Mulheres da Amazônia
escrito por: Tricia Lima em Quinta-feira, Outubro 26, 2006 às 4:53 PM.
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Essa fotografia me marcou. A expressão do olhar determinado dessa mulher desmanchou toda e qualquer coragem que eu tenho de me orgulhar de alguma coisa que faço na minha mediocre vidinha de capital. Ela mora na floresta Amazônica, e está levando os filhos, incluindo um bebê recém-nascido (no colo) pro roçado que fica hà TRÊS horas de distância rio "acima".
Essa foto foi retirada desse site maravilhoso cuja coletânea de imagens deixa qualquer um de queixo caído, e cujo objetivo é mostrar a vida de mulheres que moram nas regiões mais afastadas do badalado sudeste.
Simplesmente imperdível e emocionante.
Site do fotógrafo Pedro Martinelli*
*Em 1997 é Indicado para o Prêmio Estadão Cultural. Publica os livros Casas Paulistanas (São Paulo, 1998), Panará a Volta dos índios Gigantes (com exposição individual no SESC Pompéia, São Paulo, 1998) e o livro Amazônia o Povo das Aguas (com exposição individual no Museu de Imagem e do Som, São Paulo, 2000) É fotógrafo independente, tendo inúmeras reportagens publicadas nos principais periódicos do país. Dedica-se a documentação fotográfica da Amazônia desde 1970, registrando o primeiro encontro dos índios Panará com o homem branco, as queimadas ou a pesca do pirarucu. Busca respostas para perguntas tais como quem é o homem da Amazônia, como vive, como se relaciona com o próximo e com o meio em que habita? Trabalha atualmente no livro As Mulheres da Amazônia.
Marcadores: dicas, feminilidade, mulher
Centro de parto normal e assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente*
escrito por: Tricia Lima em às 4:52 PM.
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RESUMO
Levando em conta os vários estudos e reflexões a respeito do novo modelo de assistência ao parto e nascimento assistência humanizada), e trabalhando como enfermeira obstétrica em um Centro de Parto Normal, surgiu o questionamento a respeito desse conceito, devido às diversas conotações dadas a esse termo. Este artigo foi produzido com a finalidade de divulgar nossa proposta de substituição da expressão “assistência humanizada ao parto”, por “assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente”, e de discorrer como essa assistência é prestada no Centro de Parto Normal do Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP), que segue um protocolo de condutas obstétricas e normas preconizadas pelo Ministério da Saúde.
DESCRITORES: Humanização do parto. Enfermagem obstétrica. Assistência centrada no paciente.
* Extraído da Dissertação:
“ Infecção puerperal em um Centro de Parto Normal”, Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), 2004.
1 Enfermeira Obstétrica do Hospital Geral de Itapecerica da Serra, SP. Mestre em Enfermagem Obstétrica e Neonatal pela EEUSP.
nxsm@ig.com.br
2 Enfermeira Obstétrica. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica da EEUSP.
ndspraca@usp.br.
Rev Esc Enferm USP
2006; 40(2):274-9.
www.ee.usp.br/reeusp/
INTRODUÇÃO
Desde meados da década passada, vem se disseminando pelo país um modelo de assistência obstétrica, recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que
realça a mudança no olhar do profissional de saúde sobre a parturiente e sua família. Trata-se dos Centros de Parto Normal.
Os Centros de Parto Normal atendem as normas preconizadas pelo Ministério da Saúde(1), conforme Portaria 985/99 GM. Constituem-se em unidades de atendimento ao parto normal, localizadas fora do centro cirúrgico obstétrico. Dispõem de um conjunto de elementos destinados a receber a parturiente e seus acompanhantes, permitindo um trabalho de parto ativo e participativo, empregando práticas baseadas em evidências recomendadas e que os diferenciam dos serviços tradicionais de atenção obstétrica. As primeiras recomendações para esta modalidade de assistência foram citadas pela Organização Mundial da Saúde, em 1996(2).
Vale destacar que os Centros de Parto Normal surgiram com o objetivo de resgatar o direito à privacidade e à dignidade da mulher ao dar à luz num local semelhante ao seu ambiente familiar, e ao mesmo tempo garantir segurança à mãe e seu filho, oferecendo-lhes recursos tecnológicos apropriados em casos de eventual necessidade. Seguem um padrão de procedimentos previamente estabelecidos e que direcionam as ações que realizam.
O estímulo à implantação deste modelo de assistência, no país, ganhou força, a partir da década de oitenta, quando o movimento de mulheres, no Brasil e no mundo, passou a questionar as práticas obstétricas de rotina e apresentar propostas para humanizar o atendimento(3).
Nesse período disseminou-se a divulgação de que na maioria dos países desenvolvidos a assistência ao parto e nascimento de baixo risco fundamenta-se na atenção prestada
por enfermeiras obstétricas e por parteiras especializadas, cuja formação está voltada para o suporte emocional e o atendimento da mulher e do recém-nascido, sem interferir no processo fisiológico do parto, permitindo à mãe vivenciar esse momento de forma prazerosa e segura. Este modelo de assistência prevê que, durante a gestação, a mulher tem a oportunidade de estabelecer o plano de assistência ao parto, junto com o profissional que a atende, e seu primeiro contato, como parturiente, se dá na primeira relação com os profissionais não médicos, garantindo-se, contudo, o acesso a níveis de assistência de maior complexidade.
Este movimento de mudança na assistência obstétrica envolve, também, legitimidade profissional e corporativa, com um redimensionamento dos papéis e poderes na cena
do parto, com o deslocamento da função principal no parto normal, do médico obstetra para a enfermeira obstétrica (procedimento legitimado pelo Ministério da Saúde), e do centro cirúrgico (palco da ação) para a sala de parto ou casa/centro de parto(4).
No espaço hospitalar, existe uma série de obstáculos para se implantar uma metodologia de assistência que promova o parto normal. A equipe de saúde não aceita com tranqüilidade a mobilidade da mulher, e ela própria sente-se pouco à vontade para decidir sobre os procedimentos de seu parto. Sobrepondo-se a essa situação, os Centros de Parto Normal tornam menos hierarquizadas as relações entre as parturientes e os prestadores de cuidados, e oferecem um ambiente onde a mulher sente-se mais à vontade diante dos eventos que a circundam(5).
O Ministério da Saúde(1), exercendo seu papel normatizador, implantou um conjunto de ações por meio de Portarias Ministeriais com o objetivo de estimular a melhoria da
assistência obstétrica e de regulamentar a atuação do enfermeiro obstetra na realização do parto normal sem distocia, aplicando práticas baseadas em evidências.
Essas considerações nos mostram a estreita relação entre os Centros de Parto Normal
e a assistência obstétrica baseada em evidências, ambos tendo a enfermeira obstétrica
como principal aliada e implementadora.
Considerando essa situação e levando em conta os vários estudos e reflexões a respeito do novo modelo de assistência obstétrica ao parto e nascimento - assistência humanizada em Centro de Parto Normal - julgamos que a expressão assistência humanizada não reflete a abrangência da assistência prestada nesses serviços de assistência ao parto e nascimento, o que originou nosso questionamento a respeito desse conceito. Acresce-se o desgaste do termo pelas diversas conotações a ele atribuídas.
Nossa trajetória profissional, como enfermeira obstétrica, com atuação em diversos serviços de obstetrícia, que seguiam o modelo tradicional de assistência ao parto foi
enriquecida pelo trabalho atual no Centro de Parto Normal de Itapecerica da Serra, SP, inserido em uma instituição que tem como objetivo a redução do número de cesarianas e o incentivo ao parto normal. Nele é adotada a tecnologia apropriada
ao parto e nascimento com estímulo à assistência que valoriza as necessidades da parturiente.
Essa experiência, agregada à vivência profissional anterior, motivou-nos a refletir sobre a abrangência do termo assistência humanizada, amplamente empregado pelos órgãos e profissionais de saúde ao tratarem dos Centros de Parto Normal. Este artigo, extraído de pesquisa anterior(6), foi produzido com o objetivo de justificar a proposta de adequação de nova terminologia à assistência prestada a parturiente em Centro de Parto Normal. Sua finalidade é divulgar nossa proposta de mudança de terminologia, melhor adequando o conceito de assistência humanizada ao parto. A expressão assistência humanizada não reflete a abrangência da assistência prestada nesses serviços de assistência ao parto e nascimento
JUSTIFICANDO A PROPOSTA
As presentes transformações no modelo assistencial direcionado à parturiente e a conseqüente valorização do trabalho da enfermeira obstétrica, nos Centros de Parto Normal, para a realização do parto e nascimento, remete-nos à importância de realçar o significado da relação entre assistência e Centro de Parto Normal.
As instituições deveriam propor-se a organizar os serviços de assistência obstétrica na perspectiva da promoção e da facilitação de um parto saudável, fisiológico e da prevenção de possíveis intervenções e agravos, inclusive aqueles resultantes da assistência, como a dor iatrogênica e a lesão genital da episiotomia desnecessária, entre outros(4).
A literatura é rica em trabalhos voltados à assistência à mulher que vivencia o ciclo gravídico-puerperal e que, em sua totalidade, emprega o termo assistência humanizada. Por sua vez, existem autores que referem que para trabalhar com humanização é necessário despojar-se da onipotência própria da formação médica, trabalhando com uma equipe multiprofissional em que o espaço de cada um deve ser respeitado(7).
Na assistência humanizada, demonstrar interesse e compromisso com o outro requer a conscientização dos possíveis dilemas éticos presentes nessa relação. Na proposta de
relação humanizada, as informações a serem transmitidas aos clientes e deles recebidas são fundamentais(8).
A humanização da assistência reside, também, nas relações interpessoais, em especial entre o profissional e o cliente e o acompanhante(9). O relacionamento entre paciente e profissional e instituição é fundamental para o processo de humanização, sendo
este composto por fatores como comunicação, empatia, conhecimentos técnico-científicos e respeito pelos seres humanos(10).
A humanização engloba uma série de diferentes aspectos referentes às idéias, aos valores e às práticas, envolvendo as relações entre os profissionais de saúde, os pacientes, os familiares e os acompanhantes, incluindo os procedimentos
de rotina do serviço e a distribuição de responsabilidades dentro dessa equipe. No entanto, tais fatores tornam- se fragmentados se a experiência do nascimento não
for reconhecida em seus aspectos emocionais(11).
Ao prestar assistência humanizada à mulher, que vivencia o ciclo gravídico puerperal, os profissionais devem desenvolver habilidades relacionadas ao contato com essa mulher, favorecendo sua adequação emocional à gravidez e ao parto(12). Podem também ajudá-la a superar os medos, as ansiedades e as tensões. No modelo humanizado de atendimento, a parturiente e seu acompanhante devem ser recebidos
pela equipe com empatia e respeito, considerando sempre suas opiniões, preferências e necessidades. Acreditamos que a assistência humanizada está representada na expressão assistência centrada nas necessidades da cliente e vale ser aqui apresentada em maior profundidade.
Não encontramos diferencial na assistência a que ambas de propõem, apenas cremos que a segunda apresenta maior amplitude para destacar a real assistência prestada
e os elementos nela envolvidos.
Consideramos que a assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente deva ser baseada não apenas em procedimentos e normas técnicas pré-estabelecidas, mas na valorização da individualidade, visto que o ser humano é diferenciado pela própria natureza por ser racional e possuir características específicas, como caráter, personalidade, sentimentos, opiniões, crenças, desejos, aspirações, valores próprios, dignidade e senso de justiça, que devem ser respeitados, considerados e valorizados. Ao assistir o indivíduo, o prestador do cuidado deve considerá-lo como um todo, com sua subjetividade e complexidade, sendo membro de um grupo familiar e de uma comunidade(13). Deve, ainda, identificar as mensagens enviadas pelo cliente/paciente e reconhecer seus códigos, compreendê-los e atuar de maneira a satisfazer as necessidades de atenção e de cuidado da clientela. Nesse processo de cuidar, não devem ser esquecidos o contexto de vida e os valores que o cliente traz quando de sua internação. Saber identificar as diferenças culturais e individuais contribui para a redução de desequilíbrios entre a assistência prestada e as necessidades básicas da cliente/paciente.
Nesse sentido, o cuidado deve ser oferecido de maneira holística, valorizando-se a pessoa que o recebe(14). Portanto, a parturiente deve ser considerada como um ser biopsico- sócio-espiritual, para a qual a assistência de enfermagem deve atender as necessidades. Dentre outras, devemos destacar a promoção de sua adaptação ao ambiente institucional e a interação harmônica com o contexto onde recebe o cuidado – Centro de Parto Normal.
As necessidades humanas possuem diversos conceitos, porém nenhum deles é definitivo. Assim sendo, é possível estabelecer bases para futuras abordagens e reformulações. Essas necessidades são universais e classificam-se em nível psicobiológico, psicossocial e psicoespiritual, diferenciando- se apenas no modo de satisfazê-las para cada indivíduo. A assistência das necessidades humanas básicas consiste em um trabalho de equipe, que visa ao autocuidado, a recuperação, a manutenção e a promoção da saúde em colaboração com outros profissionais(15). Como se vê, há estreita relação entre a filosofia de assistência que deve ser oferecida à mulher que vivencia o nascimento e o parto, e o Centro de Parto Normal. Julgamos oportuno, portanto, discorrer sobre a relação deste binômio - Centro de Parto Normal - assistência centrada nas necessidades da parturiente.
Discorrendo sobre assistência obstétrica
centrada nas necessidades da parturiente
Julgamos que o conceito de atenção obstétrica centrada nas necessidades da cliente melhor dimensiona o conceito de assistência humanizada, amplamente empregado, atualmente. Justificamos tal opção pelo seu caráter amplo que envolve um conjunto de conhecimentos, de práticas e de atitudes que visam não só a promoção do parto, mas também um nascimento saudável e a prevenção da morbimortalidade materna e perinatal, com início no pré-natal e garantia de que a equipe de saúde realiza procedimentos comprovadamente benéficos, para a mulher e para o recémnascido, que evite as intervenções desnecessárias, que preserve sua privacidade e autonomia, já que o nascimento é um evento fisiológico e mobilizador, considerado um dos fatos mais marcantes da vida(1). Existem autores que acreditam que as ações assistenciais para ser eficazes devem considerar não só as atividades técnicas, mas as expectativas da mulher. Toda a equipe deve estar atenta no sentido de oferecer-lhe apoio, atenção e respeito de suas crenças e valores, seus medos, suas necessidades(16). Conforme dito anteriormente, os textos com abordagem na assistência obstétrica prestada em Centros de Parto Normal reforçam o papel da humanização, porém, acreditamos que substituir esta expressão por assistência centrada nas necessidades da cliente mostrará a real abrangência da proposta de atenção desse novo modelo de assistência ao parto e nascimento.
Consideramos, outrossim, que a assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente caracteriza-se pelo direito à autonomia da parturiente, em que a informação é fator relevante, sendo a base principal para que tenha a liberdade de escolher ou recusar qualquer procedimento relacionado com seu próprio corpo, e que esta escolha seja pertinente e convergente ao seu bem-estar. Portanto, esta informação deve ser inteligível, exata, concisa, adaptada ao nível sociocultural e cognitivo de quem a recebe, para que o indivíduo possa ser capaz de, conscientemente, escolher qual a proposta para sua assistência que melhor se adapte, conforme seus princípios morais e éticos. Se não houver informação com qualidade, o direito de decidir adequadamente torna-se inexistente.
Vale esclarecer que, no Centro de Parto Normal, campo desse estudo, a parturiente e seu acompanhante são informados, constantemente, pela enfermeira obstétrica que os assiste, sobre a evolução do trabalho de parto e sobre eventuais mudanças de conduta para que possam colaborar durante todo o processo do trabalho de parto ativo até o nascimento. À cliente em trabalho de parto é permitido expressar seus sentimentos quanto aos procedimentos com os quais não concorda, cabendo à equipe, dentro de suas possibilidades, mudar a conduta de modo que a parturiente sinta-se segura em relação à assistência prestada.
Acreditamos também, que o empenho em manter o relacionamento entre os próprios profissionais e clientes, constitui- se parte da assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente, em que o respeito e a dignidade se tornem uma constante e sejam vistos como norma a ser praticada naturalmente. Vale acrescentar que ainda há maternidades que não oferecem assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente, pois não priorizam a individualidade, a cultura e os costumes de cada mulher. Submetem-na, no momento da internação, a rotinas preestabelecidas pela organização, e na maioria das vezes retiram-lhe o direito à privacidade. Para evitar essa situação, a instituição deve preocupar-se com as necessidades da cliente como princípio da assistência de enfermagem definido em sua filosofia, oferecendolhe condições que, muitas vezes, são representadas por recursos humanos qualificados, por materiais e equipamentos e pela apropriada estrutura física do local(17). Para essa visão ampliada da assistência obstétrica, chamada de atenção humanizada, propomos sua substituição pela expressão assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente, considerada por nós de maior amplitude e pertinente à implantação e implementação de Centros de Parto Normal.
Demonstrando a assistência obstétrica centrada
nas necessidades da parturiente aplicada
em Centro de Parto Normal
Acreditamos ser oportuno citar que a assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente é plenamente desenvolvida no Centro de Parto Normal de Itapecerica
da Serra, SP, pois este segue os procedimentos definidos pelo orgão gestor máximo do país para a atenção à mulher durante o parto e o nascimento. Esta unidade, cujos partos são atendidos por enfermeiras obstétricas, realizou 10.559 partos normais no período compreendido entre janeiro de 2000 e janeiro de 2003.
A assistência obstétrica centrada nas necessidades da cliente caracteriza-se pelo direito à autonomia da parturiente
A seguir, destacamos os procedimentos adotados por esta unidade de atenção ao parto normal, os quais reforçam nossa certeza quanto à proposta de mudança de terminologia(18). No Centro de Parto Normal de Itapecerica da Serra, a parturiente conta com dieta livre, tem direito a um acompanhante de sua escolha, tem liberdade para movimentação durante o trabalho de parto, é estimulada à adoção de métodos não farmacológicos no alívio à dor - banho de aspersão e de imersão para relaxamento, massagens na região lombossacra, exercícios de respiração e de relaxamento, estímulos a movimentos corpóreos, tais como abaixar, levantar e balanço pélvico – o acompanhante é estimulado a participar na realização de massagens relaxantes para alívio da dor, são estimuladas as eliminações espontâneas (micção e evacuação). É a parturiente quem autoriza a realização do exame tocoginecológico, com respeito a sua privacidade. O profissional deve considerar o desejo de independência da parturiente no início do trabalho de parto e sua dependência no final deste, deve estimular a ingesta hídrica, realizar monitoramento fetal pela ausculta intermitente, usar o partograma, encorajar o parto em atmosfera favorável, permitir interação entre mãe e filho, estimular o contato pele a pele imediatamente após o nascimento, bem como o aleitamento precoce com estímulo à amamentação na primeira meia hora após o nascimento, estimular o vínculo afetivo com a secção do cordão umbilical pelo acompanhante, em condições estéreis, prevenir hipotermia do recém-nascido, favorecer a dequitação fisiológica com exame rotineiro da placenta e de membranas ovulares, permitir que a família fotografe o parto e o nascimento se desejar, autorizar alta precoce pós-parto para mãe e filho, com retorno ambulatorial após 48 horas, para consulta de ambos. Ao acompanhante é permitido o esclarecimento de dúvidas sobre condutas e procedimentos, bem como o estímulo à participação em todos os procedimentos durante o trabalho de parto e o parto.
Com esta relação de condutas recomendadas pelo Ministério da Saúde, e definidas no protocolo de atendimento da unidade, acreditamos que conseguimos caracterizar a amplitude da assistência obstétrica prestada à mulher em Centros de Parto Normal, a qual, com base nos estudos anteriormente citados e em nossa experiência profissional, seria melhor caracterizada como assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Vale ressaltar que mesmo comprovado por evidências, o modelo assistencial empregado nos Centros de Parto Normal é gerador de resistências entre profissionais da área da saúde que têm dificuldade em admitir que a assistência obstétrica prestada nessa unidade é coerente com uma proposta de atenção integral à mulher em trabalho de parto.
Acreditamos que, por tratar-se de unidade com proposta inovadora, os Centros de Parto Normal em funcionamento, atualmente, no país, constituem-se em ricas experiências assistenciais e de ensino, tanto para os profissionais, quanto para os estudantes da área da saúde, mas em especial para as mulheres neles atendidas, pois podem usufruir de sua autonomia durante a atenção recebida. Cabe a nós, enfermeiras obstétricas que atuamos nessas unidades, divulgarmos nosso trabalho, favorecendo, portanto, a troca de experiências; assim, estaremos contribuindo para a disseminação da proposta deste modelo de assistência. A dimensão dos fatores assistenciais, profissionais e institucionais que regem a filosofia dos Centros de Parto Normal reforçam nossa proposta de substituição da expressão assistência humanizada para assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente.
REFERÊNCIAS
(1) Brasil. Ministério da Saúde. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. (FEBRASGO) / Associação Brasileira de Obstretrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO). Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher. Brasília; 2001.
(2) Organização Mundial de Saúde (OMS). Maternidade segura. Assistência ao parto normal: um guia prático. Brasília; 1996. (OMS/SRF/MSM).
(3) Costa Filho CF. Tratado de obstetrícia FEBRASGO. Rio de Janeiro: Revinter; 2000. Infecção puerperal. Cap. 28, p. 380.
(4) Diniz CSG. Entre a técnica e os direitos humanos: possibilidades e limites da humanização da assistência ao parto [tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina da USP; 2001.
(5) Osava RH. Assistência ao parto no Brasil o lugar dos nãomédicos [tese]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da USP; 1997.
(6) Machado NXS. Infecção puerperal em um centro de parto normal: ocorrência e fatores de risco [dissertação]. São Paulo: Escola de Enfermagem da USP; 2004.
(7) Fabre ZL, Tobias L, Berreta IQ, Santiago ML. Humanização em UTI pediátrica: a equipe e a família. Arq Catarinenses Méd. 1992;21(1):34-7.
(8) Guimarães RL, Lunardi VL. O dilema ético frente à necessidade de revelação do diagnóstico de infecção hospitalar. Texto Contexto Enferm. 2000;9(2):137-46.
(9) Basile ALO, Pinheiro MSB, Miyashita NT. Centro de parto normal: o futuro no presente. São Paulo: JICA; 2004.
(10) Malik AM. Humanização. Coren-SP. 2000;(29):2-5.
