de cesáreas planejadas. Se você incluir estas duas complicações maiores, como seria o caso normalmente, a diferença entre os dois grupos desaparece. Mesmo sem se fazer isso, ele diz, as taxas de complicações maiores foram bem baixas – um pouco menos de 1% no grupo de cesáreas planejadas, e um pouco mais de 1% no grupo de parto normal.
Dr. Greene, o obstetra editor do “New England Journal” dá um outro exemplo de distorção de dados. Ele passa da conclusão limitada de que o parto vaginal após cesárea, se excluindo o uso de prostaglandinas, aumenta um pouco o risco de ruptura uterina para a declaração generalizada de que o parto vaginal após cesárea é mais perigoso do que uma cesárea de repetição. Ele trata um fator de risco, ruptura uterina, como o resultado devastador, que na verdade é o natimorto ou a mortalidade do recém nascido. Ambos são erros tão elementares de uma abordagem científica adequada para um editor assistente de um jornal local proeminente que isso sugere fortemente que ele tem um interesse particular na publicação deste estudo.
Mesmo a forma com que os dados do estudo de Washington foram apresentados é parcial contra o parto vaginal após cesárea. Este artigo dizia que um trabalho de parto espontâneo vaginal após cesárea aumenta o risco de ruptura 3.3 vezes, comparado com uma cesárea de repetição, uma estatística usada em artigos para a mídia. Isto soa alarmante, mas a diferença absoluta era de quatro mulheres por mil, um número minúsculo quando você considera que dois terços das que experimentam ruptura uterina não sofrerão nada pior do que sofreriam na cesárea que teriam tido de qualquer maneira caso não houvessem decidido pelo parto vaginal após cesárea. O estudo que clamava mostrar que o VBAC após cesárea resultava em mais complicações maternas graves, deve-se dizer, também foi publicado no “New England Journal”, assim como outros editoriais igualmente prejudiciais. Isto faz com que se suspeite de que os obstetras envolvidos no processo do editorial estão usando o jornal para promover suas ideologias sob o disfarce de objetividade jornalística.
Para ser justo, nem todos os obstetras que não fazem um parto vaginal após cesárea estão dispostos a participar desta enganação. Alguns estão inconscientemente ajustando os fatos às suas crenças. Alguns foram convencidos por aqueles que eles consideram como autoridades que a cesárea de repetição é o melhor. Alguns estão felizes por ter uma desculpa para não fazer o que eles já não queriam fazer. Alguns se curvaram relutantemente à pressão devido aos processos por erro medico da companhia de seguros, àp política do hospital ou aos colegas. O resultado para você, no entanto, é o mesmo: os especialistas em que você confia para lhe aconselhar sobre o que é mais seguro para você e seu bebê abandonaram essa responsabilidade. Com poucas exceções, quando os obstetras lhe dizem que a cesárea planejada de repetição é a melhor opção, eles não estão falando sobre o seu bem estar ou o do seu bebê; eles estão falando sobre o bem estar deles próprios.
Nota: Para aqueles de vocês que estão cientes dos perigos do Cytotec (misoprostol), uma prostaglandina responsabilizada por altas taxas de ruptura uterina em partos vaginais após cesárea, o estudo diz que o Cytotec havia sido utilizado apenas a partir de 1996, o último ano do estudo. O estudo compara taxas de ruptura uterina com induções envolvendo prostaglandinas nos anos anteriores a 1996 e não encontra nenhuma diferença. Eu espero que isso seja porque o Cytotec provavelmente não era comumente utilizado no seu primeiro ano. Eu me arrisco a prever que se os pesquisadores tivessem olhado em um ano posterior, as taxas de ruptura uterina associadas com prostaglandinas teriam sido ainda maiores do que foram durante os anos do estudo.
Referências
1. ACOG. Vaginal birth after previous cesarean delivery. Practice Bulletin 1998, No 2.
2. ACOG. Vaginal delivery after previous cesarean birth. Practice Patterns 1995; No 1.
3. Associated Press. Study: labor risky after a caesarean. July 5, 2001.
4. Flamm BL. Once a cesarean, always a controversy. Obstet Gynecol 1997;90(2):312-5.
5. Goer H. Cesareans: Everything you need to know, 2001.
6. Goer H. The Thinking Woman’s Guide to a Better Birth. New York: Perigee Books, 1999.
7. Lydon-Rochelle M et al. Risk of uterine rupture during labor among women with a prior cesarean delivery. N Engl J Med 2001;345-3-8.
8. McMahon MJ et al. Comparison of a trial of labor with an elective second cesarean section. N Engl J Med 1996;335(10):689-95.
9. Olney RS et al. Chorionic villus sampling and amniocentesis: recommendations for prenatal counseling. MMWR 1995;44(RR-9):1-12.
10. Phelan JP. Rendering unto Caesar cesarean decisions. OBG Management 1996 Nov:6.
11. Reuters Medical News. Prostaglandin-induced labor linked to high risk of uterine rupture after c-section. Jul 4, 2001.
12. Rageth JC, Juzi C, and Grossenbacher H. Delivery after previous cesarean: a risk evaluation. Swiss Working Group of Obstetric and Gynecologic Institutions. Obstet Gynecol 1999;93(3):332-7.
13. Stolberg SG. A risk is found in natural birth after caesarean. New York Times. Jul 5, 2001.
FONTE: Parents Place
*Traduzido por Andressa Fidelis.
retirado do site da ONG Amigas do Parto
Marcadores: parto normal após cesárea, pesquisas
Casas de Parto podem ser uma realidade no Ceará
escrito por: Escrevo secretamente em às 8:55 AM.
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Soube pelos jornais que, na mudança de governo, um dos cotados para assumir a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará é um cara que apóia incondicionalmente as Casas de Parto. Talvez, com a força do Estado e da prefeitura, unidos, se consiga abrir e colocar em funcionamento a Casa de Parto que funciona próximo à Maternidade Escola Assis Chateubriand, hospital de referência para a capital e o interior do Estado.
Mas, acredito também que seja necessário, para se chegar a um acordo entre a representação da classe médica e os principais defensores das Casas de Parto, que as partes envolvidas no processo tenham disposição para o diálogo. E para ceder. Só assim se chega a um consenso, que é o que permitirá a abertura e o bom funcionamento do local.
Também sou partidária da idéia que representantes das mulheres, as maiores interessadas nesse processo, deveriam ser chamadas para a mesa de negociações.
Marcadores: casa de parto, ceará, sus
Relatório culpa aborto inseguro por 70.000 mortes a cada ano
escrito por: Tricia Lima em Terça-feira, Novembro 07, 2006 às 5:01 PM.
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06 de novembro de 2006 - 17:39
Cerca de 46 milhões de abortos são realizados a cada ano; a Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 20 milhões ocorrem em condições inseguras
AP
KUALA LUMPUR - Mulheres de todo o mundo precisam de serviços de saúde melhores, incluindo anticoncepcionais e abortos seguros, para evitar mais de 500.000 mortes relacionadas à gravidez que ocorrem a cada ano, afirmam especialistas em saúde.
A mortalidade materna atinge principalmente as populações pobres da África, Ásia, América Latina e Oriente Médio, mas estudos mostram que quase três quartos dessas mortes poderiam ser evitados, de acordo com a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, organização baseada em Londres que emite relatórios a cada três anos.
"O desempenho global na tarefa de evitar essas mortes é um desastre", disse Dorothy Shaw, presidente eleita da federação, durante uma conferência de 8.000 especialistas em saúde materna, de 130 países. "Uma mulher morre a cada minuto em alguma parte do mundo, de causas ligadas à gravidez ou parto, a maioria nos países em desenvolvimento", disse Shaw.
A causa mais comum da morte materna é sangramento excessivo após o parto. Acredita-se que isso ocorra em 20% dos nascimentos, mas o fenômeno mata principalmente mulheres pobres e desnutridas, que não têm como pagar hospitais bem equipados, afirma o relatório da organização.
Outra importante causa de morte é o aborto inseguro, que mata cerca de 70.000 mulheres a cada ano e fere diversas outras, freqüentemente por conta de hemorragias, infecções e ingestão de substâncias tóxicas.
Cerca de 46 milhões de abortos são realizados a cada ano, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 20 milhões ocorram em condições inseguras. Há cerca de 70 países onde o aborto é ilegal, ou permitido apenas para salvar a vida da mulher.
O relatório da federação pede que se reduza o número de gestações indesejadas, melhorando o acesso à contracepção.
FONTE: Estadão
Marcadores: aborto
por: Anayansi Correa Brenes. Professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG. Coordenadora do Núcleo Saúde da Mulher do DMPS/FM/UFMG.A presente pesquisa objetivou resgatar as particularidades da constituição da Arte Obstétrica no Brasil do século XIX, quando, por edital de Dom
João VI, é incluída nas disciplinas que inauguram as escolas de medicina e cirurgia, na Bahia e Rio de Janeiro, em 1808. Para realizar a pesquisa foram revistas 83 teses médicas obstétricas — produzidas tanto na Bahia quanto no Rio de Janeiro — no século XIX. Verificou-se que, tradicionalmente, esta Arte era realizada por mulheres denominadas "aparadeiras" ou "comadres", que assistiam as mulheres, seja no trabalho de parto e nos cuidados pré e pós-parto, quanto em outras circunstâncias, tais como doenças venéreas e abortos; A entrada dos médicos-parteiros nesta prática inaugurou, não só o esquadrinhamento do corpo feminino, como a produção de um saber anatômico e fisiológico da mulher, a partir do olhar masculino.
Tradicionalmente, os partos e seus cuidados eram realizados por mulheres conhecidas popularmente como aparadeiras, comadres ou mesmo de parteiras-leigas. Estas detinham um saber empírico e assistiam domiciliam ente as mulheres durante a gestação, parto e puerpério (como também nos cuidados com o recém-nascido). Estas mulheres eram de inteira confiança do mulherio e eram consultadas sobre temas vários, como cuidados com o corpo, doenças venéreas, praticavam o aborto ou mesmo colaboravam com o infanticídio.
Na sua maioria, eram mulatas ou brancas e portuguesas e pertenciam aos setores populares. A medicina, enquanto instituição, incorporou esta prática (Tosi, 1988) como uma das suas atribuições, intitulando-a Arte Obstétrica e denominou de parteiro ou médico-parteiro os profissionais por ela formados. Historicamente, este processo se deu primeiro na Europa (nos séculos XVII e XVIII) se estendendo ao Brasil, ao se inaugurar as escolas de medicina e cirurgia na Bahia e Rio de Janeiro, em 1808. A introdução da medicina neste espaço inaugurou não só a experimentação clínica articulada com o discurso anátomo-patológico, quanto produz um discurso a partir da penetração da figura masculina no saber e prática obstétrica. Desde o momento da sua constituição, esta arte centra seus estudos no parto (posteriormente sobre a gravidez) dentro do enfoque biológico, por forte influência da anatomia patológica. O discurso anátomo-patológico permitia a interrupção da gravidez, pelo parteiro (ou médico-parteiro) desde que algum sinal anatômico indicasse risco de vida para a mulher. Podemos apreciar este fato nas falas de médicos (parteiros), onde o aborto é indicado diante de vícios de conformação da bacia congênita ou adquiridos (raquitismo, osteomalacia); hidropesias excessivas de omnios; deslocação irredutível do útero; ruptura uterina; hemorragias uterinas rebeldes; aneurisma aórtico; lesões orgânicas do pulmão; hydiopericárdio; hydrotórax; alienação mental; vômitos rebeldes; vícios que diminuem o diâmetro da bacia.
Paralelamente à construção do discurso anátomo-patológico, processou-se um sincretismo a nível da terapêutica. Este deu-se com as práticas populares das curiosas, quanto com a medicina das fisicaturas, não sem antes criticar e experimentar (em particular a prática das curiosas), como é o caso do uso do Centeio Espigado, onde o médico-parteiro, Madame Durocher, critica o conhecimento das "comadres" sobre o centeio e o uso que as mesmas fazem dele nos trabalhos de aborto (Durocher, 1887). Assim, a prática obstétrica do período incorporou técnicas das curiosas e das fisicaturas que eram utilizadas para a interrupção de uma gravidez, Estes métodos abortivos foram denominados de primeira classe:
1 — Centeio espigado
2 — Sangria
3 — Aplicação de sanguessugas (sugar a parte interna das coxas ou mesmo da vulva)
4 — Purgativos
5 — Diuréticos
6 — Excitantes (por exemplo, preparação de canelas)
7 — Eletro galvanismo
Em todas as teses defendidas pela obstetrícia nas escolas de medicina, salvar a vida da mulher era o objetivo fundamental. A este respeito o Dr. Ermínio Cézar Coutinho, da Faculdade de Medicina da Bahia, em novembro de 1858, defendendo teses sobre "Quais as circunstâncias que justificam a provocação ao aborto", o autor indica que o aborto que possa vir colocar em risco de vida a mulher deve ser completamente rejeitado (refere-se aos casos em que a mulher esteja muito fraca e haja impedimento anatômico à prenhez - Coutinho, 1858). Para estas situações recomendam-se as técnicas usadas nos casos da bacia estreita: tais como os métodos de hysterotomia, symphysiotomia, embryotomia, antes do termo da gravidez. Apesar de compreender que a symphysiotomia e a craniotomia deviam ser condenados porque colocam em perigo a vida da mulher (Coutinho, 1858), e a cesariana ser um crime porque quase sempre era fatal para a mulher, o aborto, segundo este autor, deveria ser praticado (Coutinho, 1858) nos casos em que não existissem vícios de conformação da bacia. Mesmo antes de dominar técnicas como o fórceps e a cesariana com sucesso para a mulher e a criança durante o parto, a obstetrícia proclama a sua exclusividade desde 1840. Também a partir deste período, percebe-se o deslocamento do seu olhar para questões tais como sexualidade, higiene e moral feminina. Assim, a partir da segunda metade do século XIX, a medicina se articula a outras instâncias do social na produção de uma nova imagem sobre a mulher, da relação desta com os filhos e sobre seu papel em sociedade, esposa-mãe-dona-de-casa.
Vejamos aspectos deste processo e suas implicações na constituição desta disciplina:
A IMPLANTAÇÃO DAS ESCOLAS DE MEDICINA
Com a chegada da Corte Portuguesa no Brasil, em 1808, ocorreu a implantação do ensino oficial de Medicina. A primeira escola foi implantada na Bahia e decorreu de um pedido do Barão de Goyana — José Correia Picanço — que falou a D. João VI da necessidade de se criar um colégio de cirurgia. Este concordou com a idéia e, em Carta Regia de 18 de fevereiro de 1808, assinada por D. Fernando José de Portugal, Ministro do Reino, foi determinado que Picanço fizesse o plano do curso e que escolhesse entre os cirurgiões do Hospital Militar os professores que deveriam ensinar não só Cirurgia, mas também Anatomia e Arte Obstétrica (Souza, 1967). A segunda escola a ser autorizada por D. João VI foi a do Rio de Janeiro; isso se deu devido à sua mudança para lá no mês de fevereiro de 1808. Entre as várias medidas administrativas importantes tomadas por ele estava o ensino médico. Pelo decreto de 5 de novembro de 1808 criou-se a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro e, em 25 de janeiro de 1809, foi nomeado para lecionar Medicina Operatória e Arte Obstétrica, Joaquim da Rocha Mazarem. O currículo desta escola era mais amplo do que o da Bahia, precisando de sede maior; por isso a escola foi mudada do Real Hospital Militar de Ultramar para a Santa Casa (Briquet, 1971).

ESTRUTURAÇÃO DO ENSINO MÉDICO
Para a matrícula do aluno em ambas as escolas bastava apenas que o candidato soubesse ler e escrever. Recomendava-se apenas: Bom será que entendam as línguas inglesa, francesa etc., daí haver passado à história com o nome de "Regime de 'Bom Será'" (Salles, 1971). O curso durava quatro anos, e ao final do quarto ano os alunos tiravam uma certidão de que estavam prontos para fazer o exame final perante o Físico-Mor. Uma vez aprovados, prestavam juramento aos Santos Evangélicos, de dignamente exercerem a nobilíssima profissão. Podiam curar onde não houvesse médicos.