(11) Rattner D. Humanizando o nascimento e parto: o workshop. In: Síntese do 1º Seminário Estadual Qualidade da Assistência ao Parto: contribuições da enfermagem; 1998 maio 14-15;
Curitiba. Curitiba: ABEn - Seção PR; 1998. p. 24-5.
(12) Carneiro LM. Parto humanizado: humanizar é preciso. J Rede Saúde. 2000;
(20):16-7.
(13) Cianciarullo TI. A avaliação do sistema de assistência de enfermagem como base do desenvolvimento do conhecimento na enfermagem. In: Cianciarullo TI, Gualda DMR, Melleiro MM, Anabuki MH. Sistema de assistência de enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone; 2001. Cap. 16, p. 293-302.
(14) Souza MF. As teorias de enfermagem e sua influência nos processos cuidativos. In: Cianciarullo TI, Gualda DMR, Melleiro MM, Anabuki MH. Sistema de assistência de
enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone; 2001. Cap. 2, p. 29-39.
(15) Horta WA. O processo de enfermagem. São Paulo: EPU/Edusp; 1979. p. 33-4.
(16) Paschoal MLH, Rogenski NMB. Sistema de assistência de enfermagem perioperatória. In: Cianciarullo TI, Gualda DMR, Melleiro MM, Anabuki MH. Sistema de assistência de enfermagem: evolução e tendências. São Paulo: Ícone; 2001. Cap. 11, p. 201-19.
(17) Ceccato SR, Van der Sand ICP. O cuidado humano como princípio da assistência de enfermagem à parturiente e seus familiares. Rev Eletrôn Enferm. [on-line] 2001; 3(1) Disponível em: http://www.fen.ufg.br/revista.html. [Acesso em 19 mar. 2002].
(18) Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP). Protocolo de assistência humanizada ao parto e nascimento. Itapecerica da Serra: HGIS; 1999.
Correspondência: Nilce Xavier de Souza Machado
Rua Concórdia, 44 CEP06850-000 - Itapecerica da Serra – SP
Artigo retirado do link: Universidade de São Paulo
Marcadores: casa de parto, humanização, parto natural

por: Leandra Rajczuk
Quem passa pela rua Jorge da Silva Luz, travessa da avenida do Oratório, no bairro de Sapopemba, zona leste da cidade, não imagina que ali existe um ambiente criado para que os bebês possam nascer mais tranqüilos e felizes. Esse lugar é a Casa de Parto, uma iniciativa do Projeto Qualis (Qualidade Integral em Saúde) da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, que integra o Programa Saúde da Família (PSF) do Ministério da Saúde e tem apoio do Instituto do Coração e da Fundação Zerbini (leia texto abaixo). A região, que tem cerca de 300 mil habitantes, foi escolhida para sediar a casa porque não possui nenhum leito de maternidade.
Inaugurada em 18 de setembro do ano passado, é a primeira e únida casa de parto do País onde é desenvolvido um trabalho de atendimento público e contínuo com plantões de 24 horas durante todos os dias da semana. "Muitas mulheres grávidas não tinham onde dar a luz e se queixavam da peregrinação a que eram submetidas em busca de uma vaga", afirma Ruth Osava, diretora da casa. "A partir daí surgiu a idéia de se criar a casa, que é um local sem características hospitalares dedicado ao contato mais próximo com a gestante antes, durante e após o parto."
É uma casa simples com folhagens desenhadas nas paredes, canteiros com flores e espaços que revelam um clima harmonioso. Um aquário com peixes ornamentais, próximo à entrada, tornam o ambiente ainda mais agradável e familiar. Para lá são encaminhadas gestantes do PSF/Qualis em condições clínicas de realizar o parto de forma normal, assistido pelas parteiras e sempre acompanhadas por um familiar que a própria gestante escolhe durante o pré-natal. "As mulheres triadas por médicos e enfermeiras de família passam por nova avaliação de risco na casa", explica Ruth. "Realizado o parto, o pai ou o acompanhante corta o cordão umbilical."
A equipe da casa é composta por enfermeira obstétrica ou parteira, que é a diretora técnica responsável, além de auxiliar de enfermagem, auxiliar de serviços gerais e motorista. Não há médicos no estabelecimento, mas existem obstetras e pediatras, designados pelo PSF para participar do treinamento específico da equipe da Casa de Parto para as situações de risco e de emergência. A capacitação das parteiras deve ser realizada através de aulas teóricas e práticas. "Temos uma sala devidamente equipada para proceder a ressuscitação dos recém-nascidos que precisarem de procedimentos mais avançados como, por exemplo, uma massagem cardíaca externa", enfatiza a diretora. "Apesar da suposta simplicidade do parto humanizado que realizamos, tanto a gestante como o bebê devem ser atendidos de forma eficiente."
A mulher é acompanhada desde o final de sua gestação, e admitida quando em trabalho de parto. Ela permanece no local entre 6 e 12 horas após o nascimento do bebê e recebe refeições preparadas de acordo com sua preferência. Após retornar ao domicílio, a mãe recebe também a visita da enfermeira ou médico de família. No dia 26 de março, às 11h40 da manhã nasceu Josué Ferreira da Silva, o primeiro filho do casal de evangélicos Josias e Helena, moradores da região. "Essa iniciativa é importante porque auxilia principalmente famílias carentes que não podem pagar um convênio particular", afirma Josias. "O trabalho feito pelas funcionárias é excelente e minha esposa recebeu muita atenção, reagindo com mais segurança frente ao parto. Isso me faz sentir tranqüilo como pai." Desde sua inauguração, a casa já realizou mais de 120 partos e, hoje, faz em média 30 por mês.
Elaboraçãode propostas
O Brasil é um dos campeões mundiais em número de cesarianas. Aproximadamente 35% dos partos realizados no Brasil são cirúrgicos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que no máximo 15% teriam justificativa para a operação. Segundo a professora Maria Luiza Riesco, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil da Escola de Enfermagem da USP, em São Paulo praticamente todos os partos ocorrem em hospitais e essa experiência nem sempre é positiva para todas as mulheres e também para as práticas assistenciais necessárias nessas situações. "Atualmente, o parto é muito medicalizado com várias intervenções e pouco espaço para a atuação da enfermeira obstétrica", diz. "Portanto, a casa de parto vem como uma opção de assistência mais humanizada para a mulher, pois possibilita, entre outras vantagens, a participação dos familiares."
A professora explica que cerca de 80% das gestações são de baixo risco, sendo importante ter a Casa de Parto como alternativa de um modelo assistencial diferenciado e de qualidade. "A casa ainda não é regulamentada como Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS) porque não se trata de um serviço de pronto atendimento, nem uma unidade de internação hospitalar ou ainda um serviço ambulatorial", argumenta Maria Luiza. "Para debater a questão, promovemos um workshop em março com a participação de especialistas da área que apresentaram propostas para a elaboração de um documento que está sendo produzido."
Nesse sentido, foi organizado o evento Missão Técnica São Paulo — 99, entre os dias 13, 14 e 15 de maio, na Faculdade de Saúde Pública da USP, com o objetivo de estruturar propostas para implantação de casas de parto em outras cidades brasileiras. No dia 14 foi a vez do professor Maresden Wagner, assessor e ex-chefe da Saúde da Mulher e da Criança da OMS, considerado o grande estimulador do parto normal e humanizado. Em sua palestra, o especialista procurou abordar temas como a progressiva hospitalização da assistência ao parto, a incorporação crescente da tecnologia e a elevação das taxas de cesariana que produziram um impacto negativo sobre as oportunidades de capacitação e atuação de enfermeiras obstétricas no parto.
Para o professor, a população precisa ser informada sobre a verdade da cesariana que aumenta em até oito vezes a possibilidade de morte materna e é responsável pelo desenvolvimento de infecções em até 20% das mulheres que se submeteram a essa cirurgia. "A Suécia é o país com a menor taxa de mortalidade infantil e materna do mundo, pois 90% dos partos acontecem sem a presença do médico", avisa. "O modelo de assistência mais moderna e eficiente que existe é a casa de parto, porque oferece maior segurança e menor custo."
De acordo com Ruth Osava, há apenas 40 anos a parteira saiu de cena da cidade de São Paulo. "Em 1956, 80% dos partos aconteciam nos próprios domicílios", conta. "Hoje, temos hospitais que realizam até mil partos por mês, ou seja, é um local que parece ter sido planejado para que os partos normais não ocorram. É preciso voltar a acompanhar o ritmo de um parto natural como fazemos aqui na Casa de Parto, oferecendo uma assistência mais digna e segura ao nascimento e parto das mulheres."
Segundo a diretora, as mulheres precisam saber que não existe uma data provável de parto, mas um período. "No Japão, 10% das mulheres dão à luz nas casas de parto e esse índice vem aumentando cada vez mais", ressalta. "Ao invés de saber quando a gestante terá o bebê, penso que a conversa no futuro será essa: Onde você vai dar a luz?"
Soluções comunitárias
A procura por tratamentos de saúde complementares à medicina tradicional é uma tendência crescente em todo o mundo. Em São Paulo, essa iniciativa é denominada Qualis — Qualidade Integral em Saúde. O projeto integra o Programa Saúde da Família (PSF) do Ministério da Saúde e reúne diversos profissionais na capital, além de equipes de saúde da família. Cada uma delas é formada por médico, auxiliar de enfermagem, enfermeira e agentes comunitários. No Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, bairro da zona leste, o Qualis entrou em execução há três anos. Já em Vila Nova Cachoeirinha e Sapopemba, o serviço existe desde fevereiro do ano passado e conta com 12 unidades de atendimento à família.
"Esses grupos de apoio são capazes de resolver 90% dos problemas de saúde da população atendida", afirma o médico David Capistrano da Costa Filho, coordenador do Qualis em Vila Nova Cachoeirinha e Sapopemba. "As famílias cadastradas recebem informações que vão desde como e onde fazer exames pré-natais ou atualizar a carteira de vacinação das crianças, até o encaminhamento de pacientes para cirurgias."
Segundo Capistrano, os agentes comunitários de saúde são escolhidos pela comunidade e treinados por técnicos do Ministério. O programa destina cinco ou seis agentes para cada grupo de mil a 1.250 famílias que as visita pelo menos uma vez por mês para detectar necessidade de tratamento ou internação. "Os agentes residem em sua área de atuação por pelo menos dois anos", ressalta. "A única exigência é que ele tenha um bom realicionamento e saiba ler e escrever para anotar os dados referentes à situação dos moradores."
É dada preferência também aos auxiliares de enfermagem que sejam moradores locais e tenham curso de nível superior. As inscrições são abertas em jornais de grande circulação da cidade e a seleção é feita por uma equipe de recursos humanos do programa. Os médicos de família também fazem cursos de capacitação para trabalhar no sistema. "Como nossas universidades formam apenas especialistas, ainda não temos no Brasil unidades para capacitar essas pessoas", explica.
A cidade de São Paulo conta com distribuição hospitalar muito desigual. Na região da avenida Paulista existem 14 leitos por mil habitantes, mas, no Parque São Lucas, não existe nem um. "Sapopemba foi escolhida para abrigar a Casa de Parto porque ali não há nenhum leito obstétrico", observa o coordenador. "Além disso, realizamos uma pesquisa na Partoral da Criança e constatamos que a gestante precisa percorrer de quatro a cinco maternidades para conseguir ser atendida."
Mas o trabalho não se esgota apenas como um programa de atenção básica para melhorar a qualidade de vida dos menos favorecidos. Uma média de 10% das pessoas necessitam de tratamento especializado, incluindo saúde física e mental como atendimento odontológico e psiquiátrico. De acordo com Capitrano, o índice de aprovação do sistema é de 98%. "Outros bairros também estão motivados pela iniciativa e querem implantar unidades do Qualis em suas localidades", reflete. "Esse é um projeto viável do ponto de vista financeiro, porque nosso custo mensal por pessoa é inferior a R$ 6,00. Gastamos, anualmente, menos de R$ 70,00 com cada paciente."
Publicado em 1999.
fonte: Jornal USP
Marcadores: casa de parto, governo, politica, sus
"Vida no Ventre"
escrito por: Tricia Lima em Quarta-feira, Outubro 25, 2006 às 4:50 PM.
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Esse é um documentário do NATGEO - National Geographic sobre a vida do bebê ainda dentro do útero. São imagens reais, lindas... infelizmente o DVD ainda não está a venda.
Vale a pena conferir, mesmo para quem já viu!!!
"Vida no Ventre" um documentário da National Geographic
Os 14 movimentos da antiginastica - 5º e 6º movimentos
escrito por: Tricia Lima em às 4:50 PM.
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São 14 no total, todos com um unico objetivo: preparar o seu corpo para o trabalho de parto e parto. São simples, dá pra fazer em casa, facil, facil. Quem inventou? A terapeuta corporal Therese Bertherat.
::QUINTO MOVIMENTO::
"Quando suas costas respiram"
(pag. 144)
"Para este movimento, é preciso que você tenha duas ou três bolinhas de dois centimetros de diâmetro. Podem ser de até, no máximo, três centímetros se você suportar bem. Costumo usar bolinhas de cortiça porque é um material suave e agradável ao tato.
Deite-se de costas, pernas flexionadas, pés encostados um no outro, e contraia o interior das coxas, como no movimento nº4. depois, descanse as mãos ao longo do corpo, e tente relaxar os músculos “adutores” do interior das coxas.
Concentre a atenção no sacro. Tente perceber sua formação e seu contorno a partir do contato com o chão. Observe com precisão o lugar onde ele começa e ergue-se (em direção à ponta inferior perto do cóccix) e já não encosta no chão.
Pegue uma das bolinhas de cortiça e coloque-a à direita do sacro. Não no osso do sacro, mas perto de sua borda, no lugar em que você sente que ele começa a se afastar do chão, isto é, perto do cóccix. Seu corpo fica pousado na bola, você sente o contato, mas que não seja muito dolorido. Se for é preciso mudar a bola de lugar. Ponha-a mais afastada do sacro, isto é, mais para a direita, ou para baixo. É claro que o corpo ainda deve ficar em contato com ela.
Em seguida, não faça nada. Observe esse contato, as eventuais reações de suas costas, da barriga, dos ombros, da nuca. Tente soltar as tensões da região lombar; encoste a cintura no chão. Mesmo que o contato seja leve, já está bem. Não acredite que, quanto mais dói, melhor.
Assim que o lado direito entender esse contato com um corpo estranho, coloque outra bolinha à esquerda, na mesma altura, simetricamente. Assim, ficam as duas bolas de cada lado do sacro. Com calma, encoste a cintura no chão, relaxe as costas.
Abra a boca e deixe a língua alargar-se lá dentro. Fique atenta ao ritmo da respiração. Quando sentir vontade de soltar o ar, procure fazer uma leve pressão com o corpo sobre as bolinhas. Cuidado, não erga as costas para fazer isso. O movimento é interno e muito leve. Depois, quando sentir vontade de inspirar, faça também uma leve pressão sobre as bolas. Faça como se cada lado do sacro, você tivesse dois minúsculos pulmões anexos que também quisessem respirar. Encher, esvaziar, dentro de um ritmo sereno.
Ao fim de um minuto – ou mais, se você se sentir bem – tire as bolinhas com um gesto simples, sem fazer nenhuma contorção. Encoste com delicadeza as mãos na barriga, e aprecie a largueza de suas costas, desde os ombros até o sacro. Descanse o tempo que puder, depois estique as pernas devagar, uma após a outra, deixando escorregar os calcanhares no chão, sem ergue-los nem mexer com as costas. Deixe os pés caírem a vontade e saboreie o apoio confortável da barriga das pernas, das costas encostadas no chão."
Observação: a terapeuta pede que haja um intervalo entre um movimento e outro. De preferencia um dia, é suficiente. Então, pra quem está grávida e praticando a antiginástica, lembrem-se de executar bastante um movimento antes de partir pro próximo... e sempre com o intervalo de um dia entre eles...:: SEXTO MOVIMENTO ::
“Quando duas costas respiram de novo”
(pág. 147)
"Quando você estiver dominando bem esses movimentos, poderá num outro dia passar para o seguinte. Tente descobrir na linha da cintura o espaço entre o osso da bacia (crista ilíaca) e as costelas. Atrás, ficam as vértebras lombares, mas dos dois lados você não sente nenhum osso nesse espaço.
Deite-se de costas, deixe os pés encostados um no outro e bem apoiados no chão, coxas juntas. Depois, coloque a bolinha à direita da cintura, bem para o lado de fora, isto é, bem à direita para que o contato fique mais perceptível sem doer. Abra a boca, preste atenção na respiração. Quando sentir à vontade, coloque a outra bolinha à esquerda, simetricamente. Respire com calma em direção às bolinhas, como se os pulmões se alongassem até a cintura, fazendo uma ligeira massagem no útero quando o ar passar.
Ao retirar as bolinhas, fique descansando um pouco, com as pernas ainda flexionadas, e observe com cuidado como se encostam no chão a cintura, as costas, os ombros, e como você percebe sua respiração."
retirado do livro:
Quando o corpo consente
Marie Bertherat
Thérèse Bertherat
Paule Brung
Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 1997
161 páginas
Marcadores: atividades fisicas, dicas, gestação
Anjos da Floresta
escrito por: Tricia Lima em Terça-feira, Outubro 24, 2006 às 4:49 PM.
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No Amapá, pontinha do Brasil, mulheres sem diploma, nem alfabetização, têm garantido a queda no número de cesarianas e nas taxas de mortalidade materna e infantil. São as parteiras, que ajudam mulheres que vivem à beira dos rios e nas florestas, a dar à luz a brasileiros e brasileiras sem plano de saúde ou INSS
As parteiras existem desde sempre, mas só há sete anos são reconhecidas.
Isso, no Amapá, onde trocam, com médicos, experiências sobre como trazer vida ao mundo. Ganham, do governo, meio salário mínimo por mês e são responsáveis pelas estatísticas que fizeram do estado, o campeão de partos normais no Brasil: 88%.
O relacionamento entre eles é um mar de rosas - literalmente, pois não faltam espinhos. Afinal, os homens de branco estudaram - e muito - para ter o controle do parto nas mãos.
Elas, não. São pescadoras, agricultoras, artesãs, benzedeiras, índias, castanheiras, lavadeiras, extrativistas, donas de casa, na maioria analfabetas. Em compensação, conhecem a biologia feminina o suficiente para saber que respeitar o ritmo do corpo e a mulher, prestes a dar à luz, é fundamental para diminuir a dor e o tempo do parto.
E a população amapaense respeita e confia nas parteiras. Mais que ajudantes da mulher prestes a ter um filho, elas atuam como agentes de saúde, conselheiras, curadoras da família e dos necessitados, na medida em que conhecem as comunidades, seus segredos, intimidade e dramas que se desenrolam na mata e nas vilas.
Por tudo isso, está no cotidiano delas o ponto de partida para a discussão sobre o parto humanizado, que ganha corpo no Brasil e em vários países desenvolvidos. Essa nova (velha) prática consiste em garantir às mulheres o direito ao parto natural, em um ambiente em que se sintam seguras e no qual se respeitem seu bem-estar, sua intimidade e suas preferências pessoais e culturais.
Arte de Partejar - "No Amapá, parteiras fazem a maioria dos partos e não temos casos de mortalidade materna. A mulher escolhe onde quer parir e pode contar com um acompanhante e duas parteiras.
Desse jeito, a criança já nasce feliz. Tem mulher que nunca pariu no hospital e tem 10, 12 filhos", comenta Maria Teresa Bordallo que, como suas colegas, orienta as gestantes a fazerem o pré-natal e acompanha toda a gestação.
Só casos de alto risco são levados ao hospital, com diagnóstico. E, mesmo assim, só depois que as orações para Nossa Senhora do Bom Parto e à Santa Margarida não dão resultados, o que é raro acontecer.
As parteiras se acham escolhidas por Deus para a arte de partejar. Acreditam que se torna parteira aquela que chorou no ventre materno. O aprendizado do ofício, afirmam, é transmitido também de modo meio mágico: revelado em sonho ou depois de doença grave...
"Quando unimos o saber popular com o saber científico as coisas melhoraram", afirma Maria Teresa, presidente da Rede Estadual das Parteiras do Amapá.
"Mas se o médico foi para a escola, nós temos um dom de Deus."
E - complementemos - um "hospital" próprio, a Casa de Parto de Oiapoque, a primeira da Amazônia, funcionando desde novembro de 2001. "É como se fosse a casa da parteira, para quem não pode ter o filho em sua própria casa, por problemas de estrutura, asseio...", explica.
Bênçãos à parte, em estudo feito com 200 parteiras do Amapá, descobriu-se que 53% são casadas, 15% solteiras, 20% viúvas e 12% separadas.
A média de idade é 54,6 anos e a fecundidade de 8,4 filhos. Partos assistidos: cerca de 381,5 cada uma. Como suas pacientes, habitam áreas carentes, exercem sua arte sem garantia trabalhista, muitas vezes recebendo, como paga, um punhado de milho ou uma galinha caipira.

Vitória do 'Primitivo' - A prática dessas parteiras se repete em pontos distantes do Brasil e começa a alcançar o chamado sul maravilha. Sem as rezas, sim! Mas partindo do mesmo princípio.
No Rio de Janeiro, por exemplo, as enfermeiras obstetras Marilanda Lopes e Heloísa Lessa desenvolvem o projeto "Manhê": "Assistimos parturientes em nosso consultório desde o pré-natal, que inclui três consultas domiciliares, para que ela escolha o local de sua casa onde terá o bebê e para planejarmos o material a ser usado. Nosso projeto é centrado no estudo teórico da ecologia do parto e temos um obstetra e um pediatra na equipe. Como suporte, uma clínica padrão para eventuais casos de internação."
Em abril, na capital fluminense, a Fiocruz e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) realizaram o Congresso Internacional de Ecologia do Parto e do Nascimento, para debater o parto mais como uma celebração humana que um ato médico.
Mas, a estrela do encontro não foi uma parteira e, sim, o médico francês Michel Odent, coordenador do programa "Parteiras Francesas", especialista em partos domésticos e defensor de sua humanização.
Ele é contra a interferência exagerada dos médicos na evolução natural do parto, e é crítico ferrenho da "epidemia de cesarianas" ocorrida no século 20 - a Organização Mundial de Saúde considera aceitável uma taxa de cesárea não superior a 15% ao ano. "Hoje, bebês vêm ao mundo com dia e hora marcada. O médico antecipa o nascimento rompendo a bolsa, forçando a dilatação do colo do útero com o dedo, controlando as contrações com soro", enumera Marilanda Lopes, também professora de Obstetrícia da Faculdade de Enfermagem da UERJ.
É condenável para Michel Odent, ainda, a conversa com a parturiente durante o trabalho de parto. "O médico tem de apoiar, sem verbalizar, sem estimular o neo-cortex (a parte do cérebro que nos deixa em alerta). Conversar impede que seu cérebro primitivo se manifeste. E é ele que leva a pessoa a fazer coisas que não faria em sã consciência, como gritar e ficar em posições que facilitam o nascimento do bebê", esclarece a professora.
E vai além: um ambiente doméstico, dentro da realidade da paciente, e acompanhantes de sua escolha também facilitam seu contato com o eu interior.
"Dessa forma, ela libera hormônios, presentes durante a evolução do trabalho de parto, e morfinas naturais do organismo (as endorfinas), que são analgésicos potentes, capazes de diminuir a dor natural do momento."
"Qualquer olhar externo, insiste o francês, inibe a evolução natural do parto." E isso vale para a equipe médica - com muitos estranhos -, e para a filmagem do nascimento, tão em moda nas maternidades top do País. Mulheres atendidas dentro dos princípios de Odent levam de 4 a 6 horas em trabalho de parto. No método atual, os livros de obstetrícia descrevem partos de 12 a 18 horas.
Estudiosos e defensores do parto humanizado, no entanto, acreditam que o nascimento pode ser rápido e seguro não só nos domicílios ou casas de parto.
Os hospitais e centros de nascimento também podem adaptar-se à velha e vitoriosa prática de não interferir no ritmo da natureza, dispensando palmadas, luz no rosto e excesso de tecnologia em nome da vida.
“Comecei a fazer parto com 16 anos por conta de uma necessidade. Vivia na margem do Amazonas e lá não tinha parteira. Saíram para buscar uma e me vi só com a sra. Domingas. Aí, tive de fazer o parto. “Acho que já fiz mais de mil, sem nunca ter perdido uma mãe ou um filho. Mas o mais difícil foi dentro de um avião. Só fazemos partos de baixo risco, de alto risco encaminhamos para o hospital. Só que nesse não teve jeito, estávamos indo para o hospital. A criança nasceu com 5 quilos.” - Teresa Bordallo, 52 anos, presidente da Associação do Movimento das Parteiras Tradicionais do Oiapoque, que reúne 118 profissionais, e da Rede Estadual das Parteiras Tradicionais do Amapá.
“O primeiro parto que eu fiz foi o da minha mãe. Tinha 12 anos. Foi uma surpresa muito grande. Meu pai foi buscar a parteira, minha mãe chamou minha irmã de 14 anos, mas ela não teve coragem. Daí, ela me chamou e eu fui. Ficamos só nós duas no quarto e mamãe me dizia o que fazer. Depois que eu terminei, chegou a parteira. “Com o tempo, passei a ajudar a madrasta do meu pai, que também era parteira. Eu amarrava o umbigo, dava a tesoura, fazia a oração para ajudar a descolar placenta colada... “Fiquei uns dez anos sem fazer parto, mas não teve jeito. Um dia, voltei para casa, e minha cunhada estava dando à luz. Fiz o parto. Meu sobrinho nasceu, mas não respirava. Bati a tesoura no prato, fazendo zoada perto da cabeça dele, o prato quebrou em cima dele e ele despertou.” - Balbina Loureiro Dias de Lima, 47 anos
Tania Regina Pinto
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FONTE:
Data: 29/06/2002
Fonte: O Estado de S.Paulo
Local: São Paulo - SP
Link: http://www.estado.com.br/
Marcadores: parteira
Nasce o pequeno Lucas, filho do casal Henri Castelli e Isabelli Fontana
escrito por: Tricia Lima em às 4:48 PM.
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"Nasceu nesta segunda, 23 de outubro, ás 2h12 da madrugada, no Hospital Albert Einstein o pequeno Lucas. Filho do casal Henri Castelli e Isabelli Fontana. É um lindo bebê , que veio ao mundo de parto normal, pesando 3.525 Kg e medindo 51 centímetros. Mãe e filho passam bem e tem previsão de alta para a próxima quarta-feira."
IIIUUPPIII!!!!
Finalmente nasce um bebê vaginalmente... coisa rara hoje em dia...
Para minha surpresa, ontem o blog chegou a 49 acessos. Foi o recorde de pessoas visitando o site por dia!!! Portanto, quero agradecer aqui a todos que, mesmo sem comentar nada, vem aqui, lêem alguma coisa, e voltam depois. =)
Obrigada a todos!
Sintam-se a vontade pra escrever, comentar, criticar, dizer o que pensam. "Afinal, uma andorinha só não faz verão", e ter a opinião de vocês aqui seria muito bom!
até logo,
Marcadores: diversos
Parto surpresa: Chilena tem filho sem saber que estava grávida
escrito por: Tricia Lima em às 4:47 PM.
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Griselda Navarro se surpreendeu com a notícia de que estava grávida e em trabalho de parto quando, no último dia 15, foi com seu marido Pablo Antonio Garrido, também chileno, ao hospital Príncipe de Astúrias de Alcalá porque "não agüentava mais", segundo explicou à imprensa local.
Ao ser atendida, Griselda foi informada sobre o seu estado após ser submetida a uma análise de urina. As náuseas e o mal-estar geral que a chilena diz ter sofrido desde janeiro passado lhe acompanharam pelos nove meses seguintes, durante os quais afirma ter tomado até dez remédios diferentes para combater os problemas estomacais, a retenção de líquidos e os gases que lhe disseram que sofria.
Mãe de dois filhos, Konstanz, 15 anos, e Pedro Pablo, 12, ela diz ter ficado surpresa por não ter notado que estava grávida. Griselda assegura que não sentiu nenhuma mudança parecida com suas duas gestações anteriores, embora tenha engordado seis quilos, fato que os médicos relacionaram a um problema de retenção de líquidos associado a sua suposta menopausa precoce.
Após o nascimento do bebê, uma menina que recebeu o nome de Pamela Andrea, Griselda Navarro decidiu levar o caso à associação do Defensor do Paciente na Espanha, que o tornou público, ao mesmo tempo que anunciou que apresentará uma denúncia contra o departamento de Saúde do Governo regional de Madri."
Fonte: EFE
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não sei porque mas não consigo acreditar que alguém não "perceba" que está esperando um filho. São tantos os contatos que temos com o bebê... os movimentos na barriga, a intuição materna aflorada, a enchurrada de hormonios...
Das duas, uma: ou essa mulher foi muito cega confiando no diagnóstico da médica que disse ser menopausa, ou ela se fez de burra pra melhor passar. 8-)
Os 14 movimentos da antiginástica - 4º movimento
escrito por: Tricia Lima em Segunda-feira, Outubro 23, 2006 às 4:46 PM.
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pra quem lê esse blog não é novidade, mas pra quem não ouviu falar deixe-me apresentar novamente os movimentos da antiginástica.
São 14 no total, todos com um unico objetivo: preparar o seu corpo para o trabalho de parto e parto. São simples, dá pra fazer em casa, facil, facil. Quem inventou? A terapeuta corporal Therese Bertherat.
Os três primeiros já foram publicados aqui no blog. Você pode encontrá-los na ferramenta de busca ai ao lado.
enjoy!
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"Como um berço"
(pag. 143)
Quarto movimento...
Para este movimento, você precisa de uma bola bem mole, do tamanho de um pequeno melão. Ajuda os músculos lombares a se descontraírem, a se alongarem. O sacro, você está lembrada, é um osso de forma triangular, no fim da coluna; a ponta inferior articula-se com o cóccix. Em cima, o sacro articula-se com os ossos da bacia e com a ultima vértebra lombar. Sua forma abaulada é convexa ao lado das costas e côncava do lado da barriga. Por isso, quando você esta deitada, forma uma espécie de berço onde ficam aninhados seu útero e sua barriga.
Vá apalpando seu sacro, tente seguir-lhe o contorno. Com os dedos, procure o cóccix bem no fim da coluna, no rego das nádegas. Ele está situado bem mais abaixo dos ossos da bacia, os ossos dos “quadris”, como se diz usualmente. As “cristas ilíacas”, como dizem os livros de anatomia. Sempre com a maior precisão e leveza da mão.
Deite-se no chão de costas, pernas flexionadas. Os pés devem ficar um junto ao outro e bem encostados no chão. Afaste ligeiramente as pernas e coloque a palma da mão direita entre as pernas, sobre a púbix e o sexo; coloque a palma da mão esquerda sobre a mão direita. Não precisa apertar. Na época em que o tamanho do útero dificultar esse movimento, não insista. O movimento pode ser feito com os braços estendidos ao longo do corpo. Preste atenção na respiração, e quando sentir vontade de soltar o ar, aperte uma coxa contra a outra. Procure observar contra suas mãos a força dos músculos (os adutores) que ficam na face interna das coxas. Repita isso durante umas três ou quatro respirações tranqüilas.
Repouse os braços ao longo do corpo. Conserve encostadas as pernas e também os pés. Mas sem forçar, e coloque a bola sob o sacro e o cóccix. Depois, não faça nada. Isso é o mais difícil.
Deixe a região lombar apoiar-se no chão com suavidade. Todas as partes ósseas, densas, fortes da face posterior do corpo – coluna vertebral, sacro, ossos da bacia – se encostam no chão, se afundam como um berço, ficam prontas para receber sua barriga, seu útero, seus líquidos, sua placenta, e seu querido bebê. Desde que você perceba os movimentos do bebe, vai sentir também suas reações no exato momento em que você conseguir alongar as costas. É provável que ele se ponha aos pinotes, feliz por ficar a vontade nesse espaço que você lhe oferece.
À medida que a parte inferior das costas se alonga, talvez você sinta a nuca se arquear e encurtar, por um jogo de compensações, como se os músculos concordassem de um lado para recusar o outro. Tente manter a nuca calma e alongada, e os ombros bem encostados no chão.
Tire a bola. Descanse de leve as mãos na barriga e saboreie o conforto e a segurança do sacro encostado no chão.
retirado do livro:
Quando o corpo consente
Marie Bertherat
Thérèse Bertherat
Paule Brung
Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 1997
161 páginas
Marcadores: atividades fisicas, dicas, gestação
A Formação da Profissão Obstétrica e a Patologização da gravidez e do parto.
escrito por: Tricia Lima em às 4:45 PM.
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Desde tempos imemoriais as mulheres foram atendidas no parto por outras mulheres. A entrada dos homens no campo necessitou de uma mudança na ordem simbólica e nos aspectos materiais da sociedade. A disputa pelo parto ocorre em vários níveis, mas acontece principalmente “em torno da vida conforme organizada em torno do acontecimento especial do parto.” (Arney, 1982: 22) (Grifo acrescentado).
Para o atendimento ao parto, havia várias mulheres e uma parteira, sendo que a prática destas baseava-se na concepção do nascimento como um processo normal e natural. O nascimento fazia parte da ordem moral do universo e o parto era para ser assistido sem grandes interferências, visto como uma crise pela qual as mulheres tinham que passar. A atitude das mulheres no parto revelava seu caráter moral. O nascimento de natimortos ou deformados indicava uma baixa moral dos pais aos olhos de Deus. Quando ocorria algo anômalo era necessário chamar o cirurgião, homens que usavam instrumentos – geralmente despedaçando o feto (Arney, 1982: 23).
No século XVI, na França, no Hôtel-Dieu iniciam-se aulas para parteiras e inaugura-se uma cooperação entre médicos e parteiras, com a observação de partos. A França provê material para uma abordagem técnico-científica da parturição, ao privilegiar a observação em detrimento da intervenção, neste período. A conceituação do corpo como máquina, no século XVII, reforça esta tendência e possibilita uma abordagem racional-científica do nascimento. Dentro do paradigma corpo-máquina a tarefa do médico no parto seria “manter a máquina funcionando bem” (Arney, 1982: 24). Com a concepção racionalista e a conseqüente disciplinarização do parto obscurece-se a fronteira entre normal e anormal e o parto é compreendido como um processo mecânico contínuo sobre o qual pode-se interferir, ‘melhorando’ seu funcionamento. Esta reformulação da base ideológica das parteiras é, segundo Arney, mais importante do que a invenção do fórceps, para a entrada dos homens na prática dos partos (Arney, 1982: 25). O ‘parto científico’ expande-se para a Inglaterra e, no início do século XVIII, algumas mulheres das classes abastadas optam por parto em hospital realizado por parteiro. Neste sentido o hospital torna-se um recurso organizacional estratégico para a entrada dos parteiros masculinos no campo profissional, até então restrito às mulheres (Arney, 1982: 29). Houve um avanço masculino neste campo profissional e, segundo Arney,
As parteiras não dispunham, como grupo, de um cabedal de conhecimento prescritivo que lhes permitisse repelir os avanços práticos e ideológicos dos homens armados com sua nova ciência. (Arney, 1982: 29).
No século XVIII, o Iluminismo expande-se pela Europa, a ciência é valorizada também na atividade de partejar e, posto que a ciência à época é apanágio e território eminentemente masculino, os homens ganham terreno. A presença masculina no parto, que no passado era associada à morte – os cirurgiões-barbeiros e os parteiros com fórceps só eram convocados pelas parteiras em casos extremos –, é modificada com a nova atividade do parto científico. Para Arney, diversos fatores contribuíram para a entrada gradual e maciça dos homens no mercado de partos. O primeiro deles era o fato de ser uma atividade altamente lucrativa para os homens, que gastavam menos tempo com as parturientes do que as parteiras – em parte graças ao uso de instrumentos, como o fórceps. Parteiros ingleses no século XVIII como, p. ex., William Smellie e William Hunter adquiriram posições de reputação e prestígio social com a prática privada de partos à medida que as mulheres de classes sociais mais abastadas passaram a optar pelo parto em hospital assistidas por estes profissionais (Arney, 1982: 28, 29). Outro aspecto apontado por Arney é mais sutil e complexo: as antigas práticas de parto continham uma atmosfera de mistério e medo, quando não de terror. As parteiras lidavam com o mistério, e quando os homens eram convocados com seus instrumentos instalava-se o terror. Nas palavras de Hugh Chamberlen, um parteiro desta época, “Quando o homem chega, um ou ambos [mãe ou feto] necessariamente vai morrer” (Wertz & Wertz, 1977 apud Arney, 1982: 33). Smellie, em meados do século XVIII, criou programas para parteiros instando-os a adotarem práticas menos destruidoras, e com o avanço de atendimento de parteiros em partos normais, em especial nas camadas aristocráticas e da alta burguesia – de maior visibilidade social –, a associação entre parteiros e morte foi perdendo força. A atividade de partejar funcionava também como porta de entrada dos homens na prática da clínica geral. À medida que os homens aprenderam a realizar partos sem danificar bebês e mulheres, tornaram-se aceitos como assistentes do parto e como curadores. Contudo, o medo em torno de gravidez e parto manteve-se e pode ter servido como base para a construção da noção de gravidez e parto como patologias, um conceito que foi fundamental para que os homens obtivessem o controle sobre o parto nos séculos seguintes (Arney, 1982: 33).

A construção do campo profissional da obstetrícia diferiu entre Inglaterra, França e Estados Unidos – os países abordados por Arney em seu estudo. O autor aponta que as parteiras declinaram mais rapidamente na América do que na Inglaterra, e faz a ressalva de que este dado pode ser devido a um artefato de registro. A prática de partos era um modo eficaz de a medicina entrar nas famílias, além de ser uma atividade muito lucrativa se comparada com outros campos da profissão (Arney, 1982: 40).
A noção de gravidez e parto como patologias, associada à valorização das práticas científicas relacionadas ao corpo abrem o caminho para a apropriação deste campo pela medicina. Outros fatores tiveram um relevante papel na construção deste quadro, passo a esboçá-los brevemente. De acordo com Foucault, no século XVIII, a medicina – como técnica geral de saúde, mais do que apenas o cuidado e cura das doenças – expande-se como função direta do grande crescimento demográfico do Ocidente europeu e da necessidade de coordená-lo através do surgimento do conceito de “população”. Este conceito surge não apenas como um problema teórico, mas como “objeto de vigilância, análise, intervenções, operações transformadoras” (Foucault, 1998b: 198, 202). O bem-estar físico e o crescimento das populações surgem como objetivos políticos, e a importância que a medicina adquire no século XVIII tem sua origem, segundo Foucault, no “cruzamento de uma nova economia ‘analítica’ da assistência com a emergência de uma ‘polícia’ geral da saúde” (Foucault, 1998b: 197). A “noso-política” surge no século XVIII, resultante de um problema multifacetado: o estado de saúde da população como um todo, tomado enquanto objetivo político geral, um encargo coletivo (Foucault, 1998b: 195). Foucault frisa que a iniciativa, organização e controle da noso-política encontram-se espalhados por todo o tecido social, não estando restritos ao aparelho de Estado, e a medicina funciona como ponta-de-lança nesse processo. Esta nova política médica difunde-se gradualmente por toda a Europa a partir do século XVIII e tem como reflexo a “organização (...) do complexo família-filhos, como instância primeira e imediata da medicalização dos indivíduos” (Foucault, 1998b: 200). Desta maneira, a criança – o futuro da população – passa a ser foco de uma atenção estratégica e, sobretudo, medicalizada. A família deve tornar-se o meio favorável à proteção e desenvolvimento da criança, e o laço conjugal passa a existir principalmente para servir de matriz ao futuro adulto. Em função do papel fundamental da mulher na gestação e no cuidado com a saúde dos filhos acentua-se concomitantemente a progressiva medicalização do corpo da mulher. Na expressão de Foucault, a família no século XVIII torna-se alvo de “um grande empreendimento de aculturação médica” (Foucault, 1998b: 200). O movimento higiênico que, no decorrer do século XIX, consolidou-se de forma hegemônica no Ocidente e teve seu auge nos anos 30 do século XX, constituiu-se como a via principal de construção de um novo paradigma.
O principal compromisso de um casal era com os filhos, em especial com a saúde destes. A nova mãe ‘higiênica’, responsável principal pela sobrevivência da prole e pela manutenção do casamento, envolvida primordialmente com a esfera doméstica, encontra nos médicos (ou é por eles encontrada como) a grande aliança (Costa, 1979: 255pp). Neste contexto o médico adquire uma posição altamente prestigiosa, posto que, ao mesmo tempo atende, orienta, cuida e ainda mantém intactas as estruturas sociais de poder, na realidade praticamente investindo-se do bio-poder.
No tocante à questão da estruturação da profissão, segundo Arney, no decorrer do século XIX as parteiras estavam mais ocupadas com suas práticas e com suas parturientes do que em estabelecer um corpo de conhecimento ou uma organização profissional. Assim, foram gradualmente sendo destituídas da prática dos partos. Nos Estados Unidos, a ciência foi muito mais importante para o estabelecimento da medicina como profissão do que na Inglaterra, tendo sido utilizada como pedra angular das grandes escolas médicas. Mais do que um marco para a divisão de sexos, a ciência foi fundamental para os praticantes masculinos conseguirem ultrapassar as barreiras da modéstia e do decoro. A patologização da gravidez tem um papel de destaque para a entrada de parteiros homens no mercado do parto. O parto científico realizado por médicos sublinhava a importância da ‘segurança’ de partos realizados por homens ao invés de parteiras, mulheres. Aliado a este aspecto, havia a associação entre o parto natural como uma prática dos selvagens e os argumentos evolucionistas importados da Inglaterra alicerçavam a noção de que, com a civilização avançando, a ‘natureza’ necessariamente se retraía e as mulheres perdiam a habilidade ‘natural’ de parirem com o mínimo de ajuda. Deste modo, a patologização do parto adquiria uma conotação positiva, nos Estados Unidos, pois definitivamente as mulheres americanas não queriam ter partos como as selvagens (Arney, 1982: 43). De acordo com Arney, as principais contribuições americanas para a formação da profissão da obstetrícia foram a medicalização e patologização da gravidez. É introduzida a anestesia com éter em 1842, para eliminar “as dores intoleráveis do parto”. Com a introdução da anestesia, a participação da mulher no parto é também eliminada, e isso ao mesmo tempo facilita a tarefa do médico e reforça a idéia de que o parto, para ser seguro, deve ser manejado por estes profissionais; concomitantemente torna-se necessária a utilização de instrumentos e de pessoas habilitadas para usá-los apropriadamente. A introdução do uso de ergotamina neste período, para acelerar o parto, foi mais um reforço no processo de medicalização deste, pois os riscos de tetanismo e de uma ruptura uterina reforçaram a necessidade da presença de médicos na parturição (Arney, 1982: 44).
Um problema na formação da profissão consistiu em que obstetrícia entrava no monopólio do parto pela via da patologia, mas nem todos os partos eram patológicos. Considerando a parturição como chave para o projeto obstétrico, a “normalidade residual” do parto tornava-se um problema para este projeto. Fazia-se necessário o desenvolvimento de meios para antever problemas e agir profilaticamente. Arney aponta que a Inglaterra e os Estados Unidos lidaram de modo diferente em relação à “normalidade residual”, em função de diferentes estruturações da profissão em cada país. Na Inglaterra, a obstetrícia tinha fronteiras fortemente demarcadas como profissão e os médicos atuavam tanto quanto as parteiras supervisionadas, enquanto nos EUA a obstetrícia era fracamente demarcada como profissão, mas em contrapartida a profissão médica estava fortemente demarcada: os partos eram feitos por generalistas e obstetras, mas sempre médicos. Esta diferença na rigidez das fronteiras profissionais influenciou as práticas do início da obstetrícia, posto que através delas a profissão estendeu seu alcance de modo a incluir os partos que fossem “potencialmente anormais”, além dos nitidamente patológicos (Arney, 1982: 51).
Nos EUA as práticas desenvolvidas pela especialidade rapidamente difundiram-se e tornaram-se rotina em todos os partos. Na Inglaterra, os especialistas médicos desenvolveram práticas nos partos complicados diferentes das que eram utilizadas nos partos sem complicações, e estas práticas permaneceram do lado médico da especialidade, não sendo utilizadas pelas parteiras. Arney aponta que fronteiras profissionais fortes e bem delimitadas tendem a conter as práticas por ela utilizadas, enquanto fronteiras fracas permitem uma difusão mais rápida para a prática geral (Arney, 1982: 52). Nos Estados Unidos, em fins do século XIX, as camadas pobres da população eram atendidas por parteiras, e alguns dados de pesquisas mostravam que estes partos eram mais seguros do que os ocorridos nas camadas da população que tinham acesso às intervenções médicas. A saída retórica para este problema consistiu, segundo Arney, em a profissão admitir que o parto era um evento “essencialmente normal e natural”, mas que havia sempre a possibilidade de algo sair errado. Desse modo, revestia-se de uma “dignidade patológica” (Arney, 1982: 54).