O alvará de 7 de janeiro de 1809 concedeu ao Cirurgião-Mor, Picanço, autoridade para conferir diploma de médico ou cirurgião no Brasil, a quem prestasse exame perante Junta por ele nomeada. A primeira reforma desse ensino ocorreu após o decreto de 26 de fevereiro de 1812, que nomeou o médico baiano Manuel Luiz Álvares de Carvalho Diretor dos Estudos Médicos e Cirúrgicos da Corte e dos Estados. Considerando precários os meios com que eram dotados os colégios, aquela autoridade ampliou os cursos para cinco anos, criou novas cadeiras e deu certa autonomia às congregações.
Após o quinto ano, os cirurgiões formados gozavam das seguintes prerrogativas: seriam preferidos em todos os partidos públicos aos que não tivessem esta condecoração; poderiam, em virtude de suas Cartas, curar todas as enfermidades onde não houvesse médicos; seriam, desde logo, membros do Colégio Cirúrgico; poderiam, todos aqueles que se enriquecessem de princípios e práticas a ponto de fazer exames que aos médicos se determinavam, chegar a ter faculdade e grau de Doutor em Medicina. Até 1815, o ensino na Bahia continuava como antes, lecionavam-se apenas Cirurgia e Anatomia e, apesar da resolução de D. João VI, que ordenava o ensino da Arte Obstétrica, Picanço não fez qualquer referência à Obstetrícia até essa data. O plano de estudos feito por Dr. Manuel Luiz Álvares de Carvalho é implantado na Bahia em 17 de março de 1816. Neste ano, a instalação da escola passa para a Santa Casa. No novo currículo constava que, para o quarto ano, o Prof. Manuel da Silveira Rodrigues lecionaria Instruções Cirúrgicas e Obstetrícia e, no quinto ano, José Avelino Barbosa ensinaria Medicina Prática e Obstetrícia. Com essa reforma, o curso de Obstetrícia, na Bahia, só tem início em 1818, já que os alunos matriculados sob este novo regime só atingiram o quarto ano do curso nesse ano. O curso, inicialmente, foi meramente especulativo e abstrato, pois a escola carecia de uma enfermaria ou serviço clínico para mulheres grávidas e parturientes em que se pudesse fazer o ensino prático da matéria lecionada.
No Rio de Janeiro, com a reforma realizada por Álvares de Carvalho, passa a lecionar Operações e Arte Obstétrica, Manuel Álvares da Costa Barreto. A formação de profissionais da Medicina no Brasil funcionou precariamente nos primeiros anos do século XIX, pois em meio a agitação política de várias ordens, que determinava a Proclamação da Independência, depois da abdicação do primeiro Imperador e a falta de paz interna, acabaram relegando a segundo plano quaisquer medidas de aprimoramento do ensino. Nestes anos estabeleceu-se acentuada má vontade entre médicos portugueses e brasileiros; aqueles, queriam que apenas valessem os diplomas expedidos em Coimbra. Porém, em 9 de setembro de 1826, foi outorgado explicitamente às Escolas Nacionais, o direito de conferir cartas de cirurgião ou de cirurgião formado aos alunos por elas diplomados (Salles, 1971).
A denominação de dois estabelecimentos oficiais de ensino foi uniformizada para Academia Médico Cirúrgica (da Bahia ou do Rio de Janeiro, conforme o caso), e com prestígio crescente apesar das falhas notadas. A constatação dessas falhas motivou mudanças radicais que foram introduzidas e consubstanciadas num antiprojeto de reforma que foi aprovado pela Câmara em 3 de outubro de 1832. Essa reforma assinala notável progresso nos métodos de ensino. Nela, os estabelecimentos passaram a ter organização idêntica e a mesma denominação; o curso médico passou a ser feito em seis anos e abrangia 14 cadeiras, regidas por igual número de lentes.
As faculdades passaram a conceder os títulos de doutor em Medicina, de farmacêutico e de parteira, sem os quais ninguém podia exercer atividades em qualquer dos ramos da arte de curar. A duração do curso de Farmácia era de três anos, e a arte obstétrica era ensinada pelo titular da décima cadeira (partos, moléstias de mulheres pejadas e paridas, e de meninos recém-nascidos). Outra mudança que ocorreu com esta Lei de 1832 foi a obrigatoriedade dos exames preparatórios. Para os candidatos à Medicina, exigiam-se Francês, Inglês, Latim, Filosofia, Aritmética e Geometria. Para Farmácia, os mesmos preparatórios menos Latim e Filosofia.
É em 1832 que tem início o ensino oficial de Obstetrícia para mulheres, nas duas primeiras faculdades médicas. Na do Rio de Janeiro, diplomou-se em 1834 a mais célebre das parteiras, francesa de nascimento, Maria Josefina Matilde Durocher (1808-93), que era conhecida como Madame Durocher. Foi a primeira mulher a ser recebida, como membro titular, na Academia Imperial de Medicina, em 1871. Madame Durocher vestia-se como homem porque, explicava, exercia uma profissão masculina (Souza, 1967).
A EVOLUÇÃO DAS ESCOLAS
A reforma promovida em 1832 fez com que o ensino teórico melhorasse bastante, porém ficou ainda deficiente a parte prática do curso. No Rio de Janeiro, o curso era ministrado em dois locais, no Hospital Militar e na Santa Casa. Ficou assim até 1884. Na Bahia a faculdade voltou a localizar-se mais uma vez no velho prédio do Colégio dos Jesuítas e ocupava 12 casas que formavam o lado esquerdo da Rua das Portas do Carmo, além de utilizar-se das enfermarias da Santa Casa. As dificuldades materiais persistiam, e, para disfarçar tais dificuldades, Leôncio de Carvalho, no Rio de Janeiro, em 1879, faz uma reforma onde introduz a freqüência livre, a matrícula de mulheres no curso médico e o funcionamento do curso em locais estranhos à faculdade.
Quando Vicente Cândido de Figueiredo Sabóia assume a Direção da Faculdade do Rio de Janeiro (de 1882 a 1889), ele consegue, através de recursos particulares, reformar e ampliar as instalações desta. Também reforma o currículo que passa a contar com 26 cadeiras, sendo a de Ginecologia e Obstetrícia regida por Érico Coelho. Porém, a Obstetrícia continuava com problemas, pois a sua instalação na Santa Casa era impedida pelas Irmãs de Caridade que consideravam o parto uma falta de pudor, e somente a interferência direta do provedor Ferreira dos Santos conseguiu solucionar o problema. Portanto, é sob a administração do Visconde de Sabóia que tem início o verdadeiro ensino prático. O período administrado por Sabóia foi denominado o Período Áureo. Sabóia foi demitido com a Proclamação da República, e o período de 1889 a 1901 foi considerado um período de estagnação.
É importante salientar que, em 1887, forma-se a primeira médica no Brasil, a Dra. Rita Lobato Velho Lopes, que fez curso na Faculdade da Bahia. No Rio de Janeiro, a primeira mulher a se formar, e segunda no Brasil, foi a Dra. Ermelinda de Vasconcelos, em 1888 (Souza, 1967; Salles, 1971).
AS DIFICULDADES QUE PERSISTIRAM
NA ESCOLA BAIANA
Na Bahia, com a reforma de 1832, é extinto o Hospital Militar, mudando-se o hospital e a escola para a Santa Casa. A mudança realmente ocorreu em 2 de julho de 1833 e as aulas de clínica iniciaram em agosto deste mesmo ano. Porém, neste novo hospital, não havia uma enfermaria particular que pudesse ser dada à escola para a internação de mulheres, ficando à disposição da escola um lado inteiro de uma enfermaria para os professores colocarem as pacientes de clínica e cirurgia. As condições de ensino das clínicas eram as mais precárias, tornando-se mesmo impossí vel fazerem-se trabalhos práticos de clínica obstétrica. Nota-se, portanto, que a reforma de 1832, também na Bahia, só melhorou o ensino teórico, ficando ainda a escola, por muitos anos, sem uma enfermaria ou serviço clínico para mulheres grávidas ou parturientes.
Em 1854, o professor Malaquias Álvares dos Santos faz o seguinte relato da cadeira que ocupa:No ensino da Obstetrícia e da Medicina Operatória, é então de tal modo sensível nesta escola a falta em que nos tem deixado ficar na respectiva clínica, que nem sei como possamos convenientemente ter fé nos conhecimentos que possam ter nossos alunos (Souza, 1967). O professor Domingos Rodrigues Seixas, em 1862, lamenta que a parte prática do curso não pode ser congruentemente desempenhada por falta de parturientes em que se exerçam as manobras. O professor Matias Moreira Sampaio, ao redigir a Memória Histórica de 1867, diz o seguinte: Embora o obscuro professor, que nesta hora prende a vossa atenção, empregue no desempenho de seus deveres o esforço que permitem sua fraca inteligência e limitado entendimento, o ensino de partos está longe da perfeição pela falta da clínica respectiva, de modo que podemos dizer que, salvo algumas manobras exercidas no manequim, fazemos somente partos teóricos (Souza,1967).
Em 1873, para o autor da Memória deste ano, o professor Matias Sampaio assim se expressou: Animado pelo mais ardente desejo, e sem ter arrefecido ainda na carreira do ensino, empenho todo o esforço de que disponho para que os estudantes se habilitem na arte de partejar; apesar do meu empenho, confesso que apenas eles adquirem conhecimentos teóricos por nos faltar ainda o ensino prático, falta sentida e contra a qual têm reclamado quase todos, senão todos os historiadores de ambas as Faculdades de Medicina do Império. Entretanto, tenho fé que um dia virá em que semelhante falta desaparecerá, dotandonos o governo Imperial ao menos com uma pequena sala, onde sejam recebidas as parturientes (Souza, 1967).
O Hospital da Santa Casa de Misericórdia, local onde funcionavam as cadeiras de Clínica, não tinha condições que pemitissem a prática obstétrica, ficando o ensino nesta situação por 60 anos, quando em 1875, se instala no Hospital de São Cristóvão uma enfermaria de partos, sendo professor da cadeira, o Barão de Itapoã.
O professor Luiz Álvares dos Santos, historiador da escola, em 1876 narra o seguinte: A provedoria da Misericórdia abriu no ano passado, em uma sala de seu hospital, uma enfermaria de partos que, muito bem inspirada, entregou à direção do nosso nobre colega, o digno Professor de Parto, o Senhor Barão de Itapoã. Pois em, apesar do fanatismo que parece querer fechar as salas da clínica às parturientes, o ensino vai dando útil resultado, pelo que nos cabe animar aquela reforma, importante em todos os sentidos. Houve três parturientes. Os estudantes e os médicos tiveram ocasião de ver durante o ano aqui muitas operações de obstetrícia (Souza,1967).
Somente algumas pacientes procuravam os serviços da clínica, já que havia uma resistência por parte do público contra a enfermaria de partos; essa objeção permaneceria, ainda, por muitos anos sob a forma de receio que as parturientes manifestavam ao internamente (Souza, 1967).
Apesar dos benefícios trazidos para o ensino dessa nova enfermaria de partos, a prática escolar da tocologia deixava, ainda, muito a desejar, pois o serviço clínico na enfermaria de partos, como também de muitas outras, era incompleto e defeituoso; as instalações das enfermarias eram precárias; havia um déficit de aparelhagem e era reduzidíssimo o número de mulheres grávidas que procuravam o serviço de objeto às funções letivas. Essa situação perdurou por muitos anos. Há uma nova reforma do ensino, que se inicia em 1879 e termina em 1894, criando a cadeira de Clínica Obstétrica e Ginecológica. Essa nova cadeira continuava a funcionar na mesma enfermaria Santa Izabel do Hospital São Cristóvão, tendo como professor Climério de Oliveira, que tomou posse em 1885 (Souza, 1967).
Os primeiros anos de ensino, após a posse de Climério de Oliveira, continuavam como os anteriores. Em 1892, ele envia uma carta ao professor Luiz Anselmo da Fonseca, cronista da Faculdade em 1891, fazendo os seguintes pronunciamentos a respeito do seu serviço clínico, que ainda funcionava no velho Hospital da Misericórdia:
O curso de Clínica Obstétrica e Ginecológica teve a regularidade possível, atenta às péssimas e precárias condições em que se acha instalado no Hospital de Caridade, instalações contra as quais tenho sempre protestado, já na Memória Histórica que redigi, já nos programas dos cursos, nas preleções, na Congregação. No terceiro Congresso Médico Brasileiro, tive a ocasião de assim enunciar-me: quem conhece o hospital em que funcionavam as clínicas desta Faculdade, a situação de suas enfermarias, a disposição de seus cômodos, o acúmulo de seus leitos, a distribuição de seus serviços clínicos, a sua ventilação, a construção de seus esgotos; quem ali respira fétidos odores e doentios ares e conhece, pelo que leu ou pelo que viu, qual o conjunto de circunstâncias que devem tornar saudável um estabelecimento dessa ordem; não pode deixar, sob o ponto de vista das grandes intervenções cirúrgicas, de considerá-la um foco de letalidade, ao invés de um meio de restabelecimento da saúde.
Conseguintemente, quem assume a responsabilidade de um serviço clínico de cirurgia geral ou especial como esse por exemplo, que tenho a honra de dirigir, que tem por função a maternidade, ligado, portanto, a um tríplice compromisso: com a humanidade, de zelar por suas vidas; com a pátria, de garantir-lhe o cidadão nascente; com a ciência, de fazer valer os seus princípios e os seus preceitos — e tudo isso num cubículo infecto, encravado entre boas e más enfermarias e as latrinas do hospital, servindo por enfermarias comuns às salas de Medicina e Cirurgia (...) e não tem, senhores, diante de si uma estatística de luto, mas lenamente animadora, não pode calar aplausos aos propignadores dos métodos antissépticos (...) e deixar de render um preito de homenagem ao talento cintilante de Lister, que produziu em uma de suas mais brilhantes fulgurações este vigente recurso que abriga a vida do doente, amplia as esperanças da cirurgia, aureola a ciência com os mais fúlgidos louros das mais transcendentes conquistas (Souza, 1967).
Esta nova enfermaria com funcionamento precário durou 18 anos, e somente com a mudança do Hospital da Santa Casa de Misericórdia para as instalações no Bairro de Nazaré é que houve melhora. Neste novo hospital havia uma enfermaria destinada à clínica de partos e, nesta mesma enfermaria, funcionava, também, a clínica ginecológica e a pediátrica. Apesar da ampliação do curso, do número crescente das gestantes que procuravam a clínica, da maior freqüência dos alunos e do melhor proveitamento destes, o professor Climério de Oliveira ainda não estava satisfeito com o Hospital de Santa Isabel e desejava fundar uma maternidade anexa à aculdade de Medicina. A idéia de criar maternidades anexas às Faculdades de Medicina vinha desde a Lei de 28 de abril
de 1854, que reformou as faculdades e eterminava a criação das maternidades; porém, somente 40 anos após essa lei começaram oficialmente, na Bahia, os trabalhos para construção da maternidade. O professor Pacífico Pereira foi quem deu o primeiro impulso, ao procurar o professor Manuel Vitorino, Senador Federal, e solicitar a influência deste para que fosse incluída na lei de orçamento da União para 1894 uma verba a ser aplicada na construçõa. Novas verbas foram votadas nos anos seguintes; com isso, a Santa Casa foi juntando os contos concedidos pelo Governo Federal para a fundação do aludido estabelecimento.
Nove anos depois, em 1903, o professor Alfredo Brito, então diretor da Faculdade, celebrou um contrato com a Santa Casa e aprovado pel governo da União para a construção dos pavilhões necessários para o serviço de clínica obstétrica. O professor Climério de Oliveira forneceu à Secretaria da Agricultura os dados para a organizaçã da planta e, em 26 de abril de 1903, depois de aprovada pelo poder competente, a obra foi contratada. No dia 3 de outubro deste mesmo ano foi colocada a primeira pedra.As verbas que o Governo Federal forneciam eram insuficientes, então Climério lançou uma campanha para ajudar a construção. Formou um Comitê de Senhoras da Sociedade Baiana; este realizou espetáculos no Teatro Politeama, com renda destinada à construção. O espetáculo era o drama A Maternidade, escrito pelo professor Climério de Oliveira. O Governo Federal e a Prefeitura também contribuíram, ficando a obra pronta cinco anos depois de iniciada e levou, ainda, algum tempo com retoques finais e aparelhamento, sendo inaugurada em 30 de outubro de 1910. Após a inauguração, o curso de Obstetrícia passou a ser feito na maternidade, por estar separado em duas cadeiras de Clínica Ginecológica e Obstetrícia (Souza, 1967).
Está posto novamente o problema do corpo. Aos médicos cabia alcançar dois objetivos: um local para observação do corpo — a clínica de partos, a maternidade, o hospital junto à escola. Inúmeras vezes os médicos reclamaram sobre a falta de prática durante o curso, especialmente na área obstétrica, a falta de uma clínica de partos junto às escolas. O segundo objetivo a ser alcançado pelos médicos é o que nos interessa mais nesse momento, ou seja, conseguir trazer à clínica, ao hospital, ao consultório a mulher ou, também, pode-se dizer, o corpo feminino. Conforme procuramos demonstrar no tópico anterior, houve todo um esforço por parte da corporação médica em construir uma imagem do médico que inspirasse confiança na população. Porém, isto ainda foi pouco para conseguir levar as mulheres à presença do obstetra e muito menos, ainda, para convencê-las e se abrirem para eles. A partir desta problemática, o discurso médico criou como que um "jogo" com a população feminina do Brasil Império. Jogo, porque, por um lado, o discurso médico, em harmonia com os demais discursos presentes no momento, utilizando as estratégias que lhe eram permitidas pelas circunstâncias, forjou para a mulher uma nova subjetividade, que, entre as alterações imediatas que possibilitou à esta, garantiu-lhe um novo papel na sociedade, abrindo-lhe as portas para uma vida social mais intensa, esboçando-lhe nova configuração dentro do lar, da família, tornando-a, enfim, um ser bem mais vivo que a mulher da sociedade patriarcal da colônia. Porem, o ponto de apoio deste discurso que criou a mulher da sociedade imperial foi a sexualidade feminina. Sexualidade que foi descrita a fundo, com acurada precisão fazendo a mulher um ser frágil e inconstante, a quem somente os médicos poderiam orientar, por serem os únicos que a conheciam. Deste "jogo" surgiram "o mito do amor materno", a "mãe dedicada", "boa esposa", "a rainha do lar", as histéricas, as mundanas e toda uma série de tipos femininos que ocupariam a literatura médica e o imaginário social do século XIX.
A mulher criada no século XIX, que povoou as páginas do romance nacional, destacava-se pela sua constituição frágil e débil.
Em geral, as mulheres são muito mais delicadas, mais ternas, mais sensíveis, mais pacíficas, mais de formar corações e conduzí-los que o homem (Nunes, 1846). Foram criadas para ser esposas e mães. Todos os órgãos são delicados, flexíveis, fácil de excitar e ferir, suscetíveis em todos os sentidos (Nunes, 1846). Os médicos não se limitavam a afirmações genéricas, onde exploravam aspectos psicológicos das mulheres. Seu discurso trazia observações que só poderiam se pautar sobre uma sólida observação, observação que lhe garantia o rigor científico e a posse da verdade.
Voltemos às teses para exemplificarmos este processo. Com relação ao tratamento dispensado às mulheres em época anterior, não havia o tratamento das moléstias das mulheres, antes por ignorância do que por causa dos "preceitos" e assim, as mulheres padeciam e que, a função de melhorar a vida, curar, que nestes casos cabia ao padre não era dispensado ao sexo feminino (Nunes, 1846). O discurso médico "criava" os tipos, mostrava claramente suas características, o tratamento apropriado, caso fosse um tipo patológico, mas isto, é preciso ressaltar, colocava-os sempre sob sua tutela ou, pelo menos, exigia participação nas decisões tomadas por outras instituições responsáveis pelo controle populacional. Vê-se aqui, apesar de ser um caso extremo, a internação das histéricas, como os médicos deram importância à internação e à educação, desde que orientada por eles. Ainda intervindo pela mulher acometida por alguma espécie de patologia, temos o seguinte relato a respeito das alterações no psiquismo que estes estados acarretam: É curioso apreciar como simples perturbações orgânicas, dada sua repercussão no psiquismo, podem assim contribuir indiretamente, no determinismo do crime (Da Silveira, 1926). O processo menstrual pode acarretar desde excitabilidade nervosa exagerada e modificações do humor, até as impulsões às vezes irresistíveis e verdadeiras psicoses que têm como causa uma auto-intoxicação genital (Da Silveira, 1926). Alto valor em medicina legal assumem as perturbações psíquicas em mulheres puérperas. Os crimes de infanticídio são na maioria dos casos cometidosnum estado patológico de inconsciência (Da Silveira, 1926). Vê-se, então, que as mulheres poderiam contar com a defesa dos médicos, desde que levassem a eles seus problemas e suas confidências. Com relação à educação da mulher, destacamos o seguinte trecho: Com um tal sistema de educação que não prepara a moça para as responsabilidades da vida, que ela vincula sobre a humanidade conseqüências medonhas que não escapam mesmo a um observador pouco escrupuloso, urge que o corpo médico ciente dos efeitos de uma educação que exclue toda a noção de fisiologia, erga a voz em favor da reforma do ensino público, porque segundo Balzac e repetido por Pestalozzi, "le future des nations repose sur l'education des mères de famille" (Rennotte, 1895). Inúmeras foram as técnicas empregadas para atrair o público feminino aos locais de internamento. É difícil datarmos, através da leitura das teses, o momento em que esta atração passou a se efetuar de maneira satisfatória. O que podemos perceber é que, apesar de atenderem ao chamado médico, as mulheres viam a clínica como um local ao qual deveriam acorrer num momento de grande necessidade, desconsiderando, porém, a continuidade do tratamento. Isto em muito dificultou o trabalho médico, pois a eles interessava a permanência das mulheres na clínica para observação e testes.
Mas, tendo em vista a necessidade da presença das mulheres na clínica, especialmente na maternidade, pois para médicos e estudantes este seria o único meio de adquirir a prática na difícil arte de partos (Fonseca, 1933), os médicos tentaram em decorrência da não-correspondência das mulheres aos seus apelos, conseguir o apoio do governo no que concerne aos processos de internação, controle e cadastramento nas clínicas existentes no Império. Há uma séria objeção ao estabelecimento desta clínica que é a falta de parturientes, que de certo modo haveria com a organização atual; mas se o governo quiser tomar as devidas providências não somente abundarão as parturientes, mas obterá aumento da população, perfeito conhecimento dos nascimentos e evitará os infanticídios que se dão em grande número no Rio de Janeiro. Para este fim dever-se-á obrigar a toda e qualquer mulher rica ou pobre que tiver parido a levar ou mandar levar o recém-nascido à apresentação em casa do subdelegado do distrito; este não deve ser qualquer cidadão indistintamente, mas um empregado próprio do governo. A pessoa encarregada de apresentar a criança o fará em um livro apropriado o dia e hora do nascimento da mesma, bem como o nome que se lhe deu ou o que se lhe deseja dar, o sexo, os defeitos, etc., etc.; escreverá o nome da mãe, do pai (se for declarável), a sua morada, o estado em que vivem, a profissão, etc., etc.. Depois deste ato dará um bilhete declarando ter sido apresentada a criança ..., nascida no dia ..., filha de ..., moradora na rua ... número ... . Rigor excessivo, rigor na execução destas medidas; e para isto deve-se dar maior publicidade a estas leis. Com a necessária vigilância poder-se-á punir os infanticídios que ainda tiverem lugar, e obterse-á uma lista exata dos nascimentos, o que não se alcança atualmente com o péssimo sistema de confiar aos curas a parte relativa ao nascimento e falecimento da população, pois isto pertence à administração civil e não à igreja. A mulher pobre, para livrar-se de todos estes incômodos com toda a facilidade, preferirá parir no hospital do que em casa, e as pessoas que hoje acolhem facilmente uma mulher em trabalho de parto deixarão de fazê-lo para furtar-se às "exigências da lei" (Guimarães, 1863).
CONCLUSÃO
Discursos moralistas e filantrópicos sobre o aleitamento materno, cujas primeiras destinatárias eram as mulheres das famílias abastadas, que continuavam possuindo empregadas em função de amas-de-leite. Do abandono infantil, parcialmente explicado pelo desejo egoísta e narcisista destas em manter o corpo belo, de conservar a forma estética e pelo medo de perder o marido, a exemplo dos aristocratas franceses. Do infanticídio disfarçado pelas comadres (curiosas) bastante adestradas para ocultar o crime ou mesmo das crianças encontradas nos necrotérios ou nas vias públicas ou aquelas lançadas na roda (casa dos expostos) e da prática do aborto realizado pelas mulheres (ou ajudadas por curiosas) acenam para as mulheres (ricas ou pobres, casadas ou solteiras) de vários pontos do social, na intensão de recluí-la e com isto afastá-la do perigo da prostituição e da perdição, ao menor deslize. Nessa cruzada, a participação dos médicos foi significante. Os seus discursos sobre a ausência de leis severas que punissem as práticas de aborto e infanticídio vieram de encontro à construção dos dispositivos legais para seu enquadramento criminal, antes mesmo da proclamação da República (Coutinho, 1858). Simultaneamente a este processo, as prescrições médicas de aborto foram sendo reduzidas extremamente ao essencial. Assim, se no início do século XIX a arte obstétrica priorizava a vida da mulher ao menor sinal de perigo, as "novas" técnicas alcançadas (fórceps e cesariana) possibilitaram que o discurso fosse modificado. Hoje prioriza-se que o processo finalize com uma mãe e filho sadios, apesar do desejo ou não da mulher ou mesmo de uma gravidez que coloque em risco sua saúde e vida.
This research aimed at recovering the peculiarities of the development of Obstetrical Art in Brazil during XIX century, starting in 1808, when a legal act signed by D. João VI included this discipline in the initial curriculum of the schools of medicine and surgery founded in Bahia and Rio de Janeiro. Research was undertaken through the review of 83 medical theses in the field of Obstetrics, produced in Bahia and Rio de Janeiro in XIX century. The data showed that Obstetrical Art was raditionally performed by women called "aparadeiras" (catchers) or "comadres", who cared for women before, during and after delivery, and provided assistance in other situations, like venereal diseases and abortion. The inclusion of physicians-obstetricians in this practice led not only to a scrutinizing of the female body, but also to the production of an anatomical and physiological knowledge of the female organism from a male standpoint.
AGRADECIMENTOS

Este artigo é resultado da pesquisa "História da parturição no Brasil, século XIX" , realizada com apoio do CNPq e do CPq/PRPq/UFMG em 1989. Na ocasião estendo meus agradecimentos aos alunos: Walther Esteves Lima (Medicina); Ulicéia Gonçalves Vilela (Medicina); Maria de Fátima Gomes (História) e Carlos A. Mitrand (História), pelas suas contribuições na realização da pesquisa como, também, a Míriam Monteiro de Castro (Medicina) na revisão do presente artigo. Ao professor Antônio Cândido de Melo Carvalho meu eterno agradecimento pela tradução ao inglês do resumo inicial. E à Mariana Aparecida de Lélis Adão por seu esforço e carinho em datilografar este trabalho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRIQUET, R. Obstetrícia normal. São Paulo, Ed. São Paulo, 1971.
COUTINHO, E.C. "Quais as circunstâncias que justificam a provocação do aborto" (...) "Como reconhecer em que circunstâncias houve o aborto?" Teses apresentadas à Faculdade de Medicina da Bahia em novembro de 1858.
DA SILVEIRA, N. Ensaio sobre a criminalidade da mulher no Brasil. Tese inaugural da Faculdade de Medicina da Bahia, 1926.
DUROCHER, M.M.J.M. Considerações sobre a clínica obstétrica. Rio de Janeiro, 1887. Ou mesmo Deve ou não haver parteiras? Rio de Janeiro, s.d. Considerações práticas sobre o centeio e a ergotina. Rio de Janeiro, s.d.
FONSECA, O.A.R. Em torno da medicina. Rio de Janeiro, 1933. GUIMARÃES, A. Breves considerações sobre o estudo e exercício da medicina no Brasil e em França. Doutor em medicina pelaFaculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Paris, 1863.
NUNES FILHO, R.J. Algumas considerações sobre o homem, especialmente suas relações entre o físico e o moral. Tese apresentada na Faculdade de Medicina da Bahia em 2 de novembro de 1846.
RENNOTTE, M. Influência da educação da mulher sobre a medicina social. Tese apresentada à Faculdade de Medicina e de Farmácia do Rio de Janeiro, 26.03.1895.
SALLES, P. História da medicina no Brasil. Belo Horizonte, Ed.G. Holman, 1971. p. 141-161.
SOUZA FILHO, J.A.
O ensino da clínica obstétrica na Universidade da Bahia. Salvador, Ed. da Universidade Federal da Bahia, 1967.
TOSI, L. A mulher e a ciência. Ciclo de Conferências proferidas na Faculdade de Medicina — UFMG, em junho/88.
FONTE: SCIELO.BR
Marcadores: história, parteira, parto em casa, politica
seus dentes na gravidez...
escrito por: Tricia Lima em Segunda-feira, Novembro 06, 2006 às 4:59 PM.
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da France Presse, em Washington
02/11/2006 - 10h00
Mulheres grávidas que se submetem a tratamento periodontal não-cirúrgico não aumentam o risco de parto prematuro, revelou um estudo publicado ontem.
A descoberta é resultado do maior estudo clínico realizado até agora sobre a hipótese de que o tratamento de doenças na gengiva durante a gravidez fosse mais eficaz.
Participaram do estudo 823 mulheres com doença periodontal entre a 13ª e a 17ª semanas de gravidez.
"O cuidado dentário durante a gravidez tem sido tratado com cautela", disse Larry Tabak, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Dentária e Crâniofacial. A entidade integra o Instituto Nacional de Saúde, que financiou o estudo.
"A descoberta de que o tratamento periodontal durante a gravidez não aumenta o risco de eventos adversos é uma boa notícia para as mulheres, especialmente para aquelas que querem fazer seu tratamento periodontal durante a gravidez", disse Tabak.
Os resultados do estudo serão publicados na edição desta semana do "New England Journal of Medicine".
FONTE:Folha Equilibrio
Cesárea por conveniência e a Ética médica
escrito por: Tricia Lima em Domingo, Novembro 05, 2006 às 6:30 PM.
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Quando a mulher expressa o desejo de ter um parto vaginal, a tendência é criar um motivo "médico" que seja aceitável.
Os altos índices de cesárea no Brasil há muito já apontam para uma preocupante prática obstétrica desviada, que vem ganhando cada vez mais destaque nos debates dos colegiados médicos. Durante o Curso Internacional sobre Ética, em que participaram destacados membros do Comitê de Ética da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), o professor S. Arulkumaran, Chefe do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do St. George Hospital Medical School, Universidade de Londres, terminou sua apresentação sobre "cesárea a pedido da paciente", pontuando o seguinte:
1. não há evidências sólidas sobre os benefícios da cesárea por razões não médicas, em comparação com o parto vaginal;
2. as evidências disponíveis sugerem que o parto normal é mais seguro para a mãe e o filho;
3. os médicos têm o dever profissional de nada fazer que possa causar danos às pacientes e de utilizar os recursos para assistência médica em procedimentos e terapias que demonstrem evidências claras de trazer benefícios para a saúde;
4. os médicos não estão obrigados a realizar uma intervenção (a pedido da paciente) que não ofereça vantagens para a saúde e não tenha nenhuma justificativa ética.