Joseph Bolivar DeLee é considerado um ícone de uma poderosa escola dentro da obstetrícia americana, a do “nascimento como patologia”. DeLee mostrava-se preocupado com o “potencial patológico” do parto, e com os “perigos do parto” para o bebê (Arney, 1982: 55). Em contraposição a ele, J. Whitridge Williams colocava-se como defensor de práticas mais conservadoras, mas o ponto de partida de ambos é o mesmo: o parto visto como potencialmente patológico (Arney, 1982: 57). Há inúmeros debates, com posições intermediárias entre os dois obstetras – ambos autores de influentes manuais de obstetrícia, com inúmeras reedições até os dias atuais –, verdadeiras batalhas pelo estabelecimento do campo profissional.
Em 1930 a posição de DeLee prevaleceu e o American Board of Obstetrics and Gynecology foi criado, desenvolvendo critérios para julgar a qualificação de especialistas. Com a profissão adquirindo status de especialidade, o olhar médico estreita-se, o “caso obstétrico” é destacado da pessoa e o “material obstétrico” é confinado ao útero e pelve (Arney, 1982: 59). À estruturação da obstetrícia como especialidade corresponde, portanto, uma construção social fragmentada da mulher, de sua vida e de seu corpo.
O modo de compreender e lidar com o corpo feminino, a gravidez e o parto articula-se de modo estreito à formação da obstetrícia como profissão em diferentes locais, em especial EUA e Inglaterra. Nos EUA esta visão tendeu a ser mais fragmentada, medicalizada e patologizada do que na Inglaterra.
Trecho retirado da Tese de:
** Lilian Krakowiski
Mestre em Saúde Coletiva e doutoranda do PPGSC do IMS/UERJ
Bolsista FAPERJ
Contato: liliank@cremerj.com.br;
Marcadores: gestação, obstetrícia, parto, pesquisas

sinceramente, você conseguiria viver sem esta noticia?
"Ligeiramente abatida, mas sorridente e bem humorada, Adriana Esteves saiu da maternidade nesta quinta-feira, 19. A atriz foi com o marido, o ator Vladimir Brichta, e o filho recém-nascido, Vicente, para o apartamento da mãe dela, Regina, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. (fonte: Globo.com)
Ligeiramente abatida é ótimo. Daqui a pouco vão dizer que cirurgia de grande porte é o mesmo que tirar um cravo do rosto. Simples, rápida, segura.
E não é assim que todas nós mulheres recebemos essa "imagem" de modernidade? Parir é coisa pra bicho. Será que é mesmo?
Mais uma atriz que teve seu filho dessa maneira. Bem que poderiam falar das outras tantas que parem todos os dias deitadas como uma tartaruga encalhada nas maternidades desse país. Tantas Marias, Silvanas, Franciscas, tantas...
preparando seu perineo para parir
escrito por: Tricia Lima em Domingo, Outubro 22, 2006 às 4:43 PM.
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Essa semana estive no consultorio da Dra Barbara com a Kelly, e ela ensinou a fazer uma massagem perineal com óleo de amendoas para prevenir roturas.Não é fazendo propaganda não, mas existe um óleo da Weleda maravilhoso e especifico para essa finalidade. Mas outros óleos tambem servem.
Como sou chata, fiquei pensando: será mesmo necessário fazer isso? Tenho certeza que minha avó nunca fez. Acho que vale mais ter paciência na hora do expulsivo, tentar não empurrar para o bebê nascer bem devagarinho...
Mas, se ajuda, então porque não tentar?
Faça o seguinte: use um bom oleo de amendoas e duas vezes ao dia, fique de cócoras (é a melhor posição, mas fica a seu criterio), e faça com os dois dedos indicadores um movimento de meia-lua, espalhando e esticando a pele abaixo do canal vaginal. Quanto mais forte melhor, pois o tecido vai cedendo. Repita varias veses o movimentos da esquerda pra direira e vice-versa. Só isso.
Duro é alcançar o dito cujo com uma barriga enorme no meio. Hohoho
Marcadores: dicas, episiotomia, gestação
parto normal após cesárea, é possivel?
escrito por: Tricia Lima em Sexta-feira, Outubro 20, 2006 às 4:40 PM.
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Minha resposta é: SIM! É possivel.
Com as seguintes condições para diminuição dos riscos e aumento da segurança da mãe e do bebê:
- o parto deve ser totalmente natural, sem intervenções. Não pode haver infusão do famoso "sorinho" (ocitocina) ou citotec (pilula colocada na vagina, muito usada para aborto clandestino) que costumam fazer nos hospitais, porque isso aumenta o risco de ruptura.
- a gestante deve ter liberdade total em assumir posições que julgue mais confortáveis (como cócoras por exemplo).
- tem que haver muita paciencia para deixar o processo acontecer naturalmente.
Nos casos de parto normal após cesárea, cabe o velho ditado americano:
"Parir é seguro. Interferir na natureza é que é perigoso."
Apesar do que os médicos-apavorados contam, o risco entre um VBAC1 (Vaginal Birth After ONE Cesarean)e o VBAC2 (after TWO), é de apenas 0,7% a mais na ruptura uterina. Ou seja, o risco de ruptura uterina em uma mulher com UMA cesárea prévia é de 0,6% (em media) e o risco de ruptura em uma mulher com DUAS cesáreas prévias, aumenta para 1,2%.
Não estou inventando nada. É Medicina baseada em evidências. Foram várias pesquisas cientificas realizadas nos EUA e Europa, e no resto do mundo também, estudando ocorrencias de ruptura uterina em grupos de mulheres com 1, 2 ou mais cesareas prévias.
Participo de uma lista de discussão chamada ICAN, americana, onde há vários casos de mulheres que pariram por suas próprias entranhas após 2 ou 3 cesáreas. Juro.
Quem quiser saber mais, indico esse site Plus Size Pregnancy, que inclusive tem vários estudos comprovando que é possivel sim.


Marcadores: parto normal após cesárea
A parteira como água
escrito por: Tricia Lima em Quinta-feira, Outubro 19, 2006 às 4:40 PM.
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Anna Basevi**
2004
Numa casa de campo, no sul do México, vive Naoli Vinaver, 38 anos, com seu companheiro e seus três filhos que ali nasceram. O terceiro parto, de uma menina, foi gravado e editado num vídeo: “Dia de Nacimiento” (produzido por Sage Femme – www.homebirthvideos.com). Como as poucas mulheres que resolveram dar à luz sem intervenções nem auxílio médico, ela foi literalmente e totalmente parteira de si mesma.
Mas, no dia a dia, Naoli é parteira profissional, assistindo as mulheres no domicílio, há 15 anos, desde que começou o aprendizado com as parteiras tradicionais que ainda atuam na realidade rural mexicana. Dos 500 partos aos quais assistiu, com uma média atual de 40 por ano, remunerados de acordo com a faixa social de cada mulher, a metade é de mulheres camponesas, uma parte de estudantes universitárias, e o restante de mulheres urbanas de classe médio-alta que resolvem fazer à experiência do parto domiciliar.
Um aprendizado tradicional, uma mulher moderna
Esta mulher que, para falar do parto sente necessidade, antes de tudo, de falar da vida, representa uma verdadeira ponte entre a sabedoria antiga e a vida moderna, porque possui uma trajetória inédita. Ela é de família etnicamente e culturalmente misturada: os pais intelectuais optaram pela vida no campo, ela se formou em antropologia, com una tese sobre dança, tema que foi aprofundar com uma bolsa de estudo no Congo. Ao regressar, começou a se interessar pelas experiências de parto (que, até então, conhecia de perto somente entre os animais), procurou livros e informações e as parteiras tradicionais. Foi justamente com elas que aprendeu e se desenvolveu profissionalmente, sem passar por um treinamento de enfermagem ou obstetrícia tradicionais. Enfim, aprofundou sua formação numa escola de parteiras situada na fronteira entre México e os EUA, ao mesmo tempo em que continuou seu percurso de leituras e troca de informações sempre envolvendo o saber das parteiras camponesas.
Ela se considera uma ponte de informações entre as mulheres do campo e as mulheres da cidade, comparando-se a uma borboleta que passando de flor em flor e se torna um meio de trocas e comunicação.
Hoje em dia, dedica parte de seu tempo à divulgação e resgate do trabalho das parteiras, atua do Midwifery Today, em parceria com nomes de destaque como o do doutor Michel Odent, e o da antropóloga Robbie Davis-Floyd, além de outras parteiras engajadas vindo de paises diferentes.
No Brasil
Com essa mesma finalidade ela veio ao Brasil algumas vezes. A primeira vez, em 2003, coordenou duas oficinas no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, e no Rio de Janeiro contou sua experiência profissional e de vida, aceitando o convite de Heloisa Lessa (enfermeira obstetra) e do Núcleo de Pesquisa em Enfermagem na Saúde da Mulher da Abenfo (Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras - entdidade encarregada de fornecer pareceres técnicos sobre ensino, assessorar cursos de atualização e ministrar diretamente cursos para enfermeiras obstetras e neonatais). Em 2004, participou: em maio, como uma das principais conferencistas, ao II Congresso Ecologia do Parto e do Nascimento (acontecido na UERJ); em setembro, ao Encontro Nacional de Parteiras tradicionais na Bahia. Ainda a esperamos em novembro para mais palestras no Rio e em São Paulo.
O conhecimento intuitivo: a Natureza como guia
A humanidade, lembra Naoli, na primeira parte de sua palestra “A intuição e o parto”, surgiu sem tecnologia, e, se não faz nenhum sentido hoje negá-la, é importante frisar sua interferência excessiva e muitas vezes prejudicial. Seria mais saudável considerar a tecnologia um auxílio possível e não o dogma de uma nova religião. Questionar a ilusão de conhecimento absoluto que através dela se pretende oferecer significa também se conscientizar da impossibilidade de garantir absolutamente a vida pelo uso da ciência.
O conceito de intuição carrega em si etiquetas que não fazem jus ao seu verdadeiro sentido, assim como o conceito de “primitivo”. No lugar deste, Naoli prefere usar o conceito de “originário”. Rumo às nossas origens de mamíferos, deve-se devolver o parto (hoje em dia, nas mãos do sistema médico) à comunidade humana e principalmente às mulheres, resgatando a capacidade originária de parir e de assistir a um parto, deixando que a Natureza seja o guia principal deste evento. Por isso, sem chegar a propô-lo como definição oficial (já que atualmente o discurso se situa sob o título de “parto humanizado”), ela sugere que se assuma interiormente a idéia de um parto “animalizado”.
As parteiras tradicionais são consideradas “pouco preparadas” numa comparação estereotipada com os profissionais de saúde, única referência para medir o conhecimento.
Mas o que é tradição?
Há quanto tempo, dentro da longa história humana, se corta o cordão antecipadamente? Há 50 anos? Há quanto tempo a mulher é colocada na posição deitada? Um século, dois, três? Há quanto tempo, se usa a ocitocina artificial? Há quanto a episiotomia tornou-se rotina? Há quanto são os homens que fazem parto? E há quanto tempo lemos livros escritos por homens sobre os sentimentos das mulheres, a sexualidade e o parto?
O que seria a INTUIÇÃO?
Naoli propõe estas perguntas para a reflexão e também conta casos, episódios, nos traz exemplos concretos, vividos, desde sua infância até o trabalho de parteira ao longo destes anos e conclui: há momentos de compreensão profunda, onde temos a sensação nítida de saber como agir, ou em que agimos da maneira certa seguindo uma voz interior que nos guia e dá proteção; a intuição seria o momento em que o conhecimento se une ao originário.
A vivência no parto como na sexualidade
Ao começar a segunda parte da palestra, “A sexualidade e o parto”, Naoli pediu para que as ouvintes dissessem o que segundo elas a sexualidade abrange e implica para que seja bem vivida. As respostas foram várias e o perfil da sexualidade que surgiu foi os seguintes: desejo, relaxamento, liberdade de expressar-se, reciprocidade, respeito dos próprios ritmos, carinho, espontaneidade.... Ela observou como os elementos necessários ao desenvolvimento de uma sexualidade satisfatória são os mesmos que devem estar presentes durante o processo do trabalho de parto, que tem o parto como momento culminante, assim como seria o orgasmo na sexualidade.
O relaxamento no trabalho de parto é fundamental; depende, porém, de diversos fatores: desde do local escolhido, às pessoas envolvidas, ao relaxamento da boca e da mandíbula (a própria Naoli contou que no trabalho de parto de um de seus filhos sentia a necessidade de relaxar a boca toda e espontaneamente dirigia-se para o que percebia ser sua única solução, ou seja, colocar sua língua na boca de seu homem a cada contração), à intuição da parteira de encontrar a chave emocional certa para que a mulher permita a abertura – às vezes amparando fisicamente a mulher, outras recuando para deixá-la concentrada em si mesma, ou criando um espaço físico-emocional apropriado e comum, ou então saindo do espaço da mulher para só observar.
A identidade da mulher, na hora das contrações se torna imprevisível, mas totalmente verdadeira se ela se permitir estar dentro de si e expressar sua natureza de animal, instintiva, selvagem, livre. E por isso, sempre repleta de beleza.
E a parteira, por sua vez, se despoja de autoridade e vaidade, de qualquer papel preestabelecido, para ser também uma mulher, um bicho, um ser natural seguindo seu saber interior, com os pés fincados no conhecimento adquirido na prática.
Atrás das palavras
A mulher, ou o homem, que se propõe a assistir e auxiliar num parto, inevitavelmente carrega consigo sua visão do corpo feminino e sua relação com a sexualidade. Numa sociedade onde estas questões ainda são mal resolvidas e o imaginário do corpo feminino e do parto são impregnados de negatividade, é inevitável que criem e se mantenham em vida termos e expressões que revelam os valores predominantes. Além do famoso “quem fez seu parto?” ou “eu fiz o parto dela”, que remete à passividade da mulher e ao protagonismo do/a médico/a (expressões que é muito difícil transformar), há toda uma terminologia que cotidianamente escolhemos; todos nós somos responsáveis pelo uso e efeito das palavras.
O sexo feminino, por exemplo, possui muitos apelidos infantis, apelidos vulgares, ou denominações frias e desumanas, tais como “canal de parto” no jargão médico. A própria palavra “vagina”, afirma Naoli, não corresponde à beleza e à importância que a natureza deu ao órgão sexual feminino. Uma atitude questionada pelas ouvintes foi a definição técnica “produto”, para dizer “criança”.
No mundo inteiro, as parteiras tradicionais, apesar de possuir o calor, interesse, intuição e competência adequados, vêm sendo marginalizadas, desconsideradas e até discriminadas. No México, as crianças no campo, ao encontrá-las, as chamam de “vuelas” (vovós), mas elas evitam aparecer no hospital quando resolvem levar as parturientes com complicações graves para serem atendidas. E, no entanto, seria de grande utilidade que elas pudessem expor o próprio conhecimento e entendimento dos fatos, além dos detalhes e do histórico daquele caso, para que os médicos e as enfermeiras possam se orientarem melhor.
A competência das parteiras, não diz respeito somente ao apoio emocional e ao entendimento sutil da energia interior, como também das questões e problemáticas fisiológicas consideradas motivos para cesarianas ou intervenções médicas. Um circular de cordão ou um bebê pélvico são situações que podem ser resolvidas por elas com bastante tranqüilidade, assim como a espera até a 42ª semana não precisa tornar-se um motivo de ansiedade. Por outro lado, elas possuem a consciência e a capacidade de reconhecer o perigo de um batimento cardíaco baixo e levar as mulheres no hospital em casos de real necessidade.
Naoli nos conta que em 500 partos que ela assistiu, recorreu à episiotomia somente duas vezes.
Entretanto, no meio de uma humanidade que paga pela civilização com a perda da criatividade, da autonomia e da confiança no conhecimento interior, as parteiras são consideradas “mão suja”.
A viagem de duas mulheres
Entretanto, a parteira, que não tem as influências prejudiciais da formação institucionalizada (por ter aprendido com outras parteiras ou, no caso de parteiras “modernas”, por redefinir o próprio papel de enfermeira ou obstetra) parece representar, hoje, uma figura de vanguarda, unindo em si o máximo respeito para com o processo do trabalho de parto junto à capacidade de intuir as necessidades sutis e profundas da mulher, sabendo o tipo de toque, de contato, de palavra ou de silêncio que pode resguardar a energia mais sagrada e íntima, permitindo-lhe expressar sua individualidade, dando-lhe o máximo crédito na hora de seu parto. À mulher é devolvida sua autoridade: naquele momento, é ela quem faz o parto. A parteira observa, cria as condições necessárias, ajuda com exercícios, sugestões ou manobras se for preciso, mas sempre respeitando a conexão da mulher com seu próprio instinto. É por isso que Naoli compara a parteira à água: uma presença capaz de se transformar e adquirir a forma que a mulher necessita e que seu processo de parto indica.
Naoli resgata todo o valor de ser parteira, explicando que a maior dádiva neste trabalho, longe de ser a recompensa em dinheiro, é a oportunidade de participar de um momento de “desnudez” da mulher, com um alto potencial de descoberta, de força, de abertura. A cada vez, ela se sente envolvida numa viagem imprevista onde a paisagem sempre surge diferente. E ela, a parteira, com a experiência de outras 500 viagens, acompanha a mulher, nunca por trás, nem sequer na frente, mas caminhando ao seu lado, descobrindo juntas um novo mundo, explorando as possibilidades da natureza humana.
Naoli encerra seu intenso depoimento, que muitas vezes semeia emoções e nunca deixa espaços vazios ou de cansaço, com o vídeo de seu terceiro parto: uma menina vindo ao mundo numa banheira de azulejos azuis, no meio do campo próximo à Xalapa, na região de Vera Cruz, recebida pela mãe, o pai, os irmãozinhos, no final todos imergidos na água.
Desta vez, Naoli deixa de ser água para outra mulher e mergulha dentro do elemento primário e dentro de si para encontrar-se com o que nela sabe seguir o caminho originário, com aquilo que sabe cumprir a viagem transformadora do parto quando nascem, como ela mesma conclui no filme, uma criança, um novo equilíbrio familiar, uma nova mulher.
* Relato do discurso de Naolí Vinaver na sede da Abenfo: “A intuição e a sexualidade no Parto e no Nascimento” 31/01/ 2003, Rio de Janeiro
** Anna Basevi é professora de italiano no Rio, em formação em Antiginástica - Thérèse Bertherat. Está engajada no movimento pela humanização do parto e faz parte do grupo de apoio Amigas do Peito. Participou do projeto “Amigas da Luz” para o treinamento de doulas, em 2002. Teve dois filhos, o primeiro nascido de cesárea e a segunda de parto normal, seus relatos foram publicados no livro “Mulheres contam o parto” (SP, Ed. Itália Nova, 2003).
FONTE: ONG Amigas do Parto
Marcadores: parteira

"O que mais reclamo nas maternidades é a violência dos médicos com a gente. Não sabem se você tem passagem para o neném, mas é só ir chegando que vão logo te cortando. ’Abre as pernas’, você abre e vuum, dão um corte! Talvez o neném até nascesse naturalmente. A violência maior é esse corte que dão na gente. Esse períneo é uma tristeza! Às vezes dão anestesia, mas nem sempre. E você toma aquela picada; na hora não sente, mas depois tem os fios de nylon que secam e ficam duros com aquelas pontas todas... é horrível e se você não ficar untando, fica tudo seco e dói muito. É uma barbaridade!
A maioria das mulheres não gosta de ir para o hospital e tenta esperar até a ultima hora. Por isso é que muitas vezes o neném nasce em casa, na rua, até no táxi, e como tem esses casos de mulheres que não podem ter parto normal, é onde muito neném morre, porque elas ficam agüentando até o ultimo momento e quando chegam não dá mais tempo de fazer o parto normal porque não tem passagem. Então eles forçam a pessoa para dar passagem e é quando o neném morre e até a mãe pode morrer. Se você está esperando as contrações, vem um médico, enfia o dedo e dá um toque; vem outro, dá outro toque ainda e outro mais... as mulheres ficam aterrorizadas. Às vezes, eles vêm por curiosidade de aprender, como os acadêmicos. Se fosse só um médico, aquele que vai fazer o teu parto e ainda está te dando assistência, então seria mais certo. Mas vários médicos... você lá com as pernas abertas, e TUM, daqui a pouco já é outro, e TUM de novo, e depois outro ainda, enfia a luva, o dedo, TUM... e vai embora! Isso é uma violência danada!”
(Depoimento de Cristina, página 26, retirado do livro “Mulher, Parto e Psicodrama” de Vitória Pamplona.)
Marcadores: depoimento, episiotomia, sus
Recém-nascidos sentem mais dor do que os pediatras acreditam
escrito por: Tricia Lima em Quarta-feira, Outubro 18, 2006 às 4:38 PM.
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PARIS - Os recém-nascidos sentem mais dor do que os pediatras acreditam, de acordo com um estudo inédito do Centro Nacional de Recursos de Luta contra a Dor (CNDR) publicado nesta quarta-feira no jornal francês "Lê Monde".
De acordo com o estudo, os bebês sofrem uma média de 70 gestos dolorosos durante as consultas médicas, dos quais só 60% são realizados com sedação ou alguma forma de anestesia administrada de forma contínua.
Na avaliação dos pesquisadores, as aspirações na traquéia (33%), as punções de sangue no calcanhar (28%) e aplicação na pele de diferentes adesivos (18%) são as práticas que geram mais dor. Foram avaliados, entre setembro de 2005 e janeiro deste ano, 431 recém-nascidos.
O estudo revela "uma freqüência extremamente elevada de gestos dolorosos praticados nas unidades de reanimação" e um uso "grande, mas insuficiente de meios analgésicos durante a realização dos procedimentos", explica seu diretor, Ricardo Carbajal, doutor do hospital infantil Armand-Trousseau, de Paris. Três quartos dos bebês
estudados em 13% de reanimação eram prematuros.
Os outros atos médicos foram estudados em cinco serviços móveis de urgências pediátricas da região parisiense.
Até os anos 70, a comunidade médica pensava que os bebês não sentiam dor física e inclusive eram feitas cirurgias sem anestesia. Agora, sabe-se que podem sofrer inclusive antes de nascer, a partir da 24ª semana de vida no ventre materno.
Fonte: O Globo
Marcadores: leboyer, midia, neonatologia, pesquisas

Estou impressionada com esse site. Encontrei lá fotos incrivéis de um parto pélvico, algo tão temido por mulheres, médicos, enfermeiras, hoje em dia.
Não sei se eu encararia um, ainda não tenho informação suficiente pra me sentir segura, mas acho que sim. Porque não? Se a natureza é tão sábia...
:O)
só uma observação:
como será que as indias lidam com parto pelvico? Será que elas sabem alguma tecnica maravilhosa para parir? Ou será que são deixadas à mingua pelas parteiras da tribo?
Lendo o livro do Pacionyk ontem a noite, vi o seguinte parágrafo:
"o parto (pelvico) de uma maneira geral, transcorre espontaneo, sem contratempos, sem qualquer artificio estranho. Entre as silvicolas entrevistadas não há lembrança de criança que tenha morrido por retenção de cabeça. O fato repercutiria através dos tempos e marcaria o folclore indígena em historias repetidas em sucessivas gerações.
1 - a posição agachada alarga o canal vaginal em todo o seu diâmetro. Canal mais aberto, menos risco de prender a cabeça.
2 - O peso do corpo da criança ao sair, dirigido para baixo, exetuca moderada e suave tração que colabora para a complementação espontânea do parto.
Acreditamos no que a experiência de algumas dezenas de casos nos mostrou: não havendo contra-indicação (que o médico sabe perceber) o parto espontâneo se cumpre sem colaboração estranha. Os riscos de complicações para a mãe e para o feto são muito menores do que se esses partos fossem todos cesáreas.
Indias da mata não têm medo de apresentação de nádegas. Simplesmente não fazem nada, não atrapalham a natureza, deixam a criança nascer. Sabem que na maioria dos casos nascem bem..."
(trecho do livro: "Aprenda a Nascer e Viver com os Índios" - Moysés Paciornik - paginas 67-68)
Marcadores: parto natural, parto pélvico

Para quem ainda não tem sling, ou tem e quer mais um pra usar ou dar de presente, recomendo dar uma passadinha no site da Ong Amigas do Parto na sessão de produtos.
Para viabilizar as várias atividades atuais, e também os projetos para o próximo ano, a Ong está disponibilizando produtos para venda, tais como: Camisetas variadas, Slings e até banquetas de parto. Quem quiser contribuir pode adquirir um produto, e detalhe: o preço é bem menor do que anunciado por ai.
A América Latina possui 25% dos 40.000 trilhões de metros cúbicos de água escoado anualmente no mundo, sendo o Brasil o país mais rico em água, detendo 19% desse total. Evidentemente essa água é distribuída de forma desigual pelo continente; entre o rio Amazonas cuja vazão é próxima de 18 bilhões de metros cúbicos por dia (18 vezes a demanda mundial em água) e o deserto de Atacana ou as áreas de Seca do Nordeste Brasileiro, onde não chove mais que alguns mililitros por ano 1.
O Brasil detém cerca de 20% da água doce do mundo, é um país extremamente rico em rios, situando-se, no seu território, a maior parte das duas maiores bacias hidrográficas do planeta: a Amazônica e a Platina composta pelas bacias do Paraná, Uruguai e Paraguai, cujos rios principais apresentam suas nascentes no território brasileiros.
A presença, no Brasil, de uma ampla rede hidrográfica é decorrente do fato de a maior parte do território Brasileira estar situada em domínios climáticos caracterizados pela ocorrência de elevados índices pluviométricos ou seja, do tipo equatorial e tropical. Os rios brasileiros são predominantemente volumosos e planalticos, ou seja, ricos em água d'água, o que significa dizer que apresentam, no seu conjunto, elevada potência hidráulica.
Podemos dizer que o Brasil foi colonizado através suas hidrovias de fácil acesso enquanto a selva e a mata eram um obstáculo à evolução das expedições. Ainda hoje observamos no mapa Brasileiro a influência desta colonização, com inúmeras cidades ribeirinhas principalmente nas regiões norte e nordeste.
Brasília, Distrito Federal, é também a capital mundial das piscinas, devido a baixa umidade relativa do ar do planalto central, a população aderir firmemente ao banho de piscina.
Nos seus oito mil km, o litoral brasileiro apresenta uma diversidade enorme de formas. Os contrastes vão desde a retilínea costa gaúcha até a extremidade entrecortada reentrância maranhense. Alternam-se desde a maior praia do mundo - a praia do Cassino com 212 km no Ri Grande do Sul - até as minúsculas praias do litoral da Rio-Santos.
O Brasil possui em sua extensa área diversos climas como: equatorial, tropical, subtropical e semi-árido. As temperaturas variam de 0 a 35° Celsius de acordo com as diversas regiões e da estações do ano.
O Brasil tem uma população absoluta muito alta: 162.172.902 habitantes (IBGE, 1998). Um dos países mais populosos do mundo e uma densidade demográfica muito baixa de 19 hab./km 2 . O Brasil é pouco povoado. Com uma taxa de natalidade de 24,7 por mil em 1991, uma mortalidade de 5,8 por mil e um crescimento vegetativo de 1,89%.
A parcela de jovens (0 a 19 anos) representa 44,51% do total da população brasileira gerando a necessidade de grandes investimentos em setores como educação e saúde. Os índices de gravidez na adolescência no país são alarmantes. Os adultos (20 a 59 anos) representam 47,79% do total exige uma grande oferta de postos de trabalhos.
Nos últimos 50 anos ocorreu uma alta taxa de urbanização que diminuiu a taxa de natalidade e mortalidade. O exôdo rural é grande ocorrendo uma grande urbanização a partir da década de 50. A região sudeste é a mais urbanizada em função do seu desenvolvimento industrial e econômico atraindo a população de outras regiões, principalmente do nordeste.
Terapias naturais. A cultura brasileira do banho.
HIDROTERAPIA
A hidroterapia termal ou Crenoterapia é um das mais antigas terapias da humanidade. As águas minerais pela sua composição química e pêlos efeitos biológicos e farmacodinâmicos, podem ser consideradas como agentes medicamentosos. Mas muitas delas perdem suas virtudes ao serem retiradas da fonte, portanto como dizia o professor Cuvelier: "não é o medicamento que deve ir até o doente, o doente deve ir até o medicamento". Então convencionamos chamar de uma "cura termal".
A composição química das águas minerais é que lhes atribui o valor terapêutico: águas sulfurosas (enxofre), águas arsenicais, águas ferrosas, entre outras. Águas profundas que jorram quentes contém abundância de gás carbônico, utilizado em tratamentos termais. Em certas fontes, porém, a propriedade radioativa, absolutamente desprovida de nocividade, é tão grande que é utilizada pelo seu poder sedativo e analgésico.
Então podemos classificar as águas minerais de cura em cinco grupos principais: bicarbonadas, sulfatadas, cloretadas, sulfurosas e pouco mineralizadas (radioativas). Podemos utilizar a água na cura interna através da ingestão e na cura externa através de banhos, duchas, lamas,etc...
O Brasil é rico em estâncias hidrominerais, fontes de água mineral e termas. As termas brasileiras mais famosas são: Caldas da Imperatriz em Santa Catarina, Caldas Novas em Goiás e Poços de Caldas em Minas Gerais.
O brasileiro é acostumado à cultuar o banho no mar, nos rios, nas cachoeiras, nos igarapés, nos banhos, nos lagos, nas cavas e nas hidroelétricas. Esta é uma das principais atividades recreativas nos fins de semana da família.
BALNEOTERAPIA
Pode-se definir esta operação como sendo a imersão do corpo num meio de água doce, quente ou fria, ou ainda sua exposição aos raios solares, ao ar livre ou, finalmente, ao vapor. Age principalmente estimulando a circulação sangüínea, a respiração, o sistema nervoso e as defesas do organismo.
Na forma líquida, duchas e afusões (Kneipp), banhos quentes ou frios, podemos adicionar plantas aromáticas e medicinais
cujas propriedades nos interessam. O banho com sal isotônico também é recomendado em certas carências de sais minerais e energéticas. Na forma gasosa a aplicação terapêutica de um gás natural, o ar ambiente e o vapor da água.
TALASSOTERAPIA
O termo é formado pelas palavras gregas: thálassa - mar e therapéia - tratamento. Três fatores encontram-se presentes na terapia natural do meio marinho: o ar ambiente, as radiações solares e a água salgada.
O ar ambiente a beira mar detém uma estabilidade relativa do clima, é pobre em germes patogênicos e em poeiras, mas, por outro lado, muito rico em ozônio - bactericida, iodo - cicatrizante e bactericida, sal e sílica. Aqui o vento tem papel fundamental na terapia.
As radiações solares diretas e refletidas pela água faz surgir um grau de luminosidade superior aumentando os efeitos da helioterapia na fixação de vitaminas e sais minerais no organismo, na desintoxicação, na recuperação do sistema nervoso e imunológico.
A água salgada comporta todas as variedades de elementos nutricionais e propriedades terapêuticas para o indivíduo como: no meio mineral - sódio, potássio, magnésio, cálcio, no meio vegetal - plantas, algas, no meio animal - peixes, crustáceos e microcrustáceos, entre outros.
Além dos efeitos terapêuticos a água do mar possui um efeito de energização e reequilibra o ser humano.
O cientista alemão-brasileiro Prof. Dr. Hans Jakobi6 dedicou sua vida ao estudo e a pesquisa da biologia marinha e foi o grande defensor das 200 milhas marítimas da costa brasileira na década de 70 em seus inúmeros trabalhos. Ele tinha a convicção de que o homem deverá, num futuro próximo, retornar ao Mar, pois lá encontramos diversos meios essenciais para a nossa subsistência no planeta Terra.
ALGOTERAPIA
é a utilização terapêutica de algas marinhas. As algas possuem propriedades terapêuticas tonificante, reconstituinte e recalcificante devido às altas concentrações de iodo, sais minerais (cálcio, flúor, magnésio, cobalto e potássio), vitaminas (A, complexo B, C, D), hidratos de carbono e alguns elementos radioativos como o rádio. A forma mais prática e certamente mais ativa é o pó de algas sua aplicação no banho de água doce reveste-se de todas as qualidades da água do mar. Os banhos quentes aumentam a absorção destes elementos. Os banhos devem ser realizados à temperatura de 35 a 37° C, de preferencia à noite.
FITOTERAPIA E AROMATOTERAPIA
Nos chamados banhos de plantas os princípios ativos agem pela inalação dos vapores e pela penetração na pele e posterior distribuição pelo sangue a todo o organismo. Podemos incorporar as plantas aos banhos de duas maneiras: a infusão gigante e as essências aromáticas. As plantas aromáticas de uso corrente no banho que podem ser adicionadas no trabalho de parto são: efeitos analgésicos e sedativos - lavanda, camomila e efeitos estimulantes e antidepressivos - rosa, alecrim e a alfazema.
Aplicadas na forma de deccoção da planta em banhos quentes em média de 300 gramas de plantas frescas para cada 100 litros de água ou essências que são mais práticas no seu uso.
3. O Parto no Brasil
O termo "parto" é de origem grega (Tocos) e foi introduzida em 1812 por Osiander da Universidade de Gotingen. Parto é conceituado como a "expulsão ou extração do feto e seus anexos do organismo materno", sendo a fase resolutiva do ciclo grávido-puerperal.
Os objetivos básicos da assistência ao parto são: abreviar a sua duração, reduzir o sofrimento materno, prevenir a anóxia fetal e garantir a integridade anatômica e funcional dos órgãos da parturição.
A Assistência ao Parto no Brasil
Na literatura especializada, antropologia da índia brasileira, as observações detêm-se em aspectos sociais, econômicos, etnológicos, sobretudo em manifestações folclóricas. De suas condições orgânicas pouco tratam.
João Nienhof, em 1640, fez a primeira menção ao parto: "As mulheres tem estatura média, membros bem torneados e não são feias. Casam cedo, são muito fortes, têm seus filhos fáceis, levantam-se cedo e vão banhar-se no rio, sem auxílio de ninguém (...) andam nuas, sem nenhuma cobertura, com tanta inocência, como têm de mostrar o rosto."
Desde 1957 Moysés Paciornik4 iniciou contato com os brasílidas, através do Centro Paranaense de Pesquisas. No Paraná, Santa Catarina, e outros estados estudou duas famílias indígenas: Caigange e Guarani.
Nas aldeias indígenas não encontramos móveis como: bancos, cadeiras, pias, fogões, entre outros para descansar, cozinhar, urinar, defecar, assim a índia obriga-se a ficar de cócoras. Outro aspecto interessante é que as índias carregam seus filhos nas costas apoiados numa faixa de apoio frontal.
Assim todos os elementos e segmentos, pele, músculos, tendões, aponeuroses, ossos, articulações dos membros inferiores submetem-se a um esforço que os fortalece. Nesta posição fraciona a coluna venosa, agindo como uma meia elástica, prevenindo as varizes de membros inferiores, melhorando a irrigação sangüínea de órgãos nobres do corpo, fortalece a coluna vertebral evitando distúrbios de coluna como cifoses, escolioses, lordoses, etc...
Os partos antigos eram realizados sem auxílio estranho, acocoradas em suas palhoças. Nos tempos modernos, os índios em aculturação, gradativamente, adotam costumes dos brancos. As mais novas, atendidas por parteiras ou médicos em maternidades, no parto civilizado, adotaram o decúbito dorsal europeu.
No Norte e Nordeste brasileiro ainda é comum parir na rede ou em pé apoiando-se numa corda amarrada em uma árvore.
As cadeiras de partos foram incorporadas posteriormente introduzidas por diversas culturas.
Em nossa região, Rondônia e Acre, existe uma religião natural influenciada pelo catolicismo rural, que utiliza um chá - DAIME, um mistura dos extratos das plantas da floresta Amazônica - "Banisteriopsis caapi" e da "Psicotria viridis". A parteira Dona Maria Sarmento utiliza tal chá como proteção da gestante e como facilitador do parto, inclusive administrando uma gota do chá ao recém-nascido. (Tese de Doutorado - Arneide Bandeira Cemin).
O parto médico e o decúbito dorsal foi trazido pelos colonizadores portugueses, em especial quando D. João VI, Rei de Portugual, transferiu a corte imperial para o Brasil colônia, quando da invasão francesa na era napoleônica. Isto obrigou a medicina artesanal local a evoluir, adotando os métodos e condutas européias absorvendo esta nova tecnologia. O Império fundou diversas Escolas de Medicina, a primeira em Salvador, Bahia, e que sofreram a influência da escola européia, em especial a francesa.
A assistência ao parto, outrora atribuição de curiosas e comadres, ganhou foros de cidadania e passou a ser encarada como atividade médica com a evolução da escola ativista de Estrasburgo que teve em Schikelé e Kreis seus precursores, ao estabelecerem o marco inicial da assistência ao parto, com o clássico "Parto médico".
Os grandes progressos científicos que a Medicina experimentou, no final do século passado, fortalecem muito o prestígio social do médico, a ponto de lhe conceder acesso à assistência ao parto, até então rigidamente afeta às atividades das "comadronas". Sua participação figurava como última instância, na escala de todos os recursos a empregar7.
Desde então passou a ser atribuição direta do obstetra a participação ativa no trabalho de parto. Esta participação, contudo, variava de acordo com as diversas escolas obstétricas, uma mais ativas e intervencionistas e outras mais moderadas e expectantes.
Então os partos outrora domiciliares, no seio da família, passaram a serem realizados nos hospitais, longe dos entes queridos, a um custo cada vez mais elevado. O parto tornou-se um ato médico cirúrgico sem a participação ativa da parturiente, excluindo os familiares e afastando o nenê de sua mãe. Assim, perdeu-se o envolvimento emocional do familiares, participantes milenares do ritual do parto domiciliar, fato extremamente significativo, legitimado como expressão de afeto e solidariedade. Sua subtração gera como reflexo, o conhecido descontrole emocional, que muitas vezes transforma a sala de parto num desconfortante coro de gemidos e lamentações. O que foi ganho em segurança foi perdido em calor humano.
Hoje as autoridades já discutem a aceitação da parteira, dentro do hospital, como profissional destinado à assistência dos partos não complicados, evidentemente como uma maneira de diminuir o alto custo da assistência médica hospitalar ao parto no Brasil.
A finalidade básica de qualquer sistema de atenção à saúde é: "propiciar e facilitar o acesso da maior parte possível da população aos serviços básicos e complexos de saúde, da maneira mais simples e menos onerosa possível".
No atual sistema de saúde brasileiro há três tipos de atenção obstétrica: a pública - Sistema Único de Saúde (SUS) patrocinada pelo Governo Federal, os convênios ou seguros médicos - Unimed, Goldem Cross, Blue Life, Saúde Bradesco, etc... e os pacientes particulares. O atendimento médico está assentado basicamente na atuação de um profissional:
O DOUTOR MÉDICO
Existe uma grande insatisfação da população em relação aos serviços públicos. É um sistema caro, dispendioso e caótico. Notícias recentes nos dão conta de que a Federação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas, que respondem por 68,4% dos leitos disponíveis no país, estuda um possível descredenciamento coletivo do SUS. Apesar de não pagarem impostos reclamam das baixas renumerações e pagamentos atrasados. A população com poder aquisitivo foge para as áreas privadas, adquirindo planos ou seguro-saúde 3.
Os procedimentos ligados à gestação e ao parto representam a maior parte dos gastos com internação no SUS 2. Nos últimos cinco anos, 91,5% dos partos ocorreram em unidade hospitalar e 78,2 % das mulheres de zona rural deram à luz em hospitais, mostrando um incremento de 13,4% quando comparado aos valores de 1986.
Posições brasileiras de parir
É descrito que, na época Pré-Hipocrática (V século a. C.) o direito de socorrer as parturientes era privativo das parteiras, sendo os recursos da medicina muito limitados e as manobras rudes e agressivas necessitavam colocar as parturientes em várias posturas. A posição de parto, mais comum, era sentada sobre um tamborete baixo ou no regaço das parteiras, podendo considerar que foram os egípcios que inventaram a cadeira obstétrica.
A cadeira obstétrica era de uso corrente entre os gregos, que faziam a mulher parir sentada ou reclinada, sendo esta posição também adotada pêlos romanos, onde as parteiras se colocavam ajoelhadas esperando o concepto.
Com a decadência do Império Romano e a ascenção dos árabes, passam a prevalecer suas influências. Assim Ali Bem-Abba s (994 d.C.) descreve a atitude adequada da parturiente: decúbito dorsal, com a cabeça em declive e hiperextensão do membro inferior. Neste período Trótula preconizou a perineorrafia pós-parto.
Entre os séculos XVI a XIX, Ambrósio Paré em 1521 dá preceitos quanto à posição da parturiente, e Francisco Mauriceau em 1700, divulga na Europa a posição deitada para o parto (decúbito dorsal), considerada a mais adequada aos hábitos e costumes da época. Esta posição generalizou-se na cultura ocidental até os dias de hoje. Em 1752, Guilherme Smellie difunde a posição de parir em decúbito lateral com os joelhos afastados por uma almofada, muito utilizada na décadas de 40 e 50.
Era clássico considerar apenas duas posições para parir: o decúbito lateral, tão a gosto dos anglo-saxões e a posição convencional, decúbito dorsal, adotada universalmente.
Flyn e Cols (1978) concluíram que a deambulação no trabalho de parto traz inúmeras vantagens para a mãe e feto, facilitando através dos movimentos da bacia, do relaxamento muscular e da força da gravidade a rápida dilatação do colo uterino e a passagem do concepto pelo canal do parto, aliviando as dores e abreviando o trabalho de parto.
Entre nós, Moysés Paciornik4 (1979), Galba de Araújo 7(1981), Caldeyro-Barcia5 (1982) e Hugo Sabatino5 (1984), pontificaram, preconizando a mudança de posição por ocasião do período expulsivo, salientado a importância da posição vertical.
Enquanto na mulher deitada seu canal se estreia, na posição de cócoras alarga-se e, até certo ponto, apresenta-se mais vazio, oferecendo menos obstrução à expulsão fetal. Diversos mecanismos concorrem para o sucesso: o sacro e o coccix basculam para trás, ampliando o diâmetro da via de parto, os músculos diafragmas perineais separam-se, a vulva e a vagina entreabem-se, o períneo posterioriza, o reto e a bexiga sobem, e a sínfise pubiana afasta-se proporcionando um alargamento de dois ou três milímetros 4.
Desta forma, no parto na posição de cócoras vários fatores colaboram na proteção das estruturas do assoalho pélvico da mulher: canal em declive, mais largo, mais vazio. Parto mais rápido, mais fácil, menos doloroso, menos perigoso. Menos riscos de lesões, roturas, esgarçamentos, deslocamentos que se refletem na situação e funcionamento dos órgãos pélvi-vaginais. Estes fatores somados representam um ganho de amplitude de 20% (vinte por cento). Ainda mais a posição transforma a via de parto num declive em direção ao solo, utilizando a força da gravidade 4.
Um grupo crescente de mulheres, mesmo que ainda minoritário, tem solicitado de seus médicos alternativas diferentes das convencionais para o atendimento de seu parto. Dentro dessas alternativas, uma porcentagem também crescente de mulheres deseja que seu parto seja realizado, se possível, em outras posições: em pé, de joelhos, de quatro, deitada de lado, sentada ou de cócoras. Porém no Brasil não existem dados suficientes relativos a estas posições, portanto, os médicos devem analisar mais casos para obter um know-how para modificar o atendimento convencional dos partos oferecidos. Para se conseguir isto, será necessário ter melhor conhecimento da fisiologia fetal no momento do período expulsivo e do mecanismo do parto, aliados a uma forma mais humanizada das atuais técnicas de atendimento médico ao parto.
Fenômeno cultural da cesárea no Brasil.
O Brasil, país conhecido pela abundância de recursos naturais, tem sofrido uma das piores ações antiecológicas: apresenta a maior taxa mundial de cesáreas, alcançando índices entre 70 e 90% em alguns hospitais. O parto cirúrgico passou a ser o método "normal" de fazer uma criança vir ao mundo, ocorrendo uma inversão de valores da naturalidade da vida. Este fenômeno permeia a cultura brasileira, pois, ao engravidar, muitas mulheres optam pela cesárea como forma "antidolorosa" de ter filhos, o que não passa de engano e desinformação.