Durante o debate que se seguiu, vários dos participantes comentaram as dificuldades práticas que o médico brasileiro tem em atender partos normais. Foram mencionadas as dificuldades de o anestesista fazer um bloqueio peridural em uma paciente do SUS, para um parto vaginal, considerando a baixa remuneração e o risco de ser uma anestesia muito prolongada.
Com muita franqueza, alguns colocaram a falta de tempo para acompanhar um trabalho de parto, quando têm outros pacientes esperando no consultório. Outros relataram que as pacientes insistiam em fazer o parto com eles e preferiam antecipá-lo quando o médico anunciava que ficaria alguns dias de férias. O argumento de que as mulheres preferem e solicitam a cesárea também foi muito citado.
A justificativa de que as mulheres pressionam o médico para que aceite fazer cesárea ficou muito comprometida com os resultados de uma contundente e extensa pesquisa, publicada no British Medical Journal em novembro último.
Pesquisadores das universidades do Texas (EUA), da Unicamp, Federal de Minas Gerais, Federal do Rio Grande do Sul e Federal do Rio Grande do Norte estudaram 717 mulheres atendidas pelo SUS e 419 provenientes de consultórios particulares das cidades de Natal, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.
As mulheres foram entrevistadas duas vezes durante a gravidez (aos 4 e 8 meses de gestação) e em torno de 30 dias após o parto. Contrariando as justificativas, entre 70 e 80% das mulheres de ambos os grupos manifestaram intenção de ter parto vaginal nas duas entrevistas durante a gestação. A entrevista pós-natal indicou que 72% das pacientes particulares e 31% das atendidas pelo SUS tiveram parto cesárea, números que não podem justificar o desejo expresso das mulheres. Mais grave ainda, dois terços das cesáreas particulares e quase uma quarta parte do setor público foram com hora marcada.
Do ponto de vista ético, poderíamos questionar se as razões dadas pelos médicos justificam a realização de uma cesárea. O que se alega habitualmente é a falta de alternativas. Caso se considere essas argumentações aceitáveis, a única alternativa possivelmente ética seria discutir abertamente com a paciente e, se ela concordar, praticar a cesárea por razões não médicas. Se isso já é eticamente duvidoso, ou mesmo transgressão ética segundo a FIGO, muito mais problemático é o que parece acontecer na realidade.

A pesquisa revelou que as razões que os médicos apresentaram para realizar as cesáreas com hora marcada não são, na maioria, as mesmas mencionadas durante o debate. Um dos responsáveis pela análise dessas razões na pesquisa classificou-as em quatro grupos: indicações não-médicas, razões médicas que não justificam uma cesárea, razões com justificativa duvidosa e indicações médicas corretas. Ao comparar com os resultados, verificou-se que apenas 13% tinham real indicação, 18% entre pacientes SUS e 4% entre as particulares. Em apenas 29% dos casos a razão dada foi abertamente não-médica e coincidia com os motivos apresentados no debate realizado durante o Congresso. Em quase 60% dos casos a razão "médica" apresentada não justificava a conduta adotada ou era no mínimo duvidosa.
A incerteza aumenta ainda mais ao comparar as mulheres que expressaram desejo de ter parto cesáreo com as que queriam parto vaginal. A metade das que queriam cesárea receberam francamente uma justificativa não-médica para marcar a cesárea: férias do médico, conveniência de horário, etc. Apenas 17% das que queriam parto vaginal receberam uma explicação igualmente franca. Para quase dois terços do grupo que desejava parto vaginal, foi dada uma razão "médica" que não justificava a conduta ou que era, no mínimo, duvidosa. Tudo indica, portanto, que a conduta franca de informar a paciente das verdadeiras razões para marcar uma cesárea e permitir que ela decida, se dá apenas em torno de um terço dos casos sem indicação real de cesárea eletiva, e que isso é três vezes mais provável quando a paciente já expressou o desejo pessoal de ter parto cesáreo. Quando a mulher expressa o desejo de um parto vaginal, a tendência é criar um motivo médico que seja aceitável pela paciente e pela família, o que constitui gravíssima transgressão ética.
Cabe ressaltar alguns dos muitos preceitos do Código de Ética Médica (CEM), infringidos por tal prática desvirtuada. De acordo com o Código de Ética, é vedado ao médico:
Art. 29 - Praticar atos profissionais danosos ao paciente, que possam ser caracterizados como imperícia, imprudência ou negligência.
Art. 42 - Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação do País.
Art. 46 - Efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente perigo de vida.
Art. 48 - Exercer sua autoridade de maneira a limitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a sua pessoa ou seu bem-estar.
Art. 56 - Desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente perigo de vida.
Art. 57 - Deixar de utilizar todos os meios disponíveis de diagnósticos e tratamento a seu alcance em favor do paciente.
Art. 59 - Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta ao mesmo possa provocar-lhe dano, devendo, nesse caso, a comunicação ser feita ao seu responsável legal.
Art. 60 - Exagerar a gravidade do diagnóstico ou prognóstico, complicar a terapêutica, ou exceder-se no número de visitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos.
Art. 79 - Acobertar erro ou conduta antiética de médico.
Se o médico foi pressionado pelas circunstâncias a adotar esse tipo de conduta, sem perceber, no processo, que estava cometendo grave infração ética, é importante lembrar os colegas que tal desvio de conduta pode redundar em má prática da medicina, sujeita às penalidades das leis. Estamos certos de que uma vez que o médico entende e toma consciência do problema, modificará a conduta para ajustá-la aos imperativos da ética no exercício da profissão médica.
* Anibal Faúndes é obstetra, professor titular de Obstetrícia (aposentado) da Unicamp e Membro do Comitê de Ética da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo).
* Ignez Helena Oliva Perpétuo é médica sanitarista, doutora em demografia, professora adjunta do Departamento de Demografia e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais.
Publicado orinigalmente no site do CREMESP
CREMESP - Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo
Site: www.cremesp.org.br
Marcadores: cesárea, legislação, pesquisas, politica
Depressão pós-parto
escrito por: Tricia Lima em Sexta-feira, Novembro 03, 2006 às 4:58 PM.
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Sara procurou ajuda psicológica três semanas após o nascimento do seu primeiro bebé, que nasceu saudável e se desenvolve como qualquer outro recém-nascido naquela idade. “Não me sinto capaz de tratar do meu bebé. Ele chora muito e eu nem sempre consigo consolá--lo. Não sei se tem fome ou frio. Eu acho que... não sei ser boa mãe. Dou comigo a chorar, agarrada a ele e sinto-me confusa: deveria sentir-me feliz por ser mãe de um bebé tão bonito, mas sinto-me perdida, cansada, triste, culpabilizada, com medo de o perder se tomar uma decisão errada, se o deixar cair... se a forma como o amamento não é a melhor, se ele não adquire mais peso, se adoecer... Sinto-me um desastre enquanto mãe. Não estava preparada para isto. Sinto-me mal quando estou sozinha com ele e pior ainda quando toda a gente me dá conselhos como devo tratar dele. Sinto-me desesperada, não durmo, não me apetece cuidar de mim, sou uma inútil... Vim até aqui porque o pediatra me aconselhou. Ele diz que o bebé está bem, eu é que não estou. Por favor, ajude-me.”Sara é uma entre oito mulheres que em cada cem puérperas, sofre de depressão pós-parto. Convém lembrar que atitudes, expectativas, sentimentos e emoções medeiam Gravidez e Maternidade. Estes dois conceitos são habitualmente confundidos por muitos e tomados como sinónimos quando, de facto, são em si duas realidades e vivências bem distintas, tecidas que são em imaginários diferentes.
A Gravidez refere-se ao período de aproximadamente 40 semanas que vai da concepção ao parto. A mulher experimenta alterações físicas espectaculares e visíveis que acarretam vivências psicológicas particulares. Tudo se passa “dentro” da própria mulher. Daí que a gravidez se constitua como um momento particular de retorno a si própria, de algum narcisismo saudável, de um investimento maciço no próprio corpo, na sua imagem, no que ele contém: Vida. A gravidez é também, consciente ou inconscientemente, vivida pela mulher como uma confirmação da sua identidade sexual como mulher.
A Maternidade, entretanto, assume-se como um projecto de longo prazo (no mínimo 18 anos) que envolve a prestação de cuidados e a dádiva de amor, de valores que possibilitem um desenvolvimento sadio e harmonioso à criança recém-nascida. Requer iniciativas, actuações, disponibilidade, responsabilizações, abnegação. Requer que, mais do que se desejar ter um filho, se deseje ser mãe.
Ora, o desejo de se ter um filho e o desejo de se ser mãe, nem sempre são coincidentes. O período crítico de stresse físico e psicológico não termina com o parto – acontecimento que transforma a gravidez em maternidade. O puerpério é período de emoções intensas e variadas que implicam novas transformações fisiológicas, da relação, ritmo e rotina familiar, nem sempre antecipadamente previstas. Se a leitora foi recentemente mãe e se sente vulnerável psicologicamente neste período, deixe-nos ajudá-la a compreender que esta vulnerabilidade é uma vivência muito mais comum do que pode supor.
O que são Baby Blues?¹
Desejou tanto este momento feliz da sua vida, o nascimento do seu bebé, todos os amigos e familiares a cercam de atenções e conselhos, o seu sonho de começar a construir a sua própria família é agora uma realidade – então porque é que se sente tão infeliz?
Não se sinta alarmada. Está a sofrer de uma forma comum de depressão pós-parto que começa geralmente a manifestar-se por volta do terceiro dia após o parto e pode permanecer durante 10 a 14 dias. Os sintomas mais frequentes são chorar sem razão, irritabilidade e o sentir-se “em baixo”. Estes sintomas poderão ter pouco a ver com a personalidade da mulher. Pode tratar-se de alguém que noutra situação de stresse emocional, não se deprima com facilidade. Estudos apontam para que a causa mais frequente para os baby blues seja a descida abrupta dos elevados níveis de progesterona que ocorre no corpo da mulher após o parto, níveis estes pouco detectáveis no sangue nesta altura. Esta alteração drástica pode produzir um impacto tremendo nas emoções da puérpera. Aproximadamente 50 a 80% das mulheres, quer seja no primeiro ou no décimo parto, podem experienciar “baby blues”. Para além dos sintomas referidos, 10 a 15% das mulheres com este síndroma podem desenvolver um nível depressivo mais intenso caracterizado por alguns destes sintomas:
- Sentimentos de inadequação / incapacidade;
- Dificuldade em tomar decisões;
- Medo de ficar só;
- Sentimentos de rejeição em relação ao bebé;
- Desejo de deixar a família;
- Ataques de pânico;
- Medo e ansiedade;
- Sentimentos de falta de controlo;
- Falta de interesse por actividades anteriormente apreciadas;
- Pesadelos, etc.;
Se tem este tipo de vivências, é importante para si sentir-se apoiada agora por aqueles que a rodeiam, especialmente pelo seu cônjuge. Necessita de ser tão acarinhada como o seu bebé. Lembre-se que, na maior parte dos casos, este tipo de alteração do humor passará por si próprio. Procure descansar e alimentar-se regularmente para evitar hipoglicémia e permitir aumentar a sua resistência às novas solicitações. Alguns destes sintomas, sentidos de uma forma não persistente, são modos de adaptação à maternidade. Se eles persistirem, indicam que necessita de tratamento e acompanhamento psicológico.
O que é a Depressão Pós-parto?
A Depressão Pós-Parto (DPP) pode ter lugar alguns dias ou mesmo meses após o nascimento. Tal como os baby blues, pode aparecer após o nascimento de um primeiro filho ou depois dos partos subsequentes. Estudos recentes apontam para que uma mulher geralmente com sintomas depressivos terá mais hipóteses de ter DPP. Os sintomas da DPP são similares aos vivenciados durante os baby blues – tristeza, desespero, ansiedade, irritabilidade, sentimentos de incapacidade, insónias, etc. – mas a mulher sente-os de uma forma mais agressiva e prolongada. A DPP pode muitas vezes impedir uma mulher de realizar as actividades do dia-a-dia e de cuidar do bebé de uma forma adequada. Quando as capacidades para lidar com as tarefas quotidianas estão afectadas, pode dizer-se que é um sinal de que a mulher necessita de aconselhamento psicológico e medicamentoso para aumentar o seu bem-estar. Se uma mulher nestas condições não se tratar, os sintomas agudizam--se e podem persistir para além de um ano.
Para além dos sintomas descritos, podem acrescentar-se outros:
- Astenia, cansaço e irritabilidade;
- Dores de cabeça, dores no peito, palpitações cardíacas;
- Perda ou aumento da vontade de comer com consequente emagrecimento ou ganho excessivo de peso;
- Desinteresse sexual;
- Labilidade emocional (variações bruscas de humor);
- Preocupação excessiva ou total desinteresse pelo bebé;
- Sentir-se desvalorizada ou culpada;
- Medo de se magoar ou de magoar o bebé.
S&L
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a DEPRESSÃO PÓS-PARTO tem cura! Saiba como!
É imprescindível saber que a DPP é tratável e tem cura. O tipo de tratamento depende da severidade dos sintomas, podendo-se tratar com antidepresssivos e psicoterapia.
Que fazer em caso de Depressão Pós-Parto?
O principal é saber que se tem DPP, há cuidados que tem de ter consigo para melhorar o seu bem-estar:
- Tente descansar enquanto o bebé dorme;
- Pare de exigir demasiado de si própria. Faça o que pode e deixe o que é secundário;
- Fale com o seu marido, amigos e família sobre aquilo que sente;
- Não fique muito tempo sozinha. Vista-se e saia de casa. Dê pequenos passeios com o bebé ou sozinha, depois de deixar o bebé aos cuidados de alguém;
- Passe tempo de qualidade a sós com o seu cônjuge;
- Peça ajuda ao seu médico e não tenha vergonha de lhe contar o que sente. Ele encaminhá-la-á para um especialista habilitado a lidar com a sua situação;
- Converse com outras mulheres que já passaram pelas vivências do pós-parto e aprenda com as suas experiências.
Em Portugal pouco se conhece sobre associações ou grupos de interajuda de mulheres que vivenciam DPP. Se se sentir com coragem, crie um grupo de interajuda. O efeito será multiplicador.
O que é a Psicose Pós-Parto?
Abordá-la-emos de uma forma mais breve, também, porque felizmente é a forma menos frequente, embora a mais grave, de adoecer psicologicamente após o parto. Esta doença pode manifestar-se imediatamente, com mais frequência nos 3 primeiros meses do pós--parto. A mulher pode perder o contacto com a realidade, ter alucinações auditivas (ouvir vozes, obedecer-lhes, etc.) e visuais (ver as coisas de uma forma diferente das outras pessoas e até coisas que não existem). Podem-se juntar outros sintomas como ideias delirantes, agitação, cólera, pensamentos e comportamentos bizarros. Se a mulher tem psicose pós-parto necessita de tratamento médico imediato, mesmo que a própria negue esta necessidade, podendo precisar de internamento, pelos riscos que esta doença acarreta para si, para o bebé e para os outros.
Por vezes ouvimos notícias que nos chocam de mães que maltratam o bebé e outros filhos até à morte e que por fim se suicidam. Esta desordem psicológica que reflecte uma personalidade pré-mórbida, já doente antes do parto, e a falta de um ambiente familiar “contentor” de emoções podem estar na origem destas tragédias humanas.
É ao longo da gravidez que a mulher deve fazer a individualização do seu bebé para que no momento da diferenciação do parto, a separação física e emocional se integrem e o nascimento não seja sentido como perda de parte de si e o filho considerado uma projecção ou prolongamento de si mesma. A gravidez e o puerpério determinam uma vulnerabilidade psicológica na mulher que experimenta nestes períodos uma crise de maturação normal e organizativa através de modificações psicológicas que lhe são próprias. A mulher vai ter de “fazer o luto” do bebé imaginário (que trouxe no seu ventre ) para se relacionar com o bebé real. Ser mãe na espécie humana não é a tradução de um instinto, mas um processo de aprendizagem. Existe uma evidência considerável de que o ajustamento psicológico e afectivo da mulher esteja fortemente associado à DPP. Tal situação depende em grande medida da carência de apoio social, especialmente dos familiares mais próximos. A percepção que a mulher tem do seu relacionamento marital, avaliado no seu grau de satisfação em termos de proximidade do relacionamento e do apoio do cônjuge, está relacionada com a sintomatologia depressiva durante a gravidez e após o parto.