Todavia aproximadamente 32% dos nascimentos ocorreram por cesarianas, uma cifra inaceitável. A intervenção cesárea é um procedimento capaz de evitar um óbito materno ou fetal quando indicada corretamente, mas representa um risco, para quem poderia ter um parto normal.
Há pelo menos 30 anos que o Brasil detém a liderança mundial de partos cesareanos, realizando até 558 mil cirurgias anuais desnecessárias, o que resulta num gasto inútil de R$ 83,4 milhões e a ocupação desnecessária de algo em torno de 1.653 leitos a cada dia. No município de Italva, no Norte Fluminense, por exemplo, 166 dos 168 partos ocorridos em 1996, foram de cesareana!!!2
Além de líder mundial na prática do parto cesareano, o Brasil por causa desta cirurgia, responde por um saldo médio de 114 óbitos maternos por 100 mil bebês nascidos vivos. A taxa de cesárea no Brasil situa-se em torno de 36,45, enquanto a dos Estados Unidos é de 24% e da Áustria 7,5% 2.
"As cesáreas desnecessárias são as primeiras a causar aumento de mortes maternas, de mortalidade pós-parto e de aumento de incidência de prematuridade e síndrome de angústia respiratória do recém-nascido", concluem estudos realizados nesta área pelo professor Hugo Sabatino 8. Os dados do SUS 2 mostram de que há 4,35 vezes mais riscos de infecção puerperal e de que a mortalidade materna, após o parto cesáreo, é de três vezes maior do que o parto normal ou do abortamento.
Dos fatores que contribuem para a epidemia de cesárea, os mais importantes são os seguintes: laqueadura de trompas, falta de reembolso de anestesia para o parto normal, desconhecimento da população dos riscos da cirurgia, conveniência médica devido ao tempo mais curto e melhor renumeração, incentivos financeiros diretos e indiretos para médicos e hospitais, falta de equipamentos para avaliação de risco fetal, mas ainda, a mais importante é a representação social da mulher que a cesárea é indolor e preserva a anatomia vaginal para as futuras relações sexuais.
No final da década de 80, a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO, através de seu Presidente Hans Halbe desencadeou um campanha de " Parto Normal e Amamentação - uma ato de amor". A classe médica e algumas entidades estranharam a conduta das Sociedades locais em estimular o resgate do parto normal e baixar os altos níveis de operações desnecessárias no país. Os colegas que apoiaram e divulgaram tal campanha foram taxados de oportunistas e ridicularizados perante a classe. Mal sabiam eles que estavam na contra mão da história. Mas hoje, após uma década, o mundo aderiu a este movimento, inclusive o Brasil.
O Ministério da Saúde preocupado com o alarmante índice de partos cirúrgicos, desenvolveu um projeto sobre a Epidemiologia da Cesárea na América, utilizando as estratégias de ação da Coordenação da Saúde da Mulher, da Criança e Adolescente, em parceria com Centro Latino Americano de Perinatologia da OPAS. Esse projeto desenvolve-se em três etapas. A primeira, estudou uma amostra de 103 maternidades do SUS, que apresentaram uma taxa acima de 50% de cesarianas em mais de 5.000 partos no ano de 1996. A segunda parte deve analisar as indicações de cirurgias, e a terceira deve avaliar todas as de indicações cesáreas. através de acompanhamento sistemático.
Em 1997, o Conselho Federal de Medicina3 (CFM) lançou ampla campanha com o slogam " Parto Normal é Natural" conscientizando a população e os médicos para o resgate do parto normal, buscando baixar os alarmantes índices de cesareanas verificados no país. A campanha que teve como madrinha a atriz Malú Mader, envolveu diversas entidades da sociedade civil principalmente as voltadas para a saúde e os direitos das mulheres. A repercussão da campanha atingiu o Ministério da Saúde que após a posse do ministro José Serra, intensificou o Programa de Assistência À Saúde da Mulher, com medidas como aumento de recursos para os procedimentos de partos normais ou cesáreas, incentivo à criação de serviços de alto risco com renumeração diferenciada, pagamento de analgesia nos partos normais e de UTI neonatal, entre outras3.
O Parto Natural e Humanizado.
Veio o saber médico e, em nome da defesa da vida e da ausência da dor, se apossou deste processo natural. A família insegura e despreparada fica à mercê desse saber. Temos dificuldade para entender a razão desta cultura que transformou o nascer num ato tão médico e mecânico. Não interprete que somos contra os grandes avanços da tecnologia médica. A gestante é tratadas como "paciente", ou seja, submetem-se a vários exames e diagnósticos, permanecem nas filas dos consultórios e recebem receitas e remédios. Na hora do parto, a conduta médica continua prevalecendo com rotinas hospitalares rígidas, que acabam inibindo o processo natural e fisiológico, levando a inúmeras cesáreas e partos induzidos. E o pai permanece isolado desse processo, como se não tivesse nada a ver com isso. Nos hospitais privados ainda prevalece um pacto que mistura medo da dor com interesses dos profissionais e da instituição que termina numa cesárea. Na rede pública, ainda vigora um quase desprezo pela gestante. Sozinha, assustada, ela é atendida por profissionais anônimos atrás de máscaras que não dizem o nome nem esboçam um gesto amistoso. Tanto nos hospitais cinco estrelas como nas maternidades de periferia, a paciente e os familiares são os últimos a serem ouvidos.
O parto é um processo natural, nascer é um ato natural e ecológico. É um caminho de transformação, de amor, de vencer os medos, e de dar à luz uma nova era. Por estar em seu habitat natural, vivendo intuitivamente, a maioria das espécies mamíferas nasce sem maiores problemas. Embora os mecanismos do parto do animal mamífero sejam diferentes do ser humano (porque o tamanho do cérebro nos animais é menor em relação ao do corpo), existe uma semelhança. Como seres urbanos e humanos, colocamo-nos distantes dessa natureza de bicho a que pertencemos. As mulheres modernas estão distantes do seu instinto maternal animal.
O parto, um momento da vida sexual e afetiva, um ritual de passagem e de crescimento para o ser humano, de ambos os sexos, tem sido reduzido a uma simples "ação médica" em nossa sociedade contemporânea. O ideal seria que todas as mulheres tivessem oportunidade de viver a gestação e o parto como parte de sua vida afetiva e sexual, dispondo de recursos médicos quando necessário e, ao mesmo tempo, podendo estar em contato com a natureza verdadeira do ato de dar à luz.
O parto deve ser natural, o mais expontâneo possível, com um mínimo de sofisticação na sua assistência, com o máximo de consciência e de adestramento técnico do profissional que o assiste. A melhor maneira de seguir um parto é observá-lo, sem interferir no seu andamento.
De mãe para filhas as parteiras transmitem um ensinamento valioso: para uma mulher em trabalho de parto, o mais precioso é alguém que segure sua mão e que não tenha pressa. A parturiente é quem melhor presente a hora, identifica os movimentos e sabe a melhor posição. "Quem faz nascer é a mãe mesmo", disse uma das parteiras mais antigas do Amapá. Essas regras simples são de parteiras tradicionais que aparam os mais de trezentos mil bebês que nascem por ano fora dos hospitais. O nome de "aparadeiras", conquanto seja usado pejorativamente para qualificar as curiosas, em nada as deve diminuir, pois caracteriza sua atuação: a de aparar a criança que nasce sozinha.
Observando os dados de uma favela de São Paulo, cujos partos são assistidos por uma parteira, teremos um bom exemplo de como nascer é um ato natural para as mulheres de gestação de baixo risco. Ali, as complicações e cesáreas somam 3%, as mulheres não são isoladas, não se usam medicamentos e o índice de episiotomia é de 17%. Na rede de hospitais privados, o índice de cesárea chega a 70% e, na pública 40%. A episiotomia chega a 100% nos hospitais convencionais quando se trata do primeiro filho 2.
O resgate da forma de nascer, da transformação do nascimento, tão essencial e necessário, precisa ser uma iniciativa feminina e da própria classe médica. No Brasil isto já vem acontecendo, os professores Galba Araújo, Moysés e Claudio Paciornik, Fernando Estelita Lins, Hugo Sabatino, Adailton Salvatore Meira, Maria Tereza Maldonado, Emerson Godoy c. Machado, Maria Celia Del Valle, Lívia Penna, entre outros, têm trabalhado, pesquisado e escrito sobre a gestação e o parto como momentos de iniciação que deveriam ser tratados de forma especial e diferenciada. Muitas parturientes e mulheres anônimas têm procurado formas alternativas, naturais e humanizadas para terem seus filhos longe das maternidades, em suas próprias casas, sob o cuidado das parteiras tradicionais, mas são ainda minoria.
Os parteiros n'água do Brasil. A História.
O parto n'agua no Brasil teve um grande impulso na década de 70, quando o programa " Fantástico" da Rede Globo de Televisão, veiculou num domingo, um parto dentro da água, realizado pela Dra. Maria Celia del Valle, em São Paulo. Ela seguiu fazendo seus partos naquela capital, com apogeu e posterior esquecimento.
A classe médica em geral, não via este método alternativo com bons olhos. O que é natural, pois não existia pesquisa médica neste campo. Hoje esta situação mudou, existem muitas pesquisas do parto na água em todo o mundo, particularmente na Inglaterra, na Bélgica e na Alemanha, países com número cada vez mais maior de partos aquáticos.
No Brasil na década de 80 alguns pioneiros começaram a fazer o parto dentro da água, no Nordeste, no Rio de Janeiro e no interior de São Paulo. Mas devido a falta de interesse dos hospitais, desinformação da população e preconceitos de alguns colegas médicos que desconheciam o método, tachando-o de experimental e arriscado, não houve continuidade nestes serviços. Também outros serviços tentaram introduzir o método sem sucesso, como a Casa de Parto de Niterói que acabou fechando, a Maternidade Leila Diniz que tem uma banheira mas nunca realizou parto lá dentro, a Maternidade pública Herculano Pinheiro, zona norte do Rio tem banheira, mas também não usa, e em São Paulo a Maternidade Santa Marcelina,tem banheira no quarto, mas só utilizada para relaxamento e não para os partos.
Destacasse o trabalho do Dr. Adailton Salvatore Meira 12, em Campinas, que iniciou seus partos aquáticos deste 1987. Após retornar de um estagio na "Maternité des Lilas", Paris, onde pode conhecer e praticar esta alternativa de parir. Teve contatos preciosos com Dr. Michel Odent (médico francês, um dos pioneiros do parto dentro da água no ocidente), Sheila Kitzinger, Herman Ponette, Frederick Leboyer, e Janet Balaskas, de quem traduziu o livro "Parto Ativo" da Editora Ground, onde escreveu o capítulo sobre parto na água. Realizando seus partos, inicialmente domicíliares em banheiras portáteis ou de hidromassagem, devido ao grande desinteresse dos hospitais em investir nessa tecnologia, e depois na sua Casa de Parto.
Realizou um belo trabalho sem muita divulgação, baseado na evidência científica, nos princípios obstétricos e na metodologia holandeza de avaliação do risco obstétrico. Adota como metodologia de trabalho: tricotomia, lavagem intestinal e episiotomia não rotineiras, a estadia na clínica é curta, a família tem alta de 6 a 12 horas após o parto, para alívio da dor utiliza a água morna, o apoio do marido, a aromatoterapia, associada a homeopatia, acumpuntura, estimulação nervosa, massagem, relaxamento e respiração. Assim obteve nestes anos excelentes resultados nos 105 partos aquáticos realizados: 8,5% de cesáreas, 91% de partos normais, transferência durante o trabalho de parto para o hospital de 17% devido a dor excessiva, distócia de progressão e sofrimento fetal, 37,2% pariram na água na posição de cócoras, 50% não realizaram episiotomia e 18% tiveram ruptura perineal de II° grau, o índice de infeção materna e fetal é zero.
A prática recomendada
Durante o pré-natal
Durante o pré-natal o casal deve receber o maior número de informações possíveis para realizar sua opção de maneira convicta e definitiva sobre a possibilidade de utilizar o método. A relação médico paciente deve ser muito estimulada e conquistar a confiança da família em seu trabalho. Deve ser discutida as indicações e contra-indicações, explicar as vantagens e desvantagens, orientar o adequado preparo do casal para adaptação ao método. A realização de palestras educativas, distribuição de panfletos informativos padronizados, assistir a filmes sobre o método, a leitura de livros sobre o tema, o treinamento na água da respiração e exercícios específicos.
A banheira e a água
Piscinas:
- de azulejo
- de fibra de vidro
- plásticas portáteis - infantil
Banheiras:
- de porcelana - domiciliares antigas
- de fibra de vidro - hidromassagem
- jacuzzi
Duchas fortes
No mercado brasileiro devido ao seu clima tropical com temperaturas elevadas e da grande disponibilidade de água potável encontramos uma infinidade de opções de piscinas, banheiras e duchas. Devemos levar em conta na hora escolher: o tempo de enchimento e de esvaziamento, o aquecimento, a manutenção da temperatura média, o acesso fácil ao perineo da parturiente para possíveis intervenções, o espaço suficiente para duas pessoas e a profundidade. O ideal seria uma banheira de hidromassagem de fibra de vidro, em forma triangular com sistema de aquecimento e um termômetro de piscina.
Deve ser utilizada água da torneira, comum, desde seja água tratada com cloro. Caso não se tenha água tratada disponível, pode-se dispor de água mineral natural desde que não tenha contaminação conhecida.
A Temperatura da água deve estar entre 33 a 37° Celcius, o ideal é 36° Celcius. O controle deve ser feito com termômetro especial de banheiras, termômetros digitais ou também por termômetros de piscina. O melhor controle ainda é o bem estar da parturiente. Existem diversas marcas a disposição na industria brasileira.
Pode ser acrescentado sal na água, ervas ou óleos aromáticas. Outros objetos e acessórios devem ser rigorosamente lavados com sabão e depois limpos com álcool, O piso deve ser dado preferencia a pisos de lajotas ou pedras antiderrapantes com drenagem através de ralos, pois a possibilidade de molhar é evidente. Tapetes antiderrapantes em volta da banheira para evitar acidentes e quedas ao sair e entrar na água. A gestante deve ser sempre auxiliada e assistida ao entrar e sair da água.
A desinfeção da banheira deve ser realizada rigorosamente é a mesma utilizada para o combate ao vírus da AIDS. Primeiramente lavando-se com Hipoclorito de Sódio (água sanitária) de 1:5 por 30 minutos. Depois lavada novamente com água corrente e após totalmente limpa com uma esponja embebida em álcool a 70%. Quando não utilizada deve ficar coberta com algum tipo de tecido impermeável (plástico, etc.) para evitar deposição de poeira. Evitar o uso contínuo, caso seja utilizada logo a seguir de outro parto, devemos aguardar o tempo necessário para a desinfecção da banheira. Evita-se usar o motor das banheiras de hidromassagem, pois isto além de aumentar a chance de contaminação, não traz nenhum beneficio.
Contra indicações
absolutas: trabalho de parto prematuro (menos 37 semanas), presença de mecônio, sofrimento fetal, parturientes com sangramento excessivo, diabetes, HIV positivos e Hepatite-B, Herpes Genital ativo, apresentação pélvica em primigesta, fetos maiores que 4 kg, apresentação cefálicas posteriores, antecedente de desproporção cefalo-pélvica, toda situação que requeira infusão intravenosa: indução ou condução de trabalho de parto, necessidade de analgesia e monitoramento fetal contínuo.
Relativas: gestações múltiplas, apresentações pélvicas, apresentação de face ou mento, defletidas, febre materna ou sinais de infeção, rotura prematura de bolsa amniótica, trabalho de parto prolongado, parturiente cansada e exaurida e taquicardia persistente.
Obs: a bolsa rota não é uma contra-indicação para se entrar na banheira, pois não há evidências que a água ajude a propagar intra-vaginalmente os germes, pois além da defesa bactericida do líquido amniótico, temos também freqüentemente restos do tampão do colo uterino que também tem função antimicrobiana.
A condução dos casos
Preferencialmente deve-se evitar a tricotomia (raspagem dos pêlos pubíanos), pois esta, além de tirar um barreira de defesa que existe sobre a pele, pode causar cortes, sangramentos, que permitem a penetração de germes patogênicos.
Sugerimos que os pêlos pubianos sejam aparados, com uma tesoura, quando da internação, ou por volta das 37 semanas.
A lavagem intestinal não é rotineira.
Evitar que as parturientes tomem algum tipo de líquido durante o trabalho de parto, mesmo que venham a entrar dentro da banheira. Mas pode-se tomar um pouco de água ou repositores hidroelétrolíticos em pequenas quantidades.
Roupas adaptadas a esta situação deve ser previstas e previamente alertada aos casais. O mesmo é válido para o uso de chinelos de borracha (anti-derrapante) para deambulação em sala de parto.
Sugerimos evitar molhar o cabelo com o uso de tocas de banho, ou mesmo tocas de natação, pela friagem a que fica exposta a parturiente depois do parto. Um aquecedor de ambiente deve estar funcionando particularmente em dias frios no inverno.
A presença de acompanhantes pode ser liberada caso haja condições, inclusive para entrar dentro d'água, no caso o marido preferencialmente.
Controlar temperatura, pulso e pressão arterial materna antes de entrar na banheira. A temperatura da mãe deve ser monitorada e é esperado que ela se eleve um pouco após entrar na água.
O batimento cardíaco fetal (BCF) deve ser feito durante pelo menos 15 minutos na primeira avaliação. Depois disto durante 5 minutos cada 30 minutos. Podemos monitorizar eletronicamente os BCF através do Aquadopplex fetal dopplers modelos FD1A ou D920A.
No caso de taquicardia fetal (maior que 160 BPM), persistente a água deve ser resfriada para aproximadamente 30° Celsius, e caso persista, a mãe deve ser removida da banheira. Caso melhore, pode retornar à banheira, caso a taquicardia persista não deve mais voltar à água.
O toque vaginal deve ser feito antes de se entrar e ao sair da banheira; durante a permanência, de hora em hora, caso não haja sinais de progressão rápida da dilatação. Deve-se usar luvas de borracha e não de plástico.
A parturiente não deve entrar na banheira antes de alcançar 7 cm de dilatação (nulípara) podendo entrar depois disto também, e 5/6 cm nos casos de multíparas. A banheira não deve ficar cheia até a borda. Pode-se ter que acrescentar mais água para manter a temperatura da água entre os desejados 36° Celsius
O tempo de permanência na água depende essencialmente da sensação de bem ou mal estar da parturiente. Em primíparas sugerimos não deve ultrapassar 4 horas e em multíparas não deve passar de 3 horas. Depois disto a parturiente deve ser retirada da água.
A parturiente deve ser retirada da água sempre que houver quaisquer ocorrências que ameacem a saúde da mãe ou do feto.
O parto dentro da água
A gestante pode querer sair da água a qualquer momento durante o trabalho de parto, o que deve ser permitido. Na Inglaterra em 93, cerca de 2/3 das mães que usaram a banheira durante o trabalho de parto, saíram dela antes do nenê nascer. A parturiente segue o seu instinto. Não há regras rígidas no parto humanizado.
Em muitos casos se usa água durante o trabalho de parto para aliviar as contrações, o chuveiro, a ducha ou o entrar na banheira, mas no momento do nascimento, por razões diversas, pode-se preferir sair da água para tirar proveito da força da gravidade. Caso haja indicação, ou necessidade do auxílio da força de gravidade, ela deve ser retirada da água por indicação do responsável pela condução do parto.
Caso queira permanecer pode ter o parto dentro da água, desde que não tenha nenhuma contra indicação. Se possível, imediatamente ao nascimento, desobstruir suas vias aéreas superiores com algum tipo de aspirador portátil, manual (perinha ou aspiradores portáteis) ou mesmo aspirador elétrico. Isto pode ser feito com o bebê no colo da mãe.
Caso o nenê nasça cianótico ou com baixo índice de Apgar, deve ser assistido fora da banheira, de preferência por pessoa competente para tal.
A dequitação não deve acontecer dentro da água. Pode ser feita, dentro da banheira desde que se esvazie antes. Ou sair para outro local "seco".
O futuro do parto na água no Brasil
"A mais desenvolvida técnica não terá vida se não tiver o envoltório do sentimento humano. Com esta convicção temos procurado dar a todas as nossas realizações assistenciais a mais eloqüente participação de quantos delas queiram e possam acercar-se." Assim pensava com muita propriedade o Prof. Galba Araujo7.
Reestuda-se a fisiologia, revisam-se conceitos, criam-se novas alternativas ou retomam-se antigas, tudo dentro de uma salutar renovação, a tornar sempre dinâmica nossa obstetrícia.
Segundo o francês Michel Odent "para mudar o mundo é preciso, antes, mudar a forma de nascer".
À luz desses conceitos fundamentais de vida tentaremos implantar no Brasil, no início do próximo milênio, o parto na água e projetar seu brilhante futuro.
A Europa sofre a escassez de água potável e utiliza o método aquático de parir, o Brasil com a abundância hídrica natural que possui simplesmente ainda ignora esta técnica! Não podemos aceitar que um país continente com tamanha potencialidade hídrica, tanto marítima, como fluvial e hidroterapêutica, renuncie à utilização do elemento primitivo água como agente facilitador proporcionando o resgate de partos ativos, naturais e humanizados a seus filhos.
Este método alternativo de parir que permite diversas maneiras e formas de livre arbítrio para optar sobre o local desejado, escolher os participantes do evento, associar diversas posições de parto, suavizar a transição fetal entre o útero e o meio ambiente, proporcionando uma esotérica relação entre pais, filhos e meio ambiente, adicionando opcionalmente aromatoterapia, acumpuntura e massagens entre outras.
Este livro que propõe abrir o caminho para a introdução e divulgação do método do parto na água no país. É fruto da globalização da cultura e dos conhecimentos mundiais através da infovia, de uso cada vez mais intenso e crescente da Internet. O processo de globalização é irreversível e terá influência fundamental na propagação e disseminação dos métodos alternativos de parir de forma humanizada, natural e suave.
Cabe ao médico parteiro um grande papel nestas mudanças, procurando dar uma melhor assistência ao binômio mãe-filho, tilizando os conhecimentos científicos em quaisquer circunstâncias, modernizando e atualizando suas condutas e procedimentos.
No momento que a população brasileira e a classe médica descobrir e passar a conhecer o parto na água acontecerá o mesmo fenômeno cultural europeu que o tornou uma epidemia mundial. Nosso futuro com certeza está sendo escrito agora.