Mulheres que sentem níveis elevados de stresse durante a gestação e após o parto e/ou que carecem de um cônjuge confidente e disposto a auxiliar nas tarefas familiares e cuidados com o bebé, parecem estar particularmente vulneráveis ao desenvolvimento da depressão pós-parto.
Não exija demasiado da sua nova função e tire o máximo partido desta experiência irrepetível, tendo consciência dos seus próprios limites e, por favor, não sinta vergonha: peça ajuda!
S&L
Bibliografia
Cox, W. (1997) Coping with Post-Partum Depression – Women Face Emotional Abyss After Birth http://www.wellmother.com/articles/copingppd.htm
Cruz, M.M.(1990) Encantos e Desencantos da Maternidade, Análise Psicológica 4(VIII):367-370.
DSM – IV – TR – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – American Psychiatric Association, 4ª ed. Climepsi Ed., 2002.
Nightingale, L.V. (1998) What Are The “Baby Blues”;
http://www.nightgalerose.com/free/baby.htm
O’Hara, M.W.(1987) Postpartum Blues, Depression and Psychosis: a Review. Journal of Psychosomatic, Obstetrics & Gynecology, 7:205-227.
Post Partum Depression;
http://www.4woman.gov/faq/postpartum.htm
Tavares, L. (1990) Depressão e Relacionamento Conjugal Durante a Gravidez e o Pós-Parto, Análise Psicológica, 4(VIII):389-398.
Your Emotion Well-Being: Understanding The Blues
http://www.duke.edu/~bkc/thml/webdoc7.htm
Lília Tavares - Psicóloga Clínica
* Exerce a sua actividade profissional numa entidade de reabilitação no concelho de Sintra.
Marcadores: pós-parto
Pra quem ainda não conhece ai vão os links:
Parto com Cuidado
Saúde Bebê
vale a pena dar uma passada lá... nem que seja só pra checar a feição dos famosos médicos humanizados que, cá pra nós, dá um bom caldo... rs.
Posso ter um parto em casa?
Seis mitos sobre parto e seus riscos
Tradução: Tricia Cavalcante L. Pacheco
Tradução e Revisão: Carla Beatriz Piuma Maise
Autor: David Stewart, Ph.D., Executive Director, National Association of Parents and Professionals for Safe Alternatives in Childbirth (NAPSAC) International
Este artigo pode mudar sua vida. Estas podem ser as mais importantes páginas que você já leu até hoje sobre parto e que irão orientá-lo a escolher a alternativa mais segura para você e seu filho.
Grande parte da obstetrícia praticada nos hospitais americanos hoje em dia é baseada em mitos e não em dados científicos. O que você ainda não sabe é que a Medicina moderna pode trazer danos a sua saúde e a do seu bebê, talvez até permanentemente. Os autores desta pequena e excelente publicação pesquisaram todas as informações citadas aqui. Você pode confiar no que foi escrito, tudo é cientificamente comprovado em pesquisas sérias sobre evidências práticas.
As escolhas que você faz hoje sobre o tipo de parto que vai dar a luz o seu bebê – parto hospitalar ou domiciliar, médico ou parteira, parto natural ou medicalizado – terão um impacto considerável na vida do seu filho e na sua também, seja para melhor ou pior. A escolha é SUA.
Eu posso ter meu filho em casa?
Hoje, nos EUA, no final do século XX, os avanços na Ciência e Tecnologia contribuíram para a melhoria na sua qualidade de vida. Hoje em dia, mais e mais mulheres, de diferentes estilos de vida, estão optando por ter seus bebês da maneira antiga — em casa. Por quê?
Na verdade, apesar de todos os benefícios que a Tecnologia e as descobertas cientificas nos proporcionam, a Medicina ainda não conseguiu criar uma máquina melhor que o corpo humano, para o parto e nascimento de uma criança. Ainda que nossos corpos não funcionem da maneira que deveriam, nós somos mais privilegiados que nossos ancestrais por dispor da Medicina moderna, que pode salvar vidas.
Então porque as famílias estão optando por dar à luz em casa? Apesar de alguns casais terem suas razões pessoais, a maioria planeja parto domiciliar porque acreditam que, geralmente, a gestação e o parto são fenômenos fisiológicos normais que fazem parte da vida da mulher, e que é uma função de um corpo saudável — não um estado de vida ou morte que requer supervisão médica de um cirurgião para acontecer bem.
A Ciência não foi capaz de aprimorar o corpo humano nas funções em que este foi criado para exercer.
Em outros 20 paises, mais bebês sobrevivem no primeiro mês de vida, do que nos EUA.
O parto tem os seus riscos. No entanto, em apenas uma pequena porcentagem de casos, as habilidades de um obstetra/ginecologista e o uso de equipamentos modernos como o ultra-som e os monitores fetais são realmente necessários para a mãe e o bebê sobreviverem sem danos a longo prazo.
A taxa de mortalidade neonatal nos EUA em 1989 atingia um pouco mais que 10 por 1.000 nascidos vivos[1]. Os EUA têm os equipamentos mais sofisticados e modernos e o sistema de saúde mais caro no mundo. No entanto, em vinte outros países — alguns dispondo de menos tecnologia que eles têm nos laboratórios e hospitais — mais bebês sobrevivem em seu primeiro mês de vida, do que os bebês americanos.
Porque esses outros países têm obtido resultados melhores?
Com menos hospitais bem equipados e obstetras disponíveis, alguns desses paises — como Holanda, Suécia e Dinamarca — usam parteiras como os responsáveis pelo atendimento de rotina das mulheres durante a gestação e o parto. [2]
A OMS — Organização Mundial de Saúde — diz que os EUA deveriam investir no sistema de atendimento pré-natal com enfermeiras obstétricas (parteiras).
Considerando o risco potencial do uso rotineiro da tecnologia, a OMS tem pedido repetidamente às autoridades médicas dos EUA para investirem no sistema de atendimento materno-infantil com enfermeiras-obstetras como a única forma de diminuir as altas taxas de mortalidade. [3]
Parteiras, na verdade, atendem partos no mundo inteiro. Médicos, apesar de terem um treinamento avançado e serem especializados em cirurgias, não provaram ser melhores que parteiras no atendimento ao parto normal, além disso nenhuma pesquisa realizada comprovou que hospitais são os locais mais seguros para se dar à luz.
Na verdade, estudo após estudo vem demonstrando que, para a maioria das gestantes dos EUA, o sistema de atendimento pré-natal e ao parto feito por parteira é altamente aconselhável. Nas próximas páginas, você saberá por quê.
Referências:
1. National Committee to Prevent Infant Mortality, HOMEBIRTH No. 8, Sept/Oct 1990, p. 5.
2. The Five Standards of Safe Childbearing, 1981, Stewart, p. 114.
3. Mothering, Jan/Feb, 1990.
Estudos indicam que partos domiciliares são seguros.
Mito nº1 — Parto hospitalar é estatisticamente mais seguro que parto em casa.
A segurança, em se tratando de parto, é medida por quantas mães e bebês morreram e quantos sobreviveram, pelo menos com um pouco de saúde.
Estudos realizados comparando partos hospitalares e não-hospitalares indicaram que poucas mortes, ferimentos e infecções ocorreram em partos domiciliares atendidos por parteiras. Nenhum estudo comprova que hospitais são mais seguros do que parto em casa.
Foi constatado que, o risco de problemas respiratórios em bebês recém-nascidos é 17 vezes mais alto nos partos hospitalares do que nos partos em casa.
Os EUA têm a maior taxa de intervenção obstétricas durante o trabalho de parto, assim como têm enfrentado sérios problemas com o crescimento de erros médicos.
Enquanto a taxa de mortalidade neonatal e materna tem diminuído drasticamente desde a virada do século, fatores como nutrição e higiene têm influenciado bastante nesse resultado.
No geral, a mortalidade infantil tem crescido desde os anos 30, mesmo assim, os partos domiciliares demonstraram ser mais seguros. Em 1939, Baylor Hospital Charity Service em Dallas, Texas, publicou um estudo que revelou uma taxa de mortalidade neonatal de 26.6 por 1.000 nascidos vivos em casa comparando com a taxa de mortalidade no hospital, que chegou a 50.4 por 1.000.[1]
Desde meados dos anos 1970, pesquisas realizadas no nordeste da Califórnia, Arizona, England e no Tennessee apontaram para a maior segurança dos partos em [2] O único estudo populacional randomizado, que comparou 1,046 partos domiciliares contra 1,046 partos no hospital, foi publicado em 1977 por Dr. Lewis Mehl, médico de família e estatistico. [3]
Enquanto as taxas de mortalidade neonatal e materna são estatisticamente as mesmas em ambos os grupos, segundo a pesquisa, a taxa de problemas de saúde foi maior no grupo hospitalar: 3.7 vezes mais bebês que nasceram no hospital necessitaram de ressucitação. Foi constatado ainda que as taxas de infecção nos recém-nascidos foram 4 vezes maiores no grupo do parto hospitalar, e a incidência de problemas respiratórios nos bebês nascidos no hospital foi 17 vezes maior do que os bebês que nasceram em casa.
Uma outra pesquisa realizada ao longo de seis anos, pelo Texas Department of Health, de 1983 a 1989, revelou que a taxa de mortalidade infantil nos partos assistidos por parteiras não certificadas, em casa, foi de 1.9 a cada 1.000 comparada com a taxa dos partos realizados por médicos de 5.7 a cada 1.000.[4] A taxa nos partos assistidos por parteiras treinadas e certificadas foi de 1 a cada 1,000 e por outros tipos de assistentes foi de 10.2 mortes por 1,000 nascidos vivos.[5]
Um estudo envolvendo 3.257 partos fora do ambiente hospitalar, no estado do Arizona assistidos por parteiras licenciadas entre 1978 a 1985 mostrou que a mortalidade materna atingiu 2.2 a cada 1,000 e a mortalidade neonatal atingiu 1.1 a cada 1,000 nascidos vivos.
Em depoimento na reunião da Comissão Americana de Prevenção à Mortalidade Infantil, Marsden Wagner, Enfermeiro Parteiro e Diretor da Organização Européia de Saúde Mundial, sugeriu a necessidade dos EUA, de uma formação acadêmica de enfermeiras obstétricas como forma de contrabalancear a quantidade de médicos obstetras, fomentando assim a prevenção ao excesso de intervenções no processo normal de nascimento. [6]
Wagner afirma ainda que na Europa, as parteiras são bem mais numerosas que os obstetras: "Em nenhum país europeu os médicos realizam atendimento primário às gestantes de baixo risco, nem durante a gestação, nem no parto". Ele alega que os EUA têm o mais alto índice de intervenções obstétricas, no entanto também tem enfrentado sérios problemas com a grande quantidade de erros médicos, e aconselha dizendo que um serviço bem estruturado e organizado de atendimento à gestante feito por parteiras nos EUA poderia reverter esta situação.
Referências:
1. The Five Standards of Safe Childbearing, 1981, Stewart, p. 241.
2. Ibid, p. 115-116, 127, 243-246.
3. Ibid, p. 247-253.
4. Texas Lay Midwifery Program, Six Year Report, 1983-1989, Bernstein & Bryant, Appendix VIIIf, Texas Department of Health, 1100 West 49th St., Austin, TX 78756-3199.
5. Labor Pains: Modern Midwives and Homebirth, Sullivan & Weitz, 1988.
6. Mothering, Jan/Feb, 1990.
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Parteiras são profissionais capacitadas
Mito nº2 — Você tem mais atenção dos profissionais nos hospitais do que em casa.
No hospital, os obstetras geralmente não sentam ao lado da parturiente em trabalho de parto, mas se apóiam em máquinas e nos outros para obter informações e então aparecem no ultimo momento, na sala de parto. A maioria dos médicos não tem uma relação próxima com cada gestante e não as incentivam a ter um parto natural.
As enfermeiras da sala de parto dão um apoio muito maior à mulher durante todo o trabalho de parto. A rotina hospitalar, no entanto, envolve uma certa burocracia, mudança de profissionais, plantões de acordo com horários, e uma flutuação de quantas mulheres cada enfermeira deve ficar responsável. E enfermeiras não têm autoridade para evitar que um médico impaciente tente acelerar o trabalho de parto normal.
Nas últimas décadas, as mulheres têm reclamado do ambiente frio e clinico dos hospitais onde dão à luz, assim muitas instituições têm se rendido a essa pressão da sociedade para modificar esses ambientes esterilizados para um ambiente mais parecido com um lar. [1] Muitos estão permitindo que os acompanhantes entrem nas salas de parto, e alguns até incentivam a participação da doula no parto. Mas, para muitas mulheres, o ato fisiológico de dar à luz não combina com esse ambiente clinico e hospitalar, por mais que tudo corra bem.
Os partos domiciliares planejados, assistidos por um profissional experiente, têm gerado ótimos resultados.
Enquanto estatísticas indicam que partos não-planejados ou sem assistência em casa têm causado resultados piores do que os partos hospitalares, os partos domiciliares planejados e assistidos por um profissional experiente, têm gerado ótimos resultados. [2]
Existe uma variedade enorme de profissionais, à sua escolha, que atendem partos domiciliares — médicos obstetras, enfermeiras obstétricas, parteiras certificadas ou não. Um pequeno número de médicos, alguns membros do American College of Home Obstetrics, atendem partos domiciliares ou nas clínicas. Muitas maternidades nos EUA são administradas por médicos dessa especialidade.
Parteiras especializadas são enfermeiras formadas que deram continuidade à sua formação especializando-se em obstetrícia. A maioria desses profissionais trabalha sob supervisão médica e com o apoio de um hospital, mas poucos têm experiência em parto domiciliar.
Esta profissão é baseada em um conjunto de procedimentos aplicados por um profissional capacitado à mulher e ao bebê durante o primeiro ano de vida, e, em muitos outros paises, parteiras são responsáveis pelo acompanhamento pré-natal e do parto, e esse sistema tem gerado taxas de mortalidade infantil bem menores que as dos EUA. Parteiras são treinadas para observar algum sinal de problema durante a gestação e o parto, e se for necessário, elas chamam um médico obstetra.
Parteiras são responsáveis pelo atendimento primário no pré-natal e no parto
em países com taxa de mortalidade neonatal bem menor que a dos EUA.
Consultas pré-natal com parteiras costumam ser agradáveis, relaxantes e amigáveis
e duram, em média, de trinta minutos a uma hora.
O número de parteiras inscritas nos cursos de formação em obstetrícia tem nos últimos vinte anos, assim como a demanda por este serviço. A maioria das parteiras ainda não formadas tem terminado o curso de capacitação, e vêm sendo treinadas, na prática, com outras parteiras experientes. Esta prática é legalmente permitida apenas em doze estados americanos, e, em alguns desses, é pedida uma licença para exercer o trabalho. Nos estados americanos onde a profissão ainda é ilegal, o trabalho é enquadrado como “prática de Medicina sem diploma”.crescido muito
A prática da profissão de parteira é livre em vinte estados americanos, sendo feita sob regulamentação estatutária ou em estados americanos que ainda não possuem legislação específica. [Ed. — Information about the current midwifery legal situation in individual states or Citizens for Midwifery Grassroots Network.]
Consultas de pré-natal com um médico obstetra em um hospital público ou no consultório geralmente pedem muito tempo de espera por uma consulta rápida. Comparando com as visitas das parteiras, que geralmente são bem relaxadas, mais longas, amigáveis e pode durar até 30 min ou 1 hora. Enfermeiras obstetras normalmente usam este tempo para orientar os benefícios de uma boa alimentação, da prática de atividades físicas, e em como você pode ir se preparando para o parto.
Apesar da formação das enfermeiras obstetras variar um pouco, muitas coletam alguma amostra para laboratório, caso necessário, escutam o coração do bebê, para avaliar se há sinal de sofrimento fetal durante o trabalho de parto, carregam consigo uma bomba de oxigênio portátil, e são treinadas em ressucitação cardio-pulmonar.
Referências:
1. A Good Birth, A Safe Birth, 1990, Korte & Scaer, p. 8-21.
2. Ibid, p. 64-68.
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A Tecnologia pode complicar um parto normal
Mito nº 3 — De quanta mais tecnologia você dispõe, mais fácil será o parto.
Apesar de a Tecnologia salvar vidas quando necessário, o uso rotineiro dela pode interferir no processo normal do parto e nascimento.
Cada intervenção médica em um trabalho de parto normal tem seus efeitos colaterais.
O modelo de parto hospitalar dos EUA tem a maior taxa de intervenções médicas
como também, uma grande quantidade de processos por erros médicos.
É comum nos hospitais o uso de soro e monitoramento eletrônico do feto para assegurar que a mãe permaneça hidratada e que as contrações e os batimentos cardíacos do bebê sejam gravados. No entanto, muitas mulheres não gostam de permanecer confinadas numa cama, com agulhas em seus braços e cintos presos à barriga.
Mulheres que são orientadas a permanecer ativas e livres durante o trabalho de parto, reclamam menos de dor nos quadris, e muitos especialistas em parto defendem a tese de que os movimentos e caminhadas durante esse período tornam as contrações mais eficazes.
Alguns hospitais ainda requerem que as mulheres permaneçam deitadas em decúbito dorsal, e que mantenham suas pernas levantadas nos estribos. Como essa posição coloca trabalho do útero contra a gravidade, e faz com que cada contração seja menos eficiente, algumas vezes é necessário se usar o fórceps de alivio para puxar o bebê pela vagina. Evidências cientificas mostram que o fórceps é raramente utilizado quando a mulher tem liberdade de assumir posições mais confortáveis durante o período expulsivo.
Obstetras freqüentemente rompem a bolsa das águas com um instrumento como forma de acelerar o processo do parto. Este procedimento automaticamente dá ao parto um tempo limite, já que a possibilidade de infecção hospitalar aumenta com cada hora que passa, após a bolsa ter sido rompida.
Uma vez que a bolsa que protege o bebê é eliminada, o cinto de monitoramento, usado para acompanhar as variações nos batimentos cardíacos do bebê, pode dar lugar ao monitoramento eletrônico fetal (ou eletrodo de escalpo) — uma ponta de eletrodo minúscula é presa ao couro cabeludo do bebê para continuar monitorando o coração e para coletar a informação sobre o sangue do bebê.
Cada uma dessas intervenções usadas em um trabalho de parto normal envolve um grau de risco, e ainda não foi comprovado que o uso desses procedimentos proporciona mais vantagens, elimina complicações ou torna o bebê mais sadio.
Um estudo recente publicado em um jornal médico prova que o uso rotineiro de monitoramento eletrônico fetal, comparado com o antigo modo de ouvir o coração do bebê após as contrações com fetoscópio, pode causar mais problemas de saúde do que prevenir [1]. Em oito experimentos clínicos randomizados, a mortalidade materna e neonatal não foi reduzida com o uso do monitoramento eletrônico fetal. E talvez, por causa do monitoramento eletrônico, cesáreas desnecessárias foram realizadas, além disso o resultado dos partos monitorados com fetoscópio foram bem melhores e mais positivos. [2]
Atualmente, pelo menos 25% das mulheres tem filho através de cirurgia. Compare esse dado com a taxa de 10% de cesárea em outros paises cuja mortalidade neonatal e materna é bem menor [3] . Esses números indicam que nós não estamos conseguindo bons resultados praticando mais cesáreas.
Há várias décadas atrás, em um esforço para diminuir a dor do parto, médicos ofereciam rotineiramente drogas anestésicas às suas parturientes. Ao longo dos anos, o uso discriminado de muitos desses medicamentos, serviram de subsídios a estudos que revelaram que a droga usada como anestesia durante o trabalho de parto à mãe causa efeitos colaterais no bebê, incluindo asfixia, hipoxia, e danos ao cérebro e ao sistema nervoso [4].
As drogas ainda estão disponíveis para eliminar a dor do parto nos hospitais, apesar de que ainda não foi comprovado que essas drogas usadas como anestesia são realmente seguras para o bebê. [5]
Mulheres que utilizaram drogas anestésicas no trabalho de parto relataram diminuição no sentimento da relação mãe-filho e aumentaram a duração e a severidade da depressão pós-parto. [6]
O hormônio artificial ocitocina, uma droga ministrada para intensificar o trabalho de parto e aumentar as contrações uterinas após o parto também tem efeitos colaterais potenciais, incluindo casos raros de ruptura uterina e um leve aumento na icterícia do recém-nascido. [7]
Interferir no andamento natural do parto com uso indiscriminado de Tecnologia pode causar mais males do que benefícios.
Referências:
1. New England Journal of Medicine, March 1, 1990.
2. The Cutting Edge, Feb. 1990, p. 4, P.O. Box 1568, Clayton, GA 30525.
3. Birth Without Surgery, Carl Jones, 1987, p. xii.
4. The Five Standards of Safe Childbirth, 1981, Stewart, p. 185.
5. Ibid, p. 175
6. A Good Birth, A Safe Birth, 1990, Korte & Scaer, p. 18, 201-209.
7. The Five Standards of Safe Childbirth, 1981, Stewart, p. 300.
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Germes normais domésticos não afetam a mãe ou o bebê
Mito Nº. 4 – O hospital é um lugar mais salutar para ter um bebê do que em casa.
A febre puerperal matou milhares de mulheres no século 19. Na época, os médicos, que também cuidavam dos doentes e moribundos, começaram a atender os partos nas clínicas. Como os hospitais se tornaram lugares para nascimentos e mortes, as infecções se tornaram uma praga para as gestantes e outros pacientes dos hospitais.
Cerca de 100 anos atrás, na Áustria, um médico chamado Ignaz Semmelweis tentou diminuir o número de mortes maternas por infecções, que eram altas, na taxa de 40% entre as mulheres que tinham seus bebês na maternidade do hospital de Viena. [1] Semmelweis descobriu que, simplesmente ao lavar as mãos entre a realização de autópsias e o atendimento a partos, a taxa de infecções causada por médicos diminuía drasticamente. Semmelweis foi ridicularizado pelos seus colegas e não foi senão até cinco anos após sua morte, que seus descobrimentos começaram a receber aceitação. Com o advento da técnica asséptica no final do século XIX e o desenvolvimento de antibióticos na década de 1940, uma gradual melhora foi vista. [Ed. Assim como bactérias resistentes têm se desenvolvido de maneira que estas não são afetadas pelos antibióticos, pode se esperar que essa tendência seja revertida, e podemos esperar ver um crescimento nas mortes por infecções adquiridas em hospitais.].
Na década de 30, estudos na cidade de New York e em Memphis, Tennessee, mostraram que menos mulheres morreram por infecções e hemorragias nos partos domiciliares do que as que morreram pelas mesmas complicações nos hospitais. [2]
Os procedimentos de controle de infecção altamente modernos e caros
não conseguem eliminar a causa das infecções nos hospitais.
Hoje em dia, os rigorosos e caros procedimentos de controle de infecção ainda não eliminaram as infecções nosocomiais, ou hospitalares, causadas por organismos comuns e perigosos, como certos grupos de estafilococos.
De acordo com uma reportagem no Wall Street Journal, a agência de regulação hospitalar dos EUA, A Comissão da Junta de Autorizações em Organizações de Cuidados com a Saúde (The Joint Commission on Accreditation of Health Care Organizations), está falhando ao obrigar padrões de controle de infecções, comprometendo a saúde dos pacientes de hospitais: “A Comissão da Junta está permitindo perigos à saúde e à segurança por deixarem hospitais sem inspeções por semanas, meses e mesmo por anos. Dessa maneira, com uma inspeção mal feita faz com que hospitais irresponsáveis tenham pouco temor à Comissão, já que as punições, nos anos mais recentes, quase inexistiram”. [3]
Cada família se habitua aos seus próprios germes domésticos e desenvolve uma resistência a eles. Uma vez que menos pessoas estranhas costumam estar presentes no momento do parto domiciliar do que num parto hospitalar, as chances de adquirir germes estranhos são menos comuns em uma situação de parto domiciliar.
Todo o esforço é feito para prover um ambiente limpo nos partos domiciliares. As parteiras e os obstetras que atendem os partos domiciliares usam luvas estéreis, assim como instrumentos esterilizados para cortar o cordão umbilical.
Estudos a respeito de pesquisas sobre partos domiciliares indicam taxas muito menores de infecções na mãe e no bebê do que as taxas comuns dos hospitais. Em um estudo de 10 anos (1970-1980) de 1.200 nascimentos na Fazenda (The Farm, uma comunidade Hippie americana) em Summertown, Tennessee, EUA, 39 mães sofreram de infecções pós-parto, e apenas um bebê desenvolveu septicemia. [4]
Ao chamar a maternidade de um hospital de “berço de germes”, o Dr. Marsden Wagner, Diretor Europeu da Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou os médicos em uma conferência médica internacional em Jerusalém, no outono de 1989, que partos hospitalares põem em perigo mães e bebês primariamente, por causa dos procedimentos impessoais e o abuso de drogas e Tecnologia. [5]
Referências:
1. The Birth Gazette, Fall, 1987, review of The Cry and The Covenant, p. 32-33.
2. The Five Standards of Safe Childbearing, 1981, Stewart, p. 240-241.
3. The Wall Street Journal, Oct. 12, 1988.
4. The Five Standards of Safe Childbearing, 1981, Stewart, p. 127.
5. Mothering, Out/Nov/Dez, 1989.

Não há lugar melhor do que o lar para o nascimento de uma criança
Mito nº. 5 – Um hospital é o lugar mais confortável para ter um bebê
As salas de parto e suas mobílias agradáveis são um esforço para eliminar um dos estresses e desconfortos que vêm de estar no ambiente estranho de um hospital.
Estudos mostram que o trabalho de parto pode ser comprometido por um ambiente não familiar. Desconforto e medo podem, na verdade, aumentar a dor experimentada durante o parto, enquanto que relaxamento pode diminuir o stress materno, aumentando o fluxo de oxigênio para o bebê e facilitando o trabalho de parto.
Em sua própria casa, uma mulher em trabalho de parto tem a vantagem do ambiente familiar. Ela pode se mover com liberdade, usar a roupa que desejar, tomar sucos ou chás estimulantes, continuar a cuidar de seus outros filhos, se ela estiver em condições para tal, relaxar numa banheira de água morna, ter seus pés massageados por amigos queridos e tentar diferentes posições para o parto. Um trabalho de parto normal é um estresse saudável para o bebê, limpando seus pulmões dos fluídos e preparando-o para sua primeira respiração fora do útero.
Após o parto, o bebê nunca é tirado de perto da mãe. A família inteira pode subir numa cama limpa para o muito necessário abraço e soneca. O vínculo emocional que toma lugar nos momentos após o parto entre a mãe e o bebê e entre o bebê e o resto da família promovem um melhor ser humano, encorajam a amamentação e a rápida recuperação da mãe.

Profissionais capacitados que atendem partos domiciliares existem, e estão disponíveis.
Mito nº 6 — É impossível achar um profissional qualificado para assistir meu parto em casa.
Enquanto discussões a respeito dos ‘prós e contras’ de partos não-hospitalares e a quem cabe a responsabilidade de assistí-los, continuam sendo feitas na comunidade médica e de especialistas, milhares de bebês saudáveis estão nascendo em seus próprios lares a cada ano.
No entanto, o parto domiciliar não é para todas as mulheres. É necessário que haja um alto grau de confiança no seu corpo, na sua saúde, e no conhecimento adquirido, além de um alto nível de auto-responsabilidade para ir contra a maioria que acredita que partos hospitalares são mais saudáveis e melhor.
Quando você estiver analisando o melhor local para o seu parto, leia livros indicados no Guia de Pesquisa deste site. Converse com mulheres que deram à luz em casa, em casas de parto, em clinicas, maternidades e em grandes hospitais. Discuta sobre isso e tire suas dúvidas com seu médico, ou parteira.
Converse com muitos profissionais adeptos ao parto humanizado que estiverem próximo à sua cidade. Avalie o nível de conhecimento, experiência prática, formação, filosofia e a cada descoberta, verifique se o trabalho dele é compatível com as suas expectativas. Apesar de a maioria dos obstetras realizar partos nos hospitais, alguns aceitam assistir partos em outros locais. Médicos especializados em clínica-geral que atendem gestantes, podem ser contatados, no entanto, ultimamente, nessa área, os riscos de erro médico é um pouco maior, e eles cobram mais caro.
Enfermeiras-obstétricas certificadas atendem em várias capitais, e em alguns hospitais realizam acompanhamento pré-natal, assim como nas clínicas e nas casas de parto. Parteiras bem treinadas e capacitadas são especialistas em partos normais. Algumas são diretoras de maternidades, e outras têm atendido gestantes de várias partes do país.
Nos EUA, em 1989, o custo médio que uma família costumava pagar por um parto hospitalar tradicional sem complicações, era de $4.334, segundo pesquisa do Seguro Americano de Saúde, realizada envolvendo 173 hospitais comunitários, 70 maternidades e 153 parteiras. [1]
Em 1989, a grande maioria das famílias americanas pagava cerca de $4.334 por um parto sem complicações no hospital.
O colapso dos custos por um parto hospitalar incluir uma taxa padrão do médico no valor de US$ 1.492,00 (R$ 3.500,00) para um parto normal e US$ 2.053,00 (R$ 4.800,00) para uma cesárea, e custos hospitalares (que não incluem outras taxas como os serviços por um anestesista) em torno de US$ 2.842,00 (R$ 6536,60).
Em vinte outros paises, mais crianças sobrevivem ao seu primeiro mês de vida, do que nos E.U.A.
Em 1989 a taxa média cobrada por uma parteira era $994.
Em 1989 a taxa média cobrada por uma parteira era de US$ 994,00 (cerca de R$ 2.300,00), um valor que normalmente inclui o cuidado pré-natal, aulas de parto e o material para o parto, enquanto que a taxa de um médico não inclui nada disso.
Qual tipo de atendimento de parto é o certo para você? Em alguns estados americanos, as escolhas são limitadas e baseadas nas leis que restringem a prática das parteiras. A ONG “Friends of Homebirth” (Amigas do Parto Domiciliar) foi fundada em 1989 com o alvo de trabalhar para garantir o direito das mulheres americanas para poder escolher um parto domiciliar com uma atendente treinada. O parto domiciliar é uma escolha razoável para muitas famílias e a legislação restritiva americana deve ceder ao direito Constitucional (americano) da escolha paterno-materna responsável.
Para encontrar alternativas de atendentes de parto, as americanas têm a opção de entrar em contato com educadoras perinatais e o grupo local da “La Leche League ”.
Referências:
1. Health Insurance Association of America, 1989, 1025 Connecticut Ave. NW, Washington D.C., 20036-3998.
Fonte: - Friends of Homebirth
Marcadores: parto em casa, pesquisas
SALÁRIO-MATERNIDADE: trabalhadora rural deve comprovar atividade
escrito por: Tricia Lima em às 3:13 PM.
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De Brasília (DF) - A Previdência Social garante a todas as trabalhadoras rurais o recebimento do salário-maternidade. Esse benefício pode ser requerido por ocasião do nascimento dos filhos, desde que a mulher esteja filiada à Previdência como segurada especial. A idade mínima para a filiação é 16 anos. Para essa segurada, não é exigida a contribuição ao INSS, mas sim a comprovação de que ela exerce a atividade na terra, com a finalidade exclusiva de garantir a subsistência ou o sustento do grupo familiar. A legislação previdenciária também prevê que o tempo mínimo de carência para receber esse benefício é de 10 meses anteriores à data do parto.