Direitos da Parturiente
1. receber informações sobre a gravidez e escolher o parto que deseja.
2. conhecer os procedimentos rotineiros do parto.
3. não se submeter a tricotomia e a enema, se não desejar.
4. recusar a indicação do parto, feita só por conveniência médica.
5. não se submeter à ruptura artificial de bolsa amniótica.
6. escolher a posição que mais lhe convier durante o trabalho de parto e o parto.
7. a grávida pode recusar-se a fazer episiotomia.
8. Não se submeter a cesárea, amenos que haja riscos para a grávida ou para o bebê.
9. começar a amamentar o bebê sadio logo após o parto.
10. a mãe pode exigir ficar junto com seu bebê recém-nascido sadio.
Sites na Internet
Cornelia Enning http://www.home.t-online.de/c.ennig
http://www.geocities.com/hotsprings/2220/adailton
http://web.prover.com.br/partonormal/vazioaltao.html
http://www.waterbirth.net
http://www.babysite.starmedia.com/parto/index.stm
http://www.santalucia.com.br/maternidade/parto-p.htm
http://www.geocities.com/Heartland/Acres/1110
http://www.interclub.com.br/casaparto
http://www.healthgate.com
http://www.santajoanahospmat.com.br
http://www.santalucia.pro-matre.com.br
http://www.annahospital.de/gyngeb/wageb.html
http://www.syntonia.com/textos/textossaúde
http://www.saude.gov.br
Livros brasileiros recomendados
1. Nascido no mar, Chris Griscon, Siciliano, 1989.
2. Parto Ativo Janet Balaskas, Ground, 1993 (capítulo Parto na Água - Salvatori Meira)
3. Se me contassem o parto, Frederick Leboyer, Ground, 1998
4. Dar a Luz.....renascer Lívia Penna Firme Rodrigues, Ágora 1997
5. Nove Luas, lua Nova, Maria Eliza Maciel, 1991
6. Parto de cócoras, Moyses Parcionik, São Paulo , Brasiliense, 1993
7. A vida secreta da criança antes de nascer, T. Verny. SP José Salmi, 1991.
8. Início da vida, Eva Marnie. SP Best Seller, 1989.
9. Gestação - Sublime Intercambio Benedit, Ricardo Liv. Ed. Universalista, Paraná 1993
10. Gravidez e Parto Sheila Kitzinger Ed. Abril AS, São Paulo, 1981
11. Mães - um estudo antropológico da maternidade Ed. Presença, Martins Fontes, Lisboa 1978.
12. Nascer Sorrindo Frederick Leboyer Ed. Brasiliense, São Paulo 1979.
13. O Parto Natural Fernando Estelita Lins Bloch Editores, Rio de janeiro, 1983.
14. Parto humanizado: formas alternativas Hugo sabatini - Ed. Da Unicamp. Campinas, 1992
15. Gestação, parto e maternidade, uma visão holística, Emerson de Godoi Cordeiro Machado, Ed. Aurora. 1995.
16. O parto natural, Fernando Estelita Lins, Bloch Editores, Rio de Janeiro, 1983.
17.Parto humanizado: formas alternativas. Hugo Sabatino, R. Caldeiro Barcia. Ed. Unicamp. Campinas, 1992.
18."Waterbirth - The concise guide to using water during pregnancy, birt and infancy", Janet Balaskas, ainda não traduzido
para o português.
Bibliografia
1. Margat, Jean. 1989. L'économie de l'eau dans le monde. In: Le Grand Livre de l'Eau, La Manufacture, p.227-288 , 412p.
2. Ministério da Saúde - Programas de Saúde - Saúde da Mulher
3. Revista do Conselho Federal de Medicina.
4. Moysés Paciornik, Parto de Cócoras , Ed. Brasiliense, São Paulo.
5. Hugo Sabatino e Caldeyro-Barcia - Parto na posição sentada.
6. Hans Jakobi, Ecologia, 19
7. Perinatologia Social, José Américo Silva Fontes, Editorial BYK,1984
8. Medicina Perinatal - José Aristodemo Penotti e José Hugo Sabatino, Ed. Unicamp, 1982
9. Gravidez sem Risco, a nutrição de bebê in útero, Dr. Flávio Rotman, Ed. Record, 1999
10. O Tratamento através da Plantas Medicinais, saúde e beleza, Dr. E.A.Maury, Ed. Rideel Ltda.
Marcadores: parto na água
10/10/2006
por: Jonathan Jayme Da editoria de Cidades
Os irmãos Juliano Fernandes Cardoso, 11, e Luciano Fernandes Cardoso, 13, ajudavam nos afazeres do barracão de apenas três cômodos no Jardim Tiradentes, em Aparecida de Goiânia, quando a mãe, Sirlei Mariano Cardoso, 31, sentiu as contrações. A então gestante precisou da ajuda dos filhos para dar à luz ao pequeno Kaíke. Em uma demonstração de bravura, os meninos deixaram a infantilidade de lado e conduziram o nascimento do irmão na semana passada.
Eles dividiram as tarefas. O primogênito ficou de puxar a água da cisterna e esquentá-la em uma bacia para que a mãe pudesse tomar banho e seguir para a maternidade. Juliano ficou responsável de ir até um telefone público mais próximo e chamar uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O casebre sem luz, telefone e água tratada, não ajudava nas condições de emergência em que a genitora se encontrava. As outras filhas de Sirlei, Amanda, 10, e Adriely, 8, estavam na escola. O marido está preso na Casa de Prisão Porvisória (CPP) desde o dia 2 de setembro e também nada pôde fazer para ajudar.
Confiança – Sirlei decidiu confiar nas únicas pessoas que poderiam auxiliá-la: os filhos mais velhos. Juliano não teve sucesso na missão de chamar por socorro. "Quando liguei no 192 eles acharam que era trote e disseram que iam chamar a polícia para prender minha mãe e eu", conta. O menino, que tem fama ser o mais reclamão dentro de casa, respondeu que se algo acontecesse à mãe e ao irmão que estava prestes a nascer, quem denunciaria o caso às autoridades seria ele. Luciano cumpriu o papel designado pela gestante.
Mas já não dava mais tempo. Sirlei anunciou ao filho que a criança estava quase nascendo. O franzino Luciano segurou forte nas mãos da mãe e disse palavras de apoio. "Fiquei com muito medo, mas tinha que ajudar minha mãe", relata. Juliano voltou correndo pela rua de terra que passa na frente do barraco e anunciou que a ambulância não viria. Quando chegou, por volta de 11h30, Sirlei já murmurava as dores do parto. Ele também passou a incentivá-la.
Orientações – "Primeiro veio a bolsa e minha mãe pediu para eu puxar que o bebê viria logo atrás", diz Luciano. E assim o fez. A gestante ficou receosa de que o filho não desse conta de segurar o bebê e pediu para que Juliano chamasse uma vizinha, identificada apenas como "Nega". Quando a mulher chegou, Sirlei dava à luz ao pequeno Kaíke. Os filhos continuaram no apoio à mãe e desta vez foi a amiga que decidiu chamar por socorro. O medo de deixar o filho mais velho pegar o "caçula" se foi. Quando os paramédicos do Samu chegaram ao local para finalizar os procedimentos médicos, Luciano segurava o irmão que acabara de ajudar a nascer.
Fonte: Site DM
Marcadores: depoimento, midia, parto em casa, parto natural
Mães da Pátria
escrito por: Tricia Lima em Segunda-feira, Outubro 16, 2006 às 4:34 PM.
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Recebi hoje, por indicação de minha querida amiga Paloma, este site sobre o trabalho de Bia Fioretti, uma publicitária paulista apaixonada por estas mulheres, que são as verdadeiras raizes de nosso país."Bia Fioretti, publicitária e fotógrafa, pesquisa e cadastra parteiras pelo Brasil e pelo mundo com o objetivo de encontrar seus pontos em comum e traçar o retrato do que é a essência do feminino. São fotografias e depoimentos da vida cotidiana que ilustram seus valores, costumes e tradições.
O objetivo desse trabalho é valorizar essas mulheres que sempre foram discriminadas pelas comunidades médica e científicas, pois a profissão de parteira no Brasil não é reconhecida e nem remunerada. Esse cadastro já consta com 246 parteiras e doulas no Brasil, 85 na América Latina e 23 entre Europa e estados Unidos...
Vale a pena conferir!!!
Movimento pela Valorização das Parteiras Tradicionais



Marcadores: feminilidade, mulher
Bebê pode ser machucado durante cesariana
escrito por: Tricia Lima em Quarta-feira, Outubro 11, 2006 às 4:31 PM.
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NEW YORK (Reuters Health) - About 1 in 100 babies delivered by cesarean section are injured in the process, a new study shows. The risk of injury is influenced by the reasons for doing the c-section.
Dr. James M. Alexander, from the University of Texas Southwestern Medical Center at Dallas, and colleagues analyzed data from all 37,110 cesarean deliveries that took place at 13 academic centers between 1999 and 2000.
The overall rate of injury to the baby was 1.1 percent, according to the team's report in the medical journal Obstetrics & Gynecology.
Wounds to the skin accounted for more than half of the injuries. The next most common injury was severe bruising of the head, followed by broken collarbone, facial nerve damage, injury to the chest-arm nerve network, and skull fracture.
In women with a first-time c-section as well as those who had previously undergone the procedure, the highest rate of fetal injury occurred following an attempt to deliver through the birth canal using forceps or vacuum.
On the other hand, the lowest risk of injury was associated with elective repeat cesarean deliveries.
While c-section can prevent birth trauma in certain circumstances, it can also cause injury, Alexander and colleagues point out, as the current findings illustrate. "Women should be counseled that, although fetal injury is uncommon, it is not absent in cesarean delivery," they advise.
SOURCE: Obstetrics
& Gynecology, October 2006.
Marcadores: cesárea, midia, neonatologia, pesquisas

alguma coisa quebrou dentro de mim depois de ler essa transcrição da palestra da Naoli Vinaver (ai embaixo).
Há algum tempo tenho sentido um desejo indescritivel de acompanhar gestantes em trabalho de parto. Não que isso me venha como uma nova área de trabalho pra ganhar o pão de cada dia, não. Seria por paixão mesmo. Tenho uma verdadeira paixão por grávidas. Elas carregam consigo não apenas um bebê, mas algo profundo e misterioso que me encanta. Não tem explicação, não é neurose, é instinto. É vontade, que aparece do nada, e me move.
Pra mim, no fundo do meu coração, trabalhar com gestantes seria um bálsamo, algo divino, como uma missão de vida mesmo. Não foi a primeira vez me peguei pensando que escolhi a profissão errada. Ser publicitária é bacana, me transformo em mil ao mesmo tempo pra dar conta de aprender a cada dia. Mas me falta algo, me falta o sentimento de realização pessoal que só vem preencher o peito quando ajudamos o outro.
Alguma coisa não encaixava direito, um ponto de interrogação enorme continuava rondando minha cabeça oca. Essa vontade, esse elo com as minhas próprias raizes na verdade estava escondido até o dia em que nasceu minha filha. Foi ali que renasci. Através daqueles 8 cortes, da dor, do desespero, meu lado mãe foi forjado. (poético não? hehehe). Além disso alguns "sinais" me dizem o tempo todo que eu estou indo no caminho certo.: re-encontros com antigas amigas que agora estão grávidas, e outras que não via há muito tempo. O encontro com duas médicas maravilhosas que atendem partos naturais. O meu amadurecimento pessoal em relação a minha cirurgia. E os sonhos... esses sim, tem sido bem frequentes e marcantes.
Há algumas semanas tenho sonhado toda santa noite com grávidas, de todos os tipos, altas, magras, novas, velhas, amigas, desconhecidas. Inclusive comigo mesma, gravida em todas as etapas, no inicio, no fim, em trabalho de parto. Por fim, em cada sonho, me vinha sempre conforto na alma de que eu era uma boa parteira. Além disso, a água sempre estava presente. Água limpa, profunda, em forma de rio, as vezes calmo, as vezes revolto, mas muita água. Uma vez inclusive eu era um barco, carregando pessoas comigo no meio de uma tempestade.
Pra completar esse carrossel de coincidências, tenho que admitir aqui o meu grande defeito: a capacidade de se adaptar, mudar, me transformar, de acordo com as pessoas com quem eu convivo. Sim, não tenho personalidade forte, não sou de bater-boca, mudo conforme o vento. Simplificando: sou igual à Mistica, mutante-lagarta do X-Man. Hohoho. Chega a ser patético, sério, basta eu conversar dois tempos com alguém de sotaque forte, já me pego falando do mesmo jeito. Concordo com tudo, vejo pessoas e sempre absorvo sua personalidade. Herdei isso de meu pai, somos assim, bobos demais. Então, depois que a Naoli falou que parteiras são como água, tomam a forma do vaso que lhes carrega. Pronto, quebrou. Aliás, tudo se encaixou. Tive a certeza de que é isso ai, essa é a linha que costura todo o tecido.
No entando, nunca ouvi falar de uma parteira que não fosse velha, experiente, e que já tivesse parido e criado seus filhos. Vocês já? Deve ser algo como um curriculo, uma bagagem necessária. Elas têm que ter experiência, têm que ter passado pelo fogo, têm que ter independência (de ter filhos grandes, crescidos, criados) para poder se colocar à disposição de mulheres por vários dias.
Eu? Apesar do "chamado" vir de várias formas todos os dias, não tenho nem metade dessa bagagem. Minha filha ainda mama, usa fraldas, e precisa de mim o tempo todo. Nunca pari pelas vias normais, mas pretendo (hihihih). E sou muito nova ainda. Tenho que levar muita porta na cara pra ter respeito.
Fica ai registrado pra mim mesma um dia, essa confissão. Eu nasci pra ser parteira. Se eu tivesse nascido há um século atrás, com certeza estaria aparando bebês. Quem sabe um dia...
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Parteiras na Bíblia
Reza a Bíblia que a profissão das parteiras é sagrada. Foram elas que salvaram os hebreus da fúria dos faraós. No Egito antigo, um faraó indignou-se com a presença hebraica em suas terras. Os judeus eram numerosos e não paravam de se multiplicar. Ora, em caso de guerra, eles poderiam sair vitoriosos. O faraó, então, dirigiu-se às parteiras dos hebreus — Séfora e Fua — e determinou que elas matassem todos os bebês homens desta raça que trouxessem ao mundo. Tementes a Deus, elas não obedeceram. Não mataram um bebê sequer, e Moisés, inclusive, só recebeu os Mandamentos de Deus porque foi salvo por uma parteira. No livro bíblico Êxodos, é possível conferir. ‘‘Deus beneficiou as parteiras: o povo continuou a multiplicar-se e a se espalhar. Porque elas haviam temido a Deus, ele fez prosperar suas famílias.’’
retirado do site: Correio Brasiliense
Marcadores: depoimento, parteira
A Qualidade Humana da Parteira
escrito por: Tricia Lima em Terça-feira, Outubro 10, 2006 às 4:26 PM.
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Construção do vínculo familiar no parto e nascimento
Puc/SP Teatro TUCA
4 de novembro de 2004
Palestra proferida por Naoli Vinaver Lopes*
Trabalho como parteira há 17 anos e, quando penso em vínculo e relações humanas, penso no parto em casa, pois o vínculo da parteira com a mulher e a família é muito grande. O que significa acompanhar outro ser humano na experiência profunda de trazer ao mundo uma nova vida?
Desde pequena, me sentia fascinada com as grávidas. Via nelas a promessa do futuro. Minha paixão foi aumentando com os anos. Cresci numa fazenda, assistindo ao nascimento de todos os animais e pessoas que viviam lá. Para mim era uma honra estar presente nesse momento. A raiz de meu trabalho de parteira se encontra nessas vivências da infância. Sem este histórico não teria tanta experiência.
Tive três filhos em casa. Vivi de forma instintiva o parto, celebrando um momento íntimo e prazeroso com pessoas amigas e sintonizadas comigo. O nascimento de minha terceira filha foi gravado num vídeo. Quis ter uma parteira presente, mas queria que ela mantivesse uma certa distância o tempo todo. Sua presença me servia para que eu não precisasse me preocupar com alguns aspectos práticos e técnicos do parto.
Não tenho uma formação específica como parteira e não tenho rotinas. Minha metáfora favorita para descrever minha função de parteira é a da água. A parteira deve ser como a água que assume a forma do jarro que a contém. Ela deve saber-se adaptar às necessidades da mulher, o que implica saber amar a ela e a sua família. Uma parteira precisa saber dar o que lhe é pedido, nem mais, nem menos. Ser parteira é uma arte, uma dança, um ritmo que se aprende. É muito importante ter a capacidade e o conhecimento clínico, saber resolver problemas para não ir ao hospital, por exemplo. É preciso ter serenidade e atitudes rápidas em muitas situações. Porém, penso que este é só um aspecto. Quero focar hoje na questão da qualidade humana – uma coisa que não se aprende na escola.
Para as mulheres que atendem nos hospitais é importante aprender a estabelecer um vínculo com as parturientes. Estou falando da habilidade de amar, de observar algo similar na outra pessoa, que permite nos identificarmos. Trata-se de dar e receber. Todos sabemos que quem atende partos está recebendo muito mais do que está dando. Devemos dar minimamente algo em troca: o reconhecimento e o carinho por esta mulher que está se abrindo por completo em nossa presença, abrindo-se de corpo e alma. É um momento de completa vulnerabilidade.
Quando eu tinha quatro anos minha gata pariu. Uma note acordei sentindo algo molhado em minhas costas, apalpei, tentei entender o que era... E descobri que minha gata havia escolhido minha cama e a minha presença para dar à luz seus filhotes!
Não há nada mais comovedor, mais grandioso na vida de uma mulher do que o momento do parto. O parto é uma experiência comum, mas não ordinária.
Atender um parto é uma oportunidade de amar aquela mulher, de ajudá-la a abrir-se. É uma experiência humana que enriquece. Tanto a mulher como a parteira não serão as mesmas após a experiência; precisamos portanto estar abertas à comoção, prontos para dar o melhor de nós. Nos relacionamentos e nos vínculos não se pode ter uma boa relação se uma das partes dá muito mais do que a outra: há desequilíbrio. Isso acontece tanto na relação médico-paciente quanto naquela mãe-filho, sem falar do vínculo emocional com outras pessoas.
Ao crescermos, vamos tomando consciência daquilo que é único e especial em cada um de nós. Quando eu era pequena sentia a maior gratidão vendo que meus pais souberam receber o rio forte e intenso de amor que eu tinha para dar. Assim, é preciso saber amar as parturientes. O vínculo entre a parteira e a mulher serve também para dar suporte ao vínculo que vai se estabelecer entre a mãe e o filho.
Por outro lado, é importante observar as relações da parteira com sua família. Como está sua vida? Cada um de nós deve saber fazer sua parte que consiste também em saber “limpar” seu espaço, suas relações, sua vida, sua pessoa.
Não estamos num mundo ideal, não podemos ter um parto ideal, mas podemos ter um parto muito lindo. Devemos sempre observar o que está acontecendo. Por exemplo, tive uma experiência interessante com uma grávida. Era sua terceira gravidez, que transcorreu tranqüila. Eu já havia acompanhado as primeiras duas que se concluíram com sucesso em dois partos domiciliares. Estava crente de que este terceiro parto seria muito tranqüilo. Na noite do parto, durante o trabalho de parto que progredia intensamente, ela de repente se “congela” e me diz: “Naoli, não quero mais dor! Levá-me para o hospital!” O que estava acontecendo? Por que agora o medo e o terror?
Comecei a falar com ela de uma forma diferente, ao mesmo tempo que lhe assegurava que iríamos ao hospital. Mas antes, talvez, ela tivesse algo a dizer, talvez precisasse abrir o peito e falar alguma coisa. Foi então que ela, apontando para o marido, que estava assustado e acuado, disse: “Estou muito chateada com ele!” Descobri que ele não tinha feito a vasectomia, conforme os dois haviam combinado, por isso ela engravidou, uma gravidez não desejada. Estava com projetos pessoais e profissionais que tinha ido água abaixo. Havia então passado a gravidez inteira remoendo seu mal-estar e agora estava com medo de que isso pudesse ter provocado malformações no neném! A convidei a ir debaixo do chuveiro um pouco e mandei o marido entrar com ela no banheiro, fechei a porta e deixei os dois lá sozinhos. Ouvi que ela gritava e falava tudo o que estava engasgado. Ele precisava ouvir. Dali a pouco, ela me chama. Vejo em seus olhos que a hora tinha chegado, ela aponta para o lugar que havíamos preparado para que ela desse à luz, a ajudei a ir até lá... e rapidamente o neném nasceu! Hoje o casal está bem, tem três lindos filhos e ele fez vasectomia!
* Parteira mexicana, conferencista internacional.
Redação por Adriana Tanese Nogueira.
FONTE: ONG Amigas do Parto
Marcadores: parteira
Pediatras e OAB querem licença-maternidade de 180 dias
escrito por: Tricia Lima em às 4:26 PM.
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Simone Magalhães - O Globo Online
Divulgação. Maria Paula com Maria Luiza e Flávia Ramos com Ronald na campanha pela licença-maternidade de seis meses
RIO - Já pensou ficar 180 dias com seu bebê ao invés dos 120 previstos na Constituição? A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Frente Parlamentar da Criança defendem o projeto de lei nº281 de 2005, que tramita no Congresso, ampliando o período de afastamento das mães do trabalho em empresas particulares. Para a ex-coordenadora da política nacional de aleitamento materno do Ministério da Saúde e atual coordenadora do centro de referência de bancos de leite humano e aleitamento materno do Distrito Federal, a pediatra Sônia Salviano, a ampliação da licença é "extremamente importante".
- Para a mãe é a tranqüilidade de acompanhar e alimentar o filho durante o tempo em que ele mamar. Para o bebê, além do fortalecimento da relação mãe-filho, ele conseguirá se alimentar mais calmamente. E ao sugar direto do seio, obtém um leite rico em anticorpos - explica.
A médica observa que as empresas podem ter restrições a ficar sem a funcionária durante seis meses, mas há compensações:
- É uma adesão voluntária. E quem aderir terá redução em carga de impostos e ainda exercerá sua responsabilidade social de forma importantíssima.
A campanha a cada dia ganha mais adeptos: alguns municípios e estados se anteciparam e já concederam o benefício a funcionárias públicas
Licença-maternidade
Mas, enquanto os seis meses de licença-maternidade não chegam, a mulher brasileira continua tendo, por lei, o direito de seu afastamento do trabalho por 120 dias a contar da data do nascimento do bebê. Por motivos de saúde ou pessoais ela pode deixar o trabalho até 28 dias antes de dar à luz. Os outros 92 serão gozados depois. Mas a empresa deve ser previamente notificada.