A comprovação do trabalho no campo deve ser feita com a apresentação de diversos documentos, como, por exemplo, contrato de comodato da terra, contratos de parceria, documentos de assentamento na terra, bem como a escritura, além de notas fiscais de compra e venda de produtos comercializados ou de outros que comprovem a atividade no local. A declaração dos sindicatos comprovando o trabalho rural também pode servir de documentação para o INSS.
Por ocasião do requerimento do salário-maternidade, a segurada deve encaminhar essa documentação à agência do INSS mais próxima de sua residência, para ser avaliada. Caso a análise não seja conclusiva, ou seja, caso as provas sejam insuficientes, a agência solicitará provas testemunhais por meio de entrevistas para confirmar a veracidade dos fatos.
Segurada empregada - a trabalhadora rural que exerce a atividade como empregada também tem direito ao salário-maternidade. Se a atividade da trabalhadora for em propriedade de terceiros, a prestação de serviço caracteriza uma relação de emprego. Neste caso, ela é segurada empregada e sua filiação na Previdência Social é obrigatória. A responsabilidade pela inscrição e recolhimento na Previdência é do dono da terra.
Para essa segurada, não há carência para receber o salário-maternidade. A partir do primeiro mês de trabalho, se ela estiver grávida, terá seu benefício garantido.
Segurada facultativa e contribuinte individual - A dona de casa também garante o direito ao salário-maternidade, se inscrevendo na Previdência como segurada facultativa. Ela precisa seguir a mesma regra da segurada especial e da contribuinte individual, ou seja, ter o mínimo de 10 meses de carência. A contribuinte individual é aquela que trabalha por conta própria e sem vínculo empregatício e que mantém em dia as suas contribuições.
O salário-maternidade pode ser requerido até cinco anos após o nascimento da criança. O pagamento é feito durante 120 dias, sendo 28 dias antes e 91 dias depois do parto.(Maria do Carmo Ferreira)
FONTE: Previdência Social do Brasil
Marcadores: amamentação, licença maternidade, politica
Excessiva intervenção clínica pode originar parto de alto risco, diz investigadora
A antropóloga social britânica Sheila Kitzinger considerou esta sexta-feira, em Almada, que a excessiva intervenção clínica contribui para que um parto normal possa transformar-se num parto de alto risco.
Sheila Kitzinger, que falava na abertura do primeiro congresso sobre «Humanização do Nascimento - Amor e Responsabilidade», que a Associação Portuguesa pela Humanização do Parto (Humpar) promove até domingo, realçou que «quando a parturiente é tratada como um caso de alto risco ela torna-se um».
Autora de inúmeras obras sobre o nascimento fisiológico e o parto humanizado, e docente na Universidade de Thames Valey, em Inglaterra, a especialista britânica salientou que a humanização do parto assenta na colaboração entre futuras mães e profissionais de saúde.
Sheila Kitzinger frisou que é necessária a associação de parturientes e profissionais para que se possam incentivar as estruturas hospitalares a investir na humanização do nascimento.
«O obstetra pode ser processado por não ter feito uma cesariana, mas ninguém o vai processar por ter feito uma cesariana desnecessária», ilustrou a especialista, acrescentando que a humanização passa pelo «desenvolvimento de uma relação com médicos, enfermeiros e parteiros que coloque o ênfase não no controlo das parturientes e no exercício de habilidades clínicas, mas na forma como funcionam em sistema, com os seus desequilíbrios e relações de poder».
A necessidade de uma maior intervenção da mulher no que toca ao nascimento dos seus filhos foi também realçada pela advogada e co-fundadora da associação espanhola EPEN - El Parto Es Nuestro, Francisca Fernandes.
A organização surgiu a partir de um fórum na Internet onde inúmeras mulheres partilharam experiências traumáticas de partos hospitalares, em que «o impacto entre a expectativa e a realidade foi brutal».
«A maioria de nós, universitárias e independentes, acreditava que somos mulheres modernas e, no parto, descobrimos que somos ou ignoradas ou infantilizadas», afirmou a oradora, dando conta de que, quando decidiram criar a associação, os profissionais de saúde mostraram-se «agradados».
FONTE:Portugal Diário
Marcadores: humanização, parto
Uso da vitamina K no período neonatal: parenteral x oral
escrito por: Tricia Lima em Quarta-feira, Novembro 01, 2006 às 4:56 PM.
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A vitamina K é necessária para a modificação e ativação de importantes proteínas do organismo, sendo um cofator essencial para a carboxilação dos fatores II, VII, IX e X da coagulação e das proteínas C e S, inibidoras da coagulação 30. Estes fatores são fisiologicamente mais baixos até 72 horas após o nascimento, e a administração da vitamina K reverte este quadro 26.
As filoquinonas (vitamina K1) e as menaquinonas (vitamina K2) estão presentes na natureza 8. A primeira é encontrada em vegetais e tem características hidrofóbicas; já as outras são produzidas por bactérias da flora intestinal normal 8. A vitamina K3, a menadiona, é um derivado sintético, apresentando menor eficácia e maior toxicidade, podendo inclusive, ocasionar hiperbilirrubinemia 24,25.
A partir da década de 60, após estudos do Comitê de Nutrição da Academia Americana de Pediatria comprovando que a vitamina K, administrada ao RN, era eficaz na prevenção de hemorragias, o uso intramuscular desta vitamina foi amplamente aceito 3. Dúvidas, entretanto, sobre a necessidade de todos os RN saudáveis receberem esta profilaxia, levaram alguns pesquisadores a estudar o uso da vitamina K por via oral, após comprovarem a absorção efetiva por esta via 8,12.
No Reino Unido, o ressurgimento da doença hemorrágica no recém-nascido foi descrito em 1983 16. Desde então, mudanças quanto à profilaxia e práticas de amamentação foram iniciadas 17. A maioria dos casos descritos não ocorriam durante a 1a semana de vida, mas sim, entre a 2a e 26a, com pico entre a 4a e a 6a semana 14.
Diferenças entre a doença hemorrágica clássica e a tardia têm sido observadas em estudos com RN saudáveis, que não receberam qualquer profilaxia com vitamina K 15. Devido à limitada transferência placentária e baixas concentrações no fígado fetal e neonatal, seus depósitos são extremamente reduzidos quando comparados aos de adultos 2. Portanto, nos primeiros dias de vida, o RN depende da vitamina K suplementada ou oriunda da dieta 2. A disponibilidade limitada de leite materno, no período neonatal precoce, pode ser considerada como uma das determinantes da deficiência desta vitamina 34. Além disto, neste período, a participação da flora intestinal como produtora de vitamina K, é desprezível 7. O início tardio da lactação, de qualquer maneira, não pode ser responsável pela sua deficiência tardia, pois apenas raramente o leite das mães de crianças afetadas apresentou concentrações extremamente baixas de vitamina K 34. Outro fator de risco para a sua deficiência poderia ser a má absorção intestinal, mesmo na ausência de colestase 33.
Marcadores bioquímicos têm valor limitado na magnitude desta deficiência, pois em populações de RN saudáveis, sem profilaxia e sem hemorragias, a prevalência do déficit bioquímico da vitamina K é superior a 50% 27,31.
Na deficiência de vitamina K aparecem precursores inativos que atualmente podem ser mensurados 23. O aperfeiçoamento de técnicas para se medir tais precursores da protombina decarboxilados ou só parcialmente carboxilados também denominados de proteínas induzidas pela ausência de vitamina K (PIVKA I e II), que são funcionalmente inativos propiciou a oportunidade de investigação precoce da deficiência subclínica da vitamina K, porém, a sensibilidade deste marcador é discutível, pois sua meia vida é de aproximadamente 50 horas 23.
Tipos de hemorragias por deficiência de vitamina K:
Vários padrões de doença hemorrágica por deficiência de vitamina K são observadas no RN 15,30:
A doença hemorrágica precoce do RN desenvolve-se nas primeiras 24 horas de vida; é incomum e geralmente observada em filhos de mães que receberam drogas que afetam o metabolismo da vitamina K, como por exemplo, fenitoína, warfarin, rifampicina e isoniazida, com risco de ocasionar sangramento em sistema nervoso central 4,36.
A doença hemorrágica clássica do RN ocorre entre o 2o e o 5o dia de vida, principalmente em neonatos normais, desenvolvendo equimoses generalizadas, sangramento gastrintestinal e, mais raramente, hemorragias intracranianas; a incidência desta patologia em RN de termo e saudáveis, sem profilaxia, varia de 0,25 a 1,7% 35.
A doença hemorrágica tardia tem sido cada vez mais reconhecida como uma importante patologia hemorrágica em crianças entre 4 e 6 semanas de vida, sendo o sangramento intracraniano extenso freqüente e acompanhado de uma severa coagulopatia pela deficiência de vitamina K, podendo ser idiopática ou secundária a uma desordem aguda ou crônica, sendo mais observada em crianças em aleitamento materno exclusivo, que não receberam nenhuma forma de profilaxia 10,14.
Os casos idiopáticos geralmente ocorrem entre o 1o e 3o mês de vida, e a razão para a deficiência de vitamina K não é tão clara, exceto quanto a sua associação com o aleitamento materno 28. No tipo secundário, as atresias congênitas de vias biliares, a hiperbilirrubinemia conjugada, as hepatites, a deficiência de alfa-1-antitripsina, a abetalipoproteinemia, as diarréias intensas, a doença celíaca, a fibrose cística, a antibioticoterapia prolongada e o uso crônico de warfarin são causas bem conhecidas de déficit de vitamina K, ocorrendo normalmente durante o primeiro ano de vida 28,29,32.
Ocorre também, um terceiro tipo, a deficiência subclínica da vitamina, que é detectada somente através de exames laboratoriais que detectam as formas inativas da vitamina K 32. Este screening em crianças aparentemente saudáveis, mostra uma alteração em 20%, permitindo considerar tais crianças como em estado de "hemorragia latente", portanto, com risco de desenvolverem a doença hemorrágica tardia 19,32.
Uso profilático da vitamina K
O objetivo da profilaxia é repor estoques da vitamina K, prevenindo assim, a instalação de hemorragias e não a correção de anormalidades bioquímicas, decorrentes da deficiência desta vitamina 35.
Atualmente, existem controvérsias acerca da melhor forma de administração profilática da vitamina K, oral ou intramuscular, levando-se em consideração a eficácia, efeitos colaterais, custo, aderência ao tratamento e condição sócio-econômica 22. Mesmo nos países desenvolvidos, adotam-se diferentes formas em sua prescrição 9,17.
Existem atualmente três grupos de conduta em relação à profilaxia da doença hemorrágica do RN 5. Alguns advogam a administração de dose única intramuscular, outros acreditam que doses seriadas por via oral seriam suficientes em crianças de baixo risco para a patologia e, uma minoria, não prescreve nenhum tipo de profilaxia 5,11.
É bastante aceito que a administração intramuscular de 0,5 a 1 mg de vitamina K, imediatamente após o nascimento, é eficaz na prevenção da doença hemorrágica do RN. Entretanto, esta rotina pode não ser a mais indicada, pois casos de seqüelas em crianças devido à injeção intramuscular, foram descritos 6. Por estas circunstâncias, alguns autores recomendam que esta forma de administração deveria ser usada apenas quando absolutamente necessária 13.
Por outro lado, a deficiência de vitamina K ocorre, em número bastante reduzido de casos, a despeito de sua administração profilática, tanto por via intramuscular quanto oral 10. Em quase 80% destes, o aleitamento materno era exclusivo e a idade média do aparecimento da hemorragia era de 30 dias 28. Acredita-se que alguns destes episódios poderiam ter sido evitados, caso uma dose suplementar da vitamina fosse administrada 9. Alguns estudos sugerem que a profilaxia com vitamina K parenteral teria um efeito protetor mais adequado contra a doença hemorrágica tardia 12.
Um estudo multicêntrico realizado nos anos de 1987 e 1988, para detectar precocemente um déficit significativo desta vitamina, em RN com aleitamento materno exclusivo, mostrou que seus níveis não variaram significativamente entre as várias formas de administração 17. Esta pesquisa tem suas limitações, pois os testes com protrombina não carboxilada são de difícil interpretação, porém encoraja o uso da forma oral como profilaxia também da forma tardia 28.
Outros estudos sugerem que a profilaxia oral é igualmente eficaz em RN de termo e saudáveis, cujas mães não receberam drogas que alterassem o metabolismo da vitamina K, principalmente visando uma adminsitração simples e de menor custo 16.
No final da década de 80, foi questionado se o uso de uma dose única de vitamina K por via oral seria eficaz na prevenção da doença hemorrágica tardia, pois a incidência desta parece ser menor quando a profilaxia intramuscular é realizada 28.
A experiência japonesa revelou que, ao se normatizar a profilaxia da doença hemorrágica neonatal com vitamina K oral, não houve alteração da forma clássica, porém ocorreu um discreto aumento da forma tardia, levando os pesquisadores a elaborarem um protocolo de prevenção desta, através da administração oral de doses repetidas para uma prevenção eficaz de ambas as formas 1,10,25.
Ainda não há uma opinião unânime quanto à associação entre a administração intramuscular de vitamina K e câncer na infância 13. Uma comparação entre fatores perinatais, mostrou um número significantemente maior de câncer em crianças que receberam a profilaxia da forma injetável 6. Estes estudos demonstraram que estas crianças apresentaram duas vezes mais probabilidade de desenvolverem câncer tardiamente, principalmente leucemia, tumores do sistema nervoso central, neuroblastoma, tumor de Wilms e linfomas, do que as crianças que não receberam profilaxia parenteral 6. Apesar destes resultados não terem sido confirmados em pesquisas posteriores, uma relação potencial entre a vitamina K intramuscular e o câncer infantil não foi definitivamente afastada 11.
Entre os fatores cancerígenos aventados, estariam a própria forma de administração, pelos altos níveis plasmáticos obtidos ou pelos adjuvantes da solução 13. Como estes fatores estão praticamente ausentes na administração oral, existe uma tendência atual para se utilizarem esquemas de profilaxia oral 6,30.
Considerações finais
Até o presente momento, não se dispõe de dados precisos para a profilaxia de doença hemorrágica em apenas um determinado grupo de recém-nascidos, portanto, preconiza-se a administração de vitamina K em todas as crianças, pois as conseqüências desta hemorragia podem ser graves, justificando uma ação preventiva eficaz 13,18,26.
Como obstáculo à administração oral da vitamina K na profilaxia da doença hemorrágica do recém-nascido, existe a evidência de alguns episódios da forma tardia, mesmo na vigência de uma profilaxia adequada logo após o nascimento 23. Considerando-se estes casos, torna-se necessária a suplementação de outras doses orais, antes da criança completar 1 mês de vida, por exemplo, na 2a ou 3a semana de vida 9.
Deve ser ressaltado que os recém-nascidos com maior risco para doença hemorrágica, a saber, prematuros com baixo peso ao nascimento, com complicações perinatais, filhos de mães que usaram anticonvulsionantes, anticoagulantes e tuberculostáticos na gestação, devem receber a profilaxia na forma intramuscular, no máximo até 6 horas após o nascimento 18,21. Recém-nascidos mantidos em jejum por períodos prolongados, devem receber semanalmente vitamina K intramuscular, na dose de 1 mg 30.
Um protocolo adequado para a administração da vitamina K oral para recém-nascidos de baixo risco seria a prescrição de 2 mg no dia do nascimento, após uma ou duas mamadas, suplementada por mais duas doses, também de 2 mg, com 15 e 30 dias de vida.
Para se prevenir a forma precoce da doença hemorrágica, a vitamina K pode ser administrada à gestante que utiliza drogas que afetam o metabolismo desta vitamina, na dose de 10 mg por via oral, a partir da 36a semana de gestação, sendo também eficaz na prevenção da forma clássica de hemorragia 18,20.
Crianças com alto risco para a doença hemorrágica tardia, devido a patologias malabsortivas, devem receber suplementação intramuscular de vitamina K mensalmente 33.
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autora:
Renata S. Mascaretti ProençaI; Mário Cícero FalcãoII
Berçário Anexo à Maternidade do Hospital das Clínicas da FMUSP
IMédico Assistente
IIMédico Assistente. Doutor em Pediatria pela FMUSP
Endereço para correspondência
Dra. Renata S. Mascaretti Proença
Rua Fernão Dias, 128 - apto. 34
CEP: 05417-000 - Pinheiros - São Paulo - SP
Tel.: (011) 258-5561. Fax: (011) 280-0299
Recebido para publicação: 19/08/97
Aceito para publicação: 31/08/97
Marcadores: neonatologia, parto, pesquisas
Parto Normal: um direito que se tornou uma conquista?
escrito por: Tricia Lima em às 4:55 PM.
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por: Carla Beatriz***Eu tive meus dois filhos de parto normal. Eu sempre quis ter um parto normal, desde muito pequena. Sempre encarei o parto normal com naturalidade e era isso que eu queria, quando tivesse meus filhos. Não conseguia entender e ficava extremamente desapontada, quando ouvia que as mulheres, uma atrás da outra, faziam cesárea para ter seus filhos, pelos mais variados motivos: falta de dilatação, falta de contração, cordão enrolado no pescoço, pressão alta, bebê muito grande, etc. Eu sempre fui a “diferente”, a que dizia para quem quisesse ouvir: que queria ter meus filhos de parto normal e, se possível, de cócoras e/ou na água. As pessoas me achavam, no mínimo, esquisita e com idéias loucas.
- Parto de cócoras? Igual às índias?
- Parto dentro d’água? Tá doida?!
- Espera para você entrar em trabalho de parto, para ver se você não vai implorar por uma cesárea!
Quando comecei a trilhar minha empreitada para ter um parto normal, não fazia idéia do que iria encontrar e o quanto a minha vida mudaria através dessa busca. Minha pesquisa na internet se iniciou pelo parto de cócoras, que era meu sonho de menina. Acabei descobrindo e encontrando muito mais do que poderia imaginar: descobri a humanização do nascimento. Descobri também o parto domiciliar, que não sabia ser uma opção viável no Brasil. Fiquei maravilhada com o que li e com as fotos que vi. Pensei comigo mesma: “É isso mesmo o que eu quero para mim!”. Mas claro, eu sempre fui a diferente, a esquisita, a radical, a que nunca fazia o que todo mundo faz. Sempre fui aquela que vai para a esquerda, se todo mundo vai para a direita. E vice-versa.
Mas será que as mulheres precisam ser assim na busca de um parto normal? O parto normal não deveria ser a regra, ao invés da exceção, como é hoje no Brasil? O próprio nome já diz: normal. Não é mais natural (normal!) deixar a natureza seguir o seu curso? Afinal de contas, nós mulheres, não fomos feitas para parir? Desde a nossa primeira menstruação, somos lembradas mensalmente que estamos prontas para abrigar um embrião em nossos úteros e para parir um bebê. Nosso corpo é especialmente preparado para abrigar um bebê por nove meses em nosso útero e, ao término desse prazo, ele se prepara para expelir esse bebê, culminando no parto. Será que somos assim tão diferentes das índias, das gregas, das romanas, das russas, das egípcias, das africanas, das esquimós ou das nossas mães, avós, bisavós e demais antecessoras, que desde sempre, tiveram seus filhos de parto normal?
Quando eu dizia às pessoas que queria ter um parto de cócoras e que não queria sofrer episiotomia, invariavelmente ouvia os seguintes comentários:
“As mulheres modernas não estão preparadas para um parto de cócoras. É necessário ter um bom condicionamento e estar em boa forma física.”
“A episiotomia protege o assoalho pélvico e previne problemas futuros na bexiga”
“Se os médicos fazem a episiotomia nas mulheres durante o trabalho de parto, é porque alguma razão tem. E não sou eu quem vai questionar isso.”
“Você vai fazer o que o médico mandar e pronto!” (Resposta de um estudante de medicina, ao me ouvir dizer que eu não queria sofrer uma episiotomia e que não iria permitir que o médico a fizesse em mim).
Será? Por que não posso questionar o procedimento que um médico vai realizar? Por que preciso ser uma atleta para ter meu filho de parto de cócoras? Por que tenho que me submeter a um procedimento a qual não desejo ser submetida? Por que tenho que me resignar a sofrer uma cesárea, se o que eu quero é um parto normal?
Eu resolvi desafiar esses questionamentos e provar, mais do que aos outros, a mim mesma, de que era capaz de ter meus filhos de maneira natural, de cócoras e sem episiotomia. Durante minha caminhada em busca disso, descobri que eu podia sim questionar o médico e não permitir que fizesse procedimentos em mim que eu não permitisse. Descobri que eu não precisava ficar do começo ao fim da gestação com o mesmo médico e que podia mudar segundo a minha vontade, até encontrar um médico que pensasse como eu. Vejo tantas mulheres que desejam ter um parto normal, mas que não querem trocar de médico, porque já estão acostumadas com esse, porque têm receio de mudar no final da gestação e, invariavelmente, acabam sofrendo uma cesárea desnecessária, quando podiam perfeitamente ter tido seus filhos de parto normal.
Cada vez que eu converso com as gestantes, questiono o posicionamento do médico em relação ao parto normal e recebo as mais variadas respostas:
- Meu médico é favorável ao parto normal, mas ele disse que só na hora é que saberemos se dará para fazê-lo.
- Meu médico é favorável ao parto normal, mas só se o bebê pesar menos do que 3.400 gramas! Acima desse peso, ele só faz cesárea!
- É muito cedo para eu conversar com o meu médico sobre parto normal, mais no final da gestação eu discuto a respeito com ele.
- Meu médico disse para eu não engordar muito, porque senão não conseguirei ter meu filho de parto normal.
- Meu médico disse que o parto de cócoras é para índias, que hoje, com toda a tecnologia que temos, não tem sentido fazer um parto assim. Além disso, as mulheres modernas não estão preparadas para ter um parto assim, porque não nos exercitamos o suficiente para ter os filhos desse jeito. As índias vivem agachadas, de cócoras e é mais fácil para elas terem os filhos!
- Eu perguntei à minha médica sobre o parto de cócoras e ela disse que de jeito nenhum, que não vai arriscar a minha vida e a de meu bebê em um parto assim!
- Ah, mas você não me conhece, meu médico vai fazer um parto normal em mim, porque eu vou dizer a ele que é isso o que eu quero e ponto!
Qual foi o desfecho para todas essas gestantes? Cesárea. Se o médico não acredita na capacidade da mulher de parir, não será uma gestante isolada que irá conseguir mudar sua maneira de pensar. Mais. É um sistema de crenças e tradições, assim como a maioria dos médicos acredita que a episiotomia de rotina é benéfica para a mulher, mesmo que evidências de estudos atuais mostrem o contrário.
Alguns médicos acreditam que uma episiotomia protege o pavimento pélvico contra lacerações. Um estudo de 2005 publicado no Journal of the American Medical Association, bem como outros estudos recentes, provam que esse é um pressuposto incorreto. Estas descobertas também mostram que não há evidências de que um corte no períneo proteja os músculos pélvicos.
Outra razão frequentemente citada para a realização de uma episiotomia é a crença de que um rasgão natural cura-se mais lentamente do que um corte instrumental. Isto não é verdade. Um rasgão natural vai recuperar muito mais rapidamente. Rasgar é muito mais seguro do que cortar, de acordo com um estudo de 1987 feito por J.M. Thorp e outros médicos, publicado na Obstet Gynecol.
Outro fato interessante, e que alguns estudos demonstraram, é que as mulheres que rasgam naturalmente durante o parto, retornam à atividade sexual mais cedo do que as mulheres "cortadas" pelo médico (Esta descoberta foi reportada por P.G. Larsson e outros médicos na edição de 1991 da of Gynecol Obstet).
(HILL, Heather. Episiotomia… É mesmo necessária?” BEBES.com.pt [online]. [Citado em 25 de maio de 2006]. Disponível no link:
Será que as coisas devem continuar assim? As mulheres devem continuar sendo submetidas a procedimentos e cesáreas desnecessárias, mesmo quando não é seu desejo original? O que precisamos fazer para mudar esta realidade no Brasil?
As mudanças em uma sociedade nunca ocorrem de cima para baixo. É necessário que as pessoas comecem a mudar sua maneira de pensar e que lutem pelo que acreditam, para que mais e mais pessoas possam ver que é possível fazer as coisas de maneira diferente.
Ainda somos poucas mulheres que trilhamos o caminho da humanização do nascimento. Muito poucas de nós conseguiram ter seus filhos de parto natural – de cócoras, na água, em casa, no hospital – e muitas outras não o conseguiram, apesar de seu desejo muito grande. A maioria enfrenta enormes dificuldades para ter um parto normal, a começar pelos médicos, que não acreditam na capacidade da mulher para parir.
O importante é que se saiba que é possível parir naturalmente no Brasil. Que há mulheres que conseguiram ter seus filhos de parto natural e do jeito que queriam, sendo respeitadas em seus desejos e durante o trabalho de parto. E que essas mulheres não querem que suas conquistas fiquem restritas a elas e sim, divulgar para as outras mulheres que uma outra maneira de parir é possível sim. É preciso querer e lutar. Muitas vezes, não vamos conseguir, mas a cada vitória obtida, mais um ponto é contado a favor da humanização do parto. Nós queremos. Nós podemos. Nós somos capazes de parir naturalmente. Somos mulheres e essa é nossa maior força.
Carla Beatriz Piuma Maise
Mãe de Gabriel Thomas, nascido de parto natural hospitalar e
de Melissa Nicole, nascida de parto natural domiciliar.
Secretária executiva.
Marcadores: depoimento, parto, parto natural
Por Maria Paola de SalvoSurgida há mais de 5000 anos, a acupuntura promete aliviar dores, curar doenças e até combater a infertilidade!
Pode parecer contraditório curar uma dor com outra. Porém, não duvide. Para a medicina oriental, algumas agulhadas nos pontos certos do corpo não trazem nenhum sofrimento e ainda reequilibram sua energia!
Embora os benefícios das agulhas tenham sido descobertos há milhares de anos, apenas agora a medicina ocidental consegue explicá-los cientificamente, além de reconhecer e adotar a técnica de acupuntura como tratamento para as mais diversas doenças.
As agulhas são colocadas em pontos da superfície da pele - existem cerca de mil por todo o corpo! - e podem ter uma penetração que varia de alguns milímetros até centímetros. Fique tranqüilo, isso é feito de forma rápida e você nem irá perceber a dor: essas agulhinhas têm a grossura de um fio de cabelo!
Quando elas são inseridas provocam estímulos nas terminações nervosas, desencadeando alterações bioquímicas no organismo, que passa a liberar endorfinas, serotoninas e outros neurotransmissores. Essas substâncias são encarregadas de transmitir impulsos nervosos, ou seja, as "mensagens" que nosso cérebro deve obedecer. Por isso, são responsáveis pelos vários tipos de sensações que o ser humano experimenta. A endorfina é capaz de aliviar a sensação de dor e conceder euforia, por exemplo. Já, a serotonina é um neurotransmissor que regula os estímulos dos batimentos cardíacos e o início do sono.
"Essa seria a explicação moderna para o que os antigos chineses denominavam ch´i, a energia vital controladora de todas as funções orgânicas", explica o Professor Doutor Jou Eel Jia, médico acupunturista do Instituto Brasileiro de Pesquisa Holística em Medicina (Ibraphema), em São Paulo.
Toda essa energia circula por diversos "canais", os chamados meridianos, onde se localizam os vários pontos, isto é, os alvos das agulhinhas. Cada um destes pontinhos está ligado a determinadas funções ou órgãos do nosso organismo. Por meio de sua correta estimulação pode-se variar essa energia e induzir a liberação dos neurotransmissores para aliviar os sintomas, harmonizar o organismo ou, até mesmo, curar o paciente.
Espetadelas poderosas
Como na medicina ocidental, a acupuntura também depende de um diagnóstico preciso para tratar uma doença de forma eficiente. Além do exame clínico habitual, o médico procura observar o ritmo e a intensidade da pulsação, a coloração da língua e até o tom da sua voz, que demonstram a quantas andam sua energia e sua saúde.
Feito isso, o médico estabelecerá o tratamento adequado e diferencial para cada tipo de problema. E é grande a lista dos males combatidos por esta técnica oriental: 300 doenças, de acordo com a Sociedade de Medicina Tradicional Chinesa.
A acupuntura funciona muito bem para alergias, rinites, asmas, dores musculares, infecções, depressões, ansiedade, stress e até na infertilidade. "Um paciente meu não tinha espermatozóides e o tratamento tornou possível a produção espermática. Hoje sua mulher já está no quarto mês de gravidez", ressalta o dr. Jou Eel Jia.
Para Maria Christina Paolillo, 80 anos e adepta das agulhas há mais de 4, o bem estar proporcionado pela técnica é enorme. "Comecei o tratamento por causa da artrose no joelho, mas hoje vejo que a acupuntura foi capaz até de curar um início de depressão!", diz.
Se as espetadelas não curam problemas graves como câncer, ao menos aliviam os sintomas e os efeitos devastadores da quimioterapia no organismo, melhorando a qualidade de vida do paciente.
Para tratar algumas dessas doenças, no entanto, as agulhas às vezes têm de contar com a ajuda dos remédios alopáticos ou de outras terapias auxiliares, como a quiroterapia, a homeopatia ou a fitoterapia para se obter um melhor resultado e evitar o simples mascaramento dos sintomas.
Crianças e grávidas na mira das agulhas
Deixe a preocupação de lado! Embora a acupuntura seja um método invasivo, já que as agulhas são inseridas sob a pele, não apresenta riscos de infecções ou contaminações, uma vez que costumam ser descartáveis ou de uso exclusivo do paciente.
Porém, se o seu medo das agulhadas ainda for maior do que o bem-estar que a acupuntura pode lhe proporcionar, não se desespere! Você não precisa desistir do tratamento, pois existem instrumentos alternativos para aquela "picadinha" incômoda.
O soft laser, também conhecido como laser frio é um desses. As luzes que emana não causam dor, mas o efeito não é tão imediato como o das agulhas. Os micro-choques são outra opção, além da moxa, fibra de uma erva que, quando queimada, libera calor e este estimula os principais pontos. Dr. Jou explica que costuma recorrer a toda esta parafernália, principalmente no tratamento de crianças, que freqüentemente fogem das agulhas. "A criançada sai mais calma, livre do estresse, que hoje em dia se tornou precoce, principalmente devido às várias atividades que têm de cumprir", salienta.
Grávidas também não precisam temer as agulhinhas! Elas não costumam apresentar efeito colateral algum. Ao contrário: enjôos, cólicas, constipação, azia, lombalgia, depressão pós-parto, problemas comuns na gravidez, são alguns dos alvos da técnica oriental. "Na gestante, existem apenas alguns pontos onde não se deve colocar as agulhas, mas não há qualquer contra-indicação", garante o médico. E você ainda mantém seu bebê livre dos efeitos nocivos dos remédios, já que o tratamento reduz a necessidade do uso de drogas.
Além disso, elas podem melhorar o equilíbrio do corpo da mãe, do qual depende o feto, contribuindo para manter não apenas o seu organismo mais resistente e relaxado, como também o do bebê.
Todo este relaxamento tem motivo: cada sessão dura em média 20 minutos e durante este tempo o paciente permanece deitado, ao som de músicas suaves e num ambiente agradável. "Uma vez cheguei até a dormir na sala", afirma o advogado Arlindo de Salvo, que há quase 5 anos se trata com a acupuntura regularmente. Por isso, ela pode ser empregada até em anestesias. "A acupuntura muda o jeito de as pessoas verem o mundo. Os pacientes ficam mais otimistas e livres das tensões", finaliza o dr. Jou Eel Jia.
Para saber mais:
AMBA
IBRAPHEMA
Acunpuntura.org.br
FONTE: Clic Filhos
Marcadores: acupuntura, dicas, gestação, indução natural, parto