Tempo a mais
Caso a mãe apresente problemas de saúde que a impeçam de voltar ao trabalho no prazo legal, existe a possibilidade de solicitar uma prorrogação do benefício por mais 14 dias. É essencial que seja apresentado um atestado médico, declarando a necessidade das duas semanas a mais.
Para todas
A mulher que adota um filho também tem direito à licença-maternidade, com a permanência em casa variando de acordo com a idade da criança. Por exemplo, se o bebê adotado tiver até 1 ano a mãe recebe o benefício integral, ou seja, os 120 dias. Criança na faixa entre 1 e 4 anos dá direito a 60 dias. Já a adoção de um filho entre 4 e 8 anos permite licença de 30 dias.
Licença-aleitamento
Durante a jornada de trabalho, a mulher tem o direito a dois intervalos de meia hora cada um para amamentação do filho até que ele complete 6 meses. Mas, se preferir, poderá negociar com seu empregador para que utilize um único período de uma hora, chegando ao trabalho uma hora depois ou saindo uma hora antes.
Licença-paternidade
O pai tem direito a ficar pertinho do filho recém-nascido por cinco dias - contados a partir do nascimento do neném. Mas existe a possibilidade de continuar trabalhando e receber o benefício em dinheiro. A advogada trabalhista Gilda Elena de Oliveira observa que a troca de licença por dinheiro, no entanto, contraria a intenção do legislador.
- Esses cinco dias são concedidos ao pai para auxiliar a mãe nos primeiros dias de vida de seu filho, assim como para que possa providenciar seu imediato registro de nascimento - observa ela.
Salário-maternidade
Conntribuições regulares para o INSS e carteira assinada asseguram o recebimento do salário integral, durante a licença-maternidade. O benefício é pago pela Previdência Social, a partir da data do parto. Ele pode ser antecipado para o oitavo mês da gestação, se houver apresentação de atestado médico. Em qualquer dos casos, a mulher deve procurar um dos postos da Previdência Social, apresentando cópia autenticada da certidão de nascimento. A advogada observa que se houver impossibilidade física de a mulher ir até o posto da Previdência há outras alternativas.
- Ela pode mandar um procurador munido do devido instrumento de procuração com firma reconhecida, ou fazer o requerimento pela Internet ( ver página da Previdência Social - www.mpas.gov.br ). Se o nome da mãe adotiva não constar da certidão de nascimento, ela deve apresentar o termo judicial de guarda à adotante ou guardiã - explica.
Auxílio-creche
O artigo 389 § 1º da CLT determina que os estabelecimentos que tenham, pelo menos, 30 mulheres empregadas maiores de 16 anos disponibilizem local apropriado para guarda sob vigilância e amamentação de seus filhos até os 6 meses de idade, facultando que lhes seja disponibilizado o acesso, mediante convênio, a creches.
- Entretanto, através de portaria do Ministério do Trabalho que veio a regulamentar a questão, a qual considerou as inúmeras consultas de empresas nesse particular e a reiterada previsão, em Acordos e Convenções Coletivas das diversas categorias, do pagamento da parcela denominada " reembolso-creche" , autorizou a adoção do sistema de reembolso-creche em substituição ao que estabelece o art. 389§1ºda CLT - comenta Gilda Elena.
O reembolso deverá cobrir, integralmente, as despesas com a creche - de livre escolha da mãe -, pelo menos até os 6 meses de idade da criança, nas condições, prazos e valor estipulados em Acordo ou Convenção Coletiva .A análise e concessão do benefício está condicionada, entre outras exigências, à comprovação de matrícula e pagamentos das mensalidades pelos pais ou responsáveis pela criança nas instituições. O benefício será concedido a toda empregada-mãe independente do número de mulheres que trabalhem no estabelecimento. Não há valor fixo estabelecido por lei. Muitas empresas ampliam o benefício até o pré-escolar.
Grávida e demitida
Se a funcionária for despedida sem justa causa e descobrir-se grávida, o ato da demissão poderá ser declarado nulo. Basta a empregada notificar comprovadamente seu empregador imediatamente após tomar conhecimento de seu estado. Na hipótese de não haver o cancelamento da rescisão e o retorno ao emprego, a funcionária deverá constituir, quanto antes, um advogado para o ajuizamento de Ação Trabalhista
Marcadores: amamentação, gestação, governo, licença maternidade, politica
Bom, pra quem quiser se informar mais a respeito do assunto, recomendo o Site Oficial da Sheila Kitzinger, uma das maiores defensoras dessa modalidade no mundo.
Aviso aos navegantes: o site da ONG Amigas do Parto foi atualizado hoje, hein... Vale a pena conferir as novidades!
Marcadores: dicas, parto em casa, parto na água, parto natural
quem pariu foi o Major?
escrito por: Tricia Lima em Segunda-feira, Outubro 09, 2006 às 4:16 PM.
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Em meio à operação de guerra para resgate das vítimas do maior acidente aéreo da história do País, a Base Militar da Serra do Cachimbo viveu um momento mágico de celebração à vida. Às 4h15 de hoje, nasceu saudável, com pouco mais de 3 quilos, o bebê Fabiano, a bordo de um avião bandeirantes, da Força Aérea Brasileira (FAB), que integra as operações de busca na região.
O parto foi realizado pelo major médico Ricardo Aleixo, da equipe que participa da pré-identificação e preparação dos corpos de vítimas do acidente, resgatados na floresta. Acionado para dar socorro de emergência a uma parturiente, Francisca de Souza, o médico percebeu que havia riscos e a levou para um hospital em Cuiabá, onde ela deveria ser submetida a cesariana.
O vôo duraria 1h40, mas meia hora depois de o avião decolar, Francisca entrou em trabalho de parto. Mesmo com recursos escassos, Aleixo conseguiu trazer o pequeno Fabiano à Luz, com o uso de toda a perícia e uma boa dose de sorte. O fato emocionou às equipes de busca. "É comovente ver um espetáculo de vida assim em meio a tanta tragédia", disse o major Marcos Maia, coordenador da equipe médica que atua na operação.
Francisca ia da área rural de Novo Progresso para ter o bebê em Guarantã quando, nas proximidades da área militar sentiu fortes dores e pediu ajuda aos guardas da guarita. Levada ao posto da Base, os médicos perceberam a gravidade. Apesar de ter apenas 18 anos, Francisca já teve dois filhos antes, todos por cesariana por não ter passagem, o que tornava ainda mais difícil um parto natural. Ela resolveu dar o nome do bebê (Fabiano) em homenagem à FAB.
Centro de apoio às operações de busca das vítimas da tragédia com o boeing 737-800 da Gol, a Base do Cachimbo foi utilizada durante o regime militar como local de testes sigilosos do programa nuclear brasileiro. Fica instalada numa área de 21,6 mil quilômetros quadradados, do tamanho de Israel ou do Estado de Sergipe.A Base é uma das instalações militares mais protegidas do Brasil. É lá onde se encontra retido o jato Legacy, da Embraer, que se chocou com o Boeing da Gol.
FONTE:A Tarde Online
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Agora eu tenho que falar: essa foi uma matéria muito da mal escrita... me desculpem os jornalistas, mas, "vão contar uma historia mal assim, na casa do carvalho!"
Primeiro, quem realizou o parto foi o tenente?!?
Todas as manchetes sobre a noticia colocam ele em primeiro lugar como responsável pelo nascimento da criança. E a mulher? Coitada, não conseguiu manter a criança dentro da barriga até chegar ao hospital... que coisa horrivel né? Deviam ter prendido essa doida por desacato à autoridade médica! Quem deixou ela parir!??? Não pode! o Sinhô-doutor disse que tem que ser cesárea. Absurdo! Voz de prisão pra doida que pariu em pleno vôo!
Como se não bastasse, a mulher já tinha tido duas cesáreas! Vê se pode! Altissimo risco. Todas as duas porque o doutor disse que ela não tinha passagem. Devia ser de avião! KAKAKAKAK
Cabe aqui a célebre frase de Moysés Paciornik: "Deixados à natureza, noventa por cento dos partos acontecem espontaneamente."
Fico feliz que tenha dado tudo certo, e que ela tenha escapado da terceira DESNEcesárea.
Marcadores: midia, parto natural, parto normal após cesárea
porque os bebês choram quando nascem?
escrito por: Tricia Lima em Quarta-feira, Outubro 04, 2006 às 4:15 PM.
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Um dia desses, um obstetra françês começou a se fazer essa mesma pergunta... Na verdade, ele vivia sempre correndo, atendendo mais de 30 partos por dia, no serviço público de saúde. Até que começou a se sentir vazio, e questionou se aquele estilo de trabalho era mesmo o que ele buscava... começava ali a procurar respostas para sua angustia.
Veja como era louco: inventou uma viagem para a Índia, onde ficaria hospedado na casa de um amigo, arrumou as malas e se mandou! Isso aconteceu em meados dos anos 70. Chegando lá teve contato com a cultura local e ficou extasiado!
Quando ele voltou pra Paris, escreveu o livro "Nascer Sorrindo" que ficou famoso mundialmente... Ele propôs um tipo de parto colocando o recém-nascido em primeiro lugar. Sugeriu que apagassem as luzes, dessem um banho morno no bebê, que o deixassem respirar ainda com o cordão umbilical pulsando... imaginem! Que loucura isso?
O nome desse cara maluco? Frederick Leboyer.
Quem se interessar, tem uma biografia dele nesse site.
Desculpe, acabei mudando de assunto... ainda não te respondi porque os bebês choram quando nascem.
Há um artigo excelente nesse site, sobre a fisiologia do processo que ocorre no corpo do recém-nascido após a transição entre o meio intra-uterino para o mundo. Especialmente sobre a circulação sanguinea. É ai que tudo começa. É ai que você começa a perceber como é perigoso cortar o cordão umbilical assim que o bebê nasce... porque é tão importante dar ao bebê essas DUAS formas de oxigenação.
Você já pararam pra pensar, porque cortam o cordão com tanta pressa? Porque? Será a tensão local, a pressa, ou o nervosismo do profissional?
Respirar assim que nasce, é como andar pela primeira vez. Se você dá sua mão, o bebê segura firme e assim, evita de se machucar não é? Então porque tiramos a "mão" assim que ele nasce, cortando o cordão umbilical antes que ele pare de pulsar?
Marcadores: leboyer, neonatologia, parteira
Já aqui uma vez escrevi contra aquelas que chamei as Marias Aparecidas das Dores do Parto. Não mudei de opinião quanto ao básico, mas aprendi umas coisas entretanto. O básico, para mim, é poder escolher sem recriminar quem toma diferentes opções da nossa. E fazer uma escolha informada.
De tal forma me faz confusão quem diz que o parto é uma experiência orgásmica como quem o considera um acto puramente médico, controlado até à quinta casa em prol daqueles que agem, os médicos.
Eu tive um parto induzido. Uma episiotomia que sempre pensei ser necessária. Cheia de epidural, não dei um ai. Correu bem. Mas podia ter corrido mal. Quase fui para cesariana e hoje percebo que não me apanham noutra. Sucumbi aos argumentos do obstetra que jurava a pés juntos que assim é que tudo está controlado, assim é que não falha, assim é que não dói.
A dor é aqui importante. E é aqui que muitas vezes discordo das correntes naturalistas do parto, anti-epidural. Porque continuo a achar que se conseguimos tirar a dor, sem que daí advenham grandes contraindicações, então é bom fazê-lo. Ninguém arranca dentes sem anestesia só porque a avó assim o fez e está viva para contar. Sou pró-epidural, embora não critique quem a recusa, obviamente.
Diz-me a minha amiga João - que passou de «adoradora» dos anestesistas a «militante» do parto natural - que há outras formas de contornar essa dor. Conta-me ela nas dezenas de artigos que tem feito que há países onde as banheiras de dilatação estão por todo o lado, que há aromaterapia, acunpunctura e outras formas de retirar ou amenizar a dor. Tudo bem. Mas ainda bem que há epidural, remato sempre eu.
Para mim a questão está no antes da anestesia. Por que raio nos colocam deitadas - e ainda por cima sempre para o mesmo lado - sem que aproveitemos essa coisa fenomenal que é a lei da gravidade para que a dilatação se faça melhor? Por que razão temos de parir naquela posição maldita, que não dá jeito para nada a não ser para fazer as ditas criancinhas e não para deitá-las cá para fora. Por que maldita ideia é que em alguns sítios ainda rapam os pelos púbicos e mandam fazer clisteres?
A resposta é simples: porque dá jeito ao senhor doutor. Tal como deu jeito ao meu médico que o Jaime nascesse numa quarta-feira, mesmo que isso implicasse eu fazer uma cesariana, visto que os riscos numa indução aumentam de forma louca.
A episiotomia então apanhou-me completamente desprevenida. Nunca me havia passado pela cabeça que era um acto muitas vezes desnecessário, mas pior, que era um acto que podia levar a lacerações maiores. Bastava, de facto, ter pensado nas leis da física: cortando um bocadinho é mais fácil que rasgue... Tudo isto nos causa estupefacção quando vemos os dados de outros países, onde as taxas de epiosiotomia são muito mais baixas e nem por isso as taxas de lacerações são maiores. Mas por que raio é que ninguém me explicou isto antes? Por que razão é que eu não tive uma palavra a dizer? Porque o senhor doutor é que sabe, ora lá está.
Ainda não estou no patamar da João, siderada com os partos em casa, com as mulheres a parir a a fazer festas na cabeça do bebé. Mas já estou noutro diferente daquele onde comecei.
Porque obtive informação, porque comecei a pensar noutras soluções. Soluções que o meu país ainda não oferece, mas se calhar porque as mulheres não pedem. Porque no dia em que começarem a exigir melhores condições de nascimento em vez de perguntarem se os quartos têm televisão, talvez os hospitais - pelo menos os privados - se decidam a oferecer mais.
FONTE: Blog Lista de Compras
Marcadores: depoimento, gestação, parto
uma obstetra bem natureba
escrito por: Tricia Lima em Terça-feira, Outubro 03, 2006 às 4:12 PM.
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a Dra Barbara Schwermann, pois as referências que eu tinha dela me foram dadas pela antiga doula. E eu já fui sabendo que "ela é vaginalista mas fazia episio de rotina", então nem me animei.
Enfim, depois de uma boa conversa, simplesmente ADOREI a postura dela. Me pareceu bem naturalista, coerente e descolada. É direta sim, honesta com a gente, não tem meia volta, diz o que faz e o que não faz. Não sei se é porque algumas gestantes tem procurado uma linha mais 'normal', mas ela me pareceu bem preparada e experiente. Inclusive em parto domiciliar, que é um tabu por aqui.
Passa bastante segurança, e controle, é o jeito dela. Incentivou bastante a Kelly, afirmou que não pratica episio de rotina, e indicou uns oleozinhos da Weleda para massagear (da forma que ela vai ensinar) o perineo (admito que achei o máximo isso! Nunca tinha visto alguem ensinando isso por aqui...).
Não se opôs a presença de uma acompanhante, nem em relação a liberdade de posições. (faltou eu perguntar sobre parto na água, mas depois eu pergunto...), não rompe a bolsa, evita indução, e não tem medo de mecônio (essa foi a parte que ela me ganhou...kkkk)
Bem foi isso que me lembrei...
Ela é muito naturalista (inclusive adora alimentos organicos, é fã da Waldorf Micael, e etc.) e tem experiência. Sei de dois partos que ela assistiu que foram maravilhosos, no primeiro a mulher tinha acabado de chegar da Alemanha, e teve seu bebê em casa. Era uma multipara, que só tinha tido seus filhos assim, e deu tudo certo. A segunda, uma mulher que pariu de cócoras naturalmente (sem nenhuma intervenção) no Hospital da Unimed com ela.
Ah! sim... ia esquecendo.
Sobre a experiencia pessoal dela, me disse que teve uma cesárea pois não quis mudar de médico. Estava com 9cm de dilatação, e acabou indo pro CC devido a orientação do médico dela (que era cesarista).
E mais(ops): ela é contra vacinação em excesso, até batemos um longo papo sobre isso, e eu me surpreendi. UAU! Mostrou-se muito bem informada sobre as ultimas pesquisas.
:O)
Quem quiser ver uma fotinha da Dra Barbara, encontrei essa no site da escola onde os filhos dela estudam. (Ela é a loirinha no meio)
(Estou muito feliz, vcs nem imaginam, em saber que existem DUAS opções aqui em Fortaleza pras mulheres que querem ter um parto natural... Dra Barbara e Dra Darluce)
beijos radiantes!
Descoberta pode levar à cura da pré-eclâmpsia
escrito por: Tricia Lima em Segunda-feira, Outubro 02, 2006 às 4:11 PM.
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Cientistas americanos anunciaram uma descoberta que pode levar à criação de um teste e uma cura para a pré-eclâmpsia, mal que afeta mulheres grávidas e pode causar hipertensão e problemas renais.
A equipe do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos descobriu que mulheres com pré-eclâmpsia acumulam altas concentrações de duas proteínas vários meses antes de desenvolver o problema.
A pesquisa, publicada no New England Journal of Medicine, foi concluída depois de analisados resultados de exames de sangue de 4,5 mil mulheres grávidas.
Especialistas ressalvaram, porém, que a perspectiva de ter um teste antecipado e a eventual cura ainda é distante.
A pré-eclâmpsia é causada por um defeito na placenta, que fornece nutrientes e oxigênio para o feto. O problema ocorre no período final da gravidez.
Uma em dez
Até uma em dez mulheres grávidas pode ter pré-eclâmpsia, e uma em 50 sofre de graves problemas de saúde em decorrência da doença.
A incidência no Brasil é de cerca de 10%, segundo o Consenso Brasileiro de Cardiopatia e Gravidez, e é a principal causa de morte materna no país.
Os cientistas ainda não compreendem totalmente o que causa o defeito da placenta, embora se saiba que o risco esteja ligado a fatores como ocorrência de casos prévios numa família, ter idade acima de 40 anos. A primeira gravidez também apresenta um risco maior.
Os pesquisadores que trabalharam no estudo descobriram que 120 mulheres que participaram dos testes e desenvolveram pré-eclâmpsia mais tarde na gravidez tinham no sangue concentração alta da forma solúvel de duas proteínas - endoglina e tirosina-quinase 1 tipo fms - em comparação com as que não desenvolveram pré-eclâmspia.
Níveis elevados das proteínas podem ser encontrados até três meses antes do desenvolvimento da pré-eclâmpsia.
Cura
Pesquisadores dizem que não ficou esclarecido exatamente como o desequilíbrio causou a pré-eclâmpsia, embora tenham sugerido que isso pode privar vasos sangüíneos de nutrientes essenciais, levando-os à debilidade e à morte.
"Esta descoberta parece ser um passo importante no desenvolvimento da cura da pré-eclâmpsia", disse o diretor do Instituto Nacional de Saúde, Elias Zerhouni."Isto também pode proporcionar a base para se prever se uma mulher vai ou não desenvolver o problema."
FONTE: BBC News
Marcadores: complicações, gestação, pesquisas
Segundo os pesquisadores, alguns quilinhos a mais depois do nascimento do primogênito - mesmo para as mulheres que não estão acima do peso - poderiam levar a complicações como pressão alta, diabetes ou a morte do bebê ainda dentro da barriga da mãe durante a segunda gravidez.
Especialistas acham os resultados do estudo preocupantes, já que a obesidade está aumentando e, de acordo com as tendências atuais, até 2010 dois terços das mulheres estarão obesas ou acima do peso.
Estudos anteriores já demonstraram que essas mulheres têm mais dificuldade para engravidar e, quando conseguem conceber, têm maior risco de complicações.
Riscos
A pesquisa sueca envolveu 150 mil mulheres e concluiu que o aumento no Índice de Massa Corporal (IMC) - o peso em quilos dividido pela altura em metros ao quadrado - em uma ou duas unidades já era suficiente para causar problemas na gravidez.
O IMC ideal ficaria entre 18,5 e 25. Uma mulher que mede 1,65 e pesa 60 quilos tem um IMC de 22. Se ela engordasse 3 quilos, seu IMC subiria em uma unidade para 23.
No estudo, mulheres que ganharam uma ou duas unidades de massa corporal em um período de dois anos, entre o nascimento do primeiro bebê e a segunda gravidez, aumentaram o risco de pressão alta e diabetes gestacionais de 20% a 40%.
Uma alta do IMC em três unidades aumenta ainda o risco de o bebê nascer morto.
O co-autor do estudo, Eduardo Villamor, da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, frisou que as mulheres não precisam ficar acima do peso ou obesas para aumentarem a chance de ter problemas na gravidez.
"Um aumento de peso relativamente modesto entre as gravidezes já poderia levar a sérias doenças", afirma ele.
Perda de peso
Para Adam Balem, do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, na Grã-Bretanha, os resultados do estudo são impressionantes.
Ele afirma que um esforço para perder peso depois da primeira gravidez pode fazer uma grande diferença, especialmente para as mulheres obesas."A obesidade é um problema que vemos todos os dias nas clínicas. As mulheres têm dificuldade em perder peso depois da gravidez."
Fatores como amamentação, tipo de parto e quanto tempo a mulher leva para voltar às atividades físicas têm um papel importante na perda de peso. "E com a idade, é necessário comer menos e fazer mais exercício para evitar engordar, o que pode ser complicado para mulheres que trabalham e têm filhos pequenos."
"O melhor conselho é que as mulheres amamentem e façam o possível para se exercitar, voltando ao seu peso normal antes de pensar na segunda gravidez", diz Balem.
Mas os especialistas também alertam para o perigo oposto, o da perda excessiva de peso. "Muitas mulheres se preocupam em perder peso após darem à luz e acabam exagerando e emagrecendo demais", diz Gillian Fletcher, do National Childbirth Trust, na Grã-Bretanha. Ela diz que dietas radicais são especialmente perigosas para mulheres que estão amamentando ou tentando conceber.
FONTE: BBC News
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Nota da blogueira: Mulheres, amamentem seus filhos! É uma das melhores "táticas" para voltar ao peso normal. Um dia de amamentação exclusiva queima 500 cal (mesma quantidade que se gasta em uma hora de cooper).
Então o que vocês estão esperando? Amamentem!!!!
Seus corpos ganham saúde, seus filhos ganham MAIS saúde ainda...
:O)


